GALLIPOLI. (1981)

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E assim Mogli sentou e chorou como se o seu coração fosse partir-se. Em toda a sua vida ele nunca havia chorado.
‘_Agora, eu irei até os homens’, disse ele.

Gallipoli nos leva a várias reflexões. Pois é um filme de guerra que dói na alma. Nele, ou por ele, temos as Guerras que muito pouco sabemos. Muitas delas, em pequenos parágrafos nos livros escolares. Ou, quando nos vêem com a história de que não houve derramamento de sangue. Ou até, quando há, dizem terem sido necessário. Perguntar o porque de haver guerras, não cabe aqui essa reflexão. Mas sim em como recrutam os jovens. Em como eles entram nela.

A Batalha de Gallipoli aconteceu durante a Primeira Grande Guerra. Jovens australianos e neozelandeses foram recrutados sem saberem qual seria de fato a sua missão. Pelo menos, se é que isso possa ser um atenuante, mas enfim, pelo menos os kamikases sabiam o que iriam fazer. Mas esses rapazes não. Foram movidos por ideais patrióticos, por acreditarem que isso lhes daria um emprego melhor, que teriam uma outra vida… Enfim, pelo prazer de uma nova aventura. Mas foram enganados de maneira vil. Sem a menor consideração pelos ingleses. É chocante a desfaçatez deles.

Esse filme é mais um a mostrar o quanto a guerra é estúpida. E tal do fogo-amigo das guerras atuais, é fichinha perto do que os ingleses fizeram a esses jovens.

Quem seriam esses jovens recrutas? De um lado, um grupo meio entediados no trabalho. Dentre eles, o jovem Frank (Mel Gibson). Num outro lado, o bem mais jovem Archy (Mark Lee). Em comum com ambos, o gosto pelas corridas. Se para Archy, via nela sua profissão de fé. Para Frank, a corrida era uma chance a mais de obter dinheiro. Mas em vez da corrida rivalizá-los, ela os uniu. O prazer sentido nesse esporte, a camaradagem, e sobretudo o respeito pelas diferenças entre eles foi o que consolidou de vez a amizade desses dois.

Archy era um sonhador. Frank tinha um olhar mais realista do que estava a sua volta. Numa gíria atual, era o mais safo. O inesgotável bom humor de Archy, por vezes deixava Frank contrariado. Mas quem não gostaria da companhia de alguém bem humorado? Eu gosto! Até porque sou assim. Se vêem nisso até uma frieza perante a dor… Archy mostra a todos que não. Que há nisso um modo estóico de ser. O tempo não deu tempo de verem que se pode balancear os dois modo de encarar as vicissitudes da vida. Até para avançar mais na vida, e não na morte…

O título do filme, Gallipoli, é por ser o nome da Península onde ocorreu a Batalha…

Um fime que mesmo contando uma triste história do que os homens são capazes de fazer, fica um querer ver de novo. Além da história desses dois jovens. Por ter sido feito com tanto esmero. Fotografias de tirar o fôlego! Trilha sonora que emociona! Atuações brilhantes! Cenas que ficarão para sempre na memória; e entre elas, o final do filme. Dou nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Gallipoli (Gallipoli). 1981. Austrália. Direção: Peter Weir. Elenco: Mel Gibson (Frank Dunne), Mark Lee (Archy Hamilton), Bill Kerr (Jack), Harold Hopkins (Les McCann), Charles Lathalu Yunipingli (Zac), Heath Harris (Stockman), Ron Graham (Wallace Hamilton), Gerda Nicolson (Rose Hamilton), Robert Grubb (Billy), Tim McKenzie (Barney), David Argue (Snowy), Brian Anderson (Railway Foreman). Gênero:  Drama, História, Guerra. Duração: 112 minutos.

Happy Feet – O Pingüim (Happy Feet)

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Prepare-se para entrar num mundo de magia, diversão, música e dança. Se não estiver satisfeito, inclua a exclusão social, o preconceito, o meio ambiente. Ainda assim não bastou? Some o amor, o romance, a vida em família, os costumes ancestrais. Bem; pingüins. Pingüins, pingüins e mais pingüins.

Para quem não viu “A Marcha do Imperador”, veja. É didático. Um pinguim imperador é monogâmico e somente pela voz, especificadamente pelo canto, eles se reconhecem e acasalam. Cada um tem a sua “canção do amor”. Norma Jean, é isso mesmo, o nome de solteira da Marlyn Monroe canta uma sensualíssima “Kiss” do Prince. Seu par, com o nome de Memphis -precisa explicar?- responde com o não menos charmoso “Hart Break Hotel” do imortal Elvis.

Depois de inverno mais do que polar, glacial, em que o ovo dá uma caidinha no gelo, nasce Mano. Doces olhos azuis. Maduro desde o nascimento. Romântico. Mas não canta. Dança. Sapateia. Ele é uma aberração. A mãe aceita, o pai fica triste e olha como se ele fosse de gelo transparente, através dele. E a pequena fêmea, Gloria, não consegue entender como alguém tão legal não possa cantar. Mas ela sabe que o seu coração, um dia, será dele. Paciência e doação, Gloria. “Boggie Wonderland”, do Earth, Wind and Fire.

Rejeitado pelos mais velhos, Mano é praticamente expulso da colônia. Cenas fantásticas dele deslizando e nadando por aí. Seu encontro com as skuas – gaivotas predadoras – e o diálogo com uma que foi anilhada é importantíssimo. Mas nada é comparável ao achado dos verdadeiros amigos. Os pingüins da raça adele, pequenos, machos, sotaque argentino e de um bom humor inigualável. O líder é Ramón. Que mostra que ser pingüim é uma questão de geografia. Num lugar vale a música, noutro, pedras.

Ramón é o amigão que todo mundo quer ter. Simpático, peitudo, e a voz de Robin Williams arrebenta. Sua versão de “My Way”num ritmo sincopado tipo Gipsy Kings em espanhol é de arrepiar o cabelo da cauda. Daí em diante o Mano participa de uma grande coreografia orquestrada por seus amigos para achar quem está acabando com os peixes.

Sei que ele parte com o peito rachado e lembrando de “Somebody to Love” do Queens na sua cabeça. Glória não sai dela. Mas seu destino é incerto. Ele precisa fazer algo para a colônia. Após se orientar com o pinguim-Barry White, o Amoroso, vai em busca do seu destino. Amoroso é outro figuraço, um tipo místico-picareta e adorável. Este é o time de Mano, cinco argentinos, um doidão, ele e Deus. Melhor só um time de pólo-aquático.

O filme então dá uma guinada de 360 degraus. Mano descobre a razão da mortandade marinha e Amoroso narra suas desventuras com voz embargada. De desenho animado vira um tema pesado, mas não menos crucial. Tudo tem lógica. Ele vai para o Zôo e vê os humanos como nós somos. Bichos presos atrás de um vidro, previsíveis, e destruidores. Porém a arte de Happy Feet o salva.

O final é apoteótico e ao mesmo tempo singelo. Se é que isso pode acontecer. Ele reencontra sua amada, e ela soube esperá-lo amando-o ainda mais na sua ausência. Os humanos os vêem do seu helicóptero e Mano faz o que melhor sabe, dança. E uma revolução começa.

O que há de bom: roteiro primoroso e desenho absolutamente perfeito, ação e humor na dose certa

O que há de ruim: nem todo mundo vai pegar a manchinha da fêmea, ou a voz do pingüim de Magalhães do zoo que fala igual ao Hal do “Odisséia no Espaço 2001”…

O que prestar atenção: minha canção do coração é “I Loved You” do Freddy Cole, e a sua, mulher?

A cena do filme: a chegada de Glória para acompanhá-lo e os palpites e comentários de Ramón, impagável

Cotação: filme excelente (@@@@@)

Por: Giovanni Cobretti – COBRA.  Blog do C.O.B.R.A.

Happy Feet – O Pingüim (Happy Feet). 2006. Austrália. Direção: George Miller. Elenco: Robin Williams (Ramón/Lovelace/Cletus), Hugh Jackman (Memphis), Elijah Wood (Mumble), Nicole Kidman (Norma Jean), Brittany Murphy (Gloria), Hugo Weaving (Noah), Johnny A. Sanchez (Lombardo), Carlos Alazraqui (Nestor), Lombardo Boyar (Raul), Jeff Garcia (Rinaldo), Steve Irwin (Kev), Anthony LaPaglia (Boss Skua), Miriam Margolyes (Sra. Astrakhan), Magda Szubanski (Miss Viola), Elizabeth Daily (Mumble). Gênero: Animação, Aventura, Comédia, Família, Musical. Duração: 108 minutos.

Moulin Rouge! – Amor em Vermelho (Moulin Rouge!)

Genial! Um dos filmes da década. Possivelmente, O MAIOR filme da década.

Singular, moderno, radical, controverso, apaixonante.

O que mais pode ser dito sobre esta obra-prima instantânea, que foi de fato o primeiro a trazer os Musicais ao lugar que lhes é devido desde os anos 70 e arrebatou platéias em todo o planeta?

O que pode ser maior que a direção de Luhrmann, que coordenou todo este espetáculo com tanto brilho, na tênue fronteira, não permitindo que passasse do ponto em momento algum?

O que pode ser maior que aquela apresentação do “Moulin Rouge” com todas aquelas coreografias e canções viajando quase um século? Que a fada verde feita de Absynto? Que aquele extraordinário “Tango de Roxanne?” O que pode ser maior que aquele medley no elefante e o impacto que sentimos no final? O que pode ser maior que cada acorde de “Come What May”? Que cada verso de “Your Song”?

O que pode ser maior que McGregor e seu Christian, o herói romântico por excelência, puro, nobre e apaixonado? Ah, como reconheço este personagem…

O que pode ser maior que Kidman, a maravilhosa Satine, objeto de cobiça de todos, a personificação da perfeição em forma de mulher. Seja descendo dos céus rodeada por diamantes, seja dançando “Espetacular! Espetacular!”, seja chorando por amor…Uma criatura da noite, alva e luzente, com sonhos despedaçados, permitindo-se sonhar mais uma vez e, apesar de tudo, ainda disposta a um dia voar para bem longe…

O que pode ser maior que aquele prólogo e epílogo, que aquela máquina de escrever tilintando, veículo de uma história de amor que vai durar para sempre.

O que pode ser maior que “Moulin Rouge!”? O amor. “The greatest thing you´ll ever learn is just to love and be loved in return.

Obra-prima amada!

Por: Fábio Dantas.

Moulin Rouge! – Amor em Vermelho (Moulin Rouge!). 2001. Austrália. Direção e Roteiro: Baz Luhrmann. Elenco: Nicole Kidman, Ewam McGregor, John Leguizamo, Jim Broadbent, Richard Roxburgh. Gênero: Drama, Musical, Romance. Duração: 127 minutos.