Jogos Vorazes (The Hunger Games, 2012)

Em busca a sobrevivência, mas com passos em direção à morte um processo fundamental para dar coerência ao jogo.

Jogos Vorazes é um filme baseado no livro da escritora Suzanne Collins. A produção cinematográfica não difere do livro no quesito horror, nos fazendo sentir uma aflição enorme, junto a uma agonia avassaladora. Acelerando o “coração” dos telespectadores.

O filme narra uma história onde a América do Norte não existe mais, e em seu lugar surge uma nova nação, Panen. “Panem é formada por doze distritos e comandada pela Capital, que, para mostrar sua força, realiza jogos em que 24 participantes terão que lutar até a morte. No dia da colheita um menino e uma menina de cada distrito são sorteados a participar dos jogos”. A trama perpassa dentro destes jogos que buscam de forma voraz eliminar os fracos, até chegar ao mais forte de todos.

O filme vorazmente nos envolve em um processo de muita dor, tortura, medo, insanidade e morte.

No desenrolar da macabra trama encontramos um contexto muito bem elaborado, ocorrendo uma ligação perfeita entre os personagens, o ambiente e aflição de esperar a própria morte!

Afinal, o filme possui um poder de elucidar os telespectadores, seja pelo impacto do desfecho da história, seja pela pressão psicológica compartilhada com os personagens, em um jogo que dicotomicamente trabalha a vida versus a morte.

“Jogos Vorazes” (The Hunger Games, 2012)

Não li a trilogia “The Hunger Games” de Suzanne Collins, e nunca me interessei com a estória que envolve uma batalha até a morte entre crianças. Porém, fiquei curioso de ver o filme por causa de seu tema frio, escuro e triste e como seria transposto esse sentimento dentro um filme para adolescentes.

Para quem não conhece a estória de “The Hunger Games,” eu entendi que tudo se passa nas ruínas da América do Norte chamada de “Capitol.” Uma sociedade futuristica, onde os ricos e privilegiados, se vestem como se estivessem revivendo os anos 80, e olham com desdém para os 12 distritos numerados abaixo deles. Estes distritos representam níveis variados de pobreza e de habilidades, incluindo mineiros, agricultores, metalúrgicos e outros. Numa tradição anual chamada de “The Hunger Games”, em que um adolescente e uma menina de cada distrito são selecionados como “tributos” para lutar em uma batalha até a morte como um lembrete do poder do “Capitol.”

Nos jogos mais recentes, Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence, graciosa, e repetindo a mesma determinação de sua Ree em “Inverno da Alma”, 2010), uma residente do mais pobre de todos os distritos, Distrito 12, onde ela caça esquilos apenas para ter algo para trocar no mercado para manter o bem estar de sua mãe e irmã. Seu melhor amigo é Gale (Liam Hemsworth, cujo papel é extremamente limitado). Katniss se voluntaria para lutar após o nome de sua irmã foi selecionado para participar do “The Hunger Games.” O filho do padreiro, Peeta Melark (Josh Hutcherson, o filho das lésbicas em “Minhas Mães e Meu Pai”, 2010) é o representante masculino. De acordo com as regras, apenas um ou nenhum desses dois combatentes vai retornar ao Distrito 12 vivo.

O filme tem cara de video game, e também muito me fez lembrar de “The Truman Show” (1998)– os jogos são televisionados para todos os 12 Distritos, onde as pessoas assistem como seus filhos são assassinados para a satisfação do governo opressor. Duas vezes no filme um gesto de mão é feita em três dedos, que é mantido como uma forma de solidariedade– a platéia pareceu ser SUPER fã do livro, pois levantaram as mãos, repetindo o mesmo jesto!.

Fiquei realmente dividido se gostei tanto do filme ou não. No início, onde somos apresentados a esse mundo moderno — e ao mesmo tempo cafona–, emoldurado na fotografia pálida assinada pelo fotografo de Clint Eastwood, Tom Stern, me entediadou em alguns momentos!. Stern pinta o filme com tons cinzas, e depois faz um contraste bem brilhantes de cores (na “The Capitol”) e os verdes da arena do “jogos da fome.” Tudo alinhado nos inumeros cortes das cenas editadas por Juliette Welfling (The Diving Bell and the Butterfly, 2007), e Stephen Mirrione (Traffic, 2000).

Honestamente, achei que o filme tem muitas cenas bobas, e que me deixaram com aquela vontade sair da sala de cinema, porém a estória do filme em si me envolveu e eleveu os meus animos por explorar temas como “reality shows”, controle da mídia e dessensibilização da sociedade para a violência.Infelizmente, o roteiro se arrasta demais em coisas irrelevantes, e não desenvolve plenamente esses temas. Por exemplo, Katniss é aconselhada por seu mentor Haymitch (o sempre talentoso Woody Harrelson) para se “engraçar” para os espetadores, na esperança que os patrocinadores lhe enviará auxílio – alimentação, água, remédios – enquanto ela está presa dentro da arena.

Infelizmente, o filme nunca explora esse engraçamento da personagem com o expectador, apenas se limita em mostrar um romance entre ela e Peeta. E, com exceção de Katniss e Peeta, nenhuma das crianças (personagens) na “arena” são adequadamente desenvolvidas. Não tive idéia quem são ou o que eles são capazes de fazer, e não existe nenhuma conexão emocional com Katniss. Entre as crianças, há um rosto conhecido, o de Isabelle Fuhrman (“Orphan”, 2009, que é talentosa e não merecia ganhar um papel quase sem falas!).

Quando o abate começa, senti o impacto. E, achei excelente a direção de Gary Ross, que não mantem a câmera com firmeza – filma numa forma irregular girando ao redor, de um modo a distorcer o que realmente está acontecendo. E, pelo que vi, ele foi capaz de levar as coisas muito longe em termos de violência. Me perguentei se o material teria ganho algumas restrições em termos de avaliação se Ross e os outros roteiristas Suzanne Collins (a autora do livro!) e Billy Ray tivessem desenvolvido e nos dessem a oportunidade de nos envolvermos um pouco com crianças que estavam sendo mortas.

O elenco de apoio é bom, Elizabeth Banks mesmo nauseante como a emissária, não compromete; Lenny Kravitz — que deveria fazer mais filmes–, tem alguns momentos de ternura, como o estilista encarregado de fazer Katniss apresentável. O melhor de todos é Stanley Tucci, fazendo uma combinação perfeita de extrovertido e assustador como o apresentador de talk-show.

Não existe efeitos visuais de cair o queixo neste filme, e dá para justificar a razão, pois os efeitos não são tão importantes quanto a estória, e se alguma coisa em “The Hunger Games” prova é que ninguém precisa gastar 300 milhões dólares em efeitos especiais, desde que você tenha uma boa estória.

Honestamente, para quem leu livro comprende melhor as lacunas nos personagem por trás da estória—isso é preenchido, onde o filme está faltando. E, creio que assim faz o filme parecer melhor do que ele realmente é.

Certamente, “The Hunger Games” possue um enredo muito interessante, e também é um filme de ação bem melhor do que muitos que vi nos ultimos anos!. Não que ele seja uma obra-prima, mas vale ser visto…principalmente, quem está com uma grana extra!. E, o que achei perfeito “The Hunger Games” foi a linda trilha sonora escrita por James Newton Howard!.

Nota 7.0

Hugo (2011) + Scorsese + Uso Inteligente do 3D = Obra-Prima!

Mesmo já tão decantado em versos e prosa – e com todo mérito -, mesmo com um certo atraso, eu não poderia deixar de registrar a minha impressão desse filme. Até por conta das referências de eu ir assistir numa Sala em 3D. Então fui conferir, e…

Depois do sucesso de bilheteria de “Avatar“, de James Cameron, vulgarizaram tanto o 3D atrás de rendas grandiosas, que talvez seja esse o motivo que tal feito no filme de Martin Scorsese não tenha se repetido. Pelo menos em relação ao Oscar 2012 lhe fizeram justiça. Mas faltou o de Melhor Diretor. Pela grandiosidade do uso da tecnologia do 3D. Como também por nos manter atentos por duas horas de filme. É uma pena que o grande público não pode absorver a belíssima história contada por Martin Scorsese. E quem assistiu “A Invenção de Hugo Cabret” numa Sala em 3D, com certeza ficou com vontade de aplaudir ao final do filme.

Já ciente de que o filme seria longo, mas também de que era muito bom, arrisquei e levei, junto comigo para assistir, três “termômetros”: um adulto que gosta muito mais do Gênero Comédia, um adolescente o qual desconheço o gosto, e uma criança que iria ver seu primeiro 3D. Minha dúvida recaiu-se nesse, até pela duração do filme. De início ele ficou encantado com essa tecnologia; naquela de até querer tocar na imagem. Mas lá pela metade do filme resolveu explorar a Sala de Cinema. Como fez isso em silêncio, como também não tinham nem umas vinte pessoas, relaxei e voltei de todo minha atenção ao filme, mas ainda a tempo de ver três mulheres saindo da Sala. Cheguei a pensar se teria sido por algo que comeram antes da sessão. Mas enfim, voltei ao filme.

O talento para algo pode ser genético. Faltando a um adulto mais próximo mostrar a chave para que o jovem a descubra, por vezes ainda na infância. Mas a vida traçou uma linha torta para Hugo Cabret (Asa Butterfield). Lhe tirando seu bem mais precioso: seu pai. Uma pequena grande participação de Jude Law. Viviam felizes os dois entre responsabilidades, estudos de forma prazeirosa, e muita diversão. Fora o seu pai que despertou nele a paixão por Cinema. Mas um incêndio leva o seu pai. Então seu tio Claude (Ray Winstone) se torna o responsável levando-o para morar com ele. E Hugo leva algo que ele e o pai vinham consertando nas horas vagas: um autômato encontrado num museu. Assim, era como ter o pai junto a si. Aplausos para Asa Butterfield!

Sem o coração, não pode haver entendimento entre a mão e o cérebro”.

Claude morava numa Estação de Trem, em Paris. Era ele quem fazia a manutenção dos relógios. Ensinando o seu ofício ao menino. Beberrão, a vinda do menino lhe daria mais folga não apenas para beber, mas também para sair daquelas cercanias. Para Hugo, todo aquele mundo que via através dos grandes relógios ajudou a amenizar a dor pela perda do pai. E aprendendo a consertar relógio, lhe deu um caminho para a tal engenhoca. Mantendo os relógios pontuais, ambos se tornavam invisíveis aos olhos de todos.

O vai e vem diário dos passageiros, assim como dos trabalhadores e frequentadores das lojas na Estação de Trem, era para Hugo como a tela de um filme. Dos seus pontos de observação, ele já conhecia os hábitos de todos. Por caminhos internos, de desconhecimento geral, Hugo ia de um ponto a outro. Sempre a observar. Sonhando em voltar a sentir o calor e carinho de uma família. Até esse dia chegar, ia vivendo uma aventura solitária. Mas com o relapso tio, para não passar fome, se via obrigado a roubar pães, frutas, leite… Sendo que para isso teria que se fazer de fato invisível aos olhos do Inspetor da Estação. Personagem de Sacha Baron Cohen. Que está formidável!

Se você já se perguntou de onde vem os seus sonhos, olhe ao seu redor. É aqui que eles são feitos.”

Hugo também tentava se tornar invisível para o dono da loja de brinquedo. É que Hugo precisava de pecinhas dos brinquedos de corda, para a tal engenhoca. Mas um dia, o dono da loja, Georges Méliès (Ben Kingsley), lhe dá um flagrante. Dando início a uma nova aventura. Sendo que dessa vez Hugo não mais estará observando, ele fará parte desse roteiro de vida. Tudo porque George lhe toma o livro de anotações do seu pai. O que leva Hugo a conhecer e ficar amigo da sobrinha de George, a jovem Isabelle (Chloë Grace Moretz). Essa, sedenta por vivenciar uma aventura real, como dos livros que lia. Ela levará Hugo para conhecer o seu mundo dentro da Estação de Trens: a loja de livros do Monsieur Labisse. Outra grande participação nesse filme, pois quem interpreta é Christopher Lee. Aplausos também para Ben Kingsley e Chloë Grace Moretz!

Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.” (Chaplin)

A história de “A Invenção de Hugo Cabret” é fascinante: em colocar paixão naquilo que fizer. Mesmo o filme estando bem redondinho, fiquei com vontade de ler o livro homônimo de Brian Selznick, no qual o filme foi inspirado. O Roteiro de John Logan conseguiu contar e bem toda a aventura e desventura de Hugo. E Martin Scorsese conseguiu sim fazer um excelente uso do 3D. O que até me leva a ser repetitiva, mas é por uma torcida de que os demais Diretores só usem esse recurso de modo inteligente. Como também que as crianças que assistirem esse filme, além de ser tornar um cinéfilo, que também passem a gostar de lerem livros. O filme também tem isso de bom: incentivo à leitura. Great!

Um vídeo muito bom para quem não viu, ou viu e queira rever, de um Making Of dos Efeitos Visuais em “A Invenção de Hugo Cabret“:

Então é isso! Uma Obra-Prima que vale o ingresso para assistir em 3D. Um filme onde não se resiste em aplaudir no final.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Drive (2011). E Tinha uma Loura no Meio do Caminho…

É o Amor / Que mexe com minha cabeça / E me deixa assim / Que faz eu pensar em você / E esquecer de mim / Que faz eu esquecer / Que a vida é feita pra viver.”

Meio brega, mas mesmo com uma belíssima Triha Sonora era esse estribilho que vinha em minha mente durante o filme. Grudou de uma maneira tal que ao final do filme eu vi o porque. Já que o protagonista fez o que fez por amor. Seu coração era a única máquina que ainda não sabia guiar. E por conta disso, capotou feio. Pois é! Temos em “Drive” a história de um cara que apesar de tudo tinha um lado romântico escondido em si.

Mas não se trata de um Drama Romanceado, “Drive” é muito mais. É também um excelente Thriler. Porém desliguem o reloginho de querer adivinhar a trama do filme. Desliguem principalmente o botão do politicamente correto. Para ir de carona junto com esse herói bandido. Pois será uma viagem alucinante. E quem é ele?

Ele é Driver. Isso mesmo! Alguém sem passado. Sem um nome próprio. Que leva nessa identidade a marca do seu talento maior: é muito bom no volante. Mas ele não apenas guia, ele sempre buscou conhecer o carro por um todo. Para ai sim ter o domínio por completo. Foi por conta disso que um dia pediu um emprego na Oficina Mecânica de Shannon (Bryan Cranston), caindo nas graças desse. Shannon vendo o potencial de Driver, o leva para ser Dublê em cenas de perseguição de carros. Driver é o personagem de Ryan Gosling. Que está com uma excelente performance. Aplausos para ele!

Assim, esse pacato cidadão tem dois empregos a tomar o seu dia, mas também tem um outro que lhe ocupa durante a noite. O de Hollywood também lhe rende outros ensinamentos para esse seu ofício noturno. Se com a ajuda de Shannon tem uma máquina turbinada, é nas filmagens que aprende a se manter calmo diante do perigo. Com isso, é preciso nesse outro trabalho. Driver aluga o seu talento para ser o motorista de fuga em um assalto. Onde mantém toda a calma. Toda a tensão recai nos assaltantes. Se cercando de cuidados, até para eventuais acidentes de percurso, ele não admite vacilos de quem contratou, nem de quem pensa em contratar seus serviços.

Tudo seguia dentro dessa normalidade, até que se esbarra numa vizinha do prédio onde morava. Mesmo ficando muito pouco em casa, um dia teriam que se cruzar. Ou pelo corredor, já que moravam no mesmo andar. Ou no elevador… Enfim, Driver arriou os quatro pneus por aquela lourinha. Fora amor à primeira vista. Ele até tentou ignorá-la, mas seu lado cavalheiro não poderia deixar de ajudá-la numa hora que o carro dela enguiçara. Ainda mais com compras e um garotinho. No fundo, ele até gostou desse momento família. Mas ela era casada. Às vésperas do marido sair da cadeia.

Ela é Irene. Personagem de Carrey Mulligan. Não sei se pesou na escolha da atriz e em ficar com os cabelos louros o fato de ter dado muita química entre Ryan Gosling com duas louras em trabalhos anteriores: com Michelle Williams em “Blue Valentine” e com Kirsten Dunst em “Entre Segredos e Mentiras“. Se sim ou não, o fato que Carrey Mulligam também conseguiu que sua Irene desse química com o Driver de Ryan Gosling. Irene e Driver trafegam entre a amizade e uma relação perigosa. E Benício (Kaden Leos), o filho de Irene, também se encanta com Driver.

Sendo Driver muito bom no volante, cresce uma outra cobiça em Shanon. Em fazer dele um piloto de corridas. Mas faltava grana para o investimento inicial. Ele recorre então a Bernie Rose. Personagem de Albert Brooks. Um coadjuvante de peso! Com isso um novo tipo de holofotes recai sobre Driver. Acontece que Bernie vê nisso uma chance de se livrar de uma dívida. Sem contar para os dois, traz Nino (Ron Perlman) para participar dessa empreitada. O jogo complica. E para piorar a estrada de Driver, Standard (Oscar Isaac) já sai da prisão com uma grande dívida. Como um aviso de cobrança, é espancado, e à vista de Benício. Driver então, pelo amor à criança, além da Irene, resolve quitar a dívida desse.

Há algo dentro de você / É difícil de explicar / Estão falando de você, garoto / Mas você ainda é o mesmo.” (Nightcall)

Mas quando caiu em si, já era tarde demais. Ele não sabia que esses caminhos convergiam em um único ponto. Se entrou teria que arranjar um jeito de sair. Essa seria a rota de fuga mais difícil que já fizera. A mais perigosa. A mais traiçoeira. E pensar que Hollywood era logo ali. Mas a realidade ali não trazia roteiro pronto. Ele que teria que ser o autor, e em tempo real, se queria ter de novo o controle da sua vida.

O Diretor Nicolas Winding Refn começa muito bem sua carreira. Ganhando a Palma de Ouro 2012, em Cannes, para a Melhor Direção. Mesmo diante de um ótimo Roteiro, tem nas cenas sem falas a certeza de também ter escolhido bem os atores. Como escolhera bem a história. O filme é baseado no livro homônimo de James Sallis. Agora, o filme está tão completo, que nem me fez querer ler o livro. Sei lá, pode ser que o Driver do livro não seja como o de Ryan Gosling. Esse quase domina por completo o filme. Excelente do início à cena final. Além disso, destacando também a Fotografia. Onde conhecemos os arredores de uma Hollywood a quilometros da dos cartões postais. E embalados numa Trilha Sonora perfeita a nos guiar por essas ruas junto com Driver.

Então é isso! Não deixem de ver “Drive”!
Nota 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

“…E o Vento Levou” (Gone With the Wind. 1939)


Acredito que tinha apenas cinco anos quando assisti o meu primeiro filme, e foi um experiência horrível!. O filme era “Um Lobisomem Americano em Londres” (1981), o qual eu nunca revi!– não que fora um filme ruim, mas não fora um “gênero” que logo assim gostasse. Antes de superar esse trauma, assisti “…E o Vento Levou”– a minha irmã mais velha era fascinada pela Scarlet O’Hara. Literalmente, não entendi muita coisa sobre o filme, mas me encantei com a beleza do filme, e a linda música!.

Ano a ano, era um ato quase religioso rever o filme no final do ano. Depois de ser já lançado em VHS, eu via, e revia o filme, e assim me apaixonei por “…E o Vento Levou.” Quando cheguei nos EUA, Atlanta foi o meu destino, e recordo do “hall” no aeroporto, onde se tinha e tem uma homenagem a “Guerra Civil”, e detalhes sobre o filme de Victor Fleming. Foi mágico porque estava  na cidade, onde celebrava a visão dos derrotados sulistas!.

Sempre fui fascinado pelo o filme, e logo quis ler o livro — apenas 1037 páginas!!. Passei um ano para terminar o romance de Margaret Mitchell, porque não queria apenas lê-lo, mas devorá-lo lentamente. A narrativa de Mitchell é tão bela quanto ao filme !.

Ontem à noite, tive a chance de assistir “…E o Vento Levou” no cinema– numa verdadeira tela de cinema!. O cinema estava totalmente lotado!. Tudo bem, “…E o Vento Levou” detem muitos títulos: filme mais popular de todos os tempos; maior exemplo de cinema clássico de Hollywood e  melhor filme de todos os tempos. Vê-lo no cinema foi como se o tivesse visto pela primeira vez– a energia dentro do cinema era inacreditável: todos riam, e vibravam com os personagens.

Vivien Leigh faz Scarlett uma das mais vívidas personagens da historia do cinema– e talvez, nos presenteou com o melhor desempenho de uma atriz premiado com o Oscar. Leigh comando o filme com seus olhos nervosos, o rosto ‘quase’ de mármore esculpido, e aquela levantadinha da sobrancelha direita, que é um charme!. Creio que  não deveriamos gostar de Scarlett–ela é uma mulher má, mimada, que viola todas as regras estabelecidas por uma sociedade agradável. Além disso é egoísta, mercenária, ladra de homens, mas não se pode deixar de amá-la. Uma figura forte, firme, que sabe que o mundo não vai fazê-la nenhum favor, então foda-se o mundo, e uma boa parte do ‘povinho’ que vive nele. Scarlet é uma mulher moderna, mas erra ao ser mimada demais e passa a vida querendo algo que ela não pode ter, o amor de  Ashley Wilkes, um homem tão inexpressivo, que nunca consegui entender o porque desse desespero dela por ele.

Gable tinha 37 anos quando fez Rhett Butler– eu jurava que ele tivesse o dobro dessa idade. O seu Rhett é um homem sábio, e admirado, não apenas pelo “boboca” do Ashley, mas por outros sulistas. Mas, diante do amor, mesmo consciente, se mostra bobo para ter Scarlet.  A cena que ele se sente culpado depois de desejar que Scarlet sofra um acidente– o que acontece, e ela perde o bebe–, é possivel sentir a dor dele.  A cena partiu meu coração como se nunca tivesse visto antes!. Que ator maravilhoso!.

E, talvez a atuação  mais subestimada seja de Olivia De Havilland como uma santa em forma de gente!. Melanie é bonizinha demais, compreensiva demais, e não julga a nada e a ninguém. Uma verdadeira cristã que encontra o bem em quase todos. Rhett Butler refere-se a ela como a única pessoa genuinamente boa que ele já conheceu. Depois de ver o filme tantas vezes, aprendi a gostar da Melanie, principalmente pelo modo que ela ama e admira Scarlet — no mesmo nivel que ama o marido.

A primeira parte do filme tem como pano de fundo a guerra, a destruição de Atlanta– como Rhett diz a Scarlet, “dê uma boa olhada, minha querida. É um momento histórico. Você pode contar aos seus netos como você viu o Velho Sul desaparecer em uma noite”–,  e do plantio dos O’Hara, Tara. As imagens são  gloriosas e  emocionalmente brilhantes em termos visuais. E, mais importante ainda, essa primeira parte mostra o desenvolvimento de Scarlett, de mimada a uma mulher endurecida– ainda jovem!–, e determinada. Seu relacionamento com Rhett está lá, mas é mantido no “fundo”. Há tristeza–Atlanta em chamas–, humor, e cenas lindas de tirar o fôlego como a da sillueta avermelhada de Scarlett, dizendo  ” como Deus é minha testemunha…. Eu vou viver tudo isso e quando tudo acabar, eu nunca mais sentirei fome novamente…. Se eu tiver que mentir, roubar, enganar ou matar. Como Deus é minha testemunha, eu  jamais sentirei fome novamente.” E a todos no cinema aplaudiram – algo que me deixou arrepiado!!!

Na segunda metade, Scarlet vai mentir, roubar, enganar, e matar assim como prometido, mas o filme se concentra no drama,  ela continua ‘louca’ por Ashley, e Rhett vai se tornando cada vez menos sucedido. A narrativa pode até ser digna de uma telenovela, mas o material é tão bem apresentado e atuado, que não se torna menos relevante do que a primeira parte. E na tela grande “…E o Vento Levou” é tão surpreendente que não da para pensar que o filme tenha 73 anos de idade. O enredo, enquanto “progressista” e “moderno” para os anos 30, raramente é ingênuo. O diálogo é, muitas vezes brilhante, e algumas das trocas entre Rhett / Scarlett são particularmente inteligentes. Tal como acontece com todos os casais, seus olhares e linguagem corporal diz tanto ou mais do que suas palavras!. O filme não é sentimental porque ele é temperado num enredo longo com uma variedade de seqüências animadas e bem-humoradas. Os personagens são fascinantes, tanto por conta própria e na sua interação com outros. Destaque  para Hattie McDaniel, cuja brilhante Mammy parece um ser humano real.

Bem, a experiencia em ver “…E o Vento Levou” numa verdadeira tela de cinema, me fez ter a certeza que o filme é um espetáculo, um evento. Mesmo que os nossos hábitos tenham mudado ao longo dos anos, é fácil ver por que esse filme ainda provoca  tamanha onda de louvor, pois a sala de cinema estava lotadissima.  Um filme clássico que pode ser chamado de lenda.

Apenas levou 8 Oscars das 13 indicaçõess que recebeu, e como perdeu nas categorias como melhor ator para Gable, melhor trilha sonora para Max Steiner, melhor efeito especial, e melhor som?!

Albert Nobbs (2011)

A simples menção do nome de Glenn Close o que me vem de imediato é a sua personagem a Cruella De Vil, do “101 Dálmatas” (1996). Até porque esse personagem conseguiu eclipsar um outro também muito forte: a Alex de “Atração Fatal” (1987). A Cruella é impagável! É memorável! Nem dá para imaginar outra atriz fazendo a Cruella. Ambas as personagens, mulheres poderosas, esbanjaram também em sedução, sendo que cada uma a seu modo. Até por conta dessa feminilidade nada tímida, bateu curiosidade em vê-la se passando por um homem. E que pelas primeiras fotos divulgadas, a maquiagem estava perfeita. Faltava então conferir o desempenho. Conferido, e…

Logo nas primeiras cenas, me veio a sensação de já ter visto o filme, ou que já conhecia a história. Foi uma sensação forte. Mas quando eu percebi que meus olhos acompanhavam o personagem, e de um jeito hipnótico, eu então passei a acompanhar “Albert Nobbs” sem pensar em mais nada. E fiquei encantada com a performance de Glenn Close. Ela está soberba! Seu personagem não está apenas travestido de homem. Mesmo com toda a maquiagem. Mesmo com toda a inflexibilidade da postura de um modorno inglês, seu garçom estava nesse patamar. Havia uma tristeza no olhar de Albert Nobbs que doia na alma. Glenn Close conseguiu transmitir pelo olhar a ferida não cicatrizada do que a levou a ser um homem. Mais! Também passou toda a opressão em cima das mulheres daquela época. Bravo Glenn Close!

E o filme “Albert Nobbs” traz uma radiografia de mulheres que mesmo num mundo bem machista mais que sobreviverem queriam de fato viverem. São heroínas, anônimas ou não, que também foram desbravando um caminho dentro da sociedade local. Nós mulheres da atualidade devemos também render homenagens à elas. Que mesmo não pontuando como Personalidade da História Universal, elas fizeram história nas localidades onde viviam.

O fillme “Albert Nobbs” traz sim uma carga dramática muito forte, mas que também nos leva a sorrir pelo caminho que senão escolhido, mas que foram se adaptando as contigências que o destino trazia. Até porque Albert Nobbs não estava sozinho nessa. Também houve mais um “homem” que cruzou em seu caminho. Muito mais safo para as agruras da vida. É o personagem da atriz Janet McTeer, o Hubert. Numa inversão de idades, até porque já sem a armadura externa Nobbs se mostra a adolescente de outrora, Hubert mais que um amigo, se transforma num mentor. Adotando Nobbs por coração.

Há uma máxima que diz que não é mudando de lugar (=localização geográfica) que extirpará um problema. Ainda mais se é da sua própria natureza. No filme há duas pessoas usurpadoras. Que sonham com uma grande mudança, mas culpam o destino por não lhe darem mais chance. De um lado temos o jovem Joe (Aaron Johnson), que acha que indo para a América vai tirar de si o gene ruim do pai. Nem repara que o destino lhe dera uma grande chance de crescer como pessoa, como um homem do bem. Não apenas quando consertou a velha caldeira do Hotel, mas ao conhecer ai, a doce Helen (Mia Wasikowska). Mas os acontecimentos afloraram o que só via no pai. Do outro lado, uma senhorinha que aparenta ser um doce, mas por conta de um incidente, vê a chane de realizar seu sonho. Se bem que essa não dá para condená-la. O destino deu a ela chance de viver mais uns anos feliz da vida.

Albert Nobbs só queria ser feliz. Por anos a fio, pacientemente, buscou por se ver livre até desse novo ser que teve que incorporar. Vislumbrou um outro caminho daquele traçado por pensar que assim teria o controle do seu destino mais rapidamente. Mas fora o seu erro. O destino novamente não lhe sorriu.

Glenn Close quase rouba todo o filme devido a sua atuação. Só não faz pela força da história. Pela forma com que o Diretor Rodrigo García conduz todos os personagens. É um drama comovente, mas em cima mesmo da opressão às mulheres. Nos levando a não esquecer disso, nunca!

Então é isso! É um filme excelente! Diria até, imperdível!
Nota 9,5.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Albert Nobbs (2011). Reino Unido, Irlanda. Diretor: Rodrigo García. Roteiro: Glenn Close, John Banville. +Elenco. Gênero: Drama. Duração: 113 minutos. Basedo no livro “The Singular Life of Albert Nobbs”, de George Moore.

Greta Karenina Tolstoi & histórias mais…

O Velho e o Novo

O mundo atual anda estressante e um pouco assustador, o corre-corre, o avanço tecnológico e suas constantes transformações, tudo isso contribui para me dar um certo medo e frio na barriga. Nem tudo dá para se acompanhar. Eu confesso que parei no tempo.  A mudança rápida de modelos de aparelhos eletrônicos chega a me causar calafrios, e medo é apelido. Onde o mundo vai parar assim? O que mais falta para ser inventado? Não que isso seja ruim, aliás, em qualquer situação, nada de exageros, nem 8, nem 800. Eu simplesmente é que parei na máquina de escrever, parei no PC 486, tenho fitas K-7, tenho filmes em VHS, o toca-discos é movido a manivela, o celular é bloqueado e com um único chip, meu meio de transporte é bicicleta, e ainda gosto de namoro no mundo real, ao vivo e em cores. Nada contra a tecnologia, mas, sei lá, será que precisamos mesmo nos tornar robôs, escravos de objetos e coisas, e mudar de hora em hora de aparelho celular para aquele modelo moderninho, com internet, GPS, mp10, máquina fotográfica, diabo a quatro?

Certamente necessitamos de determinados objetos em nosso dia a dia, e se o que temos suprem nossas necessidades materiais básicas, não vejo motivo para o troca-troca desnecessário. Penso que é uma grande bobagem.

Já sabe que coleciono algumas velharias das quais não consigo abrir mão. Uma delas é o filme em VHS Anna Karenina com a atriz Greta Garbo que não posso, não quero, não devo me desvencilhar. E como descartaria assim Leon Tolstoi, a eterna e divina musa de Hollywood e Anna Karenina?

…no entanto ela sobressaía da multidão como uma rosa num ramo de urtigas, ela era o sorriso que tudo ilumina em redor… evitando olhá-la de frente, como ao Sol; mas, tal como ao Sol, não precisava de a olhar para a ver.”

A propósito, a atriz escocesa fez duas versões para a mesma história do romance russo: o primeiro filme Anna Karenina foi rodado em 1927 sob o título Love em interpretação muda e em preto e branco.

Uma curiosidade interessante sobre a primeira versão de Anna Karenina é que gravaram dois finais: o primeiro respeitando na íntegra a obra original de Tolstoi; o segundo com  final alternativo a fim de agradar a platéia americana que queria um happy end.

Anna Karenina de 1935 é a versão falada do filme mudo anterior, estrelado pela própria diva Greta Garbo e agora respeitando o final original, mas com uma curiosidade nos bastidores: o ator que fez o papel de Vronsky, o amante de Anna, Fredric  March, tinha fama de mulherengo e de dar em cima das atrizes com quem contracenava. Greta Garbo sabendo disso, como forma de afastá-lo, vivia mastigando alho para ficar com mau hálito e evitar as investidas do ‘galã’.  Dizem que essa nova versão do romance russo foi um presente de natal para Greta Garbo e valeu para ela o prêmio de melhor atriz segundo o Círculo de Críticos de Cinema de Nova Iorque.

As famílias felizes parecem-se todas; as famílias infelizes são-no cada uma à sua maneira.”

O filme Anna Karenina, conta a história de uma mulher na Rússia do Século XIX, casada com um influente político russo e com um filho, que joga tudo para o alto em nome de uma paixão impossível por um ardente conde russo. Greta Garbo e John Gilbert, estavam namorando na época, e a MGM quis tirar proveito do filme para fazer uma propaganda do romance deles, tanto que nos EUA mudaram o título do filme para Love, para poder fazer uma frase assim: “John Gilbert in Love with Greta Garbo”, e o filme teve dois finais, um original e outro alternativo.

No final original, que foi mostrado na Europa, mostra Anna Karenina, a personagem de Greta Garbo, sem mais nada a perder, pois não pode mais ver o filho por imposição do marido, é mal vista pela sociedade, foi abandonada por Alexei Vronsky, o personagem de John Gilbert e sua paixão, já que ele teria que servir o exército russo; com isso, Anna se suicida ficando parada na linha do trem, esperando o próprio passar. Esse é o final que tem no livro.

O final alternativo, foi criado para as platéias americanas, onde Anna, três anos depois do romance com Vronsky, visita seu filho com frequência, este que está estudando e praticamente se formando, e descobre também que Karenin, seu marido, morreu, e o filho dela está junto com Vronsky, à espera de Anna, que quando se encontram, os três vivem felizes para sempre. Final típico de contos de fada, que não existe no livro de Leon Tolstoi, e que foi criado simplesmente para promover o romance entre Greta Garbo e John Gilbert.

Atualmente, dizem que é possível acessar o filme com os dois finais, assim agradando ambas as partes, os que preferem o trágico final original do livro, e os que preferem o feliz final alternativo.

Acabara de ouvir as palavras que a sua razão temia, mas que o seu coração desejava.”

Em 2 de Janeiro de 1928, mais um filme com Greta Garbo e John Gilbert estreava, Anna Karenina, ou Love, como preferirem chamar o filme. O filme foi uma divisão de opiniões entre americanos e europeus, devido aos já citados finais diferentes. Seu romance com John Gilbert acabou, após ele tê-la pedido em casamento e ela não ter comparecido.

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Greta Garbo recebeu uma estrela na Calçada da Fama e ficou em 38º lugar na lista das 100 maiores estrelas do cinema, que foi realizado pela revista britânica Empire.
Ela ela merecia o 1º lugar, não?

E essa é a história do clássico da literatura russa, Anna Karenina, transformado no clássico da sétima arte e guardado num clássico objeto obsoleto que é o VHS. Como me desfazer de uma raridade dessas? Não tem como, né? E hoje Tolstoi, Greta Garbo e Eu vamos de LOVE. Por enquanto, é isso… inté!

Karenina Rostov

Histórias Cruzadas (The Help. 2011). E a ajuda veio!

Abrindo um parêntese antes de analisar o filme. É que esse eu assisti no Festival do Rio 2011 – exibido como Vidas Cruzadas, mas que ao entrar no circuito comercial já virá como “Histórias Cruzadas“. Entre tantos a escolher… lembrei que uma amiga de blog, a Joyce, Blog Arte Amiga já o tinha citado. Então vi e amei! Valeu pela dica! Gostei tanto do filme que não entendi que só entraria no circuito comercial já quase Fevereiro de 2012. Pois uma data bem apropriada seria em 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra. Mas vá lá saber em como escolhem a data de exibição de um Filme no Brasil. Ainda mais esse que teve uma boa aceitação, de público e críticos, nos Estados Unidos; e da minha parte também. O filme é excelente! Até por conta disso eu resolvi deixar para publicar o meu texto já com ele em exibição. Incentivando assim a outros mais que não deixem de assitir. Agora sim, entrando no filme.

Histórias Cruzadas” traz como pano de fundo: de um lado as donas de casas e do outro as empregadas domésticas. Mas não se trata de uma luta de classe, e sim por mais dignidade e respeito entre elas. De imediato, há entre elas toda uma barreira de racismo. Herança de uma cultura escravagista. Num período de apenas algumas décadas passadas. Ambientadas em terras sulistas, mais precisamente no Mississipi. Como grande diferencial o filme traz um retrato 3×4 desses universos femininos. Mulheres iguais na essência, mas diferentes por forças das circunstâncias. O que estaria por trás, ou melhor, o que estaria de dentro dessas casas. Algo Histórico, mas focando mesmo na vida dessas mulheres. Num período bem marcante para todas. Onde se o saldo foi ruim para a elite local, veio quase como uma redenção para a classe espezinhada.

As tais donas de casas parecem terem saídos daquela escola em “O Sorriso de Monalisa”. Graduadas com mérito em: racismo, preconceito, futilidade, falta de amor visceral pelos próprios filhos. Delegando também às domésticas a criação dos filhos. Se tem como o grande vilão a segregação racial, tem como a personificação disso aquela que se auto proclamou a líder do grupo: a Hilly (Bryce Dallas Howard). Sua vilania é do tamanho e medida para aquilo que recebeu.

Se em “Domésticas – O Filme” temos uma prévia do grau do tratamento que muitas serviçais recebem das suas patroas, imaginem o que passavam na década de 60, Sul dos Estados Unidos. Época em que os Direitos Civis aos cidadãos negros tentavam entrar nesse território ainda com um tipo de milícia muito, mas muito cruel: a Kur Kurx Klan. Se por trás dessas máscaras estavam os maridos dessas patroas, o mais indicado seria que essas serviçais se calassem. Afinal, quem iriam socorrê-las?

_Coragem algumas vezes pula uma geração. Obrigada por trazer de volta à nossa família.”

A ajuda veio. Entre aquelas jovens brancas, uma resolveu ser a porta-voz das serviçais negras. Essa, nem o “casar e ter filhos” estava em seus planos. Seu sonho era ser jornalista com vôos em se tornar uma grande escritora. Da dona de uma Editora de Livros (Personagem de Mary Steenburgen) recebe uma importante dica. Que ganhasse experiência, não apenas no escrever, mas também em observar o entorno. Com isso teria o que dizer e como dizer. Essa jovem é Skeeter, personagem de Emma Stone. Se em “Amor a Toda Prova” ela não fez a diferença, em “Histórias Cruzadas” ela mostrou que está no caminho certo. Eu gostei da atuação dela.

Skeeter ao voltar para casa após se formar em jornalismo tenta se enquadrar na vida social local com as antigas colegas do colegial. Mas de imediato já destoa das demais por procurar um emprego em vez de um futuro marido. Conseguindo uma vaga no jornal local. Mas de algo que não tinha a menor aptidão. A vaga é para uma Coluna sobre Dúvidas e Sugestões em Trabalhos Domésticos. Parecia até piada, mas foi isso que a levou a se aproximar mais das serviçais. De uma em especial: Aibileen. E é por ela que conheceremos toda essa história. Eu comecei esse artigo com a Skeeter para então chegar na ligação entre as duas.

Aibileen é interpretada pela Viola Davis. Que está excelente! Por ela que temos também o porque do título original: “The Help“. Uma cena linda que foi menosprezada ao escolherem o título aqui no Brasil. Pois “Histórias Cruzadas” não faz jus as súplicas de Aibileen em suas conversas diárias com Deus. Escrevia tudo o que passava, o que percebia, o que ficava sabendo… Palavras muito mais fervorosas que qualquer oração. Skeeter na realidade foi quase uma ghost writer de Aibileen. Fora um salvo conduto num mundo onde ainda os brancos imperavam. Mas ela também teve uma história para contar no tal livro.

A cena de Aibileen escrevendo essas cartas para Deus, emociona. Até por algo sofrido, e muito especial. E pelo todo, me fizeram lembrar também da música do Gilberto Gil, “Se Eu Quiser Falar com Deus“. Aibileen mais que a Skeeter trazia em si o dom de escrever. O talento pode até vir de um aperfeiçoamento, de estudos, mas o dom é algo inato. Como também, só o fato de transcrever para o papel os sentimentos sofridos, já é um modo de exorcizá-los.

E é seguindo esse elo entre Fé e Realidade que ficamos conhecendo as histórias também das outras serviçais. Claro que todas essas histórias se cruzavam. Afinal todas elas, patroas e empregadas, moravam na mesma cidade, mesmo que em condados separados pela segregação racial.

O filme é longo, mas em nenhum momento perde o ritmo. Pois a atenção se mantém até por querer conhecer todas as demais histórias. As demais vidas. Saber da reação de todas quando o livro é publicado. Vibrar pela irreverência de Minny, personagem da Octavia Spencer. Minny é uma empregada que não deixará barato as injustiças que sofrera até então. Como também em soltar um palavrão na cena onde uma das amigas da mãe (Allison Janney) de Skeeter a obriga fazer, e até pelo motivo que a outra viu como afronta. Em se solidarizar com uma outra branca excluída pelas demais, a Celia, personagem de Jessica Chastain. A dupla Minny e Celia é uma comédia! Não tem como não se encantar com elas. Ri junto com a personagem da Sissy Spacek numa certa cena. E muito mais!

Uma das reflexões que o filme deixa é de que ainda há muitas dessas histórias nos dias atuais. Sob a égide de: cada um no seu lugar. Uma certa hierarquia dentro do campo profissional por certo há de se aceitar. Mas sem humilhações, nem constrangimentos com os subalternos. Na intimidade de uma casa, assim como numa empresa, precisa que haja um bom relacionamento entre todos para que tudo funcione bem. Do contrário, é uma ladeira abaixo até a falência familiar. Então a égide seria em valorizar quem realiza de fato as funções essenciais. É preciso respeito mútuo entre todos. E tirando o lado empregatício há de se pesar também o carinho que se recebe desses que em muitas das vezes terminam como sendo um membro “da família”.

Histórias Cruzadas” também deixa outras questões. Uma delas seriam com os homens. Em porque de terem sido ora passivos demais, noutras até violentos demais em meio a toda essa trama. Se eles são o que são por também serem produtos desse meio? Mas como citei, são reflexões após o filme. As máscaras deles não foram retiradas. O filme é delas!

Até pelas performances dos atores, destacando também a Direção e o Roteiro de Tate Taylor. Não li o livro de Kathryn Stockett, o qual o filme foi baseado, mesmo assim a história foi muito bem contada.

Então é isso! Entre emoções, risos e lágrimas, o filme entrou para a minha memória afetiva. De querer rever.

Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Tão Forte e Tão Perto (Extremenly Loud and Incredibly Close, 2011)

ImagemEm junho passado, uma amiga minha do Brasil, veio me visitar, e ela muito me falou do escritor Jonathan Safran Foer, em especial do livro, “Extremely Loud, Incredibly Close.” Logo dei uma pesquisa, e fiquei a saber que o director de “The Hours (2002) Stephen Daldry estava dirigindo a versão do livro para o cinema.

Ela me encorajou a ler o livro, e até cheguei a ler algumas paginas, mas não me envolvi pela leitura, e resolvi esperar para ver o filme. O enredo é sobre um menino que busca por uma fechadura por toda cidade de Nova York. Ao achar uma chave nos pertences do pai, ele acredita que seu pai – que morreu nos ataques de 11 de setembro de 2001 – propositadamente lhe deixou o objeto. O enredo muito me fez lembrar de “Hugo” de Martin Scorsese, pois temos em “Extremely Loud, Incredibly Close”,  um menino inteligente e bonitinho, um pai falecido e um mistério.

ImagemUm ano depois dos ataques de 11 de setembro, Oskar Schell (Thomas Horn) ainda sofre com morte de seu pai, Thomas (Tom Hanks). Oskar e sua mãe, Linda (Sandra Bullock), ainda vivem em Nova York, em frente ao prédio onde vive a avó do menino.

ImagemPara quem perdeu um ente querido, sabe como é dificil largar os pertences do morto – é uma das coisas mais difíceis de fazer.  E por tal, é facil sofrer e sentir a dor de Oskar, principalmente quando ele fica escutando a voz do pai. Nada de errado em ser um filme emocionalmente devastador – drama tem que ser emocionante  e achei que Daldry sabesse conduzir isso, mas..-

Entre um choro aqui e ali, Oskar decide resolver o mistério deixado por seu pai, envolvendo a chave, os nova-iorquinos com sobrenomes Black (todos os 472 que vivem na cidade!), a voz do pai deixada na secretária eletrônica e um  pandeiro. Assim começa as aventuras de Oskar.

Três coisas que achei problematicas no filme:

1- Mesmo que Hanks tenha um tempo limitado no filme, ele desempenha um personagem tão idealizado como “o melhor pai que já viveu no mundo”, que me pareceu falso, enquanto a mãe de Bullock parece tão negligente que, quando a explicação plausível para a sua longa ausência é justificado, eu me perguntei: que tipo de mãe deixaria o seu filho de 11 anos sozinho numa cidade grande como Nova York, e ser também acompanhado por um idoso estranho?. Quando o filme me deu a resposta para a tal atitude da mãe, desejei que tivesse um pandeiro para jogar na cara dela!.

2- Apesar de Oskar achar que a chave vai trazê-lo para mais perto de seu falecido pai, nunca que se pode acreditar por um momento que a essência da trama fosse para uma aventura no estilo “ o que vale é jornada, e não o destino” que terá o menino. A estrutura do filme não me prendeu – a busca de Oskar por respostas- suas idas de um endereço para outro.

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3- Nem quero criticar o ator Thomas Horn, pois esse é seu primeiro filme, e ele mostra ter potencial para ser um bom ator, mas o seu personagem, me fez lembrar da Mattie (Hailee Steinfeld) de “True Grit” (2010). Horn decorou muito bem os dialogos que tinha que decorar. O menino é o narrador do filme, e se sabe dos seus pensamentos e decisões privadas antes de ocorrer ação, por examplo: ele mente muito! Mas o roteirista  Eric Roth e Daldry exagera ao fazer uso de voice- over, pois todas as vezes que Oskar mente, vem aquela  justificativa como se os outros personagens acreditassem na mentira deleCompreendo que Oskar é um menino assustado, chocado pela morte do pai, mas o seu comportamento, e atitudes de  superioridade chega a irritar. Que prazer alguem poderia ter em ter a companhia de um menino tão arrogante?. Quando ele é acompanhado pelo velho (Max von Sydow), ficamos a saber que o misterioso senhor é incapaz de falar – isso significa que o garoto vai falar ainda mais. Fala tanto que me deu vontade de gritar : “Shut the F* up” !.  Desde “True Grit” – com aquela menina falante e irritante, vivida pela gracinha da Steinfeld-, que eu não tinha visto um personagem tão chato quanto Oskar.

Menos ruim, mas não perfeito :

ImagemMax Von Sydow até poderia ter roubado o show para si, se a sua personagem tivesse sido bem desenvolvida e bem conduzida, pois as cenas mais interessantes do filme, são as que ele aparece. A química entre ele e Horn é bastante vaga, e quando Von Sydow sai de cena, a alma do filme vai junto!. Sou um grande admirador desse veterano ator, especialmente por causa de sua grande expressividade, e esforço, e fico triste que ele ganhe uma indicação ao Oscar por um papel tão superficial.

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Faz um tempinho que venho escutano a trilha que Alexandre Desplat escreveu para o filme. Particularmente achei esse o seu melhor trabalho entre as trilhas que ele escreveu para 5 filmes diferentes em 2011. Mas quando ouvi as suas musicas emoldurando a fotografia de Chris Mendes (com uso de edge blur em algumas cenas) senti que Nova York nunca pareceu um lugar tão monótono e nada maravilhoso. A trilha sonora  é linda, mas não achei que case com o filme!.

No geral, “Tão Forte e Tão Perto “ é decente tecnicamente, mas esperava algo mais emocionalmente envolvente e um pouco menos manipulador. Eu certamente não queria sair do cinema como sai depois de “United 93” (2006), totalmente devastado pelo ocorrido em 11 de setembro, mas pelo menos os produtores deveriam ter  - extremamente -,  se preocupado mais com o mundo de Oskar do que ter investido – incrivelmente-, em tudo, pensando no Oscar!.

Nota 5,0

P.S.: Para minha surpresa, “Tão Forte e Tão Perto “ foi indicado para melhor filme, e melhor coadjuvante para Von Sydow. Indigna consideração!.

Gato de Botas (Puss in Boots. 2011). E o Valor de uma Amizade!

Fizeram uma homenagem ao escritor Charles Perrault, criador do “Gato de Botas“. É que em vez de uma Galinha dos Ovos de Ouro, colocaram uma Mamãe Gansa por conta do livro de contos infantis “Contos da Mamãe Gansa“, publicado em 1697; sendo um desses conto o do Gato de Botas. Cujo resumo da história é: Um moleiro possuia três bens: um moinho, um burro e um gato. Ele resolve repartí-los entre os três filhos na hora da morte. O filho mais moço, que recebeu o gato, ficou muito descontente, mas o gato demonstrou que um amigo leal e astuto vale mais que as riquezas.

O porque disso foi que deram uma nova história para esse famoso personagem que povoou o universo das nossas infâncias. Válido essa mudança? Sim! Não apenas pela liberdade poética que todos Roteiristas e/ou Diretores têm, mas também porque pelo o que li, pode ter continuações. O Roteirista principal dessa nova história é o mesmo que fez o soberbo “Como Treinar seu Dragão“, William Davies. Ele manteve a essência do original: Amigo leal, e de uma muita astúcia quando em perigo. Sacana, mas de índole boa.

Essa nova versão traz como pano de fundo, ou como nos finais dos Contos Infantis (De um tempo onde havia “estória” e “história”.), a moral da estória : o valor de uma verdadeira amizade. Bom, já que direcionado muito mais a um público infantil. Até porque essa amizade foi colocada em xeque: um não suportou ficar à sombra do outro. Ciúme, orgulho ferido, o ter sido preterido, o se sentir o patinho feio… Enfim, tudo isso seriam coisas momentâneas se não trouxesse como algo nato. Preocupado só em ter uma riqueza, a título de comprar um bem querer dos outros, levou a vida só planejando tal meta. Esquecendo-se do algo importante: viver a jornada. Me estendi nesse ponto porque é um filme que pode ser debatido em Sala de Aula. Uma sabedoria a mais para essa nova geração: valores morais e essenciais.

A amizade que nasceu dentro de um orfanato, parece que para um deles morreu também ai, mesmo tendo recebido carinho da dona desse lar adotivo: Dona Imelda. Ele é Humpty Dumpty. Esse personagem é de outro também grande escritor: Lewis Carroll. Que simboliza a instabilidade, ou o tentar equilibrar duas forças que se opõem em si mesmo. Numa linguagem simples: o lado do mal e o do bem. Será alguém que carregará esse peso, não apenas na consiência, como também nas ações. Para que lado penderá.

Onde Humpty Dumppty traz uma identificação, é no fato de por em prática seus desejos. Que na trama do filme está ir buscar quem produz os ovos de ouro. A aventura em si que fará seu amigo vivenciar, é fascinante. A grande questão é o que está por trás desse seu gesto. Conflitos que terá que arcar, já que é um problema dele, e não do amigo.

Gato de Botas é nome e sobrenome. As Botas representam quase uma comenda. Como um título de nobreza. Então, nessa versão elas são mais do que calçados mágicos. E algo que conquistou por um feito heróico. Gesto esse que mais tarde saberá que marcou o começo do fim numa amizade que a seus olhos seria tão promissora: Gato de Botas e Humpty Dumpty – amigos para sempre.

Chris Miller trouxe dos “Shrek” para esse filme aquela carinha que ficou memorável com esse personagem: o olhar de menininho carente. Que por esse gesto, seduzia até o mais durão dos vilões. E que como sabemos de que se trata de um estratagema, seu uso nessa versão também diverte. Os fins justificando os meios.

Como o Gato de Botas ganhara má fama como consequência de acreditar cegamente no amigo, só restou-lhe deitar nessa cama. Assim, de um francês da história original, nessa versão vem como um amante latino, de sangue espanhol. Um Don Juan das gatas. Embalado por uma Trilha Sonora sensacional: caliente, envolvente, vibrante… Nota 10!

Acontece que uma gata lhe dará grande trabalho não apenas na conquista, mas também na parceria arquitetada por Humpty Dumpty. Ela é Kytty Pata Macia. Recebeu essa alcunha pela leveza em roubar os outros sem que ninguém percebesse. Um duelo de dança entre esses dois gatos é de querer rever! E junto com eles, Humpty teria muito mais chance de roubar os Feijões Mágicos, como também escalar o pé de feijão até o castelo onde vivia a gansa que botava os ovos de ouro.

A beleza plástica de o “Gato de Botas” é deslumbrante! De querer até ver cada desenho. Cada Fotografia de tirar o fôlego. O Gato de Botas também merece uma Nota 10. Eu só não gostei muito da imagem da Kitty, não ficou feminina. Muito embora como ela é um felino criado nas ruas, ai sim ficou perfeita. Nota 10, também!

Agora, todo esse aprimoramento teve momentos de levar o filme nas costas. Não sei se por conta de um cansaço físico meu, mas o certo é que teve momentos que ansiei de o filme acabar logo. Não sei se também a história ficou literal demais. Como se quisessem contar toda a história pregressa dele nesse primeiro filme. Até meio que encaixando, e não explicitamente, como ele foi parar depois na “Terra de Tão Tão Distante”, onde vivia o Shrek.

O que também me levou a pensar que uma Animação como “Um Gato em Paris” cujo desenhos são até simples me prendeu muito mais a atenção. Como também eu não vi em 3D, pode ter sido esse o motivo de ter sentido um certo tédio. Se o filme me encantasse por um todo, eu até voltaria a rever, sendo que dessa vez em 3D. Lances assim onde o próprio Diretor diz publicamente que concebeu o filme em 3D, mas que acabou ficando mais uma muleta do que um coadjuvante, ainda me leva a não ver com bons olhos essa febre do 3D. E James Cameron ainda figura sozinho no topo dos longas que usaram com perfeição essa tecnologia, com o seu “Avatar“. Bem, um que brincou com o 3D e nos brindou com tal uso, foi o Diretor Tim Burton. Os Diretores em geral deveriam repensar, e várias vezes, antes de basearem um filme nesse recurso. Até porque muita tecnologia às vezes atrapalha, como também ainda não há muitas Salas para 3D ao redor do planeta. Sem contar do preço do ingresso: nada popular.

Por conta disso, o filme por um todo recebe uma Nota 9. Mas sem me deixar desejando por uma continuação.

Ah, com essa nova “onda” das Animações só serem exibidas em cópias dubladas, segue aqui dois trailers. O primeiro dubado, e o outro legendado. Como eu já comentei num texto, nada contra os Dubladores do Brasil, a questão é em nos dar o direito em optar em assistir na versão original -legendado -, ou dublado.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Gato de Botas (Puss in Boots. 2011). EUA. Direção: Chris Miller. Gênero: Animação, Aventura. Duração: 90 minutos. Página no IMDb com mais detalhes da Ficha Técnica. A listagem com os nomes das Vozes no Brasil: Dubladores.