Splice – A Nova Espécie (2009)

Splice” (2009) é um daqueles filmes que quase atinge a grandeza de ser uma obra-prima, mas infelizmente fica aquém.

O filme narra a história dos melhores engenheiros genéticos- Clive (Adrien Brody) e Elsa (Sarah Polley)-, quando se trata de juntar DNA de várias criaturas para criar novas espécies. Infelizmente, a criatividade deles é reduzida quando a empresa farmacêutica se recusa a deixá-los experimentar DNA humano. Mas eles fazem isso de qualquer maneira e criam uma criatura humanóide que eles chamam de Dren (o nome é um anagrama da palavra Nerd, que a criatura escreve com letras do tabuleiro).

Inicialmente, sendo um animal de estimação para os cientistas, Dren começa a crescer, e ganha características faciais- olhos se espalham, a pele fica impecável e pálida. Dren é uma criação icónica impregnada de vida, graças à presença física da atriz Delphine Chanéac, que se move com fluidez e agressividade animalesca, mas ainda mantém uma vulnerabilidade dolorosa que faz com que ela se torne estranhamente simpática, mesmo se tornando um ser um pouco assustador.

É uma vergonha, que esse filme com tanto potencial- começa sério-, e se torna ridículo. Por exemplo, numa cena envolvendo uma demonstração de aula de teatro, a audiência leva um banho de sangue-  algo grotesco e desnecessário!

Depois, a relação de Elsa com a criatura é comparado com sua própria infância trágica, e, Clive se torna sexualmente atraído por Dren por ter DNA de Elsa. A criatura tem desejos humanos, principalmente em ser amada (nada de errado contra isso, pois não é de hoje que no cinema, e na literatura, a criatura se apaixona pelo o criador), mas ter uma cena de amor entre Clive e Dren foi um pouco demais!

“Splice” teria sido um clássico, se não tivesse um final tão decepcionante (não vou revelar nada!), o que me fez pensar que o roteirista-diretor Vincenzo Natali teve sua fonte de inspiração secada, enquanto estava escrevendo o roteiro ou a produção ficou sem dinheiro. Parte horror, drama e comédia- bem híbrido, mas agradável, e ainda assim, vale a pena ser visto!.

 

Lançamento no Brasil em 21/01/2011.

 


RED – Aposentados e Perigosos (2010)

Amei! Sorrisão estampado ao término do filme. E com gosto de quero mais! Quer saber o porque? Então continue a ler. Tentarei não deixar spoiler. Ah sim! Aos jovenzinhos preconceituosos com a turma-da-melhor-idade melhor assistirem outro filme.

O antes! Só em ter Bruce Willis no Elenco já é um convite para ver o filme. Acontece que em ‘RED – Aposentados e Perigosos‘ o brinde é maior, por trazer também: Morgan Freeman, Helen Mirren e John Malkovich. E uma participação para lá de especial de Ernest Borgnine. Pronto! Estava então carimbado o meu passaporte para acompanhá-los nessa bela, eletrizante e divertida viagem.

O subtítulo dado no Brasil trata-se de uma tradução da sigla RED: Retired Extremely Dangerous. Dai não está entregando o filme. Eles são de fato a fina flor dos Agentes Secretos da CIA. A idade chegou, dando a eles a chance de aproveitarem uma vida normal. Virando pacatos cidadãos. Será que conseguiram se adequar a nova realidade?

Essa Tropa de Elite é composta por: Frank Moses (Bruce Willis), Joe Matheson (Morgan Freeman), Marvin Boggs (John Malkovich) e Victoria (Helen Mirren). Eles foram obrigados a retornarem, pois do contrário seriam eliminados. Por conta disso, os convido a não focarem apenas em quem estaria por trás dessa ordem. Porque toda a trama nos leva a algumas reflexões.

Uma dessas reflexões seria como um mergulho numa aula de Geo-política, cujo teor seria as incursões dos Estados Unidos nos Países Latinos. Sob a égide de combater o inimigo – seja ele o narco-tráfico, os terroristas… -, há o sentimento exacerbado de donos do mundo, de protetor-dos-fracos-e-oprimidos. Fachada! Porque por trás do belo gesto há o interesse real: o proveito maior é para eles, não para o país onde se instalaram. Mais! Onde o tempo de permanência nesse território equivale ao que lucrarão, ou usarão dali.

Dessa reflexão pulamos para uma outra. A qual me fez lembrar do que escrevi para o ‘No Vale das Sombras‘. Já que nessas incursões levam jovem programados para matar. Onde o botãozinho ‘Stop’ que os levariam a questionamentos internos, dependerá mesmo da essência de cada um. E que no Treinamento não há o de desprogramar.

Na trama, temos a de Guatemala em 1961. Foram em socorro de um governo de terror, mas… Vindo para um episódio mais recente, e bem real, hão de se lembrar do que militares americanos fizeram a presos lá no Iraque. Por conta do ego inflamado eles próprios filmaram, e elas vieram a público. O desfecho desse ato foi desaparecendo da mídia. Não há interesse deles em propagandear tais abusos por parte do povo deles. Pela própria cultura de que são os melhores, pela farda, pelo treinamento… após o momento escória-da-raça-humana, haverá o que há por vir. O que farão depois disso. Como sairão de tudo o que passaram e fizeram. O que farão desse passado nebuloso.

Na trama, o primeiro dos RED a ser procurado é Moses. Levava uma vidinha insossa, mas que não perdeu a agilidade dos velhos tempo conseguindo se livrar de um grupo de assassinos. Mesmo tendo dado um banho nesse pelotão, e até pela desconfiança de quem seriam eles, Moses queria saber o porque. É quando procura por Joe. Esse vivia num asilo, aderindo assim a essa nova missão. Também por descobrir que assim como Moses, está nessa queima de arquivo.

Paralelo a isso, Moses entende que a mocinha também corre perigo. Que pode vir a ser uma isca a quem o quer ver morto. Ela é Sarah (Mary-Louise Parker). Atendente do Serviço de Pensões do Governo. Ninguém achava que onde há Herói não haveria uma Mocinha, não é mesmo? Dai, nem venham com crítica de que é clichê, pois faz parte do Mito do Herói. Sonhadora, leitora contumaz desse tipo de aventura, aquilo veio como um presente dos deuses para sair da sua vidinha sem sal.

Se com Joe, Moses descobre quem são esses que estão a frente para eliminá-los, precisava saber o elo que os ligavam, e a uma lista maior já quase concluída. Vai estar com Marvin. Esse é um sobrevivente, com sequelas, de um experimento do governo: controle da mente. É onde se vê que o combate às drogas pelo TIO SAM, tem duas faces. Um outro filme onde também se constata isso, é ‘Perigo Real e Imediato‘. John Malkovich faz um Marvin tão louco, tão genial, que me deixou querendo por uma continuação, e tendo ele a frente. O seu Marvin é divertidíssimo!

Moses precisa entrar no QG da CIA. Para não apenas juntar as peças, mas também ter em mãos um trunfo. A lista com os nomes dos eliminados, existia. As mortes, acontecendo; e sem deixar evidências. Só para os do RED é que não se importavam com os rastros.

Se há essência no interior de cada um da velha guarda, também há um acordo de cavalheiro entre eles. Mesmo tendo estados em campos opostos. O que leva Moses procurar por Ivan (Brian Cox). E dentro da Embaixada Russa, Moses vai pedir por Credenciais para ele e Sarah entrarem na CIA. Assim como Moses, no íntimo Ivan também é um romântico. Um cavalheiro à moda antiga.

Quem cuida desse Arquivo Morto da CIA, é Henry, personagem de Ernest Borgnine. Participação elogiável para ambos: ele e quem o escalou. Não importa o tamanho do papel, se o ator é bom, o deixará memorável. Além do que é sempre bom ainda ver a velha guarda atuando.

Já cientes do tamanho da encrenca, e precisando entrarem num outro QG, eles vão procurar pela Lady da turma, Victoria. Por ser uma exímia atiradora, ela será a retaguarda que os três precisam para encontrarem com Alexander Downing (Richard Dreyfuss). Uma das peças chaves desse jogo. Também caberá a ela um certo tiro… Para uma saída de cena honrosa. Que me levou a pensar na Maude de ‘Ensina-me a Viver‘.

E na cola dos REDs está o jovem agente William Cooper (Karl Urban). Um chefe de família zeloso. Que aspira por cargos mais alto. Que se verá em xeque.

Quem estaria de fato por trás de tudo? Por que? Vidas, Cargos, Prestígio Social, Política, Executivos, Cidadãos Comuns, tudo, todos serão cartas fora do baralho nas mãos de quem aspira por um poder maior. E como falei, será a essência de cada um deles que estará em xeque. Se haverá cheque que os tirem do caminho que escolheram.

Antes de finalizar, deixo mais uma das reflexões que o filme traz: que é em relação ao Sistema Político e Mundial. Ele está podre, mas não dá para implodir e começar do zero. Porque por trás dele há uma teia muito forte. Se em ‘Tropa de Elite 2‘ se tem uma visão do que está acontecendo no Brasil, em ‘RED – Aposentados e Perigosos’ a amostragem é com um país de primeiro mundo. Então, por mais que a esperança se esvai a cada Eleição ainda fica um querer de que um dia todos dessa teia trabalhem de fato pelo bem coletivo. Até porque é o povo que elege parte dela: os políticos. Caberia então a eles guiar o entrelaçamento dela.

Por fim, tirando a atuação de Rebecca Pidgeon, que não marcou presença, os demais estão ótimos, e em sintonia. A Fotografia é deslumbrante. A Trilha Sonora veio como um coadjuvante. O final não ficou em aberto, mas me deixou querendo por uma continuação. E é isso! Peguem a pipoca porque o filme é muito bom!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

RED Aposentados e Perigosos (RED). 2010. Canadá / EUA. Direção: Robert Schwentke. Gênero: Ação, Comédia, Crime. Duração: 111 minutos. Roteiro: Erich Hoeber & Jon Hoeber. Baseado nos quadrinhos de Warren Ellis e Cully Hamner.

Uma Família Bem Diferente (Breakfast With Scot. 2007)

Não gostei desse título dado no Brasil: “Uma Família Bem Diferente”. Por acentuar, por enfatizar que há diferenças no tocante de uma relação casal com filhos formando de fato um Lar. Também porque assim continuam a propagar os preconceitos. Poderiam sim, terem traduzido literalmente o título original – Breakfast with Scot. Não apenas porque é parte do contexto da estória, e tem uma das cenas mais comoventes. Uma Família, no sentido de um Lar, primeiro não tem que vir de laços consanguíneos. Depois, não tem que ser como manda a tradição ocidental: um casal hetero com seus filhos de sangue.

Em “Uma Família Bem Diferente“, um menino, o Scot, perde a sua mãe de sangue. Como ela deixara como tutor seu namorado, Billy, que nem é o pai de Scot, ele é procurado. Enquanto o procuram, a juíza delega Sam, irmão de Billy, para cuidar do menino. A juíza merece aplausos por estar ciente da relação de Sam com Eric. Billy só se interessa pelo dinheiro deixado para Scot, por sua mãe.

Abro um parêntese para esse legado. É que, se a grana tem uma importância em quem ficará com Scot, ficou sem maiores detalhes. E Seguro, pelo o que eu sei, não é pago se quem o fez, morreu de overdose. Enfim…

Eric é pego de surpresa com essa decisão. Embora sabendo que não tem escolha, tenta argumentar com Sam. Fazendo um drama em terem uma criança em casa. Ele que primazia em manter uma conduta super discreta, com a chegada de Scot na vida deles, se verá tendo que enfrentar velhos fantasmas. Temores desde a infância, por bullyings sofrido por outras crianças. Sam já é mais desencanado.

Por conta disso, a estória do filme coloca Sam como o pai mantenedor, e que só intervém numa impor uma autoridade em meio ao caos. Embora Eric também trabalhe fora – comentarista de hóquei para um canal de tv -, ficará aos seus cuidados, levar e buscar Scot para a escola; comprar roupas; alimentá-lo… Enfim, seguindo uma tradição… será uma mãezona para o menino.

Como citei antes, pela postura discreta, Eric acreditava que em seu trabalho, só quem sabia da sua homossexualidade era uma amiga. Por Scot, irá se confrontar com seu chefe preconceituoso.

Para surpresa de Eric, Scot é totalmente desencanado da sua sexualidade. Deixando aflorar seu lado feminino, no vestir, no cuidado com a pele, gostando de se maquiar… Se antes de vê-lo, Eric já sofria por um futuro gavião-no-pedaço… ao conhecê-lo, ficou apavorado. Mais. Com Scot ao lado, para ele era também contar ao mundo que era gay. A grande questão, era que Eric não digeria bem o preconceito das pessoas.

Scot acaba trazendo uma revolução na vida de todos. O que levará a essência de cada um deles, demarcar um caminho a seguir. Como com o menino briguento, da casa vizinha, que sem o Scot, seria um forte candidato à prática do bullying. Scot, de um único “t” veio como uma criança frágil, mas mostrará uma grande força interior…

Breakfast With Scot” não é um filme para descobrir o final, mas sim para acompanhar todo o crescimento, ou não tão amadurecimento assim, dos personagens. Para refletir que enquanto se olhar com preconceito para aquele que quer assumir a sua homossexualidade, ficará intimidado. Tendo até quem sofra por isso. Por vezes,  a pressão é tanta, que vestir uma armadura não basta, se fazendo ver o em torno com lentes cor de rosa. E não é fuga, é se dar esse privilégio.

Eric, Sam e Scot vieram nos mostrar que também podem ser uma família mais que perfeita. Não percam! O filme é ótimo, para ver e rever! Até por ser mais um a mostrar que um casal homo também serão excelentes pais/mães, como o “De repente, Califórnia“.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Amelia. Aquilo sim, é que era mulher?!

Em outubro de 2009, o filme “AMELIA,” estreou por aqui, recebendo críticas negativas. Mesmo assim, fui vê-lo por dois motivos: aprender sobre a vida de Amelia Earhart e apreciar mais um trabalho de Hillary Swank. Creio que num filme de 111 minutos é impossível descrever em detalhes sobre essa marcante figura norte americana. Na verdade, mesmo se fosse um filme de 3 horas, acho que muitos americanos de hoje não encontrariam motivação para ver um filme sobre esta aviadora que morreu aos 39 em 1937. Além disso, é importante lembrar que Earhart foi no seu tempo uma dos dez figuras americanas mais famosa do mundo.

Muitas coisas negativas podem ser ditas sobre “AMELIA,” mas vou começar pelos pontos relevantes, e que mais gostei: o filme restaura um equilíbrio à saga de Earhart, fielmente traçando seus triunfos antes de habitação, até ao seu vôo fatídico final. Outro ponto positivo no filme é a trilha sonora de Gabriel Yared. Achei-a belissima e bastante emotiva. Um erro a academia não ter reconhecido esse trabalho dele! Também, a fotografia de Stuart Dryburgh é perfeita!. As cenas de vôo são muito bem feitas, ganhando mais brilho com as belas faixas escritas por Yared.

Infelizmente, o roteiro de Ron Bass e Anna Hamilton Phelan se preocupa mais com a construção de um triângulo amoroso entre Amelia, Putnam (o coroa, a quem ela se casa em 1931) e seu jovem rival, Gene Vidal (Ewan McGregor, a pior interpretação da carreira dele, que já vi). O Vidal de McGregor é de uma suavidade, que não pude acreditar o que uma mulher tão forte como Amélia vê nele, ou vice-versa. Também, não há muita coisa acontecendo entre Amélia e Putnam (Gere, desde vez, não consegue nem fazer o típico romântico e mesmo desesperado pelo amor de Amélia, ela explica o que ela está procurando. Além disso, “o sussurro” parece tomar o centro do palco com o desempenho de Gere). Achei que o roteiro não explora os motivos que Amelia queria tanto voar. Ela quer apenas voar e voar. Bem, creio que às vezes, o ser humano gosta tanto de algo, que nem sempre encontra as razões para justificar. Contudo, como leigo sobre quem era realmente era essa figura da aviação, esperava compreender os motivos que esse mulher queria tanto voar. No filme, a Amelia de Swank vive na base de muito otimismo. Num sol ensolarado, os vôos surgem apenas para ela “se divertir” e não deixar ninguém “invadir o seu caminho.”

Swank parece como Amelia. Ela também sorrir como Amelia, e evoca Amelia, mas não é consistente na criação da personagem. Já no início do filme, nota-se que Swank, de certa forma, fala com os dentes e não com a boca. Depois, o sotaque fica um pouco melhor, mas o desempenho não. Não nego que sou fã de Hillary Swank. Mas, ela faz parte de um tipo de atriz que não convence em todo tipo de papel. Contudo, quando ela evoca algo, Hillary brilha como poucas atrizes. Seu desempenho neste filme, em muitas cenas carece de inspiração, todavia, é ainda uma atuação mais interessante do que vê uma Sandra Bullock recebendo uma indicação ao Oscar este ano. Gosto muito da cena quando Amelia está ao ‘telefone’ com o marido (Gere) e tenta esconder sua fraqueza. Nota-se uma mulher mais humana, e menos “fora” do limite que vai além de uma obsessão para voar. Essa cena foi tão boa e emocionante, que me fez querer rever o filme, agora que foi lançado em DVD.

Mesmo que perdi um pouco de esperança de me envolver emocionalmente ou visceralmente com a vida Amelia Earheart, Mira Nair pega velocidade nos minutos finais do filme. Ao mostrar o vôo ao redor do globo e segurar uma tensão genuína ao mostrar Amelia atingindo a sua última etapa. Finalmente, temos um senso palpável dos riscos selvagem tomadas pelos pioneiros da aviação. Amélia, uma heroína da vida real, que me faz chegar a conclusão de que ela estava certa! Bendita boca que cantou verdades dizendo: “Aquilo sim, é que era mulher!” Emancipou-se, foi à luta!. Ai Meu Deus, mas terá mais gente que sentirá saudades dessa Amélia?

A Orfã

O cinema de terror já nos brindou com muita coisa boa. Obras Primas do cinema estão dentro desse gênero que tanto admiro e gosto. Mas de uns tempos pra cá, sem aquele tesão delicioso de conquistar fãs e sim encher cinema, os filmes de terror deram uma decaída monstruosa em qualidade. Vez ou outra aparece algo interessante e que realmente vale a pena, só que também, em proporção geométrica, me aparece ofensas que dão até raiva, ao invés de medo.

Jaume Collet-Serra deixa qualquer um duvidoso ao ver seus filmes. Ele primeiro aparece com A Casa de Cera que dispensa comentários. Mas conseguiu se redimir (ao menos comigo) com o divertido e eficiente Gol! 2. Com A Orfã, ele conseguiu ser bem mediano, mas nada que salvasse o filme do completo desastre.

Enquanto ele amadurece como diretor, a sua insistência em usar métodos medíocres e picaretas para conseguir a atenção do espectador compromete esse ponto quase positivo. Ainda bem que ele soube fazer uma ou outra coisa boa quando o assunto é drama (rendendo uma cena muito tocante no filme quando a mãe conta uma história para a filha que é deficiente auditiva), e é nas cenas mais dramáticas que o filme consegue mostrar certa qualidade.

Kate (a ótima Vera Farmiga) é uma mulher cheia de problemas. Ex dependente de álcool e que havia perdido uma filha de forma traumática, ela está se reerguendo aos poucos. Mesmo que pesadelos de sua ultima gravidez ainda aterrorizem sua vida. Casada com John (o péssimo Peter Sarsgaard), um designer pai coruja, e mãe de 2 filhos (Max, a filha deficiente e Daniel, o filho), ela sente que precisa doar o amor que daria para a filha que não nasceu, e depois de muito pensar, aposta na delicada decisão de adotar uma filha.

No orfanato conhecem a doce e amável Esther (Isabelle Fuhrman – que tem futuro no cinema), que em pouco tempo conquista a confiança de todos na família, mas aos poucos começa a cultivar a inveja e a desconfiança em todos, mas não contra ela, mas sim, uns contra os outros. Kate começa a perceber que Esther não é nenhuma santa, mas as suas tentativas de provar isso e tentar reparar o erro culmina na morte de pessoas, e a amável garota que conheceu no orfanato se mostra o diabo em pessoa.

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Mas aí vem o melhor: a menina não é nenhum espírito ruim, não está possessa pelo tinhoso, não é nada disso que poderíamos esperar de um filme medíocre, mas sim algo até diferente, surpreso e acreditem inteligente. Só que ainda assim soa fantasioso, mas tudo culpa da produção do filme.

O clima de tensão é bom, mas cansa. As atuações são ruins, tirando Vera Farmiga, que segura as pontas e convence na maioria de suas cenas, exceto no fim, quando sua personagem ganha uma certa limitação e precisa virar uma super heroína, desvendando todo o mistério em menos de 5 minutos.

A pequena Isabelle Fuhrman também consegue se destacar. Ela também convence e tenho até a audácia de compará-la ao garoto Harvey Stephens que em 1976 fez minha espinha congelar com seu sorriso em A Profecia. Ela tem uma atuação tão convincente que fez toda a explicação de seu passado ser até plausível.
A parte técnica é esforçada.

O melhor foi o pesadelo que abre o filme, transformando a sala de parto no pior lugar do mundo.

Só que a adição de sustos pré fabricados, aquele efeito de “pessoa chegando perto” e todos os clichês possíveis que estão no manual “Como Fazer um Filme de Terror Ruim Nos Dias de Hoje” estão lá. O diretor tenta ser bom, mas a sua insistência nisso compromete o filme.

Em resumo, com todos os defeitos (que não são poucos), o filme tem para cada acerto, 2 erros. Contabilize isso em duas horas de duração e tenha a sua resposta.

Tinha tudo pra ser um bom filme, mas consegue ser mais um esquecível!

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Nota: 2,0

Orphan, 2009
Direção: Jaume Collet-Serra.
Atores: Vera Farmiga , Peter Sarsgaard , Isabelle Fuhrman , CCH Pounder , Jimmy Bennett.
Duração: 02 hs 03 min

Marcado na Mente (Brand Upon the Brain)

Por: Simão Zygband.
marcado-na-menteO fantástico cinema de Guy Maddin

Tive a oportunidade de conhecer hoje a obra fantástica do cineasta canadense Guy Maddin. O filme era o Marcado na Mente (Brand Upon the Brain), produzido em 2006 em preto e branco. Simplesmente fantástico.

Com uma técnica moderna, mas retratando o início do século passado, Guy Maddin em Marcado na Mente faz uma trama muito densa psicologicamente, mostrando uma história surreal, que se passa em uma ilha deserta com um farol, onde existe um orfanato onde as crianças são “cuidadas” por um casal, ela a gerente e ele um excêntrico cientista que retira líquido do pescoço dos internos para injetar e manter a jovialidade de sua esposa.

O filme mistura questões como a relação edipiana entre o jovem Guy (que apesar do mesmo nome do cineasta é o personagem principal) e sua mãe, relações homossexuais entre sua irmã e uma interna, entre outros temas fortes que merecem reflexão.

O filme foi exibido no Centro Cultural Branco do Brasil e talvez esteja disponível em vídeo.

Simplesmente fundamental tentar assisti-lo, principalmente pela técnica empregada, pelo tema desenvolvido e a forma fascinante e absolutamente inédita como Guy Maddin desenvolve a trama.

A Órfã (Orphan. 2009)

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Um dos filmes mais assustadores dos últimos tempos.

orphanA Órfã” (Orphan. 2009) de Jaume Collet Serra (de Casa de Cera) é um dos filmes mais assustadores dos últimos tempos. E o melhor de tudo, com um roteiro afiadinho a partir de uma estória já meio batida dentro do gênero: Um casal (os excelentes Peter Sarsgaard e Vera Farmiga) comum com dois filhos – Daniel (Jimmy Bennett) e Joyce (Lorry Ayers) -, resolve adotar uma terceira criança, a estranha russa Esther (Isabelle Fuhrman), uma menina enigmática e precoce que aos poucos cria um clima de insegurança, terror e discórdia entre todos os que a cercam.

isabelle-fuhrman_orphanA atriz Isabelle Fuhrman, com a ajuda da direção, elaborou uma órfã cheia de nuances, abundante em detalhes psicológicos que surpreendem o tempo todo. O conjunto de personagens tão completos e verossímeis como a macabra protagonista enriquece a trama até um clímax interminável de gelar o sangue.

Prepare-se para pular da poltrona num desfecho que realmente ninguém poderia prever.

Carlos Henry

A Órfã (Orphan). 2009. Canadá / EUA. Direção: Jaume Collet-Serra. +Elenco. Gênero: Drama, Horror, Mistério, Thriller. Duração: 123 minutos.

Salvando Deus (Saving God)

saving-godO homem é produto do meio? Ele realmente se deixa comandar? O que irão achar dele conta mais? Quando, ou o que o faz acordar? Ou o que o leva a dominar seus instintos?

Em algumas histórias a vida militar costuma educar certas rebeldias. Mas nesse filme, é a religião que vai exercer essa influência. Não tendo eu nenhuma religião, sinto-me mais livre para discorrer. Agora, os religiosos irão adorar, inclusive pelo final. Irei traçar um paralelo entre a ficção desse filme, com a realidade das ruas, dos lares, das prisões… Alguns filmes permitem isso.

De cara, o título me chamou a atenção. Depois o interesse aumentou pela sinopse. Após 15 anos numa prisão, um homem decide reabrir a igreja que fora do seu pai. Tinha se tornado Pastor na penitenciária. Iria tentar mostrar um outro caminho aos jovens que lá viviam. Um bairro barra pesada. Onde alguns dos jovens tinham no tráfico o seu ganho de vida. Como podem ver, um universo bem parecido com o mundo real.

Não há entre os personagens um psicopata no sentido da anomalia. Como a psiquiatria não é a minha praia, creio que também não são sociopatas. Temos aqui, deliquentes juvenis; e outros não. São, foram jovens que o meio de certa forma os corromperam.

O então Reverendo Armstrong recebera uma educação decente. Então o que o levara à prisão? O jovem Norris, fora criado com todo carinho pela avó. Então por que entrou no tráfico? Se a influência do lar era boa, porque não souberam passar incólumes pela influência das ruas? O Blaze não, esse veio de um lar desajustado. E estava mantendo o ciclo.

No caso de Armstrong, força física somado ao ego ferido. Uma descomunal vaidade o levou a matar um homem. Pagou pelo seu crime. Mas na ânsia de levar a palavra de Deus, por pouco perde sua liberdade. Por estar em condicional. Precisava ainda aprender a canalizar a sua força física. A controlar seus impulsos ante as grandes tentações em combater a violência urbana pelas próprias mãos.

Com o Norris, fora fraqueza de espírito que o fizera trilhar por esse caminho. O norte a lhe motivar sair daquela vida viera com o Armstrong. Esse lhe deu confiança e fé.

Vindo para a realidade, com tantos políticos, e pessoas do alto escalão saindo impunes de seus crimes… Ao ver a Justiça atuando mesmo com as Classes menos privilegiadas… Qual seria, ou onde alguns jovens teriam de fato uma chance de trilharem o caminho do bem? É muito difícil ver uma instituição penal reeducando alguém. Onde até, se a própria Família não bancar seu tempo de prisão, eles o serão pelo chefe do bando. Com isso, já terão uma dívida a ser paga ao sair de lá.

Seria somente na Religião que teriam essa ajuda? É. Algumas pessoas realmente precisam ser salvos por uma força maior.  Se as Leis dos homens não é imparcial para todos… Que alguns encontrem a remissão dos seus pecados pela Igreja. De certa forma, algumas religiões contribuem para uma diminuição da violência urbana. Até porque não há mais lugar para a Lei de Talião.

Onde o Estado, a Família, a Sociedade… ficam impotentes… que a Religião atue na na salvação desses jovens.
Senhor: Fazei de mim um instrumento de vossa Paz!
Onde houver Erro, que eu leve a Verdade…

Enfim, o filme não me deixou vontade de rever, mas também não foi uma perda de tempo vê-lo.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Salvando Deus (Saving God). 2008. Canadá. Direção: Duane Crichton. Elenco: Ving Rhames (Armstrong Cane), Dean McDermott (Blaze), Ricardo Chavira (Rev. Danny Christopher), Dwain Murphy (Norris Johns). Gênero: Drama. Duração: 101 minutos.

IMAX Fundo do Mar 3D (Deep Sea 3D)

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Creio que jamais me esquecerei daquele dia caótico, digno de uma cena do longa Independence Day. Era uma tarde ensolarada em São Paulo. Nada de garoa, nada de chuva ou tempo nublado. Tudo transcorria muito bem naquele dia. Para ficar registrado no livro de história do cinema brasileiro, é importante salientar a data e o local do acontecimento.

Sábado, 17 de Janeiro de 2009.
Shopping Bourbon Pompéia.
São Paulo, SP. 15:33h.

Este foi o dia em que decidi conhecer a primeira sala com a tecnologia IMAX no Brasil.

No percurso tudo normal. Dia bonito, sem trânsito (sim, nós paulistanos nos espantamos todas as vezes que não enfrentemos um congestionamento – e acreditem em mim: trânsito para o paulista não é enfrentar 5Km básicos de lentidão, isto é normal e acredito mesmo que até esteja enraizado em nossa cultura. Quando dizemos “trânsito” é algo que está para além da compreensão das cidades que não partilham desta catástrofe diária de nosso cotidiano). Quando entro no shopping logo encontro uma vaga! Everything is perfect like a dream!

Então me direciono tranquilamente e feliz até o andar onde estão localizados os cinemas do espaço Unibanco e a área de alimentação padrão dos shopping centers de todo o mundo. Tudo calmo e lento. Tenho vontade até mesmo de parar antes numa sorveteria e pedir algo antes de comprar o meu ingresso. Mas o instinto paulista diz para eu ter pressa antes que eu me dê mal e decido acelerar o passo até a bilheteria! E então…

… E então era o Caos! Uma fila maior do que para entrar no estádio do Morumbi para uma decisão de campeonato! A Madona teria inveja se visse a aglomeração de pessoas reunidas num espaço para assistir uma apresentação estática e projetada numa tela de cinema! Sim, caros amigos, estávamos todos quase que abraçados, dando ombradas para abrir caminho, sentindo a respiração de nossos colegas cinéfilos bem próximos de nós, todos reunidos para aquela projeção de entrada numa sala que até então só quem foi para fora do Brasil pode conferir antes! Todos pagando valiosos R$ 30,00 e esperando mais de 4 horas para ver um documentário de 41 minutos!

Você de casa pode pensar “quão ridículas criaturas” e só posso dizer algo: você tem razão! Vocês estão autorizados a chamar-nos de nerds, fanáticos, viciados, doentes e equivalentes! Se eu dou esta permissão é para me redimir de meus pecados, pois foi assim que amaldiçoei cada alma que estava ali, a minha frente, na fila! E não sei porque, mesmo uma funcionária avisando-nos que só havia ingresso para uma seção que começaria dali a quatro voltas do ponteiro maior do relógio, resolvi ficar.

Queria sair daquele desconforto, daquela fila sem fim, daquele episódio de histeria coletiva, mas não consegui. E não me perguntem porque, pois até agora não consegui encontrar a resposta. A verdade é que muito tempo depois, com o ingresso em mãos, fiz o papel de auto-manicure – ou melhor, os meus dentes o fizeram – pois já não havia mais unha para roer em pouco menos de 1 hora.

Mas, enfim, depois de um bom e doloroso tempo, chegou a minha vez que experimentar o cinema IMAX. Digo experimentar porque o filme que seria apresentado faz parte de um conglomerado denominado The IMAX Experience®, onde câmeras específicas para este tipo de sala são utilizadas nas filmagens para proporcionar uma experiência única e total nas salas com esta tecnologia.

Logo na entrada nos fornecem óculos 3D de alto padrão para acompanhar o documentário. Não são aqueles óculos sem vergonha de papelão, com uma lente verde e outra vermelha, mas óculos grandes, resistentes, de lentes grossas, mais decentes que o padrão que encontramos em outras salas de 3D por aí.

Ao entrar na sala tenho um sentimento estranho, quase que uma necessidade de reverência, como se eu tivesse encontrada com a versão carne-e-osso de Monalisa: diante de mim tenho uma tela de 21 metros de largura por 14 metros de altura. Gigante! Não há palavras para descrever. Só fiquei imaginando como os meus olhos poderiam acompanhar toda a extensão da projeção, visto que a tela ficava além do meu campo de visão. Vai do chão até o teto!
Ficava pensando “puxa vida, tem umas cadeiras lá na frente que irão ficar em frente a tela”. Sim, pois como a tela começa no chão, ao olharmos para abaixo veremos a primeira fileira de cadeiras na frente.

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Depois de certa estranheza, que venha o filme!

E ele começa dublado, como todas as outras projeções 3D, afinal como ler legendas de algo 3D? Imagine ter a impressão que uma letra A resolveu sair da frase e caminhar até acima de sua cabeça! Então é justificável, porém tivemos uma grande perda: na versão original, os narradores do documentário são nada mais nada menos do que o esquisitão Johnny Deep e Kate Winslet. Na versão tupiniquim os dubladores nem aparecem nos créditos, talvez porque se fossem expostos poderiam correr sério risco de vida, com tantos fanáticos no cinema.

A dublagem é aquela típica de documentários do Discovery Channel – urgh! – ou seja, sofrível em relação à qualidade dos programas e do conteúdo apresentado. Agora vem o principal desafio: como resenhar uma experiência? Não vou tentar falar do documentário, pois penso que ninguém se preocupou com o conteúdo, a não ser fazer uma bela montagem para ser exibida para o IMAX, ou seja, nada de novo, mais do mesmo, nada que Jacques Costeau já não tenha feito e com muito mais competência e sucesso.

Enfim, não dá para falar, pois a experiência é única: fomos arremessados para dentro do oceano. Estamos dentro do mar, porém sentados numa poltrona. O clima é de tanta calmaria dentro daquele azul sem fim que o ambiente zen chega a causar até mesmo uma certa sonolência, o que é bom, afinal todos os barulhos do mar foram transmitidos com o máximo de fidelidade. Sentimos cada balançar dos peixes, cada borbulha, cada onda. Portanto é uma experiência soberba. O som aliado a projeção 3D é algo único visto no cinema. As algas, os peixes e outros animais marítimos simplesmente saem da tela e vão até você!

As pessoas levantam suas mãos e tentam tocar as criaturas que não estão ali: a cena chega a ser hilária e divertida, porém não menos mágica:

Hello, people, it’s just a movie! Com licença, não tente pegar os peixes porque eles não existem!

É a magia da sétima arte que nos encanta novamente! Finalmente voltei a sentir prazer ao entrar novamente numa sala de cinema, afinal o modelo foi reinventado e parece ser uma tendência única: nunca vimos tantos filmes sendo produzidos especialmente para projeções em 3D!

Tudo tão belo e tão radiante que fica difícil explicar. Se as palavras podem dizer alguma coisa não podem ser quanto a história em si, mas somente para os inúmeros elogios que podemos tecer para a experiência. Sim, meus caros, o marca diz tudo: The IMAX Experience® veio para ficar!

Por: Evandro Venancio.  Blog: EvAnDrO vEnAnCiO

IMAX Fundo do Mar 3D (Deep Sea 3D). 2006. EUA. Direção: Howard Wall. Narração: Johnny Deep, Kate Winslet. Gênero: Documentário, Curta Metragem. Duração: 41 minutos.

Longe Dela (Away From Her. 2007)

Quem sabe (n)a solidão… Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama, Mas que seja infinito enquanto dure.” (Vinicius de Moraes)

Junto-me a Sarah Polley (A Vida Secreta das Palavras) para conhecerem essa linda história de amor. Acompanhando o desejo de um deles não querer ficar longe, mas nessa história seria no pensamento da mulher amada. Pois serão 44 anos juntos que estão sendo apagados. E por conta de que para um desse casal, o Alzheimer chegou.

A história tem início quase no final do filme. Aos poucos, vamos conhecendo todo o drama. É Grant (Gordon Pinsent) quem nos conta. É ele que fará de tudo para não sair por completo dos pensamentos da sua amada, Fiona (Julie Christie). Por amor, apenas? Por querer provar a ela algo mais?

Já comentei outros filmes onde abordam essa doença. Um deles, talvez após ter visto esse, ao revê-lo, eu venha a me emocionar tanto quanto nesse. É “Diário de uma paixão“. Porque nesse, “Longe Dela“, nos apresenta uma mais detalhada radiografia dessa doença. Por ela ser mostrada quando se tem os primeiros sinais. Que para quem está ao lado, assusta um pouco. Me fez lembrar de uma cena, eu uma adolescente, em presença de uma avó: ela voltara à época dos filhos ainda criança. Por não segurar as lágrimas, sai do quarto.

Fiona traz um diferencial: ela pede para ser internada. Ciente de que o marido não terá estrutura para lidar com ela. Que de um jeito, ela está indo embora aos poucos. Ele ainda reluta. Como desculpa, procurar por outras Clínicas. Até que ela diz: “Não acho que devamos procurar algo que nos agrade. Não acredito que encontraremos. A única coisa que podemos desejar nessa situação é um pouco de dignidade.” Aqui me fez lembrar de uma frase de Virgínia Woolf no filme “As Horas“: “Mesmo o mais humilde dos pacientes pode expressar sua opinião sobre o tratamento que lhe é dado.”. Como também pelo padrão da Clínica. Ela não é acessível a todos. E para quem viu “As Invasões Bárbaras”, não dá para simplesmente dizer que é algo de primeiro mundo a Clínica para onde irá Fiona.

Para Grant qua acaba cedendo com o pensamento de que essa separação seria para algum tratamento novo, a tal Clínica ainda lhe traz uma regra para um martírio maior. A de que nos primeiros 30 dias o interno não pode receber nenhum tipo de contato. Nem mesmo de cônjuges. À caminho da Clínica, na estrada, Fiona o deixa aturdido. Por lembrar de uma conversa recente que tiveram num parque. E por algo do passado, mas nesse caso, eles nunca tocaram no assunto. Por conta de que, aquilo, a doença ainda não apagou de vez?

E ao voltar, após os 30 dias, Fiona não o reconhece… Então, acompanhamos Grant fazendo de tudo para ainda fazer parte das memórias da Fiona.

Eu amei esse filme! Nota máxima em tudo! E a trilha sonora embala a todos nós nessa linda história de amor! Preparem os lencinhos!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Longe Dela (Away from her). 2007. Canadá. Direção e Roteiro: Sarah Polley. Elenco: Gordon Pinsent, Julie Christie, Olympia Dukakis, Michael Murphy, Grace Lynn Kung, Wendy Crewson. Gênero: Drama. Duração: 110 minutos. Baseado em história de Alice Munro.