A Saga American Pie

Humor, sexo, juventude e curiosidades. Estes são os elementos que compõem a saga American Pie.

Amecian Pie é uma produção estadunidense que conta a história de adolescentes que de forma humorada buscam consumar a sua primeira vez. Começando, então, as investidas mais hilariantes em busca de sexo e principalmente, mulheres. Descrevendo com precisão os comportamentos e os problemas vividos pelos os adolescentes na fase de transição para a vida adulta.

A linguagem simples utilizada nos filmes American Pie fazem dos mesmos recordistas absolutos de bilheterias nos EUA, e é um sucesso indiscutível pelo mundo todo. Os diretores provaram que é possível trabalhar humor e sexualidade de forma clara e precisa.

Todos os filmes - American Pie: A Primeira Vez É Inesquecível (1999); American Pie 2: A Segunda Vez é Ainda Melhor (2001); American Pie 3: O Casamento (2003); American Pie 4: Tocando a Maior Zona (2005); American Pie 5: O Último Stifler Virgem (2006); American Pie 6: Caindo em Tentação (2007); American Pie 7: O Livro do Amor (2009); American Pie 8: O Reencontro (2012) -, nos apresentaram com humor os estágios de uma relação que parte do conhecimento do nosso próprio corpo, dos dilemas e curiosidades que vivenciamos na adolescência.

Em suma, American Pie é o resultado de uma “torta” picante que reúne de forma desastrada cenas hilárias, discursos eróticos e descrições que pauta na relação pornográfica entre um homem e uma mulher. Na minha opinião, o mesmo pode ser considerado a “pornô humorada” do século XXI.

A Franquia ‘American Pie’:
- American Pie: A Primeira Vez É Inesquecível (1999).
Sinopse: Às vésperas do baile de formatura, quatro amigos virgens – Jim (Jason Biggs), Kevin (Thomas Ian Nicholas), Oz (Chris Klein) e Finch (Eddie Kaye Thomas) – fazem um pacto para perder a virgindade, custe o que custar, nas 24 horas seguintes.

- American Pie 2: A Segunda Vez é Ainda Melhor (2001).
Sinopse: Ao término do primeiro ano da faculdade, Jim (Jason Biggs), Oz (Chris Klein), Kevin (Thomas Ian Nicholas), Stifler (Seann William Scott) e Finch (Eddie Kaye Thomas) mais uma vez se reencontram. Mas agora Nadia (Shannon Elizabeth) está prestes a vir visitar Jim, que ainda não se sente preparado sexualmente para encontrá-la e receberá a ajuda dos amigos.

- American Pie 3: O Casamento (American Wedding. 2003).
Sinopse: Após os eventos do colégio e da faculdade, os garotos estão enfim se tornando adultos. Jim (Jason Biggs) e Michelle (Alyson Hannigan) estão prestes a se casar, já que a avó de Jim adoece e diz que gostaria de vê-lo se casar antes de morrer. Os pais e amigos de Jim já planejam os preparativos para o grande casamento. Enquanto Stifler (Seann William Scott) organiza a despedida de solteiro de Jim, Finch (Eddie Kaye Thomas) prepara rituais hedonistas para o noivo. Porém a situação se complica de vez após Stifler se interessar Cadence (January Jones), a irmã caçula de Michelle que será dama de honra no casamento e não vê a hora de perder a virgindade, enquanto que Finch está decidido a protegê-la do amigo.

- American Pie 4: Tocando a Maior Zona (American Pie Presents Band Camp. 2005).
Sinopse: Matt Stifler (Tad Hilgenbrink), o irmão mais novo de Stifler, sonha em se igualar ao irmão quando envelhecer e também em produzir filmes de garotas nuas. Porém antes disto ele precisa se formar no colegial. Após se envolver em uma série de problemas, ele é enviado pelo conselheiro educacional de seu colégio para o Acampamento de Banda. É a chance que Matt esperava para iniciar a produção de seus vídeos.

- American Pie 5: O Último Stifler Virgem (American Pie Presents: The Naked Mile. 2006).
Sinopse: Erik Stifler (John White), primo de Matt e Steve, deseja perder a virgindade antes de concluir a faculdade. Desejando ajudá-lo, seus amigos decidem incentivá-lo a participar da “Milha Nua”, uma tradicional corrida em que as pessoas correm pelados pelo campus da faculdade.

- American Pie 6: Caindo em Tentação (American Pie Presents Beta House. 2007).
Sinopse: A fratenidade Beta é uma grande potência no que diz respeito a festas no campus, tudo graças ao árduo trabalho lendário de Dwight Stifler. A supremacia da irmandade é questionada por uma nova organização de nerds, que tenta de tudo para acabar com as festas. Assim, Dwight tem que traçar um plano para se manter no topo, contando com a ajuda de uma turma de calouros liderada por seu primo Erik.

- American Pie 7: O Livro do Amor (American Pie Presents: The Book of Love. 2009).
Sinopse: Rob, Nathan e Lube são três amigos que estão determinados a dar sequência à missão de conquistar as garotas dos seus sonhos. Depois de algumas tumultuadas tentativas, a maioria sem sucesso, eles acidentalmente descobrem uma verdadeira bíblia da sedução escondida na biblioteca da escola East Great Falls High. Só que o livro, além de estar em ruínas, possui informações incompletas, conduzindo os jovens a uma hilariante jornada rumo às descobertas sexuais.

- American Pie 8: O Reencontro (American Reunion. 2012).
Sinopse: Dez anos após os acontecimentos de American Pie – O Casamento, os protagonistas se reúnem para relembrar os velhos tempos. Michelle (Alyson Hannigan) e Jim (Jason Biggs) estão se habituando à vida de casados, enquanto cuidam de seu filho. Kevin (Thomas Ian Nicholas) e Vicky (Tara Reid) se separaram, Oz (Chris Klein) e Heather (Mena Suvari) estão se distanciando aos poucos, mas Finch (Eddie Kaye Thomas) continua louco pela mãe de Stifler (Sean William Scott).

“Jogos Vorazes” (The Hunger Games, 2012)

Não li a trilogia “The Hunger Games” de Suzanne Collins, e nunca me interessei com a estória que envolve uma batalha até a morte entre crianças. Porém, fiquei curioso de ver o filme por causa de seu tema frio, escuro e triste e como seria transposto esse sentimento dentro um filme para adolescentes.

Para quem não conhece a estória de “The Hunger Games,” eu entendi que tudo se passa nas ruínas da América do Norte chamada de “Capitol.” Uma sociedade futuristica, onde os ricos e privilegiados, se vestem como se estivessem revivendo os anos 80, e olham com desdém para os 12 distritos numerados abaixo deles. Estes distritos representam níveis variados de pobreza e de habilidades, incluindo mineiros, agricultores, metalúrgicos e outros. Numa tradição anual chamada de “The Hunger Games”, em que um adolescente e uma menina de cada distrito são selecionados como “tributos” para lutar em uma batalha até a morte como um lembrete do poder do “Capitol.”

Nos jogos mais recentes, Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence, graciosa, e repetindo a mesma determinação de sua Ree em “Inverno da Alma”, 2010), uma residente do mais pobre de todos os distritos, Distrito 12, onde ela caça esquilos apenas para ter algo para trocar no mercado para manter o bem estar de sua mãe e irmã. Seu melhor amigo é Gale (Liam Hemsworth, cujo papel é extremamente limitado). Katniss se voluntaria para lutar após o nome de sua irmã foi selecionado para participar do “The Hunger Games.” O filho do padreiro, Peeta Melark (Josh Hutcherson, o filho das lésbicas em “Minhas Mães e Meu Pai”, 2010) é o representante masculino. De acordo com as regras, apenas um ou nenhum desses dois combatentes vai retornar ao Distrito 12 vivo.

O filme tem cara de video game, e também muito me fez lembrar de “The Truman Show” (1998)– os jogos são televisionados para todos os 12 Distritos, onde as pessoas assistem como seus filhos são assassinados para a satisfação do governo opressor. Duas vezes no filme um gesto de mão é feita em três dedos, que é mantido como uma forma de solidariedade– a platéia pareceu ser SUPER fã do livro, pois levantaram as mãos, repetindo o mesmo jesto!.

Fiquei realmente dividido se gostei tanto do filme ou não. No início, onde somos apresentados a esse mundo moderno — e ao mesmo tempo cafona–, emoldurado na fotografia pálida assinada pelo fotografo de Clint Eastwood, Tom Stern, me entediadou em alguns momentos!. Stern pinta o filme com tons cinzas, e depois faz um contraste bem brilhantes de cores (na “The Capitol”) e os verdes da arena do “jogos da fome.” Tudo alinhado nos inumeros cortes das cenas editadas por Juliette Welfling (The Diving Bell and the Butterfly, 2007), e Stephen Mirrione (Traffic, 2000).

Honestamente, achei que o filme tem muitas cenas bobas, e que me deixaram com aquela vontade sair da sala de cinema, porém a estória do filme em si me envolveu e eleveu os meus animos por explorar temas como “reality shows”, controle da mídia e dessensibilização da sociedade para a violência.Infelizmente, o roteiro se arrasta demais em coisas irrelevantes, e não desenvolve plenamente esses temas. Por exemplo, Katniss é aconselhada por seu mentor Haymitch (o sempre talentoso Woody Harrelson) para se “engraçar” para os espetadores, na esperança que os patrocinadores lhe enviará auxílio – alimentação, água, remédios – enquanto ela está presa dentro da arena.

Infelizmente, o filme nunca explora esse engraçamento da personagem com o expectador, apenas se limita em mostrar um romance entre ela e Peeta. E, com exceção de Katniss e Peeta, nenhuma das crianças (personagens) na “arena” são adequadamente desenvolvidas. Não tive idéia quem são ou o que eles são capazes de fazer, e não existe nenhuma conexão emocional com Katniss. Entre as crianças, há um rosto conhecido, o de Isabelle Fuhrman (“Orphan”, 2009, que é talentosa e não merecia ganhar um papel quase sem falas!).

Quando o abate começa, senti o impacto. E, achei excelente a direção de Gary Ross, que não mantem a câmera com firmeza – filma numa forma irregular girando ao redor, de um modo a distorcer o que realmente está acontecendo. E, pelo que vi, ele foi capaz de levar as coisas muito longe em termos de violência. Me perguentei se o material teria ganho algumas restrições em termos de avaliação se Ross e os outros roteiristas Suzanne Collins (a autora do livro!) e Billy Ray tivessem desenvolvido e nos dessem a oportunidade de nos envolvermos um pouco com crianças que estavam sendo mortas.

O elenco de apoio é bom, Elizabeth Banks mesmo nauseante como a emissária, não compromete; Lenny Kravitz — que deveria fazer mais filmes–, tem alguns momentos de ternura, como o estilista encarregado de fazer Katniss apresentável. O melhor de todos é Stanley Tucci, fazendo uma combinação perfeita de extrovertido e assustador como o apresentador de talk-show.

Não existe efeitos visuais de cair o queixo neste filme, e dá para justificar a razão, pois os efeitos não são tão importantes quanto a estória, e se alguma coisa em “The Hunger Games” prova é que ninguém precisa gastar 300 milhões dólares em efeitos especiais, desde que você tenha uma boa estória.

Honestamente, para quem leu livro comprende melhor as lacunas nos personagem por trás da estória—isso é preenchido, onde o filme está faltando. E, creio que assim faz o filme parecer melhor do que ele realmente é.

Certamente, “The Hunger Games” possue um enredo muito interessante, e também é um filme de ação bem melhor do que muitos que vi nos ultimos anos!. Não que ele seja uma obra-prima, mas vale ser visto…principalmente, quem está com uma grana extra!. E, o que achei perfeito “The Hunger Games” foi a linda trilha sonora escrita por James Newton Howard!.

Nota 7.0

Hugo (2011) + Scorsese + Uso Inteligente do 3D = Obra-Prima!

Mesmo já tão decantado em versos e prosa – e com todo mérito -, mesmo com um certo atraso, eu não poderia deixar de registrar a minha impressão desse filme. Até por conta das referências de eu ir assistir numa Sala em 3D. Então fui conferir, e…

Depois do sucesso de bilheteria de “Avatar“, de James Cameron, vulgarizaram tanto o 3D atrás de rendas grandiosas, que talvez seja esse o motivo que tal feito no filme de Martin Scorsese não tenha se repetido. Pelo menos em relação ao Oscar 2012 lhe fizeram justiça. Mas faltou o de Melhor Diretor. Pela grandiosidade do uso da tecnologia do 3D. Como também por nos manter atentos por duas horas de filme. É uma pena que o grande público não pode absorver a belíssima história contada por Martin Scorsese. E quem assistiu “A Invenção de Hugo Cabret” numa Sala em 3D, com certeza ficou com vontade de aplaudir ao final do filme.

Já ciente de que o filme seria longo, mas também de que era muito bom, arrisquei e levei, junto comigo para assistir, três “termômetros”: um adulto que gosta muito mais do Gênero Comédia, um adolescente o qual desconheço o gosto, e uma criança que iria ver seu primeiro 3D. Minha dúvida recaiu-se nesse, até pela duração do filme. De início ele ficou encantado com essa tecnologia; naquela de até querer tocar na imagem. Mas lá pela metade do filme resolveu explorar a Sala de Cinema. Como fez isso em silêncio, como também não tinham nem umas vinte pessoas, relaxei e voltei de todo minha atenção ao filme, mas ainda a tempo de ver três mulheres saindo da Sala. Cheguei a pensar se teria sido por algo que comeram antes da sessão. Mas enfim, voltei ao filme.

O talento para algo pode ser genético. Faltando a um adulto mais próximo mostrar a chave para que o jovem a descubra, por vezes ainda na infância. Mas a vida traçou uma linha torta para Hugo Cabret (Asa Butterfield). Lhe tirando seu bem mais precioso: seu pai. Uma pequena grande participação de Jude Law. Viviam felizes os dois entre responsabilidades, estudos de forma prazeirosa, e muita diversão. Fora o seu pai que despertou nele a paixão por Cinema. Mas um incêndio leva o seu pai. Então seu tio Claude (Ray Winstone) se torna o responsável levando-o para morar com ele. E Hugo leva algo que ele e o pai vinham consertando nas horas vagas: um autômato encontrado num museu. Assim, era como ter o pai junto a si. Aplausos para Asa Butterfield!

Sem o coração, não pode haver entendimento entre a mão e o cérebro”.

Claude morava numa Estação de Trem, em Paris. Era ele quem fazia a manutenção dos relógios. Ensinando o seu ofício ao menino. Beberrão, a vinda do menino lhe daria mais folga não apenas para beber, mas também para sair daquelas cercanias. Para Hugo, todo aquele mundo que via através dos grandes relógios ajudou a amenizar a dor pela perda do pai. E aprendendo a consertar relógio, lhe deu um caminho para a tal engenhoca. Mantendo os relógios pontuais, ambos se tornavam invisíveis aos olhos de todos.

O vai e vem diário dos passageiros, assim como dos trabalhadores e frequentadores das lojas na Estação de Trem, era para Hugo como a tela de um filme. Dos seus pontos de observação, ele já conhecia os hábitos de todos. Por caminhos internos, de desconhecimento geral, Hugo ia de um ponto a outro. Sempre a observar. Sonhando em voltar a sentir o calor e carinho de uma família. Até esse dia chegar, ia vivendo uma aventura solitária. Mas com o relapso tio, para não passar fome, se via obrigado a roubar pães, frutas, leite… Sendo que para isso teria que se fazer de fato invisível aos olhos do Inspetor da Estação. Personagem de Sacha Baron Cohen. Que está formidável!

Se você já se perguntou de onde vem os seus sonhos, olhe ao seu redor. É aqui que eles são feitos.”

Hugo também tentava se tornar invisível para o dono da loja de brinquedo. É que Hugo precisava de pecinhas dos brinquedos de corda, para a tal engenhoca. Mas um dia, o dono da loja, Georges Méliès (Ben Kingsley), lhe dá um flagrante. Dando início a uma nova aventura. Sendo que dessa vez Hugo não mais estará observando, ele fará parte desse roteiro de vida. Tudo porque George lhe toma o livro de anotações do seu pai. O que leva Hugo a conhecer e ficar amigo da sobrinha de George, a jovem Isabelle (Chloë Grace Moretz). Essa, sedenta por vivenciar uma aventura real, como dos livros que lia. Ela levará Hugo para conhecer o seu mundo dentro da Estação de Trens: a loja de livros do Monsieur Labisse. Outra grande participação nesse filme, pois quem interpreta é Christopher Lee. Aplausos também para Ben Kingsley e Chloë Grace Moretz!

Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.” (Chaplin)

A história de “A Invenção de Hugo Cabret” é fascinante: em colocar paixão naquilo que fizer. Mesmo o filme estando bem redondinho, fiquei com vontade de ler o livro homônimo de Brian Selznick, no qual o filme foi inspirado. O Roteiro de John Logan conseguiu contar e bem toda a aventura e desventura de Hugo. E Martin Scorsese conseguiu sim fazer um excelente uso do 3D. O que até me leva a ser repetitiva, mas é por uma torcida de que os demais Diretores só usem esse recurso de modo inteligente. Como também que as crianças que assistirem esse filme, além de ser tornar um cinéfilo, que também passem a gostar de lerem livros. O filme também tem isso de bom: incentivo à leitura. Great!

Um vídeo muito bom para quem não viu, ou viu e queira rever, de um Making Of dos Efeitos Visuais em “A Invenção de Hugo Cabret“:

Então é isso! Uma Obra-Prima que vale o ingresso para assistir em 3D. Um filme onde não se resiste em aplaudir no final.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Protegendo o Inimigo (Safe House. 2012)

Uau! Nem deu tempo de saborear a pipoca. Aliás, é melhor deixar a pipoca para depois. Pois “Protegendo o Inimigo” é acima de tudo um entretenimento muito bom. Confesso que não esperava tanto. Eu adoro quando um filme me surpreende! E nesse não veio por reviravoltas mirabolantes. Nem em descobrir quem são os inimigos. Um deles já se detecta pelo olhar de desconfiança de um dos personagens. A adrenalina ficou mesmo em cima dos dois personagens principais. Pela química entre eles. Pelo crescimento de um dos atores. Pela generosidade do outro em dividir esse palco, como um mestre sentindo orgulho de um pupilo. Por eu nem sentir o tempo passar. Por eu nem querer que terminasse.

Ter Denzel Washington nos créditos já me leva a ver um filme. Mas confesso que em “Protegendo o Inimigo” o motivo maior foi em ver como se sairia o Ryan Reynolds num personagem como esse: um aspirante a agente da CIA. Em Comédia, ele saiu-se muito bem, pelo menos nas duas mais recentes que assisti – “Eu Queria Ter a Sua Vida” (2011) e “A Proposta” (2009), posso atestar. Agora, já não gostei dele no “X-Men Origem: Wolverine (2009)”, que entre outros Gêneros também é um de Ação. Muito embora nesse outro ele foi um coadjuvante. Por conta disso estava por demais curiosa em ver a sua performance neste aqui. E não é que Ryan Reynolds se saiu muito bem em “Protegendo o Inimigo“! Aplausos para os dois pelas excelentes performances!

Faça a Coisa Certa!“  “Não sou seu único inimigo.”

Apesar de não se ter surpresas, eu recomendo que não leiam muito sobre “Protegendo o Inimigo” antes de vê-lo. Tanto que farei quase um pequeno resumo da história, evitando assim em trazer spoiler. Para mim – os dois atores + o tema + a trama -, já bastara. As perguntas, seriam respondidas conferindo o filme. Onde a primeira delas, seria o porque de um deles estar nesse tipo de safe house. Mais! E o porque desse abrigo não ser tão seguro assim. Isso veio com a lida numa simples sinopse. Nela continha que o Agente Matt Weston (Ryan Reynolds), mantendo guarda num dos abrigos da CIA, em plena zona urbana na Cidade do Cabo (África do Sul), receberia como mais um a ser protegido um dos lendários da CIA, o ex-agente Tobin Frost (Tobin Washington).

Frost conseguira sair do mapa por uma década. Acharam até que já tivesse morrido. Pelo seu lado sociopata – de um excelente matador -, quando mudou de vez de lado, ou melhor, quando ele passou a escolher os “seus patrões”, se tornou o mais perigoso dos renegados. Agora, se tornou perigoso para quem? CIA, Mossad, Interpol, MI6…? E por que pediu proteção logo aos Estados Unidos? Cacife, ele tinha. Mas era uma faca de dois gumes. Na era dos chips, pode-se transportar grandes arquivos, e muito bem escondidos. E com a internet pelo celular, saber o que estariam nesses arquivos. Muito ladino, acabou conquistando Weston.

Já Weston se encontrava entendiado em manter guarda entre quatro paredes. Querendo logo entrar em ação. E seu desejo, meio que por linhas tortas, se realiza. Nem tanto com a chegada de Frost ao abrigo, mas sim por ele ter sido invadido, obrigando Weston a fugir com ele dali, enquanto aguardava uma nova ordem. Que para ele seria um novo local até tirarem Frost daquele continente. Mas além de uns imprevistos, ele descobre que terá que se proteger também. O que leva manter Frost vivo era também importante para si mesmo. Ou Frost, ou o que tanto queriam dele.

Meus aplausos também vão para o Diretor Daniel Espinosa! Porque foi brilhante! Não é fácil levar um filme de Ação com quase duas horas do início ao fim. (Final esse que me fez pensar no Wikileaks.) Em nenhum momento o filme perde o ritmo. Como citei antes, mesmo já sabendo quem são os verdadeiros inimigos, a tônica do filme recai mesmo no duelo entre os dois personagens principais. Parte disso também se deve ao Roteiro. Quem assina, e sozinho, é David Guggenheim. Ele conseguiu ser realmente original com um tema tão recorrente: corrupção na CIA. Assim, vida longa na carreira para esses dois: o Diretor Daniel Espinosa e o Roteirista David Guggenheim!

Em “Protegendo o Inimigo” também podemos destacar as atuações dos coadjuvantes. Alguns de peso, como: Vera Farmiga, Brendan Gleeson, Robert Patrick, Sam Shepard e Liam Cunningham. Também as cenas de perseguições. Além claro, da Cidade do Cabo. O que me fez pensar se seria porque o Agente Weston passaria por incríveis tormentas. Gracinhas à parte! Para mim o único porém do filme foi por não ter Hits conhecidos, e adequados a um filme de Ação. Deveria ter na Trilha Sonora um repertório com Rocks Clássicos. Não que Ramin Djawadi fez feio. Mas as músicas estavam mais para um filme mais lento.

Enfim, é isso! Esqueçam a pipoca. Porque o filme por si só já é muito bom! De querer rever!
Nota 9,5.

Por:Valéria Miguez (LELLA).

Protegendo o Inimigo (Safe House. 2012). EUA / África do Sul.
Gênero: Ação, Crime, Thriller.
Duração: 115 minutos.

Drive (2011). E Tinha uma Loura no Meio do Caminho…

É o Amor / Que mexe com minha cabeça / E me deixa assim / Que faz eu pensar em você / E esquecer de mim / Que faz eu esquecer / Que a vida é feita pra viver.”

Meio brega, mas mesmo com uma belíssima Triha Sonora era esse estribilho que vinha em minha mente durante o filme. Grudou de uma maneira tal que ao final do filme eu vi o porque. Já que o protagonista fez o que fez por amor. Seu coração era a única máquina que ainda não sabia guiar. E por conta disso, capotou feio. Pois é! Temos em “Drive” a história de um cara que apesar de tudo tinha um lado romântico escondido em si.

Mas não se trata de um Drama Romanceado, “Drive” é muito mais. É também um excelente Thriler. Porém desliguem o reloginho de querer adivinhar a trama do filme. Desliguem principalmente o botão do politicamente correto. Para ir de carona junto com esse herói bandido. Pois será uma viagem alucinante. E quem é ele?

Ele é Driver. Isso mesmo! Alguém sem passado. Sem um nome próprio. Que leva nessa identidade a marca do seu talento maior: é muito bom no volante. Mas ele não apenas guia, ele sempre buscou conhecer o carro por um todo. Para ai sim ter o domínio por completo. Foi por conta disso que um dia pediu um emprego na Oficina Mecânica de Shannon (Bryan Cranston), caindo nas graças desse. Shannon vendo o potencial de Driver, o leva para ser Dublê em cenas de perseguição de carros. Driver é o personagem de Ryan Gosling. Que está com uma excelente performance. Aplausos para ele!

Assim, esse pacato cidadão tem dois empregos a tomar o seu dia, mas também tem um outro que lhe ocupa durante a noite. O de Hollywood também lhe rende outros ensinamentos para esse seu ofício noturno. Se com a ajuda de Shannon tem uma máquina turbinada, é nas filmagens que aprende a se manter calmo diante do perigo. Com isso, é preciso nesse outro trabalho. Driver aluga o seu talento para ser o motorista de fuga em um assalto. Onde mantém toda a calma. Toda a tensão recai nos assaltantes. Se cercando de cuidados, até para eventuais acidentes de percurso, ele não admite vacilos de quem contratou, nem de quem pensa em contratar seus serviços.

Tudo seguia dentro dessa normalidade, até que se esbarra numa vizinha do prédio onde morava. Mesmo ficando muito pouco em casa, um dia teriam que se cruzar. Ou pelo corredor, já que moravam no mesmo andar. Ou no elevador… Enfim, Driver arriou os quatro pneus por aquela lourinha. Fora amor à primeira vista. Ele até tentou ignorá-la, mas seu lado cavalheiro não poderia deixar de ajudá-la numa hora que o carro dela enguiçara. Ainda mais com compras e um garotinho. No fundo, ele até gostou desse momento família. Mas ela era casada. Às vésperas do marido sair da cadeia.

Ela é Irene. Personagem de Carrey Mulligan. Não sei se pesou na escolha da atriz e em ficar com os cabelos louros o fato de ter dado muita química entre Ryan Gosling com duas louras em trabalhos anteriores: com Michelle Williams em “Blue Valentine” e com Kirsten Dunst em “Entre Segredos e Mentiras“. Se sim ou não, o fato que Carrey Mulligam também conseguiu que sua Irene desse química com o Driver de Ryan Gosling. Irene e Driver trafegam entre a amizade e uma relação perigosa. E Benício (Kaden Leos), o filho de Irene, também se encanta com Driver.

Sendo Driver muito bom no volante, cresce uma outra cobiça em Shanon. Em fazer dele um piloto de corridas. Mas faltava grana para o investimento inicial. Ele recorre então a Bernie Rose. Personagem de Albert Brooks. Um coadjuvante de peso! Com isso um novo tipo de holofotes recai sobre Driver. Acontece que Bernie vê nisso uma chance de se livrar de uma dívida. Sem contar para os dois, traz Nino (Ron Perlman) para participar dessa empreitada. O jogo complica. E para piorar a estrada de Driver, Standard (Oscar Isaac) já sai da prisão com uma grande dívida. Como um aviso de cobrança, é espancado, e à vista de Benício. Driver então, pelo amor à criança, além da Irene, resolve quitar a dívida desse.

Há algo dentro de você / É difícil de explicar / Estão falando de você, garoto / Mas você ainda é o mesmo.” (Nightcall)

Mas quando caiu em si, já era tarde demais. Ele não sabia que esses caminhos convergiam em um único ponto. Se entrou teria que arranjar um jeito de sair. Essa seria a rota de fuga mais difícil que já fizera. A mais perigosa. A mais traiçoeira. E pensar que Hollywood era logo ali. Mas a realidade ali não trazia roteiro pronto. Ele que teria que ser o autor, e em tempo real, se queria ter de novo o controle da sua vida.

O Diretor Nicolas Winding Refn começa muito bem sua carreira. Ganhando a Palma de Ouro 2012, em Cannes, para a Melhor Direção. Mesmo diante de um ótimo Roteiro, tem nas cenas sem falas a certeza de também ter escolhido bem os atores. Como escolhera bem a história. O filme é baseado no livro homônimo de James Sallis. Agora, o filme está tão completo, que nem me fez querer ler o livro. Sei lá, pode ser que o Driver do livro não seja como o de Ryan Gosling. Esse quase domina por completo o filme. Excelente do início à cena final. Além disso, destacando também a Fotografia. Onde conhecemos os arredores de uma Hollywood a quilometros da dos cartões postais. E embalados numa Trilha Sonora perfeita a nos guiar por essas ruas junto com Driver.

Então é isso! Não deixem de ver “Drive”!
Nota 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

“…E o Vento Levou” (Gone With the Wind. 1939)


Acredito que tinha apenas cinco anos quando assisti o meu primeiro filme, e foi um experiência horrível!. O filme era “Um Lobisomem Americano em Londres” (1981), o qual eu nunca revi!– não que fora um filme ruim, mas não fora um “gênero” que logo assim gostasse. Antes de superar esse trauma, assisti “…E o Vento Levou”– a minha irmã mais velha era fascinada pela Scarlet O’Hara. Literalmente, não entendi muita coisa sobre o filme, mas me encantei com a beleza do filme, e a linda música!.

Ano a ano, era um ato quase religioso rever o filme no final do ano. Depois de ser já lançado em VHS, eu via, e revia o filme, e assim me apaixonei por “…E o Vento Levou.” Quando cheguei nos EUA, Atlanta foi o meu destino, e recordo do “hall” no aeroporto, onde se tinha e tem uma homenagem a “Guerra Civil”, e detalhes sobre o filme de Victor Fleming. Foi mágico porque estava  na cidade, onde celebrava a visão dos derrotados sulistas!.

Sempre fui fascinado pelo o filme, e logo quis ler o livro — apenas 1037 páginas!!. Passei um ano para terminar o romance de Margaret Mitchell, porque não queria apenas lê-lo, mas devorá-lo lentamente. A narrativa de Mitchell é tão bela quanto ao filme !.

Ontem à noite, tive a chance de assistir “…E o Vento Levou” no cinema– numa verdadeira tela de cinema!. O cinema estava totalmente lotado!. Tudo bem, “…E o Vento Levou” detem muitos títulos: filme mais popular de todos os tempos; maior exemplo de cinema clássico de Hollywood e  melhor filme de todos os tempos. Vê-lo no cinema foi como se o tivesse visto pela primeira vez– a energia dentro do cinema era inacreditável: todos riam, e vibravam com os personagens.

Vivien Leigh faz Scarlett uma das mais vívidas personagens da historia do cinema– e talvez, nos presenteou com o melhor desempenho de uma atriz premiado com o Oscar. Leigh comando o filme com seus olhos nervosos, o rosto ‘quase’ de mármore esculpido, e aquela levantadinha da sobrancelha direita, que é um charme!. Creio que  não deveriamos gostar de Scarlett–ela é uma mulher má, mimada, que viola todas as regras estabelecidas por uma sociedade agradável. Além disso é egoísta, mercenária, ladra de homens, mas não se pode deixar de amá-la. Uma figura forte, firme, que sabe que o mundo não vai fazê-la nenhum favor, então foda-se o mundo, e uma boa parte do ‘povinho’ que vive nele. Scarlet é uma mulher moderna, mas erra ao ser mimada demais e passa a vida querendo algo que ela não pode ter, o amor de  Ashley Wilkes, um homem tão inexpressivo, que nunca consegui entender o porque desse desespero dela por ele.

Gable tinha 37 anos quando fez Rhett Butler– eu jurava que ele tivesse o dobro dessa idade. O seu Rhett é um homem sábio, e admirado, não apenas pelo “boboca” do Ashley, mas por outros sulistas. Mas, diante do amor, mesmo consciente, se mostra bobo para ter Scarlet.  A cena que ele se sente culpado depois de desejar que Scarlet sofra um acidente– o que acontece, e ela perde o bebe–, é possivel sentir a dor dele.  A cena partiu meu coração como se nunca tivesse visto antes!. Que ator maravilhoso!.

E, talvez a atuação  mais subestimada seja de Olivia De Havilland como uma santa em forma de gente!. Melanie é bonizinha demais, compreensiva demais, e não julga a nada e a ninguém. Uma verdadeira cristã que encontra o bem em quase todos. Rhett Butler refere-se a ela como a única pessoa genuinamente boa que ele já conheceu. Depois de ver o filme tantas vezes, aprendi a gostar da Melanie, principalmente pelo modo que ela ama e admira Scarlet — no mesmo nivel que ama o marido.

A primeira parte do filme tem como pano de fundo a guerra, a destruição de Atlanta– como Rhett diz a Scarlet, “dê uma boa olhada, minha querida. É um momento histórico. Você pode contar aos seus netos como você viu o Velho Sul desaparecer em uma noite”–,  e do plantio dos O’Hara, Tara. As imagens são  gloriosas e  emocionalmente brilhantes em termos visuais. E, mais importante ainda, essa primeira parte mostra o desenvolvimento de Scarlett, de mimada a uma mulher endurecida– ainda jovem!–, e determinada. Seu relacionamento com Rhett está lá, mas é mantido no “fundo”. Há tristeza–Atlanta em chamas–, humor, e cenas lindas de tirar o fôlego como a da sillueta avermelhada de Scarlett, dizendo  ” como Deus é minha testemunha…. Eu vou viver tudo isso e quando tudo acabar, eu nunca mais sentirei fome novamente…. Se eu tiver que mentir, roubar, enganar ou matar. Como Deus é minha testemunha, eu  jamais sentirei fome novamente.” E a todos no cinema aplaudiram – algo que me deixou arrepiado!!!

Na segunda metade, Scarlet vai mentir, roubar, enganar, e matar assim como prometido, mas o filme se concentra no drama,  ela continua ‘louca’ por Ashley, e Rhett vai se tornando cada vez menos sucedido. A narrativa pode até ser digna de uma telenovela, mas o material é tão bem apresentado e atuado, que não se torna menos relevante do que a primeira parte. E na tela grande “…E o Vento Levou” é tão surpreendente que não da para pensar que o filme tenha 73 anos de idade. O enredo, enquanto “progressista” e “moderno” para os anos 30, raramente é ingênuo. O diálogo é, muitas vezes brilhante, e algumas das trocas entre Rhett / Scarlett são particularmente inteligentes. Tal como acontece com todos os casais, seus olhares e linguagem corporal diz tanto ou mais do que suas palavras!. O filme não é sentimental porque ele é temperado num enredo longo com uma variedade de seqüências animadas e bem-humoradas. Os personagens são fascinantes, tanto por conta própria e na sua interação com outros. Destaque  para Hattie McDaniel, cuja brilhante Mammy parece um ser humano real.

Bem, a experiencia em ver “…E o Vento Levou” numa verdadeira tela de cinema, me fez ter a certeza que o filme é um espetáculo, um evento. Mesmo que os nossos hábitos tenham mudado ao longo dos anos, é fácil ver por que esse filme ainda provoca  tamanha onda de louvor, pois a sala de cinema estava lotadissima.  Um filme clássico que pode ser chamado de lenda.

Apenas levou 8 Oscars das 13 indicaçõess que recebeu, e como perdeu nas categorias como melhor ator para Gable, melhor trilha sonora para Max Steiner, melhor efeito especial, e melhor som?!

Fatal (Elegy. 2008)

Por: Lidiana Batista.

“Fatal”, baseado na obra do escritor Philip Roth e dirigido pela cineasta espanhola Isabel Coixet, diretora de outras películas como: “Minha vida sem mim“, “A vida secreta das palavras“, conta a história de David Kepesh, brilhantemente interpretado pelo ator Ben Kingsley.

David é um renomado professor universitário, crítico de arte e que sente seu ego inflado por saber que é objeto de desejo de suas alunas (necessidade de autoafirmação). Toda essa confiança cai por terra no dia em que ele conhece Consuela Castillo (Penélope Cruz, que quando bem dirigida consegue convencer), uma jovem segura de si, inteligente e bonita.

Eis que o professor de meia idade se vê envolvido com a jovem quase 30 anos mais jovem. David se torna inseguro não só pela idade, mas porque ele sabia que aquele relacionamento chegaria ao fim, já que ele não conseguia manter uma relação estável com nenhuma mulher.

David vive essa paixão. Sua vida encontra-se em total desiquilíbrio, ele teme um futuro com Consuela, sente que esta envelhecendo, e segundo ele mesmo diz: “Consuela tem toda a vida pela frente.” E ele não?

Apesar do filme mostrar toda a insegurança de David, o que para o expectador é bastante compreensível, compreendemos também o lado de Consuela. Jovem, linda e quer viver essa paixão, a diferença de idade nunca foi um obstáculo para ela, pelo contrário, ao lado de David, ela se sente segura, se sente amada.

Então, o que impediria esse romance? Bem, David tem um caso puramente sexual com uma mulher há mais de 20 anos. Ela é seu alicerce, é ela quem oferece o equilíbrio que David necessita, ela traz a segurança para o homem que precisa se autoafirmar o tempo todo.

Em outro momento do filme, este equilíbrio também é demonstrado quando George (Denis Hopper), melhor amigo de David, e que foi infiel a vida inteira, adoece e se vê sob os cuidados da esposa traída. Será isso então que os homens precisam? Alguém que não coloque em xeque seus sentimentos, desempenho sexual, suas vidas perfeitamente planejadas? E a mulher? Do que ela precisa?

A relação com o filho é algo delicado. O filho, um homem já feito, casado, médico, culpa o pai por ter abandonado o lar. Essa relação foi pouco explorada porque não fica claro se David tentou realmente uma aproximação com o filho. A grande questão, é que quando o rapaz questiona esse abandono, David é categórico: “fui honesto”. E de fato o foi, foi honesto com sua ex-mulher e consigo mesmo. Mas fica a pergunta: estaria ele sendo honesto com Consuela e com seus sentimentos? Se escondendo atrás da insegurança e do medo de envelhecer?

Um outro ponto que pode ser discutido é sobre a beleza da mulher. “As mulheres bonitas são invisíveis”. E são mesmo! Vistas como objetos sexuais, alguém para se passar uma noite e depois se gabar com os amigos, ninguém sabe como são solitárias, que choram à noite, e que são também apreciadoras da arte (no caso de Consuela).

Esses são apenas alguns pontos que podem ser discutidos, vale ressaltar que cinema é algo subjetivo e talvez essas questões levantadas podem ter passado despercebidas para quem já assistiu. No entanto, fica a dica para quem gosta de refletir sobre o medo de amar, a fraqueza do ser humano e sua insegurança.

Tudo Pelo Poder (2011). Até tu, Brutus!?

Ter esse quarteto – George Clooney, Paul Giamatti, Philip Seymour Hoffman e Ryan Gosling – nos créditos, por si só já seria um grande convite para assistir esse filme. Mas por trazer os bastidores de uma campanha política já era um aditivo a mais. Acontece que “Tudo Pelo Poder” centra esses bastidores em um marqueteiro. Alguém jovem e que sente o gosto do poder. Pronto! Era conferir e…

Numa campanha política temos de lado um candidato como um produto a ser vendido, e de outro, os eleitores que irão comprar ou não resultado dessa publicidade. Tudo é bem calculado, ainda mais se há um interessante cargo em jogo: candidatura a Presidência da República. Consultores Políticos podem até dar um background histórico como suporte. Mas atualmente se faz necessário a presença de um marqueteiro.

Em “Tudo Pelo Poder” temos um breve momento na vida de um excelente marqueteiro. É o personagem de Ryan Gosling, o Stephen Meyers. Um cara que tem uma excelente visão espacial, conseguindo com isso até mudar os holofotes da mídia enquanto apara algumas arestas. Mas tão focado nessa sua recente carreira, e talvez até pelo arrojo da juventude, acaba esquecendo algo simples, e essencial: em solidificar uma amizade. Não a que faz parte do jogo de interesse. Mas sim uma verdadeira amizade.

Amizade essa que teria sem sombra de dúvida com Molly Stearns. Personagem Evan Rachel Wood, que teve uma ótima atuação. Mas com Molly, Stephen só quis sexo, e depois, em usá-la para um outro fim. O poder já o seduzira, mas esse fora um erro menor diante do seu perfil. Ciente de que era muito bom, o ego inflamou, a ponto de não ver que caíra numa grande teia. Ai, pensou que teria uma ajuda em alguém que considerava uma amiga, Ida Horowicz (Marisa Tomei). Mas Ida sabia que essa relação era pura fachada, e de um jogo de interesse por ambos os lados. Principalmente por conta do cargo dela: ser Correspondente Política do The Times.

Na verdade, Ida considerava muito mais Paul Zara (Philip Seymour Hoffman), o Consultor Político do Governador Mike Morris (George Clooney). Stephen estava subordinado a Paul. Esse que era o braço direito de Morris, e há décadas. O trabalho de Stephen tinha um caráter temporário. Consistia em fazer com que Morris fosse eleito pelo Partido Democrata para então concorrer a Presidência da República.

O adversário de Morris, o Senador Pullman (Michael Mantell), tem como homem forte, Tom Duffy (Paul Giamatti). Esse, diferente de Paul, que tenta sempre colocar a ética à frente dos seus passos, e que não tem um Stephen Meyers a seu dispor, sabe que terá que jogar pesado para o seu patrão/candidato sair-se vencedor no importante estado de Ohio. Tanto Paul como Duffy terão que “vender” bem seus candidatos aquele que detém um número considerável de votantes: o Senador Thompson (Jeffrey Wright).

O Marketing Político está a serviço de quem, ou de que? E é isso que o filme mostra. Se toda a campanha publicitária traz algo novo, como a exposição diante da tv e da internet, por outro lado todo o jogo político já vem de muito longe. É a referência histórica que está no título original “Os Idos de Março“: a data se refere a conspiração sofrida por Júlio Cesar, onde foi assassinado pelo seu Consultor Político, Brutus. Então, nessa campanha política, um único erro pode ser fatal.

Não é o primeiro trabalho de George Clooney como Diretor, mas quero focar apenas nesse filme. A escolha dos atores fora perfeita! A história é ótima! Mas ao final do filme me perguntei se com um outro Diretor, ficaria um filme nota 10. Faltou trabalhar, explorar, trazer à tona toda a carga emotiva em cenas importantes. Faltou a Paul Giamatti, Philip Seymour Hoffman e Ryan Gosling algo mais visceral. De arrepiar. De querer rever o filme. Eles foram ótimos, mas porque são muito bons. Faltou muito pouco para emocionarem. O que me faz pensar que a falha ficou na Direção.

Agora, em ano de eleições a cargos públicos, podem acrescentar com certeza esse filme a lista de filmes a serem visto. É um ótimo filme! Mas não me deixou vontade de rever.
Nota 09.

Por:Valéria Miguez (LELLA).

Tudo Pelo Poder (The Ides of March. 2011). EUA. Direção: George Clooney. +Elenco. Gênero: Drama. Duração: 101 minutos. Baseado na peça “Farragut North” escrita por Beau Willimon.

O Sol da Meia-Noite (White Nights. 1985)

Antes de falar do filme, quero contar sobre esse belíssimo e emocionante desenho. É do Saulo Goki. Ele o fez atentendo a um pedido meu, para assim também contar a história desse filme. Grata, Saulo! Ficou mais que perfeito para ‘O Sol da Meia-Noite‘! (Conheçam mais trabalhos desse artista, acessando sua homepage: Saulo Goki.) Agora, o filme.

Uau! Rever “O Sol da Meia-Noite” mesmo depois de tantos anos não deu para segurar as lágrimas no final. Se antes a torcida era para que um dos personagens seguisse por aquela corda rumo a liberdade – num dos grandes momento do filme -, dessa vez ela ficou contida. Melhor! Foi substituída por um “Bravo, Ray!” Por então já saber que ele fez o que fez para que os “três” tivessem mais chance de sair dali. Para quem ainda não viu esse filme, fica a sugestão. Está na programação do Canal TCM. Assista. E depois volte para seguir na leitura. É que mais adiante no texto, terá spoiler. Para quem já viu, venha comigo!

Qual o tamanho da liberdade que lhe é necessária? Não a utópica. Mas sim aquela que lhe daria a liberdade de seguir o seu norte. Em poder mostrar o seu talento. Para realizar aquilo que lhe dá prazer.

Conquistar o direito de ir e vir não parou no período pós Guerra Fria, nem com a materialização disso com a Queda do Muro de Berlim. Ainda hoje há muitas dessas cortinas de aço. Israel levantou uam há bem pouco tempo. Para cercear esse direito aos cidadãos da Palestina. Cito isso, caso alguns adolescentes que queiram assistir esse filme saibam que o tema principal desse filme não está apenas nos seus Livros de História. Assim, o filme se tornou também atemporal. Além de um Clássico na memória afetiva de alguns cinéfilos. Entre eles, eu! Traçando esse paralelo com a realidade atual, e de algumas nações, pode-se visualizar melhor o drama de alguém ir atrás não apenas do seu sonho, mas por sentir que terá a liberdade de escolha. Mais! Ao abraçar uma outra pátria, se sinta de fato um cidadão nela.

Em “O Sol da Meia-Noite” será a Dança e a Música que contarão uma emocionante história. Como pano de fundo a época da Guerra Fria entre duas potências: Estados Unidos versus União Soviética. Na personificação de dois personagens que antes nativos de cada uma delas, agora pertencentes ao outro lado. Que traz também uma outra realidade, e que tem a ver com preconceito racial: de um lado um “louro nórdico”, e do outro um “afro-americano”. Ambos Bailarinos. Um, por se sentir podado numa gaiola dourada, ousou fugir dela. Já o outro que a princípio foi ciente de que viveria numa, o seu grande motivador fora por não querer abraçar uma Guerra: a com o Vietnã. Desertara dela. E quem seria esses dois?

O ballet clássico é para jovens. O que mais me fascina na dança contemporânea é a possibilidade de interpretar a nossa própria idade“. (Mikhail Baryshnikov)

Mikhail Baryshnikov interpreta um deles. Como também algo que vivenciou na vida real: o abraçar outra pátria. No filme ele faz o Nikolai. Um bailarino que pedira asilo polítio aos Estados Unidos. Queria poder dançar o que quisesse, e não o que lhe era imposto. Amava a dança para ficar somente preso aos Clássicos. Queria também vivenciar o Balé Moderno. Acontece que por um acidente do destino, o avião onde viajava, já como integrante de uma Companhia americana, fora obrigado a fazer um pouso de emergência em solo soviético. De volta a toca dos leões!

O outro quem o faz é o ator Gregory Hines. Ele é o Raymond, o Ray. Cansado de ser mais um negro Sapateador nos Estados Unidos, sonhou em ter um reconhecimento profissional na Rússia. Mas muito mais por conta da sua ex-nacionalidade do que pelo seu talento é que lhe deram um palco. Que para ele era bem mais do que conseguiria no Harlem, Nova Iorque. E em solo soviético conhece Darya, personagem de Isabella Rossellini. Se apaixonam e se casam.

Tudo seguia rotineiro para esse casal. Até que o destino traça um outro rumo: Ray será usado para tentar convencer Nikolai a primeiramente voltar a treinar, depois voltar a se apresentar no grande Teatro Kolya. Ray mesmo sendo obrigado, acredita que com isso irá se apresentar em teatros mais importantes na Rússia. Para um público mais seleto.

Quem faz essa intermediação é o Ministro da Cultura, Coronel Chaiko, personagem de Jerzy Skolimowski. Excelente performance! Mas revendo agora esse filme, não lembro se na primeira vez que vi se esse personagem me impactou tanto quanto o Coronel Landa, de Christoph Waltz, em ‘Bastardos Inglórios‘. Pelo perfil do personagem, me peguei a pensar se de certa forma Quentin Tarantino se inspirou no Chaiko para construir o seu Landa. Não gosto de fazer esse tipo de comparação. Acho injusto. Mas o Coronel Landa de Christoph Waltz veio para pontuar os Vilões da História do Cinema. De qualquer maneira, Jerzy Skolimowski merece aplausos. E seu Chaiko fez uma ácida ponte para os personagens principais se confrontarem.

Não tento dançar melhor do que ninguém. Tento apenas dançar melhor do que eu mesmo.” (Mikhail Baryshnikov)

Então, nesse embate temos, de um lado um negro nascido nos Estados Unidos tentando ter um palco importante em solo soviético, e do outro lado, um branco que abraçou o país do outro porque lá poderia dançar o que quisesse, e sem importar em que palco. Será um belo duelo! De ideais também. Algo bem planejado pelo Cel. Chaiko. E aos que ainda não conhecem esse filme, quando eu friso a negritude do personagem é porque o preconceito racial está na trama do filme. Mais! Será usada como arma pelos dois lados.

Nikolai sabe que tem pouco tempo. Precisando do fato que sua Agente (Personagem de Geraldine Page) ainda está fazendo tudo o que pode para trazê-lo para dentro da Embaixada Americana. O único jeito dele se ver livre novamente. Se antes o destino cochilou com o tal pouso do avião… Depois mostrou a ele um jeito de fugir daquele prédio. É quando o Cel. Chaiko traz a antiga namorada, como mais uma arma de persuasão. Ela é a bailarina Galina Ivanova, personagem da Helen Mirren. Galina está na direção da Escola de Balé. Um alto cargo. Para o Coronel, ela não porá tudo a perder. Mas seu tiro sai pela culatra! Já que Galina consegue um jeito de ser uma ponte entre Nikolai e a Embaixada. Também terá umas ajudas invisíveis para essa fuga. Uma, de um subalterno do Coronel. Numa de – “Beba do seu próprio veneno!” -, acaba dando segundos preciosos a mais para a fuga. A outra ajuda vem de uma zeladora da Academia. Mesmo para alguém acostumada em viver como numa casta, se sente bem quando alguém de uma superior lhe trata como um igual. Demonstrando que conhece um pouco da sua vida pessoal.

Se separarmos o contexto histórico – Guerra Fria -, o filme traz mais um tema. Mais que mostrar os Estados Unidos como a Terra Prometida, é o de querer ter o livre arbítrio em traçar seu próprio destino. Mas ambas as nações tolhiam esse desejo. Uma muito mais abertamente do que a outra. O que me fez lembrar agora, revendo esse filme, de um outro, o “O Declínio do Império Americano”, por levantar essa questão, em especial, com essa frase síntese:

A História não é uma ciência moral. A legalidade, a compaixão, a justiça são estranhas à História. Isso significa, por exemplo, que os negros da África do Sul estão destinados a vencer um dia, enquanto os negros americanos, provavelmente, nunca o conseguirão.“

Para Ray, um fator novo irá pesar na sua decisão final. Que o fará recusar aquela mão amiga a lhe chamar para a liberdade. Agora tinha um filho a caminho. Que ali não teria mais o “peso” do pai. Ray era como um troféu de guerra para os russos. Já seu filho, nascendo ali, não seria. Então Ray deixa que esse futuro filho tenha oportunidade de traçar seu próprio destino. Decide ficar para dar mais tempo à fuga dos três: Nikolai e Darya grávida.

O título do filme participa como um fato que mesmo que habitual na vida dos habitantes, ainda desnorteia um pouco a rotina diária. Do tipo: “Apesar de estar claro como o dia, ainda é noite.” Com isso há o de se esperar pelo funcionamento de tudo, quando de fato é de dia. O que pode ajudar, como também dificultar a fuga. O título também evoca algo romântico: uma luz a brilhar, a guiar, na escuridão. Como também há uma simbologia no campo psíquico. Se o sol do meio do dia seria o momento onde a sombra (conceito junguiano) se faz totalmente ausente, com o da meia-noite seria ter a visão por completo dela: conhecer a fundo os seus medos. E sendo o filme made in usa, uma outra simbologia: o sol representaria os Estados Unidos, e as trevas a cortina de aço.

Agora, o filme também traz um tema importante: o valor de uma verdadeira amizade. Mostrando que ela pode nascer mesmo sobre um forte antagonismo. Se fortalecer mesmo que num curto período. E o quanto um simples gesto pode deixar raízes profundas. Algo que marcará tanto, que virá a ser um divisor de água pelo menos na vida de um deles. Uma amizade que, se não durar para sempre, por certo fará parte da memória afetiva dos envolvidos.

Finalizando! Eu amei muito de rever esse filme! Só potencializou esse gostar. Confirmando que continuará na minha memória afetiva. E ao som de “Say You, Say Me”, na voz de Lionel Richie. Assistam!

Nota 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Sol da Meia-Noite (White Nights. 1985). EUA. Direção: Taylor Hackford. Gênero: Drama. Classificação etária: Livre. Tempo de Duração: 136 minutos.

Curta: Os Fantásticos Livros Voadores do Sr. Morris Lessmore (2011)

A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde.” (André Maurois)

Um jovem na varanda de um hotel, imerso na leitura de um livro, em meio a muitos livros. Solitário? Talvez prefira a companhia dos livros. Talvez tenha um melhor diálogo com eles. Tranquilo, segue a leitura até ser pego de surpresa por um furacão.

Quando a tempestade passa, ele caminha entre os escombros. O hotel se foi, e com ele seu quarto moradia. Seus livros também se foram. Assim, sem suas raízes que o prendiam a esse local, sai caminhando sem um rumo certo.

Mas parecia que o destino já traçara uma rota para ele. Teria uma nova moradia, e na companhia de livros. Algo que ele gostava muito. Era uma Biblioteca. Mas não uma comum. Ela possuía livros especiais. Pareciam que tinham vida própria. Faltava a ela alguém que amasse muito os livros a ponto de dedicar-se com carinho a zelar por eles.

Dupla delícia – O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado.” (Mário Quintana)

Ele se sentiu realmente em casa. E amou esse novo ofício: em ser um Bibliotecário. Como ajudante mor: o Humpty Dumpty em pessoa. Ops! Quero dizer: Humpty Dumpty em livro. Que amava tocar um piano. Assim, entre leituras e uma boa música, com pausa para ajudar as pessoas a escolherem uma leitura que lhes agradassem mais, a vida seguiu tranquila. Do jeitinho que mais gostava.

The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore” (2011) foi o vencedor do Oscar 2012 de Curta-Metragem de Animação. Como é mudo, ou seja, não há falas, e como também são raros atualmente em serem exibidos nas Salas de Cinema, eu o trouxe para cá. É uma história simples, mas feita com muito esmero. Não há surpresas. Mas há homenagens mesclando três vertentes que também convergem para a formação de um Filme: Cinema, Música e Livro. A saber: Autores, Personagens, Histórias, Sons… Há de agradar com certeza o público infantil. Mas também aos demais que amam os livros. Que adorariam ter, ver, uma Biblioteca Pública perto de casa.

Eu gostei! Vejam se também irão gostar:

The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore (2011). EUA. Ilustrador: William Joyce. Realização: William Joyce e Brandon Oldenburg. Gênero: Animação, Aventura, Curta-Metragem, Drama, Famíla. Duração: 15 minutos.