Michael, de Markus Schleinzer. (Festival do Rio 2011 – parte 3)

Continuando… Michael (2011) do austríaco Markus Schleinzer pode ser considerado um dos melhores filmes do Festival do Rio 2011 para quem não teme os temas fortes.

O personagem título é um homem de rotina comum, mas que mantém cativo o pequeno Wolfgang de apenas 10 anos vivido pelo extraordinário David Rauchenberger. Trancafiado no porão, o menino é submetido a uma rotina de abusos sexuais e oscila entre a ternura, o sofrimento silencioso e impotente diante de uma força maior e a agressividade inútil de um animalzinho selvagem.

Desenha e escreve cartas que nunca chegarão até seus pais verdadeiros, participa de sessões maníacas de limpeza detalhada, é capaz de demonstrar apatia diante de uma repetição de um diálogo chocante de filme de terror proferido pelo seu algoz e participar passivamente de rotinas e passeios que sugerem uma relação paternal e natural, mas reage ferozmente diante de situações mais corriqueiras.

É o ensaio de sua tentativa de libertação que deixa um impactante final aberto (as pessoas costumam detestar finais abertos) ao som da singela e ordinária: “Sunny” disco hit de Boney M. que exemplifica a aparente simplicidade de um monstro. Quando o ótimo ator Michael Fuith cantarola a canção, simboliza esta horripilante e aterradora faceta de alguns criminosos que passam por pessoas comuns.

Por Carlos Henry.

Filmes de Terror em 2011 (Festival do Rio 2011 – parte 2)

Continuando… Em paralelo ao Festival do Rio 2011 coloquei em dia os Filmes de Terror.

Trabalhar Cansa de Juliana Rojas e Marco Dutra é a primeira incursão nacional no horror psicológico e uma grata surpresa. Helena é uma dona de casa que resolve ajudar o marido desempregado se empenhando na gerência de um pequeno mercado. Deixando de lado a suposta e pretensiosa metáfora acerca de temas relacionados à mecânica do trabalho e a complexa dicotomia: patrão/empregado, o filme causa tensão sem apelar para os recursos do susto fácil. Os atores estão ótimos e a direção segura.

Ainda em Manhattan, aproveitei o mau tempo para conferir A Hora do Espanto (Fright Night) de Craig Gillespie, refilmagem digna do clássico dos anos 80 ainda que com doses bem menos equilibradas de humor, tensão, erotismo (quase não existe neste) e drama. A bocarra apavorante surge desta vem em três dimensões, mas fora o artifício da técnica 3D e a participação de Toni Collette, o longa tem pouco a acrescentar.

Não Tenha Medo do Escuro (Don’t be afraid of the dark) de Troy Nixey com a assinatura de Guillermo del Toro na produção e roteiro tem como cenário uma mansão incrível assombrada por criaturinhas malignas. A menininha (Claro que tem uma criança) é chatinha no início, mas depois dá para torcer por ela ao invés dos “gremlins”.

Premonição 5 (Final Destination 5) de Steven Quale que após o opaco Final destination 4, consegue ganhar o gás dos primeiros da série com aquelas cenas impactantes de catástrofe, no caso um acidente horripilante na ponte. As mortes também são apavorantes como na cena da ginástica olímpica e da cirurgia de miopia.

Já no Brasil, assisti Atividade Paranormal 3 (Paranormal activity 3) de henry Joost e Ariel Schulman que é seguramente o melhor e mais assustador da sequência. A fórmula é a mesma: Ruídos e movimentos tão sem justificativa plausível como o fato de filmar tudo sem parar na casa assombrada. No entanto, o ritmo deste é ágil e os fatos encaixam com mais coerência além de cenas que realmente apavoram. Capenga, mas imperdível para os fãs do terror.

Por Carlos Henry.

Um Panorama do Festival do Rio 2011 – parte 1

O Advogado do Viado (The Advocate for Fagdom) de Angélique Bosio não é um bom documentário mas abre um olhar para o bizarro e ousado trabalho de Bruce Labruce, autor dos explícitos “The Raspberry Reich” e “Hustler White”. John Water e Gus Van Sant colorem a arrastada sequência de depoimentos.

Alien Lésbica Solteira Procura (Codependent Lesbian Space Alien Seeks Same) de Madeleine Olnek é inacreditavelmente ruim e por ser concebido originalmente para ser um trash acaba por ter momentos engraçados e inusitados como a alienígena que passeia de chapeuzinho e tudo pela bucólica Coney Island.

A Árvore do Amor (Shanzha Shu Zhi Lian) de Zhang Yimou tem como pano de fundo a revolução cultural da China contando a chorosa e singela estória de amor de um jovem e casto casal separado por questões políticas no severo regime de Mao Tsé-Tung além de uma grave doença que arrebata o belo Sun.

Beleza (Skoonheid) de Oliver Hermanus relata os tormentos do abrutalhado e confuso François que se fica obcecado pelo filho de um velho amigo. O que poderia ser a “Morte em Veneza” dos tempos atuais se transforma num filme tão cruel que chega a ser desagradável com um estupro assustador e uma desconfortável cena de sexo grupal masculino que quebram o ritmo lento do filme prejudicado pela mão pesada do diretor.

Coney Island – O Último Verão (Coney Island (last Summer) de Marion Naccache não rende em suas imagens desinteressantes de um lugar tão decadente quanto encantador. Eu mesmo tenho em casa cenas registradas bem mais vibrantes de quando lá estive no final do século.

Inquietos (Restless) confirma Gus Van sant como um dos melhores diretores da atualidade. A delicadíssima estória de Annabel e Enoch que se encontram em funerais de desconhecidos por terem diferentes relações com a questão da morte rende uma paixão inesperada. O conforto emocionante que o filme dá a um tema que facilmente trilharia pelo caminho da pieguice surpreende. É Harold and Maude talentosamente revisitados na pele de Mia (que em momentos lembra a Farrow jovem) Wasikowska e Henry Hooper em um roteiro novo e encantador.

Contágio (Contagion) de Steven Soderbergh remete aos filmes-catástrofe dos anos 70 pelo clima assustador e elenco estelar (Matt Damon, Kate Winslet, Jude Law, Marion Cotillard e Gwyneth Paltrow) enfrentando um vírus fatal que se espalha rapidamente a partir de uma viagem a Hong Kong. Antecipei-me e já tinha visto em Nova Iorque, mas vou ver de novo quando estrear.

Estivemos Aqui (We were here) de David Weissman começa com imagens de homens lindos e atraentes na São Francisco hedonista dos anos 70, cujo quadro muda rapidamente para um cenário de terror com a chegada de uma terrível doença que se instala até os dias de hoje. Triste e chocante até as lágrimas. As pausas embargadas e sofridas causadas pelas lembranças de um sobrevivente sugerem uma dor que nunca cicatrizará.

Shark Night 3D de David R. Ellis não merece qualquer crédito. É ruim de doer. Assisti também em Nova Iorque antes do festival. Fujam mais do que qualquer barbatana na praia.

Funkytown de Daniel Roby revive a era disco em Montreal quando o Canadá passa pelo Movimento Separatista de Quebec (há uma relação curiosa com o nosso “A Novela das 8”), mas o povo quer mesmo é se divertir no clube Starlight ao som dos hits da época. Um divertimento à parte foi assistir a película lá em cima na bucólica Santa Teresa com Paula. Comemos pastel de costela no famoso Mineiro e nos integramos ao clima intimista do lugar com direito a uma platéia “descolada”, regulagem personalizada do ar condicionado e observações engraçadas no banheiro improvisado (não jogue papel no vaso-risco de explosão!) e ótima projeção na sala mínima.

Martha Marcy May Marlene de Sean Durkin evoca as angústias do que uma experiência traumática pode provocar na mente humana a ponto de confundir o que se viveu com ilusões assustadoras. Este é o dilema de Martha, afastada após um período vivido numa seita religiosa cujo líder abusava das mulheres. Quando retorna à sociedade, ela enfrenta dificuldades de readaptação com o mundo real.

Capitães de Areia de Cecilia Amado é uma feliz adaptação do conhecido livro do avô Jorge. O elenco infantil é ágil e encantador e dá graça e vida ao bando de meninos delinquentes na Salvador dos anos 50 devastada pela miséria e varíola. O charme, a promiscuidade e o humor do grupo deslizam fácil num roteiro fluente que prende a atenção desde o início.

A Novela das Oito de Odilon Rocha teve sessão glamorosa no Odeon com o excelente elenco que inclui Claudia Ohana, Vanessa Giacomo e Mateus Solano (em tórrida cena homoerótica). A novela em questão é Dancin’ Days que em 1978 ameniza os efeitos do final da ditadura no Brasil. A trama é engenhosa e rende bons momentos com algumas quedas de ritmo, mas muita música boa da época incluindo a inesquecível abertura da novela com as frenéticas e o hit “A noite vai chegar” da ótima Lady Zu.

Teus Olhos Meus de Caio Sóh tem uma dupla de atores promissora: Emilio Dantas e Remo Rocha além dos veteranos Roberto Bomtempo e Paloma Duarte no apoio. Mas o roteiro batido, uma direção inexperiente e uma montagem quase desastrosa não salvam o filme de um amadorismo insustentável que pode interessar somente a um público gay específico.

Xica da Silva do Cacá Diegues foi um grande sucesso na década de 70 contando a estória da escrava que vira amante do contratador João Fernandes, incumbido pela coroa portuguesa de investigar as riquezas das Minas Gerais no século XVIII. A cópia restaurada rendeu uma sessão no Odeon com presença da Ministra da Cultura, Ana de Hollanda, do diretor e da própria Zezé Motta, bela como sempre. Não sei se cometi uma gafe quando inadvertidamente comentei com Wilson que o filme era bom, mas mal dirigido sem perceber a carequinha do Cacá Diegues que havia mudado de lugar e estava sentado logo a minha frente ao lado da ministra. Se ouviu o comentário, nunca vou saber.

Por Carlos Henry.

A Saga O Senhor dos Anéis (2001. 2002. 2003)

A Saga O Senhor dos Anéis foi baseada no romance de fantasia criado pelo escritor, professor e filólogo britânico J.R.R. Tolkien. A trama cinematográfica dirigida por Peter Jackson também segue a Trilogia dos livros de Tolkien: A Sociedade do Anel; As Duas Torres; O Retorno do Rei. Onde se trabalha a magia e as forças sobrenaturais como algo natural. Transformando o filme em uma das produções mais famosas do mundo. Acumulando prêmios e recordes.

A saga promove uma relação entre o mundo da magia com o mundo real, onde os personagens vivem sentimentos como: guerras, paixões, transformações e perseguições em uma “Terra Mágica”.

Como historiador posso dizer que o filme traz em seu contexto um enredo pré-histórico, histórico, mitológico e lúdico. Abordando um tempo e espaço imaginário, destacando a “Terceira Era da Terra Média”; um mundo inspirado na terra real segundo Tolkien, numa Europa mitológica, habitado por humanos e por outras raças humanóides: elfos, anões e orcs. Tolkien deu o nome a esse lugar com a palavra do inglês moderno, Middle-earth (Terra-Média), derivado do inglês antigo, Middangeard, o reino onde humanos vivem na mitologia Nórdica e Germânica. Tolkien pretendia ambientar o espaço físico da saga com o espaço físico vivido no mundo real.

O filme narra o conflito contra o mal que se alastra pela Terra-Média, através da luta de várias raças: humanos, anões, elfos, ents e hobbits, contra orcs, para evitar que o “Anel do Poder” volte às mãos de seu criador Sauron, o senhor do escuro (trevas). Partindo dos primórdios tranquilos do Condado, a história muda através da Terra-Média e segue o percurso da Guerra do Anel através dos olhos de seus personagens, especialmente do protagonista, Frodo Bolseiro (Elijah Wood).

A história principal da saga foi dividida em seis apêndices que fornecem uma riqueza de material com fundo histórico e linguístico. A princípio, Tolkien tinha como objetivo dar vida à extensiva análise de seus temas e origens literárias em um único livro. Embora um grande trabalho tenha sido feito, a história é meramente o resultado de uma mitologia lúdica sob influência da filologia, mitologia, industrialização, religião, provocando grandes efeitos na fantasia moderna.

A enorme e permanente popularidade da Trilogia O Senhor dos Anéis levou a criação de muitas sociedades de fãs da obra; inspirando vários trabalhos de arte, música, cinema, televisão, videogames e literatura. Todavia, é visível que os filmes da Saga O Senhor dos Anéis trouxeram inovação e criatividade no que se refere às produções cinematográficas do século XXI. Tal feito se reflete no grande numero de bilheterias vendidas pelo mundo. E em ter acumulado dezessete Oscars, 4 para o primeiro, 2 para o segundo e 11 para o terceiro.

A produção cinematográfica também conta com os mais avançados recursos de efeitos especiais. Computadores e uma grande equipe para as miniaturas, moldes e todos os efeitos tornarem o mundo de Tolkien realidade na tela. Truques que só a tecnologia atual pode proporcionar, como o motion capture. Onde os hobbits e anões, que são povos de estatura menor, serão interpretados por atores com altura normal e por efeitos criados em computador terão seu tamanho reduzido.

Enfim, a saga marcou de forma complexa a história do cinema mundial, o filme já faz parte da vida contemporânea de bilhões de telespectadores que transformaram a magia cinematográfica em uma fantasia do mundo real.

Por Dhiogo Caetano.

A Trilogia O Senhor dos Anéis:
-> O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel (The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring. 2001). Nova Zelândia, EUA. Direção: Peter Jackson. Roteiro: Frances Walsh, Philippa Boyens e Peter Jackson, baseado em livro de J.R.R. Tolkien. Elenco: Elijah Wood (Frodo Baggins), Ian McKellen (Gandalf), Liv Tyler (Arwen Undomiel), Viggo Mortensen (Aragorn), Cate Blanchett (Galadriel), Orlando Bloom (Legolas Greenleaf), Hugo Weaving (Elrond), Andy Serkis (Sméagol), Brad Dourif (Língua-de-cobra), Christopher Lee (Saruman). Gênero: Ação, Aventura, Drama, Fantasia. Duração: 178 minutos. Música: Enya e Howard Shore.
Sinopse: Tendo como cenário a Terra Média, fala sobre o Senhor das Trevas Sauron e sua busca pelo “Um Anel”, anel mágico forjado por ele e há muito desaparecido. O “Um Anel”, na verdade, estava de posse do hobbit Bilbo Baggins que o repassa para seu sobrinho Frodo Baggins. O destino da Terra Média fica nas mãos de Frodo e da sociedade formada para defendê-lo, composta por representantes dos povos habitantes da Terra Média: humanos, hobbits, elfos e anões. O grupo tem por objetivo levar o “Um Anel” até a Montanha da Perdição, onde foi forjado, único lugar do mundo onde o anel pode ser destruído.

-> O Senhor dos Anéis: As Duas Torres (The Lord of the Rings: The Two Towers. 2002). Nova Zelândia, EUA. Direção: Peter Jackson. Roteiro: Philippa Boyens, Peter Jackson, Stephen Sinclair e Frances Walsh, baseado em livro de J.R.R. Tolkien. Elenco: Elijah Wood (Frodo Baggins), Ian McKellen (Gandalf), Viggo Mortensen (Aragorn / Passolargo / Herdeiro de Gondor), Liv Tyler (Arwen Undómiel), Christopher Lee (Saruman), Brad Dourif (Língua-de-cobra), Orlando Bloom (Legolas), Cate Blanchett (Galadriel), Andy Serkis (Gollum / Sméagol – voz), Hugo Weaving (Elrond). Gênero: Ação, Aventura, Drama, Fantasia. Duração: 179 minutos.
Sinopse: No final do primeiro filme da trilogia, a Sociedade do Anel, designada para levar a jóia em segurança até a Montanha da Perdição, é dissolvida. A partir disso, duas narrativas paralelas compõem a trama de Senhor dos Anéis: As Duas Torres: de um lado Aragorn (Viggo Mortensen), Legolas (Orlando Bloom) e Gimli (John Rhys-Davies) saem em busca de Merry (Dominic Monaghan) e Pippin (Billy Boyd), os hobbits seqüestrados pelos terríveis orcs. De outro, Frodo (Elijah Wood) e Sam (Sean Astin) rumam para a Montanha da Perdição, carregando o precioso anel que precisa ser destruído.

-> O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (The Lord of the Rings: The Return of the King. 2003). Nova Zelândia, EUA. Direção: Peter Jackson. Roteiro: Peter Jackson, Frances Walsh, Philippa Boyens, baseado em obra de J.R.R. Tolkien. Elenco: Elijah Wood (Frodo Bolseiro), Ian McKellen (Gandalf), Viggo Mortensen (Aragorn), Orlando Bloom (Legolas),  Liv Tyler (Arwen), Hugo Weaving (Elrond), Cate Blanchett (Galadriel), Christopher Lee (Saruman). Gênero: Ação, Aventura, Drama, Fantasia. Duração: 210 minutos. Trilha Sonora: Howard Shore.
Sinopse: A terceira e última seqüência da trilogia O Senhor dos Anéis coloca cara a cara as forças do Bem e do Mal e põe fim à Guerra do Anel. Durante a guerra, Sauron (Sala Baker), o Senhor do Escuro, envia à Terra-Média sua maior força já vista e o mago Saruman (Christopher Lee), após rebelar-se contra o poder de Mordor, começa a atacar. Apesar da volta de Gandalf (Ian McKellen) consolar os cavaleiros do sul, todos sabem que é no centro de Mordor que estão os verdadeiros responsáveis pela decisão da Guerra: Frodo (Elijah Wood) e Sam (Sean Astin), os portadores do Anel. Só que, antes que eles possam concluir sua missão – de destruir a jóia de Sauron -, os dois serão capturados pelos orcs e ficarão indefesos sem Gandalf ou qualquer guerreiro para partir em seu socorro.

Pelo Direito de optar por Filme Legendado ou Dublado!

Pode parecer surreal, mas já tivemos um Congressista pleiteando exibirem no Brasil somente Filmes Dublados, numa de se ter orgulho pela nossa Língua. Mas no fundo seguindo a máxima comum a muitos políticos: o de nivelar por baixo. Parecia algo já enterrado. Mas eis que alguns fatores trazem novamente essa ideia. Um deles nos leva a Tv paga, que já estão adotando como padrão exibir a programação dublada. Um outro fator, está em limitarem as exibições de Filmes Legendados nos Cinemas. Não apenas em reduzir as Salas onde serão exibidos, como os horários.

Alguns Filmes tidos como Cults, para nós que gostamos de assistí-los na língua original, em relação a esse tema, está tranquilo. O lance é com os tidos mais populares. Com esses, já há algum tempo, estão exibindo cada vez mais versões dubladas. Talvez seguindo a tendência de outros países, onde a maioria dos expectadores não gostam de ler legendas. Assim é nos Estados Unidos e na França. Nada contra aos Dubladores Brasileiros. Eu até ressalto em meus textos que em Animações, as escolhas das vozes aqui no Brasil superam as escolhidas no país de origem do filme. Parecendo até, em algumas vezes, que lá pesaram mais o nome do artista do que a voz.

A grande questão é em ter também a versão original. Com as Animações já estão exibindo somente versões dubladas. Como se adultos não fossem fãs também desse Gênero de Filmes. Sem serem Animações, além de não pesarem o fato de que o ator “vivenciou” a cena, até sendo guiado pelo Diretor, também há o fato de que na Dublagem perde-se muito dos Efeitos Secundários, mas também relevantes a toda a trama. Principalmente com os Suspenses e os Sci-Fi. Só para citar um exemplo, com o “A Bruxa de Blair” que eu assisti a versão dublada pela tv, mais parecia uma brincadeira num piquenique colegial. Toda a tensão contida na versão original em mostrar o que o medo pode fazer, se perdeu. E confesso que me fez cochilar.

Bem, protesto feito! E se fizerem alguma pesquisa pela net para saber a preferência por Filmes Legendados ou Dublados, já fica aqui o meu voto: Filmes na Versão Original, com Legendas. Ou que pelo menos exibam em mesmo número que os Dublados.

E você, prefere Legendado ou Dublado?

Filmes Pornôs – Erótica a Moça Sedutora

Quando falamos de erotismo macabro nos deparamos com a banalidade do prazer que é trabalho nas produções pornográficas, algo que parte da particularidade em direção ao coletivismo alienado pelo sexo e por prazer.

Erótica a moça sedutora está presente nas várias e repetidas cenas de diferentes filmes pornôs nacionais e internacionais; um corpo sensual, algo desejado até mesmo pelos deuses; um ser criado para eliminar a razão e plantar o devaneio, algo oticamente visto e desejado por milhões de seres humanos.

Quem nunca foi atraído por está moça? Quem nunca desejou sentir o poder desta profissional do sexo que invade nossos lares?
Ela é vista como uma diva desejada sem censura, um mulher gostosa e nua que faz sexo totalmente selvagem. Seu poder provoca uma ruptura do controle dos desejos, que passa ser o próprio indivíduo e não parte dos desejos que um indivíduo controla.

Por que nos deixar levar pelo desejo momentâneo, algo sem amor, sem um real prazer. Propriamente dito podemos dizer que não passa uma doce curiosidade mortífera a qual pode nos aprisionar, alienar e nos transformar em peças fundamentais para o grande sucesso desta moça ousada, pornográfica e totalmente monstruosa, uma verdadeira droga que infiltra na nossa memória e que o indivíduo não vê e se deixa levar pela sedução.

Ela faz o prazer viver o homem o qual é afogado por um momento embriagante e “torturante”; uma tortura desejada e procurada por uma grande parcela dos seres humanos que se diz “racionais”, no entanto a erótica destrói o saber e o bem viver e acima de tudo consegui em minutos romper com os princípios que formula o nosso ser.

Podemos matar a curiosidade e até mesmo encontrar com aquela moça chamada Erótica a qual falamos no decorrer da análise, mas precisamos ter a sabedoria para não tornarmos parte das loucuras sexuais realizada por ela.

As produções pornográficas representam a loucura que corrobora com o nosso prazer, algo sem amor, instinto, razão que provoca uma ejaculação pensada ou provocada por um prazer momentâneo que por fim se transforma em um arrependimento irracional, pois horas depois a Erótica atormenta e a razão é novamente violada pelo desejo do sexo imoral e desumano.

E o OSCAR 2011 Vai Para?

Por: Karenina Rostov e Valéria Miguez (LELLA).
Ao longo da história, vários assuntos já receberam suas respectivas listas de melhores e piores. Com A Sétima Arte não poderia ser diferente, e foi a partir daí que surgiu a mais conhecida de todas as listas de premiação: o Oscar.

O Oscar foi criado em 1927 pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, e desde então se tornou uma referência mundial para todas as demais listas que passaram a definir seus prêmios máximos. A primeira edição oficial de entrega da estatueta aconteceu no ano de 1929.

Cínéfilos do mundo inteiro aguardam ansiosamente por essa data que costuma ser no mês de fevereiro, e todos os meios de comunicação voltam-se nesse momento especial e único para não perder nenhum registro de seus astros e estrelas, e para confirmar suas apostas em todas as categorias de premiação.

Também há aqueles que criticam essa premiação. Uma das críticas seria por ser comercial demais. A esses eu costumo dizer que olhem além do prêmio, para o fato que muitos dos filmes nem chegariam às Salas de Cinemas em pequenas cidades, mas que com a indicação eles ultrapassam as fronteiras das grandes cidades. A simples menção de fazer parte da lista dará muito mais chances a mais cinéfilos de sentir todo o encantamento diante da Telona.

Além de não nos esquecermos do que houve com o filme “Guerra ao Terror”. Ele foi primeiramente lançado em Dvd, onde a divulgação é muito menor, fazendo com que muitos terminem nem sabendo da existência do filme. Por vezes, só numa pesquisa pela Filmografia de um Ator/Atriz, ou de um Diretor… Então veio a indicação. Eles recolheram os Dvds e o filme foi levado às Salas de Cinema. E como todos viram, Filme e Direção – Kathryn Bigelow -, foram premiados. Esse fato torna-se então um exemplo clássico da importância de receber uma indicação para a entrega do OSCAR.

Um outro fator que também recebeu críticas – porque também não pensaram que haveria um aumento das Salas de Cinemas -, foi que passaram de 5 (cinco) para 10 (dez) os que concorreriam na final ao prêmio de Melhor Filme. Fato esse que merece os nossos aplausos.

As premiações são para: Filme, Direção, Ator, Atriz, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante, Roteiro Original, Roteiro Adaptado, Maquiagem, Fotografia, Efeitos Especiais, Som, Edição de Som, Figurino, Edição, Direção de Arte, Animação, Filme Estrangeiro, Canção Original, Trilha Sonora, Documentário, Curta-Metragem, Documentário Curta-Metragem, Curta-Metragem Animado.

Neste ano de 2011 será a 83° edição da maior premiação, onde diretores, atores e todos que fazem parte deste mundo do cinema aguardam por uma indicação e claro, também pela premiação. E de nós, fica sempre uma torcida aquele que nos encantou mais. De minha parte, eu criaria mais uma premiação: aqueles que levaram um público maior ao Cinema.

O “Cinema é a minha praia!” não poderia ficar fora dessa festa. E com uma grande Equipe, entre Autores e Colaboradores, trouxemos vários dos que estão nessa final. Como também por sermos múltiplos há mais de uma crítica para um único filme. A seguir, com a listagem final ficarão os links que os levarão a elas, nossas Críticas, com o nome do autor.

A lista dos indicados ao Oscar 2011.

Oscar 2009 – Um toque de calor humano

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Previsibilidade nos vencedores, momentos sentimentais e uma postura cada vez mais politicamente correta ao abraçar minorias ou abrir o leque das nacionalidades. Isso significa que a 81a. Cerimônia do Oscar foi uma mesmice? Não, pelo contrário. Se o conteúdo permaneceu inalterado em relação aos anos anteriores, o formato ganhou originalidade e dinamismo.

A duração próxima das três horas já serviu de alento. Em anos recentes tivemos festas com mais de quatro horas de duração, um absurdo completo. A redução foi obtida com um mesmo astro anunciando vários prêmios técnicos (Will Smith, por exemplo, foi responsável por quatro deles) e dedicando menos tempo à performance das canções originais, resultando num grande aumento da audiência.

Hugh Jackman, como o principal mestre de cerimônias da noite, foi outra grata surpresa. Utilizando seus dotes de cantor e dançarino, não perdeu minutos preciosos com aquela enxurrada de piadas duvidosas, preferindo reciclar a tradição criada por Billy Cristal de anunciar os concorrentes a Melhor Filme através de paródias musicais.

Outra inovação eficaz aconteceu na apresentação dos prêmios de interpretação. Colegas famosos dos indicados, vencedores da categoria no passado, apresentavam cada um deles tecendo comentários sobre seu desempenho, carreira e estilo de representar. Tudo isso reforçou um certo intimismo, conferiu um toque de calor humano e simpatia ao evento.

Por outro lado, a polêmica dessa vez passou longe do Teatro Kodak e de Los Angeles. Não houve surpresas nos vencedores, sequer se pode dizer que alguém tenha sido injustiçado. Toda alegação nesse sentido acabará apenas esbarrando na subjetiva questão do gosto pessoal. Sean Penn ou Mickey Rourke? Kate Winslet ou Anne Hathaway? O Curioso Caso de Benjamin Button merecia algumas das estatuetas destinadas a Quem Quer Ser Um Milionário? Em termos de Oscars essas são discussões eternas, nunca haverá consenso ou bom senso. Nenhuma premiação é criada para estabelecer verdades absolutas, sendo que a Academia nunca se esquivou de equilibrar arte, comercialismo e emoção nas suas láureas.

Assim, Heath Ledger talvez tenha sido, nesse sentido, a maior síntese da requintada noite de domingo. Seu prêmio foi artisticamente merecido (olha a subjetividade de novo), garante um retorno financeiro adicional e marejou o olhar de muitas celebridades ou anônimos. Os direitos civis felizmente continuam em alta ganhando mais um reforço ao consagrar o talentoso Sean Penn, no papel do ativista gay Henry Milk. A cultura indiana (a Globo agradece) abriu às portas de Hollywood à Bollywood, conferindo oito prêmios ao citado Quem Quer Ser um Milionário, demonstrando que etnias antes segregadas cada vez são mais bem vindas.

Haverá atualmente maior demonstração acintosa dos efeitos da globalização, que esta vinda da capital do cinema em sua festa máxima?

Por: Roberto Souza.  Blog: Cal&idoscópio.

Freud, Klein e os Vampiros

Por: Eduardo S. de Carvalho.
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Você já reparou como as pessoas se identificam com personagens de filmes de terror? Normalmente, espera-se que o espectador vibre com as peripécias do herói, mas essa é uma visão superficial do tema. Os vilões, em geral, aparecem como mais fascinantes. E esse fascínio inexplicado vem de longa data. Ainda antes de Freddy Krueger e Jason, uma figura legendária vinda da literatura do século XIX foi quase unanimidade nas primeiras produções de terror do início da história do cinema.

O sanguinário Conde Vlad Drácula foi um personagem real, conhecido como grande nacionalista e implacável com seus inimigos. Conhecido como “O Empalador”, Drácula teve sua figura livremente modificada por Bram Stoker em sua novela, e ganhou uma interessante introdução na produção de Francis Ford Coppola.

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A estória é conhecida: o nobre que luta pelo cristianismo em suas terras, e ao retornar da guerra, encontra sua esposa morta. Ela teria se matado, ao ser falsamente avisada da morte do marido na batalha contra os infiéis. Revoltado contra Deus, por quem havia lutado, o conde volta-se para Satã e torna-se um vampiro imortal, dono de presas que lhe permitem alimentar-se das vítimas, ao sugar-lhes o sangue do pescoço. Obcecado pela mulher perdida para os domínios de Deus, Drácula é dono de grande poder de persuasão e sedução, que utiliza para procurar a amada reencarnada pelos séculos afora.

Esse preâmbulo da estória por Coppola é o foco de nossa atenção, que acredito ser útil no entendimento desse fenômeno. A aura de mistério que cerca o vampiro gera até hoje grupos de admiradores. Há vários elementos que provocam tal identificação, e que justificam um aprofundamento no tema.

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A princípio, um personagem quase mítico é depositário de muitos desejos inconscientes. O que Freud diria sobre a estória do vampiro? Sem dúvida, a face sedutora de Drácula atrai tanto o homem que gostaria de possuir esse talento, quanto a mulher que sente-se desejada por essa figura. Essa busca pelo gozo imaginário esconde o lado trágico de Drácula, condenado à eternidade sem seu objeto de desejo.

O que vemos aqui, acredito, é uma antecipação pela literatura do triângulo edípiano proposto por Freud em sua teoria sobre o desenvolvimento da sexualidade. Drácula, sua esposa e Deus são os vértices desse Édipo estrutural. No caso, a mulher “morta”, objeto de amor de Drácula, perdida para sempre, e que ele busca de maneira obsessiva em outras relações, é a mãe da criança; a figura masculina de autoridade, que ele respeitava e admirava como divina, é o pai.

Assim, o vampiro é a metáfora aterradora da criança que não aceita a perda da mulher amada para o pai-rival, e torna-se fixada (“imortal”, na visão de Bram Stoker) em seu desenvolvimento libidinal nesse início de formação do sujeito desejante. Tal fixação no complexo edipiano acarretará demais falhas no desenvolvimento e nos processos psíquicos ligados às relações objetais.

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Porém, a visão freudiana não explica a escolha de Stoker pelos caninos de Drácula. O próprio Freud admitia a intuição dos escritores, ao anteciparem o que ele foi descobrindo ao longo de seu trabalho clínico e da elaboração teórica. Portanto, temos que recorrer a um complemento, se aceitarmos as idéias contidas no romance.

Freud situava a elaboração do complexo edipiano na criança por volta dos 5 a 6 anos. Nessa idade, a criança já teria passado pelo prazer essencialmente oral, e teria outros focos libidinais. É aqui que entra Melanie Klein: tendo trabalhado durante anos com crianças – coisa que Freud jamais fez – , ela percebeu traços do Édipo já aos 6 meses de idade. Nessa fase, o bebê descobre o prazer ao sugar o seio da mãe. Ao longo de seu trabalho, Klein identificou também uma enorme gama de fantasias violentas e sanguinárias na psique infantil precoces, e mesmo que a criança ainda não tenha dentes, tem a fantasia sádica de morder e destruir o seio. O ponto é que o bebê ainda não identifica o seio à mulher por trás dele, e ao descobrir que os dois objetos são um só, a sua mãe, surge um sentimento de culpa que ele procurará aliviar através de processos de reparação.

É provável que tal fantasia seja “realizada” com o surgimento dos primeiros dentes ainda na fase de amamentação. Não havendo um crescimento psíquico natural e o sujeito permanecer fixado em tal situação erótica, estará criado o vampiro na psique do bebê e que poderá perdurar em tal estado.

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Unindo essas duas teorias libidinais que se complementam, é possível uma (re)constituição da gênese de tal fascínio pela figura aterradora do vampiro. E entender o porquê de tanta atração pelas presas de Drácula, Nosferatu e tantos outros, em nossos próximos retornos à sala escura do cinema.

Por: Eduardo S. de Carvalho.

Mito e Psique em Star Wars

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Difícil justificar de modo sintético todo o fanatismo em torno da série Star Wars. Qualquer adulto com um mínimo de bom senso saberia tratar-se de mera fantasia sci-fi, uma atualização dos velhos filmes de faroeste ou de samurais produzidos em décadas passadas. Porém, George Lucas sabe que cinema é apenas isso; ou melhor, é muito mais do que isso. Prova disso é a fonte inspiradora mais próxima do primeiro filme da série, uma fita de Akira Kurosawa, A Fortaleza Escondida. A sinopse pode dizer alguma coisa: um rapaz e um mercenário têm que levar uma princesa a uma fortaleza infestada por vilões … junte-se a obra de Kurosawa a O Senhor dos Anéis, de Tolkien – leitura assumida de Lucas –, e você terá a fórmula responsável pelo sucesso alcançado em 1977, quando o primeiro Guerra nas Estrelas, hoje mais conhecido como Episódio IV – Uma Nova Esperança, foi lançado.

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Com o fim da saga, trinta anos depois de seu início, podemos ver toda a estória com mais objetividade. No primeiro filme, Lucas reforçou os aspectos míticos de Luke Skywalker, que nada mais é do que o herói arquetípico junguiano. A ausência da família, o mentor espiritual, a irmandade em torno do objetivo comum, o enfrentamento com a sombra – o próprio pai do protagonista – , não passaram desapercebidos a Joseph Campbell, em seu O Poder do Mito. Até os irmãos Wachowski terem criado o messiânico Neo em Matrix, e Peter Jackson ter filmado a obra de Tolkien, a primeira trilogia de George Lucas tinha ao menos a originalidade em mostrar o caminho de Skywalker à individuação, tal qual a teoria apresentada por Jung.

Tanto quanto o apelo dos efeitos especiais, podemos notar o quanto esse aspecto atrai e encontra eco em nossa psique. Filmes como Guerra nas Estrelas remetem o espectador a um mundo heróico, ideal, onde tudo é definido prontamente. Se cada um puder se lembrar, retornará a uma infância povoada por estórias fantásticas e contos de fadas, contadas por nossas mães, nossas avós. Tais estórias são atualizações de tradições orais míticas, que perdem-se na noite longínqua de nossos ancestrais. Freud aponta similaridades entre o pensamento mítico das primeiras culturas e a psique infantil, desde seu Totem e Tabu. Os trabalhos de Jung, e especialmente de Melanie Klein junto à criança, apontam para esse núcleo, aprofundando as primeiras conclusões do pioneiro da psicanálise.

Segundo Klein, as primeiras relações do bebê, imerso em fantasias que originam um mundo interno, são com objetos parciais. A criança não distingue a parte do todo, tomando a parte como se fosse o todo. Para exemplificar, Klein elegeu a figura do seio materno como símbolo dessas relações fantasiosas, uma vez que o bebê não vê a mãe como um ser completo e distinto dele. Há o seio bom, aquele que alimenta, aconchega, gratifica; o seio mau afasta-se, provoca fome, medo, deixando o bebê com raiva e ansiedade por não saber se sobreviverá sem tal objeto. A criança acredita ter criado tais objetos, uma vez que essa fase é extremamente narcísica, e aponta para a onipotência como importante característica.

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Há ainda a possibilidade de que a criança tenha dificuldades em reconhecer e aceitar que ambos sejam o mesmo objeto, e que exista independente de sua vontade. De acordo com o desenvolvimento psíquico do indivíduo, essa visão dicotômica da realidade externa, onde tudo é polarizado em bom ou mau, claro ou escuro, poderá perdurar por muito tempo após a infância, e o adulto não saberá lidar com um mundo muito mais complexo do que este, dividido simplesmente em Lukes e Darth Vaders.

A segunda trilogia traz uma sutil diferença em relação à primeira. Enquanto os primeiros filmes possuíam uma dimensão mítica que trazia implícito o conflito do protagonista com o relativo e o absoluto, os episódios I, II e III mostram como ambas as polaridades encontram-se naturalmente no mesmo indivíduo. Deficiências dramáticas do roteiro à parte, o tema que perpassa os três últimos filmes de George Lucas é a possibilidade de cada um apresentar sentimentos condenáveis, sem ser mau em sua essência.

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Através de Anakin Skywalker, é apresentada uma ambivalência que inexistia nos primeiros filmes (escute com atenção o tema de Anakin na trilha sonora do Episódio I, onde as últimas notas remetem à Marcha Imperial da primeira trilogia). O garoto é apresentado como um messias, “aquele que trará equilíbrio à Força”. Para nossa surpresa, a visão de Lucas amadurece aqui, escapando às tendências maniqueístas da primeira série; esse equilíbrio dá-se justamente pela metamorfose de Anakin Skywalker em vilão, junto ao imperador. Está derrubada a barreira da dualidade; é justamente por amor, considerado o mais sublime dos sentimentos, que nasce Darth Vader.

Retomando as idéias de Melanie Klein, o ser humano possui uma tendência psíquica à integração do ego. Junto ao desenvolvimento natural do sistema nervoso, esse ego em processo de amadurecimento seria responsável pelo reconhecimento de um mundo ambíguo, onde a convivência com todas as gamas do espectro emocional é possível. A criança, antes envolvida por visões incompletas da realidade externa, consegue unir os objetos bons aos objetos maus, enxergando-os como um só, integrando, assim, seu mundo interior ao mundo exterior. Os pais deixam de ser deuses ou demônios; tornam-se meros mortais. Embora não o tivesse dito claramente, a maturidade psíquica para Klein envolve a passagem de uma visão mítico-religiosa do mundo para uma visão mais abrangente e sutil, onde todos temos o direito de sentir, pensar e agir conforme nossos sentimentos, sempre dentro de limites sócio-culturais.

Enquanto não reconhecermos esse nosso “lado negro da Força” – as pulsões mais destrutivas de nosso inconsciente – , corremos o risco de cair no seu abismo.

Por tal ponto de vista, o personagem de Lucas que fecha seu ciclo psíquico por completo é Anakin Skywalker: nasce como salvador, sucumbe às forças pulsionais de sua psique, e gera aquele que o destruirá. No entanto, é através da morte de Darth Vader pelo próprio filho que Anakin renasce, mesmo que por alguns instantes. Passando pelo céu e pelo inferno, Anakin torna-se, enfim, apenas – e demasiado – humano.

Por: Eduardo S. de Carvalho.

Guerra nas Estrelas (Star Wars). EUA. Direção e Roteiro: George Lucas. Gênero: Ação, Aventura, Fantasia, Sci-Fi. Episódios: I. A Ameaça Fantasma. Direção: George Lucas. 1999. II. O Ataque dos Clones. Direção: George Lucas. 2002. III. A Vingança dos Sith. Direção: George Lucas. 2005. IV. Uma Nova Esperança. Direção: George Lucas. 1977. V. O Império Contra-Ataca. Direção: Irvin Kershner. 1980. VI. O Retorno de Jedi. Direção: Richard Marquand. 1983. Personagens: Anakin Skywalker (epis. I Jake Lloyd) (epis. II e III : Hayden Christensen) (epis. VI Sebastian Shaw), Darth Vader (epis. III Hayden Christensen) (epis. IV, V, VI David Prowse) (epis. III, IV, V e VI dublando a voz: James Earl Jones), Obi-Wan Kenobi (epis. I, II e III Ewan McGregor)(epis. IV, V e VI Alec Guiness), Luke Skywalker (epis. IV, V e VI Mark Hamill), Princesa Leia (epis. IV, V e VI Carrie Fisher), Han Solo (epis. IV, V e VI Harrison Ford), Padmé Amidala (epis. I, II e III Natalie Portman), Mace Windu (epis. I, II e III Samuel L. Jackson), Mestre Yoda (performance Frank Oz) (epis. I, II ,III,V e VI), Chewbacca (epis. III, IV, V e VI Peter Mayhew), C-3PO (epis. I a VI Anthony Daniels), R2-D2 (epis. I, III, IV e VI Kenny Baker), Lando Calrissian (epis. V e VI Billy Dee Williams), Palpatine/Darth Sidious(epis. I, II ,III,V e VI Ian McDiarmid), Conde Dookan/Darth Tyrannus(epis II e III Christopher Lee), Qui-Gon Jinn -(epi. I Liam Neeson). Música John Williams acompanhado pela Orquestra Sinfônica de Londres.