Jogos Vorazes (The Hunger Games, 2012)

Em busca a sobrevivência, mas com passos em direção à morte um processo fundamental para dar coerência ao jogo.

Jogos Vorazes é um filme baseado no livro da escritora Suzanne Collins. A produção cinematográfica não difere do livro no quesito horror, nos fazendo sentir uma aflição enorme, junto a uma agonia avassaladora. Acelerando o “coração” dos telespectadores.

O filme narra uma história onde a América do Norte não existe mais, e em seu lugar surge uma nova nação, Panen. “Panem é formada por doze distritos e comandada pela Capital, que, para mostrar sua força, realiza jogos em que 24 participantes terão que lutar até a morte. No dia da colheita um menino e uma menina de cada distrito são sorteados a participar dos jogos”. A trama perpassa dentro destes jogos que buscam de forma voraz eliminar os fracos, até chegar ao mais forte de todos.

O filme vorazmente nos envolve em um processo de muita dor, tortura, medo, insanidade e morte.

No desenrolar da macabra trama encontramos um contexto muito bem elaborado, ocorrendo uma ligação perfeita entre os personagens, o ambiente e aflição de esperar a própria morte!

Afinal, o filme possui um poder de elucidar os telespectadores, seja pelo impacto do desfecho da história, seja pela pressão psicológica compartilhada com os personagens, em um jogo que dicotomicamente trabalha a vida versus a morte.

“Sete Dias com Marilyn” (My Week with Marilyn, 2011)

O pronome possessivo “meu” no título original se refere a Colin Clark (Eddie Redmayne), um jovem obcessado por cinema, que se torna assistente de  Laurence Olivier ( Kenneth Branagh, perfeito no papel), no filme “ O Príncipe Encantado” (1957). Durante as filmagens, ele se torna o único confidente de Marylin Monroe, depois que o marida da estrela  Arthur Miller ( Dougray Scott) se ausenta.

Portanto, “Sete Dias com Marilyn” não é uma cinebiografia sobre a vida da deusa hollywoodiana, mas um relato do relacionamento de Marilyn com Clark, e consequentemente com Laurence Olivier, enlouquecido com a neurose da deusa.

Claramente, a densidade poética do filme é focada na figura de Marilyn. Michelle Williams faz um excelente trabalho mostrando Marilyn de sua elegância cativante a sua neurose. E, acho que se não fosse Williams, o filme não seria tão gostoso de acompanhar.

Entre as indicadas ao Oscar deste ano, Williams era a minha atriz favorita. Dando uma olhada na sua filmografia, ela se tornou especialista em representar mulheres comuns: sua sofrida Alma em “Brokeback Mountain” (2005), a deprimida Wendy, do maravilhoso drama “ Wendy & Lucy” (2008); a esposa maníaca-depressiva com um olhar de “peixe morto”, no intenso “ Ilha do Medo ( 2010); a infeliz e  mal-humorada Cindy, do triste “Blue Valentine” ( 2010); e a perdida Emily, do belo, em busca de uma metáfora e significado subjacente “Meek’s Cutoff”(2011). Depois desses filmes, eu nunca poderia imaginar Williams fazendo uma mulher sedutora do porte de uma Marilyn Monroe. Honestamente, fiquei surpreendido como ela recriou o ícone hollywoodiano, de uma forma humana, sem tentar imitar-la!.
Quando Michelle está na tela ninguém consegue prestar atenção em mais nada, mas em Marilyn Monroe. Sim, Williams não se parece com Marilyn, mas isso não é um problema, pois ela vai te seduzir como Marilyn sempre faz.

“Sete Dias com Marilyn” é um filme interessante e bem feito, mas satisfaz apenas por ter a figura de Marilyn, pois como um filme em geral fica aquém.

Nota 7,0

Série de Tv: SMASH (2012)

Depois de “Fame“, década de 80, houve um grande hiato em Séries na televisão cuja temática principal envolvesse números musicais, mas indo mais além. Por não mostrar apenas os bastidores nos preparativos, mas também tudo mais que convergia nos principais envolvidos. A Série veio do Filme de Alan Parker “Fame” (1980). Que por sua vez veio no embalo de outros filmes, como por exemplo, “Os Embalos de Sábado à Noite” (1977). Sei que no momento exibem a Série “Glee” (2009), mas confesso não me motivou a ver. Me pareceu ser endereçada muito mais a um público adolescente. Apesar de gostar de acompanhar o “American Idol“. Então, eis que surge “Smash“.

Lá nos Estados Unidos a Série já conseguiu aval para uma 2ª Temporada. Aqui no Brasil, ainda está nos primeiros episódios da 1ª, no Universal Channel. “Smash” partiu de uma ideia de Spielberg: que seria mostrar os bastidores de um musical da Broadway. Então Theresa Rebeck mergulha nessa ideia e traz como trama principal: os bastidores de um espetáculo na Broadway sobre a vida de Marilyn Monroe (Cuja morte completa 50 anos neste ano de 2012). A partir dai ocorre histórias paralelas envolvendo cada personagem: roteiristas, diretor, produtores, atores aspirantes, familiares…

Pela história, dois já consagrados criadores de musicais da Broadway querem algo ousado, o tal musical sobre a Marilyn Monroe. São eles: Julia (Debra Messing, de “Will & Grace”) e Tom (Christian Borle). Ainda sem um Roteiro fechado, apresentam a ideia a Eileen, personagem de Angelica Houston. Mulher decidida a dar um troco no ex-marido, também um produtor, compra a ideia. Acontece que em retaliação à separação, o ex corta seus dividendos, levando-a numa peregrinação em captar recursos financeiros.

Nesses primeiros episódios, houve a busca pela atriz que faria a Marilyn Monroe. Ficando duas finalistas. Uma, com o biotipo perfeito: loira e voluptuosa. Ela é Ivy Lynn (Megan Hilty). Já uma atriz experiente. A outra, sem as curvas sensuais de Ivy, tem a seu favor a belíssima voz. Ela é Karen (Katharine McPhee, cantora revelada na 5ª edição do “American idol”). Karen, recém saída de um curso de interpretação, trabalha como garçonete para dividir as despesas da casa com o companheiro. Yvy ciente do risco, decide jogar seu charme para o Diretor, Derek (Jack Davenport), enquanto leva em banho-maria Tom. Sendo que esse, por ser homossexual, se encantou por ela justamente por ela personificar a sedução de Marilyn Monroe. E Derek, pelo seu temperamento, e ciente do seu talento, decide manter Karen como um Ás na manga, ou numa eventual perda da atriz principal.

Há intrigas, choros, pedidos silenciosos de colo, puxada sorrateiras de tapetes… Todo um universo que há na montagem de grande espetáculo, e depois para tentar fazer dele um sucesso. Inclusive fora da ficção já que uma Série emplaca mesmo com bons índices de audiência. Assim, cada episódio além de agradar, deve deixar uma ansiedade para ver o seguinte.

Então é isso! Difícil falar muito de uma Série que está no comecinho. Mas até o momento, eu estou gostando muito de “Smash“! Como até recomendo!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Curiosidade: A trilha sonora de “Smash” é assinada pelos compositores de “Hairspray”, com a presença de músicas originais, e não apenas releituras. A exceção é feita para as canções apresentadas nas audições do primeiro episódio.

As Obras de Chico Xavier no Cinema

Chico Xavier”, “Nosso Lar”, “As Mães de Chico Xavier” sãos filmes de longa metragem brasileiro, baseados nas obras homônimas escritas através de psicografias pelo médium Chico Xavier. Elas buscam narrar as mensagens que Chico Xavier deixou para a “humanidade”.

O filme “Chico Xavier” nós apresenta uma autobiografia de Chico Xavier um das personalidades de grande importância dentro do cenário mundial, um homem que através da sua fé em Deus com base no espiritismo, revolucionou a visão a respeito do espiritismo.

A síntese narrativa do filme busca transmitir a clarividência vivida por “Chico” da infância a sua vida adulta.

Um trabalho que desperta a curiosidade de inúmeros espectadores que tem por objetivo compreender melhor quem é “Chico Xavier”, uma “verdade” ou “mito” eternizado na fala, nos livros e nos filmes que invadem as mentes das pessoas pelo mundo afora.

Nosso Lar” é o segundo filme da série, uma produção baseada na obra homônima escrita através de psicografia pelo médium Chico Xavier, sob a influência do espírito André Luiz.

A trama conta a história de André Luiz que ao despertar no mundo espiritual, se depara com criaturas assustadoras e sombrias vivendo, juntamente com ele, em um lugar escuro e sombrio. Além disso, ele também se assusta por perceber que apesar de ter “morrido” ele ainda continua vivo e ainda sente fome, sede, frio e outras sensações materiais.

Após um longo período de sofrimento nesta zona de sofrimento e purgação de falhas do passado ele é recolhido por espíritos do bem e é levado para a colônia espiritual chamada de Nosso Lar. A partir desse momento ele começa a conhecer melhor a vida no além-túmulo, aprendendo lições e adquirido conhecimentos que mudarão completamente o seu modo de enxergar a vida. Tomado a consciência de que está desencarnado (morto), mas que a vida continua, e que nunca é tarde “para recomeçar um novo fim”.

O terceiro filme “As Mães de Chico Xavier” pauta-se em uma narrativa que descrever a relação de três mães que vêem sua realidade transformada por completo depois de encontrar com Chico Xavier. São elas: Ruth, cujo filho adolescente, Raul, enfrenta problemas com drogas; Elisa, que tenta suprir a ausência do marido dando total atenção ao filho, o pequeno Theo, e Lara, professora que enfrenta o dilema de uma gravidez não planejada.

Essas três mulheres vivem momentos distintos, porém buscam conforto junto a Chico Xavier, e resposta para as diversidades vividas no mundo material.

Os filmes nos levam a conclusão que Chico Xavier é o mensageiro do bem, o homem que transformou a vida de inúmeras pessoas. Em seu discurso era notável a sua arte de falar de interpretar a vida e ensinar com sabedoria.

No entanto as produções cinematográficas nos apresentam uma narrativa que sintetiza as ideologias pregadas por Chico Xavier, um homem que se preocupou com outro, colocando a sua sabedoria ao nosso dispor, nos informando sobre a vida além da concepção material.

Ao meu entender as produções cinematográficas nos fazem entender quem é Chico Xavier, um homem além da fé e da clarividência, que perpetuou os sentimentos de solidariedade, amor, renúncia, caridade. Algo não só transmitido para os espíritas, mas para todas as pessoas que foram e são envolvidas pelo amor e fé que Chico Xavier viveu e que ainda vive conforme as perspectivas de sua religiosidade.

Chico Xavier é um indivíduo que através da sua fé em Deus com base no espiritismo revolucionou a visão a respeito do espiritismo em meio a nossa sociedade. Além de nos fazer pensar sobre a “vida depois da vida”.  Verdadeiramente digo que Chico é um ser iluminado que lançou sobre a terra sementes de esperança e ricamente nos ensinou a arte de fazer o bem, de praticar o bem e de viver o bem.

Portanto, Chico Xavier com sua arte de ensinar e de romper com os limites da vida material tornou-se resultado de grande sucesso e de recordes de bilheterias no Brasil e no mundo.

Um Método Perigoso (A Dangerous Method. 2011)

Assim como Jung, David Cronenberg transpôs o seu limite de segurança ao nos trazer essa história. Se para um ator é prova de potencial quando interpreta personagens tão distintos, pode-se esperar que o mesmo também aconteça com um Diretor: quando ele faz uma leitura tão diferente do que vinha fazendo até então. Cronenberg muda o seu método e nos leva numa viagem belíssima entre Zurique (Suiça) e Viena (Áustria) para mostrar o início e o fim de uma amizade que ainda hoje dá o que falar: entre Jung e Freud. Tendo como elo a então paciente Sabina Spielrein. Meus aplausos a Cronenberg! É um filme de querer rever.

Um Método Perigoso” não é apenas para os discípulos, os apaixonados, os fãs, os admiradores desses dois Mestres, já que o filme não é muito didático. Digo isso porque muitos podem deixar de ver o filme achando que terá muitos termos médicos. Se consegue entender mesmo quando Jung clinica Sabina, como também nos diálogos ou nas leituras das cartas entre Jung e Freud. Aliás, o Roteiro prende tanta a atenção, que mal dá tempo de se deleitar com o esmero do cenário, das vestimentas, das paisagens… Fotografia deslumbrante.  E mesmo a trama focando muito mais em Jung, há uma visão impessoal entre ele e Freud. Cronenberg deixa para que o expectador continue com o seu gostar por cada um deles.

Os Personagens:
- Os que seguem os pensamentos freudianos podem não ver, por exemplo, a arrogância desse, a ponto de se incomodar com a riqueza de seu então mais dileto discípulo. Freud tinha que ser mais prático, mais direto no que estava implantando. Pela personalidade, eu diria que se tivesse mais dinheiro também teria saído da sua zona de conforto. Se uniria o se achar superior com o não ter que dá satisfação a ninguém. Bem, não há demérito em suas teorias, que como sua bandeira diz – comprovadas. Como não sou estudiosa em Psicanálise, ela sempre me remete aos filmes de Woody Allen (Amo!). Somado ao que vi nesse filme, continua a impressão que o que a Psicanálise faz é atestar o que a pessoa tem, mas dando a ela uma massagem de ego. Não mete o dedo na ferida!

- Jung, por conta do dinheiro, pode sair da zona de conforto do método adotado até então. O dinheiro da esposa deu a ele mais tempo para outros voos. Suas pesquisas o levaram a até trair a esposa, com a Sabina. Esse relacionamento íntimo, pelo menos para mim, não se deu num nível sado-masoquismo. Mesmo que a tara da Sabina o levasse a isso. Acho que Jung quis conhecer o seu lado de prazer carnal, explorando o seu íntimo. Mas o que extraiu mesmo dessa relação com Sabina, foi algo como uma conversa com um lado feminino: algo como um ânima universal. Jung teve nelas, e com elas – esposa e amante -, o apoio e a ajuda em seu crescimento profissional. Se a máxima diz que por trás de um homem brilhante há uma inteligentíssima mulher, com Jung houve duas.

- Sabina Spielrein tinha uma inteligência nata. Diria mais. Que a sua intuição tinha um dial preciso na maior parte das vezes. Ao ser tratada por Jung usando “a cura pela fala”, a psicanálise, que a ajudou a se autocontrolar, também deu asas a sua imaginação que depois pode então dar um sentido prático a essas ideias. Mas Sabina perdeu um pouco o foco pela paixão por Jung.  Ela poderia ter visto que quem administrou esse tratamento fora um profissional nada ortodoxo, logo não deveria ter colocado todos os créditos da sua cura no método freudiano. Até porque Jung já estava implantando um método próprio, mesmo ainda não se dando conta. E a bem da verdade, por um clima ainda machista, ambos enriqueceram seus estudos por observações dela.

As Performances:
- Michael Fassbender foi uma escolha mais que perfeita. Ele imortaliza na tela Carl Gustav Jung. Bravo! Seu Jung veio para ficar na memória afetiva até dos apenas cinéfilos.
- Viggo Mortensen já desempenhou, e bem, outros personagens com o Cronenberg, como em “Marcas da Violência” (2005) e “Senhores do Crime” (2007). Nesse aqui ele até consegue levar bem o seu Freud, mas não a ponto de arrebatar. Algumas vezes meus olhos batiam no peito dele, meio que em busca de uma estrela de xerife do Velho Oeste. Ficou bonachão.
- Vincent Cassel sim, marcou uma bela passagem. A ponto de querer vê-lo num filme com o seu Otto Gross como protagonista.
- Keira Knightley mais parecia um clone da Winona Ridder. A ponto de eu pensar em porque essa outra atriz é que não estaria fazendo a Sabina Spielrein. Ela se perdeu na construção dessa incrível personagem. Sabina Spielrein merecia uma performance memorável.

Então é isso! O filme “Um Método Perigoso” tirando alguns pontos baixos, como a escolha da atriz Keira Knightley, é muito bom e deixou muita vontade de rever.
Nota 08.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Um Método Perigoso (A Dangerous Method. 2011). Reino Unido / Canadá. Direção: David Cronenberg. Elenco: Viggo Mortensen, Keira Knightley, Michael Fassbender, Vincent Cassel, Sarah Gadon, André Hennicke, Arndt Schwering-Sohnrey, Mignon Remé, Mareike Carrière, Franziska Arndt, Wladimir Matuchin, André Dietz. Gênero: Biografia, Drama, Thriller. Duração: 111 minutos. » O filme foi baseado na peça teatral ‘A Cura pela Fala’ (The Talking Cure), de Christopher Hampton, que por sua vez baseou-se no livro ‘A Most Dangerous Method’ (Um Método Muito Perigoso), de John Kerr. Sem esquecer que Christopher Hampton é quem assina o Roteiro do filme.

Heleno – O Príncipe Maldito (Heleno. 2011)

Desprezando o tom clássico de uma biografia tradicional, José Henrique Fonseca criou um filme irretocável, quando optou por tratar da vida do jogador Heleno de Freitas realçando o lado cinematográfico da estória. Realçou o ídolo e mito enfatizando o lado perfeccionista do personagem que por vezes justifica sua arrogância e violência em limites extremos sem enfatizar sua origem nobre ou apelar sem critérios para o seu conhecido e voraz apetite sexual.

O trabalho extraordinário de Rodrigo Santoro, no melhor papel de sua carreira até então, ajuda a amalgamar talentos quem incluem um roteiro preciso recheado de diálogos e falas inteligentes, o elenco de qualidade, montagem e música (ópera e canções famosas) perfeitas além de uma maquiagem notável entre vários outros méritos na obra.

O resultado calcado na atmosfera glamorosa dos anos 40 é esplêndido, sobretudo por conta da acertada decisão de realizar a bela e delicada foto em preto e branco que valorizou o lado poético do personagem em closes impressionantes e sequências granuladas emocionantes, dentre os quais vale destacar a pungente discussão dos doentes no sanatório e a briga das crianças fãs na praia.

No final, o personagem precocemente devastado pelo éter e pela sífilis, mantem a altivez honrando o apelido de “Gilda”, uma alusão ao célebre papel sedutor de Rita Hayworth. Pelo menos no mundo do cinema, parece que em telas distintas e não menos clássicas, nunca haverá mesmo uma mulher como Gilda ou um homem como Heleno.

Carlos Henry

P.S.: Detesto futebol e não sou fã do Rodrigo Santoro.

Heleno – O Príncipe Maldito (Heleno. 2011). Brasil. Direção: José Henrique Fonseca. Elenco: Rodrigo Santoro, Alinne Moraes, Othon Bastos, Herson Capri, Angie Cepeda, Erom Cordeiro, Orã Figueiredo, Henrique Juliano, Duda Ribeiro. Roteiro: José Henrique Fonseca, Felipe Bragança, Fernando Castets. Fotografia: Walter Carvalho. Gênero: Biografia, Drama. Duração: 116 minutos. Inspirado no livro Nunca Houve um Homem como Heleno, do jornalista Marcos Eduardo Neves.

“Jogos Vorazes” (The Hunger Games, 2012)

Não li a trilogia “The Hunger Games” de Suzanne Collins, e nunca me interessei com a estória que envolve uma batalha até a morte entre crianças. Porém, fiquei curioso de ver o filme por causa de seu tema frio, escuro e triste e como seria transposto esse sentimento dentro um filme para adolescentes.

Para quem não conhece a estória de “The Hunger Games,” eu entendi que tudo se passa nas ruínas da América do Norte chamada de “Capitol.” Uma sociedade futuristica, onde os ricos e privilegiados, se vestem como se estivessem revivendo os anos 80, e olham com desdém para os 12 distritos numerados abaixo deles. Estes distritos representam níveis variados de pobreza e de habilidades, incluindo mineiros, agricultores, metalúrgicos e outros. Numa tradição anual chamada de “The Hunger Games”, em que um adolescente e uma menina de cada distrito são selecionados como “tributos” para lutar em uma batalha até a morte como um lembrete do poder do “Capitol.”

Nos jogos mais recentes, Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence, graciosa, e repetindo a mesma determinação de sua Ree em “Inverno da Alma”, 2010), uma residente do mais pobre de todos os distritos, Distrito 12, onde ela caça esquilos apenas para ter algo para trocar no mercado para manter o bem estar de sua mãe e irmã. Seu melhor amigo é Gale (Liam Hemsworth, cujo papel é extremamente limitado). Katniss se voluntaria para lutar após o nome de sua irmã foi selecionado para participar do “The Hunger Games.” O filho do padreiro, Peeta Melark (Josh Hutcherson, o filho das lésbicas em “Minhas Mães e Meu Pai”, 2010) é o representante masculino. De acordo com as regras, apenas um ou nenhum desses dois combatentes vai retornar ao Distrito 12 vivo.

O filme tem cara de video game, e também muito me fez lembrar de “The Truman Show” (1998)– os jogos são televisionados para todos os 12 Distritos, onde as pessoas assistem como seus filhos são assassinados para a satisfação do governo opressor. Duas vezes no filme um gesto de mão é feita em três dedos, que é mantido como uma forma de solidariedade– a platéia pareceu ser SUPER fã do livro, pois levantaram as mãos, repetindo o mesmo jesto!.

Fiquei realmente dividido se gostei tanto do filme ou não. No início, onde somos apresentados a esse mundo moderno — e ao mesmo tempo cafona–, emoldurado na fotografia pálida assinada pelo fotografo de Clint Eastwood, Tom Stern, me entediadou em alguns momentos!. Stern pinta o filme com tons cinzas, e depois faz um contraste bem brilhantes de cores (na “The Capitol”) e os verdes da arena do “jogos da fome.” Tudo alinhado nos inumeros cortes das cenas editadas por Juliette Welfling (The Diving Bell and the Butterfly, 2007), e Stephen Mirrione (Traffic, 2000).

Honestamente, achei que o filme tem muitas cenas bobas, e que me deixaram com aquela vontade sair da sala de cinema, porém a estória do filme em si me envolveu e eleveu os meus animos por explorar temas como “reality shows”, controle da mídia e dessensibilização da sociedade para a violência.Infelizmente, o roteiro se arrasta demais em coisas irrelevantes, e não desenvolve plenamente esses temas. Por exemplo, Katniss é aconselhada por seu mentor Haymitch (o sempre talentoso Woody Harrelson) para se “engraçar” para os espetadores, na esperança que os patrocinadores lhe enviará auxílio – alimentação, água, remédios – enquanto ela está presa dentro da arena.

Infelizmente, o filme nunca explora esse engraçamento da personagem com o expectador, apenas se limita em mostrar um romance entre ela e Peeta. E, com exceção de Katniss e Peeta, nenhuma das crianças (personagens) na “arena” são adequadamente desenvolvidas. Não tive idéia quem são ou o que eles são capazes de fazer, e não existe nenhuma conexão emocional com Katniss. Entre as crianças, há um rosto conhecido, o de Isabelle Fuhrman (“Orphan”, 2009, que é talentosa e não merecia ganhar um papel quase sem falas!).

Quando o abate começa, senti o impacto. E, achei excelente a direção de Gary Ross, que não mantem a câmera com firmeza – filma numa forma irregular girando ao redor, de um modo a distorcer o que realmente está acontecendo. E, pelo que vi, ele foi capaz de levar as coisas muito longe em termos de violência. Me perguentei se o material teria ganho algumas restrições em termos de avaliação se Ross e os outros roteiristas Suzanne Collins (a autora do livro!) e Billy Ray tivessem desenvolvido e nos dessem a oportunidade de nos envolvermos um pouco com crianças que estavam sendo mortas.

O elenco de apoio é bom, Elizabeth Banks mesmo nauseante como a emissária, não compromete; Lenny Kravitz — que deveria fazer mais filmes–, tem alguns momentos de ternura, como o estilista encarregado de fazer Katniss apresentável. O melhor de todos é Stanley Tucci, fazendo uma combinação perfeita de extrovertido e assustador como o apresentador de talk-show.

Não existe efeitos visuais de cair o queixo neste filme, e dá para justificar a razão, pois os efeitos não são tão importantes quanto a estória, e se alguma coisa em “The Hunger Games” prova é que ninguém precisa gastar 300 milhões dólares em efeitos especiais, desde que você tenha uma boa estória.

Honestamente, para quem leu livro comprende melhor as lacunas nos personagem por trás da estória—isso é preenchido, onde o filme está faltando. E, creio que assim faz o filme parecer melhor do que ele realmente é.

Certamente, “The Hunger Games” possue um enredo muito interessante, e também é um filme de ação bem melhor do que muitos que vi nos ultimos anos!. Não que ele seja uma obra-prima, mas vale ser visto…principalmente, quem está com uma grana extra!. E, o que achei perfeito “The Hunger Games” foi a linda trilha sonora escrita por James Newton Howard!.

Nota 7.0

Incêndios (Incendies. 2010)

Por: Lidiana Batista.

Drama canadense dirigido por Dennis Villeneuve e estrelado por Rémy Girard, Lubna Azabal e Mohamed Majd.

A história de dois irmãos gêmeos tentando realizar o desejo da mãe após sua morte. No testamento, Narwal Marwan diz que quer ser enterrada nua, sem caixão, sem lápide e nem funeral. “Nenhuma lápide será colocada para aqueles que não cumprem suas promessas“. E diz ainda que Jeanne deveria encontrar o pai, e Simon o irmão desaparecido. Para cumprirem a missão designada pela mãe, ambos vão parar na Palestina, inciando assim uma investigação sobre suas vidas e sobre a mãe.

Primeiramente devo dizer que tive de refletir muito para escrever sobre este filme. Sabem aqueles filmes que quando terminam, você olha os créditos finais e mesmo assim não consegue se desligar? Incêndios fez isso comigo. Um excelente drama sobre verdade, força, perdão e obstinação.

E todos esses adjetivos não cabem somente ao filme, mas a uma mulher: Narwal Marwan, que teve a audácia de enfrentar a família para viver um amor, teve de doar seu filho e prometer a si mesma que jamais desistiria de encontrá-lo.

Enquanto os gêmeos caminham pelas áridas paisagens do oriente médio procurando pistas sobre o pai e o irmão, a história da mãe vai sendo contada. Não há como não sentir admiração por essa personagem que consegue forças para superar a perda de um filho, se envolver em uma guerrilha e viver 15 anos em uma prisão sendo torturada constantemente. Esta, é “a mulher que canta”.

Aos poucos os mistérios vão sendo desvendados, e a cada pergunta respondida, uma surpresa para os irmãos e para o espectador que assiste tudo admirado, fascinado e louco para saber quem é a misteriosa Narwal Marwan.

Narwal Marwan é sem dúvida alguma uma heroína como há muito tempo não via. Sua história de vida é apaixonante, e o diretor conseguiu transmitir isso com muita competência! A força da mulher que sonha, que não teme, que canta e encanta.

Incêndios queima a alma com a verdade, com o passado ignorado, com a crueldade e injustiça expostas para serem digeridas pelos protagonistas e pelo espectador.

Jeanne, um mais um pode ser um?

Hugo (2011) + Scorsese + Uso Inteligente do 3D = Obra-Prima!

Mesmo já tão decantado em versos e prosa – e com todo mérito -, mesmo com um certo atraso, eu não poderia deixar de registrar a minha impressão desse filme. Até por conta das referências de eu ir assistir numa Sala em 3D. Então fui conferir, e…

Depois do sucesso de bilheteria de “Avatar“, de James Cameron, vulgarizaram tanto o 3D atrás de rendas grandiosas, que talvez seja esse o motivo que tal feito no filme de Martin Scorsese não tenha se repetido. Pelo menos em relação ao Oscar 2012 lhe fizeram justiça. Mas faltou o de Melhor Diretor. Pela grandiosidade do uso da tecnologia do 3D. Como também por nos manter atentos por duas horas de filme. É uma pena que o grande público não pode absorver a belíssima história contada por Martin Scorsese. E quem assistiu “A Invenção de Hugo Cabret” numa Sala em 3D, com certeza ficou com vontade de aplaudir ao final do filme.

Já ciente de que o filme seria longo, mas também de que era muito bom, arrisquei e levei, junto comigo para assistir, três “termômetros”: um adulto que gosta muito mais do Gênero Comédia, um adolescente o qual desconheço o gosto, e uma criança que iria ver seu primeiro 3D. Minha dúvida recaiu-se nesse, até pela duração do filme. De início ele ficou encantado com essa tecnologia; naquela de até querer tocar na imagem. Mas lá pela metade do filme resolveu explorar a Sala de Cinema. Como fez isso em silêncio, como também não tinham nem umas vinte pessoas, relaxei e voltei de todo minha atenção ao filme, mas ainda a tempo de ver três mulheres saindo da Sala. Cheguei a pensar se teria sido por algo que comeram antes da sessão. Mas enfim, voltei ao filme.

O talento para algo pode ser genético. Faltando a um adulto mais próximo mostrar a chave para que o jovem a descubra, por vezes ainda na infância. Mas a vida traçou uma linha torta para Hugo Cabret (Asa Butterfield). Lhe tirando seu bem mais precioso: seu pai. Uma pequena grande participação de Jude Law. Viviam felizes os dois entre responsabilidades, estudos de forma prazeirosa, e muita diversão. Fora o seu pai que despertou nele a paixão por Cinema. Mas um incêndio leva o seu pai. Então seu tio Claude (Ray Winstone) se torna o responsável levando-o para morar com ele. E Hugo leva algo que ele e o pai vinham consertando nas horas vagas: um autômato encontrado num museu. Assim, era como ter o pai junto a si. Aplausos para Asa Butterfield!

Sem o coração, não pode haver entendimento entre a mão e o cérebro”.

Claude morava numa Estação de Trem, em Paris. Era ele quem fazia a manutenção dos relógios. Ensinando o seu ofício ao menino. Beberrão, a vinda do menino lhe daria mais folga não apenas para beber, mas também para sair daquelas cercanias. Para Hugo, todo aquele mundo que via através dos grandes relógios ajudou a amenizar a dor pela perda do pai. E aprendendo a consertar relógio, lhe deu um caminho para a tal engenhoca. Mantendo os relógios pontuais, ambos se tornavam invisíveis aos olhos de todos.

O vai e vem diário dos passageiros, assim como dos trabalhadores e frequentadores das lojas na Estação de Trem, era para Hugo como a tela de um filme. Dos seus pontos de observação, ele já conhecia os hábitos de todos. Por caminhos internos, de desconhecimento geral, Hugo ia de um ponto a outro. Sempre a observar. Sonhando em voltar a sentir o calor e carinho de uma família. Até esse dia chegar, ia vivendo uma aventura solitária. Mas com o relapso tio, para não passar fome, se via obrigado a roubar pães, frutas, leite… Sendo que para isso teria que se fazer de fato invisível aos olhos do Inspetor da Estação. Personagem de Sacha Baron Cohen. Que está formidável!

Se você já se perguntou de onde vem os seus sonhos, olhe ao seu redor. É aqui que eles são feitos.”

Hugo também tentava se tornar invisível para o dono da loja de brinquedo. É que Hugo precisava de pecinhas dos brinquedos de corda, para a tal engenhoca. Mas um dia, o dono da loja, Georges Méliès (Ben Kingsley), lhe dá um flagrante. Dando início a uma nova aventura. Sendo que dessa vez Hugo não mais estará observando, ele fará parte desse roteiro de vida. Tudo porque George lhe toma o livro de anotações do seu pai. O que leva Hugo a conhecer e ficar amigo da sobrinha de George, a jovem Isabelle (Chloë Grace Moretz). Essa, sedenta por vivenciar uma aventura real, como dos livros que lia. Ela levará Hugo para conhecer o seu mundo dentro da Estação de Trens: a loja de livros do Monsieur Labisse. Outra grande participação nesse filme, pois quem interpreta é Christopher Lee. Aplausos também para Ben Kingsley e Chloë Grace Moretz!

Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.” (Chaplin)

A história de “A Invenção de Hugo Cabret” é fascinante: em colocar paixão naquilo que fizer. Mesmo o filme estando bem redondinho, fiquei com vontade de ler o livro homônimo de Brian Selznick, no qual o filme foi inspirado. O Roteiro de John Logan conseguiu contar e bem toda a aventura e desventura de Hugo. E Martin Scorsese conseguiu sim fazer um excelente uso do 3D. O que até me leva a ser repetitiva, mas é por uma torcida de que os demais Diretores só usem esse recurso de modo inteligente. Como também que as crianças que assistirem esse filme, além de ser tornar um cinéfilo, que também passem a gostar de lerem livros. O filme também tem isso de bom: incentivo à leitura. Great!

Um vídeo muito bom para quem não viu, ou viu e queira rever, de um Making Of dos Efeitos Visuais em “A Invenção de Hugo Cabret“:

Então é isso! Uma Obra-Prima que vale o ingresso para assistir em 3D. Um filme onde não se resiste em aplaudir no final.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

L’Apollonide – Os Amores da Casa de Tolerância (2011)

A película “L’Apollonide – Souvenirs de la maison close” de Bertrand Bonello que se passa num prostíbulo francês de luxo na chegada do século XX não é definitivamente um filme para todos. Apesar da beleza plástica extraordinária sustentada por uma produção de arte incontestável, o roteiro, sem grandes surpresas ou reviravoltas, tem um ritmo lento e uma minuciosa construção de personagens que afastam os espectadores de hoje, ávidos por soluções rápidas e sequências vertiginosas de velocidade estonteante.

Com o olhar de quem aprecia uma obra de arte, o filme pode ser saboreado como uma peça rara recheada da nudez renascentista de mulheres aprisionadas num claustro erótico comandado pelo dinheiro e poder masculinos. No meio da rotina triste do estabelecimento há um punhado de cenas, que congeladas e impressas se transformariam rapidamente em pinturas memoráveis.

A melancolia que impregna o trabalho daquelas mulheres é sintetizada no sorriso rasgado à força e nas lágrimas de sêmen de uma das personagens num conjunto de imagens tão chocantes quanto comoventes e que dificilmente serão esquecidas.

Sob o olhar lânguido da pantera que visita o local, o sofrimento de doenças, violência e preconceito desta classe estigmatizada atinge os dias de hoje numa transição de tempo brilhantemente solucionada no desfecho deste filme singular.

Por Carlos Henry.

L’Apollonide – Os Amores Da Casa De Tolerância (L’Apollonide – Souvenirs de la Maison Close. 2011). França. Direção e Roteiro: Bertrand Bonello. Elenco: Hafsia Herzi (Samira), Céline Sallette (Clotilde), Jasmine Trinca (Julie), Adele Haenel (Léa), Alice Barnole (Madeleine), Iliana Zabeth (Pauline), Noémie Lvovsky (Marie-France), Xavier Beauvois, Louis-Do de Lencquesaing, Esther Garrel, Jacques Nolot. Gênero: Drama. Duração: 122 minutos. Censura: 16 anos.