
O Bom:
Clint Eastwood
Sem nenhum escrúpulo, ele parasita bandidos procurados pela justiça, arma um plano fajuto apenas pra ficar com a recompensa e ganha a vida dessa forma. Talvez chamado de bom pelo fato de ser o Loirinho e assim lembrar os anjos.
O Feio:
Eli Wallach
Assim como na regra da vida, Tuco, o feio é rejeitado e cobiçado pela justiça. sua sociedade com Loirinho não rendeu o que esperava e quando se torna um dos guardiões de um segredo, sua vida começa a depender do alcance dos disparos de sua pistola.
O Mau:
Lee Van Cleef
Ganha a vida fazendo o que sabe de melhor: matar sem perguntar porque e sem dar satisfação. Sua crueldade cruza o oeste e seu nome, Olhos de Anjo é sempre acompanhado de um adjetivo de medo.
Os três travam uma guerra que vai além de posses. É algo que envolve ego, e cada um tem o seu. Apesar de fingirem uma “amizade” inexistente, seu ódio vai além de qualquer coisa, e quando suas vidas se entrelaçam por conta de um valioso tesouro, escondido nos confins da Guerra Civil Americana, o conflito torna-se inevitável, e a velha rivalidade domina suas vidas.
A rivalidade entre esses 3 tipos por conta do tesouro é o centro de um dos faroestes mais amados e incríveis da história. Três Homens em Conflito é daqueles filmes que se assiste sem ver o tempo passar, mesmo com quase 3 horas de duração.
Dirigido pelo saudoso Sergio Leone, de muitos tantos excelentes westerns, como por exemplo o meu preferido do gênero Era Uma Vez No Oeste, o filme é de um bom gosto tremendo, que conquista a todos, de 8 a 80, e claro os antecessores desse aqui, Por Um Punhado de Dólares e Por Uns Dólares a Mais.
Com uma narrativa simples e bem deliciosa, ele une humor e muito tiroteio, conseguindo com muita tranqüilidade desenvolver uma história aparentemente simples. Na verdade Leone consegue fazer um épico dentro do velho oeste. Está tudo lá. Cenas grandiosas de batalhas, personagens marcantes e bem trabalhados e um enredo preso a detalhes carismáticos para ser contado. Respeitando e ainda eternizando os “moldes” do estilo (poeira, unhas sujas de pólvora e claro, os duelos), o filme consegue ser charmoso, eletrizante, divertido e grandioso.

Ainda que o “grosso” da história comece lá depois da primeira hora, Leone usa o começo do seu filme para fazer uma “identificação” de seus protagonistas, os nome-título do filme (The Good, The Bad and The Ugly – O Bom, O Mau e o Feio), colocando seus personagens em situações que de alguma forma desenham suas características mais evidentes.
Mas é quando ele chega no “grosso” da história, é que tudo ganha a forma esperada. Enquanto antes ele estava em tiros e tiros, guardou muitas surpresas para o resto do filme. Quando seus personagens têm o caminho cruzado, no calor da batalha, a trama começa a ser definida e claro, com recursos simples, ele consegue prender nossa atenção até o fim.
É quando aparece a antológica seqüência da explosão da ponte, a tortura ao som da música e claro, o trielo genial. Acertando em valorizar detalhes, Leone consegue assim passar um realismo fantástico aos seus filmes, talvez isso diferencie seus faroestes de caras como John Wayne, que passava um ar mais “artístico”, mais “clássico”.
Os diálogos proferidos como projéteis são deliciosos, sendo os melhores deles guardados para Tuco, o feio. Trocas de farpas e aqueles jargões ditos por valentões e pistoleiros confiantes são constantes e temperam o filme de uma forma magistral. Seguido por situações sendo algumas engraçadas e outras mais sérias, o roteiro é um primor. E ainda nas mãos de um cara do calibre do Leone, sai de um enredo simples e vira um épico grandioso.

Mas o que mais ficou guardado foi a recriação fidelíssima da época que a história se passa. Figurinos, cenários, gírias, comportamento, essas coisas, tão bem feitas que chegam a impressionar com tamanho realismo. A cena da batalha da ponte é perfeita em tudo, o “trielo” no cemitério é perfeito em tudo, as cenas no deserto são perfeitas em tudo, o filme é perfeito em tudo!
Tecnicamente é de uma precisão tremenda. Olhando hoje, nem parece que custou pouco mais de 1 milhão de dólares, já que o padrão de um filme mediano está na casa dos 30 milhões. Com uma montagem astuta e a direção soberba do Leone, o filme consegue impressionar e causar uma tensão deliciosa porque foi feito do jeito certo.
Já chegando nas atuações, não há adjetivo pra descrever. O trio principal (Clint, Lee, Eli) está competente e coeso com tudo, conseguem aquela dualidade de gêneros fantástica, sabem ser engraçados na hora certa, sabem ser misteriosos na hora certa, sabem surpreender o espectador, e conseguem. Difícil escolher um, mas fico com o carisma e as patetagens do Feio. Só ele faz o filme valer a pena.

E o ponto principal é claro, chama-se (G)Ennio Morricone! Que trilha sonora fabulosa. Cada acorde soa perfeito no filme, até os assobios. Incrível como esse “ragazzo” conseguiu ser rei das trilhas faroestes. Todas as suas músicas são a maior referencia do gênero, creio eu, mais populares até que os lendários duelos. Muito bacana como ele inseriu e eternizou a gaita por exemplo, e o assobio. Muitas paródias de faroestes tinham esse detalhe, que considero, vinda do velho Ennio, mestre supremo do assunto.
Com tudo no lugar, e praticamente sem defeito algum, Três Homens em Conflito ta no coração de todo amante de cinema. Fico feliz em saber que temos algo desse porte no cinema.
Nota: 10
The Good, The Bad and The Ugly (1966).
Direção: Sergio Leone.
Atores: Clint Eastwood , Lee Van Cleef , Eli Wallach , Aldo Giuffrè , Mario Brega.
Duração: 02 hs 41 min























