O Artista (The Artist. 2011)

Pela primeira vez em muito tempo, há o risco de a estatueta mais concorrida do mundo do cinema ir parar em mãos realmente merecidas no quesito melhor filme.

O Artista” (The Artist) de Michel Hazanavicius é uma obra extraordinária. A começar pela escolha do astro principal Jean Dujardin para viver George Valentin, um ator da década de vinte que sofre com a chegada do cinema falado que elege novas estrelas como Peppy Miller (A não menos talentosa Bérénice Bejo). Jean tem um frescor inédito que oscila habilmente entre o charme irresistível e a pantomima divertida que o personagem exige em momentos de humor e melodrama divididos graciosamente com o esperto cãozinho Uggie. Este importante momento de transição já suscitou trabalhos históricos na sétima arte como “Singing in the Rain” e “Sunset Boulevard”. “O Artista” também deve se transformar num clássico inesquecível do mesmo porte.

Quem não se incomodar com o ritmo apropriadamente lento em vários momentos, a ausência de diálogos e cor e o superado formato três por quatro da tela, vai aproveitar um punhado de cenas geniais e antológicas como aquela em que Peppy brinca com o terno pendurado de George. De quebra, uma trilha sonora saborosa que embala uma atmosfera lúdica, ingênua e de puro deleite absolutamente adequada ao ritmo gentil de uma película totalmente desprovida do envolvimento frenético virtual dos dias de hoje. Na última parte, a sala de projeção traduz uma emocionante e explícita homenagem a Fred Astaire e Ginger Rogers numa sequência arrebatadora.

Desligue (completamente) o celular e mergulhe no mundo maravilhoso deste filme único e sedutor.

O Artista (The Artist. 2011)


Será que é pedir demais para o público apreciar um filme como “O Artista”?. Não sei não!. O enredo do filme em si não é exatamente novo– nem quero usar a palavra “original” aqui, porque hoje em dia, tudo se copia!.

Quando a estória começa, George Valentin (Jean Dujardin) é uma das principais estrelas da época, um astro arrogante do cinema mudo — do calibre de um Rudolph Valentino ou Erroll Flynn!. Valentin é um cara bem-humorado, apesar de uma vida doméstica fria ao lado de sua esposa (Penelope Ann Miller). Provavelmente, o estrelismo o fez esquecer da sua “amada”, embora o mesmo tenha uma grande devoção pelo seu cãozinho, que está com ele em tudo e qualquer lugar!.

Ai, surge uma fã de Valentin, Peppy Miller (Berenice Bejo) que se torna atriz — depois de vir de papéis inexpressivos em filmes mudos, Miller faz uma extraordinário transição ao cinema falado. Num estilo “Nasce uma Estrela” e “Cantando na Chuva”, vemos Miller se tornar uma estrela e Valentin cair no ostracismo no estilo bem Norma Desmond em “Sunset Blvd.”

O elenco é perfeito: me envolvi com a estrela Jean Dujardin – um ator de um seu sorriso largo, e irresistível!. Que presença magnética na tela!. Merece sim levar o Oscar de melhor ator do ano!!. Berenice Bejo, que tem um grande papel, e está perfeita, não deveria estar concorrendo ao Oscar de coadjuvante, mas sim de melhor atriz principal!. E, o John Goodman faz um “Louis B. Mayer” sublime!.

Lindos figurinos, e cenários de encher os olhos – as cenas externas em L.A são um espetáculo a parte!. A fotografia de Guillaume Schiffman, que fotografou o ousado “Anatomy of Hell”(2004), é simplesmente de cair o queixo!!. Creio que a trilha sonora de Ludovic Bource seja não apenas a alma, mas o que sustenta o filme em si, embora as melhores faixas sejam aquelas escritas por Bernard Hermann, tiradas do filme “Vertigo” de Hitchcock. Não sei que critério foi estabelecido para a sua candidatura ao Oscar, pois recordo que o trabalho de Clint Mansell em “Black Swan” (2010) foi menosprezado pela academia porque ele usou elementos da música de Tchaikovsky em “Swan Lake”, ou até mesmo a trilha de Jonny Greenwood para o filme “There will be Blood” ( 2007), foi preterida porque Greenwood usou material pre- existente de sua propria autoria!. Não será injusto se Bource vier a ganhar o seu Oscar, mas em mais de 10 minutos de imagem em o “Artista”, temos a música de Hermann na tela!. E, compreendo a frustração de Kim Novack ao declarar em público, que o “Artista” depende e muito da trilha de “Vertigo- ” isso é pura verdade!.

Co- editado pelo diretor Michel Hazanavicius, que também assina o roteiro, “O Artista” é  uma obra bastante criatividade e ousadia assim como Scorsese em “Hugo” (2011), o qual, foi a França para homenagear um dos pioneiros do cinema!. Contudo, o enredo de o “Artista” não tem nada assim de complexo– é apenas uma ousada e bela comédia-dramática. Bem, em termos comicos — as risadas que surgem a partir de situações familiares–, não achei tão engraçadas assim, exceto, as cenas que mostram Valentin com o seu tão adorável cãozinho!. Em termos dramáticos, o ritmo do filme diminui muito, ficando atolado num melodrama repetitivo. Sim a carreira de Valentin vai para o brejo, mas por que Hazanavicius precisou arrastar tanto o drama do seu astro para depois “jump” para a cena final?.

Particularmente, adoro cinema, e adoro assistir filmes na tela grande, mas quando um filme me faz bocejar é porque há algo errado!. Assistindo o “Artista”, me encontrei perguntando se eu estava entediado ou a platéia me fez entediado. Bem, a magia de estar em uma sala de cinema é o fato de que compartilhamos a alegria, a tristeza, o riso e o medo com estranhos. Várias vezes, eu me encontrei rindo, porque o riso do outro me contagiou. Assistindo o “Artista”, eu fiquei entediado pelos bocejos da platéia, os quais foram também contagiantes!. Se tivesse sido cortado 25 a 30 minutos do filme, não prejudicaria em quase nada!.

Não acho que esse filme mereça o Oscar, embora o mesmo seja tecnicamente (ainda) um grande filme!. Mas levando em consideração o “Discurso do Rei” (2010) que foi agraçiado com a estatueta como melhor filme, eu não me surpreenderei com a decisão de premiar o “Artista”, que curiosamente é vendido como um filme francês, produzido pelo ator Thomas Langmann, filho do cineasta Claude Berri, mas com dinheiro americano– tanto o filme não foi escolhido pela França para ser o representante do país para concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

Nota 8,0 – pela criativa homenagem ao cinema!

O Artista (The Artist. 2011)

Seria cômico senão fosse patético! É que enquanto muitos Diretores chegam a basear seus filmes nos efeitos do 3D, para deleite nosso, de quando em vez, vem um e nos brinda com uma simplicidade ímpar ao contar uma história. Em 2009 tivemos os bonecos de massinhas meio toscos de Adam Elliot no seu “Mary e Max – Uma Amizade Diferente“. Agora, é a vez Michel Hazanavicius também remar contra o modismo e nos encantar com “O Artista“. Bravo!

Hazanavicius simplesmente conta a sua história como na época do Cinema Mudo. Como se tivesse filmado com o que hoje já seriam peças de museu. Mas não é apenas o pano de fundo, é a contextualização de uma época dentro da História do Cinema, e em especial, da de Hollywood. Pegando o início do fim de uma época: sai o Cinema Mudo e entra em cena o Cinema Falado. Já no finalzinho da década de 20, e início da de 30. E como um brutal coadjuvante também real: o Crash da Bolsa de Nova Iorque, em 1929.

Hazanavicius também faz, traz belas homenagens, pontuando a trama. No início do filme, temos o protagonista ora homenageando o galã da época Rodolfo Valentino – na telona, com o seu filme -, para depois nos agradecimentos à plateia fazê-lo num jeito Carlitos de ser. Mesmo com uma beca impecável, é com um sorriso enorme que a memória nos traz esse grande personagem de Charles Chaplin, e do Cinema Mudo também. Até por estar sempre acompanhado pelo cachorrinho. Paulo Autran disse certa vez que trabalhar com criança ou um animal é um risco: porque eles podem roubar a cena. Em “O Artista” não deu outra: o cãozinho Uggie rouba todas as cenas. Merece aplausos pela performance! E ainda dentro das homenagens de Hazanavicius, uma outra também encantadora: ao casal Ginger Rogers e Fred Astaire.

A história é simples, mas nem por isso não é complexa. Conta a carreira de um ator que não se rendeu ao Cinema Falado: George Valentin, personagem de Jean Dujardin. Do estrelato ao ostracismo. Ficou por anos usando a expressão corporal, e que não acreditava que falas nas cenas trariam diferenças significativas. Calcando-se mesmo em “Uma Imagem vale mais que mil Palavras!“. Mas nem tanto ao mar, nem tanto ao céu. Um som faz sim um grande efeito. Tanto, que durante as próprias exibições dos filmes mudos havia uma certa trilha musical nas Salas onde eram exibidos. E ótima a atuação de Jean Dujardin!

Valentin ainda no auge da fama se esbarra a uma aspirante a atriz, Peppy Miller (Bérénice Bejo. Gostei de sua atuação!). Ela cai de amores por ele. Mas Peppy segue em frente: acompanha o novo Cinema que chega. Sua carreira sobe, enquanto que a dele termina. Anonimamente ela até que tentou ajudá-lo. Mas ele se entregou às bebidas. Até o seu fiel mordomo, Clifton (James Cromwell), cansou de motivá-lo.

Bem, além de Drama, “O Artista” também é uma Comédia Romântica. Logo com todos os itens desse Gênero. Se no início o que separa o casal – Valentin e Peppy -, é o fato dele estar casado com Doris (Penelope Ann Miller), depois foi por orgulho mesmo. E dele! Mas no final Peppy arruma um jeito dele voltar à cena, e sem ter que sentir-se que traiu seus próprios princípios. Bravo Peppy!

E a ideia de Peppy enche novamente os olhos do antigo Produtor de Valentim, Al Zimmer. Personagem de John Goodman. Que aliás também rouba todas as cenas! Seu personagem ficou incrivelmente a cara do Cinema Mudo. Perfeita atuação! Os demais coadjuvantes estão ótimos, mas para mim Goodman e Uggie estão excelentes!

O filme cai um pouco de ritmo ao se estender no drama do Valentim. Se Hazanavicius tivesse acompanhado também o tempo de duração dos filmes daquela época, enxugando um pouco, até me deixaria uma vontade de rever, mas não deixou. Agora, vale sim, e muito, ser visto! Até pelo final memorável!

Então é isso! E também pelo Figurino, Fotografia, Trilha Sonora, Cenário, inclusive pelas falas-legendas tal qual do Cinema Mudo, “O Artista” é um filme excelente! Não deixem de assistir!

Nota 9,5

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Artista (The Artist. 2011). EUA. Direção e Roteiro: Michel Hazanavicius. Elenco: Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller, Missi Pyle, Beth Grant, Ed Lauter, Joel Murray, Bitsie Tulloch. Gênero: Romance, Comédia, Drama. Duração: 100 minutos.

Curiosidades: Uggie, o cãozinho do filme irá se aposentar. Leiam na matéria de Priscilla Merlino: Uggie, a estrela canina do filme O Artista, vai se aposentar.

Adaptação (Adaptation. 2002)

Por Alex Ginatto.

Sabe aquele filme que você ouve um comentário e se interessa? Não que você ache que seja muito bom, afinal, depois de anos do seu lançamento, você não se recorda de ter ouvido falar nele. Acontece que alguém comenta, você se interessa, assiste e…resolve escrever uma leitura para o site de tão bom que achou! Foi assim com “Adaptation” (Adaptação).

O filme conta a história de Charlie Kaufman ao tentar adaptar o roteiro de um livro sobre orquídeas para o cinema. Porém, algo que poderia parecer simples se torna cada vez mais complicado para Charlie, conforme o prazo de entrega de seu rascunho se aproxima.

O livro “The Orchid Thief”, da escritora Susan Orlean se torna um desafio para Kaufman por se tratar de algo comum, sem uma história, como ele mesmo define durante o filme. Um livro que descreve o roubo de orquídeas de uma reserva estadual por um homem chamado Laroche e que se torna objeto de estudo e de interesse da autora, por se tratar de uma figura ímpar. Porém, para desespero de Kaufman o livro simplesmente termina sem algo extraordinário, sem algo que possa virar filme.

Do alto de seu perfeccionismo e lutando contra seus conflitos existenciais e sua mente inquieta, Kaufman decide que o livro deve ser representado fielmente em seu filme. Hesita em apelar para alguma história paralela, ficticia, que fuja à simplicidade descrita por Susan no livro.

Kaufman é um sujeito estranho, introvertido e que mal consegue decidir o destino amoroso de sua vida, mesmo convivendo com seu par ideal durante todo o filme.

Para piorar a situação, seu irmão gêmeo Donald resolve passar uma temporada em sua casa e se tornar um escritor de roteiros para o cinema, seguindo os passos do irmão. Ao contrário de Charlie, no entanto, Donald se revela um escritor sem muita imaginação, recorrendo inúmeras vezes aos clichês utilizados em Hollywood: serial killers, perseguições de carro, múltiplas personalidades…

O convívio dos irmão passa a ser cada vez mais complicado com a diferença entre suas ideologias, ou a falta dela no caso de Donald. Além disso, fazendo cursos de aprendizado rápido e recorrendo aos seus clichês, Donald parece ter seu trabalho desenvolvido de forma muito mais rápida do que Charlie e consegue terminá-lo em dias, para desespero do irmão.

A esta altura Charlie não sabe mais por onde iniciar seu roteiro, por onde seguir, em quem centralizar o filme. Num surto de desespero, decide ir a Nova Iorque conhecer pessoalmente a escritora do livro, mas seu medo interior e sua timidez não o deixam completar a missão.

É aí que o filme muda, literalmente. Charlie parece aceitar a derrota de sua arrogância utópica em relação à praticidade do irmão e recorre à sua ajuda. O irmão se empolga com a ideia e é quem vai falar com a escritora no lugar de Charlie, aproveitando-se da igualdade dos DNAs.

A partir daí os irmãos descobrem algo mais em relação à escritora do que descrito no livro e parece fazer sentido o fato do término da história sem algo muito emocionante: parecia estar escondendo algo. Deste ponto até o final o filme se torna exatamente tudo aquilo que Charlie sempre abominou, com os clichês, os apelos, a história atraente.

Seguindo o exemplo do que foi feito em “Being John Malkovich”, citado no início do filme, o escritor mistura a realidade com o cinema de uma forma confusa, mas extraordinária! Ao sofrer durante a maior parte da história sem saber por onde começar ou quem colocar como peça central do roteiro, Charlie acaba se entregando ao que parece ser o mais óbvio: descrever sua dificuldade para adaptar o roteiro ao livro, e se coloca como o centro da história!

Completando, o filme de 2002 rendeu indicação ao Oscar das três figuras principais do filme: Nicolas Cage, como ator principal pelo papel dos escritores gêmeos; Meryl Streep como atriz coadjuvante pelo papel da autora do livro; Chris cooper, este inclusive premiado pela Academia como ator coadjuvante pelo papel de Laroche, o ladrão de orquídeas. Excelente atuação dos três, difícil escolher o melhor, o que se torna ainda mais interessante para um filme deste calibre.

Com a certeza de que quem não assistiu ao filme deve estar achando tudo muito confuso, apenas uma sugestão: assista. E assista de novo porque vale a pena entender cada detalhe, cada sinal de Kaufman sobre a genialidade de escrever e participar de um roteiro para um filme inicialmente proposto para algo completamente diferente.

Nota 08.

Jovens Adultos (Young Adult. 2011)


Cômico e brilhantemente honesto, o novo filme de Jason Reitman, me fez rir bastante para então depois me deixar com um sentimento desconfortável na minha ‘avaliação’ sobre o julgamento alheio e refletir sobre o meu próprio alto julgamento.

O filme conta a estória de Mavis Gary (Charlize Theron). Batizada com um nome terrível, mas belíssima e com uma auto-estima que chega causar a inveja alheia, Mavis é uma mulher difícil de lidar. Muito popular durante o ensino médio, a moça abandona Mercury, uma cidadizinha no meio do nada, em Minnesota, e se muda para Minneapolis – cidade grande!, onde se casa, e se torna uma “Ghost Writer” de uma série de romances direcionada a jovens adultos. Mavis  já separada, vive de mentiras – mente para todos, e inclusive para si própria- em relação a sua vida pessoal e profissional. Incrivelmente antipática - reflexo da sua insegurança -, se torna quase impossivel de amá-la.

Mavis está geralmente sozinha, e vive numa eterna ressaca- entre bebidas e promiscuidade – o que me fez lembrar do papel que Theron fez em  “Vidas que se Cruzam” (The Burning Plain, 2009), mas em “Young Adult”, a sua personagem é bem mais perdida. Mavis vive uma vida que parece ter perdido todo o sentido (mas ela não admite isso). Quando recebe um email do seu ex-namorado dos tempos de escola, Buddy (Patrick Wilson), que se tornou pai, ela é tomada por uma sentimento difícil de descrever, mas a mesma entra em ação – volta para sua cidade natal, e tenta reconquitar Buddy. Para Mavis, ele terá que abandonar a esposa e o seu bebe, e recomeçar uma nova vida com ela, em Minneapolis.

Não vou falar mais sobre o enredo do filme, porque no final, acho que nem todo mundo vai apreciar. Eu particularmente não esperava um olhar tão honesto no meio de tanta asneira – em muitas cenas, eu ri tanto, que pensei que o filme teria um final bobinho, mas Mavis é uma criatura tão humana – assim como nós somos, simplesmente criaturas tolas que quase nunca aprendemos com os nossos erros, e mesmo que venhamos a corrigi-los, as vezes, não os tiramos de nossa mente.

Atores:

Gostei muito do elenco, com destaque para Patton Oswalt, que faz o amigo de Mavis. Ele tem um papel interessante, de um homem que fora vitima da homofobia, pois pensavam que ele era gay. Mas o filme é todo de Charlize Theron- sua interpretação é fantástica!!. Ela minimiza tudo, conseguindo fazer a expressão mais sutil falar por si mesma. Será que Mavis tem problemas psicológicos?. Ou ela talvez seja apenas uma mulher infeliz, maníaca depressiva, confusa ou apenas infantil. Essas nuances são traçadas de forma tão natural por Theron, que acabei me apaixonado por sua personagem.

Não consegui acreditar que Theron não foi indicada ao Oscar este ano. Tudo bem, Meryl Streep é uma grande atriz, mas em “The Iron Lady”, ela apenas tem os aspectos tecnicos a seu favor (maquiagem, voz, e maneirismos), pois o filme é tão ruim, que sua Margaret Thatcher se perde, ou não sabe para onde ir; o mesmo ocorre com a talentosa Glenn Close em “Albert Nobbs.” Albert é uma personagem triste, vazia e limitada. Nem  consegui entender até este momento, o que a academia viu no filme ou mesmo na atuação de Close. Enquanto Theron, Tilda Swinton e Kristen Dunst ficaram de fora!.

Este ano, a academia também preferiu o roteiro ‘original’ de “Bridesmaids” (2011), uma daquelas comedias loucas que surgem em Hollywood, com tanta frequencia, em vez de ter agraciado Diablo Cody com uma indicação por seu interessante roteiro em “Young Adult.” Talvez a razão tenha sido porque a própria Cody ganhou um Oscar pelo azedo -  para não dizer sem graça -, “Juno” (2007), e também porque “Young Adult”, diferente de “Juno”, não se tornou um sucesso de publico, embora a critica tenha gostado.

Reitman e Cody traçaram uma linha delicada, centrando a sua estória em uma protagonista que é, mais ou menos impossível de  gostar. Mas não importa como você ver Mavis, ela é uma personagem que vale a pena conhecer e eu nem consigo esperar para reve-lo quando o filme for lançado em DVD. Sim, ela ainda tem muito para aprender, mas sem duvida, suas  experiências tem muito para nos ensinar.

Nota 9,0

P.S.: Duas cenas que amei no filme: a do confronto entre Mavis, e a esposa de Buddy, e a honesta conversa entre Mavis e Sandra:

Mavis: …it’s very difficult for me to be happy. And other people– it’s so simple for them. They just grow up. They’re so …fulfilled.

Sandra: I don’t feel fulfilled.

[...]

Mavis: I need to change.

Sandra: No, you don’t.

Mavis: What?

Sandra: You’re the only person in Mercury who could write a book or wear a dress like that.

Mavis: I’m sure there’s  plenty of people.

Sandra: Everyone here is fat and dumb.[...]

Sandra: Everyone wishes they could be like you. [...] famous, living in a big city, beautiful and all that.

Mavis: But everyone here seems so happy with a lot less. They don’t even seem to care what happens to them.

Sandra: That’s because it doesn’t matter what happens to them. [...] they’re nothing.

Os Descendentes (The Descendants, 2011)

Muito mais que os prêmios conquistados até aqui, dois nomes me fizeram ver “Os Descendentes“: o do protagonista – George Clooney -, e o do Diretor Alexander Payne. Clooney por pertencer a uma seleta lista de que estando nos créditos, tendo oportunidade, eu assisto o filme independente da trama. Payne por ter me conquistado com “Sideways – Entre Umas e Outras“. Ele sabe trazer à tona um momento relevante na vida de um homem maduro. Universos masculinos com sensibilidade. Contextos bem diferentes de ambos os filmes. Pois num, a parada para essa revisão fora por livre escolha. Já nesse aqui, foi o destino que lhe trouxe. Meus Aplausos a Alexander Payne por mais esse trabalho!

Os Estados Unidos é um país de contrastes. Que chegam a ser paradoxais em alguns casos. Em “Os Descendentes” temos um deles na trama principal. Está até no título do filme. Perfeito, aliás! Fala da criação: como educar os filhos. De um lado há pais que, mesmo abastados, mesmo ciente de que um dia seus filhos herdarão tudo, incentivam que ainda jovens trabalhem em períodos de férias. Muitos começam entregando jornais de porta em porta, ainda na pré-adolescência. Fazem isso para que comecem a dar valor ao dinheiro conquistado pelo próprio trabalho. O personagem de George Clooney, Matt King, teve um pai assim. Embora tenha herdado um Fundo por Terras deixadas por gerações passadas, e que o deixaria viver com luxo e mordomias, foi cada vez mais vivendo dos próprios rendimentos como advogado.

Dê a seus filhos dinheiro para fazerem algo, mas não o bastante para não fazerem nada.”

Grande parte dessa herança de família eram terras ainda virgens, em Kuai, Havaí. Num ponto super privilegiado entre serras e o mar. Com matas nativas. Um lugar belíssimo, que algum político cobiçou sim, ao criar a lei que tiraria a perpertuidade delas. Bem, o filme não foca essa relevância até Histórica: “Quem é o verdadeiro dono da terra?” Mas face a especulação imobiliária, e manter um latifúndio com também o intuito de preservar a natureza local, é um caso também a pensar. Muito embora, além de Matt e dois ou três primos, todos os outros queriam a venda de tudo, e o mais breve possível. Já que diferentes de Matt viveram só do dinheiro do tal Fundo. E sem o menor controle, estavam à beira da falência. Entre eles, o primo Hugh (Beau Bridges). Um grande canditado a futuro calo na jornada de Matt.

Mas essa iminente falência era problema deles, dos primos, e não de Matt. Pois esse, como já citei, um acidente do destino bateu a sua porta. Sua esposa, Elizabeth (Patricia Hastie), após um acidente no mar, entrara em coma. E pelos médicos: irreversível. Matt era um workaholic. O que o deixava ausente de casa. Mas também da vida da esposa, como das filhas Alexandra (Shailene Woodley) e Scottie (Amara Miller).

Às vezes as trombadas do destino não vem sozinha, vem com mais coisas. É que Matt descobre que a mulher o traía, e que só não o abandonou, porque o tal carinha, Brian Speer (Matthew Lillard) era casado, e nem cogitava se separar da esposa, Julie (Judy Greer).

Ah sim! Ainda é responsabilizado do acidente, pelo sogro, Scott (Robert Forster). Esse condenava Matt por não ter dado todo o luxo que poderia dar a Elizabeth. Na cabeça dele, se ela tivesse grana a rodo, viveria em shoppings, e longe dos esportes radicais.

Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.” (Simone de Beauvoir)

Matt, como depositário mor, tinha poucos dias para então assinar a venda das terras. Paralelo a isso, tentar se aproximar das filhas. Deixar de ser o pai omisso. Também tentar explicar a filha caçula que iriam desligar os aparelhos que mantinham a mãe viva. Digerir a descoberta de ter sido traído, e pela desculpa por ter sido um marido ausente. Também aceitar o fato que a Alexandra já era uma moça, e que agora poderia se enamorar de um cara como o Sid (Nick Krause). Como também de se entrosar com ele. Enfim, dar um novo rumo a vida.

O filme é muito bom, dentro de tudo a que se propos mostrar. Em se tratando do Havai, dá para imaginar paisagens deslumbrantes. A Trilha Sonora segue a cultura local. Houve química entre os atores. O final traz a assinatura do Payne. Quem viu Sideways irá sacar. Bem, eu saquei e sorri. Vale o ser visto! Mas não me deixou com vontade de revê-lo.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Os Descendentes (The Descendants, 2011). EUA. Diretor: Alexander Payne. Roteiro: Alexander Payne, Nat Faxon, Jim Rash, baseados na obra de Kaui Hart Hemmings. +Elenco. Gênero: Comédia, Drama. Duração: 117 minutos. Classificação: 14 anos.

PRÊMIOS:
- Vencedor do Globo de Ouro 2012 de Melhor Filme – Drama e Melhor Ator (Drama) para George Clooney.
- Melhor filme de 2011 pela Associação dos Críticos de Cinema de Los Angeles.

50% (50/50, 2011)

“50/50” é engraçado e dramático e talvez não venha agradar a todos, mas é um filme muito sincero. Particularmente, não me senti manipulado para sofrer com o drama do personagem principal, e por tal, que amei esse filme.

No primeiros minutos, vemos Adam (Joseph Gordon-Levitt), um jovem aparentemente saudável, o qual tem um bom emprego, uma namorada linda e toda a sua vida pela frente. Mas, depois, ele recebe uma má notícia – tem um raro tipo de câncer na medula, e suas chances de sobreviver é de apenas 50%.

Honestamente, não existe nada de inovador esse filme, mas o diretor Jonathan Levine conseguiu equilibrar comédia e drama de uma forma muito bacana. E, realmente gostei de como os personagens olham para o câncer – um aspecto interessante ao tratar dos relacionamentos pessoais de Adam. Por mais que o filme seja sobre câncer e a luta do jovem contra a doença, eu achei que o filme busca explorar o efeito que uma doença como essa pode causar nas pessoas que amam Adam, e como elas querem ou não sabem lidar com a nova realidade dele – pois cada pessoa tem suas próprias, diferentes maneiras de reagir.

Seth Rogen é engraçado e igualmente irritante como o amigo arrogante de Adam – e politicamente incorreto quando sugere ao amigo a usar a sua doença para ganhar a simpatia das mulheres. A namorada de Adam- interpretada pela linda Bryce Dallas Howard-, encontra o  câncer do namorado como um obstáculo no relacionamente deles. Me comovi com fragilidade que Dallas Howard imponhe ao personagem, no limite entre a menina mimada, infiel, e mesmo assim infeliz por não saber como lidar com  doença do namorado. Outro ponto positivo é o relacionamente entre Adam e sua mãe(Angelica Huston). Como já cuida do marido doente, Adam resolve de uma forma bem egoista, ignorar os telefonemas da mãe, e assim não preocupá-la mais. Quem gosta de ver a sua mãe sofrendo?

Atores:

Sempre achei o Gordon- Levitt um grande ator – uma espécie de Juliette Binoche de calças. Sua força dramática está justamente no olhar, nas nuances da sua expressão facial, que vai de um sorriso sincero até num olhar triste. Talvez outro ator exagerasse nos detalhes que fazem Adam um personagem tão humano. Gordon-Levitt usa a sua delicadeza, e se o Oscar fosse justo, e não uma politicagem barata, ele deveria estar entre os indicados este ano.

A melhor cena:

Anjelica Huston tem um papel pequeno, mas a presença dela é tão marcante, que adoraria vê-la no Oscar também, mas-. A cena quando ela diz: “I only smothered him because I love him” – “Eu apenas o sufoquei porque o amo”,  me fez chorar durante e depois que sai da sala de cinema. Não é só a pessoa doente que sofre, e essa é uma cena que foca a linha do núcleo emocional do filme.

O que não gostei:

Katie (Anna Kendrick), a terapeuta que ajuda Adam. Eu não senti nenhuma química entre Kendrick e Gordon-Levitt. Achei que ela foi uma escolha errada para o papel, pois faz as mesmas caras e bocas da sua personagem em “Up in the Air” (2009). Muito mais interessante e terapêuticas são as presenças de Phillip Baker Hall e Matt Frewer como os dois pacientes com câncer que Adam conhece no hospital.

50/50 é muito bem escrito, dirigido, e interpretado, e prova que as vezes quando as coisas andam muito mal, doe menos quando nós começamos a rir.

Nota 8,5.

P.S.: O filme é vagamente baseado na vida do roteirista Will Reiser. Seth Rogen é um dos produtores do filme.

Late Bloomers – O Amor não tem Fim (2011). Ou, Envelhecer é um Recomeçar

De dois universos tão distintos, ela vem conquistando um lugar num topo de ainda na quase totalidade ocupado por homens. Assim, sendo eu também uma mulher, começo citando a Diretora, e também Roteirista, Julie Gavras. À ela meus Parabéns por ambos seus filmes. No primeiro que eu vi, o “A Culpa é do Fidel” (2006), traz a mudança de uma menininha ao ver que seu mundinho crescera, entendendo que vivemos numa sociedade não tão perfeita, ou não como todos nós desejamos. Já nesse segundo que eu assisto, “Late Bloomers – O Amor não tem Fim“, Julie Gavras já traz um casal entrando na velhice, onde além de ainda não ser uma sociedade perfeita, agora está jovem demais “em produtos”, e meio que excluindo os bem mais velhos “naturalmentes”.

Não sei se vale como um consolo, como a lei da compensação. É que se chegamos nessa fase da vida: é por continuarmos vivos! Pelo fato de sobrevivermos a violência urbana, também. Mas a trama desse filme traz essa longevidade como pano de fundo, ora pela própria natureza, ora pelos avanços da ciência. Como também esse filme não nos mostra isso de forma didática. Muito embora seria até válido. É que como temos um casal de protagonistas, de uma união já na casa dos trinta, o plano central foca o que vem com essa fase. A vida sexual também mudará, e em que?

É nisso que o título internacional sugere: um florescer para esse novo tempo. Uma descoberta, mesmo que tardia, de que ainda tem muita coisa para se fazer, viver… É o sentido da vida: seguir em frente. Agregando novos valores, abdicando de outros. Olhando-se no espelho: dizendo um “Olá!” para essa pessoa a princípio estranha, mas que até por conta disso, está ciente de que ainda é capaz de surpreender também a si mesmo. Que ainda tem muita tesão pela vida. Ou, como no subtítulo dado no Brasil: que se tem amor, não terá um fim. Será um recomeço. Já o título no original em francês pontua que esses 60 anos teve 3 fases de 20. Para esse casal a dos 40 aos 60 ficara curta demais. Ou, nem fizeram planos para esses 20 que teriam à frente. Com o susto, tiveram que passar a limpo esses quase 60 anos. Com isso, teriam que fazer individualmente também.

Porque eu me imaginava mais forte. Porque fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente” (Clarice Lispector)

Mary (Isabella Rossellini) foi quem primeiro se deu conta da nova fase que chegara. Por conta de um lapso de memória: esquecera em como foi parar num quarto de motel com o marido. Ele, Adam (William Hurt), leva na esportiva a preocupação dela. Na verdade, ele nem se tocou. Mas fatos no transcorrer daquele dia, no seu trabalho, o fará repensar. Não em sua vida particular. Pois isso, na cabeça dele estava tudo indo bem. A questão era o impasse que a sua vida profissional se apresentava. Estava diante de uma encruzilhada. De um lado: aceitar um projeto que o sócio com dinheiro, Richard (Simon Callow, de “Quatro Casamentos E Um Funeral”, 1994.) queria muito que a Firma deles fizessem. Só que Adam, não apenas não queria aceitar, como tal projeto o faria pensar na velhice 24 horas por dia. Ele odiou até as novas mudanças que Mary fez na casa. Como as barras na banheira do quarto do casal. Só que sem perceber se apoiou numa para entrar na banheira. Não se trata de um spoiler porque a cena foi escolhida como cartaz do filme. O outro lado a escolher. Fora uma descoberta por acaso: ouviu sem querer a conversa de um grupo da Firma. E se o destino colocou na sua frente, não resistiria muito aquela tentação.

O projeto proposto por Richard, seria uma nova Flórida. Um Balneário para a turma da terceira idade, e rica, viverem, mas que atraísse também o desejo dos mais jovens. Com isso, ele teria que visitar asilos, conversar com muitos idosos… Mary até facilita um encontro desses. Leva um grupo do qual sua grande amiga Charlotte (Joanna Lumley) pertencia: Panteras Grises (Gris = de cabelos grisalhos. Uma entidade em defesa dos Direitos dos da Terceira Idade). Bem, o tiro saiu pela culatra. Por algo que uma delas falou sobre um Projeto do Adam. Fora um trabalho que lhe rendeu fama internacionalmente. Mas fez Adam perceber que ficou deitado nessa fama por muito tempo.

Já o outro projeto seria além de trabalhar com um grupo de arquitetos bem jovens, em dar uma cara nova a algo velho: uma arquitetura nova para um grande Museu. Algo que chamasse mais a atenção do que a Pirâmide do Louvre. Pois é, mesmo que, a grosso modo, um museu seja lembrado por guardar coisas velhas, essa arquitetura futurista teria encabeçando o nome dele. E isso era tentador também. Como também por quem estava à frente do grupo: uma jovem e cheia de gás Maya (Arta Dobroshi).

Acontece que para esse projeto Adam teria que captar patrocínio e isso ele nunca soube fazer. Como também ficou ciente que só o seu nome não valia mais para os jovens à frente de outras empresas. Ficara mal acostumado até com os cuidados da esposa durante a vida de casados.

Então, acabei falando mais dele em primeiro lugar do que dos conflitos existenciais da Mary. Mas viram o porque: o acorda dele veio pelo o que ele conquistara até então. Com a Mary não. Ela que vivera até então pela e para a Família, se vê perdida. Se sente invísivel, ou sentia-se antes de conhecer Peter (Hugo Speer), o dono da academia onde fora nadar. Pois procurando por um médico, ele receitara ginástica e também fazer um trabalho voluntariado. Além, pasmem! De que um dos remédios que receitara anteriormente, trazia esse efeito colateral: lapso de memória.

Se de um lado a ciência ajuda na longevidade de muitos, por outro também pode causar, ou acelerar novos danos. É como um aviso a uma medicação em excesso. Mas o filme também nos mostra, o quanto ela, a ciência, pode ser uma boa companheira. Tanto para Richard. Como para a mãe de Mary, Nora (Doreen Mantle). Nora me fez lembrar de Elsa, do filme “Elsa e Fred – Um Amor de Paixão“, também pelo jeito de aproveitar a vida. Meio clichê, mas quando se chega numa fase da vida, pode ser vista como: o primeiro dia do resto da nossa vida. Então, o melhor é vivenciá-lo como sendo o primeiro, sempre.

O primeiro “Acorda!” que Nora dá, é em específico para Mary. Depois, subjetivamente, traz dois, mas ao casal. Numa sociedade atual, tão mais afeita com o status, com aquilo que se tem, essas cenas nos mostra os reais valores. Charlotte também, ao seu jeito, tentou mostrar um deles a Mary. Até Richard, de um jeito torto, levou Adam também descobrir um deles. Os três filhos do casal – Giulia (Kate Ashfield), James (Aidan McArdle) e Benjamin (Luke Treadaway) -, bem que teram ajudar nessa. Mas talvez por deixarem certos ressentimentos aflorarem, tal ajuda veio como coadjuvante da de Nora, a avó deles.

Entre coisas do passado e do presente… o filme traz um merchan daqueles que se diz: “Que Excelente Sacada!” O Red Bull aqui ficará memorável!

É um filme que se vê com brilhos nos olhos. Uma história, e com atores mostrando todas as marcas do tempo numa cara sem maquiagem, seria algo que não interessaria Hollywood. Nem muito menos ao público bem jovem. O que é uma pena! Já que as reflexões os levariam a não carregarem bagagens inúteis em suas vidas futuras. O filme é um aprendizado sim, mas como já citei o faz sem didatismo. Mostra um envelhecer com respeito, elegância, e cheio de charme. Isabella Rossellini continua belíssima em vésperas de também completar 60 anos na vida real, e William Hurt adquiriu uma beleza ímpar com o sabor do tempo. A Trilha sonora também veio a somar a esse excelente filme. A música tema do filme é contagiante! Dá vontade de sair dançando. Lembra uma Banda da Lousianna, Mississipi. Não achei um vídeo com ela, então deixo o trailer. Não deixem de ver também esse filme.

Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Late Bloomers – O Amor não tem Fim (2011). França, Bélgica, Inglaterra. Direção e Roteiro: Julie Gravas. Gênero: Drama, Romance. Duração: 95 minutos.

Série de Tv: CHAVES

Chaves” é um seriado que conquistou o Brasil, se tornando um símbolo da TV mundial, uma produção televisa que é transmitida de uma geração para a outro.

Em seu contexto encontramos uma linguagem simples e totalmente cotidiana. O produtor se preocupa em resgatar a simplicidade da criança com a parte humorada dos adultos; transformado “Chaves” em um seriado de maior sucesso de todos os tempos. Os personagens são irreverente e cada um deles além do grande astro Chaves, tornaram personagens que todo mundo conhece e já deu boas risadas com os mesmo.

O seriado tornou-se um elemento que faz parte da cultura de um país. Os personagens são mexicanos, mas a sua identidade após anos no Brasil se tornou brasileira. O seriado invade as nossas casas há mais de 20 anos e durante todos estes anos nos divertimos e descontraímos como este humor incomparável e totalmente original.

A série nos mostra como clareza que não precisamos ir além para conquistar o sucesso e sim trabalhar com o simples, com o cotidiano, com o mundo a nossa volta.

A mistura perfeita de talento, humor e cotidiano fez do seriado um sucesso no Brasil e no mundo. Tal feito só foi possível graças à magnífica junção entre os grandes atores mexicanos que dão vida ao seriado e promove o seu sucesso durante todos estes anos.

Os idealizadores do seriado podem ser considerados gênio de uma produção televisiva que deveria ser imortalizada em um filme que provavelmente se tornaria o maior campeão de bilheterias de todos os tempos.

Eternamente lembraremos de Chiquinha, Kiko, Seu Madruga, Dona Crotildes (a bruxa do 71),  Seu Barriga, Dona Florida, Girafales, Chaves… Personagens que marcaram várias gerações e que marcará inúmeras outras.

Toda Forma de Amor (Beginners, 2010)

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“Beginners” é um belo filme sobre amor, perda, vida, família, amizades e um cachorro falante (com uso de legendas). O roteirista e diretor Mike Mills me surpreendeu, fazendo um filme que tem um pouco de Woody Allen, com estrutura de filmes como “(500) Days of Summer” (2009), e, gastando apenas 3,5 milhões de dolares.

O filme começa com uma montagem de imagens narrado por Oliver (o sempre talentoso Ewan McGregor), um artista comercial que acaba de perder seu pai (Christopher Plummer). Com fotos diante dos nossos olhos, indo e voltando entre 1955 e 2003, a narrativa cresce e encanta, pois em poucos minuto, eu senti que conhecia Oliver e seus pais por anos.

Para quem é? 

ImagemPara quem gosta de um filme leve, e bem humano, “Beginners” é um aqueles filmes que encantam, e  não apenas por seu teor gay – o pai de Oliver sai do armário, quatro anos antes de sua morte. A mudança no estilo de vida do seu pai veio como um choque, mas sentimentos também a honestidade da relação entre Oliver e o seu pai.

Atores:

Provavelmente, Plummer vai levar o Oscar de melhor coadjuvante, e ele merece, mas seu personagem teria metade da humanidade que tem se ele não tivesse um parceiro de cena tão maravilhoso quanto McGregor. Achei que o filme é “quase” todo astro de “Moulin Rouge!” (2001).

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Na fase depressiva da sua personagem, Oliver conhece uma jovem atriz vivida por linda Melanie Laurent. Há uma atração instantânea entre eles, mas na cabeça de Oliver – por causa de sua melancolia – a relação parece encontrar barreiras. Entre as cenas de monólogo interior, Mike Mills brilha num truque narrativo, acrescando legendas entre o dialogo entre Oliver e o seu cachorro. Essa ferramenta apenas aumenta a forca dramatica de McGregor, que nos dar ainda mais introspecção no processo de pensamento de Oliver e suas decisões privadas.

Bem, o filme ilustra que a vida move rapidamente, e que cada um de nós temos que nos certificar que tevemos viver a vida ao máximo e nos cercarmos de pessoas que que nos ama, e amá-las de volta. E nos faz lembrar que a cada dia é um novo dia, e uma nova vida- sendo assim, posso dizer que somos todos iniciantes, certo?

Nota 9,0