Três Homens em Conflito

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O Bom:
Clint Eastwood
Sem nenhum escrúpulo, ele parasita bandidos procurados pela justiça, arma um plano fajuto apenas pra ficar com a recompensa e ganha a vida dessa forma. Talvez chamado de bom pelo fato de ser o Loirinho e assim lembrar os anjos.

O Feio:
Eli Wallach
Assim como na regra da vida, Tuco, o feio é rejeitado e cobiçado pela justiça. sua sociedade com Loirinho não rendeu o que esperava e quando se torna um dos guardiões de um segredo, sua vida começa a depender do alcance dos disparos de sua pistola.

O Mau:
Lee Van Cleef
Ganha a vida fazendo o que sabe de melhor: matar sem perguntar porque e sem dar satisfação. Sua crueldade cruza o oeste e seu nome, Olhos de Anjo é sempre acompanhado de um adjetivo de medo.

Os três travam uma guerra que vai além de posses. É algo que envolve ego, e cada um tem o seu. Apesar de fingirem uma “amizade” inexistente, seu ódio vai além de qualquer coisa, e quando suas vidas se entrelaçam por conta de um valioso tesouro, escondido nos confins da Guerra Civil Americana, o conflito torna-se inevitável, e a velha rivalidade domina suas vidas.

A rivalidade entre esses 3 tipos por conta do tesouro é o centro de um dos faroestes mais amados e incríveis da história. Três Homens em Conflito é daqueles filmes que se assiste sem ver o tempo passar, mesmo com quase 3 horas de duração.

Dirigido pelo saudoso Sergio Leone, de muitos tantos excelentes westerns, como por exemplo o meu preferido do gênero Era Uma Vez No Oeste, o filme é de um bom gosto tremendo, que conquista a todos, de 8 a 80, e claro os antecessores desse aqui, Por Um Punhado de Dólares e Por Uns Dólares a Mais.

Com uma narrativa simples e bem deliciosa, ele une humor e muito tiroteio, conseguindo com muita tranqüilidade desenvolver uma história aparentemente simples. Na verdade Leone consegue fazer um épico dentro do velho oeste. Está tudo lá. Cenas grandiosas de batalhas, personagens marcantes e bem trabalhados e um enredo preso a detalhes carismáticos para ser contado. Respeitando e ainda eternizando os “moldes” do estilo (poeira, unhas sujas de pólvora e claro, os duelos), o filme consegue ser charmoso, eletrizante, divertido e grandioso.

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Ainda que o “grosso” da história comece lá depois da primeira hora, Leone usa o começo do seu filme para fazer uma “identificação” de seus protagonistas, os nome-título do filme (The Good, The Bad and The Ugly – O Bom, O Mau e o Feio), colocando seus personagens em situações que de alguma forma desenham suas características mais evidentes.

Mas é quando ele chega no “grosso” da história, é que tudo ganha a forma esperada. Enquanto antes ele estava em tiros e tiros, guardou muitas surpresas para o resto do filme. Quando seus personagens têm o caminho cruzado, no calor da batalha, a trama começa a ser definida e claro, com recursos simples, ele consegue prender nossa atenção até o fim.

É quando aparece a antológica seqüência da explosão da ponte, a tortura ao som da música e claro, o trielo genial. Acertando em valorizar detalhes, Leone consegue assim passar um realismo fantástico aos seus filmes, talvez isso diferencie seus faroestes de caras como John Wayne, que passava um ar mais “artístico”, mais “clássico”.

Os diálogos proferidos como projéteis são deliciosos, sendo os melhores deles guardados para Tuco, o feio. Trocas de farpas e aqueles jargões ditos por valentões e pistoleiros confiantes são constantes e temperam o filme de uma forma magistral. Seguido por situações sendo algumas engraçadas e outras mais sérias, o roteiro é um primor. E ainda nas mãos de um cara do calibre do Leone, sai de um enredo simples e vira um épico grandioso.

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Mas o que mais ficou guardado foi a recriação fidelíssima da época que a história se passa. Figurinos, cenários, gírias, comportamento, essas coisas, tão bem feitas que chegam a impressionar com tamanho realismo. A cena da batalha da ponte é perfeita em tudo, o “trielo” no cemitério é perfeito em tudo, as cenas no deserto são perfeitas em tudo, o filme é perfeito em tudo!

Tecnicamente é de uma precisão tremenda. Olhando hoje, nem parece que custou pouco mais de 1 milhão de dólares, já que o padrão de um filme mediano está na casa dos 30 milhões. Com uma montagem astuta e a direção soberba do Leone, o filme consegue impressionar e causar uma tensão deliciosa porque foi feito do jeito certo.

Já chegando nas atuações, não há adjetivo pra descrever. O trio principal (Clint, Lee, Eli) está competente e coeso com tudo, conseguem aquela dualidade de gêneros fantástica, sabem ser engraçados na hora certa, sabem ser misteriosos na hora certa, sabem surpreender o espectador, e conseguem. Difícil escolher um, mas fico com o carisma e as patetagens do Feio. Só ele faz o filme valer a pena.

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E o ponto principal é claro, chama-se (G)Ennio Morricone! Que trilha sonora fabulosa. Cada acorde soa perfeito no filme, até os assobios. Incrível como esse “ragazzo” conseguiu ser rei das trilhas faroestes. Todas as suas músicas são a maior referencia do gênero, creio eu, mais populares até que os lendários duelos. Muito bacana como ele inseriu e eternizou a gaita por exemplo, e o assobio. Muitas paródias de faroestes tinham esse detalhe, que considero, vinda do velho Ennio, mestre supremo do assunto.

Com tudo no lugar, e praticamente sem defeito algum, Três Homens em Conflito ta no coração de todo amante de cinema. Fico feliz em saber que temos algo desse porte no cinema.

Nota: 10

The Good, The Bad and The Ugly (1966).

Direção: Sergio Leone.
Atores: Clint Eastwood , Lee Van Cleef , Eli Wallach , Aldo Giuffrè , Mario Brega.
Duração: 02 hs 41 min

Giordano Bruno (1973)

Podemos notar que Giordano Bruno possuía uma dialética complexa, onde ele empregava todo o seu conhecimento para transferir o saber verdadeiro da realidade para um povo que tinha suas mentes fechadas; pois naquele período a Igreja bloqueava o intelecto humano, impondo limites no conhecimento das pessoas.

Giordano era um intelectual que criticava as regras impostas pela a igreja da época; tendo em seu pensamento ideias construídas para realizar uma observação e análise de tal processo buscando fugir das cópias da realidade se concentrando na “verdadeira realidade” escondida por trás dos fatos.

Ele tinha fortes princípios nos quais relacionava o homem e todo o universo a uma filosofia, uma ciência onde os simples gestos humano se tornavam grandes fatores para a valorização de sua teoria. Giordano acreditava que o homem já nascia com o conhecimento bastava às experiências para organizar o nosso saber.

Em sua análise ele deixa claro que o homem próprio que faz o seu destino, também acreditava na reencarnação e na evolução dos seres. Graças as suas observações que ele obteve a lógica que a terra era redonda e que ela girava em torno do sol e que havia um enorme espaço a sua volta, ou seja, um universo infinito de cores e formas variáveis.

Portanto Giordano conseguiu através de sua teoria exposta para a humanidade momentos de reflexões nos quais inúmeras pessoas conseguiram ver a vida além da sua própria realidade.

Por: Dhiogo José Caetano – O Pensador. http://recantodasletras.uol.com.br/autor_textos.php?id=68116 .

Giordano Bruno. 1973. Itália. Direção: Giuliano Montaldo. Elenco: Gian Maria Volonté (Giordano Bruno), Charlotte Rampling (Fosca), Hans Christian Blech (Sartori), Mathieu Carrière (Orsini), Renato Scarpa (Fra Tragagliolo), Giuseppe Maffioli (Arsenalotto), Massimo Foschi (Fra Celestino), Mark Burns (Bellarmino). Gênero: Biografia, Drama. Duração: 115 minutos. O filme tem por tema o processo movido pela Inquisição Romana contra o filósofo italiano Giordano Bruno.

NINE (2009) – Luz! Câmera! …e Corta! Deu Bloqueio.

Deslumbrante! Um dos bloqueios criativos mais encantadores da História do Cinema. Mais! O personagem com toda certeza era mesmo para ser dele: Daniel Day-Lewis. E ele nos leva a um mergulho de tirar o fôlego. Literalmente, também. Pois há uma cena que… se forem assistir num Cinema com alta definição… chega a dar um calafrio, uma sensação de quase cair do alto da estrada naquele mar de águas tão transparentes.

Ainda falando nessa resolução da fita… Procurem por um Cinema que lhes dêem essa qualidade na projeção. Se gostam mesmo de Musical, sairão gratificados ao assistirem ‘NINE‘. Ambos merecem: você e o filme. E não é só para cenas  externas. Numa, também com ele, onde ele se questiona em frente a um telão, fica a sensação de que ele está dentro da Sala onde estamos vendo o filme. (*¹)

Quem seria esse personagem que Daniel Day-Lewis interpreta tão bem? (*)

Ele faz Guido Contini. um importante Diretor, e também Roteirista, de fama internacional. Seu público bebe nas suas fontes uma Itália romântica, sedutora, deslumbrante, misteriosa, provocante, sexy… Enfim, um país apaixonante! E não poderia ser de outro jeito, já que Guido desde a infância ama as mulheres. Por elas, seus filmes decanta o país dos sonhos de todos.

Mas com os seus últimos filmes foram um fracasso de bilheteria… mais a meia idade batendo à porta… ele passa por uma crise existencial. Vindo a refletir em seu trabalho atual. Não adiantando muito, seu Produtor, Dante (Rick Tognazzi – filho de Ugo Tognazzi), o cercar de mimos, até por conta do atraso, mas o texto não sai. Tem o cenário – um Itália com toda a sua arquitetura clássica -, a atriz principal – Claudia Jenssen (Nicole Kidman), os figurinos… Toda a equipe a postos. O título contendo ‘Itália’. E não consegue escrever uma linha sequer.

Assim, Guido faz um mergulho em seu passado e presente, numa tentativa de resgatar a si mesmo. Passará por nove questionamentos: da infância ao momento atual.

Vamos juntos nesse mergulho? Ah! O texto terá spoiler.

Mas não farei pela sequência do filme. E trata-se de um ponto de vista meu. Já que o filme é baseado em ‘Fellini Oito e Meio’, de 1963 – após oito filmes produzidos, um bloqueio não lhe deixa terminar o próximo. Nesse site terão toda a história do filme original e da montagem para a Broadway, num belo artigo.

One – Se temos a Itália, temos a Religião Católica com todas as culpas e expiações aos seus fiéis. Querendo mais que uma absolvição, Guido clama por uma ajuda divina. O Cardeal não o ajuda muito. ou, até sem querer, leva a Guido ver, que não é ali a raiz do seu problema. O Cardeal, confessa ser fã de seus filmes, mas dos antigos. Lhe dá um tema para seu novo filme.

Two – A Religião também marcou a sua infância. Guido apanhava dos Padres por ir admirar uma linda mulher. Ela morava à beira mar. Os meninos levavam suas economias para vê-la fazendo poses provocativas. Saraghina (Stacy “Fergie” Ferguson) era de fato bem provocante. Era a puberdade precoce de Guido. A natureza sendo castrada pela Igreja. Dela, Guido só lembra da sua exuberância. Em sonho acordado lhe dá um musical a sua altura. O primeiro amor do Guido menino. Sua primeira musa a lhe inspirar.

Three – A figurinista Lilli (Judi Dench) é mais que sua amiga. É uma mãe para Guido. Mas não como uma Mamma italiana. Tem um ótimo humor! Embora zombe um pouco dele, gosta muito dele. Até por mantê-la junto nesse mundo do Faz de Contas, que é o Cinema. Lilli veio do Folies Bergère. Ama o efeito de que quem está no palco, proporciona ao público. Como um termômetro… da à Cesar, o que é de Cesar… Lilli é o seu suporte. Mas ela sabe quando é a hora de cortar o cordão umbilical.

Four – Guido vai até onde sua mãe está enterrada. Tem nela a sua fã numero um. Mas a Mamma (Sophia Loren) deixou à educação de Guido, quando menino, aos cuidados dos Padres. Bem, Guido até antes desse bloqueio deu provas de que a rigidez da Igreja não lhe causou traumas. E ele ama a sua mãe. Para mim, a Sophia Loren foi uma presença apagada. Para não dizer: patética. Plásticas demais, lhe tiraram as atuações de outrora. Uma outra atriz teria feito uma Mamma inesquecível. Pena! Deveria saber envelhecer.

Five – Quando ele não pode deixar de ir a uma coletiva com a impressa, Lilli o incentiva com algo assim: ‘Vai lá! Você mente muito bem!’ Durante a entrevista, Guido conhece a jornalista de moda, Stephanie (Kate Hudson). Ela flerta sem pudor esse homem fascinante. É a Imprensa que dá vida ou acaba de vez com a fama de alguém. Assim, é uma via de mão dupla, pois um precisa do outro. Stephanie escreve seus artigos banhando-se nos filmes de Guido. Seu musical em estilo retrô, narra o poder que seus filmes tem sobre seu público, e no caso dela, em seus leitores. Eu não sei porque, mas vendo essa cena, me fez lembrar de uma cena/clip com Elvis Presley: Jailhouse Rock.

Six – Se o seu mal não é espiritual, Guido recorre a um médico para saber se é algo físico. Quer dar vida novamente as suas inspirações. Mas também não há nada com ele nessa parte.

Seven – Durante os exames, surge sua amante: Carla (Penélope Cruz). Ele quer estar com ela. Numa de que uma paixão tórrida, volte a lhe inspirar. Mas ela já não o excita mais como antes. Guido sabe que essa relação está terminando. Pela situação atual, com tantos jornalistas no seu pé, temendo um escândalo, resolve ir aos poucos. Mas Carla pressente. Como se estivesse subindo os créditos finais, e lá um ‘The End’ bem grande. E não um; ‘E foram felizes para sempre!’. Então, resolve fazer uma saída dramática… O que sepulta de vez a paixão que Guido sentia por ela. Devolvendo-a de vez para o seu marido. Sobre a Penélope, em papéis dramáticos, ela se sai muito bem. Mas naqueles que deveria mexer com a libido… ainda não. Eu cheguei a falar sobre isso em ‘Fatal‘.

Eight – Enfim, Guido teria em seus filmes uma atriz que ele adorava: Claudia Jenssen (Nicole Kidman). Uma Celebridade ciente do seu fascínio. Mas se chegou onde chegou, foi por amar a profissão, e pelo seu profissionalismo. Tal qual o Guido. Claudia, primeiro ironiza os seus testes, depois decide ir embora. Dizendo que só voltará quando lhe entregarem o Roteiro do filme. Guido consegue que ela o deixe levá-la ao seu hotel. No caminho, param para conversar. Trocam confidências… Não é uma relação de ‘criador e criatura’. Até pela sua presença em cena – um talento nato -, ela tem sido uma fonte de inspiração para ele. Aproveitando o momento íntimo, Claudia aproveita para fazer um balanço dessa dependência… resolve então pensar por ele. Já que também o ama. Claudia descobre assim, que nunca teria dele um amor pela sua pessoa. Que Guido é 100% um Cineasta. É hora dela sair de cena… O faz com muita elegância…

Todos os musicais são lindos! Mas para mim, dois estão no topo. E um é com a personagem de Nicole Kidman. Um que estão perto de uma fonte… É! Fontes em cenários na Itália é algo bem comum, mas que estando tão bem incorporados, são sempre românticos. Agora, com uma cena entre uma louraça e um homem + filme de Fellini + fonte… não dá para não pensar nessa outra cena aqui:Nine – O princípio, meio e… desfecho desse bloqueio. Princípio, porque sua esposa, Luisa (Marion Cotillard) foi atriz de um dos seus fracassos de bilheteria. Ela então abandona a sua carreira. Passando a ser a esposa que fecha os olhos para as escapadas de Guido. Embora ele diga que a sua opinião conta muito nas escolhas do Elenco, Figurino… Luisa descobre o que a Claudia também descobriu… Mas à ela, sendo a esposa, doeu mais. Mesmo sendo uma grande romântica, a isso ela não perdoa. Saindo da vida de Guido. Indo atrás da sua própria identidade. Até para mostrar que também sabe ser provocante.
Com ela, tem o segundo clip que eu amei! Um segundo que ela faz, a mim, mostrou-se muito mais sedutora do que o que a Penélope Cruz fez. Marion Cotillard deu um show! Bravo!

Guido abandona tudo. Após se despedir de toda a equipe, cai no mundo. Voltando alguns anos depois… E numa conversa com Lilly, enfim vence o bloqueio. Achando o tema certo para um novo filme… Então… é: Luz! Câmera! …AÇÃO! Agora, se foi por conta do ego ferido, ou não… Como todo excelente filme, deixa que o público dê asas a sua imaginação.

Nem preciso mencionar que a Trilha Sonora de ‘NINE’ veio a somar nesse excelente filme. Aqui, no site oficial, tem como ouvir as músicas na íntegra. Entrou para a minha lista de que vale a pena rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Nine. 2009. EUA / Itália. Direção: Rob Marshall. Elenco: Daniel Day-Lewis (Guido Contini), Marion Cotillard (Luisa Contini), Penélope Cruz (Carla Albanese), Judi Dench (Lilliane La Fleur), Kate Hudson (Stephanie Necrophuros), Stacy “Fergie” Ferguson (Saraghina), Nicole Kidman (Claudia Jenssen), Sophia Loren (Mamma). Gênero: Drama, Musical Romance. Roteiro: Michael Tolkin  e Anthony Minghella. (*)Baseado no livro de Arthur Kopit, de 1982. Que foi derivada de um jogo italiano de Mario Fratti inspirado pelo filme autobiográfico de Federico Fellini 8 ½.

(*¹) – Eu fui assistir num dos Cinemas UCI, no UCI New York City Center. Se por mais um lado, estão de parabéns, por terem colocado o espaço para o cadeirante no meio. Por outro, quem projetou não visualizou que colocaram o telão muito baixo. Os recostos das poltronas da fileira a seguir, tampam a legenda que está na segunda linha. E as cabeças dos que sentam ali, tampam a primeira linha da legenda. É algo simples de resolverem: só subirem com a tela. Ai sim sim, seria um Cinema Nota 10.

Topo.

I love his cinema italiano # NINE_o filme

Por: Sam Shiraishi.
Outro dia tive meu début em cabines de imprensa para petit comité. No espaço de cinema que a Sony mantém em Sampa pude vivenciar a sensação de ver um filme em primeira mão numa daquelas salas pequenas de cinema onde se reunem diretor, parte do elenco e executivos para avaliar o filme antes da estreia. Claro que não era uma avaliação, mas foi mais intimista e especial, diferente de outras cabines de imprensa (sessões especiais para jornalistas) às quais tinha comparecido em cinemas paulistanos. E o filme em questão se passava nos bastidores do cinema: Nine, de Rob Marshall (diretor de Chicago), no qual Daniel Day Lewis interpreta um diretor de cinema. À sua volta, nove mulheres inclassificáveis dançam e cantam neste filme que na verdade é uma homenagem ao cinema italiano do meio do século XX. Para cinéfilos, eu diria, e, acima disso, para quem gosta de musicais.

Imagens de divulgação do filme como esta acima dão a impressão equivocada de ser quase um filme erótico, mas não é. Classifico-o mais como um drama masculino, a busca de si mesmo pela qual passam muitos homens na meia-idade.

Imagens como esta (e a frase da personagem de Penélope Cruz, "I'll wait for you with my legs open") dão a impressão de que se trata de um filme com grande apelo erótico, mas eu o classificaria como um drama retratando a busca do homem que chega na meia-idade por uma identidade há muito perdida.

A chance de ouvir o elenco cantar músicas inusitadas (em performances memoráveis, como a de Kate Hudson) vale o ingresso

Tem a amante insandecida Carla (Penélope Cruz), a esposa dedicada Luisa (Marion Cotillard, cujo personagem me pareceu uma homenagem à Grace Kelly e Audrey Hepburn), a musa Claudia (Nicole Kidman, no papel de uma atriz de sucesso), a figurinista e confidente Lilli (Judi Dench, cuja caracterização me lembrou a Edna Mode, de Os Incríveis! risos), a repórter sedutora e esfuziante da Vogue (Kate Hudson, encarnando a jornalista estadunidense da década de 1960, em busca de sucesso e aventuras), a prostituta que mudou sua infância (Stacy Ferguson, a Fergie). Acima delas, em todas elas, em nenhuma delas está a figura da mãe, vivida pela belíssima Sophia Loren, a verdadeira inspiração, fantasma e motivadora da vida do diretor de cinema Guido Contini (Daniel Day Lewis).

Baseado no filme Oito e meio, de Frederico Fellini, Nine mostra o mundo cinematográfico, desnudando-o de seu glamour e glória, na metáfora da busca de Guido por inspiração e uma possível salvação em meio à queda livre. No entanto estão lá duas coisas que não são facilmente digeríveis no cinema: a tragédia humana, o fundo do poço antes da busca da redenção, e o musical, gênero pouco popular nos dias de hoje. Mas quem for conferir, ganhará com interpretações inusitadas (nem todas, Nicole Kidman e Penélope Cruz parecem representar o mesmo papel no qual estão consagradas) e com a sensação de participar de parte da criação cinematográfica.

Por: Sam Shiraishi (aka @samegui). Jornalista e blogueira responsável pelo A vida como a vida quer e diversos outros projetos de mídia online.

Almoço em Agosto (Pranzo di Ferragosto)

Durante o tempo em que morei com a minha mãe, vi de perto o mundo dos idosos. Vi a força e a vida que eles têm e também a solidão e o medo do abandono. E foi aí que tive a idéia de fazer esse filme“, Gianni di Gregorio.

Esse é um filme para um público seleto. Mais! Para aqueles que gostam de ler Crônicas. Pequenas estórias cotidianas. Porque ‘Almoço em Agosto‘ traz algo que aconteceu na casa de um pacato cidadão. Dois dias, que quebraram a rotina de um grupo de pessoas. E aos que procuram por profundidade nas tramas, procurem por outro filme. Pois a proposta desse é apenas contar o que houve nesses dois dias.

O filme nem aborda a entrada do Euro na Itália, mas sutilmente percebe-se que descapitalizou o povão. Outro lance onde vemos essa realidade, que por vezes, a casa onde mora, quando se chega na velhice a aposentadoria não acompanha as correções dos impostos e taxas cobradas. E se onde mora pertence a um prédio, um condomínio… hão de surgir desavenças entre os moradores. Viver num centro urbano, tem um preço…

O filme começa à véspera de um feriado, o Ferragosto – Ascensão da Virgem Maria, celebrado em 15 de Agosto -. Giovanni (Gianni di Gregorio) ao voltar das compras, encontra à lhe esperar, o síndico. Após acalmar sua mãe, vai ver o que o outro quer. Ele sabe que está devendo o condomínio e as demais taxas. Mas no alto dos seus sessenta anos de idade, fica difícil arrumar uma colocação. Também há um outro ponto, o de não poder se ausentar muito de casa, por causa da sua mãe. Não por ela está acamada, mas mais por querer sempre a sua atenção.

O síndico, fingindo-se estar com um problema de saúde, precisando ir para uma Termas… propõe em saldar grande parte da dívida, se ele ficar com a sua mãe nesse feriado. E para arrematar, lhe dá a chave do elevador. É, com isso Giovanni aceita. Mas o síndico não traz só a sua mãe… E Giovanni, pela janela, vê com quem o síndico está indo passear.

Mas se até para as compras, é no pendura… se já cuida de uma idosa, cuidar de três em dois dias valeria a pena. Mas às vezes, parece que não se fica somente num único problema, outros vêem na esteira… É que por coincidência ou não, seu médico pede que fique também com sua mãe nesse feriado. Pois além do Plantão, quem cuidava de sua mãe viajou de repente para a sua terra natal. Algo mais para pesar na balança: o fato desse médico vir em casa. Giovanni ri, e nós com ele.

Ele não cedeu somente por conta das dívidas, é que tem um temperamento dócil. Gosta de cozinhar. E principalmente, de um bom vinho. Que não fica só numa taça. Assim, enquanto cozinha, bebe seus vinhos, tenta conciliar as quatro senhoras. Pois à princípio, se estranham. Talvez pelo fato de viverem sozinhas.

No dia seguinte, ao sair para comprar mais comida… por encontrar só aberto, lojas caras… um conhecido de mesa de cantina, o leva em sua lambreta até a beira de um rio. Onde há uns pescadores. Após comprar o peixe, o convida também para o almoço. Ah! Antes, nem fez pechincha ao comprar o vinho.

Então, o filme é isso: as agruras e alegria que todos irão passar nesses dois dias. E é impossível não sorrir e se emocionar com Giovanni no final do filme. Se a vida lhe traz um limão, faça uma limonada. Um ótimo filme.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Almoço em Agosto (Pranzo di Ferragosto). 2008. Itália. Direção e Roteiro: Gianni di Gregorio. Elenco: Gianni Di Gregorio (Giovanni), Valeria de Franciscis (Mãe de Giovanni), Alfonso Santagata (Luigi), Marina Cacciotti (Mãe de Luigi), Maria Cali (Tia Maria), Grazia Cesarini Sforza (Grazia), Marcello Ottolenghi (Médico), Luigi Marchetti (Viking), Petre Rosu (o da lambreta). Gênero: Comédia, Drama. Duração: 75 minutos.

Cinema Paradiso

cinema paradiso

Uma vez me perguntaram: “Porque você gosta tanto de cinema?”. Respondi: “Assista Cinema Paradiso e terá sua resposta.”.

O cinema é algo mágico. Desde garoto, quando ia nas matinês religiosamente acompanhado do meu pai, ficava ali, deslumbrado com a magia causada por “24 quadros por segundo”, numa sala escura, onde assistia a vida contada com sentimentos múltiplos. Talvez o que torna o cinema uma arte tão bela, seja a mitologia que ela consegue criar em todos. Quando nos impressionamos com uma cena de ação mirabolante, onde algo inimaginável está por acontecer e quando acontece, mesmo sabendo que é de “mentirinha”, você continua impressionado com o que viu e se pega perguntando ”…como eles fizeram isso?!”.

Só que através dos tempos essa magia foi se esgotando. Não assistimos mais aos filmes esperando aquele encanto que tanto nos enchia os olhos. Isso infelizmente acabou lá nos anos 50/70, antes de os grandes efeitos especiais dominarem tudo. Agora nos anos 2000, onde tudo parece ser mais artificial, onde tudo é gerado por um computador e não mais causa o impacto devido e fica apenas aquela sensação de diversão temporária. O cinema está desgastado? Não. As pessoas que aprenderam a não gostar mais.

Hoje o que temos é o DVD na casa de todo mundo, onde preferem ver no conforto de seus lares o que a indústria proporciona. Compram seus DVD’s em bancas piratas ou originais ou ainda alugam e pronto. Em casa mesmo. Mas em casa a coisa não é a mesma da sala escura.

Nada supera a magia que só a sala escura proporciona, aquele friosinho que a gente sente quando a luz apaga e a tela mostra a vida em seus “24 quadros por segundo”.

É sobre isso que Cinema Paradiso, filme italiano de 1989 dirigido por Giuseppe Tornatore, inspiradíssimo, que queria contar uma história de amor ao cinema, atrapalhada pelo progresso, como sabiamente comenta o personagem Alfredo em certo momento do filme. A sinceridade e sensação de nostalgia que o filme proporciona é incrível e indescritível, e faz com que os verdadeiros amantes do cinema, sintam a emoção de seus personagens em momentos cuidadosamente criados para despertas essas emoções.

É a história do pequeno Salvatore, ou melhor “Totó”, como é conhecido por todos da pequena cidade onde vivem na Sicília. A diversão do pequeno é passar o tempo livre no cinema Paradiso, uma das poucas opções de lazer da população local. Lá encontramos todo tipo de gente, mal educados, apaixonados, dorminhocos, falastrões, briguentos e porque não, os apaixonados por cinema, sendo um deles o pequeno Totó. Esperto, ele tenta por tudo conseguir a amizade do projecionista Alfredo (Philippe Noiret), um senhor de sorriso amigável e que logo se rende às astúcias do pequeno garoto.

cinema paradiso

Em meio as dificuldades, o garoto torna-se pupilo do velho projecionista e após um acidente, que deixa Alfredo deficiente, começa a trabalhar pra valer no ramo. O tempo vai passando e o pequeno Totó começa a enfrentar o mundo pra valer. A vida real tenta lhe tirar a imaginação que o cinema despertou nele, mas o amor pela sétima arte o transforma num grande cineasta.

Só que tudo isso longe de casa. 30 anos sem visitar a cidade onde cresceu, onde aprendeu a apaixonar o cinema.Tudo isso por causa das descrenças do velho Alfredo, que só queria ver o garoto feliz e com uma vida melhor, sem os fantasmas que ficaram na cidade velha. Totó volta para o enterro de Alfredo e se depara com todo o seu passado, sem fazer julgamentos, apenas o fazendo pensar em como tudo aquilo lhe foi importante, e como tudo aquilo foi crucial na sua vida.

Suas duas horas de duração são uma grande homenagem ao cinema e à magia que a sétima arte causa. Todos os sentimentos que um filme causa, são enaltecidos em praticamente todas as cenas do filme. Tudo o que o pequeno Totó faz para ir ao cinema nos faz sentir pequenos de novo, quando assistíamos aqueles filmes escondidos dos pais de madrugada (fiz muito isso), e juntávamos aqueles trocados pra alugar um filme na locadora, todas essas coisas que nos fazem perceber o que um filme verdadeiramente nos causa. Esse é o principal objetivo do filme e ele o alcança com muita graça e sucesso.

Muito bem dirigido, e emocionante na medida certa, com atuações fabulosas (principalmente por parte de Noiret e do pequeno Salvatore Cascio – que interpreta o pequeno Totó na infância) e uma produção maravilhosa, Cinema Paradiso é um filme rico em detalhes, rico em sinceridade e sentimento, rico em cinema. Que além de emocionar – sem ser piegas em nenhum momento – abre espaço para discutir o avanço da tecnologia nesse ramo, e o triste fim das sessões de cinema.

Na cidade onde moro, assisti ao fim de um cinema há dois anos atrás, mais ou menos a época em que vi Cinema Paradiso a primeira vez, e refleti muito a cerca disso. Afinal de contas, era um cinema muito antigo por aqui, desde os anos 30 funcionando, onde assisti minhas primeiras sessões de cinema, e que fechou por causa da pirataria. Há uma passagem no filme onde o antigo dono do cinema comenta algo parecido.

Eles fecharam as portas porque simplesmente deixaram de ir ao cinema. Televisão e videocassete querendo ou não foram revoluções para a exibição de filmes, mas acredito que nenhum consiga fazer a experiência de assistir um filme ser tão mágica e intensa como num cinema.

Claro que tudo é mais intenso garças a trilha do monstro do cinema Ennio Morricone, linda em todos os momentos, perfeita em cada detalhe, encaixada perfeitamente dentro da proposta do filme. Inspiradora durante todo o filme, torna tudo mais agradável e delicioso, dando uma inocência prazerosa ao filme.

E o filme consegue passar tudo isso de maneira formidável, cito como exemplo, a alegria do povo que, sem poder entrar no cinema, consegue com a ajuda do esperto Alfredo, ver o filme sendo fora do cinema, quando o projecionista põe a imagem para ser passada dentro e fora do cinema ao mesmo tempo. Outra cena que mostra bem isso, é o cinema lotado e todo mundo rindo das palhaçadas do vagabundo Charlie Chaplin, ou chorando assistindo a filmes de Renoir, Viscontti, entre outros.

Mas o melhor mesmo, é ver o personagem Totó, já adulto e consagrado, assistindo a uma montagem de beijos, que eram censurados na sua infância pelo padre, e se emocionando muito com o que via. É a magia do cinema acontecendo.

cinema paradiso

Cinema Paradiso é um filme simples e sensível cheio de emoção e sentimento verdadeiro. Uma grande obra dedicada a quem ama a sétima arte, e principalmente, uma obra que quer dizer: “O cinema não morrerá!”.

Viva a Sétima Arte!

Nota: 10 (e com aplausos em pé).

Nuovo Cinema Paradiso, 1988 (Itália)
Direção: Giuseppe Tornatore.
Atores: Antonella Attili , Enzo Cannavale , Isa Danieli , Leo Gullotta , Marco Leonardi.
Duração: 123 min

Lição de Amor (Scusa Ma Ti Chiamo Amore. 2008)

scusa-ma-ti-chiamo-amore_posterEu quis ver o que Cinema Italiano atualmente tem feito de Comédia Romântica. Assim, assisti ‘Lição de Amor‘ (Scusa Ma Ti Chiamo Amore). Todos os ingredientes estão lá. Mas o que dá para extrair, é no porque manter uma relação se não há mais amor. Por comodismo? E ficar na dúvida, a ponto de colocar detetive… Se não tem como discutir a relação… O ideal é terminar de vez. Por outro lado, os outros romances não devem servir de espelho.

Apesar de previsível, e bem banal a história. Creio que fui até o final porque gosto muito da sonoridade na língua italiana. Assim como das músicas de lá. São deliciosamente românticas.

Em todo caso, pode ser que alguém goste. Assim, um pouco da história:

Um quase quarentão, Alex (Raoul Bova), bem de vida, se divide entre o estresse da sua rotina de trabalho, e curtir os momentos livres com a namorada e os amigos. Até que sua namorada vai embora. Talvez, por faltar lenha para o romance deles. Deveria ser uma mesmice… Um dia, sua rotina muda radicalmente. Quando a moto de uma jovem bate no seu carro num cruzamento. Até por ter consciência de que se distraíra momentos antes, aceita servir de motorista dela até a moto ser consertada.

Ela é Nikki (Michela Quattrociocche), tem 17 anos. Está terminando o colegial. O último ano onde seu pequeno grupo de amigas estudarão juntas. Com isso, elas levam uma rotina agitada. Nikki invade a vida de Alex de maneira tempestiva, e direta. O que o assusta e o seduz também. Assim, serão 20 anos de diferença que terão que se ajustar. E, pensar no futuro, ou viver o presente?

O filme é para aquele momento que não tiver nada para ver. Mesmo assim, melhor pegar um Clássico para rever.

p.s: Pelo comentado no filme, lá na Itália, menor de idade é até 16 anos. Assim, ele não infringiu nenhuma lei ao transar com uma jovem de 17 anos de idade.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Lição de Amor (Scusa Ma Ti Chiamo Amore). 2008. Itália. Direção: Federico Moccia. +Elenco. Gênero: Romance. Duração: 82 minutos.

A Comilança (La Grande Bouffe)

A comilança

A Comilança – La Grande Bouffe

Direção: Marco Ferreri

Gênero: Dizem que é Comédia.

França – Itália – 1973

Quatro amigos enjoados da vida decidem viajar juntos afim de passarem um final de semana servidos de comidas.

Esse filme não faz a menor diferença entre o verbo comer de se alimentar e comer de transar.

Já na mansão, os amigos contratam prostitutas e passam o tempo todo, literalmente, comendo.

A comida dá sabor à vida? Qual sabor ela tem?

O prazer de comer é imediato, seja a fome do estômago ou a fome de sexo, a obtenção de prazer e satisfação é intrínseca ao ato. Comer com a boca, com os olhos, com as genitálias… ser comido.

“Devora-me ou te decifro!”

E nesse tratado suicida de decidir ser “devorado” pela existência e pelo gozo da satisfação oral, os amigos comem, comem, comem, comem e comem… comem… comem…

Uma dica: Assistir a esse filme de estômago vazio é sacanagem da pior qualidade rsrsrs, mas também assisti-lo depois de comer muito… o enjôo é certo. Ao menos pra mim! Eles comem comida demais!!! Passam mal comendo, e continuam comendo…

e comem… comem… comem…

Por: Deusa Circe.

O Leopardo (Il Gattopardo)

o-leopardoEm 1860, Garibaldi inicia o movimento de unificação de Itália. D. Fabrício (Burt Lancaster) é um aristocrata que tenta manter o anterior modo de vida, apesar dos tempos de mudança. Para ele, a ascensão da burguesia é uma ameaça. Mas numa manobra astuta, combina o casamento do seu sobrinho Tancredi (Alain Delon) com Angélica (Claudia Cardinale), filha de um rico e influente administrador de propriedades. Fiel aos seus valores, este aristocrata consegue assim manter acesa a chama do antigo regime.Tudo deve mudar para que tudo fique como está.’ (Giuseppe T. di Lampedusa)”

Não vi muito do Visconti, mas dos que conheço, esse, ‘O Leopardo‘ (Il Gattopardo) é o melhor. Um verdadeiro tratado sobre a decadência (tanto quanto de um homem quanto de uma classe) e a autoridade como uma busca pela compensação à fragilidade.

Tudo transpira genialidade aqui. A caracterização dos cenários e figurinos, a trilha… O plano inicial focando na mansão é belíssimo. A cena em que o empregado avisa que algo está acontecendo lá fora e todos permanecem calados esperando o personagem do Burt Lancaster terminar suas preces demonstra o respeito e a autoridade que ele impunha, mesmo que apenas como um escape para disfarçar sua insegurança, afinal os tempos mudavam e outra classe estava para assumir o poder.

Ele precisava lidar com isso e o sentimento de ‘Ninho Vazio‘, sentimento este cada vez mais profundo e externado na (genial) sequência do baile, quando ele dança com a jovem no baile e, mesmo galante, é rejeitado pela moça que o acha ‘velho’. Nessa hora, ele para diante de um espelho e pela primeira vez se vê velho… E chora! Uma das mais belas do filme ao lado da que ele permanece de pé com o olhar vidrado em um quadro que retratava um homem morto em sua cama (esse momento onde o personagem parece estar em transe demonstra a estreita relação dele com esse sentimento de uma morte próxima).

Aliás, as sequências do baile são o melhor do filme (ou não – é tanta coisa maravilhosa aqui). Carregada de sutilezas, impossível julgar com uma assistida apenas (eu só vi 3 vezes e considero muito pouco), sendo a maior delas o próprio baile, uma grande alegoria que à transição de uma classe dominante à outra.

No mais, cito o Alain Delon, carismático como sempre, carregando com perfeição no cinismo de seu personagem e um elenco de apoio sobre o qual não posso comentar mais a fundo por não conhecer bem, mas que se mostra muito bem no longa.

E algo que não pode deixar de ser dito…

Esse filme é uma das maiores provas de que o Oscar não pode ser considerado como referência de nada

Num dos anos mais vergonhosos de sua história, ‘As Aventuras de Tom Jones’ leva a estatueta de Melhor Filme, desbancando ‘A Conquista do Oeste’ do Ford e ‘Cleópatra’. E ‘O Leopardo’ nem mesmo indicação recebe.

É uma dessas que me faz ter (mais) orgulho do meu amado ‘Rocky‘.

Por: Luiz Carlos Freitas.

O Leopardo (Il Gattopardo). 1963. Itália. Diretor: Luchino Visconti. Elenco: Burt Lancaster, Claudia Cardinale, Alain Delon, Terence Hill, Giuliano Gemma, cast. Gênero: Drama, História, Romance, Guerra. Duração: 187 minutos.

A Vida é Bela (La Vitta é Bella)

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A Vida é Bela – La Vitta é Bella

Direção: Roberto Benigni

Gênero: Drama, Guerra

Itália – 1998

Filme de Roberto Benigni, vencedor de três Oscars (melhor filme estrangeiro, melhor ator e melhor canção), que perpassa a temática da perseguição aos judeus, na Itália, antes e durante a Segunda Guerra Mundial.

Essa produção italiana de 1998 teve grande repercussão mundial, devido ao enorme investimento em sua divulgação e por ter tocado em algumas questões polêmicas (Holocausto) de uma forma irreverente: com humor sem banalizar e/ou ridicularizar o acontecimento.

É difícil tratar de um assunto tão odioso deixando de lado toda a piedade que pode ser explorada, usando o humor e a graça como pano de fundo.

Assim, qualquer vida torna-se bela.

Na época em que concorria ao Oscar de melhor filme estrangeiro, disputava o prêmio com um filme brasileiro “Central do Brasil” de Walter Salles. Penso que o filme de Salles não levou a famosa estatueta justo porque apelou para o sentimentalismo da piedade em contrapartida à mensagem: “Tudo está uma merda, mas ainda assim há vida para ser vivida”.

Indiscutivelmente, a vida é mais bela quando é assim.

Contando a história particular do judeu Guido e sua família, a esposa Dora e o filho Josué, a sujeira do fascismo italiano fica em segundo plano sem perder a apreciação dos fatos históricos.

Um dos poucos pontos negativos que foi percebido por mim nessa obra é a sua escancarada “mercadologia!”. Evidente que não foi à toa que Benigni colocou os Estados Unidos (no fim do filme) como os libertadores e salvados dos subjulgados ao nazi-fascismo…

No entanto, a vida continua sendo bela, independente disso…

Por: Deusa Circe.