Isto Não é um Filme (In Film Nist. 2011)

É triste saber que enquanto em determinados lugares sobra liberdade e não se sabe exatamente o que fazer com ela, desperdiçando-a, em outros sobra entusiasmo, força de vontade e boas ideias, mas infelizmente esbarra na censura e não liberdade de expressão. É o que aconteceu com o diretor iraniano Jafar Panahi condenado a seis anos de prisão domiciliar e vinte proibido de fi…lmar.

Jafar encontrou uma brecha e conseguiu produzir “Isto Não é Um Filme” para nossa felicidade possibilitando o espectador a lamentavelmente saber que a repressão é uma realidade em pleno século XXI, e que este “não-filme” conseguiu sair de seu país de maneira clandestina, através de um mero pendrive escondido dentro de um bolo.

Parabéns ao diretor por estar dando voz aos outros diretores iranianos impossibilitados de realizar seus trabalhos, mesmo sabendo que está correndo risco de sofrer punições com a produção caseira agora espalhados pelos quatro cantos do mundo.

Sonhar ainda é permitido em qualquer nação… bom que ele encontrou um meio de partilhar este seu sonho com o publico. Agradeço profundamente pela coragem e ousadia.
Karenina Rostov
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Isto não é um filme (In Film Nist, This is not a film. 2011)
Filme iraniano dirigido por Jafar Panahi e Motjaba Mirtahmasb.

Raul Seixas: O início, o fim e o meio (Raul Seixas, 2012)

É o melhor documentário já feito sobre a vida de uma pessoa pública. Saí do cinema sabendo sobre a vida do artista, entendendo o que eu pensava que já sabia antes e, azar o meu, se o filme não me fez compreender o que antes já era incompreendido: O que afinal caracteriza os geniais? A loucura? O inusitado? O Brasil abriga um incontável amontoado de talentos, alguns geniais, no entanto inverter a trajetória do nosso cometa, não depende de nós… Como brinde, o filme oferece muitas imagens bacanas, personagens e personalidades que fizeram parte da vida do compositor. O documentário passeia pela ditadura, tropicalismo, festivais. Raul Seixas não viveu, aconteceu! Colocou imagens e coração numa trilha sonora que já veio com ele, uma cena rock’n rol de 44 anos de duração. Raul em essência era sua própria sua música concreta nas melodias que embalam nossa realidade.
Era uma vez um homem, suas muitas mulheres e muitos vícios que se lhe deram prazer, afastaram-no da felicidade, essa felicidade careta que muitas vezes fazem nossos sonhos existirem por mais tempo. O vício em “todo tipo de droga, menos maconha  -  que de maconha ele não gostava” – com ênfase no álcool era a trilha para o final da linha para os romances de Raul, menos um: o seu  primeiro casamento com Edith, a namorada de adolescência . Esta, ao ser “abandonada” enquanto Raul ia ali até Brasília ficar com Glória, a irmã do seu guitarrista, foi embora, voltou para o seu país, levando a filha do casal e nunca mais esta família voltaria a se reunir. Raul passou a vida remoendo tristeza e arrependimento por este ato, por esta perda.

Ninguém conseguia acompanhá-lo nas suas intensidades ‘tóxicossociais’, nem mesmo o guru satânico que depois viraria mago, não sem antes lhe apresentar às maldições nas suas mais variadas formas. Fiquei a pensar na generosidade desse baiano magrelo que ensinou “o mago” a fazer letras de música e em troca, com ele aprendeu a se decompor biodegradavelmente em frascos e ácidos.

Raul era doce, duas de suas antigas esposas afirmam que ele tinha um cheiro doce. Uma fala de forma romântica a outra, objetivamente atribui o cheiro e o sabor à diabetes do músico. É fato que aquele homem nem tão belo assim, muito magro, cabeludo e bastante doido era tão verdadeiro no seu sentimento, que conseguia manter consensualmente romances simultâneos com suas “atuais” e “ex”. Nesses depoimentos  a platéia se acabava de rir… da situação dos triângulos amorosos consentidos pelas partes envolvidas. Como a caretice é prejudicial à felicidade que aparentemente preserva…

O documentário é muito comovente, rodado entre Bahia, Rio, São Paulo, Estados Unidos, Genebra. A equipe fez o trajeto da diáspora  Raulseixista. Mostra o fã dono do mítico baú e suas preciosas relíquias, que  se tornou amigo do astro, carregando-o embriagado quando era preciso sem perder a admiração. Descobrimos que o “Trem das Sete” teve uma dona e  hoje  é de todo aquele que acredita que amor, atestado de garantia e certificado de posse são as mesmas coisas…

Raul tem um neto que é sua xerox, mas o moleque mora no exterior e não falou sobre o avô, que pena. A filha mais velha tem mágoa do pai, não gravou depoimento, mas escreveu uma carta; a segunda filha é uma gracinha, mas é a filha “brasileira do Brasil” – as outras moram na América do Norte – que dá show de orgulho de ser filha do maluco beleza. Viu como o documentário é bom? É como uma reunião de amigos, parentes e agregados em torno da figura do mito tão trágico quanto divertido.

Saí do cinema aliviada com as palavras do Marcelo Nova: “Ele fez 50 shows! Morreu fazendo o que gostava, cantando! Não morreu esquecido, nem anônimo num quarto escuro”. Marcelo Nova: Parabéns! Obrigada! Mas e agora o que eu faço com a sensação de que não devo ser tão genial quanto pareço, porque não sei ir tão fundo naquilo que dá celebridade aos imortais? Ser careta é meu atestado de mediocridade? Fiquei me sentindo uma roqueira de subúrbio. Daquelas que assistem ao show pela TV da barraquinha de hot dog atrás do Madureira Shopping, que antes de sair de casa lava e passa a camiseta preta com frases em inglês… Se você entendeu que a celebridade dos imortais está nas drogas, esclareço:  O que dá celebridade aos geniais, é a coragem. Coragem de se arriscar e até de perder. Perder afeto, mulheres, a convivência com os filhos, ver os amigos virarem-lhe a cara e negar-lhe oportunidades. Por mais que digam que a vida é escolha, acredito que para escolher há que se ter opções e, onde estão elas quando não vemos o que escolhemos? O esforço pra ser “um sujeito normal e fazer tudo igual“ não é escolha. Aprender a ser louco é dom! Somos apenas criaturas seguindo o caminho que os olhos enxergam. Cumprimos nosso destino.

Com Claudio Roberto – Paulo Coelho – Marcelo Nova

Era destino de Raul seguir sua carência, se entristecer a vida inteira por um ato que não resultou no que ele possa ter imaginado. Sua incapacidade de viver só, sua pancreatite regada pelo álcool que ele nunca conseguiu deixar, ainda que tivesse conseguido parar com as drogas ilícitas. Sua falta de vontade de viver e a falta de crédito para que voltasse a gravar definharam sua saúde, mas nada disso se compara ao vigor da sua obra eternizada, passando de geração em geração ainda que muitas das suas mensagens não sejam imediatamente captadas, são seladas, carimbadas, se pra gente voar. O destino de Raul foi ganhar essa legião de tipos, diferentes dele e entre si. Em comum os olhos úmidos na saída do cinema, porque a gente viveu ao menos pelo tempo de uma música,  Raulzitamente.
Ah, a mim pareceu que e o Paulo Coelho matou a única mosca de Genebra…

O Último e o Primeiro ou Faça-me Feliz! (Fais-moi plaisir!) e Dzi Croquettes

O último filme que vi em 2011 foi “Faça-me Feliz” (Fais-moi plaisir!) do diretor Emmanuel Mouret, que também atua e, muitíssimo bem por sinal! Filme leve divertido, ri muita coisa e pelos trailers apresentados nesta sessão, percebi que o cinema Francês está com tudo e que a gente anda muito atrasado, pois “Fais-moi plaisir!” esteve na 33ª Mostra Internacional de Cinema – São Paulo International Film Festival (20 out – 05 nov 2009)… Quase 2 anos depois, finalmente fizeram-nos felizes e rimos bastante, isso é o que importa…

Depois da sessão parada no Odorico completamente lotado e como estávamos felizes, até mesmo o que aborreceria foi motivo de risadas, afinal era dia 29, a última quinta-feira do ano! Odorico é um barzinho bem legal com tempero de restaurante e tem a garçonete mais delicada do mundo!!! Viva a amizade que fazemos nas condições mais improváveis! Bons amigos, boa comida, bom filme, o que mais poderíamos querer???

O primeiro filme que vi em 2012, foi um documentário e não fui ao cinema para ver. “Dzi Croquettes“, em DVD, assitido em casa porque dia 31 não teve sessão de cinema e no dia primeiro nem procurei saber. Comprei o DVD no lojinha do Artplex, há meses quando ainda era Unibanco… (Cá entre nós, muito melhor o cinema mudar de nome do que mudar de ramo…)

Filme maravilhoso, documentário sensível para fazer rir, chorar, pensar… Tathiana Issa me colocou dentro do documento, em contato com as personagens (todas reais), me colocou na fita para viver aquilo que eu só tinha ouvido falar. Toda a trajetória fascinante dos Dzi está ali e trazendo uma reflexão de um tempo em que se criava. Um tempo que tinha-se o trabalho, o amor a arte à frente do dinheiro, dos apoios, patrocínios, “projetos”…

Postado por Rozzi Brasil

As Canções (2011)

Assisti ao documentário “As Canções“, do diretor Eduardo Coutinho. Fui sem ler resenha alguma afinal, era um Eduardo Coutinho diretor do qual sou fã sem ser especialista, eu não tenho como ser especializada em nenhum autor devido a passionalidade que o ao meu olhar crítico possui, mas tenho cá as minhas “grifes”.De cara este filme remeteu-me ao anterior “Jogo de Cena”. Saí do cinema pensando se seria a resposta da música (arte de compor e cantar) à interpretação (arte de interpretar)… Mas se em Jogo de Cena tínhamos algumas atrizes famosas, em As Canções, famosas apenas as músicas e as histórias, por inusitadas que fossem, todas girando em torno do amor, da emoção de ter-se amado um dia ou de ter-se amado menos do que se podia, amado quem não devia, mas no fundo amores perdidos.

As pessoas entram num palco com cortinas escuras, cadeira escura, cantam suas canções, expõem suas penumbras e contam suas histórias ou vice-e-versa. Levantam-se e saem dali provavelmente diferente do que entraram – imagino – porque eu, senti-me diferente de quando entrei para ver o documentário. Mesmo as pessoas mais leves, “carregam” no peso de suas histórias. Mesmo aqueles que contam de maneira a provocar risos, falam de dramas de um pedaço que se foi e que a canção permanece a preencher.Pergunto-me qual o segredo de Coutinho para deixar pessoas tão à vontade contando particularidades. Sim, eu sei,  são  histórias vividas, passadas, já divididas, partilhadas nenhum segredo, talvez, já do conhecimento daqueles com quem convivem. Mas teriam sido as canções que fizeram do diretor alguém íntimo para que abrissem o coração antes de cantar a plenos pulmões?

O filho que dizia não ao pai, o homem que dizia não à esposa, a mulher que ouviu tantos nãos do seu afeto durante 30 anos de idas e vindas, o homem que mudou-se do interior depois de perder em curto período esposa e familiares. O coronel que hoje lava a louça e leva a esposa e sua culpa de carro ao médico. A mulher que perdeu o amante após ganhar centímetros na “cinturinha de pilão”, a jovem – agora uma senhora, expulsa de casa por ser mãe solteira que encontra o amor da sua vida no exato momento que partia para morrer-se e matar a própria filha. A cantora do programa do Ary Barroso aposentada. A cadeirante com a linda história do amor em “Dó-Ré-Mi”.

Histórias, emoções ainda que em torno do mesmo tema, tão diferentes umas das outras, geradas por um sentimento que todos tivemos um dia, de ter amado e ter perdido. De continuar amando mesmo depois de ter sido preterido.

Coutinho e seu método, penumbra, cadeira, depoimento, boca aberta, alma em exposição, vulnerabilidade,  poderia ser um dentista, é diretor, cineasta. Poderia ser dentista… Mas é que a dor do paciente fica com a gente…

Por Rozzi Brasil.

Curiosidade: Prêmio de Melhor Documentário no Festival do Rio 2011.

I & II Guerra Mundial – Um período Macabro e Sangrento da História da Humanidade

O documentário sobre a I Guerra Mundial foi organizado e apresentado pelo canal Inglês BBC, destacando os conflitos da I Guerra Mundial que ocorreu entre os anos de 1914-1918. Diferentemente dos documentários produzidos até hoje que sempre retrataram a Primeira Guerra Mundial sob a óptica norte-americana, este retrata diferentes visões do conflito, mostrando a guerra na Rússia, Arábia, África entre outros países.

Com relação a II Guerra Mundial destaca-se o filme “Hiroshima Mon Amor” (1959) um romance sobre a direção de Sacha Kamenka e Shirakawa Takeo que claramente descreve a fúria, a destruição de um povo e de sua memória história. O filme causou impacto e discussões em todo o mundo na década de 50 e hoje é uma referência na descrição de um período tão sangrento da história da humanidade.

Ambos as produções historicamente nos leva a uma viagem, a um período de dor, desapropriação e de confronto direto com a morte. Uma narrativa que descreve o contexto que perpassa a I e II Guerra Mundial. Trazendo-nos uma perspectiva sobre atitude das pessoas em meio à movimentação da guerra.

Uma representação fiel dos comportamentos dos soldados que se interligavam para combater o inimigo. Podemos notar a fiel representação das trincheiras e dos processos que desencadeia a guerra.

Nas ruas era notável um cinturão de homens e metralhadoras rodeando os caminhões e tanques estacionados na praça central. Os projéteis enquanto isso continuava caindo sem interrupção e anunciando o fim do bombardeio. Depois de alguns instantes de silêncio, uma bomba assolava e eliminava tudo ao seu alcance e o silêncio pairava profundamente. Os oficiais sobreviventes levantam novamente em nome da sua nação amada; renovando o pedido de rendição, dizendo ao mesmo tempo, que não podia ordenar que um homem corajoso fosse morto naquelas condições sem a menor possibilidade de salvar a sua vida.

Assim, fica visível a movimentação de conflito e de dor que devorava os corpos e alimenta a alma dos heróis guerreiros que bravamente lutavam e somente se rendiam em homenagem aos corajosos que morreram. Quanta dor sentiu Hiroshima e Nagasaki; uma dor tragicamente narrada de forma profundo no documentário.

Dentro do contexto podemos notar que vários foram os motivos que levaram a economia americana ao colapso, mas a “Guerra Mundial” gerou um colapso que desmoronou a economia, além do mais os EUA foi atingido por uma depressão, se tornando o epicentro dos acontecimentos.

A guerra Russa, no entanto foi um ensaio geral nos anos de 1904 e 1905 decorrentes da ambição imperialista tanto russa, quanta japonesa sobre a Coréia e a Manchúria.

Os resultados deste processo foram o domingo sangrento, onde ocorreu uma manifestação de trabalhadores que pedia a Czar a redução das jornadas de trabalhos e melhoria no salário, outros manifestos ocorridos foram de outubro, junho e o encouraçado de Petemkin.

A Rússia na guerra, não desenvolveu um ótimo papel sendo considerada o gigante de pés de barro, pois as táticas utilizadas na guerra eram antigas, o comando ineficiente, havia muitos soldados e poucas aparelhagens e o abastecimento precário, não propiciando resultados positivos.

Na aurora da análise notamos que ocorria um desequilíbrio interno na Rússia, construindo um descrédito de Czar e ocorrendo a implantação do socialismo, sendo possível ver o surgimento de uma nova política econômica que se fixa com o plano quinquenais de 1928, promovendo uma ruptura nos planejamentos econômicos em meio a um desenvolvimento lento e cheio de contrastes econômicos, sociais e políticos.

Todavia, podemos apontar com convicção que a crise de 1929 provocou grandes efeitos na economia, maior que a própria guerra. Não podemos esquecer que a crise econômica será marcada com o surgimento do totalitarismo de Hitler, da política intervencionalista de Roosevelt e da longa disputa entre os pólos distintos entre socialismo e capitalismo.

Em primeiro momento se pensava que o colapso econômico seria apenas um ciclo comercial típico da economia capitalista, no entanto é visível que o colapso provocou uma queda dos movimentos migratórios de forma globalização, afetando a economia e provocando o desemprego e a inflação.

Neste período o desemprego era visto como uma ferida profunda e potencialmente mortal ao corpo político.

Como historiador, digo que o documentário de forma clara narra um dos principais momentos da história da humanidade.

Na aurora da análise, percebemos o sentimento de nacionalidade que permanecia vivo em cada guerreiro e cidadão que colocava o seu “próprio peito a morte”, em nome da nação e dos ideais defendidos por ela.

Quebrando o Tabu. 2011

Antes de se posicionar contra ou favor da descriminalização do uso da maconha, ou mesmo de sua legalização, é preciso louvar um documentário que se propõe a debater a ética de uma guerra contra as drogas e avaliar, ainda que sob uma perspectiva bastante parcial, seus efeitos.

Quebrando o tabu representa um marco evolutivo na carreira do cineasta Fernando Grostein Andrade, que às vésperas de completar 30 anos, promove uma sacudida daquelas no gênero documentário no cinema nacional. Não que Quebrando o tabu e Coração vagabundo, filme de 2009 que acompanhava Caetano Veloso em turnê, sejam obras que rompam esteticamente com cânones do cinema ou que se insurjam contra paradigmas narrativos. Os filmes se encaixam dentro de um esquematismo didático disponível em qualquer manual de roteiro. Mas em compensação, transbordam coragem, poesia e propriedade.

Grostein inicia Quebrando o tabu apresentando seu principal personagem: Fernando Henrique Cardoso. O ex-presidente e sociólogo colaborou com Grostein na confecção do argumento do longa. FHC surge como um questionador que já tem uma certeza. A guerra contra as drogas faliu. É preciso, segundo suas ilações, rever medidas e posturas. O filme acompanha a jornada de FHC em busca de embasamento para uma tese que o filme já defende de pronto – e a bem sacada animação que dá início à fita não faz questão de esconder esse fato. Essa aparente arrogância (os macacos bêbados ao som da potente trilha sonora de 2001: uma odisséia no espaço dão vez ao letreiro do filme) cede espaço a uma construção ideológica bem arquitetada por meio de depoimentos precisos de valiosos cabos eleitorais como os ex-presidentes americanos Bill Clinton e Jimmy Carter, o médico Drauzio Varela e autoridades sanitárias e políticas da Suíça e Holanda.

Quebrando o tabu, no entanto, não se desvia de argumentos antigos dos defensores da legalização da maconha. Contudo, ao sublinhar a hipocrisia e leniência dos governos em relação ao álcool e ao tabaco, o filme atinge seu melhor momento. A ideia de mudar a política de combate às drogas é pontual e itinerante. Mas cercá-la de demandas pouco substanciais – como dar voz a usuários que admitem preferir se arriscar no trato com o traficante do que respeitar a lei – enfraquecem a discussão em seu traçado mais humanitário, reforçando seu viés ideológico.

Quebrando o tabu arranha questões interessantes. Ao abordar as bem sucedidas intervenções dos governos de Portugal, Suíça e Holanda na questão das drogas, o filme dá um passo à frente a seus opositores. Sugere que a famigerada guerra contra as drogas perde de vista a questão da saúde pública e o impacto positivo passível de efeito mediante uma mudança de abordagem. Mas o filme ignora que a simples legalização da maconha não representa o fim do tráfico de drogas como conceito. Não só pelo fato de que outras drogas proibidas continuarão em oferta (e muito provavelmente mais ampla e barata), como que outras vias de acesso à maconha se viabilizarão.

Os prós e os contras não tiram o mérito de Quebrando o tabu; pelo contrário, os reafirma. Incidir sobre uma questão tão polêmica e revestida de ideologias tão proativas é um serviço à sociedade. Em um mundo em que Michael Moore subverte verdades a seus caprichos, não dá para dizer que Grostein erra ao defender tão veementemente a legalização da maconha. É uma postura corajosa que precisa ser respeitada e discutida dentro do jogo democrático que o cinema conclama. Quebrando o tabu pode até soar ingênuo de enxergar um país melhor do que o Brasil demonstra ter vocação. Os exemplos buscados na Europa não convenceram um importante interlocutor do filme; um coordenador de um programa social desenvolvido pelo AfroReggae disse em determinado momento à FHC que não vê o país suficientemente maduro para legalizar a maconha. Quebrando o tabu faz parte desse processo de amadurecimento. Justamente por isso, com seus erros e seus acertos, além de bem vindo, é muito importante.

Por Reinaldo Matheus Glioche.

Quebrando o Tabu. 2011. Brasil. Diretor: Fernando Grostein Andrade (Coração Vagabundo). Elenco/depoimentos: Fernando Henrique Cardoso, Bill Clinton, Jimmy Carter, Anthony Papa, Ruth Dreifuss, Paulo Coelho, Drauzio Varela, Ethan Nadelmann. Roteiro: Fernando Grostein Andrade, Ilona Szabó, Ricardo Setti, Thomaz Souto Correa, Bruno Módolo, Rodrigo Oliveira, Carolina Kotscho. Gênero: Documentário. Duração: 80 minutos. Classificação: 18 anos.

Lixo Extraordinário (Waste Land. 2009)

Yes, nós temos esperança!
Assisti ontem ao documentário Lixo Extraordinário, produzido em 2009 e dirigido a seis mãos pelos brasileiros João Jardim e Karen Harley e pela diretora inglesa Lucy Walker. A obra me causou uma sensação gratificante e de esperança.

Lixo Extraordinário é o lixo comum, produzido por estabelecimentos comerciais e residenciais até uma determinada quantidade, e são classificados como lixo domiciliar, para diferenciar do lixo infectante.

A palavra ‘extraordinário’ foi uma escolha acertada para qualificar o substantivo lixo, e com certeza não podia ser melhor, já que seu significado de sentido forte e imponente, caindo como uma luva para este documentário.

O adjetivo extraordinário significa: excepcional; singular; raro; excessivo; em elevado grau; muito grande; descomunal; anormal; assombroso; estupendo, exatamente o que a história vem nos contar.

O filme me fez viajar por algumas situações: um brechó em meu bairro de nome Lixúria, a mistura de lixo ao luxo. Outra lembrança que veio à tona é de uma senhora de uns 60 anos, com problemas mentais que vivia e trabalhava no aterro sanitário, ou lixão de Gramacho, e foi por acaso descoberta no ano 2000 pelo fotógrafo e diretor Marcos Prado que apresentou ao público em 2004 através do documentário sob o nome dela: Estamira. Este aterro sanitário é um dos maiores do mundo, o maior da América Latina, localizado em Jardim Gramacho, bairro periférico de Duque de Caxias e que recebe os resíduos produzidos na cidade do Rio de Janeiro.

A minha outra viagem foi em um texto lido casualmente hoje, intitulado: Vai dar bichos e cheirar mal. Gostei tanto que reproduzirei alguns trechos dele:

“Querer ter mais do que o necessário é demonstração de insensatez. É revelação da falta de entendimento do que é a vida, do que representam as riquezas materiais: “porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui.” Segundo Rubem Amorese (Ultimato – Set/Out – 2003), os pensadores modernos associam felicidade à saciedade, à satisfação plena dos desejos. Há sérios riscos e perigos em querer ter mais do que o necessário; perigos que dizem respeito ao tempo, aos recursos financeiros, aos talentos, aos bens materiais em geral, à própria vida, enfim. Sejamos cuidadosos: estejamos vigilantes, a fim de que aquilo que ajuntamos, não dê bichos e não cheirem mal.”

Esta passagem descreve perfeitamente o documentário Lixo Extraordinário que mostra o encontro de Vik Muniz, um artista plástico brasileiro de São Paulo que atualmente vive em Nova Iorque, com pessoas que por falta de oportunidades, trabalham num aterro sanitário recolhendo material reaproveitável: papelão, garrafa pet, plástico, alumínio, ferro. O trabalho desse artista é reutilizar todo tipo de material impensável para fazer arte, tais como açúcar, terra, pneus, brinquedos mobília, aparelhos elétricos e eletrônicos etc, mesclando tudo com seus registros fotográficos.

Vik Muniz tomou a decisão de voltar ao Brasil e ficar por dois anos no Rio de Janeiro; firmou acordo com esses trabalhadores informais numa troca favores. Os catadores trabalhariam para ele durante esse período recolhendo materiais e servindo de modelo vivo para a sua arte e posando para fotos; e receberiam os valores monetários correspondentes e algo mais no final. Foi gratificante para os dois lados: para o artista e para esses trabalhadores que ganharam além de tudo, um amigo e novas oportunidades de saírem daquela condição, olhar o mundo daquele ponto e enxergar coisas novas além do horizonte.

No primeiro ano o artista plástico fez o reconhecimento da área, travou relacionamento com muitos deles, e a partir daí passamos a conhecer algumas histórias comoventes. Ele comenta com o seu colega de trabalho que não nota ninguém ali trabalhando naquela condição, infeliz ou deprimido. São pessoas comuns, como qualquer outra, apenas não tiveram chance de ter um trabalho melhor. Pessoas felizes, em uma renda de R$ 50,00 por dia, sabendo-se que há profissões em nível superior que não chega a ganhar isso.

Sempre com sua câmera, Vik registra tudo e todos, para depois selecionar o material e explorar isso em seu processo de criação e da sua arte final.

Um deles é Tião, presidente da Associação dos Catadores do Jardim Gramacho, personagem marcante da comunidade que encontrou uma banheira em perfeito estado, e o artista teve a idéia de fotografá-lo na pose do revolucionário Murat que fora assassinado em sua casa dentro da banheira e foi pintado por Charlotte Corday. O quadro de Vik ficou bem parecido com a pintura original que ele resolveu levar para ser leiloado em Londres, e nessa viagem levou Tião para participar. Aproveitou e levou-o para conhecer um museu onde havia obras de Basquiat e outros artistas contemporâneos e conversaram muito sobre arte. O rapaz ficou encantado com tudo que viu e ouviu e não fez feio.

O filme começa e termina no mesmo ponto: no Programa de Jô Soares apresentando o brasileiro Vik Muniz como o artista dos remakes de obras mais famosas, porém usando material inusitado; e ao término mostrando um dos catadores que termina dizendo ao entrevistador algo como:

“- Não somos catadores de lixo; somos catadores de material reciclável.”

Lixo é tudo igual, o do pobre e o do rico se misturam no aterro sanitário e tornam-se únicos. Há até um momento de descontração entre eles comentando o lixo de cada um. E o filme nem por um momento varre seu lixo para debaixo do tapete. Sabe-se que incomoda; os preconceituosos dizem que o nosso país só gosta de mostrar favela e miséria. E eu digo que não se trata mais de favela, mas de comunidade, não são catadores de lixo, mas catadores de material reaproveitável. E neste aterro que prometeram fechar suas portas em 2012, nenhum deles gosta de ser tratado como coitadinho, são pessoas, são histórias, são vidas que trabalham, pagam contas, sabem ler, se apaixonam, sorriem, choram, sentem dor de dente e falam bonito.

Em Lixo Extraordinário aprende-se, nas entrelinhas, que 99 não é 100; aprende-se com a dor da perda de um filho a ser solidário e dar o ombro a quem precisa; aprende-se que O Príncipe pode estar no lixo e que Maquiavel serviu para um leitor voraz conhecê-lo e criar uma biblioteca na comunidade.

E essa história não acaba aqui. Foi parar na exposição do Museu de Arte Moderna – MAM – RJ, e esses protagonistas da vida real estiveram lá, como convidados ilustres para conferir sua arte final.

E cada um desses protagonistas recebeu da mão do artista Vik Muniz, cópia de sua imagem, um belíssimo quadro.

Vik Muniz já foi um grande consumista. Ao mostrar a casa onde morou, seu quarto de paredes e teto úmidos por causa da chuva frequente de São Paulo, em um bairro de classe média-baixa, comentou isso, dizendo que, como todo jovem sempre sonhava em ter, comprar, gastar, possuir. E um lindo dia acordou e descobriu que não se precisa ter tanta coisa para ser feliz.

Gratificante. Uma lição de vida. Uma obra de arte. Sem dúvida, merecedor de todos os prêmios. É bem verdade que sempre torci pelo meu país, só que agora torcerei um pouco mais.

Bem, o filme durou 99 minutos, o aterro no Jardim de Gramacho fechará as portas (ou só mudará de endereço?), mas a vida continua. Não se sabe o que será dessa gente que precisa desse trabalho para viver, mas certamente não ficarão desempregados.

Parece que desta vez o Brasil (em co-parceria) conquistará o tão cobiçado prêmio de academia. Caso nada ganhe, saiba que já te elegi o melhor, mesmo não tendo assistido aos outros.

Karenina Rostov

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Título: Lixo Extraordinário
País: Brasil e Reino Unido
Ano de produção: 2009
Tempo: 99 minutos min
Direção : Lucy Walker, João Jardim e Karen Harley
Gênero: Documentário
Idioma original: Inglês

Ôpa! Isso não faz parte do filme, ok? :*

O Inferno de Henri-Georges Clouzot (2009)

Serge Bromberg e Ruxandra Medrea decidiram fazer um documentário sobre a obra inacabada de Clouzot: “L’Enfer” assim que tiveram acesso a cerca de treze horas de filmagem através da viúva do diretor.

O projeto delirante e caríssimo envolvia estrelas do porte de Romy Schneider (Sissi) no auge de sua beleza e ousadias visuais nunca antes experimentadas. A ação do roteiro original de Clouzot se passava na região de Cantal no centro-sul da França tendo como cenário um suntuoso hotel à beira de um lago. Serge Reggiani fazia par romântico com Romy. As cenas reais da conturbada relação foram rodadas em preto e branco e os delírios causados pelo ciúme doentio do homem em colorido feérico.

O documentário acaba por resultar num fiasco em parte por não se aprofundar nos bastidores da filmagem e por outro lado por deixar o espectador frustrado diante de uma obra-prima despedaçada. Os depoimentos são desinteressantes, inconclusivos e repetitivos até o momento da inesperada morte de Clouzot que aborta o projeto.

No entanto, é valido, exclusivamente para os amantes do cinema, para assistir às cenas preciosas nunca antes vistas como a impressionante sequencia de Romy mudando de expressão somente pelo movimento da luz, além de muitas outras imagens caleidoscópicas e com testes inéditos mirabolantes de cor e maquiagem.

Melhor teria sido utilizar o enorme material encontrado e tentar montar um novo filme com os novos recursos digitais disponíveis e com base no roteiro palidamente aproveitado por Claude Chabrol em 1994 (Ciúme – O inferno do amor possessivo).

Carlos Henry

O Inferno de Henri-Georges Clouzot (L’enfer d’Henri-Georges Clouzot). 2009. França. Direção: Serge Bromberg (Roteiro) e Ruxandra Medrea. Elenco: . Documentário. Duração: 102 minutos.

Curiosidade: Em 1964, Clouzot começou a filmar O INFERNO, uma produção financiada por americanos [COLUMBIA], de quem recebeu carta-branca, com um orçamento astronômico. Contaria a história de um gerente de hotel de Provence [Serge Reggiani], de mais de 40 anos, que se casa com uma deusa de 26, Romy Schneider, e passa a desenvolver um ciúme doentio. O hotel enche de turistas a fim de curtir as férias diante do lago. Marido e mulher trabalham para entreter os hóspedes.
O diretor se prepara durante meses para filmar seu grande clássico. São 3 equipes de filmagem, que captam cada cena, depois de 4 meses de ensaios, testes e invenções de traquitanas. Um dos câmeras era COSTA GAVRAS.
Convocou artistas plásticos para criarem efeitos óticos. Era a pop art dando seus primeiros passos. Decidiu criar uma obra que fugisse da linguagem tradicional. A trama ajudava, já que os delírios do marido ciumento poderiam levar à tela imagens distorcidas. O filme seria em preto e branco. Os delírios, coloridos. Na era pré-computador, pintavam os atores de azul.
No entanto, depois de 3 semanas de filmagens delirantes, a produção foi interrompida. CLOUZOT, diretor, roteirista e produtor, sofria um surto psicológico.
Filmava e refilmava as cenas diversas vezes, em dias alternados. O filme não andava. A equipe se desgastava. Levava os atores e a equipe à exaustão. Acordava-os de madrugada para discutir o filme. Até o ator abandonar a produção, e CLOUZOT enfartar e morrer. As imagens ficaram guardadas num depósito por mais de 40 anos.
Recuperam e contam a história do filme interrompido.

Site do autor da caricatura de Henri-Georges Clouzot: http://www.nalair.fr/

Este Filme Ainda Não Foi Classificado (This Film Is Not Yet Rated. 2006)

 

Assisti por um canal a cabo. E não dá para ficar sem comentar esse Documentário: Esse Filme Ainda Não Foi Classificado. O tema é por demais interessante: Censura e Censores. Sendo que Mercado e Educadores também entram no contexto.

Após um tempo que passei a me dedicar a escrever sobre Filmes foi que voltei a prestar atenção se ele seria adequado ou não a uma faixa etária. Até por me perguntarem se tal filme poderia ser visto com filhos menores de idade. Lá no passado a minha preocupação maior era se eu poderia assistir ou não. Isso já faz um bom tempo, onde havia duas opções para mim ver um filme: Cinema ou Televisão. Bem antes mesmo das fitas em VHS.

Assistindo a esse documentário pude perceber que não houve grandes diferenças entre o que censuravam no passado e o que censuram atualmente. Um exemplo do passado: Por conta de mostrar pelos pubianos de um ator, numa cena bem rápida, o filme fora censurado para menores de 14 anos. Eu e umas amigas tivemos que convencer o gerente para nos deixar assistir. É! O primeiro nu masculino numa tela ficou memorável. Talvez pelo esforço em não perder o filme. Agora um exemplo do próprio Documentário: a atriz Maria Bello conta que o filme ‘The Cooler’ (2003) foi proibido para menores de 17 anos porque apareceram seus pelos pubianos numa cena.

Se no passado do nosso país era a Ditadura Militar o Órgão Censor, atualmente a uma diversidade maior. Mas com o advento de portabilizar os filmes – VHS, DVD, Internet… -, o acesso a filmes “proibitivos” cresceu. Mesmo não se tratando de uma infração para quem assiste, mas onerando muito mais para quem deixa os menores de idade assistirem, vemos nesse Documentário que muitos filmes ainda passam por cortes para adequarem o seu conteúdo ao público menor de idade, e só então receberem o aval para serem lançados. Quando não, mesmo após o lançamento ainda sofrerão em verem seus filmes editados.

Sempre fico intrigada quando assistindo filmes pela televisão vêem com isso: “Esse filme foi editado para adequar o seu conteúdo a esse horário.” Pois me pego a pensar em qual cena foi retirada. E se uma reprise do mesmo após um horário adequado, as tais cenas voltariam. Esse lance de horário, e nos canais de televisão, é também uma baita censura para o Autor de Séries, Novelas… Dependendo do horário que o programa será exibido, ele terá que adequar o texto. Já ouviu uma explanação sobre esse tema num Evento com o autor de Malhação ID.

Como podem ver há cerceamento para Cinema e Televisão. Não sei quais são os critérios para Teatro.

 O pensamento oscila para um lado e para outro. De um, seria se colocariam também uma tanga cobrindo os órgãos genitais das Obras de Artes, das estátuas, nos Museus em certos horários. Mas brincadeiras à parte, quando a nossa preocupação são de fato as crianças – e me refiro até a pré-adolescência -, claro que a Classificação Indicativa se faz necessário.

Vendo esse Documentário confesso que pensei em Michael Moore. Se tivesse sido realizado por ele, creio que o tema teria sido mais abrangente, indo também a outros países, com mais detalhes. Mas o Diretor Kirk Dick conseguiu nos dá uma amostragem bem interessante de como é feita essa Classificação Indicativa lá, nos Estados Unidos. Onde usam esses códigos: G, PG, PG-13, R e NC-17. Procurando pelos significados, encontrei esses:
- G: Censura Livre.
- PG: Conteúdo com menor grau de violência, insinuações de linguagem grosseira e ausência de temas adultos, recomendável para crianças maiores de 9 anos.
- PG-13: Não recomendável para menores de treze anos por conter alguma violência, linguagem levemente grosseira, e sugestão de temas adultos. Cenas leves.
- R: Não recomendável para menores de quinze anos por conter cenas de violência, linguagem grosseira e temas adultos leves. Cenas estilo médio.
- NC-17: Não recomendável para menores de dezessete anos por conter cenas de descrição explicita de violência, uso liberado de forte linguagem grosseira, e temas adultos tratados de modo detalhado e explícito. Cenas fortes.

Não descarto a importância de se saber a hora certa de uma criança ver certos fatos da vida. Quando se é adulto já passamos por tantos problemas, por tantas cenas reais… que deixar que vivam mais tempo da infância – a época da inocência -, é bem salutar.

Agora, quem seriam os responsáveis por fazer essa classificação por faixa etária lá nos Estatos Unidos?

Lá, é feita por uma organização única: a MPAA (Associação de Filmes da América). Cujos Membros não podem aparecer, por força de um contrato. São bem arbitrários em suas deliberações. Se algum Diretor, ou Produtor, entra em contato para reclamar, é até aconselhado a não prosseguir. Pois numa instância maior, serão membros da própria MPAA que irão julgar. Tantas as produções hollywoodianas, como as produções independentes, recebem igual tratamento. O que à primeira vista pareceria fator não discriminatório, mas com os caminhos que ambos têem na veiculização, torna-se algo discriminatório sim.

Produções independentes não são transmitidas em muitas Salas de Cinema. Por vezes, nem atingem cidades do interior. Aqui no Brasil, até mesmo um Diretor como Woody Allen, nem em subúrbios das capitais, passam seus filmes. O Documentário não entrou em maiores detalhes no porque de um filme que recebe o – NC-17 -, ficar queimado. Eu presumi que então só poderia ser exibido em poucas Salas. Me peguei a pensar no filme ‘O Caçador de Pipas‘. Pois a versão do livro para o filme adequou a estória para atingir um público muito mais jovem. Só não sei se foi por livre arbítrio do Diretor, ou imposição da MPAA.

Kevin Smith reclama de uma censura restritiva ao seu ‘Menina dos Olhos‘, por conta da personagem da Liv Tyler dizer que se masturba. Para a MPAA deve ser algo inaceitável. Tanto é, que uma das retrições feita ao ‘Meninos Não Choram’ foi por causa de um orgasmo da personagem feminina – muito prolongado na visão deles, quem conta é Kimberly Peirce. Há também a declaração de um membro de uma ONG contra a violência feminina que não entende como a MPAA deixa passar cenas onde a mulher é estuprada, arrastada, violentada… mas ficam incomodados quando não há violência num ato sexual de uma mulher, por exemplo.

O Diretor Kirk Dick contrata duas Detetives para que descubram quem são os membros da MPAA. Elas descobrem. Mas depoimentos mesmo, só de ex-membros. Pelos Estatutos do Ógão Censor, um dos critérios é que deveriam ter filhos menores de idade. Mas pelo que o que investigaram, muitos têm filhos maiores de idade. Seria o alto salário que os prenderiam a esse trabalho? Padre e Pastor também fazem parte do plantel. Por um ex-membro, foi dito que eles não teriam poder de voto. Mas sabe se lá se eles não influenciam a quem pode votar.

O Documentário também aborda uma diferenciação para filmes com teor homossexual. Onde filmes muito violentos recebem uma classificação mais branda que os com temática sexual. O Diretor Darren Aronofsky também fala da censura a seus filmes.

Enfim, fica a recomendação para que assistam. Não faltará temas para um debate, até em Salas de Aulas. Eu até veria outra vez, mesmo ficando a desejar. E essa turminha do MPAA não me sairá mais da mente.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Este Filme Ainda Não Foi Classificado (This Film Is Not Yet Rated) 2006. EUA / Reino Unido. Direção e Roteiro: Kirk Dick. Gênero: Documentário. Duração: 97 minutos.

 

OS ANOS JK – uma trajetória política

1954: suicídio de Getúlio Vargas. 1955: crise política ameaça a posse do presidente eleito, Juscelino Kubitschek. 1956: JK assume a presidência. Promete democracia e desenvolvimento. Supera crises e crises. Começa a construção de Brasília. Brasil muda de tom. 1960: JK inaugura Brasília. 1961: JK dá posse a seu sucessor Jânio Quadros. Sete meses depois Jânio renuncia. Crise. 1964: Golpe Militar instaura ditadura. JK é cassado. Dez anos de história. Muitas crises. O governo JK é um exercício de democracia. O Brasil ferve. Os anos JK. Ver para não esquecer.”

O filme traz uma abordagem a respeito da história do Brasil, com relação às eleições de JK, o nascimento de Brasília, o grande sucesso de Jânio Quadros que logo renuncia.

A produção cinematográfica trabalhada por Hélio Paulo Ferraz, inicialmente procura destacar as problemáticas e o contexto vivido na época; promovendo uma breve apresentação da crise política, o golpe militar, e a cassação dos direitos políticos de Juscelino Kubitschek.

O foco propriamente dito e a trajetória política de Juscelino Kubitschek, aquele conhecido como o “presidente bossa nova”, popular entre os grandes números de artistas, que objetiva o aceleramento no desenvolvimento do País rumo a modernidade e a ocupação de destaque entre as potencias mundiais.

Podemos notar que o filme trabalha a trajetória de Juscelino, mas não deixa de fazer uma análise da sociedade na época como relação ao econômico, político, social e cultural; um movimento de confronto direto entre grupos distintos que busca o controle do poder.

O filme é um referencial bibliográfico que não só trabalha a trajetória de Juscelino, destacando também todos os processos históricos que se inicia ante dos anos 50 e que permanecem como um grande marco até hoje na contemporaneidade.

Afinal, podemos afirmar que o grande movimento político e populista de Juscelino Kubitscheck mudou o rumo e as estruturas da história brasileira.

OS ANOS JK: Uma Trajetória Política. 1980. Brasil. Direção: Silvio Tendler. Elenco: Othon Bastos (narração), Renato Archer, Henrique Teixeira Lott, Tancredo Neves, Magalhães Pinto. Género: Documentário. Duração: 110 minutos.