Conflitos das águas (También la lluvia, 2010)

conflito 1Conflito das águas, ou También la lluvia no original, é um filme espanhol que pode parecer, à primeira vista (ou nos primeiros 20 minutos de filme), uma tentativa mal executada de  discutir a relação passado-presente e as continuidades do processo Histórico. O enredo? No ano 2000, uma equipe de filmagem espanhola vai à cidade de Cochabamba, na Bolívia, para rodar um filme sobre a chegada dos espanhois na América, a dizimação de milhares de nativos e o papel de Bartolomé de Las Casas e Antonio de Montesinos na “defesa” dos indígenas e na denúncia das atrocidades cometidas pelos colonizadores. Durante as filmagens, estoura a Guerra da água, na qual se envolvem a grande maioria dos figurantes contratados e cujo principal líder é Daniel, quechua que interpreta Hatuey, o mártir nativo.

A proposta do filme é audaciosa e bastante difícil de ser realizada de uma maneira interessante, que fuja do clichê e proponha uma reflexão, para além do “espanhois de 1500 eram malvados e os índios muito ingênuos e dóceis”. Mas qual não foi minha (agradável) surpresa ao perceber que um filme que parecia um simples mais-do-mesmo, através do recurso à metalinguagem, se revelou um prato cheio de questões inteligentes e profundas. Algumas delas discutirei a seguir.

Primeiramente, um brinde à tradução do título. Pois é, eu que não compreendo qual a dificuldade dos tradutores em fazer uma tradução literal dos títulos de filme, percebi que, dessa vez, ainda que eu tenha quase certeza que não foi intencional, o título em português acrescenta um elemento interessante. Ora, o conflito é das águas sim: luta no presente pela água, claro; mas também um conflito das águas do oceano. O choque das águas do Atlântico que traduz o próprio choque entre as culturas e os povos. O título original também traz uma questão importante, visto que, ao dizer que a água é chuva, se está afirmando que a água é uma força da natureza e que forças da natureza não podem ser transformadas em mercadoria. Justifica-se e legitima-se assim, o levante popular boliviano.

conflito 2As personagens principais são três: Costa (Luis Tosar), Sebastián (Gael García Bernal), os cineastas; e Daniel (Juan Carlos Aduviri), líder quechua no presente e nativo no passado. É sintomático que a mesma pessoa que lidera os indígenas na Guerra da água interprete Hatuey; dessa forma fica clara a intenção de demonstrar uma continuidade no processo histórico, de exploração e resistência. Daniel é líder, mártir e heroi. Já Costa e Sebastián ora tendem a vilões, ora a herois, sem nunca se tornarem completamente um ou outro. De início, parece que Sebastián será o espanhol bom e Costa o mal; mas ao longo do filme tal impressão se desfaz, na medida em que ambos trazem à tona o dilema entre se compadecer do sofrimento dos seus figurantes e sacrificar o projeto cinematográfico de suas vidas.

Embora não fique tão clara quanto a associação entre Daniel e Hatuey, Costa e Sebastián são como Las Casas e Montesinos. Não é que não se revoltem com a situação que se dá diante de seus olhos, mas há muito em jogo para ser perdido. Como está na capa do DVD: “Muitos querem mudar o mundo… Poucos querem mudar a si próprios.” A grande cena do filme a ser rodado é aquela em que 13 indígenas são queimados vivos para servirem de exemplo para os outros nativos. Montesinos tenta a todo custo dissuadir os espanhois e impedir tal barbaridade, mas ao ser ameaçado de prisão, assiste ao massacre calado. Essa não vilanização ou heroicização dos dois cineastas é uma das sacadas mais inteligentes do filme: nessa história, não há espaço para herois brancos, seja no passado, seja no presente. Nem Costa nem Las Casas, nem Sebastián nem Montesinos são herois. Heroi é Hatuey, os herois dessa história são indígenas.

conflito 3Essa grande cena para o filme a ser rodado é também a grande cena do filme a que se assiste. Nela a relação passado-presente se revela mais clara e chocante. Daniel havia sido preso durante uma manifestação, então Costa e Sebastián vão à delegacia para soltá-lo, visto que sem ele o filme estaria perdido. Combinam com o chefe de polícia (a contragosto de Sebastián) que após a filmagem, ele seria preso novamente. Assim, ao som da palavra “corta”, uma viatura encosta e arrasta Daniel, indumentado como nativo, para o camburão. Os demais quechuas, figurantes da cena e, portanto, também trajados e pintados como indígenas, correm para cima da viatura, tombam-na e libertam Daniel, que foge.  Costa e Sebastián assistem a tudo paralisados, intervindo apenas quando os policiais apontam armas para os quechuas.

Ao estar no centro do conflito, Sebastián diz: “Isso parece um sonho. Inacreditável! Inacreditável!” De repente, o diretor se dá conta de que vivia naquele momento o que tentava filmar aos trancos e barrancos. Naquela hora, passado e presente se encontram como saídos da máquina do tempo (só faltam os raios de De volta pro futuro) e toda a continuidade do processo se desnuda. A mesma exploração, a mesma violência, a mesma humilhação. Ontem pelo ouro, hoje pela água. Ontem os espanhois, hoje uma multinacional. Sempre estrangeiros exploradores. E aí, então, se percebe que, de fato, o processo é contínuo. Afinal de contas, a grande diferença entre ouro e água para os indígenas é que sem esta última não se vive, sem o primeiro sim.

conflito 4O filme de Costa e Sebastián fica inacabado. Assim como o processo histórico. Não tem um final, nem triste nem feliz. A História não acabou. Assim como a exploração, a resistência também está viva; e com a saída da multinacional e a vitória da luta popular, talvez ela esteja pronta a escrever um novo fim para o capítulo do presente. Um fim diferente do capítulo do passado.

Assista aqui ao trailer de Conflito das águas.

Branca de Neve (Blancanieves .2012)

O famoso conto dos irmãos Grimm, Branca de Neves, já foi exaustivamente adaptado para o cinema, popularizada desde o clássico de Walt Disney que tratou de amenizar os traços adultos e fortes da trama.

Nesta fabulosa versão espanhola de Pablo Berger, o roteiro é a grande estrela. O filme é impregnado de beleza, suspense, humor e lirismo numa releitura de notável criatividade em cima da conhecida história.

A trama ambientada no universo das touradas e flamenco na Andaluzia de 1920 refere-se à famosa princesa Branca de Neve como uma personagem de contos de fadas, o que cria um tempero a mais na fantástica história de Carmen (Macarena Garcia), filha de um renomado toureiro que morre, deixando a menina aos cuidados da perversa e oportunista madrasta enfermeira Encarna (Maribel Verdú). Cansada dos maus-tratos, Carmen foge e encontra no caminho um grupo de anões toureiros que a incentivam a retomar o ofício do pai com seu talento nato. A teia de acontecimentos já familiares a todos assume caminhos surpreendentes à medida que tudo se desenrola culminando num desfecho tão emocionante quanto inesperado.

O elenco também é digno de nota, destacando as personagens principais já citadas e a composição de Sergio Dorado para o doce e apaixonado anão Rafita. Excelentes também a direção de arte e a trilha sonora recheada de cenários deslumbrantes e sons inesquecíveis.

A comparação com o filme “O Artista” de Michel Hazanavicius da mesma época é inevitável por conta da mesma estética cinematográfica adotada que nos remete ao cinema mudo com a belíssima fotografia em preto e branco na tela três por quatro.

A infeliz analogia com “O Artista” desfavorece a obra no que tange à originalidade, mas não tira nem um pouco do seu brilho e valor.

Carlos Henry

Os Amantes Passageiros (2013). Apertem os cintos… nesse voo penas irão brilhar!

os-amantes-passageiros_2013O Diretor Pedro Almodóvar após a obra prima no Drama “A Pele que Habito” resolveu tirar o pé do freio e se soltar. Bom para nós, seus fãs, que nos divertimos juntos com ele. Afinal, é uma ótima Comédia almodoviana que está nesse voo. Onde sugiro se desligarem do politicamente correto porque ele dessa vez veio foi com ‘gays à beira de um ataque de nervos‘. Também porque dessa vez ele resolveu dar um Boa noite Cinderela em quase todas as mulheres dentro desse avião. Quase porque deixou acordada apenas a rameira (Norma, personagem de Cecilia Roth) e a virgem “religiosa” (Bruna, personagem de Lola Dueñas); atrizes carimbadas pelo diretor. E foi ótimo também porque não colocou o Brasil como paraíso para fugitivos da lei. O destino final seria o México.

os-amantes-passageiros_almodovar_penelope_banderasPois é! Uma viagem que iria para a Cidade do México nem chegou a sair do espaço aéreo da Espanha. Tudo porque após levantar voo foi descoberto uma grande falha técnica que obrigava a não apenas voltar, como também a aterrissagem poderia ser arriscada. E a tal falha fora por um descuido de um mecânico, em cena com participações especiais de Antonio Banderas e Penélope Cruz. Homenagem aos dois que já atuaram em outras Comédias de Almodóvar. O casal já protagoniza um dos temas dessa história: o amor que costuma cair de paraquedas na vida das pessoas, mas que por conta de um acidente do destino pode desaparecer, ou até se ver obrigado a escolhas nada felizes.

Bem, como a classe econômica tinha um número muito maior de passageiros, o que levaria a dificultar o trabalho dos comissários de bordo, o comandante (Antonio de la Torre) decide dopá-los, inclusive a tripulação desse setor, que no caso eram mulheres. Ficando apenas os poucos passageiros da área executiva para serem entretidos.

Na primeira classe, além de Norma e Bruna, temos como passageiros: – o Sr. Más (José Luis Torrijo) um alto executivo do setor financeiro que está fugindo de uma investigação policial; – Infante (José Maria Yazpik), um mexicano para lá de misterioso; – Ricardo (Guillerme Toledo), um ator que aceita um papel numa novela mexicana como forma de dar um tempo no assédio das fãs; e um casal de recém casados, cujo noivo resolve aproveitar-se da situação. Onde os três comissários de bordo, três gays para lá de assumidos, – Joserra (Javier Cámara), Fajas (Carlos Areces) e Ulloa (Raúl Arévallo) – tem como missão de distrair esses passageiros e com isso evitar pânico à bordo.

Acontece que tirando o comandante e o co-piloto Benito (Hugo Silva), os demais estão mesmo viajando às cegas. Sem saber a real situação do voo ficam com os nervos à flor da pele. Bebem. Trocam confidências. Fazem juras secretas. Outras nem tão secretas assim pois o único telefone para se despedirem com quem está em terra está com o sinal aberto, o que deixa a conversa ser ouvidas por todos. Numa dessas conversas há a participação de mais três atrizes que já trabalharam com Almodóvar: Blanca Suárez, Paz Vega e Carmen Machi.

E o avião segue pelos céus da Espanha a procura de uma pista livre para pousar e se possível em segurança. Entre confissões, rendições, saídas do armário, sexo, drogas e muita tequila somos brindados também com um memorável número musical com Joserra, Fajas e Ulloa cantando “I’m so Excided”.

Os filmes de Almodóvar são para serem sentidos. Até porque em todos há a sua assinatura mesmo quando ele faz é a leitura de um roteiro que não escreveu. O que não é o caso desse que ele assina o Roteiro também. Muito embora “Os Amantes Passageiros” também pode ser visto como uma crítica política ao país. Com a crise instalada nos países europeus. De qualquer forma é muito mais um filme para seus fãs, e os que se permitem serem levados por ele. Almodóvar é: ame-o ou vá ver outro filme. Eu vi, amei e fiquei com vontade de rever. Nota 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Os Amantes Passageiros (Los Amantes Pasajeros. 2013). Direção e Roteiro: Pedro Almodóvar. +Elenco. Gênero: Comédia. Duração: 90 minutos. Classificação: 16 anos.

Branca de Neve na Arena (2012)

branca-de-neve_2012Por Eduardo Carvalho

Ok, você lê a sinopse e pensa: mais um filme baseado em um conto dos irmãos Grimm? Ou ainda: mais um filme mudo em branco e preto, querendo pegar o embalo de “O Artista”… se você leu algo sobre “Branca de Neve” e pensou assim, não se engane. É uma impressão superficial. Coisa que este filme decididamente não permite.

branca-de-neve_01Espanha, 1910. Antonio Villalta, o maior toureiro de sua época, sofre um grave acidente na arena, que o impossibilita de continuar sua carreira. Simultaneamente, sua esposa grávida, abalada com o ocorrido, morre logo após dar à luz uma menina. Villalta repudia a criança, que passa a ser criada pela avó materna. Após mais uma fatalidade na vida da pequena Carmen, ela vai viver com o pai e a madrasta; aí começa, propriamente dito, seu caminho como Branca de Neve, com humilhações e obstáculos no percurso.

branca-de-neve_02Anões toureiros, um galo chamado Pepe, o mal encarnado na bruxa/madrasta. Elementos do conto original são adaptados e misturados a aspectos da Espanha das touradas. Doses bem colocadas de humor são adicionadas à trajetória de Carmen, numa narrativa visual tomada por total lirismo. A trilha sonora, a fotografia captando majestosamente a luz da arena de Sevilha, a edição mesclando simulacros de truques antigos a cortes precisos – as cenas envolvendo os dois vestidos de Carmen são primorosas – e as atuações marcantes de todo o elenco, fazem o espectador esquecer que trata-se de um filme sem diálogos.

branca-de-neve_03Tal aspecto, aliás, resulta em duas consequências. Uma vez que os atores não têm voz, suas interpretações, levadas a cabo apenas através de seus olhares e corpos, tornam-se superlativas. Macarena Garcia (Carmen), a pequena Sofia Orla (Carmencita), Maribel Verdú (a madrasta Encarna, cuja maldade só está à altura da futilidade), Daniel Gimenez Cacho (Antonio Villalta) e Angela Molina (Dona Concha) dão nova vida aos personagens preexistentes em nossas mentes, agora recriados pelo diretor Pablo Berger. E as poucas legendas deixam cada espectador livre para que ele (re) crie sua própria visão de toda a estória. Por mais que esta seja linear e bem definida, as ausências de cor e de som remetem a plateia à sua infância e aos primórdios do cinema, fazendo do ato de assistir a Blancanieves uma experiência altamente introspectiva e sensorial. Guardadas as proporções, é como se estivéssemos na Paris do final do séc. XIX, olhando uma tela onde um trem chega à sua estação.

Impossível ainda deixar de notar os caminhos trilhados por essa Branca de Neve moderna. Como compreender uma princesa que dança graciosamente o flamenco, e sabe empunhar o pano vermelho e a espada na arena? Cedendo o lugar a Carl Jung, pode-se dizer que Carmem / Branca de Neve percorre um caminho de total integração com aspectos masculinos e femininos de seu ser,  animus  e  anima. A cena em que Carmem rejeita o chapéu feminino que lhe é jogado, dando preferência ao chapéu de toureiro de seu pai, é altamente esclarecedora dessa individuação. Aprendiz das lições que a vida lhe ensinou, ela ao fim amadurece a ponto de não necessitar de um príncipe. Não de um príncipe, ao menos, do modo que se espera que seja.

Concebido com tal estética anos antes de “O Artista”, o filme se beneficiou do sucesso e dos Oscars que aquele ganhou; Pablo Berger tem o bom senso de não negar o fato, pois bem sabe que é o único elemento em comum com o filme francês. Embora não abra mão do embate maniqueísta entre Branca de Neve e sua madrasta, faz de seu filme uma obra altamente original, suplantando os limites de uma estória tão conhecida de todos.

Ao final, o saldo é de puro encantamento.

Prisão de Cristal (Tras el cristal. 1987)

prisao-de-cristal_1987Prisão de Cristal é uma curiosa e desconhecida película espanhola de 1987 de A. Villaronga. Talvez, sem se dar conta, o diretor realizou um interessante e pesado noir fantástico nos moldes dos melhores suspenses de décadas passadas.

in-the-glass-cage-3O trunfo do filme está na inusitada situação principal, que incomoda ainda mais pela sua aterradora plausibilidade. A ação gira em torno do ex – médico nazista Dr. Klaus, sobrevivente de um suicídio frustrante após uma vida de sádicos experimentos homoeróticos com meninos no período da guerra. Numa última ação com uma de suas vítimas, ele se joga do telhado de uma construção. Paralisado por conta da queda, o médico está completamente dependente de sua mulher Griselda (A sempre ótima Marisa Paredes) e sua pequena filha Rena, obrigadas a monitorarem um enorme pulmão de aço e vidro, onde Klaus está confinado para sempre. Logo surge o jovem Ângelo, sob o disfarce de enfermeiro que supostamente iria ajudar a cuidar do doente, mas que desencadeará uma série de sentimentos doentios e mudanças de personalidade, inclusive na menina Rena, transtornada com as revelações do passado sombrio do pai.

in-the-glass-cage-4Embora seja um filme essencialmente desagradável e perturbador, a obra mantém o espectador atento e tenso desde a abertura recheada de imagens e desenhos das atrocidades da guerra até o final impactante de visual apurado e assombroso. A violência da estória é executada com tal habilidade e elegância, que chega a transformar a sordidez do tema numa obra de inesperada beleza. Como é um roteiro cheio de nuances e com personagens muito ricos, mereceria uma remake nas mãos de um diretor de mesmo talento, capaz de explorar os vários caminhos da trama.

Por Carlos Henry.

A Pele que Habito (La Piel que Habito, 2011)

ImagemParente mais próximo de “Má Educação” (2004), “La Piel que Habito“, é um filme bizarro, o qual  mistura características sobre  identidade sexual, traição, ansiedade, solidão, e morte.  Pedro Almodóvar adiciona a isso, um elemento de ficção científica que beira o horror. Talentoso como é Almodovar não deixa esse híbrido melodramático torna-se num filme ruim como a sua obra anterior “Los Abrazos Rotos” (2009), mas essa adaptação da obra do escritor Thierry Jonquet, não é  uma obra-prima, apenas um bom passa-tempo, se assim posso dizer!.

A história é sobre um rico cirurgião Robert Ledgard (Antonio Banderas), que  mantém uma bela mulher trancada em um dos quartos de sua mansão. Ela é sua prisioneira ou paciente? Quem é essa mulher chamada Vera Cruz ( Elena Anaya)? Qual é sua relação com Ledgard? Por que ela deve ser mantida em uma sala trancada? Com ​​essa premissa firmemente estabelecida, essas perguntas serão respondidas no decorrer do filme.

Atores:
Banderas é enigmaticamente formidável como o cirurgião que se comporta como um homem possuído por suas ambições. E quando suas ambições mudam de direção, ele é ainda mais assustador, mas não é o tipico de cientista louco dos filmes de horror !. Anaya que é uma atriz de beleza hipnótica, nos faz cair de amor e luxúria por sua Vera Cruz. Marilia Paredes é magnífica num papel desafiador, e Jan Cornet faz um belo trabalho como Vicente.Imagem

Esse filme é  para quem ?

Creio que se precisa gostar muito do cineasta espanhol para apreciar essa obra. Tecnicamente perfeito – Almodovar e o seu diretor de fotografia, José Luis Alcaine, criam um mundo de um visual vibrante, e Alberto Iglesias compôs uma trilha sonora cheia de cor e escuridão com tons altos e baixos-, a qual é  a melhor coisa do filme como um todo para mim!.

ImagemAo passo que Almodovar vai relevando o mistério em torno da personagem de Anaya, mais eu fiquei desconectado com o filme. Muitos podem levar esse filme a sério, principalmente a quem curte as questões de gênero, associado à feminilidade e masculinidade. De acordo com Judith Butler, sexo é algo objetivamente natural, e, não existe: “a realidade de gênero é performativa”, o que ela quer dizer que gênero é real na medida em que é realizado.” O corpo torna-se seu gênero somente através de uma série de atos que são renovados, revistos, e consolidados através do tempo, e não numa troca de pele. Gostaria de ter visto as duas personagens sendo interpretadas pelo mesmo ator, e quem sabe se isso não me chocaria…se essa era a intenção de Almodovar.

Nota: 7,0