Série de Tv: CHAVES

Chaves” é um seriado que conquistou o Brasil, se tornando um símbolo da TV mundial, uma produção televisa que é transmitida de uma geração para a outro.

Em seu contexto encontramos uma linguagem simples e totalmente cotidiana. O produtor se preocupa em resgatar a simplicidade da criança com a parte humorada dos adultos; transformado “Chaves” em um seriado de maior sucesso de todos os tempos. Os personagens são irreverente e cada um deles além do grande astro Chaves, tornaram personagens que todo mundo conhece e já deu boas risadas com os mesmo.

O seriado tornou-se um elemento que faz parte da cultura de um país. Os personagens são mexicanos, mas a sua identidade após anos no Brasil se tornou brasileira. O seriado invade as nossas casas há mais de 20 anos e durante todos estes anos nos divertimos e descontraímos como este humor incomparável e totalmente original.

A série nos mostra como clareza que não precisamos ir além para conquistar o sucesso e sim trabalhar com o simples, com o cotidiano, com o mundo a nossa volta.

A mistura perfeita de talento, humor e cotidiano fez do seriado um sucesso no Brasil e no mundo. Tal feito só foi possível graças à magnífica junção entre os grandes atores mexicanos que dão vida ao seriado e promove o seu sucesso durante todos estes anos.

Os idealizadores do seriado podem ser considerados gênio de uma produção televisiva que deveria ser imortalizada em um filme que provavelmente se tornaria o maior campeão de bilheterias de todos os tempos.

Eternamente lembraremos de Chiquinha, Kiko, Seu Madruga, Dona Crotildes (a bruxa do 71),  Seu Barriga, Dona Florida, Girafales, Chaves… Personagens que marcaram várias gerações e que marcará inúmeras outras.

Cinco Dias Sem Nora (Cinco Días Sin Nora. 2008)

A última instância de recurso é a observação e a experimentação. Não a autoridade.” ( Thomas H. Huxley)

Valeu o ingresso! Assim como a ida até outro ponto da cidade. O que faz valer também uma reclamação aos Distribuidores que limitam as Salas onde filme que não são tidos como comerciais serão exibidos. Mais! Ao determinarem também o local, demonstram preconceitos aos que moram no Subúrbio, numa de que ai não há cinéfilos que gostam desses filmes. Se visam o número de ingressos vendidos, nessa sessão tinham menos de 20 pessoas. Enquanto que para a Sala ao lado o pipocão “Se Beber, Não Case 2” já estava com ingressos esgotados meia hora antes do início da sessão. O que os Shoppings nos Subúrbios deveriam fazer: exibir na maioria das Salas os caça-níqueis e deixando uma delas para os tidos como Cult. Bem, reclamação feita, ora e vez de comentar o filme.

Cinco Dias Sem Nora” traz um tema que nem todos digerem bem: a morte de um ente querido. Ele vai além, já que foi por suicídio. O filme não determina que tipo de problema específico a personagem título, a Nora, tinha, mas ao longo da estória ficamos sabendo que houve outras tentativas. O que mesmo para um leigo denota que ela tinha um distúrbio psíquico. Mas a doença em si não vem muito ao caso. O perfil dela como um todo sim.

Logo no início do filme vemos o quanto Nora é metódica. Segue numa preparação de uma grande ceia. Mesa posta para vários comensais. Vários potes etiquetados com alimentos na geladeira. Envelopes endereçados para algumas pessoas. Sendo que uma das fotos de um deles, por um descuído cai embaixo do sofá. Algo não planejado que irá alterar o que ela planejara para o seu Funeral.

Por mais macabro que possa parecer de alguém organizar o próprio funeral, não se cabe aqui em um julgamento a ela. Porque o que vem à mente é algo como: os fins, justificando os meios. E até porque nos pegamos a rir com quem ela encarregou de dar vida ao seu plano. Ele é José (Fernando Luján), seu ex-marido. Pelo seu comportamento, se vê que era o oposto de Nora. José até tenta boicotar os planos de Nora. Mas se hora o destino está a seu favor, noutra ele se vê preso a trama.

Se o livre-arbítrio leva até alguém a se matar, termina por interferir na vida de quem irá enterrar o corpo. E é quando entra em cena a Religião. A desse filme é a Judáica. Se por um lado Nora tramou de morrer às vésperas de um feriado judeu – Pessach -, o que reteria a todos nessa celebração, lhe escapou que o suicídio não é bem aceito no Judaísmo.

José, ateu, está se lixando para todo o cerimonial que o Rabino pretende fazer. Ambos se desentendem. Até pelo jeitinho que o Rabino sugere a título de encobrir o suicídio e por conta do sogro do filho de Nora e José. Por ser ele uma figura importante na Sociedade local. Já contrariado por se vê obrigado a seguir em frente com os planos de Nora, meio enojado com que os dogmas da religião abre caminho por conta de quem tem dinheiro, José ainda se vê atado ali no apartamento de Nora porque o filho está tendo dificuldade em encontrar uma passagem aérea, e por conta do tal feriado. E o filho, junto com a esposa e filhas, quer estar presente no enterro.

Enquanto vela o corpo, José vê a chegada de mais pessoas que como ele, não sabiam que Nora estava morta. Durante isso, José descobre a tal foto. Nela, Nora está em trajes de banho, numa praia, com um homem que não é ele. Pelo tempo mostrado na fotografia, ele acredita que ainda estavam casados. Como sabe que a esposa escrevia tudo, tenta abrir a escrivaninha. Mas quem consegue, é uma prima que se mostra não ser tão cega assim. Ela esconde dele o Diário de Nora.

Sem a presença das Religiões, o que se enterra não passa de um corpo sem vida. Mas que elas terminam dando um peso maior, até porque irão lucrar, financeiramente com esse, e mais tarde com os demais, num ciclo perpétuo.

Pai e Filho entram em choque, e em xeque. Num balanço de tudo que ficara enterrado até então. E ambos saem revigorados, cientes que perderam um tempo estando afastados um da vida do outro. Quando o filho cai em si, e que não quer que sua mãe seja enterrada na parte do cemitério junto com criminosos, cabe a José a decisão final. Numa de: “A vez é sua Nora!”

O filme é ótimo! De querer rever. Com momentos hilários! E um final emocionante! Tomara que saia logo em Dvd para que mais pessoas possam ver. É o Cinema Mexicano nos presenteando com mais esse. Bravo!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Cinco Dias Sem Nora (Cinco Días Sin Nora. 2008). México. Direção e Roteiro: Mariana Chenillo. Gênero: Comédia, Drama. Duração: 92 minutos. Censura: 14 anos.

LUZ SILENCIOSA – A manutenção da tradição pela paixão

Por: Pedro Moreira da Silva Neto.
A ideologia de Luz Silenciosa participa de uma situação eminentemente moderna para uma organização que se determina na tradição. O contraponto entre ordem estabilizada e modernidade em seu abrupto tempo não determinado, não esperado se acondiciona na paixão.

Novamente se estabelece no relacionamento a condição de se petrificar, isto é, de se manter na ordem. Essa aparência é deslocada quando se percebe que é a troca conservadora por outra, a ação de um passe, de situação estruturada para outra é também tradicional no sentido de reificação do sujeito na perda de uma seguridade vivida na tradicionalidade.

Não ser tradicional, não pertencer a uma ordem não conservadora é uma atitude, por assim dizer estritamente tradicional e conservadora já que a tentativa de uma liberalidade de amor está também presa, petrificada no sentido de paixão, isto é, de uma determinação voluntariosa que se organiza na perda. Quero dizer que a perda de uma referência, de uma posição tal frente à comunidade, no caso Menonita (mas poderia ser outra) se encontra nessa dualidade entre ganhos e perdas, legitimação de um bem paixão pela morte. Que mesmo é isso, no sentido cristão que a representação do amor exacerbado se encaminha, à morte, à transmutação.

O que define por fim, essa condição de perda é, portanto, o despojo do amor, o desencontro que ocasiona a irracionalidade e a organização. Nesse sentido, penso que esta necessidade da perda é uma construção de perdas que, sem retorno se encaminha à entrópica situação do sujeito frente ao meio, uma localização geográfica da morte no território da paixão.

Luz silenciosa não é para mim uma luminosidade ascendente, senão a perda da clarificação do estado de ser. A ética amorosa, com ou sem conservantismo é a lógica da permanência reestruturada e não do corte, da amarra, mas de uma impossibilidade de ascensão cultural do indivíduo, de sua auto-percepção enquanto falho, enquanto criador de oportunidade, e relacionado não ao objeto individual do desejo, mas da transmutação do amor paixão pelo amor. O sentido de amor maior que é perdido para uma criatura que não consegue, portanto, se estabelecer.

A aculturação, ou a inversão de valores, ou o racional e emocional num embate de qualificação. A perda da memória afetiva, interna, e a percepção externa de uma realidade sociocultural, entre tudo, filhos, futuro, posição, conhecimento, atividade produtiva, fatores que são substituídos por uma posição diversa, mas muito comum e conhecida: amor paixão, indefinição às ordens culturais, motivações emocionais, pouca percepção ou um individualismo que é levado por outro que apesar de conhecido é indeterminado, contrariedade ao controle social da cultural estabelecida, entre outros aspectos.

O que se percebe que Luz Silenciosa não trata do direito de amar, mas a ocasião da paixão e a perda sim de um olhar referencial ao estado do sujeito em sua comunidade. Uma posição do indivíduo -vestido de mundo, em sua mundaneidade- que necessita de uma opção de qualidade para si, de um desejo seu e não de uma relação do sujeito frente a seu universo de conhecimento, ou de pertencimento local, ou de sentido comunitário, e mesmo de realização.

A modernidade implanta um sujeito deslocado da cotidianidade da vida relacional num casamento com a fratura do sentido sociocultural. A opção é mais um acontecimento na vida da individualidade frente à ordem familiar e cultural.

Elizabeth Fehr faz o papel da mulher traída por Johan (Cornelio Wall Fehr) menonita (comunidade religiosa que defende o pacifismo radical e rejeitam o progresso) se apaixona por outra mulher. O ator é de fato também um menonita e se espantou em se ver no vídeo. No filme não está em cheque a questão de opção comunitária, mas as esperanças de uma família, de organização apaixonada pela paz ontológica de se realizar bem por reciprocidade. A comunidade onde foi realizado o filme está ao norte do México. Uma comunidade menos radicalizada nos preceitos, mas determinada em prover o sentido comunitário em sua tradição. Apesar de possuírem carros, e outros equipamentos tecnológicos a comunidade de Johan se mantém na direção de sua crença e organização.

O fato de se apaixonar por outra é antes de tudo um acontecimento humano, mas também é um símbolo de que os fatos exteriores invadem a mais estruturada organização tradicional. Por outro lado se faz como uma definição de que havendo o senso de poder, isto é, o sujeito está em posse de algo que o mobiliza, talvez implícito pela concussão tecnológica, pela impregnação da vontade que o faz redentor, o apaixonado. A vontade de poder então é mais uma presença na vida de todos nós como nos diz Nietzsche e a sua relação com o futuro nos torna vagos e independentes, nos faz a caminho sem direção, mas justificados por aquilo que nos permite realizar a paixão e dentro dela a sua alteração com a morte. Morre com a fé o homem, e nasce do homem a fé em sua condução inexorável à morte.

No espaço estruturado finito não é possível o engano, a mentira e não pode haver perda sem a reposição ideológica presente no outro.

A morte da mulher é o resultado da paixão (alguém deve morrer mesmo que de forma simbólica), morre para que a outra se anteponha à ordem, para que continue a estrutura desejada e amada, para que sublime o amor e retorne à tradição.

A quem assiste ao filme percebe que está inclinado a partir que é em última instância um desejo de permanência que é “obliterado” pela partida.

O Labirinto do Fauno (El Laberinto del Fauno)

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Uma Radiografia da Condição Humana

A alegoria é um tipo de narrativa de duplo sentido, baseada na transferência e personificação, difícil de ser representada no cinema. Apesar de ser uma forma artística baseada em truques, capaz de dar vida aos maiores delírios dos cineastas mais diversos, a evolução tecnológica impõe um realismo à linguagem cinematográfica que se contrapõe ao simbólico. A linguagem teatral, a princípio, aceitaria melhor essa estilização, por seu caráter despojado e cru.

Por estas e outras razões O LABIRINTO DO FAUNO (El Laberinto Del Fauno), do mexicano Guillermo del Toro, realizado em 2006, foi uma gratíssima surpresa. O enredo, repleto de citações a filmes fantásticos e à literatura de conto de fadas, e inicia numa distante região da Espanha, em 1944, ainda assolada por combates da Guerra Civil, para onde se mudam Carmen (Ivana Baquero) e Ofelia (Ariadne Gil, um achado), mãe e filha.

el-laberinto-del-fauno_021Procurando trazer encanto ao cotidiano, enquanto aguarda a chegada de seu padastro Vidal (Sergi Lopez, imponente e assustador), um sádico oficial fascista incumbido de dizimar os guerrilheiros locais, a garota descobre nos majestosos jardins da imensa mansão um labirinto que lhe abre um mundo de fantasias, que acabará influenciando a vida de todos em volta. Lá ela conhece o Fauno (o mímico Doug Jones), um ser meio humano e meio bode, que a convence ser uma Princesa que necessita realizar três tarefas para retornar ao seu reino maravilhoso.

Um dos aspectos mais originais da obra é esmiuçar um contexto político sob a luz de um universo encantado. Mas não se trata apenas de uma válvula de escape, pois aqui a realidade, ao invés de apenas provocar a fuga, se torna a matéria-prima a ser moldada pelo sonho. Mesmo em seus aspectos sombrios e carregados de metáforas, a fábula de del Toro (que já fizera uma experiência similar em A Espinha do Diabo, em 2001), com roteiro original do próprio, busca o equilíbrio oferecendo aos olhos do público um requinte visual excepcional.

A iluminação carrega nas cores e no sombreado visando reproduzir as ilustrações dos antigos livros de fábula. As citações trazem o clima dos filmes do britânico Terry Gilliam (O Pescador de Ilusões, Os 12 Macacos) e do norte-americano Tim Burton (Edward Mãos de Tesoura, Peixe Grande), realçados por uma cenografia que mescla o clássico literário Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, além dos contos dos Irmãos Grimm e de Hans Christian Andersen.

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A conspiração estética prepara o terreno para o embate inusitado entre o Bem e o Mal, aqui representados pelo mundo onírico de Ofelia versus a rigidez ditatorial de Vidal. Em suas tarefas como a Princesa, ela irá se deparar com criaturas horripilantes e assustadoras, mas que apesar de suas aparências perceberá menos vilões que os seres humanos de carne e osso.

Esse sutil e meticuloso processo de humanização de determinado microcosmo caótico e violento, quando normalmente o universo mítico da fábula humaniza o reino animal, é uma das mais fascinantes inversões da obra de del Toro.

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Ao escolher ou decidir se o mundo de Ofelia é ilusão ou realidade, ao optar pelo otimismo ou pessimismo, pois o enfoque aqui é ambíguo, o público também analisará algumas das suas convicções e certezas, observando de fora para dentro de si mesmo. Porque embora muito longe de ser panfletário, O LABIRINTO DO FAUNO é uma radiografia mágica e sensível da condição humana.

O filme recebeu uma grande quantidade de prêmios internacionais, entre eles os Oscars de Melhor Fotografia (Guillermo Navarro), Direção de Arte/Decoração (Eugenio Caballero e Pilar Revuelta) e Maquiagem (Davi Martí e Montse Ribé), além de sete Prêmios Goya, o Oscar do cinema espanhol: Roteiro Original, Atriz Revelação, Fotografia, Montagem, Efeitos Especiais, Som e Maquiagem.

Cotação: * * * *

Por: Roberto Souza.   Blog:   Cal&idoscópio.

O Labirinto do Fauno (El Laberinto del Fauno). 2006. México. Direção e Roteiro: Guillermo del Toro. Elenco: Ivana Baquero (Ofelia), Sergi López (Captain Vidal), Maribel Verdú (Mercedes), Doug Jones (Fauno / Pale Man), Ariadna Gil (Carmen Vidal), Álex Angulo (Doctor), Manolo Solo (Garcés), César Vea (Serrano), Roger Casamajor (Pedro), Ivan Massagué (El Tarta), Gonzalo Uriarte (Francés), Eusebio Lázaro (Padre), Francisco Vidal (Sacerdote /as Paco Vidal), Juanjo Cucalón (Alcalde), Lina Mira (Esposa del alcalde). Gênero: Drama, Fantasia, Suspense, Thriller. Duração: 112 minutos.

Zona do Crime (La Zona)

E para falar a verdade, se fôssemos analisar as pessoas em todos os seus aspectos, não creio que sobraria depois muita gente boa.” (Crime e Castigo, de Dostoiévski).

Esse filme não deixará ninguém indiferente. Mesmo sendo uma história fictícia, acaba nos fazendo lembrar da violência urbana. De dar vontade de sair trocando impressões, mas deixarei para os comentários, caso apareça alguém. Por aqui, tentarei não lhes tirar a surpresa. E o que há nesse filme de tão impactante? Cujas certas cenas nos causa repugnância…

Local, Cidade do México, mas que poderia ser em qualquer outra metrópole, em qualquer país. Nela, um Residencial luxuoso. Que até me fez lembrar de uma entrevista com o empresário Ricardo Amaral. Ele falou que Condomínio ficou para padrão Classe Média. Que para a Classe A, chama-se Village. É, muda-se o nome, agrega-se mais valores materiais, assim como um aumento na extensão do terreno… Agora, e o material humano? Muito mais poder aquisitivo não deveria também gerar mais discernimento? Mais entendimento do que é ético ou não? Daquilo que é moralmente aceito como regra de conduta numa sociedade?

O Residencial mais parece um outro país. Tão grande é a diferença com o que se vê ao redor daquele muro alto, com cercas eletrificadas no topo, câmeras para todos os lados… Vista pelo lado de fora, parece mais ser um presídio. Eles também têm um certo tipo de amparo legal para manter todo aquele aparato de segurança. De uma exagerada segurança.

Se uma chamada polícia-mineira, ou milícia faz uma certa segurança para classes menos favorecidas… Qual seria a denominação para esses da Classe A? Força de Elite? No fim, a podridão é a mesma. E o que muda, é o valor do cheque. Valor esse, que sabemos que traz para esse tipo de gente: a impunidade.

É como viram ainda não contei o que aconteceu dentro desse residencial.

Três jovens, que estavam próximo ao muro, ao ver que um grande outdoor caiu sobre ele, que chegou a cortar a energia… talvez, acreditando que também teriam como ajudante, uma noite chuvosa… resolvem ir até lá para roubarem. Ingenuidade, talvez acreditaram que não haveria alarmes na casa, nem muito menos pessoas dispostas a reagir e matar. Dois foram mortos à queima-roupa. O mais jovem, Miguel (Alan Chávez), conseguiu escapar da cena do crime. Mas que ainda está dentro daqueles muros. Com o dia amanhecendo, procurou um esconderijo.

Os tiros, foram ouvidos do outro lado. Acionaram a polícia…

Nessa história há um outro jovem: Alejandro (Daniel Tovar). Mas esse é morador. Isso acontece no dia de seu aniversário. Como um presente do destino, acaba conhecendo Miguel. A princípio, sente ojeriza por conta do que o Miguel fez. Mas com o passar das horas… com o rumo dado por alguns dos moradores, não apenas para encobrir as evidências dos crimes cometidos naquela área, como também com uma caça insana ao terceiro ladrão… Alejandro tenta fazer a diferença dentro dos seus. E ele vai atrás de um ‘salvo-conduto’ para tirar Miguel dali de dentro.

Mesmo Miguel sendo um delinqüente… Ficou um desejo que o Alejandro o levasse a uma outra ‘jurisdição’. Agora, pelo filme… Qual?

Não percam esse filmaço! Nota máxima!

Por: Valéria Miguez (Lella).

Zona do Crime (La Zona). 2007. México. Direção e Roteiro: Rodrigo Plá. Elenco: Daniel Giménez Cacho, Maribel Verdú, Alan Chávez, Daniel Tovar, Carlos Bardem, Marina de Tavira, Mario Zaragoza, Andrés Montiel, Blanca Guerra, Enrique Arreola, Gerardo Taracena. Gênero: Drama. Duração: 97 minutos. Classificação etária: 16 anos.

Sexo por Compaixão (Sexo por Compasión)

A justiça julga por atos, não por intenções. E mesmo assim ela comete injustiças…

Nossa! Por mais cuca-fresca que eu seja, a história desse filme me pareceu surreal demais. Mas sendo um filme, a tudo é permitido. E como nos créditos, a Diretora, e também Roteirista, dedicou o filme a sua mãe… Merece ser visto. Como também, comentado.

O lugarejo parece saído do Velho Oeste. Mas mais para um tempo num passado recente. Um lugar onde apenas se vivem, ou sobrevivem. Não há cor, não há alegrias, não há motivações.

Em meio a todos, destaca-se Dolores (Elisabeth Margoni). Alguém que usam e abusam dela por conta da sua generosidade. Por não saber dizer não a ninguém, divide seu tempo prestando pequenas ajudas. Como por exemplos: cuidar de uma idosa paralítica; ler história para a única criança do vilarejo, que ficou muda após presenciar algo. Assim, Dolores é como uma santa do local. O que provoca ciumeira no Padre. Por ele, ela deveria cometer um único pecado que seja.

Porém Dolores acaba perdendo seu marido. Ele, tal como o pároco, também não suporta tanta bondade. Vai embora, mas antes lhe deixa um pedido, que cometesse um único pecado para que ele não apenas tivesse algo para perdoar, como também para que vivesse ao lado de uma pessoa normal, não ao lado de uma santa mulher. Mas para alguém como Dolores, o que seria pecar? Pelo o que o padre lhe falou, no dia que o cometesse, ela saberia que o fizera.

Então, já morando na despensa do Bar, a convite da Dona, ao ouvir a conversa de uns caminhoneiros, acha que encontrou um jeito de cometer um pecado e com isso ter seu marido de volta. Mas… Tem sempre um mais. Pela alegria que trouxe nesse seu primeiro ato, não se viu uma pecadora. E mais, sua transformação faz irradiar alegria, o prazer de viver aos demais. A vila ganha cor, pulsão.

Em sua nova prestação de serviço, o que o título do filme já diz… ela escolhe o nome de Lolita. Tudo corria quase bem… quase por conta do padre continuar irado com ela. Não, a ira é com ele próprio, só achou mais fácil escolher a ela, para Cristo. Como também pela mais jovem das mulheres casadas não entender o motivo das mais velhas fazerem vista grossa ao que está acontecendo. Até que o marido de Dolores retorna. Surpreso com a mudança do local, como também da receptividade. Fica feliz! Até a hora que descobre o que aconteceu em sua ausência. E ai…

Assistam! Veja no que essa história irá dar. É bom filme! Até por confrontar dogmas da religião e da sociedade. São valores reais em discussão. Enfim… “prosseguir e gritar no ouvido da tal de dona moral, pois uma mulher pode nunca é deixar ser, fazer e acontecer.

Por: Valéria Miguez.

Sexo Por Compaixão (Sexo Por Compasión). 2000. México. Direção e Roteiro: Laura Mañá. Elenco: Elizabeth Margoni, Álex Angulo, Pilar Bardem, Juan Carlos Colombo, Mariola Fuentes, José Sancho, Leticia Huijara. Gênero: Drama. Duração: 109 minutos.