Duração: 80 min.
Origem: França e Bélgica
Estreia: 23 de Dezembro de 2011
Direção: Jean-Pierre Améris
Roteiro: Jean-Pierre Améris e Philippe Blasband
Distribuidora: Imovison
Censura: 10 anos
Ano: 2010
Fui ver “A Fonte das Mulheres” embalada pela expectativa de assistir a uma comédia, no entanto, é um filme com momentos de humor e que bom, a abordagem no estilo de fábula agregado ao humor permite que se apreenda a história da comodidade e do machismo humano sem revolta, liberando nossa capacidade de observação.
SOCIEDADE A verdade de que a injustiça só é realmente injusta quando nos atinge. O tabu da obrigatoriedade da mulher satisfazer o homem, ainda que ela não tenha orgasmo. A mudança nos papéis sociais que chegam em caráter de emergência e tornam-se tradições com o respaldo daqueles que passam a se beneficiar. A história leva o nosso olhar para a importância da educação num contexto onde a manutenção da ignorância de uma parte do povo passa a ser o interesse pela parte dominante, sem que necessariamente os dominadores deixem de ser ignorantes criando um sistema de exploração institucionalizada do ser humano, um ciclo que somente a coragem aliada ao preparo, ao estudo é capaz de romper.
HISTÓRIA
O último filme que vi em 2011 foi “Faça-me Feliz” (Fais-moi plaisir!) do diretor Emmanuel Mouret, que também atua e, muitíssimo bem por sinal! Filme leve divertido, ri muita coisa e pelos trailers apresentados nesta sessão, percebi que o cinema Francês está com tudo e que a gente anda muito atrasado, pois “Fais-moi plaisir!” esteve na 33ª Mostra Internacional de Cinema – São Paulo International Film Festival (20 out – 05 nov 2009)… Quase 2 anos depois, finalmente fizeram-nos felizes e rimos bastante, isso é o que importa…
Depois da sessão parada no Odorico completamente lotado e como estávamos felizes, até mesmo o que aborreceria foi motivo de risadas, afinal era dia 29, a última quinta-feira do ano! Odorico é um barzinho bem legal com tempero de restaurante e tem a garçonete mais delicada do mundo!!! Viva a amizade que fazemos nas condições mais improváveis! Bons amigos, boa comida, bom filme, o que mais poderíamos querer???
O primeiro filme que vi em 2012, foi um documentário e não fui ao cinema para ver. “Dzi Croquettes“, em DVD, assitido em casa porque dia 31 não teve sessão de cinema e no dia primeiro nem procurei saber. Comprei o DVD no lojinha do Artplex, há meses quando ainda era Unibanco… (Cá entre nós, muito melhor o cinema mudar de nome do que mudar de ramo…)
Filme maravilhoso, documentário sensível para fazer rir, chorar, pensar… Tathiana Issa me colocou dentro do documento, em contato com as personagens (todas reais), me colocou na fita para viver aquilo que eu só tinha ouvido falar. Toda a trajetória fascinante dos Dzi está ali e trazendo uma reflexão de um tempo em que se criava. Um tempo que tinha-se o trabalho, o amor a arte à frente do dinheiro, dos apoios, patrocínios, “projetos”…
Postado por Rozzi Brasil
Faça-me Feliz! Quem tentar achar coerência precisa no estranho roteiro do ator/diretor Emmanuel Mouret para esta comédia dramática escrita por ele mesmo poderá se frustrar. No entanto, se o espectador relaxar e deixar-se levar por uma narrativa incomum em tons de fábula sobre um homem sensível que viveria uma noite de traição permitida pela companheira, experimentará um filme bastante diferente com direito a muitas risadas e uma dose de reflexão.
O ritmo da narrativa é tortuoso, mas ganha vigor justamente no encontro de Jean-Jacques com uma mulher desconhecida e algo desequilibrada que ele descobre ser filha do Presidente da República. Uma festa tão bizarra e improvável quanto o próprio relacionamento é pretexto para que eles se conheçam e pano de fundo para situações hilariantes e esquisitas que só terminam na casa da empregada do Presidente que também tem uma família extraordinária composta de várias irmãs tão belas quanto perversas e travessas. Neste ponto, a produção merece destaque com objetos de decoração memoráveis como as peças de arte de gosto duvidoso e uma mobília de banheiro absurda desprovida de funcionalidade. A trilha sonora, que mescla sons de instrumentos de outras épocas, bem como o figurino extravagante e intemporal ajudam a compor um clima surreal muito curioso reforçado pelo próprio personagem principal atrapalhado, ingênuo e carente.
Muita gente já bebeu da água do brilhante filme de Martin Scorsese “After Hours”, inclusive o recente nacional “Amanhã nunca mais” de Tadeu Jungle com Lázaro Ramos, mas certamente a inesgotável fórmula de que tudo pode acontecer numa noite encontrou no filme de Emmanuel um de seus rebentos mais criativos.
Yasmina Reza adaptou junto com Roman Polanski, a sua magnífica peça “God of Carnage”, que cheguei a ler. Não vi no palco, mas estava ancioso para ver o filme de Polanski , que particularmente, vale cada centavo que eu gastei!.
Situado em um apartamento em Nova York, dois casais cujos meninos tiveram um “desacordo” no playground, o que resultou na “disfiguração” de um deles. Jodie Foster e John C. Reilly interpretam os pais da “vítima”, e Kate Winslet e Christoph Waltz fazem os pais do menino “culpado.” Na tentativa de resolver questões em relação aos seus filhos, o que seria uma troca cordial se transforma em uma “guerra”.
Para quem é?
“Carnage” é para quem gosta de atores. E, esse é o meu tipo de filme. Tem um elenco de quatro atores talentosos, jogados em um apartamento, onde discutem – com diálogos inteligentes. Na verdade, “Carnage” é uma comédia, porque a vida é realmente engraçada e igualmente absurda. A mistura de emoções, e álcool - o filme só fica melhor e melhor quanto mais álcool é consumido.
Expectativas:
Não vou dizer que este é um filme perfeito, porque não é, mas isso não diminue a minha apreciação a obra de Polanski. Por examplo, dentro dos primeiros minutos, eu questionei o fato de Winslet e Waltz já estarem na casa do outro casal, e depois vão indo ao caminho do elevador. Parecia que as questões já tinham sido resolvidas, mas-
Atores:
O elenco é simplismente perfeito.
Jodie Foster interpreta Penelope Longstreet, que se auto-declara como uma “pessoa boa”. Foster excessivamente domina o filme, fazendo essa mulher cheia de raiva incontida – porque seu filho perdeu dois dentes e ficou “desfigurado” como ela diz para os Cowans. John C. Reilly faz Michael, que é o tipo de marido que mostra total paciência para sua esposa, mas que para ele também existe limite para tudo. Reilly é uma ator singular na capacidade de retratar a comédia e o drama como parte de suas nuances interpretativas.
Christoph Waltz faz Alan Cowan - talvez seja o melhor dos quatro personagens e apresenta a melhor atuação do filme. Toda vez que ele abre a boca, o filme fica melhor. E, as constantes ligações do celular, são irritantes e brilhantes ao mesmo tempo. Kate Winslet faz Nancy Cowan, que é tão perturbada por tentativas de Penélope em lhe contar como criar seu filho como pelas interrupções do seu marido ao telefone. Winslet é responsavel pelas duas melhores cenas do filme – a do vomito e do celular.
“Carnage” é sobre a batalha dos sexos, e também sobre a batalha de classes, mas o filme não se aprofunda sobre as questões socioculturais, Polanski ilustra mais o comportamento humano emergindo das sombras. “Carnage” não revelou nada mais do que eu já sabia, mas me fez balançar a cabeça em reconhecimento do comportamento que vejo nos outros e, Deus me perdoe, que até vejo em mim.
Nota 8,5
O filme A Noite Americana nos leva para um mergulho no mundo desconhecido pelos os telespectadores que somente deparam com a obra pronto. A obra de François Truffaut narra os conflitos pessoais e sociais vividos pelo diretor e seus personagens em microcosmo de construção e aliteração das ideias.
Na formulação do projeto cinematográfico, os seus membros se deixam influenciar pelos atritos do cotidiano, conflitos vividos pelos seres humanos como crise de sentimentos, identidade, vícios e drogas que devora a percepção e concentração dos indivíduos; além de problemas com o tempo, espaço e cenário.
O filme apresente a história de Ferrand, um cineasta, que durante a produção de um filme chamado Je vous presente Pamela, encontra com os inúmeros imprevistos citados anteriormente, a solução encontrada é partir para o improviso para concluir a gravação, que faltava uma das cenas mais importantes do filme: a que o dia deve ser transformado em noite artificialmente.
Truffaut de forma genial, utiliza um título para chamar atenção dos telespectadores que acreditam que o filme em seu contexto descreva um noite americana e na verdade o autor nos leva diretamente para um set de filmagem.
Gostei muito do filme e do conteúdo que o mesmo aborda. Transformar as problemáticas de um espaço em uma obra cinematográfica é uma atitude de gênio que transforma de forma positiva os conflitos do espaço que vive.
Afinal, é preciso conhecer a realidade vivida pelos diretores e atores em seu cotidiano profissional. Ficando visível que a arte do bem viver é um reflexo que influência na nossa vida pessoal, profissional e mental.
O documentário sobre a I Guerra Mundial foi organizado e apresentado pelo canal Inglês BBC, destacando os conflitos da I Guerra Mundial que ocorreu entre os anos de 1914-1918. Diferentemente dos documentários produzidos até hoje que sempre retrataram a Primeira Guerra Mundial sob a óptica norte-americana, este retrata diferentes visões do conflito, mostrando a guerra na Rússia, Arábia, África entre outros países.
Com relação a II Guerra Mundial destaca-se o filme “Hiroshima Mon Amor” (1959) um romance sobre a direção de Sacha Kamenka e Shirakawa Takeo que claramente descreve a fúria, a destruição de um povo e de sua memória história. O filme causou impacto e discussões em todo o mundo na década de 50 e hoje é uma referência na descrição de um período tão sangrento da história da humanidade.
Ambos as produções historicamente nos leva a uma viagem, a um período de dor, desapropriação e de confronto direto com a morte. Uma narrativa que descreve o contexto que perpassa a I e II Guerra Mundial. Trazendo-nos uma perspectiva sobre atitude das pessoas em meio à movimentação da guerra.
Uma representação fiel dos comportamentos dos soldados que se interligavam para combater o inimigo. Podemos notar a fiel representação das trincheiras e dos processos que desencadeia a guerra.
Nas ruas era notável um cinturão de homens e metralhadoras rodeando os caminhões e tanques estacionados na praça central. Os projéteis enquanto isso continuava caindo sem interrupção e anunciando o fim do bombardeio. Depois de alguns instantes de silêncio, uma bomba assolava e eliminava tudo ao seu alcance e o silêncio pairava profundamente. Os oficiais sobreviventes levantam novamente em nome da sua nação amada; renovando o pedido de rendição, dizendo ao mesmo tempo, que não podia ordenar que um homem corajoso fosse morto naquelas condições sem a menor possibilidade de salvar a sua vida.
Assim, fica visível a movimentação de conflito e de dor que devorava os corpos e alimenta a alma dos heróis guerreiros que bravamente lutavam e somente se rendiam em homenagem aos corajosos que morreram. Quanta dor sentiu Hiroshima e Nagasaki; uma dor tragicamente narrada de forma profundo no documentário.
Dentro do contexto podemos notar que vários foram os motivos que levaram a economia americana ao colapso, mas a “Guerra Mundial” gerou um colapso que desmoronou a economia, além do mais os EUA foi atingido por uma depressão, se tornando o epicentro dos acontecimentos.
A guerra Russa, no entanto foi um ensaio geral nos anos de 1904 e 1905 decorrentes da ambição imperialista tanto russa, quanta japonesa sobre a Coréia e a Manchúria.
Os resultados deste processo foram o domingo sangrento, onde ocorreu uma manifestação de trabalhadores que pedia a Czar a redução das jornadas de trabalhos e melhoria no salário, outros manifestos ocorridos foram de outubro, junho e o encouraçado de Petemkin.
A Rússia na guerra, não desenvolveu um ótimo papel sendo considerada o gigante de pés de barro, pois as táticas utilizadas na guerra eram antigas, o comando ineficiente, havia muitos soldados e poucas aparelhagens e o abastecimento precário, não propiciando resultados positivos.
Na aurora da análise notamos que ocorria um desequilíbrio interno na Rússia, construindo um descrédito de Czar e ocorrendo a implantação do socialismo, sendo possível ver o surgimento de uma nova política econômica que se fixa com o plano quinquenais de 1928, promovendo uma ruptura nos planejamentos econômicos em meio a um desenvolvimento lento e cheio de contrastes econômicos, sociais e políticos.
Todavia, podemos apontar com convicção que a crise de 1929 provocou grandes efeitos na economia, maior que a própria guerra. Não podemos esquecer que a crise econômica será marcada com o surgimento do totalitarismo de Hitler, da política intervencionalista de Roosevelt e da longa disputa entre os pólos distintos entre socialismo e capitalismo.
Em primeiro momento se pensava que o colapso econômico seria apenas um ciclo comercial típico da economia capitalista, no entanto é visível que o colapso provocou uma queda dos movimentos migratórios de forma globalização, afetando a economia e provocando o desemprego e a inflação.
Neste período o desemprego era visto como uma ferida profunda e potencialmente mortal ao corpo político.
Como historiador, digo que o documentário de forma clara narra um dos principais momentos da história da humanidade.
Na aurora da análise, percebemos o sentimento de nacionalidade que permanecia vivo em cada guerreiro e cidadão que colocava o seu “próprio peito a morte”, em nome da nação e dos ideais defendidos por ela.
Por Kauan Amora.
Uma das mais visíveis características do filme “Um homem que grita”, é um paradoxo, centrado no personagem central o filme usa ao longo da projeção o silêncio como um elemento dramático, e o personagem central ao contrário do que imaginávamos é um homem calmo, pacato, e que quase nem abre a boca para falar.
No seu desenvolvimento, percebemos a triste transformação da sua vida, de salva-vidas chefe passar a ser um simples porteiro, e é aí que se encontra o maior triunfo de seu roteiro, na exposição da dualidade de seu personagem. Sempre centrado no desenvolvimento da boa relação pai e filho, o roteiro nunca deixa esse questionamento claro e explícito, ele fica apenas subentendido, guardado, como na triste cena em que o pai assiste o filho sendo capturado pelo exército e este gritando por ajuda e ele não faz nada, permanece dentro do quarto calado, paralisado. O roteiro primeiro desenvolve com habilidade a boa relação de pai e filho entre os personagens centrais, e como essa relação é afetada depois que o pai tem de decidir se o filho vai para guerra ou não, e consequentemente, se vai conseguir seu emprego de volta ou não. Sempre dividido entre ser um pai dedicado e um homem com orgulho, nunca conseguimos ver o personagem central como alguém ruim pelas suas atitudes.
O filme possui cenas de forte impacto, como no momento em que ele está sentado em um banco que costumava sentar com seu filho, e a câmera vai se aproximando lentamente para seu rosto, enquadrando aquele homem desiludido, ou na cena em que sequer tenta ajudar o cachorro vira lata que sempre alimentava quando este é chutado pelo novo cozinheiro.
Um homem que grita é um filme tocante sobre a covardia que mora dentro de nós e sobre o poder devastador que ela tem sobre a nossa vida.
Por Kauan Amora.
Num tempo onde usam e abusam da tecnologia para contarem uma estória, “Um Gato em Paris” vem como um colírio aos nossos olhos. Uma Animação com técnicas simples, que sem os tais efeitos especiais, encanta. Dá gosto em acompanhar cena por cena pois parece que estamos diante de telas tiradas de uma Galeria de Arte. Agora, eu não sou conhecedora da Pintura Mundial por um todo. Por vezes, identifico uma tela ou um traço, daí mesmo que os autores quiseram homenagear Pintores Franceses, os traços dos personagens me lembraram Di Cavalcanti. Merecem aplausos pelo desenho como um todo! Lindo demais!
Como o título já diz, o personagem principal é um Gato: o Dino. De cor preta com umas listras rosadas. Talvez numa de homenagear a Pantera Cor de Rosa, já que esse filme aqui também é um Policial. Dino tem uma vida dupla. Durante o dia ele faz companhia a uma menininha solitária, a Zoé. À noite, ele acompanha um ladrão de jóias, Nico. E gosta de atazanar um cãozinho vizinho da casa de Zoé.
Zoé ficou traumatizada com a morte do pai, por conta disso, emudeceu. Sua mãe, Jeanne, uma Delegada de Polícia, super atarefada, quase não tem tempo para a filha. Ficando a menina aos cuidados da empregada, e afagada pelo Dino. Além de estar às voltas com roubos de jóias, Jeanne quer prender o bandido que matou o seu marido. Ele é Victor Costa. Ela usará a chegada de uma importante, e caríssima, escultura africana para prender Victor e seu bando.
O bando de Victor mais parecem uma turma de adolescentes que mesmo empenhados, são bem atrapalhados. Parte cômica, até na referência que fazem a “Cães de Aluguel”. Mesmo sabendo que terá toda a polícia parisiense protegendo o Colosso de Nairóbi, Victor fará de tudo para roubar a peça.
Assim como Zoé, Nico é um cara solitário. As jóias que rouba, ficam guardadas num cômodo. De hábitos simples, o ato de roubar não é um desvio de personalidade. Talvez seja mais como um exercício físico e mental à noite. O que também contará ao seu favor no final.
A vida desses três se unem por causa de um bracelete que Nico deu para Dino, e esse deu para Zoé. Jeanne ao ver a jóia, leva para a delegacia e confere que está na lista dos objetos roubados. Curiosa, Zoé aproveitando-se de falta de atenção da mãe para si, resolve seguir Dino. E terá uma aventura inesquecível numa única noite.
À primeira vista, o filme como Animação, e do jeito em que foi montado, me levou a pensar: “Um ótimo e não tão caro jeito de se contar uma estória.” Depois, pelo modo como hipnotiza, deixou a impressão que na cena seguinte iriam se materializar: que ai entrariam atores de carne e osso. De tão real que era a estória. Outro ponto alto está em nos mostrar a Cidade Luz com os seus mistérios na calada da noite. Tudo regado a um bom Jazz.
O final pode parecer como aberto, ou que pularam uma parte. Até por também se dirigir a um público teen, poderiam ter mostrado que o bom ladrão teve a prisão relaxada pelo o seu ato de bravura. Algo que não seria necessário se o público fosse todos de maior idade. Mesmo com esse único ponto negativo, eu dou Nota 10!
Por: Valéria Miguez (LELLA).
Um gato em Paris (Une Vie de Chat. 2010). França, Holanda, Suíça e Bélgica. Direção: Jean-Loup Felicioli, Alain Gagnol. Roteiro: Alain Gagnol e Jacques-Rémy Girerd. Vozes: Zoé (Oriane Zani); Jeanne (Dominique Blanc); Nico (Bruno Salomone); Victor Costa (Jean Benguigui); babá (Bernadette Lafont). Gênero: Animação, Crime, Mistério. Duração: 70 minutos. Censura: 10 anos.

O filme só pela Trilha Sonora já merece ser visto. MPB e Bossa Nova nos embalando nessa Fábula moderna. Bom demais ouvir Marcos Valle como fundo musical, por exemplo. Mas o filme tem muito mais! Ele nos mostra um período na vida de uma mãe e sua filha às vésperas de seu casamento. Já adianto que “Copacabana“, de Marc Fitoussi é muito bom! Ele até fez com que eu passe a acompanhar seu trabalho. Até pelo tributo que fez a todos nós, brasileiros. Conto como no decorrer do texto.
Há uma máxima que diz que uma geração aprende o que precisa saber, mas que a seguinte esquece. Deveria ao menos é aproveitar que a anterior tirou as pedras do caminho. Que jogou as cargas inúteis fora. Em “Copacabana” temos a filha como uma pessoa centrada, preocupada demais com o seu futuro. Trabalha num Bistrô. E não está mais achando graça no modo de vida da mãe. Ela seria a “Formiga” dessa Fábula. Seu nome: Esmeralda. Personagem de Lolita Chammah, que embora interprete muito bem, foi eclipsada por quem faz a sua mãe.
A “Cigarra” dessa estória é Babou, a mãe de Esmeralda. Personagem de Isabelle Huppert, dona de um carisma que nos leva a acompanhar essa estória ora sorrindo, ora emocionados, mas sempre com brilho nos olhos. Babou leva a vida a bailar, quase que literalmente. Não está nem ai para as convenções. Se veste e se maqueia de um modo que choca a filha. Além disso, seu comportamento leva a filha a sentir vergonha a ponto de não querer a mãe no seu casamento.
Mesmo que fosse uma inconsequente, Babou tinha um bom coração. Como também tinha sentimentos, do seu modo, mas tinha. Assim, se o que a prendia ali, era o estar junto à filha, com essa decepção Babou aceita um emprego numa cidade litorânea na Bélgica. Mesmo para um lugar com apenas dois meses de Sol, ela faria dali a sua Copacabana. Seu intuito seria juntar dinheiro para um dia conhecer o Brasil. Que na visão dela era uma terra com um povo amistoso, que recebia a todos sem preconceito. Tal como ela: sem medo de ser feliz! Um lugar multicolorido por natureza. Eu até prefiro que isso que fique na cabeça de quem não conheça de fato o Brasil. Numa comparação mais simples, e sem preconceito, seria a visão do paulista em relação ao carioca. É bem melhor do que ver sendo difundido o país como paraíso dos fora-da-lei, por exemplo. Dai, vi como carinhoso toda a referência do Brasil no contexto da estória. Na visão de Babou.
Em Oostende, tenta fazer amizade com os novos colegas, mas a eles, ela também os assusta. O que até fez bem a ela, pois assim conheceu e fez amizades com alguns moradores. Por uma, ganhou a dica de onde conseguiria possíveis compradores para os apartamentos a serem vendidos. Um jeito novo de ter um imóvel extra, para períodos de férias em outros países, por exemplo. São os Timeshares. Cada proprietário teria o imóvel num terminado período do ano. Num prédio imenso, com algumas unidades já quase prontas, tinham pressa nas vendas para terminarem as demais. Babou até consegue se dar bem sendo a sua vez de ser uma formiguinha-trabalhadeira, mas…
Para quem gosta de conhecer de perto uma relação entre mãe e filha, vai se encantar com esse filme. Além de que, temos em “Copacabana” a ora e a vez da Cigarra mostrar a Formiga que o que se leva dessa vida, é a vida que se leva! Que a verdadeira mudança está em si mesmo, e não contar que o outro é que deva mudar. Aceitar as diferenças. Bravo Babou!
Por: Valéria Miguez (LELLA).
Copacabana (Copacabana. 2010). França / Bélgica. Direção e Roteiro: Marc Fitoussi. +Elenco. Gênero: Comédia. Duração: 107 minutos. Classificação etária: 14 anos.