Acusado – Anklaget

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Acusado – Anklaget

Direção: Jacob Thuesen

Gênero: Drama

Dinamarca – 2005

A primeira coisa que esse filme me chamou a atenção quando o vi foi que nos primeiros minutos reparei que a sua cor tinha uma predominância azulada, bastante curioso.

Pensei que poderia ser algum problema de funcionamento televisivo, testei outros filmes antes de dar continuidade e vi que fazia parte da obra o tom azul.

Pensei: Um mundo azul?

Bom, o conteúdo, infelizmente, é muito atual: abuso sexual. acusado4

O abuso sexual já é, por si só, uma violência que deixa marcas profundas em que foi violentado, o pior é quando um familiar é o abusador; pois é alguém, entende-se, de confiança.Ou seja, a violação é muito mais ampla.

Mas o filme não se limita e nem se prende somente a isso, embora esse seja todo o seu cerne. O Diretor deu conta de dar um suspense em todo o enredo, deixando – aos poucos – as migalhas de pão que levam à casa da Bruxa má.

Quem é ela? A Acusadora? O Acusado?

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Tem um diálogo entre o acusado e seu advogado que reverbera em minha mente; foi um baita soco no meu estômago, estou impressionada até agora…

Até que ponto os advogados se importam com os crimes de seus clientes?

Será que basta a ampla defesa e papel cumprido?

Por: Deusa Circe.

Festa de Família (Festen)

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Festa de Família – Festen

Direção: Thomas Vinterberg

Gênero: Drama, Violência, Sexo

Dinamarca – 1998

“Tratando-se de família, ninguém é leigo. Mesmo se “não tiver” uma família.  Não importa se você veio de Adão e Eva, ou da Evolução ou do Big Bang, no momento em que uma mulher e um homem engravidam já se constitui FAMÍLIA, em minha opinião; vale dizer que alguns Antropólogos discordam plenamente de mim quanto a isso.

Falando em Antropologia, no filme tem uma personagem que é Antropóloga (Helène), contrariando o desejo de seus pais que queriam que ela fizesse Direito. Bem, ela fez tudo ‘errado’ rs..  Quanto à família do filme, trata-se de uma família composta por pais e 4 filhos, sendo dois gêmeos (casal). Reúnem-se em um hotel (nas terras do pai da família), após o suicídio de uma das filhas, a Linda, gêmea de Christian, para comemorar os sessenta anos ‘patriarcais’.

O cerne da questão desta família é o abuso sexual do pai com dois de seus filhos.

O pai é uma figura-base em qualquer família, ele determina a estrutura familiar. Numa sociedade patriarcal como a nossa, assim como a dinamarquesa, o pai é o provedor, o protetor, o acolhedor, o castrador, o limitador, aquele que dá segurança e suporte. Nesta Era de mães-solteiras, me preocupa muito o prognóstico de nossa sociedade para daqui a uns anos. A crise já se iniciou, mas como o ser humano é adaptativo a qualquer meio ambiente e situação, o prognóstico é péssimo.

Voltando ao filme, o perfil dessa família, além de patriarcal, é de um desequilíbrio emocional visível. Ora, mas se são os pais as primeiras referências da criança, como não ser desequilibrada uma família que tem um pai molestador sexual e uma mãe submissa, omissa?

O que tem me assustado muito é esse número, cada vez maior, de abusos sexuais, registros de casos como pedofilia e incesto. Parece-me cada vez mais óbvio que o abusador também é um desequilibrado, mas que se “suporta” na rigidez e arrogância de uma educação quase nazista e fascista. Por falar nisso…

Este filme mostra também algo que para sempre será polê-mico, o Racismo. Helène é namorada de um negro, festen mal-tratado por seu irmão Michael e toda família branca. O que me surpreende, porém não muito, foi a cena em que todos cantam aquele “hino” nazista em plena mesa do jantar; e o rapaz, sem entender aquela “língua”, quase sorri para eles.

Enxergo a Antropologia, infelizmente, como uma espécie de racismo. O estudo do homem, o homem como um animal visto como ‘superior’, evoluído. Será muita evolução esse excesso de violência gratuita em que somos submetidos nas grandes metrópoles?

O filme é um requinte de sintomas patológicos sociais: abuso sexual, racismo, aborto, lesbianismo, suicídio, maus tratos familiares…

Falando em suicídio, Camus escreveu numa época de pessimismo pós-guerra, que só há um problema verdadeiramente filosófico sério: o suicídio. Sem entrar nas nuances filosóficas quanto ao ‘matar-se’, a Europa é campeã em casos de suicídios, não perde nem para o Japão, que tem uma estatística ambiciosa quanto a isso.

Filme denso, tenso, sem trilha sonora, visceral. Faz parte do Movimento Dogma 95 (Movimento Cinematográfico). Eu recomendo.”

Por: Vampira Olímpia

A Festa de Babette (Babette’s Feast)

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A Festa de Babette – Babette’s Feast

Direção: Gabriel Axel

Gênero: Drama, Família

Dinamarca – 1987

Esse final de semana me deu uma enorme vontade de ver algum filme bom europeu, escolhi A Festa de Babette. Trata-se de um filme Dinamarquês, com falas alternadas em Francês. Não sei vocês, mas isso funciona como uma limpeza para os ouvidos, no sentido de “ouvir” realmente uma linguagem diferenciada (não diferente). A Europa tem essa bela diversidade que eu adoro…

Um filme basicamente sem música, mas a música ecoa no filme o tempo todo…

A história é sobre duas irmãs que são filhas de um Pastor de um pequeno e humilde vilarejo, que passam suas vidas se dedicando à fé e as renúncias de uma vida mundana.

Parecem freiras! E vivem como tais. Mas há algo nelas para além de verbos e subjetivos; é a expressão facial, a imagem. Estranho e familiar como a imagem consegue, por vezes, dizer mais do que palavras. Uma expressão de devoção, de submissão ao Pai, ao Deus-maior traduzido belamente no pai, esse genético-biológico. Ambas são de uma devoção tal que abdicaram dos prazeres mundanos, mas em absoluto pode-se dizer que com isso abdicaram do prazer em si. Negativo. A expressão delas é o contraste, pois é de pura satisfação; ao mesmo tempo, uma expressão de uma saudade de algo não vivido… é lindo…

Babette aparece! E algumas novidades acontecem… primeiramente, essa terceira funciona como um tripê, pois as irmãs amparam Babette e por sua vez, por ela são mais do que amparadas.

Comemoração de 100 anos do Pai já morto.  5142_01 Babette oferece um banquete francês. E que Banquete!!! Pra quem estava acostumada com as comidas humildes do vilarejo, se deparar com as maravilhas da cozinha francesa foi um presente artístico…

As cenas são até engraçadas! rsrsrs De fato, franceses se alimentam de uma maneira muito interessante, acompanhados com vinhos e champagnes de primeira linha, certamente.

Uma lição. Isso que digo desse filme…

Por: Deusa Circe.

Evil: Raízes do Mal (Ondskan)

evil-raizes-do-malHá um tempo atrás, fiz um comentário e uma análise a respeito de um filme intitulado Klass, que refazia o percurso do episódio conhecido o “Massacre de Columbine” e que justificava, do ponto-de-vista dos assassinos, que para atos extremos, atitudes extremas precisavam ser tomadas. Ao término do filme, uma sensação de angústia e perturbação toma conta de nosso ser, e nos leva à uma profunda reflexão.

Depois, tive a oportunidade de assistir um outro longa-metragem que segue uma linha semelhante, com uma temática bastante polêmica. Se trata do dinarmaquês Ondskan (que saiu no Brasil com o título “Evil – Raízes do Mal”).

A trama básica trata da história de um garoto problemático, que é expulso dos últimos colégios a qual foi aluno, e vai parar numa instituição de ensino tradicional (a única que o aceita, devido ao alto valor que custa o ingresso na mesma) onde somente os filhos de pessoas ricas e influentes estudam. Ele promete a sua mãe que irá terminar os seus estudos sem arrumar mais confusões, porém se defronta com diversas situações de injustiças e humilhações por parte dos alunos-monitores, que possuem o seu próprio código de regras (acima, até mesmo, das regras da instituição), onde ultrapassam os limites da ética e do bom-senso. Desta forma, o protagonista fica entre uma encruzilhada: cumprir a promessa que fez a sua mãe ou revidar os maus tratos?

Enfim, se trata de mais uma obra cinematográfica perturbadora e inquietante. É impossível não se sensibilizar com as atitudes extremas que são mostradas na película. O que mais incomoda é a forma que um colégio aparentemente correto e de tradição pode se mostrar indiferente ao vandalismo praticado por uma classe que podemos denominar como marginais de elite. Em parte, isto não é somente um filme, pois retrata fielmente como os filhos de homens poderosos passam invisíveis aos olhos da justiça, sendo que “os intocáveis” são a matéria-prima para palavras como “impunidade” poderem ser ditas e explicadas.

Temos inúmeros exemplos de como a lei não se aplica para as pessoas de imagem pública, empresários, políticos e influentes, basta que se procure no Google. Nos casos mais chocantes, eles acabam presos (em celas especiais) por pressão da mídia, e tão logo não se fale mais no assunto, eles voltam novamente para as ruas. É necessário a mídia investigue o paradeiro destes jovens, que teoricamente estão presos, o que eu duvido, como no caso dos assassinos do índio pataxó Galdino, que em 1997 foi incendiado por um grupo de jovens que hoje estão soltos e já foram flagrados bebendo em bares e se divertindo à noite, afinal um deles (Max Rogério Alves) é filho de um ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral – o TSE – o outro (Antônio Novelly Villanova) é filho de um juiz federal e por aí segue a roda da impunidade.

E o caso mais recente da empregada doméstica Sirley Dias de Carvalho Pinto, aquela que enquanto esperava o ônibus de casa foi brutalmente espancada por um grupo de jovens que alegaram que só fizeram isto “porque achavam que era uma prostituta” – ou seja, se ela realmente fosse então estaria tudo justificado! Um terceiro exemplo é aquele do caso do estudante, Caio Meneghetti Fleury, atropelou um frentista num posto de gasolina em Ribeirão Preto, e depois tentou fugir. Na época a “justiça” (sic) negou o pedido de prisão solicitado pela polícia cívil.

Enfim, estes são apenas alguns casos para aproximar melhor o enredo do filme com a nossa realidade, sendo que na prática a ficção se converge em mais um capítulo de nosso universo como ele é, com seus animais soltos numa selva urbana, onde a emoção e a insanidade falam mais alto do que a razão e a coerência.

Ondskan é um bom filme: chocante, pertubador, com uma série de elementos que nos fazem pensar por horas e ainda assim, com muita tristeza por dizer isto, não tem nada de novo. Obscuramente, é mais do mesmo por se tratar de coisas que acontecem por aí, num beco sem saída ou na luz do dia, onde, no fim, todos são vítimas de uma sociedade desestruturada que já não sabe mais conter os nossos impulsos e punir os verdadeiros criminosos.

Mesmo assim eu recomendo para não esquecer que, no fundo, todos somos animais selvagens. Como diria Nieztche “A diferença entre o homem e a égua é que a égua é mais feliz por não ficar pensando no passado e no futuro“, ou seja, de resto não há tantas diferenças assim. Salve Nieztche!

Por: Evandro Venancio.  Blog:  EvAnDrO vEnAnCiO.

Evil: Raízes do Mal (Ondskan). 2003. Dinamarca. Direção: Mikael Häfström. Elenco. Gênero: Drama. Duração: 113 minutos.

DOGVILLE

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Aviso: O texto a seguir contém spoilers. Se ainda não viu esse filme, e queira não perder as surpresas, já que se trata de um thriller, seria melhor deixar para ler após assistir.

CRUELDADE E HIPOCRISIA: UMA VISÃO ANALÍTICA SOBRE “DOGVILLE”.

Dogville” é mais do que uma fábula anti-americana. Ao criticar a hipocrisia típica do povo norte-americano, o diretor dinamarquês Lars von Trier desmascara a crueldade existente em todo e qualquer ser humano. Se em “Dançando no Escuro”, seu filme anterior, von Trier se vale dos conceitos freudianos de princípio de prazer e princípio de realidade para mostrar uma vida real insuportável para sua protagonista – e que é engolida por esta realidade –, “Dogville” é ainda mais massacrante. Seus únicos elementos que remetem à fantasia são os ruídos de portas inexistentes se abrindo, um cão que late mas que não está lá.  A secura minimalista do cenário é ainda maior do que em muitas montagens teatrais, o que nos aproxima ainda mais de uma estranha impressão: isto não é entretenimento. Parece muito uma sessão de terapia em grupo – sinto que o cinema se presta muito bem a isto, cada vez mais –, onde vemos nossas próprias mazelas estampadas na tela.

dogville-mapaA protagonista, Grace, surge como vítima, assim como a Selma de “Dançando no Escuro”. O nome da personagem, “Graça”, pode soar com um tom católico, mas não tenho a menor noção das convicções religiosas do diretor. O fato é que, depois de todo o tipo de humilhação a que é submetida ao longo da fita, Grace torna-se tão cruel quanto seus algozes. Não poupa nenhum ser humano, nem mesmo uma criança, uma vez que é uma criança que deflagra toda a crueldade dos habitantes. Violência gera violência; isto é e sempre será natural no ser humano. Isto é que torna Grace mais humana e retira a cruz  (= coleira ?) de mártir religiosa que carregou durante toda a projeção do filme.

Enquanto hipócrita, o maior personagem da fita parece ser Tom. Sua psicologia remete ao sujeito que utiliza a intelectualidade para fugir de suas emoções, desconhecendo a si mesmo (vocês conhecem alguém assim?). Sutilmente, ele vai manipulando as reações dos habitantes da cidadezinha a seu bel prazer, sempre com a máscara da ética e da virtude. Quando Grace faz Tom enxergar a si mesmo, ele decide quebrar o espelho. Não quer ver desmoronar a persona que construiu para si, e revolta-se contra Grace. Esta última ação acende o pavio da cólera da protagonista, que decide destruir Tom pessoalmente.

Ao final, é singular a idéia de Grace em poupar a vida do cão. O animal é o único ser que não renega seus instintos, e torna-se ameaçador apenas quando ameaçado. “Ele rosnou para mim quando quis roubar seu osso”, ela diz. A violência animal difere completamente da violência humana; ele torna-se agressivo quando tem sua sobrevivência ameaçada, e nós, muitas vezes, por fraqueza, vaidade e capricho descabidos.

Fica em mim uma impressão: por vezes, a civilização é civilizada demais.

Por: Eduardo S. de Carvalho.  Contato: edupsi2001@gmail.com

DOGVILLE. 2003. Dinamarca. Direção e Roteiro: Lars Von Trier. Elenco: Nicole Kidman, Harriet Andersson, Lauren Bacall, Jean-Marc Barr, Paul Bettany, Blair Brown, James Caan, Patricia Clarkson, Ben Gazzara, Phillip Baker Hall, John Hurt (Narrador – voz). Gênero: Drama, Thriller. Duração: 177 minutos.

Dançando no Escuro (Dancer in the Darker. 2000)

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Após assistir esse filme, fiquei pensando em como escreveria para motivar a outras pessoas para que o vissem também. Porque eu gostei! Daí veio uma dúvida: e para aqueles que não gostam de musical, como dizer a eles? Bem, para quem passa longe de filmes que não sejam de ação ou suspense, muito embora sempre tenha uma primeira vez, não sei se serei capaz de demovê-los dessa idéia. Sorry!

Agora, para quem apenas torça o nariz, creiam, as músicas fazem parte do imaginário da protagonista. Um jeito que ela encontrou de dar um “colorido” a sua vida. Que até poderia ser como uma válvula de escape, mas que para alguém que sabe, desde criança, que seu futuro será de escuridão (ficará cega) essas fantasias ganham um outro peso. Um trechinho, para ilustrar:

Eu vi o que escolhi ver. Vi o que precisava ver…
Você já viu tudo isso. Sempre pode rever. Na telinha da sua mente

Mas não fica apenas nisso. Mesmo sabendo que um filho teria o mesmo destino, ela o trouxe ao mundo. E mais do que o amor maternal, veio junto um sentimento de culpa. E por ele, um drama maior… Mais uma vez, “viver um musical” lhe veio como consolo.

Você só fez o que foi preciso

Será? É uma pergunta que me fiz.

O porque desses escapismos nos musicais? Ela amava os musicais (filmes) americanos desde criança. Dizia que a penúltima música já a avisava que o final estaria próximo. A partir daí, resolveu sair dos filmes nesse momento. Por desejar fazer um outro final, mais alegre, mais colorido, mais claro…

Dizem que é a última canção, mas eles não nos conhecem, só será a última canção se deixarmos que seja.

E para o filho que ela tanto quis:

O tempo que leva para uma lágrima cair, é o tempo que basta para se perdoar. Perdoe-me!

Como diz uma de nossas canções: “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é“…

Eu recomendo! Nota: 09.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Dançando no Escuro (Dancer in the Darker). França. 2000. Direção e Roteiro: Lars Von Trier. Com: Björk, Catherine Deneuve, David Morse, Peter Stormare, Joel Grey, Cara Seymour. Gênero: Drama, Musical. Duração: 140 minutos.