Linha de Passe. 2008

O filme Linha de Passe é uma produção cinematográfica dos autores Walter Salles e Daniella Thomas. A obra tem como objetivo abordar o Brasil de hoje na história de uma família sem pai, o espaço onde se passa o enredo da mesma é na periferia.

O filme nos oferece uma análise clara e precisa do cotidiano de uma família de trabalhadores da periferia de São Paulo, na trama a periferia torna o “centro”. Notamos que a família é comandada por uma mulher, como no famoso filme Central do Brasil, enfatizando um dos modelos de família do século XXI.

Salles de forma exagerada e estilizada nos apresenta uma trama que envolve problemáticas sociais e psicologia, onde a figura do pai inexiste, mas o seu vazio é de uma presença constante.

Linha de Passe é uma daquelas produções que nos dá uma perto no coração, nos fazendo refletir sobre a vida e o mundo a nossa volta.

A obra cinematográfica “é um retrato do Brasil atual” descrevendo com clarividência as mazelas que compõem o Brasil; não deixando de lado a sensibilidade e uma forma romântica e precisa narrar os fatos.

Este filme é um tesouro vindo do Brasil, parabéns para os seus idealizadores.

Enfim, podemos concluir que este belíssimo filme é uma obra que descreve os bestializados, aqueles que vivem a margem desta sociedade que prega “a democracia, a ordem e progresso”.

2 Coelhos (2011)

Por Alex Ginatto.

Enfim uma esperança renovada de que “Tropa de Elite” não será a única coisa diferente que veremos no cinema brasileiro nos próximos anos. “2 Coelhos” é inteligente, rápido, ofegante, engraçado e muito mais.

Fiquei sabendo há poucos dias do filme e minha única referência era o trailer, cheio de ação hollywoodiana, grafismos integrados e cenas no melhor estilo americano. Tudo isso me levou a ir a uma sala de cinema na estreia, com apenas mais 6 pessoas na plateia, mas com um sentimento enrustido de que iria me decepcionar: “Devem ter colocado tudo de melhor do filme já no trailer…”, como já me ocorreu com dezenas de filmes.

Grato engano…excelente filme, efeitos que nunca imaginaria ver em um filme brasileiro, tantos e tão bem feitos que às vezes dava a impressão de exagero, mas esse é o ponto: o filme não é monótono, não tem um ritmo apenas, é um vai-e-vem de sequências, frequências e loucuras das melhores possíveis!

Além disso, o roteiro do plano de Edgar, o protagonista de Fernando Alves Pinto, é bem criativo, surpreendente, assim como sua atuação. Alessandra Negrini linda e louca, como sempre, dá um toque especial à personagem Julia.

O plano de Edgar fica exposto apenas na última parte do filme, é explicado por Julia de uma forma descontraída (acho até que não era necessário explicar, tornando o filme um pouco mais confuso e deixando aquela neura de “vou ter que ver novamente!”).

Não vou dar grandes detalhes para não gerar spoilers, mas o plano e o roteiro principal envolvem cerca de 7 pessoas, a maioria sem sabe o que está acontecendo. Envolve dinheiro, vingança, poder, corrupção e amor, muito amor. Lindas cenas das “viagens” de Julia, com uma música de comercial de banco, daquelas que mexem com nossa alma.

O filme ainda dá umas cutucadas em todos os brasileiros, desde os corruptos, passando por personalidades fúteis criadas pela TV (o mais legal é ler as notinhas do rodapé do jornal que passa na TV durante a notícia de certa explosão, quebra totalmente o clima “in a good way”), e chegando a nós, maioria, que estamos acostumados e relaxados com os problemas do nosso país, mesmo sabendo que eles existem (um pouco do que foi feito em “Tropa de Elite 2″).

Enfim, veja! E recomende, espalhe sua opinião!

Se você é fã do estilo de Quentin Tarantino ou Guy Ritchie, deve correr para o cinema!
Nota 8.

“2 Coelhos”. 2011. Brasil
Direção e Roteiro: Afonso Poyart
Elenco: Fernando Alves Pinto, Alessandra Negrini, Caco Ciocler
Trailer:

O Último e o Primeiro ou Faça-me Feliz! (Fais-moi plaisir!) e Dzi Croquettes

O último filme que vi em 2011 foi “Faça-me Feliz” (Fais-moi plaisir!) do diretor Emmanuel Mouret, que também atua e, muitíssimo bem por sinal! Filme leve divertido, ri muita coisa e pelos trailers apresentados nesta sessão, percebi que o cinema Francês está com tudo e que a gente anda muito atrasado, pois “Fais-moi plaisir!” esteve na 33ª Mostra Internacional de Cinema – São Paulo International Film Festival (20 out – 05 nov 2009)… Quase 2 anos depois, finalmente fizeram-nos felizes e rimos bastante, isso é o que importa…

Depois da sessão parada no Odorico completamente lotado e como estávamos felizes, até mesmo o que aborreceria foi motivo de risadas, afinal era dia 29, a última quinta-feira do ano! Odorico é um barzinho bem legal com tempero de restaurante e tem a garçonete mais delicada do mundo!!! Viva a amizade que fazemos nas condições mais improváveis! Bons amigos, boa comida, bom filme, o que mais poderíamos querer???

O primeiro filme que vi em 2012, foi um documentário e não fui ao cinema para ver. “Dzi Croquettes“, em DVD, assitido em casa porque dia 31 não teve sessão de cinema e no dia primeiro nem procurei saber. Comprei o DVD no lojinha do Artplex, há meses quando ainda era Unibanco… (Cá entre nós, muito melhor o cinema mudar de nome do que mudar de ramo…)

Filme maravilhoso, documentário sensível para fazer rir, chorar, pensar… Tathiana Issa me colocou dentro do documento, em contato com as personagens (todas reais), me colocou na fita para viver aquilo que eu só tinha ouvido falar. Toda a trajetória fascinante dos Dzi está ali e trazendo uma reflexão de um tempo em que se criava. Um tempo que tinha-se o trabalho, o amor a arte à frente do dinheiro, dos apoios, patrocínios, “projetos”…

Postado por Rozzi Brasil

As Canções (2011)

Assisti ao documentário “As Canções“, do diretor Eduardo Coutinho. Fui sem ler resenha alguma afinal, era um Eduardo Coutinho diretor do qual sou fã sem ser especialista, eu não tenho como ser especializada em nenhum autor devido a passionalidade que o ao meu olhar crítico possui, mas tenho cá as minhas “grifes”.De cara este filme remeteu-me ao anterior “Jogo de Cena”. Saí do cinema pensando se seria a resposta da música (arte de compor e cantar) à interpretação (arte de interpretar)… Mas se em Jogo de Cena tínhamos algumas atrizes famosas, em As Canções, famosas apenas as músicas e as histórias, por inusitadas que fossem, todas girando em torno do amor, da emoção de ter-se amado um dia ou de ter-se amado menos do que se podia, amado quem não devia, mas no fundo amores perdidos.

As pessoas entram num palco com cortinas escuras, cadeira escura, cantam suas canções, expõem suas penumbras e contam suas histórias ou vice-e-versa. Levantam-se e saem dali provavelmente diferente do que entraram – imagino – porque eu, senti-me diferente de quando entrei para ver o documentário. Mesmo as pessoas mais leves, “carregam” no peso de suas histórias. Mesmo aqueles que contam de maneira a provocar risos, falam de dramas de um pedaço que se foi e que a canção permanece a preencher.Pergunto-me qual o segredo de Coutinho para deixar pessoas tão à vontade contando particularidades. Sim, eu sei,  são  histórias vividas, passadas, já divididas, partilhadas nenhum segredo, talvez, já do conhecimento daqueles com quem convivem. Mas teriam sido as canções que fizeram do diretor alguém íntimo para que abrissem o coração antes de cantar a plenos pulmões?

O filho que dizia não ao pai, o homem que dizia não à esposa, a mulher que ouviu tantos nãos do seu afeto durante 30 anos de idas e vindas, o homem que mudou-se do interior depois de perder em curto período esposa e familiares. O coronel que hoje lava a louça e leva a esposa e sua culpa de carro ao médico. A mulher que perdeu o amante após ganhar centímetros na “cinturinha de pilão”, a jovem – agora uma senhora, expulsa de casa por ser mãe solteira que encontra o amor da sua vida no exato momento que partia para morrer-se e matar a própria filha. A cantora do programa do Ary Barroso aposentada. A cadeirante com a linda história do amor em “Dó-Ré-Mi”.

Histórias, emoções ainda que em torno do mesmo tema, tão diferentes umas das outras, geradas por um sentimento que todos tivemos um dia, de ter amado e ter perdido. De continuar amando mesmo depois de ter sido preterido.

Coutinho e seu método, penumbra, cadeira, depoimento, boca aberta, alma em exposição, vulnerabilidade,  poderia ser um dentista, é diretor, cineasta. Poderia ser dentista… Mas é que a dor do paciente fica com a gente…

Por Rozzi Brasil.

Curiosidade: Prêmio de Melhor Documentário no Festival do Rio 2011.

Do Começo ao Fim, 2009

Do Começo ao Fim é um filme brasileiro escritor por Aluízio Abranches que narra uma história de amor diferente de tantas outras já trabalhadas nas telonas. De forma irreverente ele descreve um romance entre dois seres do mesmo sexo.

O autor trabalha dois pontos considerados polêmicos por muitos na sociedade do século XXI a homossexualidade e o incesto; na trama notamos que amor transcende todas as barreiras sociais.

A trama no apresenta uma história romântica vivida por Francisco e Thomas que ao longo do filme acabam construindo uma belíssima e amora relação, vivendo uma extraordinária história de amor; regada por muito beijo, erotismo, sexo e prazer.

Como cinéfilo afirmo que amor dos dois vence as barreiras do preconceito e da ficção, pois ao longo do filme sentimos comovidos por este amor que de forma profundamente poética, nos leva ao encontro das fábulas transcritas por inúmeros artistas e poetas que sublime dão vida as sentimentos que os coabitam.

O que é descriminado e desconsiderado na nossa sociedade contemporânea (homossexual) tornasse não mãos de Abranches um contraponto para um mundo cheio de violência, medo, intolerância e etc.

A idéia sintetizada no filme não se resume em simplesmente transtornar o telespectador, mas de fomentar uma discussão sobre as problemáticas que existem e são abafadas ou tratadas como hipocrisia; pelos membros tradicionalistas e cristãos que condenam tudo aquilo que segundo eles, não são aceitos por Deus e pela sociedade que de forma incoerente diz ser sustentada por padrões e normas sociais.

Ousadamente o filme Do Começo ao Fim rompe com as amarras cinematográfica e sociais, levando para os seu público aquilo que sabemos que existe mas que é censurado pela mídia que se diz democrática. Abranches coloca em voga uma das problemáticas mais pertinentes da sociedade contemporânea: a homofobia.

Homofobia é o termo utilizado para nomear qualquer tipo de discriminação e aversão aos homossexuais. No sentido mais profundo da palavra, homofobia ainda significa medo que uma pessoa pode ter de se tornar um homossexual. Dessa forma, pode-se perceber que o termo é um neologismo.

Existem várias ramificações que justificam a homofobia. Algumas pessoas encaram a homofobia como uma manifestação semelhante ao racismo onde as pessoas se limitam às imposições da sociedade e não são abertas ao novo, colocando o nosso eu, como referência e anulamos ou rebaixamos a opinião do outro. Os homossexuais são vistos como o “grande problema do século que contradiz os ensinamentos recebidos pela sociedade, pela família e pela religião”.

Uma pessoa pode até não concordar com a homossexualidade, mas a partir do momento em que um ser humano, independente de sua cor, raça, credo ou sexo, é discriminado por ser homossexual, surge então o ato homofóbico. Atribuem-se a ele a injúria, difamação, gestos e mímicas obscenas, antipatia, ironia, sarcasmo, insinuações e qualquer outra forma de criticar e banalizar o homossexual.

No século XXI a mídia de forma crescente e ao mesmo tempo negativa trabalha a temática gay, pois se esquece de trabalha a mentalidade da sociedade que de forma brutal matam indivíduos semelhantes por causa da sua opção sexual.

Em relação ao medo de se tornar homossexual muitas pessoas tentam o suicídio, tentam mudar sua orientação sexual, possuem baixa auto-estima, comportamento compulsivo, afastamento da família, busca refúgio em substâncias como álcool, drogas e são indivíduos que plantam a desconfiança, autocrítica.

Há uma grande polêmica entre homossexualidade e religião, pois a Bíblia (livro utilizado pelo cristianismo) condena o ato homossexual e isso gera grande revolta nos homossexuais. Ainda existem outros grupos, independentes de religião, que não aceitam os homossexuais e por isso praticam crimes contra os mesmos, perseguindo e matando estes indivíduos.

O filme nos apresenta novos caminhos onde podemos confirmar que tal análise e totalmente etnocêntrica, uma vez que não levam em consideração que a “democracia” não é um “bem universal”; e que os estados islâmicos têm uma forma muito especial de diferenciar a relação entre religião e política, que não pode ser descrita como “fanática” só por que é diferente da nossa realidade. Isso acontece porque a nossa mídia julga esses movimentos religiosos da mesma forma que julgaria se eles fossem “cristãos” e estivessem ocorrendo aqui.

O etnocentrismo existe na medida em que transpomos os nossos conceitos para outros contextos sociais, culturais e pessoais que não vivenciamos.

O filme camufladamente propõe aos homofobicos uma análise profunda, onde civilizadamente possam encontrar nos homossexuais o ser humano. Pessoas que desejam ser feliz e viver plenamente a sua existência, pois acima de tudo eles são seres humanos como qualquer outro.

No concerne da análise notamos que o filme vai além das temáticas que envolvem o “incesto gay”, homofobia, relações familiares; levando os telespectadores a discutirem a respeito do “mito amor” que é muito bem trabalhado por Platão em O Banquete, por que senti repulsa em amar uma pessoa do mesmo sexo?

“Achei o tema que envolve o filme ousado, serve pra mostrar um lado da homossexualidade que não é notado pela sociedade, uma relação de amor entre duas pessoas que passa longe das orgias que é tão taxada na relação gay. Parece mostrar uma outra ótica, mas que não deixa de ser amor e mais leal até que muitos outros relacionamentos ditos normais que existem por aí”, (Thalyta França – acadêmica de Arquitetura e Urbanismo e membro do Coletivo Catraia.)

Em suma, não estou aqui para colocar a questão se ser gay é normal ou não. O que não pode ser aceito é a violência que cresce a cada dia. Eles são seres humanos e desejam como qualquer outro, ser feliz e viver plenamente da sua existência.

O Amigo Imaginário

Traz outro amigo também!

Quem teve oportunidade de se deliciar com o Festival do Rio 2011, certamente sentirá saudades. Por outro lado, terá como prêmio as novas boas recordações que serão acrescentadas à memória. Dos muitos idiomas estrangeiros, escolhi um da minha pátria para guardar com carinho dentre outros de diferentes nações que selecionei para prestigiar. Trata-se do Curta Traz outro amigo também (2010), de Frederico Cabral, contando uma belíssima e singela história que costuma pertencer ao universo infantil, mas a surpresa aqui é descobrir que é algo que independe de faixa etária.

É a história de um detetive (Felipe Mônaco) que foi contratado por um homem (Clemente Viscaíno) para encontrar seu amigo imaginário de infância, desaparecido há mais de cinquenta anos. Como encontrar alguém que só existe na imaginação de um homem? Esse é o dilema do detetive particular que pede ajuda a algumas crianças para resolver esse impasse.

Um conto fantástico que remete o expectador ao maravilhoso universo infantil. Um amigo imaginário pode povoar o mundo de qualquer  um que queira.

E como resgatar o amigo imaginário? Eis a questão. Manter viva a criança que agora ocupa o espaço do adulto tem um lado compensador e desafiador.

O curta permite diversas associações ligadas ao comportamento infantil, e o detetive usou a lógica para cumprir sua missão, ou seja, estabelecer contato com o imaginário da criança e a partir daí fazer sua expedição em busca do suposto amigo imaginário de seu cliente.

A vida é assim, feita, às vezes, de grandes momentos vividos em poucos minutos, mágicos instantes em breves segundos, parecidos com um curtametragem, e que ficam eternizados para sempre na memória da gente…

Não vou contar mais para não estragar a surpresa. Um filme comovente. Taí o vídeo. Divirta-se!

Traz Outro Amigo Também. 2010. Brasil. Curta metragem. Direção: Frederico Cabral. Elenco: Felipe Mônaco – Samuel, Clemente Viscaíno – Artur, Gabriel Rocha – Gonçalo, Renan Brambath – Luís, Nataniélhe Pacheco – Carla. Adaptado do conto de mesmo nome, do escritor português Yves Robert.

Karenina Rostov.

Quebrando o Tabu. 2011

Antes de se posicionar contra ou favor da descriminalização do uso da maconha, ou mesmo de sua legalização, é preciso louvar um documentário que se propõe a debater a ética de uma guerra contra as drogas e avaliar, ainda que sob uma perspectiva bastante parcial, seus efeitos.

Quebrando o tabu representa um marco evolutivo na carreira do cineasta Fernando Grostein Andrade, que às vésperas de completar 30 anos, promove uma sacudida daquelas no gênero documentário no cinema nacional. Não que Quebrando o tabu e Coração vagabundo, filme de 2009 que acompanhava Caetano Veloso em turnê, sejam obras que rompam esteticamente com cânones do cinema ou que se insurjam contra paradigmas narrativos. Os filmes se encaixam dentro de um esquematismo didático disponível em qualquer manual de roteiro. Mas em compensação, transbordam coragem, poesia e propriedade.

Grostein inicia Quebrando o tabu apresentando seu principal personagem: Fernando Henrique Cardoso. O ex-presidente e sociólogo colaborou com Grostein na confecção do argumento do longa. FHC surge como um questionador que já tem uma certeza. A guerra contra as drogas faliu. É preciso, segundo suas ilações, rever medidas e posturas. O filme acompanha a jornada de FHC em busca de embasamento para uma tese que o filme já defende de pronto – e a bem sacada animação que dá início à fita não faz questão de esconder esse fato. Essa aparente arrogância (os macacos bêbados ao som da potente trilha sonora de 2001: uma odisséia no espaço dão vez ao letreiro do filme) cede espaço a uma construção ideológica bem arquitetada por meio de depoimentos precisos de valiosos cabos eleitorais como os ex-presidentes americanos Bill Clinton e Jimmy Carter, o médico Drauzio Varela e autoridades sanitárias e políticas da Suíça e Holanda.

Quebrando o tabu, no entanto, não se desvia de argumentos antigos dos defensores da legalização da maconha. Contudo, ao sublinhar a hipocrisia e leniência dos governos em relação ao álcool e ao tabaco, o filme atinge seu melhor momento. A ideia de mudar a política de combate às drogas é pontual e itinerante. Mas cercá-la de demandas pouco substanciais – como dar voz a usuários que admitem preferir se arriscar no trato com o traficante do que respeitar a lei – enfraquecem a discussão em seu traçado mais humanitário, reforçando seu viés ideológico.

Quebrando o tabu arranha questões interessantes. Ao abordar as bem sucedidas intervenções dos governos de Portugal, Suíça e Holanda na questão das drogas, o filme dá um passo à frente a seus opositores. Sugere que a famigerada guerra contra as drogas perde de vista a questão da saúde pública e o impacto positivo passível de efeito mediante uma mudança de abordagem. Mas o filme ignora que a simples legalização da maconha não representa o fim do tráfico de drogas como conceito. Não só pelo fato de que outras drogas proibidas continuarão em oferta (e muito provavelmente mais ampla e barata), como que outras vias de acesso à maconha se viabilizarão.

Os prós e os contras não tiram o mérito de Quebrando o tabu; pelo contrário, os reafirma. Incidir sobre uma questão tão polêmica e revestida de ideologias tão proativas é um serviço à sociedade. Em um mundo em que Michael Moore subverte verdades a seus caprichos, não dá para dizer que Grostein erra ao defender tão veementemente a legalização da maconha. É uma postura corajosa que precisa ser respeitada e discutida dentro do jogo democrático que o cinema conclama. Quebrando o tabu pode até soar ingênuo de enxergar um país melhor do que o Brasil demonstra ter vocação. Os exemplos buscados na Europa não convenceram um importante interlocutor do filme; um coordenador de um programa social desenvolvido pelo AfroReggae disse em determinado momento à FHC que não vê o país suficientemente maduro para legalizar a maconha. Quebrando o tabu faz parte desse processo de amadurecimento. Justamente por isso, com seus erros e seus acertos, além de bem vindo, é muito importante.

Por Reinaldo Matheus Glioche.

Quebrando o Tabu. 2011. Brasil. Diretor: Fernando Grostein Andrade (Coração Vagabundo). Elenco/depoimentos: Fernando Henrique Cardoso, Bill Clinton, Jimmy Carter, Anthony Papa, Ruth Dreifuss, Paulo Coelho, Drauzio Varela, Ethan Nadelmann. Roteiro: Fernando Grostein Andrade, Ilona Szabó, Ricardo Setti, Thomaz Souto Correa, Bruno Módolo, Rodrigo Oliveira, Carolina Kotscho. Gênero: Documentário. Duração: 80 minutos. Classificação: 18 anos.

Cilada.com – O Filme (2011)

Cilada!? Ou teria recebido um troco na medida certa?

Valeu o ingresso! Porque eu queria ri muito, e o Diretor José Alvarenga Jr. me proporcionou ótimas risadas com essa Comédia Romântica. Tem hora que o que se quer é apenas se divertir com um filme. Sem se preocupar com furos no roteiro, enquadramentos de câmeras… Claro que para esse enlace entre o espectador e o filme em si só será perfeito esquecendo-se do politicamente correto. Até porque enquanto algo é cômico para muitos, é quase uma tragédia para quem o está vivenciando.

Mas em “Cilada.com” não é apenas hora e meia de diversão. Pois o filme traz um drama pelo o qual o jovem publicitário Bruno está passando, mas ainda sem se dar conta. Ele não percebeu que não é tão bom como pensava ser. Nem profissionalmente, nem na vida pessoal. E aquilo que se é negado internamente, tende a levar a pessoa a fazer uma besteira atrás da outra.

Bruno Mazzeo além de assinar o Roteiro faz um Bruno impagável! Daqueles que tendemos a exclamar um “Bem Feito!” pelo o que está passando, para logo em seguida ficar na torcida para que aprenda logo com a lição. Outra atriz e personagem que também dá um show, e que se vier outras ciladas por ai não poderão faltar é Augusta, a empregada de Bruno. Vivida pela atriz Karla Karenina. E ela faz mais! Consegue com que o Serjão Loroza cresça como ator. Seu personagem é o Marconha. Um videomaker por profissão, e um pretenso cineasta por paixão. Um trio inusitado que já daria alguns bons sketch.

Bruno é pego transando pela namorada Fernanda (Fernanda Paes Leme) e por todos os convidados em uma festa de casamento, durante o discurso do pai da noiva. Uma ótima participação de Marcos Caruso. Como se não bastasse uma mancada só, no dia seguinte, mal refeito da ressaca, tem seu projeto recusado. O que faz seu emprego ficar por um fio. E pelos companheiros da Agência, descobre que a Fernanda dera o troco. Colocando num site um certo vídeo que mostra sua performance na cama.

Virando chacota das pessoas por conta de que o vídeo ganhou fama: milhares de visualizações no Intube. Uma ficção mostrando o quanto do verdadeiro Youtube pode fazer com a vida de alguém. Nesse filme, deu a Bruno um tipo de fama nunca sonhada. Mas que leva Bruno a aceitar a ideia de um amigo. Em fazer um outro vídeo onde mostraria que não é daquele jeito.

Acontece que Bruno não está, não quer ver o que realmente teria que fazer. E nessa comédia de erros… são risadas garantidas até a cena final. Há passagens que até seriam desnecessárias, como a conversa do chefe com a filha, mas que valeram pela cara do Bruno. O elenco por um todo esteve bom. A ótima trilha sonora até ganhou uma nova gravação do Lobão de uma das suas músicas. Enfim, o filme é muito bom! Um segundo filme será bem-vindo!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Cilada.com. (2011). Brasil. Direção: José Alvarenga Jr. Gênero: Comédia, Romance. Duração: 95 minutos.

As Melhores Coisas do Mundo (2010)

O filme “As Melhores Coisas do Mundo” se baseia em uma série de livros escritos por Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto, os quais descrevem como ninguém as aventuras do adolescente chamado de Mano.

Mano tem 15 anos. Adora tocar guitarra e sair com os amigos. No decorrer do filme Mano percebe que virar adulto não é brincadeira.
Em meio a este processo ele se depara com: o Bullyng na escola e nas ruas, o primeiro beijo, a primeira transa, o relacionamento com a família que a cada dia se complica em nome da liberdade, as inseguranças, os preconceitos e a descoberta do amor, e uma série de fatores que transforma a adolescência numa travessia de complicações e aprendizados os quais corrobora para a construção de uma identidade.

Muitos filmes sobre adolescentes já foram produzidos, mas por enquanto nenhum tinha retratado com tanto propriedade a adolescência do século XXI.

Sob direção de Laís Bodanzky, que já vem realizando grandes trabalhos na produção cinematográfica como: “Bicho de Sete Cabeça” filme o qual Rodrigo Santoro atua muito bem em seu papel.

Laís com “As Melhores Coisas do Mundo” conseguiu mais uma vez marcar o Cinema Brasileiro com mais uma produção que foge dos padrões dos grandes sucessos brasileiros os quais visam destacar: “violência, sexo, palavrões ou comédia rasgada”.

Laís visa destacar a adolescência, buscando dar vida há uma fotografia desta geração de jovem que se desenvolve em meio à era tecnológica e modernizada; objetivando gozar de uma chamada “liberdade”.

No entanto o filme promove um mergulho profundo no oceano de informações e mudanças vividas no mundo dos adolescentes; destacando com propriedade e veracidade uma fase que todos nós humanos essencialmente precisamos vivenciar.

As Mães de Chico Xavier (2011)

O filme conta a história de três mulheres que enfrentam problemas na vida pessoal. Ruth (Via Negromonte) que tem problemas com seu filho usuário de drogas. Elisa (Vanessa Garbelli) que tenta compensar a falta do marido dando toda a atenção ao filho. Lara (Tainá Muller) é uma professora, que enfrenta uma gravidez indesejada. As três mães se encontram quando cada uma decide procurar a ajuda de Chico Xavier.”

As Mães de Chico Xavier é o filme que faz terminar os festejos do centenário do aniversário deste grande brasileiro que só fez o bem para as pessoas, e para o nosso País. Digo isto por não ser Espírita, sou católico, mas por ter uma grande admiração pela figura de Chico Xavier.

O filme é muito bom, até por que, ao contrário do filme que abriu os festejos “Chico Xavier”, se baseava mais na figura do médiun, como ele foi crescendo e desenvolvendo este dom. Já neste, as principais atrizes são as mães, cujas histórias de dor e sofrimento as levaram ao conhecimento e a sebedoria deste grande personagem.

Vale, demais na minha opinião, ver este filme extremamente comovente e sensível.

Por: Júlio Calazans Maia.

As Mães de Chico Xavier. 2011. Brasil. Direção: Glauber Filho, Halder Gomes. Gênero: Drama. Duração: 90 minutos.