Titanic – Uma lenda do Cinema Mundial

Titanic é uma produção hollywoodiana que narra a história de amor de dois jovens amantes, bem como a tragédia com o transatlântico RMS Titanic. Foi lançado em 1997. Roteiro e Direção de James Cameron. Um grande sucesso de bilheteria e de crítica, ganhando 11 prêmios da Academia (ficando como o primeiro no ranking do Oscar uma vez que “Ben Hur” mesmo tendo também 11 prêmios vindas de doze indicações, enquanto Titanic teve catorze) e 3 Grammys. O filme ganhou uma versão em 3D, num lançamento mundial em abril de 2012, data que marca 100 anos do naufrágio.

A história é sobre dois jovens de diferentes classes sociais Jack Dawson (Leonardo DiCaprio) e Rose DeWitt Bukater (Kate Winslet) que se apaixonam durante a viagem a bordo inaugural do Titanic em 1912. Embora a história de amor seja fictícia, muitos dos personagens como tripulação e passageiros, foram baseados naqueles que estavam realmente abordo do navio real. Os amantes: Rose e Jack representam muito bem o papel de Romeu e Julieta do pós-modernismo.

Na trama, cenas de emoção são adicionados com outras que retratam o heroísmo óbvio pelos membros da tripulação. Joseph Bell, o engenheiro-chefe, e seus homens trabalham desesperadamente até os últimos instantes. Wallace Hartley, o maestro e sua orquestra, continuam a tocar música edificante para o fim, mesmo quando o navio afunda.

O filme é uma obra de arte que emociona e destaca com propriedade o “mito da arte de amar”, uma produção cinematográfica que pragmaticamente eternizou os sentimentos existentes nos mais belos poemas épicos e versos da odisséia.

Titanic é um filme encantador que nos faz lembrar de um poema que transcrevi em um momento de profunda reflexão da alma:

O Fluxo das Coisas Eternas

Nada é “eterno”, no entanto tudo se transforma…
As pessoas mudam, o mundo muda e tudo passa.
O existir é um constante ir e vir.
É bom saber que amanhã é um novo dia.
Erramos hoje, mas tudo se faz novo quando o sol renasce na imensidão do céu azul.
O tempo é o senhor de todas as coisas, ele encarrega de eliminar as dores, os medos e os dissabores de uma vida plenamente vivida.
O mundo é um verdadeiro comboio de emoções; onde a essência amor mantém a legião de seres humanos vivos e determinados a sonhar e sonhar.

Quando falamos de sentimentos, é bom saber que o amor tem tendência a se desabrochar, fundando um belo jardim florido, mas o ódio, ou seja, o amor na forma mórbida permanece constantemente sem vida, inóspito, mas sensível ao poder do tempo. O tempo vai além de “tudo”, sobrepõem os ritmos, culturas, sociedades e as diversas realidades. Enfim, a vida é um percurso de histórias distintas, complexidades transmutáveis e sentimentos variáveis.

O filme é um clássico do cinema mundial. Titanic será sempre uma lenda dentre tantas produções cinematográficas.

Em suma, Titanic é uma obra prima que tem o poder de eternizar a arte de viver e acima de tudo de ensinar, libertar e compreender uma sociedade contemporânea; buscando concretizar a memória, os momentos históricos, individuais e sentimentos de ontem para uma geração futura.

Dhiogo José Caetano

Isto Não é um Filme (In Film Nist. 2011)

É triste saber que enquanto em determinados lugares sobra liberdade e não se sabe exatamente o que fazer com ela, desperdiçando-a, em outros sobra entusiasmo, força de vontade e boas ideias, mas infelizmente esbarra na censura e não liberdade de expressão. É o que aconteceu com o diretor iraniano Jafar Panahi condenado a seis anos de prisão domiciliar e vinte proibido de fi…lmar.

Jafar encontrou uma brecha e conseguiu produzir “Isto Não é Um Filme” para nossa felicidade possibilitando o espectador a lamentavelmente saber que a repressão é uma realidade em pleno século XXI, e que este “não-filme” conseguiu sair de seu país de maneira clandestina, através de um mero pendrive escondido dentro de um bolo.

Parabéns ao diretor por estar dando voz aos outros diretores iranianos impossibilitados de realizar seus trabalhos, mesmo sabendo que está correndo risco de sofrer punições com a produção caseira agora espalhados pelos quatro cantos do mundo.

Sonhar ainda é permitido em qualquer nação… bom que ele encontrou um meio de partilhar este seu sonho com o publico. Agradeço profundamente pela coragem e ousadia.
Karenina Rostov
*

Isto não é um filme (In Film Nist, This is not a film. 2011)
Filme iraniano dirigido por Jafar Panahi e Motjaba Mirtahmasb.

A Corrente do Bem (2000). A Conta que Muda o Mundo (Cinema, Educação e Rede Social)

Por José Antonio Klaes Roig, do Blog Educa Tube.

Estava zapeando canais de TV, de noite, quando eis que paro justamente na cena acima do filme A Corrente do Bem, que já havia assistido tempo atrás, mas não com o enfoque educacional. Dessa feita, percebi o quanto é possível trabalhar cinema, educação e redes sociais através desta cena ou do filme como um todo.

A conta que pode mudar o mundo é bem simples, como na cena demonstra, mas para se atingir o resultado satisfatório requer que acreditemos no que pregamos, sejamos pais ou educadores…

Nós somos o elo de uma corrente e podemos dar continuidade ou quebrá-la, com nossas ações… Como educadores, temos ou deveríamos ter a consciência, como disse alguém certa vez, que não educamos para o Hoje, e sim para o Amanhã… Não ensinamos uma turma, mas uma geração! E como blogueiros educacionais não temos a dimensão de nossas ações no mundo real, a não ser quando alguém deixa algum comentário… Mas se socializamos nossa prática, divulgamos ações, atividades, projetos relevantes nossos, da escola e/ou de outros colegas, estamos ampliando a corrente e mostrando ao mundo virtual, o que a grande mídia desconhece ou não mostra no horário nobre…

A corrente do bem é pensar, não apenas em ações imediatas com resultados instantâneos, mas ações a médio e longo prazo, que sejam aplicáveis, sustentáveis e significativas… Mas pra isso, é preciso saber mediar o tempo, o espaço, os recursos, sujeitos e agentes envolvidos neste processo… Planejar tudo isso é preciso… Boas ações não se mantém com apenas boas intenções…

A corrente do bem não é criar grandes projetos – muitos mirabolantes e pouco executáveis – para concorrer a premiações, mas fazer coisas simples, autênticas e de uma praticidade que motive outros a também seguirem o exemplo, e ai, por si só, o reconhecimento virá…

E cada vez mais, num mundo cheio de estímulos visuais, para se envolver o aluno é preciso conhecer esse novo mundo do jovem… que é bombardeado por todo tipo de coisa, sem o devido acompanhamento dos pais… E a corrente do bem precisa necessariamente iniciar na família, continuar na escola e seguir nos demais ambientes sociais… precisamos ser o exemplo do que queremos propor.

A pedagogia do exemplo tem que começar sempre por nós, eis a conta que pode mudar o mundo, a começar pelo nosso próprio…

Aprendi com meu pai, que pintava sempre as mesmas paisagens, mas nunca os quadros eram iguais um ao outro, haviam tons e detalhes únicos em cada um… Assim deveria ser o ato de educar, repetir-se enquanto artista sem ser uma repetição da mesma obra… Múltiplos olhares sobre a mesma paisagem humana…

Disse César Coll: “Tão importante quanto o que se ensina e se aprende é como se ensina e como se aprende“. Metodologia e didática adequadas áquele tempo e espaço propostos dão significado à prática escolar, que precisa promover significação para o aluno… Afinal, como declarou Carl Rogers: “Os educadores precisam compreender que ajudar as pessoas a se tornarem pessoas é muito mais importante do que ajudá-las a tornarem-se matemáticas, poliglotas ou coisa que o valha.” Educar para o mundo e para a vida, antes mesmo que para o trabalho… O sentido da vida é justamente buscar um sentido, um significado para a existência, dentro de uma corrente, de uma rede social…

A Corrente do Bem (Pay It Forward. 2000).

Os Gigolôs (2006). Um Filme Moderno e Descartável.

Modernos E Descartáveis

Quem nunca viu um filme que certamente tenha se decepcionado, ou que se pudesse não teria assistido? Filmes que, com perdão da palavra, consideramos um lixo pelas péssimas atuações, direção, roteiro, edição de som ou imagem e outras coisas mais. Considere aqui ‘Moderno’ aquele que é atual, recém-lançado.

Os Gigolôs” é um filme do Reino Unido de 2006, dirigido por Richard Bracewell; um exemplo de péssimo! Ah, dizer que ‘ruim’ é  um elogio. O roteiro engana direitinho. Dinheiro mal investido. A sinopse até que chama a atenção: Em Londres, pessoas solitárias buscam encontros furtivos e, muitas vezes, profissionais, e marcam encontros em ambientes elegantes; Sacha (Sacha Tarter), é o gigolô preferido de senhoras ricas.

Mesmo não gostando de um filme faço questão de ver até o fim, pois sempre penso que pode melhorar ou, bem ou mal, trazer uma mensagem e se tirar proveito. O pior de tudo é que não nos desfazemos dele; é um contato para sempre, pessoal e intransferível com a memória.

Fica o registro.
Karenina Rostov.

A Guerra Está Declarada (La Guerre Est Déclarée. 2011)

Quando adolescente eu li o livro, mas numa edição condensada e gostei. Não sei se na época, lendo uma versão na íntegra, teria gostado tanto. Acho que só com mais idade iria saborear melhor a narração mais erudita. Ou mais elaborada de uma paixão com um destino trágico. Depois vi o filme de 1968 do Diretor Franco Zeffirelli com Olivia Hussey e Leonard Whiting, e amei. Mas não gostei muito da versão de 1996 com Leonardo DiCaprio e Claire Danes. Não sei se revendo agora, eu viria a gostar mais. Em entender a leitura do Diretor Baz Luhrmann trazendo para uma atualidade esse Clássico de William Shakespeare: Romeu e Julieta. Pois pensei nisso ao gostar da versão que a Diretora Valérie Donzelli deu para essa história.

Em “A Guerra Está Declarada” seria indo um pouco além na história do casal. Como se tivessem sido poupados pelos deuses. Ganhando mais um tempo na terra, quem sabe até longos anos, em viver esse amor. Mas tiveram um preço a ser pago. E que pagaram! Me adiantei. Voltando ao início do amor entre o Romeu e a Julieta dessa história.

Numa festa, o olhar de dois jovens se cruzam, e parecendo amor à primeira vista, eles se aproximam. O jovem então diz seu nome: Roméo (Jérémie Elkaïm). Ela se admira, e diz se chamar Juliette (Personagem da Diretora e Roteirista do Filme: Valérie Donzelli). Roméo brinca dizendo que há uma tragédia entre eles. Mas já era tarde demais: estavam apaixonados. E numa de “Que seja eterno enquanto dure!“, trocam o primeiro beijo selando aquele amor que se iniciava. Até aqui um doce início de romance, onde a saída dramática ficara mesmo com o namorado de Juliette.

Casaram-se! E com o nascimento do Adam veio a tragédia. Pulando de um médico para outro, vem o diagnóstico: Adam (Gabriel Elkaïm) tinha um tumor no cérebro. Então em vez de guerra entre famílias como na história de Shakespeare, eles declaram guerra contra o que o destino reservara ao pequeno Adam. Um bebê ainda. Mas que pelo início do filme, se vê que eles podem ter ganho essa batalha. Já que Adam aparece crescido. Ele está fazendo uma ressonância magnética, e enquanto aguarda, Juliette lembra de quando conheceu o pai dele. É por esses pensamentos que conhecemos toda essa história.

Preparem os lencinhos que há cenas onde ficou difícil segurar as lágrimas. Uma delas, é com Juliette dando a notícia a pequena família, e tendo como fundo musical “Inverno – de As Quatro Estações”, de Vivaldi.  É! O casal teria um longo inverno pela frente.

Aliás, a Trilha Sonora é um dos pontos fortes do filme. Escolha perfeita! Elevando as cenas de mais impacto. Tal como às vésperas da cirurgia, o casal levando o filho para conhecer o mar, e ao som de “Manhã de Carnaval”, de Luís Bonfá. Em outra cena, o casal canta e encanta o amor de um pelo outro. Também a cena onde o pequeno Adam é levado para a cirurgia emociona até pela performance dele. E outras mais onde a música se torna um grande coadjuvante.

Até aqui, tudo bem para esse filme: atores, trilha sonora, fotografia… Que eu até diria que a Valérie Donzelli está no caminho certo como Diretora. Mas algo se perdeu nessa história que deu tédio, como o casal perdeu o encanto. Se ainda fossem adolescentes, seria aceito tal comportamento. Explico, mas ai terá spoiler.

Como ela resolveu contar essa história colocando o casal como Romeu e Julieta, também se pode imaginar que haveria algum tipo de separação entre eles. Agora, como foi mostrado, não apenas entediou como levou a pensar que foram frívolos demais. E isso veio ao estender, e muito, a vida desse casal curtindo todas, sob as chancelas do governo, enquanto Adam estava internado passando por longos tratamentos. O desgaste veio pela vida sem compromisso que estavam levando, e com festas e mais festas. Onde o único termo assumido em conjunto fora estar com o filho ao anoitecer, mas até isso falharam por beberem demais.

Tal fato também acaba queimando-o-filme desse tipo de subsídio  – Casa de Apoio -, seja por parte do governo, seja por Ongs. Claro que é algo necessário para pais carentes de recursos ficarem próximos a filhos menores em tratamento hospitalar. Agora, eles poderiam ter feito algum tipo de trabalho. Até para ocuparem a mente. Com isso, o casal perdeu ponto para mim. Nem adiantou ajeitar esse período de “volta à época de solteiros” por uma das vozes em off que narravam a história. Por conta disso a comovente história desses dois quase foi toda para o ralo.

E falando desse recurso, em uma voz em off contar a história do filme deveria fazer parte do contexto. Nesse filme foram várias, mas sem uma identificação dela com os personagens. Então, elas soam como: “Vou explicar o que está subtendido.” O que é péssimo. Como a Julie Delpy fez em “2 Dias em Paris“, explicando tudo detalhadamente pela voz em off.

Então é isso! Mesmo com os pontos negativos, eu voltaria a rever. É um bom filme!
Nota 08.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Guerra Está Declarada (La Guerre Est Déclarée. 2011). França.

Rindo à Toa (LOL – Laughing Out Loud ®. 2008)

Bem-vindos ao Século XXI, Queridos!

Pois é! Uma das falas do filme. Pontuando o tempo. Onde Pais e seus Filhos Adolescentes vivem em um mundo com internet e celulares. E isso a princípio seria o ponto que faria a diferença de quando eram esses pais, os adolescentes. Mas ao longo do filme vem é a frase símbolo da música de Belchior: “Nós ainda somos os mesmos, e vivemos como nossos pais.” Só que ela teria que vir sempre com uma “interrogação”. Como um alerta. Como uma parada para uma reflexão. Como lições.

O que mudou de uma geração para outra? Não pode só ser os avanços tecnológicos. Os anseios, os medos, os conflitos, os abusos, os desejos… Enfim, todas as emoções vivida quando se é bem jovem não podem ser esquecidas. Ou usando um termo atual, toda essa história passada não deveriam ser deletadas da mente. Se quando adultos, e com filhos querendo também construir a sua própria história, e num período onde a sexualidade está à flor da pele, muitos desses pais acabam por ser tornarem reacionários. Mas por que? O “É Proibido Proibir!” tomou outro rumo? Levando-os agora a terem uma marcação cerrada com seus filhos, e até com uso da tecnologia cerceando as pequenas fugas no meio da noite. A liberalização que tanto ansiaram deixou de existir quando se tornaram pais?

Então o que de fato mudou? Ou melhor, qual seria a tônica nesse filme?

Embora a trama põe no centro a jovem Lola, o que pontua mesmo é: Filhos ontem, pais atuais numa rota de colizão. Creio que muitos de nós, ainda na adolescência, ao ouvir um sonoro “Não!” dos pais, também ouviu como uma explicação, um: “Filho hoje, Pai serás!“. E em vez de se especular sobre esse passado real, fica a sugestão para assistir esse filme que no Brasil ganhou o título de: “Rindo à Toa“. Uma tradução literal de uma expressão do mundo da internet: LOL. Um acrônimo de: laughing out loud. Para mim seria como: “Adolescência – última parada para curtir a vida sem compromissos!”.

Até porque o filme traz os adolescentes voltando das férias escolares mais longas. Para alguns, foram as últimas dessa fase descompromissadas. Por aflorar talentos, e então investirem nisso que já pode ser um passo para uma carreira futura. Mas também para muitos ainda terá a vez e o tempo de zoar com tudo e todos. E nessa volta ao colégio, entre vivenciarem mais um tempo juntos, há o de querer saber o que aconteceu nesse período em que estiveram afastados.

Lola, também chamada de Lol, descobre que seu namorado transou com outra. Com raiva, resolve ter a primeira transa com o melhor amigo de ambos, mas… Paralelo a isso, outros conflitos entre pais e filhos. A própria Lola também está passando por um com a mãe. Pelas páginas de seu Diário é que vamos conhecendo toda a trama. Ou todo o drama dos personagens que por conta da diferença de idade, acaba tendo dois pesos. Pois é! O que pode ser um verdadeiro drama para um, pode não ser para outro.

Nessa em ter “dois pesos – duas medidas”, segue a mãe de Lol, Anne. Personagem da sempre linda Sophie Marceau. Ela que no passado sonhou por uma liberização feminina em relação a sexualidade, no presente se reprime por conta da sociedade local. Assim, transa furtivamente com o ex-marido. Os filhos fingem que não sabem. Como também não ligam pelo fato. Anne também se vê presa a outros preconceitos. Um deles quanto a um cara na moto. Age como se ele tivesse saído de “Sem Destino“. Depois, numa palestra na escola de Lol, percebe a grande mancada. Ele é Delegado da Narcótico. Envergonhada, tenda fugir, mas acabam se encontrando de novo. Mas certos pré-conceitos acabam sendo como manuais para alguns. Como para ele que por força do trabalho consegue traça o perfil de um jovem pelo esteriótipo. Mas diferente de Anne, a sua balança não é de discriminação, e sim em sacar se terá repercussão futura ou não esses pequenos deslizes de quando se é adolescente.

Esses paradoxos também é um dos pontos altos desse filme. Como quando Anne sem querer se depara com o Diário da filha. Não resistindo, lê. E fica assustada pelo o que está escrito ali. Ao mesmo tempo que sabe que foi uma invasão de privacidade e se sente culpada, também pensa num jeito de dar um castigo para a filha. Nem passando por sua cabeça de que ali estaria um talento de Lol aflorando: um dom para romancear seu dia-a-dia. Nem pensou que ali se misturavam ficção e realidade. E a cobrança termina por afastar a filha.

Para os jovens, uma excursão da escola à Inglaterra ganha a dimensão de ficarem juntos e sem a vigilância dos pais. Para esses, também. Só que se tivessem um diálogo maior com os filhos poderiam canalizar toda essa gana por essa breve liberdade numa sutil conversa de que irão conhecer uma outra cultura, de um costume diferente, que terão acesso a uma outra língua, por ai. Sem ser careta, despertar no filho a curiosidade em aumentarem a própria cultura de forma prazeirosa nesse intercâmbio. Até para não estranharem tanto as pessoas como fizeram por lá.

A cada vivência nessa fase, a vida parece não acompanhar a pressa dos adolescentes. Mas de certa forma, para alguns o amadurecimento vem sim rapidamente. Assim, em vez dos pais criarem só barreiras, deveriam deixar umas portas abertas. Inclusive a do coração. Porque num aperto maior, serão a esse pai/mãe que irá pedir por ajuda. E diálogo sempre traz bons resultados.

Por último, embora esses conflitos entre pais e filhos adolescentes seja algo universal, a história do filme tem-na na França. Mesmo não sabendo muito dos costumes desse país transparece em “Lol” que a história nasceu ali. Que é dali. Essa identidade salta aos olhos. Tanto que me levou a pensar se a Diretora, e também Roteirista, conseguiu transferir toda essa história e identificá-la com a cultura estadunidense quando aceitou também dirigir a versão hollywoodiana.

Então é isso! Paisagens lindas. Uma ótima Trilha Sonora! Todos estão em uníssono! Um filme gostoso até de rever!
Nota 09.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Rindo à Toa (LOL – Laughing Out Loud ®. 2008). França. Direção e Roteiro: Lisa Azuelos. Elenco: Sophie Marceau (Anne), Christa Theret (Lola), Jérémy Kapone (Maël), Marion Chabassol (Charlotte), Lou Lesage (Stéphane), Émile Bertherat (Paul-Henri), Félix Moati (Arthur), Louis Sommer (Mehdi), Adéle Choubard (Provence), Jade-Rose Parker (Isabelle de Peyrefitte), Warren Guetta (David Lévy), Alexandre Astier (Alain), Jocelyn Quivrin (Lucas), Françoise Fabian (Mãe de Anne), Christiane Millet (Mãe de Charlotte), Liza Azuelos (Psiquiatra). Gênero: Comédia. Duração: 103 minutos.

Livro: Crônicas Vampirescas: A Rainha dos Condenados – Anne Rice

Após dois inacreditáveis sucessos literários com “Entrevista Com o Vampiro” e “Vampiro Lestat”, Anne Rice encerra em A Rainha dos Condenados talvez seu trabalho mais bem sucedido, a trilogia principal de As Crônicas Vampirescas (título sugestivamente jovem, ao contrário dos temas abordados, então não se deixe levar por ele). É inquestionável a colaboração dessa autora para a escrita contemporânea no uso de metáforas a fim de conquistar o público pela inteligência e, simultaneamente, incorporar sua visão crítica “afiada” sobre a sociedade. Ela não só reformulou as características dos vampiros, como também criou um épico cuja complexidade até hoje influencia novos personagens da mesma safra.

Observação: Sempre que indico um dos livros das Crônicas Vampirescas para alguém, alerto para que possua bastante cautela durante a leitura porque a autora é muito feliz na exploração de seus argumentos. Logo, se você for uma pessoa muito influenciável, preconceituosa ou receosa, aconselho que não leia. Temas como ateísmo, psicopatia, depressão, guerra e sexualidade sempre estão presentes.

Em A Rainha dos Condenados, Rice atinge o ápice de sua trilogia.  Se nas suas obras anteriores havia explorado demasiadamente o ateísmo como fonte de perguntas, as quais perseguem o ser humano pelo menos uma vez na vida, nesse procura pôr em julgamento a existência do homem na Terra. Akasha é uma das personagens mais intrigantes de toda a saga. Por ser a primeira da raça, é a criatura mais poderosa de todos os vampiros e, caso seja destruída, todos os outros também irão, então nenhum sanguessuga, pelo menos em sã consciência, tenta isso (excetuando-se alguns suicidas citados na trama, esses pereceram junto com milhões do planeta no momento em que Akasha foi ferida). Porém, o mais interessante de sua história é que a personagem permaneceu imóvel durante séculos apenas observando os seres humanos através da mente dos sofredores

Ilustração de Akasha, feita por um fã, mas igual à descrição do livro.

Ilustração de Akasha, feita por um fã, mas igual à descrição do livro.

Akasha pode ser a representação da justiça temível por todos. Nas crônicas de Rice, quanto mais antigo for o vampiro, mais ele consegue ler a mente dos seres humanos a largas distâncias. Por ser a mais antiga, ela podia escutar as vozes de todos os seres humanos em sua mente. Portanto, passou séculos escutando pedidos de socorro de pessoas passando fome, sendo agredidas, estupradas e assassinadas. Isso justifica seus pensamentos inflexíveis. Ela desperta com o intuito de acabar com as guerras e promover a paz, mas com derramamento de sangue. Por ter presenciado mentalmente tantos sofrimentos de mulheres, sua decisão inicial é quase extinguir os homens do planeta, deixando apenas um a cada cem mulheres (passando o controle da população para elas). Isso, obviamente, é confrontado por Lestat e os vampiros mais velhos que terão, após anos de matanças por prazer e sobrevivência, que defender os seres humanos. Mas nem os vampiros escaparam de seu juízo, Akasha percorreu o mundo matando todos, exceto aqueles por quem seu amante (Lestat) tinha consideração e os anciãos, os quais não poderiam ser destruídos por ela.

Apesar de ter uma solução estúpida para acabar com o sofrimento humano, é através de Akasha que Rice faz uma crítica ao feminismo, será mesmo que um mundo constituído apenas por mulheres terminaria com as guerras ou elas (as mulheres) também precisam dos homens para coexistirem? A rainha se contradiz em suas teorias ao necessitar urgentemente da companhia de Lestat como companheiro. Todavia, apesar da resposta parecer óbvia em nossas mentes ao lermos a proposta, Anne Rice constrói uma personagem que sabe lidar bem com as palavras e, quando estamos lendo, ficamos aturdidos ao tentar imaginar mais argumentos além daqueles utilizados por Lestat para convencer a Rainha (Akasha sempre consegue calar seus ouvintes com boa argumentação). E é aí que notamos o grande talento da autora em discursos, afinal o livro também pode ser uma aula sobre as formas de se portar num debate. Mas, partindo para o lado mais metafórico, Akasha representa a perda de controle por parte daqueles que possuem poder para governar, mas não o sabem aplicar com sabedoria, apenas com conhecimentos defasados.

Em sua vida humana de rainha do Egito, ficou assustada ao saber que os deuses não existem e, por isso, tem a necessidade urgente de tornar-se uma forma de expressão daquilo em que mais confiava para então viver em paz com sua consciência. Dessa forma também estará enquadrando seu círculo social à sua época. Dito isso, dá para imaginar a corrente de metáforas que essa personagem carrega. Os costumes de seu tempo já estão alterados e, assim como ocorre com outros vampiros, há algo em sua mente sufocando-a por notar que mundo não é mais o mesmo e o povo não reza para Ísis, identidade assumida por ela após tornar-se vampira.

Mas se você está pensando que o livro é apenas sobre isso, está muito enganado(a). Uma das façanhas mais admiráveis da autora é a de criar mitologias. Anne recria, através de descrições minuciosas, o Império Egípcio, dando mais realidade aos seus personagens. E a leitura é tão convincente que não é de admirar o surgimento de dúvidas a respeito da veracidade das informações contidas no livro. O contexto histórico narrado pela autora muitas vezes é fictício, mas é tão bem descrito que passamos a acreditar que aqueles costumes realmente fizeram parte de uma cultura em determinado momento. O segredo para isso é que Anne mescla elementos reais com fictícios de maneira surpreendente, afinal ela é fiel aos princípios da trama e aos leitores, não deixando escapar muitas evidências de algo inventado por mera distração, a impressão deixada demonstra uma base crítica contínua, excluindo a percepção ágil de um acontecimento ridiculamente impossível.

Apesar de, na época em que escreveu o livro, Rice ser atéia, ela evita ofender qualquer religião. Uma demonstração disso é que tudo na história é retratado como misterioso. Alguns personagens passam por situações em contato com o além, porém jamais é revelado o que ocorre após a morte. E é essa dúvida sobre o outro lado que impede os vampiros do suicídio, pois eles temem o castigo ou sofrimento eterno.  Visto isso, Rice decide utilizar alguns conhecimentos históricos para criar uma origem coerente, mesmo que fictícia, para os vampiros.  Fazendo um misto de todas as crenças apresentadas em sua mitologia, ela apresenta a mais assustadora criação dos vampiros. Não desejo estragar a surpresa para aqueles que pretendem ler, porém acrescento para não aguardarem algo leve, pois mesmo a trama sendo carregada de críticas sociais, há vários momentos de puro terror.

Sobre o romance amoroso de Armand, acredito que seja desnecessário comentar algo a respeito da sexualidade dos vampiros, visto que quem leu as obras anteriores não se surpreenderá com o rumo tomado por alguns personagens nesse desfecho. Isso pode ser melhor trabalhado numa possível análise sobre o primeiro livro. O único problema de continuidade que notei nesse livro foi a permanência da humanidade de Louis. Sei que ele continuou bastante humano no término do filme Entrevista Com O Vampiro, porém isso não ocorre na primeira obra, Louis torna-se frio no fim do livro, mas em A Rainha dos Condenados permanece sensível ao sofrimento alheio, sinceramente essa característica pode ser responsável pela superficialidade da personagem nessa terceira crônica.

Admito que fui ler A Rainha dos Condenados receoso de uma possível perda de qualidade na trama por conta das duas obras anteriores terem sido tão bem sucedidas e explorarem o universo vampiresco de forma bem ampla. Anne Rice nos surpreende a cada momento e a história nunca desacelera, como em Entrevista Com o Vampiro. Rice nos traz vários questionamentos sobre a crueldade do ser humano na terra e confirma o fato de seus vampiros serem tão cruéis quanto a humanidade consegue ser. Rice criou as obras definitivas sobre vampiros e, caso você não acredite, vá ler sem arrependimentos e apagando a  péssima adaptação cinematográfica da memória. Digo isso porque nenhum outro autor conseguiu explorar tão bem o psicológico dos vampiros de forma reflexiva abrangente sem esquecer os elementos fundamentais das criaturas, apesar de John Ajvide Lindqvist, de Deixe Ela Entrar, chegar bem perto.

Leitores e cinéfilos, passem longe desse filme.

Dossiê: trechos do livro (lançado pela editora Rocco). Tradução de Eliana Sabino.

Diálogo de Armand: “Nesta época de agora existe uma horrível solidão. Não, escute. Naquela época morávamos seis ou sete em cada quarto, quando eu ainda era um dos vivos. As ruas das cidades eram mares humanos; e agora, nestes prédios altos, almas ignorantes vivem em luxuosa privacidade, contemplando através de uma televisão o mundo distante onde se beija e se toca.”

Diálogo da Rainha dos Condenados (Akasha): “Este pode ser considerado um dos séculos mais sangrentos da história da raça humana. De que revoluções você está falando, se milhões de pessoas foram exterminadas por uma pequena nação européia por causa do capricho  de um louco, e cidades inteiras foram destruídas por bombas? E os filhos dos países desérticos do Oriente combatem outros filhos em nome de um Deus antigo e déspota!  As mulheres do mundo inteiro jogam os frutos de seus ventres no esgoto. Os gritos dos famintos são ensurdecedores, porém não são ouvidos pelos ricos que se divertem em suas cidadelas tecnológicas; as doenças grassam entre os famintos de continentes inteiros, enquanto os doentes em hospitais milionários gastam a fortuna do mundo em refinamentos cosméticos e na promessa de vida eterna através de pílulas.  – Riu baixinho.  – Alguma vez os gritos dos moribundos soaram assim tão fortes aos ouvidos daqueles que podem ouvi-los? Alguma vez derramou-se mais sangue?”

Raul Seixas: O início, o fim e o meio (Raul Seixas, 2012)

É o melhor documentário já feito sobre a vida de uma pessoa pública. Saí do cinema sabendo sobre a vida do artista, entendendo o que eu pensava que já sabia antes e, azar o meu, se o filme não me fez compreender o que antes já era incompreendido: O que afinal caracteriza os geniais? A loucura? O inusitado? O Brasil abriga um incontável amontoado de talentos, alguns geniais, no entanto inverter a trajetória do nosso cometa, não depende de nós… Como brinde, o filme oferece muitas imagens bacanas, personagens e personalidades que fizeram parte da vida do compositor. O documentário passeia pela ditadura, tropicalismo, festivais. Raul Seixas não viveu, aconteceu! Colocou imagens e coração numa trilha sonora que já veio com ele, uma cena rock’n rol de 44 anos de duração. Raul em essência era sua própria sua música concreta nas melodias que embalam nossa realidade.
Era uma vez um homem, suas muitas mulheres e muitos vícios que se lhe deram prazer, afastaram-no da felicidade, essa felicidade careta que muitas vezes fazem nossos sonhos existirem por mais tempo. O vício em “todo tipo de droga, menos maconha  -  que de maconha ele não gostava” – com ênfase no álcool era a trilha para o final da linha para os romances de Raul, menos um: o seu  primeiro casamento com Edith, a namorada de adolescência . Esta, ao ser “abandonada” enquanto Raul ia ali até Brasília ficar com Glória, a irmã do seu guitarrista, foi embora, voltou para o seu país, levando a filha do casal e nunca mais esta família voltaria a se reunir. Raul passou a vida remoendo tristeza e arrependimento por este ato, por esta perda.

Ninguém conseguia acompanhá-lo nas suas intensidades ‘tóxicossociais’, nem mesmo o guru satânico que depois viraria mago, não sem antes lhe apresentar às maldições nas suas mais variadas formas. Fiquei a pensar na generosidade desse baiano magrelo que ensinou “o mago” a fazer letras de música e em troca, com ele aprendeu a se decompor biodegradavelmente em frascos e ácidos.

Raul era doce, duas de suas antigas esposas afirmam que ele tinha um cheiro doce. Uma fala de forma romântica a outra, objetivamente atribui o cheiro e o sabor à diabetes do músico. É fato que aquele homem nem tão belo assim, muito magro, cabeludo e bastante doido era tão verdadeiro no seu sentimento, que conseguia manter consensualmente romances simultâneos com suas “atuais” e “ex”. Nesses depoimentos  a platéia se acabava de rir… da situação dos triângulos amorosos consentidos pelas partes envolvidas. Como a caretice é prejudicial à felicidade que aparentemente preserva…

O documentário é muito comovente, rodado entre Bahia, Rio, São Paulo, Estados Unidos, Genebra. A equipe fez o trajeto da diáspora  Raulseixista. Mostra o fã dono do mítico baú e suas preciosas relíquias, que  se tornou amigo do astro, carregando-o embriagado quando era preciso sem perder a admiração. Descobrimos que o “Trem das Sete” teve uma dona e  hoje  é de todo aquele que acredita que amor, atestado de garantia e certificado de posse são as mesmas coisas…

Raul tem um neto que é sua xerox, mas o moleque mora no exterior e não falou sobre o avô, que pena. A filha mais velha tem mágoa do pai, não gravou depoimento, mas escreveu uma carta; a segunda filha é uma gracinha, mas é a filha “brasileira do Brasil” – as outras moram na América do Norte – que dá show de orgulho de ser filha do maluco beleza. Viu como o documentário é bom? É como uma reunião de amigos, parentes e agregados em torno da figura do mito tão trágico quanto divertido.

Saí do cinema aliviada com as palavras do Marcelo Nova: “Ele fez 50 shows! Morreu fazendo o que gostava, cantando! Não morreu esquecido, nem anônimo num quarto escuro”. Marcelo Nova: Parabéns! Obrigada! Mas e agora o que eu faço com a sensação de que não devo ser tão genial quanto pareço, porque não sei ir tão fundo naquilo que dá celebridade aos imortais? Ser careta é meu atestado de mediocridade? Fiquei me sentindo uma roqueira de subúrbio. Daquelas que assistem ao show pela TV da barraquinha de hot dog atrás do Madureira Shopping, que antes de sair de casa lava e passa a camiseta preta com frases em inglês… Se você entendeu que a celebridade dos imortais está nas drogas, esclareço:  O que dá celebridade aos geniais, é a coragem. Coragem de se arriscar e até de perder. Perder afeto, mulheres, a convivência com os filhos, ver os amigos virarem-lhe a cara e negar-lhe oportunidades. Por mais que digam que a vida é escolha, acredito que para escolher há que se ter opções e, onde estão elas quando não vemos o que escolhemos? O esforço pra ser “um sujeito normal e fazer tudo igual“ não é escolha. Aprender a ser louco é dom! Somos apenas criaturas seguindo o caminho que os olhos enxergam. Cumprimos nosso destino.

Com Claudio Roberto – Paulo Coelho – Marcelo Nova

Era destino de Raul seguir sua carência, se entristecer a vida inteira por um ato que não resultou no que ele possa ter imaginado. Sua incapacidade de viver só, sua pancreatite regada pelo álcool que ele nunca conseguiu deixar, ainda que tivesse conseguido parar com as drogas ilícitas. Sua falta de vontade de viver e a falta de crédito para que voltasse a gravar definharam sua saúde, mas nada disso se compara ao vigor da sua obra eternizada, passando de geração em geração ainda que muitas das suas mensagens não sejam imediatamente captadas, são seladas, carimbadas, se pra gente voar. O destino de Raul foi ganhar essa legião de tipos, diferentes dele e entre si. Em comum os olhos úmidos na saída do cinema, porque a gente viveu ao menos pelo tempo de uma música,  Raulzitamente.
Ah, a mim pareceu que e o Paulo Coelho matou a única mosca de Genebra…

Os Vingadores (The Avengers. 2012)

Os Vingadores é uma produção cinematográfica de ficção cientifica, dirigida por Joss Whedon. No filme encontramos todos os personagens do “mundo Marvel”. É preciso ressaltar que nenhum herói se sobressai, todos participam da grande batalha.

A produção nos remete a Liga da Justiça uma equipe de super-heróis criada pela editora americana DC Comics, inspirada na “Sociedade da Justiça”, outra equipe de super-heróis.

Quando analisamos o filme Os Vingadores, não podemos desconsiderar “que uma das características mais impressionantes nos quadrinhos de super-heróis é a interligação entre as histórias. Um fato ocorrido pode repercutir trazendo consequências inesperadas para personagens que sequer têm relação direta com a origem, criando um universo ao mesmo tempo grandioso e assustador, pela necessidade de conhecer cada uma de suas pontas de forma a compreendê-lo como um todo”.

“Nos cinemas a situação não é tão complexa assim, afinal de contas o número de filmes é bem menor que o de publicações mensais nas bancas. Ainda assim, a tarefa encampada pela Marvel é ousada: recriar este mesmo universo, com as inúmeras propositais espalhadas em diversos filmes de forma que, futuramente, façam sentido na história como um todo. Os Vingadores – The Avengers é o grande ápice deste planejamento”.

O filme Os Vingadores narra a possível destruição do planeta, quando “Loki (Tom Hiddleston) retorna a terra enviado pelos chitauri, uma raça alienígena que pretende dominar os humanos. Com a promessa de que será o soberano do planeta, ele rouba o cubo mágico dentro de instalações da S.H.I.E.L.D. e, com isso, adquire grandes poderes. Loki os usa para controlar o dr. Erik Selvig (Stellan Skarsgard) e Clint Barton/Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), que passam a trabalhar para ele. No intuito de contê-los, Nick Fury (Samuel L. Jackson) convoca um grupo de pessoas com grandes habilidades, mas que jamais haviam trabalhado juntas: Tony Stark/Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Steve Rogers/Capitão América (Chris Evans), Thor (Chris Hemsworth), Bruce Banner/Hulk (Mark Ruffalo) e Natasha Romanoff/Viúva Negra (Scarlett Johansson). Só que, apesar do grande perigo que a terra corre não é tão simples assim conter o ego e os interesses de cada um deles para que possam agir em grupo”.

A trama heróica traz muita ação, aventura, efeitos especiais, somado com um enredo que destaca uma liga de super-heróis que “todos os telespectadores” já conhecem e até se identificam. Pois o autor da mesma se preocupou em construir a imagem dos super-heróis com características humanas, desenvolvendo uma história que mescla realidade e ficção.

Whedon, o diretor do filme aproveita muito bem o tempo de duração do filme, mostrando com equilíbrio muitas cenas de ação, impacto, humor e reflexão. Creio que o filme será um grande sucesso.

Em suma, afirmo que o filme nos ensina uma grande lição de vida, pois podemos ter “tudo, ser o todo poderoso”, mas precisamos do outro para conquistar os nossos objetivos. O trabalho em equipe resulta em sucesso em qualquer área da vida existencial.

Heleno – O Príncipe Maldito (Heleno. 2011)

Gostei do filme em preto e branco do diretor José Henrique Fonseca que trata de ressaltar o caráter perfeccionista de uma pessoa controvertida, da linda e muto linda fotografia de Walter Carvalho que traz todo o glamour de uma época em que todos eram tão superficiais quanto a base da importância de se pertencer ao Hgh society.

O suspense do longa ignora as prováveis curiosidades do espectador em conhecer detalhes da história dessa figura de final já conhecido, nos trai nas imagens das idas e vindas, flash back que percorrem o presente, o delírio, o passado. A narrativa não é confusa, mas não esclarece substancialmente pequenas curiosidades. Há a mensagem subliminar para aqueles que desejem saber mais: “leiam o livro”. O compromisso da telona é com o mito - O que fez muito bem a direção de Fonseca que passa com sutileza a imagem do bom humor do craque, e até permite que os mais atentos percebam sua arrogância na obra cinematográfica como uma arma defesa de alguém que consciente da sua genialidade no gramado, ciente da admiração das mulheres pelo seu rosto bonito, porte imponente, educação e refinamento imaginava conviver com a inveja do restante do mundo, perpetuando aquela arrogância característica da juventude. Em certos momentos me pareceu que Heleno não passou dos 17 anos.

O filme colore a característica de um homem apaixonado por sua  atividade esportiva num tempo de transição entre o amadorismo e o profissionalismo ainda praticamente inexistente.

Um homem advogado, filho da riqueza do café que só queria jogar bola e, como sabia que jogava bem queria ser aplaudido, ovacionado. Sua paixão pelo ato de jogar bola e pelo time que defendia, sua ânsia passional de ver expresso por todos a sua capacidade muito acima da média.

Retratando Heleno, o homem, num contexto de uma sociedade  que ainda tateava no aprendizado de como tratar as  figuras públicas de um setor esportivo que não tinha ainda delineadas suas regras e estatutos.

Ao nos poupar dos detalhes mais dramáticos que a doença impingiu ao craque, a obra preserva a imagem de alguém que tendo o necessário para fazer tudo, fez muito, mas não realizou suas ambições, vítima da sua própria escolha, mesmo aquela que não se sabe exatamente o momento em que é feita.

A demência total talvez lhe tenha protegido das muitas frustrações. Não participou de nenhuma copa mundial, não deu título ao seu time do coração, não viu seu filho crescer e não viveu tanto tempo com a mulher que escolheu para casar. Mas no auge dos efeitos característicos da insanidade mental povocada pela sífilis, esquecido do que era, batia no peito orgulhoso de dizer quem era: “Eu sou Heleno”!

Sim, era e como era!

Também fora boleiro genial, impaciente e até agressivo com os “cabeça-de-bagre”. Corajoso de dizer sobre como se entra em campo defendendo o time e honrando a camisa. Não fosse tão “louco” seu modo de encarar o maneira de exercer a profissão seria argumento de palestras motivacionais.

Ele era Heleno e hoje seria dito “mascarado”, mas ainda na atualidade seria muito mais incompreendida a sua postura de recusar “bicho” pago pelo clube num jogo onde não houve vitória, recebido por colegas que ao seu ver não jogavam pela camisa. Arrepia essa cena que Rodrigo Santoro, incorporado pela entidade Heleno de Freitas bate no peito  e declara sua ética de amor ao clube, comprometimento com resultado e orgulho por seus passes. (ok, que ele era rico e os amigos jogavam para ganhar dinheiro, mas isso não diminui a emoção, por mais que a distribuição da sua parte no “bicho” e queima do dinheiro restante possam parecer arrogância).

Adentra no vício pela inocente porta das drogas permitidas, socialmente aceitas e naquele tempo até  com uso admirado por expressar o glamour da riqueza – o lança-perfume, cigarros e as bebidas alcoólicas. Perde a saúde pela falta de orientação e ignorância vigente numa época em que preservativos praticamente não existiam como prevenção de DSTs; segue orgulhoso, negando-se ao tratamento que acreditava lhe causaria impotência; ruma impávido colosso pelo caminho que lhe foi permitido como celebridade optar  pelo não tratamento de uma doença ainda, quem pode saber, em estado inicial.

O que eu não gostei no filme é que tudo é tão sutil, apenas o destino implacável e soberano, como aquelas antigas  fábulas de moral e bons costumes que os avós  contavam na  esperança que com elas os netinhos se tornassem bons meninos.

Não aparece no filme, a derrocada do atleta devido o erro do diagnóstico que apontava esquizofrenia, em vez da sífilis cerebral que lhe corroeu os nervos e destruindo os seus neurônios, mostra com clareza a isenção dos médicos do clube em não obrigá-lo a tratar-se. A trama nos conduz ao pensamento que ele foi apenas alguém que perdeu para si mesmo e a derrota assumiu forma retumbante porque ele não sabia perder. A tranquilidade da normalidade com que o seu melhor amigo lhe rouba a mulher parece dizer “bem feito pra esse menino mal”…

Como o jogador protagonista da 1ª maior negociação no futebol na época,  Heleno volta desprestigiado tanto por ter amargado a reserva como pela dispensa do Boca Juniors da Argentina, com neurônios a menos e ouvindo vozes dá ao Vasco o campeonato Carioca de 1949, único da sua careira sem aparecer no pôster oficial dos campeões pelo rotineiro motivo:  suas brigas. Sem noção da realidade, certo de que o tempo, a doença e o vício em álcool e éter não lhe atingiriam vai para a Colômbia e se torna lá, ídolo. Já muito atingido pela doença, cheirando éter para sobreviver,  sua esposa Hilma, no filme, Sílvia (Aline Moraes) pede o divórcio e  Heleno tenta com desespero recomeçar no América do Rio onde realiza o sonho de pisar no Maracanã, mas por apenas 35 minutos.

O que não está no filme:

· A Segunda Guerra Mundial impediu a realização de duas copas, 42 e 46, duas oportunidades a menos para um jogador cujo tempo corria mais rápido que para os outros. A cena em que Heleno, depois de ameaçar o técnico Flávio Costa com uma arma sem balas, toma uma surra, o tiraria da sua última oportunidade de deefender o Brasil no campeonato mundial de 1950.

· Em 1942, Heleno foi o artilheiro do campeonato Carioca com 28 gols, marca até hoje não atingida no Botafogo que teve como sucessores de Heleno, Dino, Paulo Valentim, Amarildo, Garrincha, Jarizinho, Roberto Miranda e Túlio Maravilha.

· Em 1952 Heleno estava louco e foi diagnosticado como esquizofrênico. Internado numa clínica do Rio de Janeiro amarrado em uma camisa-de-força, tomou choques, apanhou e fugiu. Foi encontrado com uma faca nas mãos gritando que mataria se o levassem de novo para a clínica.

· Sua esposa, Hilma (que no filme se torna Silvia) era filha de diplomata, colega do poeta Vinícius de Moraes. Este, dedicou ao noivo “Poema dos Olhos da Amada” – obra que seria seresta na voz do cantor Sílvio Caldas.

· Foi no Fluminense, em 1938, através de Carlomagno, que Heleno de Feitas apresentado como jogador de meio-campo, passou a atacante.

· “Jogo do Senta” em 10 de setembro de 44, Heleno era o capitão e principal jogador do Botafogo, que vencia o Flamengo por 5 x 2 e o jogadores rubronegros sentaram-se no gramado. A torcida alvinegra gritava “senta para não levar mais”.

· Mania de grandeza, discurso sem nexo e confusão entre fantasia e realidade são as principais manifestações psiquiátricas da doença também conhecida neurossifilis ou sífilis terciária, a PGP é uma manifestação tardia da doença que paralisou cada órgão do ex-atleta.

· Aos trinta 38 anos, Heleno pesava pouco mais de 40 quilos, tinha o quadro mental de uma criança de 5, falecendo vítma da PGP – Paralisia Geral Progressiva.

Estatísticas:

Data de nascimento: 12/02/1920 / São João Neponucemo (MG)
Data falecimento: 08/11/1959 / Barbacena (MG)
Posição: Atacante

Clubes
1939-1948: Botafogo-RJ
1948-1949: Boca Juniors – Argentina
1949-1950: Vasco da Gama-RJ
1950: Atletico Barranquilla – Colômbia
1951: America-RJ

Títulos
Copa Roca: 1945
Copa Rio Branco: 1947
Carioca: 1949.