Ninguém pode saber (Dare Mo Shiranai / Nobody knows)

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A pretexto de buscar a sua própria felicidade, pode uma mãe abandonar seus quatro filhos?

Primeiro, comentando sobre o título do filme. O título original “Dare Mo Shiranai” significa: ninguém sabe. O título nacional, “Ninguém pode saber”, deixa uma idéia de ser um ato de escolha. Enquanto que “ninguém sabe” traz o significado de um abandono.

Em relação ao roteiro do filme, ele foi baseado numa história real lida num noticiário. Partindo dessa notícia, foi criado uma história. Uma longa história! E qual seria essa nova versão?

Começa com, uma mãe e seus filhos indo morar num prédio onde é proibido família grande. Sendo assim, ela chega apenas com o mais velho, Akira, que tem 12 anos. Outros dois filhos menores chegam dentro de malas. E uma outra, o Akira vai buscar na calada da noite. Ah! Os quatro são filhos de pais diferentes.

Com isso, aos olhos dos vizinhos e do senhorio, Akira é o único filho. O único que tem permissão para sair de casa. Para também ir às compras. Mas com a tarefa de cuidar da casa e dos irmãos, enquanto a mãe trabalha, nem à escola pode freqüentar. Um desejo dele que não pode realizar. Porém, a história não fica apenas nessa rotina.

Num belo dia, eis que essa mãe resolve ir embora. Chega a ser revoltante quando na despedida à Akira, joga em seus pequenos ombros uma pesada carga, uma responsabilidade que seria sua (dessa “mãe”). E quando ele diz que ela está sendo egoísta, ela sai com essa: “Egoísta? Não tenho permissão de ser feliz?

Com ainda um número considerável de jovens sendo mães tão precocemente; tão “imunes” ao fator responsabilidade, o filme põe um dedo na ferida. Permissão para ser feliz, todos têm. Mas desde que não destrone outros sonhos. Que não faça com que outras vidas paguem por isso. Sejamos sim, felizes, mas não as custas da infelicidade, do “patrocínio” de outras pessoas. Principalmente, quando são seus próprios filhos, e que além de tudo sendo eles apenas crianças. Crianças que também querem viver, serem felizes e livres. Não terem que viver confinados por causa da falta de juízo da mãe.

Com a partida dessa mãe, acompanhamos a saga desse pequeno herói, Akira. Torcendo por ele. Pois ele faz de tudo para ser o pai e a mãe de seus irmãos. Ele tenta, com toda a sua frágil força. Com aquilo que ele sabe fazer. Mas que ainda é uma criança. Mesmo assim, ele segue adiante, errando e aprendendo.

Me vi também segurando aquelas mãos trêmulas no finalzinho. Não deu para segurar as lágrimas. Bravo, Akira! Foste um grande herói!

Nota: 10.

Por: Valéria Miguez.

Ninguém pode saber (Dare Mo Shiranai / Nobody knows). Japão. 2004. Direção e Roteiro: Hirokazu Koreeda. Com: Yuya Yagira (Akira), Momoko Shimizu. Gênero: Drama. Duração: 141 minutos.

A Viagem de Chihiro (2001)

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Eu curto Filmes de Animação! Ou melhor, eu ainda curto esse gênero de Filmes. O mais recente foi “A Viagem de Chihiro”. E amei!

Confesso que antes, fiquei meio reticente; chegaram a compará-lo a um filme de terror. Como também pela longa duração, que sai do usual, achei que seria cansativo. Bem, todas essas premissas foram se esvaindo ao longo do filme.

O filme mostra o quanto pesamos certos temores. O quanto, por vezes, o medo pode não apenas nos paralisar, como também em não enxergamos o quanto de força temos dentro de nós. Mais até, que nosso caráter é a nossa verdadeira ferramenta.

Chihiro, se viu sozinha num mundo inóspito. Tendo que passar por duras penas para sair dali, mas junto com seus pais e sem o encantamento que eles receberam. Retirar esses encantamentos. Ou seria roupagens? Máscaras?… Como também em recuperar sua identidade, foram alguns desses desafios.

Um pouco da história… Ela segue junto com os pais para a nova residência; e nada feliz com essa mudança até de região. O pai, achando que por um certo atalho chegariam mais rápido, termina por entrar numa rua sem saída para seguirem adiante no carro, mas que continha uma espécie de túnel para seguirem a pé. Como os pais resolvem entrar, ainda muito contrariada, Chihiro os acompanha.

Se vêem num lugar estranho, mesmo tendo várias refeições ainda quentinhas, dando idéia de terem sido feitas naquele momento, não se via ninguém ali. Como os pais resolveram se fartar naquele banquete, não querendo irem embora já… Chihiro resolve dar um passeio… E começa a ver coisas estranhas… Um menino diz para la sair dali antes de anoitecer… Mas o aviso chegara tarde, não apenas a noite chegou, como seus pais se transformaram em porcos. O jeito era ficar e tentar descobrir como e quem traria seus pais a normalidade. Se tudo aquilo era real ou pesadelo, o certo é que levou um tempo. A cada prova alcançada, uma mais difícil lhe era imposta. Por seus pais, ela aceitava…

Com isso, fora descobrindo quais os verdadeiros valores que a levaria ir adiante. Crescendo como pessoa. Um amadurecimento, nem cedo, nem tarde demais, mas no tempo certo. E libertando-se… Chihiro consegue também com que outros saiam de suas prisões… Olhando com outros olhos o mundo a sua volta.

A fotografia é um primor!

Nota: 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Viagem de Chihiro (Spirited Away / Sen to Chihiro no Kamikakushi). Japão. 2001. Animação. Direção e Roteiro: Hayao Myazaki. Duração: 125 minutos. Gênero: Animação / Aventura. (Oscar e Urso de Ouro)