A Invenção de Hugo Cabret (Hugo, 2011)

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Scorsese faz um ode de amor ao cinema clássico no seu novo filme “Hugo”- um conto de fantasia com uma pequena dose de comédia. Filmado notavelmente em 3-D, e expandido por imagens computadorizadas, “Hugo” é baseado na novela grafica de Brian Selznick, “A Invenção de Hugo Cabret”, com roteiro de John Logan, que roteirizou o chatissimo “The Aviator” (2004).

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O filme se passa nos anos 30, em uma estação de trem em Paris, onde um jovem órfão chamado Hugo Cabret (o extraordinario Asa Butterfield), vive secretamente dentro da máquina que mantém os relógios da estação em execução. Nenhum outro filme envocou em tal complexidade as rodas, manivelas, alavancas, catracas e engrenagens, tudo acoplado a um conto de perda, saudade, mistérios revelados e felicidade reconquistada.

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O cineasta abraça as imagens de efeito digital, e Paris nunca pareceu tão bela, e tão falsa em movimentos de câmera 3D. Falo assim pois ainda não cai de amores a esse tipo de linguagem em 3D, mas tudo bem, o filme tem muito mais qualidades do que defeitos. Scorsese teve uma irresistível oportunidade, não só para fazer um filme para crianças e adultos, mas para compartilhar sua paixão pela história do cinema. Isto porque a história de “Hugo” leva ao pioneiro do cinema Georges Méliès ( Ben Kingsley)-  que é também o proprietário da loja de brinquedo, o qual coloca Hugo em apuros. Também, Hugo tem que enfrentar o inspetor da estação interpretado por Sacha Baron Cohen, que quase rouba todas as cenas que aparece. Mas a aventura acontece mesmo quando Hugo se torna amigo de Isabelle (Chloe Moretz). Ambos desfrutem a paixão pelo cinema, e pelos descobrimentos que os levam até Georges Méliès.

A potência temática e o virtuosismo cinematográfico da produção de arte de Dante Ferretti e da bela fotografia de Robert Richardson, são um show a parte, embora Paris tenha aquela aparência brilhantemente falsa. E, Howard Shore escreveu uma trilha muito agradavel!.

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“Hugo” é um filme que depois de vê-lo uma vez eu não preciso vê-lo novamente. Eu aprecio a paixão de Scorsese, sou fã dele, e creio que se o Oscar não fosse uma premiação tão politica, ele deveria ganhar o premio de melhor diretor do ano!. Bem,  ”Hugo” traça esse paixão pelo cinema, mas no final senti que a história geral deu lugar a essa paixão e um pouco da magia se perdeu. Não porque o filme não seja maravilhoso, pois é muito bom, mas seria melhor se não fosse tão longo!.

Nota 8,5

A Árvore da Vida (The Tree of Life. 2011)

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É sabido que Terrence Malick é um cineasta como nenhum outro. Para desfrutar dos seus filmes, você não pode seguir uma norma, mas se deixar transportar emocionalmente e visualmente. “A Árvore da Vida” é o filme mais ambicioso do cineasta, e também o mais dificil de se transportar.

Embora visualmente seja um filme de cair o queixo, Malick introduz vários conceitos que nunca realmente se unem. Talvez o Livro de Jó seja o fio contudor, especialmente os versos 38:4-7, no qual Deus está lembrando Jó de seu poder e sua criação os fundamentos da terra a partir do mar para as estrelas. “ A Árvore da Vida” dá testemunho dessa criação, em conjunto com outros elementos do Livro de Jó, em geral, incluindo o questionamento da justiça de Deus, a inocência contra a maldade e o sofrimento humano.

O filme começa com o Sr. e Sra. O’Brien (Brad Pitt e Jessica Chastain) sendo informados da morte de um dos seus três filhos. A natureza de sua morte não é totalmente clara, mas esta é a primeira instância em que a fragilidade da vida é mencionada será revisitada com freqüência. Movendo mais ou menos 40 anos no futuro, nós nos encontramos próximos entre torres de vidro gigantes e a selva de concreto onde se encontra o filho mais velho do casal,  Jack (Sean Penn), agora crescido. É o aniversário da morte de seu irmão e pegamos trechos breves de um telefonema que ele está tendo com seu pai, desculpando-se por coisas do passado e claramente perturbado.

Neste ponto, não temos exatamente um testemunho para a vida, pois, somos logo transportados para a criação do universo: a mudança dos cosmos; os vulcões entram em erupção; e os dinossauros caminham sobre a terra. Depois disso, o filme logo se estabelece, mais uma vez, na vida do casal, 20 anos antes de nossa primeira introdução à medida que entramos em algum momento de suas vidas, os anos 1950. Começamos com visões de sonho de Sr. e Sra. O’Brien, no amor, que então se move para o nascimento de Jack (Hunter McCracken), cuja vida é realmente o cerne de “A Árvore da Vida” mais do que qualquer outro. Jack é logo cercado por dois irmãos (Laramie Eppler e Tye Sheridan), e embora a relação entre esses irmãos desempenha um papel, é o efeito de seu pai tem sobre eles que realmente molda o filme.

Chastain desempenha um papel mais passivo e carinhoso como a senhora O’Brien, e Pitt, faz um pai opressivo, de uma forma perfeita!. Através deste estilo de parentalidade, Jack e seus dois irmãos ficam com medo de seu pai e procuram a mãe pelo amor que desejam, embora o amor de ambos os pais têm para seus filhos é evidente a partir de uma perspectiva parcial. Com isso, a idéia das conversas consistentes que os personagens têm com Deus, em busca de sentido e a razão porque certas coisas acontecem – um empate neste segmento das ações de Jó na cena de abertura como os O’Briens perguntando o porque Deus poderia tirar a vida de sua criança inocente.  É justo?

“A Árvore da Vida” acrescenta muitas camadas, e muitas são fáceis de interpretar, outras você precisara explorar de forma bem profunda. Não é um filme preocupado com a história, e nem com valores, conceitos e idéias, mas mais preocupado com o ser humano de um forma clara que cada um de nós somos ainda como nossos pais.

Todos atores estão perfeitos, especialmente o Pitt. E, a fotografia de Emmanuel Lubezki é apenas a alma do filme!

 Nota 9

A Árvore da Vida (The Tree of Life. 2011)

No prisma da existência devemos prestar atenção em cada ato realizado sem esquecer que nossa atenção deve voltar-se para as coisas corretas e positivas da vida. Só assim notaremos com clareza o valor das nossas coisas, das conquistas, da nossa família e da nossa existência. Valorizar o “tudo” é um dom de poucos, mas todos nós devemos adotar este grande dom para a evolução da alma. Pois ninguém jamais estará feliz e plenamente completo almejando somente as coisas materiais deste mundo.

O filme A Árvore da Vida é verdadeiramente uma poesia sobre a vida e a morte, onde um dos três filhos do casal da trama Brad Pitt e Jessica Chastain morrem e com o mais velho, já adulto (e interpretado por Sean Penn), o mesmo busca relembrar a vida em familiar.

O filme relaciona a origem e a magia da vida, o amor, a beleza da natureza e a presença de Deus ou de alguma força superior que nos ajuda a viver. O filme no ensina que a vida não é aquela festa que esperamos, mas neste mundo de meu Deus, devemos dançar sempre que for possível. Se os dias bons não vier vamos fazer os ruins se tornarem bons. Pois não devemos esperar somente os momentos mágicos, magníficos, precisamos viver a arte da vida de forma plena.

Não desperdice a capacidade de ser feliz, de fazer o outro feliz. A felicidade está presente nas coisas mais simples. Precisamos viver a vida. O dinheiro não é tudo, ele se estala em suas mãos, mas acaba fugindo por entre os dedos. A juventude passará e junto com ela também a saúde se esgotará. Afinal a vida passará; por isso viva, pois a vida não é curta, mas breve. E enquanto a tempestade não passa, o melhor é dançar na chuva.

Na minha concepção a produção cinematografia foge da visão trabalhada por diferentes produções anteriores e posteriores, pois a mesma da ênfase a família, a relacionando com o conceito “árvore da vida”, Deus, natureza e universo.

No enredo do filme percebemos que nós não possamos de forasteiros e viajantes nesta existência. Chegamos nus, aos prantos, sem dentes, totalmente indefesos, dependentes de todos e de tudo. Não fossem as mãos habilidosas de pessoas amáveis como nossos pais, não estaria aqui hoje contando e muito menos lendo esta belíssima história.

Chegamos aqui de punhos fechados. Quando, porém nossas mãos se abriram notaram que nada havia dentro. Não trouxemos pagamento para a nossa breve estadia e mesmo assim fomos amados.

No entanto desde o inicio começamos a usufruir tudo que havia neste mundo, nos apegamos ao outro, amos e vivemos plenamente está magnífica existência. Apegamos tanto que não queremos mais deixar de viver e quando perdemos um membro da família ou do nosso círculo de amigos amargamente nos sentimos arrasados e tomados por uma tristeza profundamente dilaceradora.

Para suportar a dor que invade o coração e se alastra pela alma, precisamos do amor de Deus que nos leva ao consolo, da atenção do outro e da compreensão que nos formula como seres.

Nesta viagem terrena precisamos nos afastar das coisas matérias e ter consciência que daqui nós partiremos de mãos abertas demonstrando que nada levaremos, além do amor e da essência vivida que neste percurso estruturou a nossa alma.

Partiremos para um além distante e a mala que levaremos é o coração coloque nele tudo que for melhor para realizar uma bela viagem, não se esqueça que o espaço principal do mesmo deve estar reservado para Deus e para os mais puros sentimentos que possa existir em um ser humano.

Em suma temos consciência que os dias passaram, a vida passará e nós todos morremos e a nossa existência passará como um breve pensamento que paira no ar.

Afinal, o filme é verdadeiramente uma poesia reflexiva.

Winter, O Golfinho (Dolphin Tale, 2011)

Quando pensamos que estamos perdidos no deserto de uma vida crucial, encontramos no caminho uma flor chamada ESPERANÇA.

O filme Winter, o Golfinho é uma narrativa apresentada por Charles Martin Smith, que conta a história de superação baseada em fatos reais de um golfinho fêmea, que teve sua cauda danificada de modo irreversível.

Como um animal desses não sobrevive sem a cauda, todos perdem as esperanças de salvá-lo no Hospital Marinho de Clearwater, na Flórida, para onde o mesmo foi levado. Todos, menos Sawyer (Nathan Gamble), um garoto disposto a tudo para salvar seu mais novo amigo.

O menino conta com o apoio de um biólogo marinho e com o talento de um brilhante médico de próteses, interpretado por Morgan Freeman, na tentativa de criar uma prótese que ajude o golfinho a voltar a nadar.

Iniciando uma história de amor entre um animal e um garoto. O filme em seu contexto pode ser considerado um poema que invade a alma humana; além de apresentar na sua essência aquilo que nos mantém vivos, a esperança e a fé em dias melhores.

Honestamente a produção cinematográfica trabalha está verdade em seus personagens, descrevendo com propriedade a arte de amar o próximo, algo que deveria ser um dom que habitasse o coração de toda, uma essência puramente humano.

O autor da trama trabalha com propriedade a junção entre poesia, códigos racionais e vida cotidiana dos seres humanos. O filme é uma lição complexa que pode ser visto de diferentes ângulos, mas a sua conclusão nos leva a seguinte afirmação: os sonhos impossíveis podem se tornar realidades quando acreditam na realização dos mesmos.

Simplesmente estou fascinado com a belíssima história de Winter, é impossível ver o filme sem chorar ou sentir vontade de chorar. Como telespectador me sentir dentro da trama, dando força positiva para Winter e Sawyer os protagonista de um poema concretamente belo e real.

Afinal, de forma expressiva o filme promove a revolução dos humildes, nos passando uma mensagem profunda: “se cada um fizesse sua parte, o mundo seria melhor”; uma simples afirmação, em prática mudaria o mundo.

Não poderia fecha está análise sem dizer muito obrigado Sawyer, por semear de forma expressiva a esperança no amanhã e a arte de amar o outro como ele é, sem julgar, o aceitando, o amando e acreditando no ser amor. Winter, O Golfinho é sem dúvida um instrumento do universo que objetivava buscar a essência humana que vem durante anos se perdendo. Charles Smith é o senhor que deu vida a esta belíssima história diante dos olhos de milhões de telespectadores. (Obrigado!)

Por Dhiogo Caetano.

Winter, O Golfinho (Dolphin Tale, 2011). Diretor: Charles Martin Smith. Elenco: Morgan Freeman, Ashley Judd, Kris Kristofferson, Harry Connick Jr., Nathan Gamble. Gênero: Drama, Família. Duração: 113 minutos. Baseado numa estória real.

Os Pinguins do Papai (Mr. Popper’s Penguins, 2011)

Por Pedro Luis Santos Miranda.

Ainda existe quem acredite que cinema é fórmula. Soma daqui, diminui daqui e multiplica e divide os resultados. O Cinema para crianças já fez um grande sucesso dessa forma. A sequência de acontecimentos turbulentos que levava a redenção e ao reencontro do protagonista aos valores mais caros ao ser humano era repetida ao extremo, mudando apenas os personagens e o argumento em um ou dois pontos. Funcionou. Foi importante. Duas ou três gerações aprenderam muito assim e o tempo de Didi e Xuxa, no Brasil, assim como o de astros internacionais no mesmo estilo foi promissor, mas esse tempo já passou. A Pixar e Studio Ghibli são dois estúdios que já demonstraram e comprovaram inequivocamente que as estórias para crianças podem ter um pontapé diferenciado, agradando adultos e crianças, tratando os dois grupos de forma madura, mas não menos mágica ou lúdica, por assim dizer.

É uma pena que a essa altura lançamentos como Os Pinguins do Papai ainda estejam nos cinemas, contando com argumentos fracos e uma cartilha em forma de roteiro transposta na tela para arrecadar alguns trocados. Desperdicio de verba e talento de alguns idealizadores numa trama que, além de absurda, é também risivel. Não se trata de diversão descerebrada, mas de falta de diversão mesmo. Piadas já batidas e rebatidas se repetem em gags visuais mais do que previsiveis para o público, jovem ou não, que acompanhou muitas e muitas produções do gênero.

Muito melhor em O Grinch, Carey aqui se mostra esgotado atuando na fórmula caricata que o consagrou como comediante. Num tempo de produções que além de bem detalhadas do ponto de vista técnico são lapidadas em roteiro, como Wall-E, Toy Story, Ponyo e outros tantos bons filmes, o tipo de atuação forçada de Jim soa cansativo e pouco interessante.

O roteiro assinado pelo inexpressivo Mark Waters, baseando-se em um conto de 1938 (o que reflete uma forma antiga de se fazer contos e estórias infantis), traz em seu teor uma estória de evolução espiritual totalmente grosseira e mal lapidada que levada em última instância determina que os adultos devem abandonar todas as suas responsabilidades para viver suas eloucubrações disfarçadas de sonhos. Pode parecer bonitinho para as crianças ver aquele exemplo exdrúxulo de um homem que precisa largar tudo para cuidar de uns pinguins, mas a lógica que se apresenta ali é imatura e pouco saudável. No inicio do filme, num suspiro de originalidade, encontramos uma relação que se desenvolvia de forma sadia entre o protagonista e seu pai, que apesar de viajar muito se comunica sempre com seu filho por via radiofõnica, mas não passa disso. O resto do filme segue ladeira abaixo tentando imbuir na cabeça das crianças do século XXI, que já estão mais do que familiarizados com as imposições de uma sociedade moderna, que enquanto seus pais não estiverem casados! (sim, a separação é tabu no filme, questão maltratadissima pelo roteiro) e presentes o tempo inteiro para satisfazer suas vontandes, ninguém poderá ser feliz.

Não há para onde fugir. O elenco de apoio também é também desnecessário, sem graça e caricato, salvando-se apenas a adorável senhora que interpreta uma dona de um restaurante tradicional da cidade e os pinguins, bem introduzidos e tendo suas participações bem realizadas tecnicamente.

Os conflitos são os mesmos: ausência dos pais, tristeza pela separação do casal, trabalho excessivo…e blablablá. Não se sabe até onde esta lógica vai durar, mas num tempo que as crianças vivem outras questões, outros dilemas, continuamos mergulhados em opções chinfrins como essa. Esse é o fato. Enquanto esses filmes se somam, o Cinema só diminui em qualidade e essa é a única lógica matemática que consigo visualizar assistindo a esse tipo de produção dita cinematográfica.

Os Pinguins do Papai (Mr. Popper’s Penguins, 2011). EUA. Direção: Mark Waters. Roteiro: Sean Anders (roteiro), John Morris (roteiro), Jared Stern (roteiro). Elenco: Jim Carrey (Tom Popper), Carla Gugino (Amanda), Madeline Carroll (Janie Popper), Angela Lansbury  (Sra. Van Gundy), Ophelia Lovibond (Pippi), Philip Baker Hall (Franklin). Gênero: Comédia, Drama. Duração: 94 minutos.

Deu a Louca na Chapeuzinho 2 (Hoodwinked 2: Hood vs. Evil. 2011)

Para nós público adulto com muito mais quilometragem no mundo dos filmes um dos grandes baratos em assistir as Animações atualmente é que funcionam como um Quiz. Até para não se decepcionar de todo com o filme. Mas a deixa maior está mesmo em identificar qual o filme em que a cena se refere. Porque aí é um sorriso estampado na face, no mínimo. Quando não, uma boa risada com a paródia/homenagem. Em “Deu a Louca na Chapeuzinho 2” essa diversão também está presente.

Sendo que agora não mais com o “recolha os suspeitos de sempre”, já que também se encontrariam nessa lista os não tão suspeitos assim. Em ”Deu a Louca na Chapeuzinho 2” adicionaram alguns personagens de Clássicos Infantis, como “João e o Pé de Feijão”, “Os Três Porquinhos”, além dos irmãos “João e Maria” que estarão na principal missão de resgate dessa estória. Da Turma do primeiro (“Deu a Louca na Chapeuzinho“), além do Lobo Mau, tivemos como suspeitos a Chapeuzinho Vermelho, sua Avó e o Lenhador. Mas nesse segundo filme, temos três deles já trabalhando com o Inspetor Nick Pirueta na Agência de Espionagem Feliz Para Sempre. É que o Lenhador deu vez a seu desejo de cantar. Depois será recrutado também.

Se tem investigação, nesse Quiz não falta a cena clássica de “Missão Impossível”. Tendo uma dupla de investigadores que se estranham a princípio, com um deles que se recolhe até por conta do orgulho ferido… É mote para lembrar de vários filmes policiais. Até que vem uma cena, e… Ficou incrível a homenagem a “Máquina Mortífera”. E se como ajuda nessa investigação vale conversar com um criminoso já detido, não poderia faltar a cena clássica de “O Silêncio dos Inocentes”. Essa aqui, traz até uma sugestão: o de não optar apenas por filmes, mas procurar ler as estórias nos livros. O que me fez pensar se essa garotada de hoje conheceria alguns desses Contos Infantis citados.

Se tem Heróis, ou Heroinas, tem as mancadas deles também até a grande final onde tudo é resolvido. Dai, não é clichê: faz parte do mito. Assim, logo no início do filme temos o Lobo Mau tentando se mostrar como o melhor agente, e que termina estragando uma missão de resgate. Que para piorar, ou dar mais molho nessa trama: a Vovó é sequestrada. Com isso, Nick chama a Chapeuzinho de volta. Ela estava sendo preparada por uma Organização Secreta, numa mistura de “Kill Bill” com “Kung Fu Panda”. Então, além da Chapeuzinho e do Lobo Mau, irá também o pilhado Esquilo numa grande aventura para resgatar a Vovó e os irmãos João e Maria das garras de uma Bruxa Malvada. E prender os verdadeiros culpados.

Ah sim! O Bode Cantor também veio para esse filme, e continua hilário. Acho que para ele caberia um “Duro de Matar”…rsrs.

Como um Quiz, podem contar que tem muito mais referências a outros filmes; eu não contei tudo. Como estória por um todo, o filme agradará aqueles que gostam mais de Ação, já que o ritmo do filme não decai. Agora, “Deu a Louca na Chapeuzinho 2” tem como destaque maior, o de levar o público jovem de hoje tomar gosto por estórias infantis, e até procurar por elas em Livros. Como nós adultos costumamos fazer: unindo o Livro ao Filme.

É um bom sessão pipoca! Nota 7,5.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Deu a Louca na Chapeuzinho 2 (Hoodwinked 2: Hood vs. Evil. 2011). EUA. Direção: Miek Disa. Gênero: Animação, Aventura, Comédia, Família. Duração: 87 minutos.

P.s: Mesmo só exibindo cópias dubladas no Brasil, segue uma listagem com o Elenco das Vozes, com a do original e a do Brasil:
- Hayden Panettiere (Chapeuzinho Vermelho): Mabel Cezar
- Glenn Close (Vovó Puckett): Geisa Vidal
- Patrick Warburton (Lobo): Mauro Ramos
- Martin Short (Lenhador): Guilherme Briggs
- Joan Cusack (Verushka): Ilka Pinheiro
- David Ogden Stiers (Inspetor Nick Pirueta): Hamilton Ricardo
- Bill Hader (João): Manolo Rey
- Amy Poehler (Maria): Marisa Leal
- Brad Garrett (O Gigante): Maurício Berger
- Andy Dick (Boingo): Cláudio Galvan
- Wayne Newton (Jimmy 10-Cordas): Marco Ribeiro
- Benjy Gaither (Japhet, o Bode): Márcio Simões
- Locutor e Placas: Malta Júnior
- Outras Vozes: Alexandre Moreno, Ettore Zuim, Samir Murad.
(Estúdio Delart, da Dublagem Brasileira)
Fonte: Dublanet

RIO (2011)

Rio” é um filme que conta a história de Blu, uma arara azul, vítima da Bio-Pirataria do Brasil. O filme realiza de forma animada um protesto para preservação da natureza e da nossa “extinta” arara azul. De forma precisa prega a “humanização animal”. Na trama, Blu é uma arara azul domesticada que vive em Moose Lake, em Minnesota; mas o destino acaba guiando Blu até o Rio de Janeiro.

De forma humorada o filme busca abordar as problemáticas, conceitos e temáticas profundamente brasileiras, os quais são conhecidos no resto do mundo, de forma etnocêntrica, ou melhor dizendo, estereotipada, pois o Brasil é visto pelo “resto do mundo” como: a terra do futebol, das mulatas sarada, de um país com uma má estruturação urbana, surgindo assim às inúmeras favelas. O nosso país ainda é conhecido com a terra do samba e do carnaval.

Gostei muito do filme por que além de citar os males existentes em terras brasileiras, o autor utiliza na minha concepção referências estrangeiras: Cidade de Deus o nosso maior sucesso cinematográfico e Quem Quer Ser Milionário?  Uma grande produção indiana que ganhou o Oscar.

De forma criativa Carlos Saldanha, constrói um enredo destacando os clichês, mostrando um timming para comédia, trabalhando também com musical e mesclando juntamente um pouco de aventura e o famoso romance cinematográfico.

Fico muito feliz com a belíssima homenagem presta ao nosso país, o filme levou o nosso Rio de Janeiro para os quatro cantos do planeta uma boa oportunidade para atrair ainda mais turistas que desejam conhecer o majestoso Cristo Redentor e o famoso bondinho.

Afinal, “Rio” é uma produção estrangeiro, mas com as características completamente brasileiras.

A Árvore da Vida (The Tree of Life. 2011)

Por: Fátima Daia Bosh.

Eu fui ver esse filme aqui na França, na época do Festival de Cannes. Como dizem os franceses, o filme é “especial”.

Primeiramente pelo ritmo, que não tem nada a ver com os filmes americanos. O é beeem lento, quase iraniano. Tem idas e voltas no tempo (indo até a época dos dinossauros), tem toda uma parte sobre o significado da existência, tem idas e voltas no espaço e no microcosmo.

Fala sobre a ausência de um filho morto aos dezenove anos (não é dito de que ele morreu, apenas aparece um telegrama comunicando) através das lembranças de infância de outro filho, ja adulto, que é o Sean Penn, cuja mulher está grávida. Das relações dos três filhos com o pai bem autoritario, que é o Brad Pitt (ele está ótimo, rico em emoções e eu não consegui defini-lo como herói ou vilão, apenas um homem com suas imperfeições) e com a mãe, que era mais sonhadora. Essa relação é mostrada através de cenas do quotidiano, e tem toda uma reflexão sobre o sentido da vida, e sobre o fato que coisas ruins também acontecem a pessoas boas.

Achei um filme bem melancólico. Não posso dizer que não gostei, também não vou dizer que adorei, mas definitivamente não me deixou indiferente. Sai com uma sensação de estranheza.

Acho que no balanço, se tivesse que dizer “curti” ou “não curti” colocaria curti, por ele me ter feito pensar em assuntos sobre os quais em geral não penso. No inicio fiquei pensando em outro filme sobre ausência, “O Quarto do Filho” (que eu amei de paixão, quase chorei assistindo), mas à medida que o filme avançava eu me dei conta que “A Árvore da Vida” não era apenas um filme sobre esse acontecimento em particular (a morte do filho) e sim sobre a vida em geral, o papel que cada um tinha na familia, as coisas que são ditas e as que as pessoas não ousam dizer, sobre arrependimentos e frustrações e sobre a verdade de cada um.

Por: Fátima Daia Bosh.

Curiosidade: Vencedor da Palma de Ouro 2011, em Cannes.

Kirikú e a Feiticeira (Kirikou et la Sorcière. 1998)

Kirikú e a Feiticeira é um filme baseado nas lendas da África Ocidental que conta a história de uma comunidade que vivia subjugada pelo poder de uma feiticeira. A produção visa destacar o desenho animado de forma simples, buscando agradar aos pequenos, jovens e os adultos; os quais encontram muitos ensinamentos nesta lenda. Um desenho moderno com linguagem capaz de falar com as crianças, sem contudo subestimar os adultos.

É uma história que celebra a coragem de um garoto que era diferente dos outros companheiros de sua aldeia. Um menino bem precoce, perspicaz, astucioso, e muito amigo de sua mãe, que nasce falando, ou melhor, já fala dentro da barriga da mãe! Muito esperto e ativo, logo que vem ao mundo já entende que precisa fazer algo para salvar as pessoas da vila em que vive.

O diálogo cultural africano, travado na obra Kirikú e a Feiticeira, de Michel Ocelot, pode ser interpretado numa dimensão mais ampla, no tempo e no espaço, estendendo-se até nossos dias e a todos os continentes. Nas personagens principais, podemos observar as conseqüências dos atos masculinos incutidos nas mulheres. Temos duas visões divergentes (da mãe de Kiriku e da feiticeira Karabá) que, porém, apontam para o mesmo objetivo: a afirmação feminina enquanto indivíduo livre e independente.

O filme visa descrever o papel da mulher na sociedade africana; podemos ver claramente tal ideia no momento em que a criança nasce e a mãe ordena que ele se lave sozinho, mostrando que o “Herói”, para sê-lo, precisa ser independente. A própria independência que ela adquirira, mesmo fazendo parte de uma sociedade com papéis estritamente bem definidos entre o homem e a mulher.

Considerando a visão de Michelle Perrot, em sua obra “Les femmes et les silences de l’Histoire”, observamos que a História das mulheres foi sempre contada sob o ponto de vista do homem. O que se tem de menos influenciada é a oralidade privada, domínio em que as mulheres sempre puderam interferir e o fizeram de maneira marcante junto aos filhos e às crianças em geral. “A memória das mulheres é verbo. Ela está ligada à oralidade das sociedades tradicionais que lhes confiavam à missão de narradoras da comunidade do vilarejo.” (PERROT, 1998, p. 17).

No contexto do filme podemos observar que o autor da vida e grande importância no papel da mulher em meio não só a sociedade africana, mas todas as sociedades existentes.

A cultura local é retratada sem retoques, deixando de lado o etnocentrismo, os preconceitos e as culturas ocidentais, é bom, porque traz realismo à história e veracidade aos fatos. Ao estudar tal conceito podemos compreender que é uma característica de quem só reconhece a legitimidade e validade das normas e valores vigentes na sua própria cultura ou sociedade. Tem sua origem na tendência de julgarmos as realidades culturais de outros povos a partir dos nossos padrões culturais. Pelo que não é de admirar que consideremos o nosso modo de vida como preferível e superior a todos os outros.

Os valores da sociedade a que pertencemos em muitos momentos são declarados como valores universalizáveis aplicados a todos os homens, ou seja, dada a sua “superioridade” tal modelo deve ser seguido por todas as outras sociedades. Adaptando está perspectiva não é de estranhar que alguns povos tendem a intitularem-se os únicos com legítimos e verdadeiros representantes da espécie humana.

O conceito etnocêntrico está envolvido com a grande estranheza que se dá no encontro do grupo “eu” e o grupo do “outro” que utilizam como referências e características algo como exótico, excêntrico, anormal, exuberante e primitivo. Iniciando a formação de preconceitos, manipulações ideológicas, julgamentos precipitados e sérias distorções culturais, comportamentais e educacionais.

Mas a defesa legítima da diversidade cultura conduziu, contudo muitos antropólogos atuais a enxergarem a diversidade das culturas e das sociedades. Kirikú e a Feiticeira é um grande exemplo na nossa contemporaneidade, pois visa quebra de forma simples, mas muito bem feito, e bastante divertido os preconceitos, ou seja, o etnocentrismo e o machismo embatido nas diversas sociedades. Para quem está acostumado com nossos desenhos infantis ocidentais, pode parecer até um pouquinho estranho.

Ao trabalhar tal perspectiva devemos nos remeter á questão do misticismo, algo complexo em meio à construção da mentalidade africana. Amadou em sua obra “Amkoullel, o menino fula de Amadou Hampâté-Bâ”, trabalha com clarividência, á questão mística e religiosa, enfrentando dualidades constantes, pois recebeu como herança a religião africana da mãe e mulçumana do pai.

No filme percebemos de forma precisa o poder matriarcal, pois a mãe em meio à construção dos processos sócios culturais é considerada de extrema importância nas decisões tomadas pelos homens.

Porém para tornar possível a permanência da cultura e da memória africana, os griots contavam a história e os anciãos eram fundamentais na transferência do conhecimento, da sabedoria e dos ritos de seus ancestrais.

Amadou nos deixa claro em sua narrativa que os griots deveriam trabalhar com a verdade “absoluta”, pois eles tinham como missão transferir esse saber para a juventude africana, como objetivo de não perder a história. Trabalho que traz à tona a fusão entre memória e oralidade com relação ao poder da palavra na África. A palavra tinha o poder de levar o conhecimento e ao mesmo tempo acarretava ali o poder de amaldiçoar toda uma geração. Portanto, notamos em meio à análise que a oralidade é de extrema importância para concretização dos saberes de um povo anterior que antecederia a gerações futuras.

Assim fica claro que o trabalho da memória e da oralidade se funde como algo primordial na cultura do povo africano. Tornando vivo as representações do imaginário que envolve todo um proceder sócio cultural em relação há um procedimento historiográfico amplo, diversificado e complexo com relação à linguagem, os dialetos, os ritos, a cultura e a religiosidade que se mistura em meio há uma dialética que permanece viva na memória dos anciãos e na oralidade dos griots.

Em suma, podemos concluir que as mulheres tiveram um papel fundamental durante todo o filme e, sobretudo, no início e no final da narração, fazendo com que as ações fossem, sutilmente, propiciadas por elas. Mãe e feiticeira corroboraram para o segmento de uma e da outra, dando sentido para a trama cinematográfico. Kiriku foi um apêndice, ou seja, o laço entre as duas e foi isso que o transformou Kiriku em “Herói”. Ele sabiamente ouviu os conselhos da matriarca, absorveu as histórias contas pelos anciões e com sua astúcia “conquistou” Karabá, libertando todos os homens das garras da feiticeira.

Kirikú e a Feiticeira (Kirikou et la Sorcière. 1998). França / Bélgica / Luxemburgo. Direção e Roteiro: Michel Ocelot. Vozes/Cast. Gênero: Animação, Aventura, Família. Duração: 74 minutos.

RIO (2011)

A Blue Sky conseguiu em pouco tempo traçar uma trajetória que mesmo tímida, é bastante respeitável. Das aventuras robóticas e de humor inteligente de Robôs ao arrasa quarteirão glacial A Era do Gelo, tem-se em comum um único nome: Carlos Saldanha. O brasileiro conseguiu fazer nome lá fora, e com isso autonomia para fazer o que bem quisesse. Disso, surge Rio, a nova empreitada da Blue Sky e novo grande sucesso de Saldanha. Obviamente temos que bater palmas para o cara, afinal de contas é um brasileiro mostrando domínio num mercado tão lucrativo e que não cansa: as animações.

De cara, algo que predomina durante toda a projeção: a beleza brasileira. O balé das aves e a excelente música – que teve um toque todo abrasileirado comandado por ninguém menos que Sergio Mendes – desenham toda a estrutura que fará parte da estética do filme. A beleza com a qual é mostrada não somente o protagonista, a ararinha azul Blu, mas também a riqueza da natureza é perfeita. A sincronia da dança inspirada no samba com o próprio samba de raiz, lá dos boêmios é um de uma beleza só. De fato a Blue Sky tem um talento que a diferencia das outras do ramo, que é a facilidade de fazer cenas de ação aliadas a uma beleza estética impressionante, e com isso, o Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa, ganha mais um motivo para justificar esse título.

O Cristo Redentor numa tomada de tirar o fôlego, um passeio pela Marques de Sapucaí ou um rasante de asa delta com um pouso na praia bem agitado ou até mesmo uma corrida dentro dos becos das favelas, tudo é lindo, nada é estereotipado. E esse é a grande qualidade do filme. Com a cidade ganhando uma projeção realmente maior do que de costume, com os principais eventos esportivos do mundo por vir e a inclusão do Cristo nas novas sete maravilhas do mundo, um filme que fizesse jus a sua beleza e tivesse uma projeção internacional bem grande, vem muito a calhar. E a galera que assumiu a produção de Rio se encarregou de recriar Rio de Janeiro digitalmente com uma precisão cirúrgica na fidelidade aos traços originais.

Todos os planos abertos, que captam a grandiosidade da cidade estão nada menos que perfeitos, e isso já da força ao filme. O que fica como defeito é o fato de tapar os olhos para temas sérios, que poderiam muito bem ser mais aprofundados – uma vez que o filme chega a sugerir a discursão – mas que no fim acaba sendo tão paralelo ao filme que soa inútil. O tráfico de animais silvestres ou a preservação da Mata Atlântica ou o futuro de espécies como a arara azul, protagonista do filme, são assuntos que parecem ficar alheios a todas as situações que vão acontecendo.

É aí que se minimiza a importância do ambientalista apaixonado por aves Túlio, é aí que os vilões perdem parte de sua eficiência dentro do filme – eles parecem seres obrigatórios ao filme e não personagens que possuem sua importância dentro da história – e os animais são apenas peças que preenchem o que sobra de espaço. Em nenhum momento soaria clichê e até serviria como um instrumento para levar a tão bela mensagem de salvação dos nossos ecossistemas que faria Rio crescer ainda mais, não ficar somente estagnado no filão do cinema diversão, papel que cumpre com muito louvor.

Até porque apenas piadas e situações engraçadas ou romance bonitinho são elementos que sem um tempero acabam não saindo como esperado. Saldanha consegue criar personagens carismáticos e “fofos” em todos os sentidos, e consegue muito bem explorar esse campo, mas por outro lado se esquece de dar ao filme uma lenha a mais. Tanto que Rio acaba sendo como um bolo, um bolo muito bonito por fora, cheio de decoração e estilo e pompa, mas que por dentro, fica devendo no sabor. O filme é maravilhoso, mas fica uma pontada de “faltou alguma coisa”, e esse é o calcanhar de Aquiles da obra.

Mas relevando esse probleminha, o filme flui naturalmente bem, sem estereótipos nem piadas de mal gosto direcionadas ao povo brasileiro, que nesse caso acabou sendo mostrado como alegre e sempre tentando estar afrente de qualquer adversidade. Um belo retrato – mesmo que em animação 3D – do nosso país, e comandado por um cara que está muito bem representando a criatividade e o talento brasileiro lá fora.

Nota: 8,0
Cotação: ★★★ .

Rio
EUA
(2011)
Diretor: Carlos Saldanha .
Atores: Jesse Eisenberg, Anne Hathaway, Rodrigo Santoro, Jamie Foxx .
Duração: 96 minutos.

Por: Rafael Lopes.