Todos os Homens do Presidente (All the President’s Men. 1976)

O que a imagem na abertura desta resenha e o filme tem em comum é o grande ator Dustin Hoffman, pela sua magistral performance em “Todos os Homens do Presidente“. Um filme de Alan J. Pakula, de 1976, ganhador de 4 Oscar. Hoffman interpreta o jornalista Carl Berstein, que juntamente com seu parceiro de trabalho Bob Woodward, interpretado por Robert Redford, investigam a fundo o que ficou conhecido como o Caso Watergate. Que levou a renuncia um presidente dos Estados Unidos, em 1974: Richard Nixon.

GARGANTA PROFUNDA (nome dado pelo editor de Bob e Carl, inspirado no título de um dos mais famosos filmes pornográficos dos EUA, o “Garganta Profunda”, que muito chocou a sociedade americana na época de seu lançamento, 1972, por conter cenas de sexo oral explícito) – Era o principal informante. Com livre acesso a todos os trâmites e as pessoas que fizeram parte da administração do governo Nixon. Os jornalistas que fizeram a matéria, e o Jornal Washington Post para o qual trabalharam, jamais revelaram quem era essa pessoa.

Passados 30 anos e muitas especulações depois, em 2005, William Mark Felt, vice-diretor do FBI, assumiu ser o informante Garganta Profunda. Ele tinha uma mágoa com o presidente desde 1972, quando o então diretor do FBI, J. Edgar Hoover, morreu. Felt era seu substituto direto, mas Nixon preferiu nomear um antigo aliado. Então Felt continuou como vice-diretor do FBI e começou a delatar as descobertas do FBI sobre o caso Watergate.

WATERGATE – Os EUA estavam em campanha política, Richard Nixon concorria para o 2º mandato e durante essas campanhas 5 pessoas foram detidas acusadas de invadirem o escritório do Partido Democrata localizado no Prédio Watergate. Estavam grampeando o local.

Temos um assessor da Casa Branca ligado ao grampo. Não é mais assunto de polícia. É de política.”

Durante o filme é dito explicitamente que pouquíssimos americanos se interessaram pelo caso Watergate. Ele seria apenas mais um escândalo corriqueiro entre os partidos democratas e republicanos pelo poder, se o jornalista Bob Woodward não tivesse começado uma investigação que aos poucos foi revelando as artimanhas possíveis e impossíveis de todos os homens envolvidos diretamente com Richard Nixon preocupados entre outras coisas a denegrir seu principal concorrente, o partido democrata e manterem-se na política, ou melhor, manterem-se no poder. Apesar de Nixon dizer que não era trapaceiro, ele consentiu a invasão do escritório em Watergate. Nixon sem querer, ao autorizar as gravações, terminou dando um tiro no pé. Renunciou ao cargo, mas não foi processado porque foi anistiado por Gerald Ford.

Os atores se completam como personagens: um é bom no desenvolvimento da idéia no papel (Carl Berstein), enquanto o outro é excelente na busca dos fatos (Bob Woodward). No conjunto, todos os personagens do filme tiveram sintonia entre si.

O filme não tem super cenários, mulheres lindas ou sexo. Os cenários principais são: as saudosas redações de jornal (no caso o Washington Post), o toque dos telefones de disco e o tec-tec das máquinas de escrever (vide merchan: Olympia) e jogo de cores combinadas nos moveis. O outro cenário é o sombrio, escuro, deserto prédio de estacionamento onde acontece os encontros entre Bob Woodward e o Garganta Profunda.

Seguindo a regra atual dos politicamente correto, por uma vida mais saudável, etc etc etc, é interessante observar a roda da bicicleta do personagem Carl Berstein apoiada na mesa de trabalho enquanto ele fuma alucinadamente ao mesmo tempo que datilografava as laudas.

Para quem quer entender um pouco da política americana, ardilosa como uma cobra, como talvez entender um pouco o cenário que o Obama tenta melhorar sem muito sucesso, como também para quem pretende exercer a atividade de jornalista, é uma excelente indicação.

A linguagem é rápida, simples, sem expressões técnicas, mas é preciso atenção à trama. Sem trilha sonora.

Recomendo com pipoca e guaraná, e para se ter na dvdteca de casa.

Por Criz de Barros.

Todos os Homens do Presidente/All the President’s Men
De Alan J. Pakula, EUA, 1976
Com Dustin Hoffman (Carl Bernstein), Robert Redford (Bob Woodward), Jack Warden (Harry Rosenfeld), Martin Balsam (Howard Simons), Hal Holbrook (Garganta Profunda), Jason Robards (Ben Bradlee), Jane Alexander, Meredith Baxter (Debbie Sloan), Ned Beatty (Dardis)
Roteiro William Goldman
Baseado no livro de Carl Bernstein e Bob Woodward
Fotografia Gordon Willis
Música David Shire
Produção Warner Bros
Cor, 138 min.

Jogo de Poder (Fair Game. 2010)

Sinceramente, não sou muito ligado a filmes de espionagem, mas fui assistir “Fair Game” (2010) pelo fato que ainda recordava um pouco do escândalo: “Valerie Plame”. O caso “Valerie Plame” já tinha servido de base para outro filme- o suculento e emocionante  “Nothing but the Truth” (2008) dirigido por  Rod Lurie. No filme de Lurie, uma jornalista protege a fonte de um vazamento da CIA, destacando o valor da ética e as realidades de lutar por essa ética.

“Fair Game” parte da revelação de Bush sobre “armas de destruição em massa”,  que assustou a nação americana, e que custou centenas de milhares de vidas, no Iraque (assunto também explorado no intenso filme “Green Zone” (2009) de Paul Greengrass); e, a carreira de quem desafiou a mentira oficial. Nos Estados Unidos, Joe Wilson ousou desafiar publicamente a Casa Branca, ao escrever um artigo no “The New York Times”, dizendo basicamente que o presidente estava enrolando. A Casa Branca amarrada pelo vazamento à imprensa, divulga a identidade da agente da CIA: Valerie Plame, esposa de Joe Wilson. Wow, que enredo intrigante !

Pontos Fortes:

Sempre quis ler o livro de memórias de Plame que serviu de base para esse filme- um documento devastador da história moderna-, principalmente pelo fato como tudo terminou em Pizza e nada aconteceu contra Bush ou mesmo contra Libby. O ultimo foi condenado a 30 meses numa prisão federal, a pagar uma multa de 250 mil dólares, e dois anos de liberdade supervisionada, incluindo 400 horas de serviço comunitário, mas Bush comutou a pena de prisão de Libby por causa dos seus anos de serviço público e trabalho profissional na comunidade jurídica. O ponto real aqui é  que Bush foi muito ruim (novidade?!)

Sean Penn, que é um excellente ator, faz um Joe Wilson bastante arrogante, mas nas cenas que mostra o seu poder de discurso, a crença que Sean imprime em Wilson, são como uma obra de arte; e Naomi Watts, que brilha como Plame, equilibrando ferocidade e compaixão. E, quem pensa que Watts é muito glamorosa para o papel precisa re-ver a verdadeira Valerie Plame (aqui:

Pontos Fracos:

O filme expõe claramente as batalhas entre a CIA, o Departamento do Estado, a Casa Branca, e como Bush não aceitou os relatórios da CIA questionando o pressuposto de que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa. No filme, Bush, Dick Cheney e Condoleezza Rice aparecem em cenas da época, em vez de serem interpretados por atores, mas Scooter Libby, responsável pelo vazamento identidade de Plame, assim como ter destruído a carreira dela, é interpretado por David Andrews, que imprime caras de vilão covarde como se estivesse fazendo um filme de James Bond.

Gostei muito do ritmo e da tensão, embora, acho que Liman deveria ter evitado o uso de held-camera, em cenas que achei desnecessárias para a narrativa. Também, existe uma sub-trama, onde há um momento tenso para um pai iraquiano e seu filho, mas o diretor resolveu deixar de lado, assim como fiquei sem saber que táticas Plame (a espião) usou para iludir suas vitimas, ficando em aberto que eles trabalharam para ela apenas pelo medo de suas ameaças, ou pela promessa de serem trazidos para os Estados Unidos.

Não sei se “Fair Game” renderia mais impacto se tivesse sido feito poucos anos depois do escândalo, mas mesmo assim, nos permite saber a verdade, e cabe a nós manter a nossa indignação ou não.

 

Lançamento no Brasil em 28/01/2011.


Jogo de Poder (Fair Game). 2010. EUA. Direção: Doug Liman. +Elenco. Gênero: Ação, Drama. Duração: 108 minutos.
Estréia no Brasil: 28/01/2011.

Perigo Real e Imediato (Clear and Present Danger. 1994)

perigo-real-e-imediatoApós ser promovido a diretor da CIA Jack Ryan (Harrison Ford) bate de frente com a própria agência onde trabalha e o governo americano, ao discordar da validade de uma missão contra um cartel de drogas colombiano.

Ao ver que a Polícia vem a mídia para mostrar uma apreensão de drogas, fica também uma impressão que enquanto os holofotes estão focados ali, um outro carregamento muito maior está sendo entregue?

Se a resposta for sim, terá nesse filme – Perigo Real e Imediato -, um ótimo exemplo de como isso se dá não na esfera da Polícia local, e sim da ligação da Casa Branca com os Cartéis da Colômbia. Até onde vai a ficção aqui…

Esse filme mostra que não são apenas os usuários individuais que mantém o tráfico ainda funcionando em pleno vapor. A droga maior mantém gente nos altos escalões dos governos.

Em se tratando de um país que fomenta as guerras… além das grandes propinas, das lavagens de dinheiro… a droga propriamente dita abastece os jovens soldados alistados nas guerras que a eles não dizem nada…

O único porém do filme está no seu final. Mas… se é algo tão comum visto no mundo real, termina não sendo um ponto negativo. O que fica, seria um desejo de ver mais gente do alto escalão sendo punidos.

Até para que a impressão lá do início, não se perpetue. Que o combate a violência urbana não seja apenas uma jogada política.

Um bom Filme para ver, e rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Perigo Real e Imediato (Clear and Present Danger). 1994. EUA. Direção: Phillip Noyce. Elenco: Harrison Ford (Jack Ryan), James Earl Jones (James Greer), Willem Dafoe (John Clark), Anne Archer (Dra. Cathy Ryan), Joaquim de Almeida (Roberto Landa), Henry Czerny (Robert Ritter), Harris Yulin (James Cutter), Donald Moffat (Presidente Bennett), Miguel Sandoval (Ernesto Escobedo), Benjamin Bratt (Capitão Ramirez), Raymond Cruz (Domingo Chavez), Thora Birch (Sally Ryan). Gênero: Ação, Suspense. Duração: 141 minutos.