Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios (2011)

O filme Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios é uma produção cinematográfica brasileira baseada no livro homônimo de Marçal Aquino, a obra conta a história de Lavínia (Camila Pitanga): uma mulher que vive em uma cidade do interior do Pará, a mesma se vê dividida entre a paixão pelo fotógrafo Cauby (Gustavo Machado) e pelo marido, o pastor Ernani (ZéCarlos Machado).

A trama é marcada com o clima úmido da Amazônia, o suor dos personagens, a música local e os rostos gastos da população da região servem de combustão para esse triângulo amoroso que tem como pano de fundo a devastação da floresta e os conflitos da comunidade local com as madeireiras.

Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios é o sétimo trabalho da parceria profissional de Beto Brant e Renato Ciasca e o segundo em que dividem a direção. O primeiro foi Cão sem Dono, de 2007.

Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios narra a história de três adultos deslocados no meio da floresta, envolvidos em um triângulo amoroso que vai ganhando toques de suspense e surrealismo, enquanto conflitos sociais e uma extrema pobreza dominam o ambiente.

Através de uma trama que vai e volta no tempo, o telespectador vai descobrindo quem é Lavínia, uma mulher que embora jovem, já havia passado por uma grande mudança em sua vida. Ex-prostituta foi resgatada das ruas por Ernani e claramente tem com ele um casamento que sobrevive não apenas de amor, mas também de gratidão. Com Cauby, vive uma relação que começa de forma carnal e se transforma em cumplicidade e dependência.

O filme me remete ao um poema de minha autoria: Diabólica sedução:

Sigo os teus passos, chegando ao inferno, nos deitamos nas pedras…
Fortemente desejo o teu corpo sob o meu, sublimemente, fazemos amor.
O prazer que sentíamos é extraído do nosso corpo, da carne, do íntimo da nossa alma.
Se puder ser assim meu amor?
Num afago, me prendo.
O tempo passa em ventos mornos, tépidos que engendra os nossos sussurros de prazer.
Ah, eu adoro essa sua tara.
Os nossos lençóis ficam em desalinho…
Morro de tesão por ela.
E juntos fazemos muitas loucuras, libertando as emoções.
Lambemos um ao outro de forma selvagem.
Provocando um vulcão humano de muito prazer e sedução.
Os nossos corpos fervem em contrações de tesão até o ápice do clímax.
Num vai e vem delirante, gozamos.
O vapor da felicidade molha tudo e os nossos corpos exaustos perdem as forças.
E sob o desalinho dos nossos lençóis, intimamente no acariciamos, nos tocamos, nos desejamos mais e mais.
Iniciando uma nova fogueira de paixão e tesão.

Os diretores nos apresentação uma história mirabolante que envolve, declara, explicita e se cala dentro de um contexto de perdição, contradição e surrealismo.

Ao longo do filme percebemos uma narrativa onde a voz é impregnada da experiência de quem aprendeu todas as regras de sobrevivência no submundo, mas não é do ambiente hostil que circunda a trama amorosa que estamos falando; o motivo da descida de Cauby ao inferno é Lavínia, a misteriosa e sedutora mulher de Ernani, um “pastor evangélico”.

Em suma, podemos declarar que com toda a sua beleza, erotismo, sensualidade e talento, “não poderia haver outra Lavínia.”.

Lembranças (Remember Me. 2010)

Remember Me, Lembranças e Robert Pattinson

Para quem conhece o trabalho do ator Robert Pattinson somente das histórias vampirescas ou de aprendiz de feitiçaria, não imagina que o rapaz é um pouco mais que um rosto bonito; ele tem um talento singular e seu público cativo certamente não faz ideia, podendo se surpreender com outros trabalhos de sua filmografia. A Prova está em duas de suas últimas atuações: o drama “Remember Me” (Lembranças) e “Poucas Cinzas” - neste último ele protagoniza o pintor surrealista Salvador Dali quando jovem.

Em Remember Me, Robert Pattinson é Tyler, um rapaz rebelde, sofrido e traumatizado por ter perdido o irmão mais velho, difícil para ele, tão jovem, entender e aceitar a morte desse ente querido. Além disso, enfrenta outras questões de ordem familiar: desentendimento com o pai, assuntos particulares mal resolvidos e a mais delicada de todas é que ele se sente responsável pela irmã caçula o qual cumpre muito bem esse papel dedicado, zelando por ela que é vista pela sociedade como uma garota problemática ou ”diferente”, os pré-conceitos da vida, e lhe dá apoio e carinho na medida certa. A tristeza parece ser sua companheira inseparável instigando-o a amar profundamente pessoas a seu redor, seus amigos e por fim sua namorada, sem aquela necessidade ou cobrança de declarações verbais exageradas como de praxe, e sempre que possível procura se afastar de estranhos, mantendo-se numa redoma invisível de proteção, não se importando muito com o que pensem a seu respeito. Isso faz lembrar um determinado personagem saído das páginas da literatura dando um tom bucólico encantador e quase que não permitindo acesso ao mundo arbitrário, cortando a comunicação entre o real e a fantasia.

O filme é comovente, porém, trágico do início ao fim, deixando sequelas e marcas na alma dos mais emotivos. A história é ambientada em Nova York de 1991, mostrando um violento assassinato de uma mãe bem diante da pequena filha e também diante do espectador. Dez anos depois Tyler (Pattinson) transformou-se num rapaz atormentado e triste. O filme é recheado de detalhes que envolvem fatalidades e semelhanças com o mundo real. Uma mera coincidência? Uma história por assim dizer, emblemática, impossível esquecer, ou simplesmente passar a borracha e apagar da memória; são fatos que se carregará como uma cruz para o resto da vida. Mesmo não sendo dono da história são lembranças que deixam cicatrizes profundas em nossas mentes. Era uma vez… o conto pega carona na tragédia de um povo, usando como pano de fundo para contar outra fatalidade.

Parece mesmo que o galã Robert Pattinson amadureceu…. E eu nem sou fã dele. “Lembranças” é um belo e singelo filme.

Tyler Roth (Robert Pattinson) sente-se frustrado por tentar se recuperar emocionalmente e enterrar de vez a tragédia que marcou sua vida, mas sua luta parece ser em vão. Durante muito tempo a dor continua intensa, difícil de superar.  Nesse meio tempo, ele conhece Ally (Emile de Ravin), a filha de um policial, que teve a mãe brutalmente assassinada. Percebendo que pode compartilhar seu pesar com ela, os dois acabam se apaixonando e o nobre sentimento começa a libertá-lo da angústia. Tyler descobre que a perda pode ser superada e a amargura que envenenava sua alma pode ser curada a partir desse envolvimento na companhia de Ally.

Não se trata de uma obra fácil e Robert Pattinson acaba carregando “Lembranças” nas costas. O desfecho inesperado pode decepcionar aos amantes de finais felizes, mas talvez concluam que o investimento foi válido porque o fato trágico lembrado aqui é suficientemente complexo para qualquer entendimento da razão humana. E finaliza unindo os laços afetivos que havia se perdido.

O filme basicamente usa a tristeza como alegoria. Talvez por nos remeter a fatos do mundo real ainda latente. Vale conferir porque a vida é feita de momentos.
Karenina Rostov

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Diretor: Allen Coulter

Elenco: Robert Pattinson, Emilie de Ravin, Chris Cooper, Lena Olin, Pierce Brosnan, Martha Plimpton, Peyton List, Ruby Jerins.
Produção: Carol Cuddy
Roteiro: Will Fetters, Jenny Lumet
Fotografia: Jonathan Freeman
Trilha Sonora: Marcelo Zarvos
Duração: 113 min.
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Drama

Paraísos Artificiais (2012)

O filme Paraísos Artificiais é uma produção cinematográfica brasileira que conta a história de amor de Nando e Érika, dois jovens que se encontram e desencontram ao longo do tempo. O contexto da trama se passa nas megas raves e nas festas de música eletrônica, o longa-metragem retrata o amadurecimento de seus protagonistas a partir de suas experiências com família e amigos.

Marcos Prado, depois de produzir Ônibus 174 (2002), Tropa de Elite (2007) e Tropa de Elite 2 (2010), e ter dirigido o Documentário Estamira (2004), tem com “Paraísos Artificiais” (2012) a sua estréia como diretor de ficção, livre do peso que as obras anteriores pudessem jogar em suas costas. Afinal, a cobrança por algo de calibre semelhante, é algo natural. Ao analisar o filme posso dizer que Paraísos Artificiais mesmo não sendo tão forte como os outros, possui um trama que provoca efeito em seus telespectadores.

Ambientado nos anos 2000, o filme é narrado em três atos: o primeiro se passa em Amsterdã, para onde Nando viaja com seu amigo Patrick, e onde conhece Érika, DJ internacional; o segundo alguns anos antes, em uma rave na beira do mar, no Recife, para onde Érika segue viagem com sua amiga Lara, e onde Nando também está com Patrick; o terceiro se passa no Rio de Janeiro, cidade natal de Nando, onde ele enfrenta problemas familiares, principalmente com seu irmão mais novo Lipe, e onde por fim reencontra Érika.

Como ser humano que vive os conflitos do mundo contemporâneo, afirmo que no filme Paraísos Artificiais encontramos com propriedade as descrições dos comportamentos humanos com: os devaneios da juventude, os desequilíbrios emocionais desta fase, a sexualidade, o sexo propriamente dito, os vícios, as raves, as drogas licitas e ilícitas e os inúmeros comportamentos que compõe a sociedade humana do novo milênio. O filme nos leva a entender que vivemos a plenitude do nada, de uma existência complexa e dolorosa; onde acreditamos ou desacreditando em uma esperança para reviver o possível amanhã.

Em suma, podemos concluir que o filme descrever as mazelas de um mundo escrito pelos jovens que amanhã serão os líderes políticos, sociais, econômicos e intelectuais de uma nação. Mesmo com uma língua simples a produção transmite uma vasta mensagem.

Paraísos Artificiais. 2012. Brasil. Diretor: Marcos Prado. Elenco: Nathalia Dill (Érika), Luca Bianchi (Nando), Lívia de Bueno (Lara), Bernardo Melo Barreto (Patrick), César Cardadeiro (Lipe), Divana Brandao (Márcia), Emílio Orciollo Neto (Mouse), Roney Villela (Mark), Cadu Fávero (Anderson), Erom Cordeiro (Carlão). Gênero: Drama, Romance. Duração: 96 minutos. Classificação etária: 16 anos.

Titanic – Uma lenda do Cinema Mundial

Titanic é uma produção hollywoodiana que narra a história de amor de dois jovens amantes, bem como a tragédia com o transatlântico RMS Titanic. Foi lançado em 1997. Roteiro e Direção de James Cameron. Um grande sucesso de bilheteria e de crítica, ganhando 11 prêmios da Academia (ficando como o primeiro no ranking do Oscar uma vez que “Ben Hur” mesmo tendo também 11 prêmios vindas de doze indicações, enquanto Titanic teve catorze) e 3 Grammys. O filme ganhou uma versão em 3D, num lançamento mundial em abril de 2012, data que marca 100 anos do naufrágio.

A história é sobre dois jovens de diferentes classes sociais Jack Dawson (Leonardo DiCaprio) e Rose DeWitt Bukater (Kate Winslet) que se apaixonam durante a viagem a bordo inaugural do Titanic em 1912. Embora a história de amor seja fictícia, muitos dos personagens como tripulação e passageiros, foram baseados naqueles que estavam realmente abordo do navio real. Os amantes: Rose e Jack representam muito bem o papel de Romeu e Julieta do pós-modernismo.

Na trama, cenas de emoção são adicionados com outras que retratam o heroísmo óbvio pelos membros da tripulação. Joseph Bell, o engenheiro-chefe, e seus homens trabalham desesperadamente até os últimos instantes. Wallace Hartley, o maestro e sua orquestra, continuam a tocar música edificante para o fim, mesmo quando o navio afunda.

O filme é uma obra de arte que emociona e destaca com propriedade o “mito da arte de amar”, uma produção cinematográfica que pragmaticamente eternizou os sentimentos existentes nos mais belos poemas épicos e versos da odisséia.

Titanic é um filme encantador que nos faz lembrar de um poema que transcrevi em um momento de profunda reflexão da alma:

O Fluxo das Coisas Eternas

Nada é “eterno”, no entanto tudo se transforma…
As pessoas mudam, o mundo muda e tudo passa.
O existir é um constante ir e vir.
É bom saber que amanhã é um novo dia.
Erramos hoje, mas tudo se faz novo quando o sol renasce na imensidão do céu azul.
O tempo é o senhor de todas as coisas, ele encarrega de eliminar as dores, os medos e os dissabores de uma vida plenamente vivida.
O mundo é um verdadeiro comboio de emoções; onde a essência amor mantém a legião de seres humanos vivos e determinados a sonhar e sonhar.

Quando falamos de sentimentos, é bom saber que o amor tem tendência a se desabrochar, fundando um belo jardim florido, mas o ódio, ou seja, o amor na forma mórbida permanece constantemente sem vida, inóspito, mas sensível ao poder do tempo. O tempo vai além de “tudo”, sobrepõem os ritmos, culturas, sociedades e as diversas realidades. Enfim, a vida é um percurso de histórias distintas, complexidades transmutáveis e sentimentos variáveis.

O filme é um clássico do cinema mundial. Titanic será sempre uma lenda dentre tantas produções cinematográficas.

Em suma, Titanic é uma obra prima que tem o poder de eternizar a arte de viver e acima de tudo de ensinar, libertar e compreender uma sociedade contemporânea; buscando concretizar a memória, os momentos históricos, individuais e sentimentos de ontem para uma geração futura.

Dhiogo José Caetano

A Corrente do Bem (2000). A Conta que Muda o Mundo (Cinema, Educação e Rede Social)

Por José Antonio Klaes Roig, do Blog Educa Tube.

Estava zapeando canais de TV, de noite, quando eis que paro justamente na cena acima do filme A Corrente do Bem, que já havia assistido tempo atrás, mas não com o enfoque educacional. Dessa feita, percebi o quanto é possível trabalhar cinema, educação e redes sociais através desta cena ou do filme como um todo.

A conta que pode mudar o mundo é bem simples, como na cena demonstra, mas para se atingir o resultado satisfatório requer que acreditemos no que pregamos, sejamos pais ou educadores…

Nós somos o elo de uma corrente e podemos dar continuidade ou quebrá-la, com nossas ações… Como educadores, temos ou deveríamos ter a consciência, como disse alguém certa vez, que não educamos para o Hoje, e sim para o Amanhã… Não ensinamos uma turma, mas uma geração! E como blogueiros educacionais não temos a dimensão de nossas ações no mundo real, a não ser quando alguém deixa algum comentário… Mas se socializamos nossa prática, divulgamos ações, atividades, projetos relevantes nossos, da escola e/ou de outros colegas, estamos ampliando a corrente e mostrando ao mundo virtual, o que a grande mídia desconhece ou não mostra no horário nobre…

A corrente do bem é pensar, não apenas em ações imediatas com resultados instantâneos, mas ações a médio e longo prazo, que sejam aplicáveis, sustentáveis e significativas… Mas pra isso, é preciso saber mediar o tempo, o espaço, os recursos, sujeitos e agentes envolvidos neste processo… Planejar tudo isso é preciso… Boas ações não se mantém com apenas boas intenções…

A corrente do bem não é criar grandes projetos – muitos mirabolantes e pouco executáveis – para concorrer a premiações, mas fazer coisas simples, autênticas e de uma praticidade que motive outros a também seguirem o exemplo, e ai, por si só, o reconhecimento virá…

E cada vez mais, num mundo cheio de estímulos visuais, para se envolver o aluno é preciso conhecer esse novo mundo do jovem… que é bombardeado por todo tipo de coisa, sem o devido acompanhamento dos pais… E a corrente do bem precisa necessariamente iniciar na família, continuar na escola e seguir nos demais ambientes sociais… precisamos ser o exemplo do que queremos propor.

A pedagogia do exemplo tem que começar sempre por nós, eis a conta que pode mudar o mundo, a começar pelo nosso próprio…

Aprendi com meu pai, que pintava sempre as mesmas paisagens, mas nunca os quadros eram iguais um ao outro, haviam tons e detalhes únicos em cada um… Assim deveria ser o ato de educar, repetir-se enquanto artista sem ser uma repetição da mesma obra… Múltiplos olhares sobre a mesma paisagem humana…

Disse César Coll: “Tão importante quanto o que se ensina e se aprende é como se ensina e como se aprende“. Metodologia e didática adequadas áquele tempo e espaço propostos dão significado à prática escolar, que precisa promover significação para o aluno… Afinal, como declarou Carl Rogers: “Os educadores precisam compreender que ajudar as pessoas a se tornarem pessoas é muito mais importante do que ajudá-las a tornarem-se matemáticas, poliglotas ou coisa que o valha.” Educar para o mundo e para a vida, antes mesmo que para o trabalho… O sentido da vida é justamente buscar um sentido, um significado para a existência, dentro de uma corrente, de uma rede social…

A Corrente do Bem (Pay It Forward. 2000).

A Guerra Está Declarada (La Guerre Est Déclarée. 2011)

Quando adolescente eu li o livro, mas numa edição condensada e gostei. Não sei se na época, lendo uma versão na íntegra, teria gostado tanto. Acho que só com mais idade iria saborear melhor a narração mais erudita. Ou mais elaborada de uma paixão com um destino trágico. Depois vi o filme de 1968 do Diretor Franco Zeffirelli com Olivia Hussey e Leonard Whiting, e amei. Mas não gostei muito da versão de 1996 com Leonardo DiCaprio e Claire Danes. Não sei se revendo agora, eu viria a gostar mais. Em entender a leitura do Diretor Baz Luhrmann trazendo para uma atualidade esse Clássico de William Shakespeare: Romeu e Julieta. Pois pensei nisso ao gostar da versão que a Diretora Valérie Donzelli deu para essa história.

Em “A Guerra Está Declarada” seria indo um pouco além na história do casal. Como se tivessem sido poupados pelos deuses. Ganhando mais um tempo na terra, quem sabe até longos anos, em viver esse amor. Mas tiveram um preço a ser pago. E que pagaram! Me adiantei. Voltando ao início do amor entre o Romeu e a Julieta dessa história.

Numa festa, o olhar de dois jovens se cruzam, e parecendo amor à primeira vista, eles se aproximam. O jovem então diz seu nome: Roméo (Jérémie Elkaïm). Ela se admira, e diz se chamar Juliette (Personagem da Diretora e Roteirista do Filme: Valérie Donzelli). Roméo brinca dizendo que há uma tragédia entre eles. Mas já era tarde demais: estavam apaixonados. E numa de “Que seja eterno enquanto dure!“, trocam o primeiro beijo selando aquele amor que se iniciava. Até aqui um doce início de romance, onde a saída dramática ficara mesmo com o namorado de Juliette.

Casaram-se! E com o nascimento do Adam veio a tragédia. Pulando de um médico para outro, vem o diagnóstico: Adam (Gabriel Elkaïm) tinha um tumor no cérebro. Então em vez de guerra entre famílias como na história de Shakespeare, eles declaram guerra contra o que o destino reservara ao pequeno Adam. Um bebê ainda. Mas que pelo início do filme, se vê que eles podem ter ganho essa batalha. Já que Adam aparece crescido. Ele está fazendo uma ressonância magnética, e enquanto aguarda, Juliette lembra de quando conheceu o pai dele. É por esses pensamentos que conhecemos toda essa história.

Preparem os lencinhos que há cenas onde ficou difícil segurar as lágrimas. Uma delas, é com Juliette dando a notícia a pequena família, e tendo como fundo musical “Inverno – de As Quatro Estações”, de Vivaldi.  É! O casal teria um longo inverno pela frente.

Aliás, a Trilha Sonora é um dos pontos fortes do filme. Escolha perfeita! Elevando as cenas de mais impacto. Tal como às vésperas da cirurgia, o casal levando o filho para conhecer o mar, e ao som de “Manhã de Carnaval”, de Luís Bonfá. Em outra cena, o casal canta e encanta o amor de um pelo outro. Também a cena onde o pequeno Adam é levado para a cirurgia emociona até pela performance dele. E outras mais onde a música se torna um grande coadjuvante.

Até aqui, tudo bem para esse filme: atores, trilha sonora, fotografia… Que eu até diria que a Valérie Donzelli está no caminho certo como Diretora. Mas algo se perdeu nessa história que deu tédio, como o casal perdeu o encanto. Se ainda fossem adolescentes, seria aceito tal comportamento. Explico, mas ai terá spoiler.

Como ela resolveu contar essa história colocando o casal como Romeu e Julieta, também se pode imaginar que haveria algum tipo de separação entre eles. Agora, como foi mostrado, não apenas entediou como levou a pensar que foram frívolos demais. E isso veio ao estender, e muito, a vida desse casal curtindo todas, sob as chancelas do governo, enquanto Adam estava internado passando por longos tratamentos. O desgaste veio pela vida sem compromisso que estavam levando, e com festas e mais festas. Onde o único termo assumido em conjunto fora estar com o filho ao anoitecer, mas até isso falharam por beberem demais.

Tal fato também acaba queimando-o-filme desse tipo de subsídio  – Casa de Apoio -, seja por parte do governo, seja por Ongs. Claro que é algo necessário para pais carentes de recursos ficarem próximos a filhos menores em tratamento hospitalar. Agora, eles poderiam ter feito algum tipo de trabalho. Até para ocuparem a mente. Com isso, o casal perdeu ponto para mim. Nem adiantou ajeitar esse período de “volta à época de solteiros” por uma das vozes em off que narravam a história. Por conta disso a comovente história desses dois quase foi toda para o ralo.

E falando desse recurso, em uma voz em off contar a história do filme deveria fazer parte do contexto. Nesse filme foram várias, mas sem uma identificação dela com os personagens. Então, elas soam como: “Vou explicar o que está subtendido.” O que é péssimo. Como a Julie Delpy fez em “2 Dias em Paris“, explicando tudo detalhadamente pela voz em off.

Então é isso! Mesmo com os pontos negativos, eu voltaria a rever. É um bom filme!
Nota 08.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Guerra Está Declarada (La Guerre Est Déclarée. 2011). França.

Heleno – O Príncipe Maldito (Heleno. 2011)

Gostei do filme em preto e branco do diretor José Henrique Fonseca que trata de ressaltar o caráter perfeccionista de uma pessoa controvertida, da linda e muto linda fotografia de Walter Carvalho que traz todo o glamour de uma época em que todos eram tão superficiais quanto a base da importância de se pertencer ao Hgh society.

O suspense do longa ignora as prováveis curiosidades do espectador em conhecer detalhes da história dessa figura de final já conhecido, nos trai nas imagens das idas e vindas, flash back que percorrem o presente, o delírio, o passado. A narrativa não é confusa, mas não esclarece substancialmente pequenas curiosidades. Há a mensagem subliminar para aqueles que desejem saber mais: “leiam o livro”. O compromisso da telona é com o mito - O que fez muito bem a direção de Fonseca que passa com sutileza a imagem do bom humor do craque, e até permite que os mais atentos percebam sua arrogância na obra cinematográfica como uma arma defesa de alguém que consciente da sua genialidade no gramado, ciente da admiração das mulheres pelo seu rosto bonito, porte imponente, educação e refinamento imaginava conviver com a inveja do restante do mundo, perpetuando aquela arrogância característica da juventude. Em certos momentos me pareceu que Heleno não passou dos 17 anos.

O filme colore a característica de um homem apaixonado por sua  atividade esportiva num tempo de transição entre o amadorismo e o profissionalismo ainda praticamente inexistente.

Um homem advogado, filho da riqueza do café que só queria jogar bola e, como sabia que jogava bem queria ser aplaudido, ovacionado. Sua paixão pelo ato de jogar bola e pelo time que defendia, sua ânsia passional de ver expresso por todos a sua capacidade muito acima da média.

Retratando Heleno, o homem, num contexto de uma sociedade  que ainda tateava no aprendizado de como tratar as  figuras públicas de um setor esportivo que não tinha ainda delineadas suas regras e estatutos.

Ao nos poupar dos detalhes mais dramáticos que a doença impingiu ao craque, a obra preserva a imagem de alguém que tendo o necessário para fazer tudo, fez muito, mas não realizou suas ambições, vítima da sua própria escolha, mesmo aquela que não se sabe exatamente o momento em que é feita.

A demência total talvez lhe tenha protegido das muitas frustrações. Não participou de nenhuma copa mundial, não deu título ao seu time do coração, não viu seu filho crescer e não viveu tanto tempo com a mulher que escolheu para casar. Mas no auge dos efeitos característicos da insanidade mental povocada pela sífilis, esquecido do que era, batia no peito orgulhoso de dizer quem era: “Eu sou Heleno”!

Sim, era e como era!

Também fora boleiro genial, impaciente e até agressivo com os “cabeça-de-bagre”. Corajoso de dizer sobre como se entra em campo defendendo o time e honrando a camisa. Não fosse tão “louco” seu modo de encarar o maneira de exercer a profissão seria argumento de palestras motivacionais.

Ele era Heleno e hoje seria dito “mascarado”, mas ainda na atualidade seria muito mais incompreendida a sua postura de recusar “bicho” pago pelo clube num jogo onde não houve vitória, recebido por colegas que ao seu ver não jogavam pela camisa. Arrepia essa cena que Rodrigo Santoro, incorporado pela entidade Heleno de Freitas bate no peito  e declara sua ética de amor ao clube, comprometimento com resultado e orgulho por seus passes. (ok, que ele era rico e os amigos jogavam para ganhar dinheiro, mas isso não diminui a emoção, por mais que a distribuição da sua parte no “bicho” e queima do dinheiro restante possam parecer arrogância).

Adentra no vício pela inocente porta das drogas permitidas, socialmente aceitas e naquele tempo até  com uso admirado por expressar o glamour da riqueza – o lança-perfume, cigarros e as bebidas alcoólicas. Perde a saúde pela falta de orientação e ignorância vigente numa época em que preservativos praticamente não existiam como prevenção de DSTs; segue orgulhoso, negando-se ao tratamento que acreditava lhe causaria impotência; ruma impávido colosso pelo caminho que lhe foi permitido como celebridade optar  pelo não tratamento de uma doença ainda, quem pode saber, em estado inicial.

O que eu não gostei no filme é que tudo é tão sutil, apenas o destino implacável e soberano, como aquelas antigas  fábulas de moral e bons costumes que os avós  contavam na  esperança que com elas os netinhos se tornassem bons meninos.

Não aparece no filme, a derrocada do atleta devido o erro do diagnóstico que apontava esquizofrenia, em vez da sífilis cerebral que lhe corroeu os nervos e destruindo os seus neurônios, mostra com clareza a isenção dos médicos do clube em não obrigá-lo a tratar-se. A trama nos conduz ao pensamento que ele foi apenas alguém que perdeu para si mesmo e a derrota assumiu forma retumbante porque ele não sabia perder. A tranquilidade da normalidade com que o seu melhor amigo lhe rouba a mulher parece dizer “bem feito pra esse menino mal”…

Como o jogador protagonista da 1ª maior negociação no futebol na época,  Heleno volta desprestigiado tanto por ter amargado a reserva como pela dispensa do Boca Juniors da Argentina, com neurônios a menos e ouvindo vozes dá ao Vasco o campeonato Carioca de 1949, único da sua careira sem aparecer no pôster oficial dos campeões pelo rotineiro motivo:  suas brigas. Sem noção da realidade, certo de que o tempo, a doença e o vício em álcool e éter não lhe atingiriam vai para a Colômbia e se torna lá, ídolo. Já muito atingido pela doença, cheirando éter para sobreviver,  sua esposa Hilma, no filme, Sílvia (Aline Moraes) pede o divórcio e  Heleno tenta com desespero recomeçar no América do Rio onde realiza o sonho de pisar no Maracanã, mas por apenas 35 minutos.

O que não está no filme:

· A Segunda Guerra Mundial impediu a realização de duas copas, 42 e 46, duas oportunidades a menos para um jogador cujo tempo corria mais rápido que para os outros. A cena em que Heleno, depois de ameaçar o técnico Flávio Costa com uma arma sem balas, toma uma surra, o tiraria da sua última oportunidade de deefender o Brasil no campeonato mundial de 1950.

· Em 1942, Heleno foi o artilheiro do campeonato Carioca com 28 gols, marca até hoje não atingida no Botafogo que teve como sucessores de Heleno, Dino, Paulo Valentim, Amarildo, Garrincha, Jarizinho, Roberto Miranda e Túlio Maravilha.

· Em 1952 Heleno estava louco e foi diagnosticado como esquizofrênico. Internado numa clínica do Rio de Janeiro amarrado em uma camisa-de-força, tomou choques, apanhou e fugiu. Foi encontrado com uma faca nas mãos gritando que mataria se o levassem de novo para a clínica.

· Sua esposa, Hilma (que no filme se torna Silvia) era filha de diplomata, colega do poeta Vinícius de Moraes. Este, dedicou ao noivo “Poema dos Olhos da Amada” – obra que seria seresta na voz do cantor Sílvio Caldas.

· Foi no Fluminense, em 1938, através de Carlomagno, que Heleno de Feitas apresentado como jogador de meio-campo, passou a atacante.

· “Jogo do Senta” em 10 de setembro de 44, Heleno era o capitão e principal jogador do Botafogo, que vencia o Flamengo por 5 x 2 e o jogadores rubronegros sentaram-se no gramado. A torcida alvinegra gritava “senta para não levar mais”.

· Mania de grandeza, discurso sem nexo e confusão entre fantasia e realidade são as principais manifestações psiquiátricas da doença também conhecida neurossifilis ou sífilis terciária, a PGP é uma manifestação tardia da doença que paralisou cada órgão do ex-atleta.

· Aos trinta 38 anos, Heleno pesava pouco mais de 40 quilos, tinha o quadro mental de uma criança de 5, falecendo vítma da PGP – Paralisia Geral Progressiva.

Estatísticas:

Data de nascimento: 12/02/1920 / São João Neponucemo (MG)
Data falecimento: 08/11/1959 / Barbacena (MG)
Posição: Atacante

Clubes
1939-1948: Botafogo-RJ
1948-1949: Boca Juniors – Argentina
1949-1950: Vasco da Gama-RJ
1950: Atletico Barranquilla – Colômbia
1951: America-RJ

Títulos
Copa Roca: 1945
Copa Rio Branco: 1947
Carioca: 1949.

Diário de um Jornalista Bêbado (The Rum Diary. 2011)

Eles sabem o preço de tudo e o valor de nada.” (Oscar Wilde)

Primeiramente eu diria que se faz necessário buscar na memória as aulas de História sobre a década de 60 (Surgimento do Feminismo, dos Movimentos Civis em favor dos Negros e dos Homossexuais, a Contracultura, a Revolução Cubana com Fidel Castro, os Hippies, a Guerra Espacial, o assassinato de John F. Kennedy…), como também é válido lembrar das aulas de Geo-Política. Já que estamos falando de Porto Rico, que ainda se mantém ligado aos Estados Unidos como ‘Estado Livre Associado’, e cuja localização era um importante ponto econômico-militar no Caribe para o Tio Sam. Como também, pela beleza natural do Caribe, a especulação imobiliária é como achar uma arca de tesouros. Vimos essa parte, mas em outra “colônia” do Tio Sam em “Os Descendentes“. Digo isso que assim poderão absorver melhor o filme “Diário de um Jornalista Bêbado“.

Por se tratar de período e local dessa história. Onde entre uma golada e outra, o Roteiro do também Diretor do filme, Bruce Robinson, traz muita informação histórica. Claro que em pequenas doses. Mas que deixaram uma vontade de ler o livro, “The Rum Diary“, do jornalista Hunter S. Thompson, o qual o filme foi baseado. E que para entender um pouco mais do personagem principal, também se faz necessário algo da realidade de Thompson. É que ele foi um criador de um estilo denominado Jornalismo Gonzo: em seus artigos há uma total liberdade em narrar um fato, intercalando ficção e realidade, colocando seu parecer. Um jornalista cronista. Nada imparcial. No filme “O Solista” se tem uma ideia de que Thompson realmente fez escola!

Então, por conta disso a ida do personagem principal para Porto Rico caiu como uma luva para uns investidores do ramo hoteleiro. Ele é o jornalista Paul Kemp, vivido por Johnny Depp. Kemp abandonou a Big Apple. Queria Rum, Mulheres e liberdade para escrever do seu jeito as crônicas do dia a dia. Muito sagaz, em seus momentos sóbrios, por tudo aquilo que vê, quase prefere voltar a ficar ébrio por mais tempo. Ciente de que para levar a vida ao seu estilo, precisará de alguém que banque.

Kemp ao largar tudo em Nova Iorque, nem imagina o que vivenciará em Porto Rico. Na bagagem, levará o seu talento para escrever. Aceitando um emprego num jornal local, vai com a cara e a coragem, mas só toma ciência do cargo já estando na ilha, e na presença do Editor-Chefe Lotterman. Personagem do sempre ótimo Richard Jenkins! Coube a Kemp a Coluna de Horóscopo e a de Turistas. Sem outro jeito, ele aceita.

Na Redação ele conhece o Fotógrafo Sala. Papel muito bem interpretado por Michael Rispoli. Houve uma química ótima entre esses dois. Como também há uma cena que entra para a História do Cinema no quesito: dois no volante. É hilária! Como só ela já pagaria em assistir esse filme. Se Kemp realizou o sonho de morar em Porto Rico, Sala mantém o sonho de ir para o México. Mas sem a coragem de largar tudo, vai levando a vida como pode. Kemp e Sala tornam-se grandes amigos. Companheiros também na esbórnia. Mas que os deixa como ‘Dom Quixote e Sancho Pancha’ porque um consegue frear o outro quando se faz necessário.

Sala apresenta a sua Porto Rico para Kemp: lugares e habitantes. É quando Kemp conhece outro jornalista etílico: Moberg. Numa magistral interpretação do Giovanni Ribisi. Ele quase rouba todas as cenas, só não faz isso porque chama a todos para o pódio. Sem querer, Moberg fará com que Lotterman “promova” Kemp. E sem ter planejado, Kemp tem o seu talento também cobiçado por Sanderson. Personagem Aaron Eckhart, que não faz feio, mas pelo personagem poderia ter voado mais alto.

O Grupo de Sanderson quer construir um grande Hotel, aliás, dois. Um, para a Elite. E o outro para os Turistas de Classe Média. Esses, só ficam mesmo no perímetro do Hotel. Têm medo de saírem pelas ilhas, por acharem perigoso. Em parte é! Já que são vistos como os brancos colonizadores. Que lhes tomam o belíssimo litoral.

Kemp vai tentando levar os “dois patrões”, até porque ainda não conseguiu encontrar o tom certo em seu texto. Ele quer ouvir a sua voz interior. Mais uma vez, será Moberg que o levará a isso. Pelo jeito, naquela ilha encantada, entre vudus e muito rum, existe um anjo da guarda um tanto quanto torto. Mas com tanto imprevistos, Kemp não contava por um: o se apaixonar pela mulher de um dos seus patrões, o Sanderson. Ela é Chenault, personagem de Amber Heard. Loura e linda, será disputada por dois galos de brigas: Kemp versus Sanderson. E será uma briga feia! Por fim, a Voz é ouvida. Lhe dando munição para lutar contra os que fazem parte do Sistema, a quem Kemp chama de ‘Bastardos’.

O “Diário de um Jornalista Bêbado” está todo amarradinho. Conseguindo mostrar, e sem entediar, a passagem de Paul Kemp por Porto Rico. Para alguém que só trouxe como bagagem um talento ainda adormecido, ele cresce como pessoa e no campo profissional também. Johnny Depp está excelente! Seu Kemp é único. Muito bom quando um ator consegue diferenciar todos os personagens. Ainda mais que estando no Caribe poderia ter escorregado para o seu Jack Sparrow. Great!

Então é isso! Com um elenco afinado. Paisagem belíssimas. Trilha Sonora à altura da obra. O filme cumpre a sua missão, de entreter, e de querer rever!
Nota 09.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Diário de um Jornalista Bêbado (The Rum Diary. 2011). EUA. Direção e Roteiro: Bruce Robinson. Elenco: Johnny Depp, Richard Jenkins, Giovanni Ribisi, Aaron Eckhart, Michael Rispoli, Amber Heard, Amaury Nolasco, Karen Austin, Marshall Bell, Andy Umberger, Bill Smitrovich. Gênero: Aventura, Comédia, Drama, Romance. Duração: 110 minutos. Baseado no romance homônimo de Hunter S. Thompson.

Curiosidades:
» Bruce Robinson rodou o filme em 2009, em Porto Rico.

Jogos Vorazes (The Hunger Games, 2012)

Em busca a sobrevivência, mas com passos em direção à morte um processo fundamental para dar coerência ao jogo.

Jogos Vorazes é um filme baseado no livro da escritora Suzanne Collins. A produção cinematográfica não difere do livro no quesito horror, nos fazendo sentir uma aflição enorme, junto a uma agonia avassaladora. Acelerando o “coração” dos telespectadores.

O filme narra uma história onde a América do Norte não existe mais, e em seu lugar surge uma nova nação, Panen. “Panem é formada por doze distritos e comandada pela Capital, que, para mostrar sua força, realiza jogos em que 24 participantes terão que lutar até a morte. No dia da colheita um menino e uma menina de cada distrito são sorteados a participar dos jogos”. A trama perpassa dentro destes jogos que buscam de forma voraz eliminar os fracos, até chegar ao mais forte de todos.

O filme vorazmente nos envolve em um processo de muita dor, tortura, medo, insanidade e morte.

No desenrolar da macabra trama encontramos um contexto muito bem elaborado, ocorrendo uma ligação perfeita entre os personagens, o ambiente e aflição de esperar a própria morte!

Afinal, o filme possui um poder de elucidar os telespectadores, seja pelo impacto do desfecho da história, seja pela pressão psicológica compartilhada com os personagens, em um jogo que dicotomicamente trabalha a vida versus a morte.

“Sete Dias com Marilyn” (My Week with Marilyn, 2011)

O pronome possessivo “meu” no título original se refere a Colin Clark (Eddie Redmayne), um jovem obcessado por cinema, que se torna assistente de  Laurence Olivier ( Kenneth Branagh, perfeito no papel), no filme “ O Príncipe Encantado” (1957). Durante as filmagens, ele se torna o único confidente de Marylin Monroe, depois que o marida da estrela  Arthur Miller ( Dougray Scott) se ausenta.

Portanto, “Sete Dias com Marilyn” não é uma cinebiografia sobre a vida da deusa hollywoodiana, mas um relato do relacionamento de Marilyn com Clark, e consequentemente com Laurence Olivier, enlouquecido com a neurose da deusa.

Claramente, a densidade poética do filme é focada na figura de Marilyn. Michelle Williams faz um excelente trabalho mostrando Marilyn de sua elegância cativante a sua neurose. E, acho que se não fosse Williams, o filme não seria tão gostoso de acompanhar.

Entre as indicadas ao Oscar deste ano, Williams era a minha atriz favorita. Dando uma olhada na sua filmografia, ela se tornou especialista em representar mulheres comuns: sua sofrida Alma em “Brokeback Mountain” (2005), a deprimida Wendy, do maravilhoso drama “ Wendy & Lucy” (2008); a esposa maníaca-depressiva com um olhar de “peixe morto”, no intenso “ Ilha do Medo ( 2010); a infeliz e  mal-humorada Cindy, do triste “Blue Valentine” ( 2010); e a perdida Emily, do belo, em busca de uma metáfora e significado subjacente “Meek’s Cutoff”(2011). Depois desses filmes, eu nunca poderia imaginar Williams fazendo uma mulher sedutora do porte de uma Marilyn Monroe. Honestamente, fiquei surpreendido como ela recriou o ícone hollywoodiano, de uma forma humana, sem tentar imitar-la!.
Quando Michelle está na tela ninguém consegue prestar atenção em mais nada, mas em Marilyn Monroe. Sim, Williams não se parece com Marilyn, mas isso não é um problema, pois ela vai te seduzir como Marilyn sempre faz.

“Sete Dias com Marilyn” é um filme interessante e bem feito, mas satisfaz apenas por ter a figura de Marilyn, pois como um filme em geral fica aquém.

Nota 7,0