Jane Eyre (2011)

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Frio e isolado é a melhor maneira de descrever o romance gótico dirigido pelo talentosissimo Cary Fukunaga, que é baseado no clássico de Charlotte Brontë. Nunca li a obra de Brontë, e por tal me falta familiaridade com sua prosa, mas é muito fácil de reconhecer o quando a roteirista Moira Buffini pegou emprestado do livro. Fácil ficar impressionado com aqueles momentos em que as palavras não são necessárias para expressar o que os personagens estão sentindo, graças em parte pela atuações dos atores principais.

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Creio que haja mais de 20 adaptações do livro de Bronte entre filmes, e series de TV. Independentemente disso, Jane Eyre é excelente – certamente, a melhor adaptação de um romance do século 19, deste “Orgulho e Preconceito” (2005) de Joe Wright. Outra coisa muito boa nessa nova adaptação é a parte visual do filme. Filmado em grande parte em luz natural pelo fotografo brasileiro Adriano Goldman, Jane Eyre ganha uma atmosfera densa. Os mouros são inundados com nevoeiros – coisa que poucos encontrarão em filmes de terror-, e  que provavelmente nem mesmo na narrative de Brontë.

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Nos breves vislumbres de sua infância tumultuada, a Jane Eyre de Mia Wasikowska é timida, mas tem um equilíbrio perfeito de força.  Se torna governanta na Thornfield Hall, onde cuida de uma jovem francesa e, finalmente, se apaixona por seu patrão, Edward Rochester Fairfax (Michael Fassbender). Fassbender e Wasikowska estão maravilhosamente perfeitos – almas de seus personagens solitários e isolados, eles alimentam a linha da história inicialmente vista como desesperados.

O filme, no entanto, não está livre de falhas. Por exemplo, o uso de flashbacks – embora a história se junte muito bem, parecem de forma ocasionalmente abruptos. E, tambem a personagem vivida por Jamie Bell, é bastante vaga!.

Mesmo assim, esse é um filme que vale a pena ser visto!. Os figurinos são lindos, a suave e tocante trilha sonora escrita por Mario Marinelli é bem “emoldurada” pela espetacular fotografia de Goldman.

Nota: 8

I & II Guerra Mundial – Um período Macabro e Sangrento da História da Humanidade

O documentário sobre a I Guerra Mundial foi organizado e apresentado pelo canal Inglês BBC, destacando os conflitos da I Guerra Mundial que ocorreu entre os anos de 1914-1918. Diferentemente dos documentários produzidos até hoje que sempre retrataram a Primeira Guerra Mundial sob a óptica norte-americana, este retrata diferentes visões do conflito, mostrando a guerra na Rússia, Arábia, África entre outros países.

Com relação a II Guerra Mundial destaca-se o filme “Hiroshima Mon Amor” (1959) um romance sobre a direção de Sacha Kamenka e Shirakawa Takeo que claramente descreve a fúria, a destruição de um povo e de sua memória história. O filme causou impacto e discussões em todo o mundo na década de 50 e hoje é uma referência na descrição de um período tão sangrento da história da humanidade.

Ambos as produções historicamente nos leva a uma viagem, a um período de dor, desapropriação e de confronto direto com a morte. Uma narrativa que descreve o contexto que perpassa a I e II Guerra Mundial. Trazendo-nos uma perspectiva sobre atitude das pessoas em meio à movimentação da guerra.

Uma representação fiel dos comportamentos dos soldados que se interligavam para combater o inimigo. Podemos notar a fiel representação das trincheiras e dos processos que desencadeia a guerra.

Nas ruas era notável um cinturão de homens e metralhadoras rodeando os caminhões e tanques estacionados na praça central. Os projéteis enquanto isso continuava caindo sem interrupção e anunciando o fim do bombardeio. Depois de alguns instantes de silêncio, uma bomba assolava e eliminava tudo ao seu alcance e o silêncio pairava profundamente. Os oficiais sobreviventes levantam novamente em nome da sua nação amada; renovando o pedido de rendição, dizendo ao mesmo tempo, que não podia ordenar que um homem corajoso fosse morto naquelas condições sem a menor possibilidade de salvar a sua vida.

Assim, fica visível a movimentação de conflito e de dor que devorava os corpos e alimenta a alma dos heróis guerreiros que bravamente lutavam e somente se rendiam em homenagem aos corajosos que morreram. Quanta dor sentiu Hiroshima e Nagasaki; uma dor tragicamente narrada de forma profundo no documentário.

Dentro do contexto podemos notar que vários foram os motivos que levaram a economia americana ao colapso, mas a “Guerra Mundial” gerou um colapso que desmoronou a economia, além do mais os EUA foi atingido por uma depressão, se tornando o epicentro dos acontecimentos.

A guerra Russa, no entanto foi um ensaio geral nos anos de 1904 e 1905 decorrentes da ambição imperialista tanto russa, quanta japonesa sobre a Coréia e a Manchúria.

Os resultados deste processo foram o domingo sangrento, onde ocorreu uma manifestação de trabalhadores que pedia a Czar a redução das jornadas de trabalhos e melhoria no salário, outros manifestos ocorridos foram de outubro, junho e o encouraçado de Petemkin.

A Rússia na guerra, não desenvolveu um ótimo papel sendo considerada o gigante de pés de barro, pois as táticas utilizadas na guerra eram antigas, o comando ineficiente, havia muitos soldados e poucas aparelhagens e o abastecimento precário, não propiciando resultados positivos.

Na aurora da análise notamos que ocorria um desequilíbrio interno na Rússia, construindo um descrédito de Czar e ocorrendo a implantação do socialismo, sendo possível ver o surgimento de uma nova política econômica que se fixa com o plano quinquenais de 1928, promovendo uma ruptura nos planejamentos econômicos em meio a um desenvolvimento lento e cheio de contrastes econômicos, sociais e políticos.

Todavia, podemos apontar com convicção que a crise de 1929 provocou grandes efeitos na economia, maior que a própria guerra. Não podemos esquecer que a crise econômica será marcada com o surgimento do totalitarismo de Hitler, da política intervencionalista de Roosevelt e da longa disputa entre os pólos distintos entre socialismo e capitalismo.

Em primeiro momento se pensava que o colapso econômico seria apenas um ciclo comercial típico da economia capitalista, no entanto é visível que o colapso provocou uma queda dos movimentos migratórios de forma globalização, afetando a economia e provocando o desemprego e a inflação.

Neste período o desemprego era visto como uma ferida profunda e potencialmente mortal ao corpo político.

Como historiador, digo que o documentário de forma clara narra um dos principais momentos da história da humanidade.

Na aurora da análise, percebemos o sentimento de nacionalidade que permanecia vivo em cada guerreiro e cidadão que colocava o seu “próprio peito a morte”, em nome da nação e dos ideais defendidos por ela.

Quebrando Todas as Regras (Global Heresy. 2002)

A chamada do filme dava total destaque a uma dupla inusitada, não apenas pela já caracterização dos personagens, mas também pela longa distância – idade e carreira – entre os dois atores. Um deles já carimbava meu passaporte para assistir: o genial Peter O’Toole. Antes de citar o nome da jovem, cito de uma outra atriz que também me motivou a assistir esse filme: o de Joan Plowright, a nossa inesquecível Sra. Wilson vizinha do Pimentinha. Nesse aqui ela também vive a esposa de um cara nada sociável. Vê-la atuando é sempre um presente; e eu aplauso com entusiasmo a quem dá espaço para os atores de mais idade. Numa atualidade onde se dá destaque aos bem mais jovens, “Quebrando Todas as Regras” mostra que há lugar para todos coabitarem com harmonia. Agora sim o outro nome da tal dupla: Alicia Silverstone. A eterna Patricinha de Beverly Hills.

Já no início, o filme me conquistou, e fui assim até o final. A estória coloca o casal Foxley (Peter O’Toole e Joan Plowright) tendo que conviver por um mês com uma banda de rock em seu castelo, e se passando por empregados. Por estarem à beira da ruína, o casal da folga aos empregados por não querer que ninguém saiba da real situação financeira em que se encontram. Numa de precisarem com urgência de uma grande soma em dinheiro, decidem alugar o castelo. Marinheiros de primeira viagem nessa empreitada, ao contratarem um mordomo e uma cozinheira, acabam caindo numa firma de picaretas; ficando sem os serviçais e sem a grana. Assim, sem tempo, como também sem o dinheiro da multa que pagariam caso cancelasse o aluguel do castelo, eles se vêem obrigados a se passarem por um casal de empregados, e em sua própria casa.

Mas as agruras vão além. Lord Foxley achava que tinha alugado para um grupo de executivos de uma multinacional. Dai pensa em desistir ao ver que seria um grupo de jovens, e integrantes de uma banda, que se hospedariam ali. E para desespero maior, eles vieram para ensaiarem para uma nova turnê. Mas Lady Foxley lembra da multa e diz que era hora de engolir o orgulho: cozinhando, limpando, arrumando, servindo…

E entre som alto, e o menor jeito com os afazeres domésticos, o casal e a turma jovem também tentam se afinarem. Nessa longa jornada também haverá uma misteriosa convidada aumentando o desconforto do Lord Foxley. Como também um espião a serviço da Gravadora. Ainda colocando um tempero a mais, Nat (Alicia Silverstone) que fora contratada como substituto do baixista que desaparecera, terá que provar que pode ficar em definitivo na banda Global Heresy.

Com uma trilha sonora bem legal, confusões, e onde alguns dos personagens reavaliam os próprios pensamentos, somos brindados com um bom filme. Eu me surpreendi. Assisti pela tv, numa de procurar algo para passar o tempo. E até voltaria a rever, se reprisarem.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Quebrando Todas as Regras (Global Heresy. 2002). Reino Unido, Canadá. Direção: Sidney J Furie.  +Elenco. Gênero: Comédia, Drama. Duração: 106 minutos.

O Conde de Monte Cristo (The Count of Monte Cristo. 2002)

O Conde de Monte Cristo é uma produção cinematográfica que nos leva a um caminho de aventuras e vingança.

Na trama Edmond Dantes (Jim Caviezel) ao tentar comunicar com a cidade proibida, entra em contato com Napoleão Bonaparte que lhe pede um favor. Este favor coloca em risco a sua liberdade. Por inveja o seu melhor amigo, Fernand Mondego (Guy Pearce), o entrega para as forças secretas do governo, sendo levado preso; dentro da prisão Edmond se deixará consumir pelo desejo de saborear a vingança.

Ao longo do tempo Edmond foi espancado e torturado; até que conheceu dentro da prisão um padre, Abbé (Richard Harris), um amigo que o ensinaria tudo, além de entregar em suas mãos o passaporte para a liberdade. Após uma fuga planejada e milagrosa, Edmond se transforma no misterioso Conde de Monte Cristo. Edmond “morre” na prisão e nasce Conde de Monte Cristo um homem astucioso, justo e vingativo.

O diretor, também da trama Robin Hood (1991), promove de forma precisa um enredo alimentado por vingança e sede de sangue. Como historiador, gostei da forma como o diretor conduziu a trama no contexto que envolve a Era Napoleônica.

O filme apresenta uma mensagem profunda e clara, afirmando que a inveja destrói uma amizade, uma história e a união entre seres. Afinal, a produção cinematográfica nos mostra que a injustiça pode eliminar o equilíbrio do homem, levando a morte do ser divino que existe em cada um de nós.

Dhiogo Caetano.

O Conde de Monte Cristo (The Count of Monte Cristo. 2002). Reino Unido, EUA. Direção: Kevin Reynolds. Roteiro: Jay Wolpert. +Elenco. Gênero: Aventura, Drama, Romance. Duração: 131 minutos. Baseado no livro homônimo de Alexandre Dumas.

Os Irmãos Grimm (The Brothers Grimm. 2005)

O filme Os Irmãos Grimm é uma produção cinematográfica dirigida por Terry Gilliam. O filme traz uma miscelânea de informações, um enredo que trabalha misticismo, religiosidade, demônios, humor, reinos e os famosos contos de fadas.

A trama cinematográfica conta a história dos lendários irmãos Will e Jake Grimm (Matt Damon e Heath Ledger), uma deliciosa aventura pelos territórios napoleônicos, onde os fajutos caçadores de fantasma buscavam ganhar dinheiro através de trapaças.

Por um bom tempo os irmãos Grimm ganharam vitórias através de suas farsas; até o momento em que as autoridades francesas descobrem o esquema utilizado por eles; os obrigando a enfrentar uma bruxa de verdade que se hospedava em uma floresta encantada, local aonde inúmeras meninas do vilarejo próximo vêm desaparecendo de forma misteriosa.

A trama de forma analítica traz uma linguagem mística com uma pitada de efeitos especiais que transforma o filme em uma fantástica produção cinematográfica. Gostei muito do suspense que torna-se um elemento que propriamente dito fecunda a trama em um espaço que envolve o telespectador na busca do desfecho do mesmo.

Na aurora da análise podemos perceber que o filme ricamente nos proporciona um passeio por inúmeros conceitos, termos, símbolos e momentos históricos.

O Exame (Exam. 2009)

(Ôps! Este artigo contém revelações sobre o enredo)

Como é de praxe, “O Exame” é mais um filme que vai para a coleção dos que considero instigantes e inteligentes, trazendo na bagagem  um suspense psicológico dirigido por Stuart Hazeldin que fez este belo e caprichado trabalho.

O título praticamente entrega o filme. Trata-se de uma prova eliminatória para um cargo de direção em uma misteriosa empresa, sendo oito candidatos, quatro do sexo masculino e quatro do feminino que já superaram todas as outras etapas da seleção para o emprego dos sonhos, faltando apenas esta última avaliação final e classificatória que fará sair dali um único vitorioso no tempo estipulado de oitenta minutos. A prova consiste em se encontrar a resposta para uma única pergunta que não é revelada; significa que deve-se, primeiramente, descobrir qual é essa pergunta para depois respondê-la na própria folha completamente em branco no prazo determinado. Confinados em uma sala sem nenhuma janela, com o número exato de mesas e cadeiras correspondentes a cada um dos concorrentes, como proceder para se descobrir a tal pergunta? Sinistro, não? É um mistério, um enigma exigindo o máximo de perspicácia, esforço mental e sagacidade, e durante esse tempo muita coisa acaba acontecendo.

O filme começa com a apresentação dos personagens ainda em suas residências, impecavelmente vestidos, acertando os últimos detalhes e o mais intrigante é que cada componente corresponde a uma determinada etnia: o asiático, o pardo, o negro, o branco, e provavelmente a miscigenação. Alguns detalhes clichês, são bem marcados, não passam despercebidos como, por exemplo, um dos candidatos lavando as mãos antes de sair e também colocando óculos, talvez como que dizendo: ‘Lavo as mãos e o que tiver que ser, será, devo enxergar que a vaga está garantida: é minha!”

E segue as apresentações: “- Você merece isso. Você merece! Já é seu!” Um deles acha que é sorte, na cara ou coroa da moeda; outro apela à religião: “- Posso fazer todas as coisas, todas as coisas!” E na ansiedade um deles diz: “- Vamos lá!”

Uma sala fechada. Um relógio imenso marcando a ansiedade e o bater do coração: 80 minutos!

Uma folha por carteira, escrito apenas: Candidato 1, 2, 3… 8. Os candidatos entram enfileirados e ocupam os respectivos lugares. Na sala apenas um guarda armado para tomar conta.

Em seguida entra alguém e diz:

“ – Eu sou o vigilante! Ouçam com atenção a cada palavra que eu disser. NÃO VOU REPETIR.

Não pedirei desculpas pelas dificuldades que já tiveram para chegar nesta sala porque a pressão e o sofrimento eram necessários. Perseverança é o atributo chave nesses tempos difíceis e se não conseguem sobreviver ao nosso processo de seleção, não sobreviverão no emprego.

Muitos candidatos altamente qualificados tentaram chegar até aqui e falharam. Vocês conseguiram. E agora a fase final está diante de vocês, um último obstáculo separando-os de seu objetivo que é juntar-se aos nossos respeitados postos. O teste é uma simples comparação, no entanto, determinará quem sai dessa sala com um contrato de trabalho ou quem sai em um ônibus para casa.

Através desse EXAME terão uma idéia do poder, dessa organização, então acreditem quando lhes digo que não há outra lei nessa sala, que não a nossa. E as únicas regras aqui, são as nossas. Há só uma pergunta e uma resposta é solicitada. Se tentarem se comunicar comigo ou com o guarda, serão desclassificados. Se estragarem seu papel intencional ou acidentalmente, serão desclassificados. Se escolherem sair desta sala por qualquer razão, serão desclassificados.

Alguma pergunta?

Boa sorte, senhoras e senhores. Estamos dando a cada um de vocês 80 minutos. 80 minutos para nos convencerem que têm o que é preciso para se juntar a nós. 80 minutos para determinar os próximos 80 anos de suas vidas. Comecem!

O agente se retira e fecha-se a porta.

Um dos candidatos logo é eliminado e dos que continuam, um deles descobre que podem conversar que não quebra a regra da avaliação, e como forma de se identificarem criam alcunhas atribuídas entre eles e contribuem com exercícios intelectuais, trocando ideias através das quais tentam extrair do papel a questão que poderá dar-lhes o tão sonhado emprego.

Pode fazer qualquer coisa, menos estragar a folha de prova. Então a folha em branco é usada de diversas maneiras e modos a fim de se achar a resposta.

Os candidatos começam a agir ajudando-se durante todo o processo, ora  tornando-se aliados, ora voltando-se uns contra os outros e até brigam entre si. Conseguem descobrir tantas coisas e chegam aos finalmentes, à questão que deverá ser respondida que é uma evidência tal que exigia apenas ser tratada como um enigma. Uma das questões levantadas por eles é que a empresa para a qual se candidatam, tem algo de médico-científico especulando sobre uma epidemia mundial e que na sala poderia ter um dos componentes infectado, e a sua cura contribuiria com essa empresa a qual estão prestando concurso.

Eu diria que se trata de um teste de resistência física, moral, intelectual e emocional. E agora te pergunto, até onde você iria para conseguir o emprego tão almejado? O que você seria capaz de fazer  para conseguir um emprego dos sonhos com um salário maravilhoso?

Inegavelmente é um filme brilhante. Faça a prova dos nove sem medo, e tente tirar uma ótima nota aqui. Se não passar neste exame tenho certeza que eliminado também não será.

Boa sorte!

Karenina Rostov

*
Título Original: Exam
Gênero: Suspense / Terror
Tempo de Duração: 101 min
Ano de Lançamento: 2009
Diretor: Stuart Hazeldine

The Rocky Horror Picture Show (1975)

Bem, cinematograficamente falando, The Rocky Horror Picture Show é bastante limitado. Com direito a caixa de papelão simulando um castelo flutuando. Porém, como legado de originalidade e cinema contagiante – e que em cada assistida continua uma louca viagem – onde excitação e loucura casam perfeitamente, temos aqui um clássico. Uma homenagem a filmes de terror e ficção científica lá das antigas, mantendo seu charme e de certa forma, a sua graça. Tudo o que ficava apenas na sugestão, ganha vida em forma explícita.

Um casal muito feliz, um médico louco – ou nesse caso, um extraterrestre do planeta Transexual (?) – sua criação, seu mordomo, suas assistentes, chuva forte, noite escura, pneu furado e muito rock’n roll. Partindo daquela velha idéia de acidente no meio do nada e a única ajuda ser a dos habitantes de um castelo nada amigável, a inserção de guitarras pesadas passeando pelos estilos do Rock, indo do clássico ao contestador, levantam o astral do filme e em muitos momentos é impossível não dançar e cantar aquelas músicas grudentas.

E a graça do filme não fica restrita somente a isso. E notório o clima de nostalgia, exaltado com gosto as referencias a Frankenstein, Flash Gordon, King Kong, à lendária RKO e por aí vai. Tudo que influenciou esses gêneros do cinema tão bem misturados com comédia e romance. Os personagens de longe soam interessantes, mas exercem sua função muito bem.

Todos estereotipados e muito bem interpretados, desde Susan Sarandon em início de carreira – e muito bonita por sinal – ao transexual tarado interpretado por Tim Curry, e que rouba absolutamente todas as cenas do filme.

Seus estereótipos funcionando muito bem para não exatamente contar uma história, e sim, fazer acontecer um espetáculo. A extravagância dos figurinos e do texto – com ousadas piadas sobre sexo – dão a entender que não se trata de um mero musical, mas sim, de um filme onde vale tudo. Alguns poderão torcer o nariz sem dúvida, outros irão adorar e sacar que tudo aquilo é rock sem lei nem ordem e se divertir a beça com tudo aquilo, mas, analisando dentro do nosso mundo, sempre foi assim. O pobre do Rock, defendendo suas idéias e libertações sendo oprimido pelo hipócrita bom senso das pessoas.

O que temos aqui é um filme que pouco liga para a breguice e a tosquice, que pouco liga para o que vão achar de sugestivas e até certo ponto polêmicas cenas de sexo e que quer mais saber de agitar tudo. É tudo um espetáculo, a começar pelo já lendário Dr. Frank (Curry, numa caracterização que lembra Freddie Mercury), que abusa de seu glamour e cria um ser másculo e homem o bastante para lhe satisfazer sexualmente. Encarando por um lado é grotesco realmente, mas entrando na proposta sincera e honesta de diversão do filme, é uma expressão de liberdade intelectual gritante.

É a força do Rock a favor de todos. Um filme sem preconceitos e que mesmo sendo limitado, é de uma riqueza impagável, seja na malícia de suas músicas, seja na bela homenagem ao cinema que um dia falou de tudo isso sem ninguém perceber que falavam daquilo, e que mesmo tanto tempo passado de seu lançamento, continua pomposo, sexy e contagiante.

E não envelheceu nada, tanto que sempre é revistado e ainda se tornou um marco na cultura pop – veja por exemplo as músicas, que continuam geniais e inspiradoras ou a séria Glee, que em sua segunda temporada fez uma homenagem mais recatada do filme.

É em poucas palavras, um filme delicioso, que sem sombra de dúvida, levanta o astral e diverte sem nenhum trauma, a todos. Um dos filmes mais legais já feitos.

Por: Rafael Lopes.

Nota: 8,5
Cotação: *****.

The Rocky Horror Picture Show
Inglaterra (1975)
Direção: Jim Sharman.
Atores: Tim Curry, Susan Sarandon, Barry Bostwick, Richard O’Brien.
Duração: 100 minutos.

Corações Perdidos (Welcome to the Rileys. 2011)

A vida é uma história contada por loucos, cheia de som e de fúria, que nada significa.” (Macbeth – Cena V, Ato V)
Logo no início do filme me veio uma fala já ouvida tantas vezes: “Ruim com ele, pior sem ele!“. É! Ela é dita porque dita uma escolha de tantas mulheres casadas. Por talvez terem medo da solidão, terminam fechando os olhos às puladas de cerca do marido. Mas também por ainda amá-lo como antes. Sem saber o que fazer ao certo, termina por afastá-lo de vez. Mais ainda há um outro fator que em muita das vezes acaba roubando toda a sua atenção: os filhos. Um filho é para somar a uma relação. Mas se a balança está pendendo toda para ele, mais a frente virá uma cobrança.

Em “Corações Perdidos” me deixei pensar no porque de um homem estando casado, e ainda amando sua esposa, tem uma amante cativa. Uma relação sem cobranças. Mantida há 4 anos. Onde tendo um único dia da semana para se encontarem e transarem. Algo também estagnado. Sem paixão. Sem tesão pela vida, por estar vivo.

Assim conhecemos um pouco do casal Rileys: Doug Riley (James Gandolfini) e Lois (Melissa Leo). Que após a perda da única filha pareciam não ter mais um sentido na vida. Ambos, sentíam-se culpados. Lois por ter se intrometido demais na vida da filha. Doug, pelo contrário, por ter ficado ausente demais.

Se uma morte os fez ficarem assim, apenas sobrevivendo, uma outra leva Doug a acordar. Mas ainda sem saber que novo rumo vai dar a sua vida, aproveita uma viagem de trabalho para pelo menos ficar longe da esposa. Vai a uma Convenção Anual em Nova Orleans. E ali, em meio a rostos conhecidos, vendo todos fazendo tudo igual, Doug foge também dali.

Nessa fuga, até de si mesmo, Doug conhece uma jovem stripper. Ela é Mallory (Kristen Stewart). Alguém a quem o destino também lhe tirou algo caro: sua mãe. Que a levou enfrentar às ruas bem cedo. Que para sobreviver, colocou uma couraça em seu coração. Ainda não sabendo ao certo o que estava fazendo, Doug resolve cuidar de Mallory. Tentar dar a ela uma outra expectativa de vida. Mas Mallory não está acostumada com gentilezas. Nem muito menos em ter um homem querendo apenas ser um pai. Que não queira transar com ela. Ele comunica a mulher que vai ficar em Nova Orleans.

Vendo que estaria perdendo de vez o marido, Lois tenta vencer o pânico de sair de casa, e viaja até lá dirigindo um carro. Ela também estará acordando para a vida nesse longo trajeto. E será o contraponto na relação entre Doug e Mallory.

Entre fazer uma longa análise com esses três corações perdidos, o que levaria a spoillers, eu preferi traçar apenas um breve perfil e de como o destino levou suas vidas se cruzarem, e ter algum sentido. E motivá-los a assistirem. Pois o filme é ótimo! Com atuações brilhantes!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Corações Perdidos (Welcome to the Rileys. 2011). Reino Unido / EUA. Direção: Jake Scott. Gênero: Drama. Duração: 110 Minutos.

Santa Paciência (The Infidel. 2010)

Uma santa paciência é o que se tem que ter para quem escolhe os títulos nos filmes no Brasil. O título original desse, além de pontuar em quase todo o filme, a cena onde de fato ele é dito – o infiel -, é ótima!

O que me leva a adentrar na análise citando que temos no Roteiro um dos pontos positivos. Um misto de Sacha Baron Cohen com Monty Python. O que já dá para imaginar que sobrará críticas para todos os lados. Além de garantir ótimas risadas. Em destaque: judeus x muçulmanos. Mas não fica apenas nessa guerra santa, vai além das etnias, das nacionalidades. Porque mostra que tudo isso pode afastar as pessoas.

Um amigo que o entenda!

No filme, uma amizade começa por conta dessa guerra dos tempos modernos. Um não tão pacato cidadão inglês. Um muçulmano nenhum um pouco ortodoxo. Vê sua casa cair ao descobrir que sua origem é judia. Ele é Mahmud (Omid Djalili). Ótimo, por sinal! Sem ter com quem desabafar, recorre a um judeu, vizinho de sua falecida mãe, a quem nos últimos dias travou intensos impropérios: o taxista de origem americana, Lenny Goldberg (Richard Schiff). Para mim, que costumo dizer que não busco por amigos como saídos de uma montadora, todos em séries, vi nessa amizade outro ponto alto desse filme. Pois chega de guetos no planeta!

Pai e Filho! E não versus, por conta de Religião.

Podemos até lembrar de um outro filme, o “A Gaiola das Loucas”. Por ambos mostrar a pré-ocupação de um filho pelo comportamento do pai. Num, pelo pai ser homossexual. Nesse, pelo pai não seguir todos os ritos do Islã. Em ambos também porque os filhos estando para casar, precisam reunir as famílias, as deles com as das futuras esposas. Mas essa semelhança em nada diminui esse filme. Pelo contrário! É mais um a reforçar que muitos dos preconceitos são impostos pela sociedade, e alimentado por grande parte da imprensa. Rashid (Amit Shah) também terá que rever seus conceitos.

A Família!

Mahmud por recear contar a esposa essa nova descoberta, termina por levar a mulher a pensar que ele tem uma amante. Mas Saamiya (Archie Panjabi) talvez preferisse isso, ao real motivo do comportamento estranho do marido. E novamente teremos a religião separando uma união feliz.

As Religiões.

Na própria, não encontra um apoio. Pelo contrário! Por parecer que falam línguas diferentes, é tido por um gay. Descobre que o provável pai biológico, é um rabino. Ou foi, por já estar à beira da morte. Um religioso que colocou o próprio filho para ser adotado!? E para completar, o padastro da noiva do filho, prega um islã mais conservador pelo mundo.

Cenas em destaque:
- a descoberta do nome judeu.
- a que mostra o título.
- o amigo judeu o recolhendo da calçada.
- aprendendo a ser judeu.

Ponto negativo.

O ritmo cai um pouco na metade do filme. Um pequeno enxugamento o deixaria redondinho. Como também por não ser exibibo no circuito comercial. Pois isso fará com que muitos nem saibam da existência dele. Afinal, um humor britânico é algo imperdível.

The Infidel” não é uma comédia ao longo de todo o filme, afinal temos um homem passando por uma crise de identidade. Seu drama não virará uma tragédia, porque já está ocidentalizado demais. E é por ai que abrirá seus olhos na tentativa de resgatar a sua família, como também em mostrar que mesmo por diferentes credos, todos podem viver em paz. Ou não!

Um ótimo filme. De querer rever.

Por: Valéria Miguesz (LELLA).

Uma curiosidade: Ao citarem brazilian, é por conta da depilação que extrai todos os pelos pubianos.

Santa Paciência (The Infidel. 2010). Reino Unido. Diretor: Josh Appignanesi. Roteiro: David Baddiel. +Elenco. Trilha Sonora: Erran Baron Cohen. Gênero: Comédia, Drama. Duração: 105 minutos. Classificação: 12 anos.