Clube da Lua (Luna de Avellaneda. 2004)

No mundo de hoje não existe mais lugar para idealismos?

O filme nos leva a conhecer a realização de um sonho. Ou, das aspirações de algumas pessoas em querer compartilhar esse mesmo sonho. Em querer perpetuar o calor, a alegria de momentos felizes passados juntos. E ali, naquele Clube.

Mas a roda da vida por vezes passa que nem um trator… Pegando de surpresa alguns que deixaram de lado certos detalhes práticos. Logo, mesmo que por um adiar, os compromissos burocráticos não devem ser ignorados.

Foi o que aconteceu por aqui, a realidade batendo na porta do Clube. Por não terem apresentado Balancetes, se viram diante de uma grande dívida com a Prefeitura. Levando os sócios a buscarem uma solução. A que surgiu não fora a que esperavam, mas a única. Será? É que para piorar, todos estavam sem dinheiro. A própria localidade era atingida pela forte recessão do país. Com muitos desempregos. Sendo assim, a Diretoria não tinha como pedir aos associados para manterem em dia as mensalidades. Agora, teriam que correr contra o tempo.

E nessa busca, acabam por fazerem também um balancete de suas vidas. Com cenas belíssimas!! Algumas cujas onde um pequeno diálogo, traduz muito:
_Não sei como se faz para mudar.
_Teria que descobrir…
_Eu faço o que você quiser.
_Faça, o que você puder
.”

Ou mesmo como nesse “pedido”: “Me joga um pau que não esteja ensaboado.”

Entre risos e lágrimas, eu amei esse filme!! Ah! Logo após os primeiros créditos do filme, há uma  certa continuação… hilária! Nota: 10.

Por: Valéria Miguez.

Clube da Lua (Luna de Avellaneda). Argentina. 2004. Direção e Roteiro: Juan José Campanella. Elenco: Ricardo Darín, Eduardo Blanco, Mercedes Morán, Valeria Bertuccelli, Silvia Kutika, José Luis López Vázquez. Gênero: Drama, Comédia. Duração: 143 minutos.

As Leis de Família (Derecho de Familia. 2006)

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Parece uma história banal, mas como nos é contada, é que faz toda a diferença!

Centrada num período na vida de três gerações: pai, filho e neto. Mais precisamente numa ‘re’-aproximação entre pai e filho. Muito embora até podemos lembrar de outros filmes onde há reencontros assim. Mas esse foca o de seguir a carreira do pai. Pesando isso. Numa de filho de peixe, peixinho é? Bate até o medo de ser uma mera cópia. Até onde manter a tradição familiar. O peso do sobrenome. A carreira como um tipo de herança genética. O querer ser diferente, mesmo sendo igual.

O filme inicia com o Ariel nos… nos apresentando seu pai. Contando em off. Sob o ângulo dele. Hehe… É divertido! Até porque enquanto ele nos mostra o… o jogo de cena que seu pai faz diariamente… ao longo do filme nós identificamos que ele também tem o seu. Os dois então teriam mais pontos em comum? Será? Como ele mesmo salientou: “Mas não gosto de Direito. Gosto da Justiça.” Direito e Justiça não trabalhariam juntos para uma mesma causa?

Esse período onde o seu pai volta a se aproximar, ele “descobre” o ser pai. Seria a criança que traria o… o “Acorda!”? Tendo o mesmo sangue, faria a ponte entre seu pai e seu avô? Já registrando aqui que o menino é um encanto! Ele atua brilhantemente! Me deixou encantada ao longo do filme. E me levou as lágrimas no final!

Enquanto passam um jeito livre de ser com desenvoltura em suas “atuações”, quer seja lecionando, um, e advogando, o outro, nesse reencontro ficam sem saber o que falar; ou como contar suas próprias histórias entre si. Pois é, no lado profissional, sabem fazer uso do verbo. Faltava descobrir o uso da fala entre eles. Regar os corações de ambos.

Por vezes, algumas pessoas ficam tão presas as suas próprias leis internas, a sua rotina, suas retidões… que nem percebem que há numa simples aproximação um pedido silencioso de um carinho; de um afeto. Que também quando percebem algo, ao usarem uma balança diferente terminam por interpretar do seu jeito. Acontece, que cada um tem um jeito de contar, de transmitir… Mais do que tentar simplesmente adivinhar, o bom estar em ouvir primeiro o que o outro está tentando dizer. Mesmo que a linguagem usada seja outra, de difícil acesso. Agora, porque também esperam tanto tempo para esse reencontro?

Para estudantes de Direitos, mais que recomendado! Prestem uma atenção mais detalhada a cena onde um cara interrompe uma aula. E para nós outros, também. Assistam! É um belo filme! Amei!

Nota: 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

As Leis de Família (Derecho de Familia). 2006. Argentina. Direção e Roteiro: Daniel Burman (O Abraço Partido). Elenco: Daniel Hendler, Arturo Goetz, Eloy Burman, Julieta Díaz, Adriana Aizemberg. Gênero: Drama. Duração: 102 minutos.

O Filho da Noiva (El Hijo de la Novia)

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Não sei por onde começar ao falar desse filme. Talvez por ter acompanhando com brilhos nos olhos, com um sorriso na face. Mesmo em cenas que seriam tristes, elas foram feitas com tanto carinho (Me foge um termo profissional.) que chegam a nós como um brinde a nossa sensibilidade! Quase duas horas que não sentimos o tempo passar.

O filme poderia sair como um dramalhão a uma simples lida numa sinopse. O que estaria nela? Um workaholic, quarentão, com uma filha; e que após um enfarte, resolve “re-pensar” a sua vida.

Seus sentimentos afloram. E não viram clichezão. É um enfoque masculino e dele.

O filho que tomou às rédeas do restaurante da família. O filho que passa a olhar a mãe, que agora sofre do mal de Alzheimer, com outros olhos. O filho que tenta entender a vontade atual do pai, em casar na igreja com sua mãe. O pai, que ele até então estava se comportando (um dia na semana para estar com a filha). O namorado, ou melhor, o namoro que apenas ia levando… E outras descobertas mais nessa pós-parada.

Agora, todos os outros personagens, que poderiam apenas orbitar, estão tão bem interpretados, com falas  bem encaixadas, que parece não ter um protagonista. O pai, a mãe, a ex-mulher, a filha, o primo, o amigo de infância, o cozinheiro, os outros com pequenas passagens, enfim todos estão ótimos!

E claro, não esquecendo da namorada atual. Atentem a conversa dos dois na UTI. Ela bem que poderia ter dito um: “Vai à merda!“, mas ela queria mesmo era ir com ele. (Ah, essa expressão figura no filme.).

Há momentos hilários, como na que é parado por um guarda de trânsito! Ou onde contracena com o amigo de infância.

É um filme para ver-e-rever. Quando me falaram isso, de imediato achei que fosse por querer rever outras vezes. Até é. Mas com o Dvd, o ver-e-rever será para não perder os diálogos. Pois em algumas vezes são corridos; e também para não perder as expressões, o misancene dos atores, como também o cenário. O bom mesmo é ficar voltando o filme.

Há uma cena nesse filme que me levou a pensar em… Se o Juan José Campanella (Diretor e Roteirista) também foi fã de “All That Jazz”. A cena no corredor do hospital. Mais precisamente um certo desfile com a roupa do hospital… Se foi, gostei da homenagem!

Assistam, não irão se arrepender! Nota: 10.

Por: Valéria Miguez.

O Filho da Noiva (El Hijo de la Novia). 2001. Argentina. Diretor e Roteirista: Juan Jose Campanella. Elenco: Ricardo Darin, Hector Alterio, Norma Aleandro, Eduardo Blanco, Natalia Verbeke, Gimena Nobile, Claudia Fontan. Gênero: Comédia. Duração: 124 minutos. Produção: Mariela Besuievsky. Classificação: Livre.