Ben X – A Fase Final (2007)

Geralmente os filmes que retratam episódios de bullying são, simultaneamente, revoltantes, chocantes e emocionantes. Sempre torcemos para que a coisa acabe bem e no fim o que é resta é mais uma tragédia. O bullying, assim como a Segunda Guerra Mundial, gera diversos materiais para o mundo das artes, seja na literatura, no teatro ou no cinema, afinal é tanta história para contar, e todas tão cruéis – ao mesmo tempo que são belas – que parece que por mais que se fale nunca é o suficiente e sempre nos surpreendemos.

Foi assim com o espetacular Klass, que refez o episódio conhecido como “O Massacre de Columbine” – a mais famosa consequência de um caso de bullying, e com o emocionante Ondskan. Agora resenho para vocês o holandês Ben X – mais um que segue a mesma fórmula: um adolescente constantemente violentado moralmente numa escola cujo o desfecho não é dos mais alegres.

Ben é um jovem com um leve nível de autismo, que é o suficiente para deixá-lo com as notas mais altas da escola e com uma dificuldade de socializar com os seus colegas. Ben não sabe – não consegue – responder questões simples ou mesmo manter um breve diálogo. Na verdade, ele nem ao menos consegue expressar uma frase completa. Ele é o modelo ideal para ser vítima dos baderneiros de sua classe, graças ao sistema competitivo e desumano que ensinamos aos nossos filhos desde o primeiro dia que ele vem ao mundo: “você deve ser o melhor”.

Ben só consegue ter o controle da situação quando está em frente ao computador jogando o RPG OnLine ArchLord. No universo do jogo, lá ele é visto com respeito por toda a comunidade, afinal é um dos mais poderosos, tem uma grande admiradora – que acaba por se tornar sua grande paixão – que jamais conheceu no mundo real. Ou seja, a vida para ele acontece no virtual. No mundo de faz-de-conta proposto pelo jogo, ele está em âmbito superior. Lá ele rege a sinfônia e sabe como lidar com qualquer coisa que apareça. Em contrapartida, fora das telas ele não é ninguém. Porém nem esta invisibilidade irá deixá-lo em paz. Como figura atormentada, alguns de seus colegas aproveitam deste quadro para lhe torturar.

Para Ben, a salvação está sempre no jogo. Então ele estabelece paralelos entre o mundo real e o mundo virtual para tentar entender as coisas. Logo, observa as coisas similares entre ambos os universos e percebe que é hora de jogar a última partida da vida. Durante todos os momentos, o que irá lhe ajudar a suportar seus medos será a figura de sua paixão virtual, que até propõe um encontro na vida real para Ben. Porém, inseguro, ele até se encaminha para o local combinado, mas não consegue se aproximar da garota.

Então Ben irá criar toda uma fantasia no mundo real, como se fosse um jogo, para triunfalmente chegar até o fim da partida. O que vemos a seguir é um espetáculo de imagens, numa poesia visual extremamente bela. Finalmente ele chega num consenso de como ele gostaria de que as coisas fossem e consegue vivenciar cada momento até chegar ao fim. O virtual se confunde com o real e o imaginário.

Plenamente satisfeito, Ben finalmente está feliz. Tomado as palavras de Alvares de Azevedo, poeta brasileiro, é como se dissesse “deixo a vida como quem deixa o tédio”. Se suícida. O bullying tem uma nova vítima.

Game over.

O diretor e roteirista Nic Balthazar, disse que ele se inspirou num fato real para fazer o filme, quando em uma cidadezinha, leu em um daqueles jornais de bairro, a respeito um jovem de 17 anos com síndrome de Asperger que havia se arremessado de um castelo graças a pressão exercida pelos praticadores de bullying (conforme carta escrita por ele). Isto fez com que ele ficasse chocado e retratasse a história através do cinema. É um triste, porém, bonito filme num gênero que sempre faz com que pensamos nos nossos atos e neste mundo tão cruél.

Por: EvAnDrO vEnAnCiO.   Blog: EvAnDrO vEnAnCiOUniverso Hiper-Real.

Os Mosconautas – No Mundo da Lua (Fly Me To The Moon)

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E aí que fomos assistir Os Mosconautas – No Mundo da Lua (Fly Me To The Moon). Teoricamente o filme é infantil, mas como trata-se de uma animação digital (e das boas!!!) consegue prender mais a atenção dos adultos do que das crianças – o que ficou claramente comprovado após a inquietação de minha filha nos primeiros 20 minutos de filme. Embora ela (só) tenha quase três anos, é apaixonada por filmes e capaz de assistir a trilogia de Shrek seguida, sem piscar!

A história, que se passa na década de 60, narra a saga de três mosquinhas muito amigas (Nat, Scooter e Q.I) que entram para a história das moscas ao pegar carona na nave Apollo XI, com destino à lua. Em meio ao turbilhão de acontecimentos, é possível dar boas gargalhadas com as trapalhadas entre os amiguinhos e seus familiares, além das adoráveis e engraçadas larvas-bebês (!!!).

cute-maggotsInfelizmente assistir filme com crianças faz com que tenhamos limitações, e uma delas foi o fato de termos assistido ao filme em uma sala de projeção comum. Por isso, não pudemos vivenciar o melhor dele: a realidade dos acontecimentos. E, sem utilizar os óculos 3D, facilmente percebemos que falta algo pois muitas cenas exploram a profundidade e os detalhes dos acontecimentos! Quero ter a oportunidade de rever o filme numa sala apropriada para essa tecnologia, pois preciso assistir novamente a cena em que uma das mosquinhas está presa num tubo de ensaio que, após uma balançada da nave, acaba flutuando dentro da nave espacial para em seguida chocar-se com outro objeto e quebrar. Os estilhaços de vidro são espalhados com muita rapidez na tela e você (espectador) tem a sensação de que precisa livrar-se deles.

É um filme interessante, engraçado, com uma temática real (menos a parte de que as moscas foram a Lua, né?) e que vale tanto para levar filhos e sobrinhos, como por diversão própria. Fica a dica!

Ps: A única coisa que não gostei no filme foi o diretor Ben Stassen inserir uma imagem do astronauta Buzz Aldrin, logo após o término do filme, explicando que tudo aquilo que assistimos durante quase uma hora e meia, era mentira! Já imaginaram a cara de decepção das crianças ao verem tal declaração, após se divertir e sonhar tanto? Tudo bem que Stassen pode ter ficado preocupado em “ensinar” algo errado, através da história da saga das moscas à Lua, mas ele não precisa levar a auto-crítica tão a sério.

Por: Viviane Alves – Recife/PE. Blog: Uma Pessoa Comum.

Os Mosconautas – No Mundo da Lua (Fly Me To The Moon). 2008. Bélgica. Direção: Ben Stassen. Elenco – Voz: Tim Curry, Christopher Lloyd, Ed Begley Jr. Gênero: Animação, Aventura. Duração: 84 minutos.

Ben X – A Fase Final

Um filme imperdível! Principalmente por abordar o Bullying. Mostrando o quão perverso são aqueles que praticam. O trote escolar também aflora certos desvios de conduta em certas pessoas, mas não sei se posso dizer que isso, de ser executado num período curto, seria um atenuante para não colocar no mesmo patamar do outro. Já que a prática do bullying perdura por todo o período letivo, e pior, por vezes, por anos após anos. E foi o que aconteceu com o protagonista dessa história.

Quem seriam esses que sentem prazer em praticar tais atos?

Esse filme, “Ben X – A Fase Final“, é mais um a nos mostrar que à eles, a punição é quase um passar a mão na cabeça do malfeitor. Nem para um tratamento psiquiátrico, são conduzidos. Mesmo sendo figurinhas carimbadas na Diretoria do Colégio. Affe!

Agora, e quanto às vítimas?

À elas, além de sofrerem horrores nas mãos dos delinqüentes, muita das vezes, ainda são discriminados pela sociedade, pelo grupo, ou mesmo pelos dirigentes das entidades onde sofrem as agressões. Nesse filme, o Diretor diz que prepara os jovens para o mundo lá fora… Numa de que fazem vista grossa para os valentões. Seria numa alusão a cadeia alimentar da natureza? Onde só os fortes sobrevivem? Ou, o que é pior, de os usarem para ver se assim se vêem livres desses ‘diferentes’.

Ben (Greg Timmermans) cresceu passando por maus pedaços nas mãos dos colegas de classe. Por verem nele, alguém diferente. Como se isso fosse crime. Seu problema fora diagnosticado de fato já quase nessa fase atual da história: Síndrome de Asperger. Um tipo de Autismo mais leve. Suas notas são altas. Mas… além de travar uma luta de sobrevivência consigo próprio, devido a sua doença, tem que tentar sobreviver as agressões dos colegas de classe. E desde os primeiros anos escolares.

Até então, se deixava levar pelo mundo da virtualidade de um jogo, o AchLord. Era a sua válvula de escape. Ali ele era invencível, se sentia forte e integrado. Ou quase, já que preferiu jogar (online) com uma única pessoa. Ela era sua princesa, sua heroína, sua companheira, e porque não, sua única amiga, Scarlite (Laura Verlinden), mesmo que só no mundo virtual.

Mas se no jogo ele chegou na fase final… no mundo real, ele atingira o seu limite…

Bem, minhas lágrimas jorraram no final. Assistam! Contar mais, embora fico tentada, tiraria a surpresa de toda essa história. E que é muito bem contada. Um filme perfeito em tudo. Além de uma trilha musical lindíssima! Nota máxima geral!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Ben X – A Fase Final (Ben X). 2007. Bélgica. Direção e Roteiro: Nic Balthazar. Elenco: Greg Timmermans, Laura Verlinden, Marijke Pinoy, Pol Goossen. Gênero: Drama. Duração: 93 minutos.

Irina Palm

Este é o texto de número 100 do Blog. Fiquei pensando em qual filme trazer. Até porque pretendo nesse mês de maio trazer filmes que mostram um universo feminino. Numa homenagem a nós Mulheres. Mesmo àquelas que não geraram filhos, carregam em si também um amor maternal. Entre alguns, escolhi esse: Irina Palm. Também pela Data de hoje: Dia do Trabalho. E Grata a Todos que por aqui passam!

Entrando no filme… Maggie (Marianne Faithfull) para conseguir dinheiro para um tratamento novo que é a última chance de salvar seu netinho, resolve procurar um trabalho. Mas para alguém sem qualificação profissional, nem experiência fora o de dona de casa, as portas se fecham. Acontece que ela não desiste.

Nessa busca eis que surge um… A princípio fica espantada, até porque era algo que nem em sonhos conhecia. Mas o amor pelo netinho, a fez voltar atrás e aceitar. O salário, as comissões eram altas. E o tratamento médico era caro. Além das posses dela e do filho.

O filme também aborda o preconceito a certos tipos de trabalho. Claro que ele não está ditando regras. Mas um pouco de consideração, até para saber o porque de algumas pessoas estarem nessa. Como a colega de trabalho diz, é preciso separar as duas pessoas. Ter consciência de que Maggie e Irina Palm eram duas pessoas diferentes. Será? Pois se a Maggie ficou até mais radiante com a chegada da Irina Palm em sua vidinha. Trouxe-lhe sangue novo correndo em suas veias. De uma coisa Maggie sabia, de que sua família e suas amigas não iriam entender, dai fez segredo. Mas de onde menos se espera, surge um abraço carinhoso.

Falar mais do filme é estragar a surpresa de vocês. O prazer em acompanhar essa Guerreira! Eu fiquei fã da Maggie! Que em vez de ficar rezando por um milagre, ela foi à luta. Arregaçou as mangas e colocou a mão na massa… E que tapa de luva que ela deu na companheira de baralho, que quis posar de dona da moral.

Só tenho uma queixa que censura besta em não mostrar o talento da Irina Palm. No mais, o filme é ótimo! De ver e rever. Nota 10! Amei o filme!

Por: Valéria Miguez.

Irina Palm. 2007. Bélgica. Direção e Roteiro: Sam Garbarski. Elenco: Marianne Faithfull, Miki Manojovic, Kevin Bishop, Siobhan Hewlett, Dorka Grylus. Gênero: Comédia, Drama. Duração: 103 minutos.