Battle for Haditha (A Batalha de Haditha, 2007)

Neste final-de-semana assisti ao filme “Battle of Haditha“, que veio a calhar num momento propício à discussão realizada no YouTube, no Orkut e em outros canais a respeito do documentário Fitna. Embora não haja uma aproximação direta do filme com o documentário, podemos estabelecer algumas relações interessantes, principalmente no que se refere à injustiça que os muçulmanos sofrem em relação aos atos terroristas de grupos isolados.

Como sinopse, o filme recria os acontecimentos do dia 19 de Novembro de 2005, onde um grupo de “Marines” das forças armadas nortes americanas assassinaram 24 pessoas, entre mulheres, homens e crianças, após terem um veículo atacado por uma bomba que foi acionada por uma célula terrorista na cidade de Haditha, no Iraque.

Se você quiser saber o que aconteceu com mais detalhes, clique aqui e leia o artigo públicado sobre o episódio no Wikipedia, em todo o caso irei comentar a respeito nas próximas linhas. Ou seja, contém Spoilers sobre a trama do filme, que não é um suspense, apenas reconta acontecimentos reais.

Logo no início, vemos um homem andando pelas ruas do Iraque. De repente ele observa um grupo linchando um homem no chão. Com ar de reprovação, ele entra em sua casa e desabafa com sua mulher: “Estes loucos da Al-Qaeda acabaram de matar o professor de inglês!”.

Claro está que a intenção do diretor é mostrar que nem mesmo os muçulmanos aprovam as atitudes destes grupos extremistas que se dizem muçulmanos fundamentalistas. Ou seja, não é possível relacionar religião com terrorismo.

Numa outra fala, um muçulmano diz: “Meu medo é que surja alguém pior do que Saddam Hussein”. Mais uma vez vemos que não são todos que concordavam com o regime do antigo ditador.

Numa fala, um soldado americano diz: “Este povo é hostil. Ou seja, caso necessário, não hesitem em atirar numa mulher ou criança, porque basta que o seu marido morra que elas virão para cima de você com armas nas mãos.” Isto me lembra uma série de comentários a respeito do Fitna que eu ando lendo em diversos fóruns. As pessoas consideram todas culpadas, apenas por adotar uma crença diferente daquelas que estão julgando.

O ataque ao comboio dos Marines foi uma estratégia de um grupo terrorista. Eles colocaram uma bomba na estrada que seria acionada através de um celular. Dois terroristas vigiavam a estrada buscando o melhor momento para ativar os explosivos. Porém, de frente para a estrada, haviam diversas casas com moradores que não tinham nada a ver com os terroristas.

Durante a passagem de um comboio do exército norte-americano, o dispositivo é acionado e um dos veículos explodem. Resultado: uma morte e dois feridos. O responsável pela operação, ordenou que os responsáveis fossem encontrados. Logo de cara, eles chacinaram cinco pessoas que estavam dentro de um carro que estava passando por ali no momento. Depois começaram a invadir as casas e a chacinar quem estava pela frente, ainda que ninguém tivesse nem mesmo a oportunidade de falar. Enquanto isto os terroristas filmavam tudo as escondidas, posteriormente este vídeo seria divulgado entre os iraquianos para inflar moradores comuns a aderirem à causa terrorista (que promove a matança com o intuito de destruir o “inimigo”). No vídeo, uma menininha com o rosto ferido diz que seus país e seus irmãos foram assassinados e que ela odeia os americanos.

Nem preciso ir adiante, mas veja que os terroristas que dali surgiriam são produtos do próprio meio. Aqueles terroristas seriam fábricados pelo próprio governo dos Estados Unidos da América, e todos os atos provenientes dali, deveriam ser responsabilidade dos mesmos. Pessoas comuns, algumas estavam em festa, morreram sem saber o porque.

E ainda tem gente que continua a defender o exterminio dos islâmicos. Afinal, neste caso, a culpa é de quem? O importante é: os muçulmanos são muçulmanos, os terroristas são terroristas. São coisas distintas. Se calhou de alguns terroristas serem muçulmanos não tem nada a ver. Alguns deles poderiam ser corinthianos, palmeirenses, flamenguistas, grêmistas, e ainda assim deveríamos combater somente os terroristas, e não os torcedores. Devemos combater este mal, e não a religião.

Será que é tão difícil assim?

Por: EvAnDrO vEnAnCiO.   Blog: EvAnDrO vEnAnCiOUniverso Hiper-Real.

Filho da Babilônia (Son of Babylon. 2009)

Filho da Babilônia do diretor iraquiano Mohammed Al Daradji conta a história de um menino de doze anos e de sua avó que no meio do caos de uma pátria destruída, saem pelas estradas e ruínas pós-guerra do Golfo e da queda do regime de Saddam Hussein, ocorrido em 2003, em busca do seu querido pai desaparecido depois de ser preso pela Guarda Republicana Iraquiana. O filme é uma espécie de documentário road-movie, mostrando essas duas gerações – infância e velhice – porém o mesmo sentimento de dor e perda, o sofrimento físico e emocional daquela gente, o desgaste causado pela intolerância que só uma guerra lamentavelmente é capaz de produzir.
Ahmed e sua avó, ambos curdos, passam por várias situações inusitadas nessa louca aventura sem fim e o desespero pela luta de vender todos os seus bens, e com a cara e a coragem vagar em busca de uma esperança de realizar esse lindo sonho de encontrar o ente querido. Embarcar literalmente num novo tempo de esperança e de recomeço.
Filho da Babilônia foi rodado no próprio Iraque, narrado sob a ótica do garoto sonhador e cheio de imaginação e, literalmente, uma viagem através das tragédias mais obscuras dos últimos tempos, a Guerra do Iraque, ressaltando a miséria humana, a destruição do país, as inúmeras covas rasas, corpos empilhados, desfigurados, sem identificação de inocentes vítimas desse conflito. Ahmed, como todo menino de sua idade, apesar dos pesares, sempre envolvido em brincadeiras, segurando com carinho a flauta mágica, presente do seu querido pai, não esquecendo essa condição, às vezes descuidando-se até mesmo de sua avó, para ir brincar com outras crianças que encontrava pelo caminho. Conheceu um garoto de sua faixa etária, que no meio da guerra trabalhava vendendo cigarros, e tornam-se amigos e entre uma brincadeira e outra Ahmed some por um tempo enquanto a sua avó tirava um cochilo aguardando a chegada do ônibus que os levaria para a próxima cidade. Ela leva um susto quando acorda e não o encontra. Agora são dois desaparecidos o seu filho e o neto? Ela cai em desespero, e ao seu redor, ninguém pode ajudá-la porque não falam o mesmo idioma. Algum tempo depois, Ahmed, aparece com seu amiguinho e ela, dá-lhe uma pequena bronca, pois quase perdem o ônibus por causa desse sumiço momentâneo. O retrato do Iraque atual é de destruição, ruínas, sujo e o povo sem perspectiva. Ao chegarem à cidade de Babilônia, conhecem um ex-soldado que passa a ajudá-los e essa experiência muda completamente a vida de Ahmed.
O menino fez amizade com esse ex-soldado do exército de Saddam; foi amor à primeira vista da parte de ambos. O ex-soldado confessou a avó do menino que matou a contragosto, nessa guerra muitos inocentes, e isso deixou a idosa bastante magoada e com raiva. Ela não o queria por perto e não conseguia de jeito nenhum perdoá-lo, talvez achando que ele também pudesse ter matado o seu filho, mas percebia-se pela fisionomia do rapaz que ele estava sofrendo por isso. E no fim ela acaba o perdoando e ele se apegou ao seu neto como sendo seu filho. Há várias passagens emocionantes neste filme. Uma delas é o ato de a avó ter levado um par de roupas novas para o neto se trocar no caminho a fim de que ele se encontrasse com o pai apresentável. O filme é recheado de simbolismos marcantes, e de antíteses entre guerra e paz; vida e morte; amor e ódio, sonho e realidade. Logo no início, a imagem retratada é de um mundo controverso cheio de vida, e a bela paisagem do verde da natureza prevalece; já o desfecho emblemático: a natureza morta, a vegetação seca, esperança no início e desilusão final.
Ahmed é um sonhador e sonhar é permitido em qualquer idade. Durante a viagem pelo Iraque ele viaja também através da imaginação de poder passear pelos JARDINS SUSPENSOS DA BABILÔNIA que só tinha conhecimento através dos livros didáticos.
O sonho do menino era pisar nesse Jardim que ele apenas conhecia de ouvir falar e que o fazia viajar nesse fantástico mundo da utopia.
O mundo da fantasia realmente é fascinante e eu fui lá pesquisar a história desse Jardim que tanto Ahmed queria conhecer. Aguçou minha curiosidade e quis saber com mais detalhes sobre esse lugar considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo.
Os Jardins Suspensos da Babilônia foram construídos no século VI a. C., na antiga Babilônia, sul do Iraque. O rei Nabucodonosor (604-562 a.C.), teria mandado construir o monumento em homenagem a uma de suas esposas preferidas, Amitis, que sentia saudades das montanhas de sua terra natal. Uma escadaria de mármore dava acesso aos terraços, construídas sob seus montes de terras artificiais, que eram apoiados em colunas, onde havia vários tipos de árvores e flores conhecidas na época e alamedas de palmeiras.
Babilônia foi o centro cultural, comercial e financeiro do mundo antigo.

Filho da Babilônia foi produzido e financiado por sete países que acreditaram no projeto e no talento do jovem diretor, tanto que recebeu vários prêmios entre eles o da Paz e da Anistia Internacional em Berlim 2010 e recebeu convite de mais de 70 festivais ao redor do mundo.

Recebeu Prêmios da Paz e da Anistia Internacional em Berlem 2010.
Vó, Não me deixe sozinho, estamos na Babilônia!” Finaliza-se sobre a necessidade de um símbolo concreto a fim de dar consistência ao querer da continuação de um caminho incerto.
Um filme comovente. Imperdível!
Karenina Rostov
Sinopse
Em 2003, três semanas depois da queda do regime de Saddam Hussein, Ahmed, garoto curdo de 12 anos, viaja com a avó pelas estradas desertas e empoeiradas do norte do Iraque. Eles vão em direção ao sul, a procura do pai dele, preso pela Guarda Republicana de Saddam ao fim da Guerra do Golfo. No caminho, encontram diversas pessoas em situação semelhante, mas esperançosas de um novo futuro. Ao chegarem na cidade de Babilônia, conhecem um ex-soldado da Guarda que talvez possa ajudá-los. A experiência muda completamente a vida de Ahmed. Prêmios da Paz e da Anistia Internacional em Berlim 2010.
Ficha Técnica
Direção: Mohamed Al-Daradji
Roteiro: Mohamed Al-Daradji, Jennifer Norridge, Mathel Khasea
Elenco: Yasser Talib, Shazada Hussein
Fotografia: Mohamed Al-Daradji, Duraid Al-Munajim
Montagem: Pascale Chavance, Mohamed Jabarah
Música: Kad Achouri
País: Iraque / Reino Unido / França / Holanda / Emirados Árabes Unidos
Produção: Isabelle Stead, Atia Al-Daradji, Mohamed Al-Daradji, Dimitri de Clercq
Estúdio: Roissy Films
Duração: 90 minutos
País: Iraque
Ano: 2009
*
Curiosidades acerca dos Jardins – Os Jardins e Sadam Hussein
Sadan Hussein ofereceu, certa vez, uma recompensa de milhões de dólares para quem pudesse apresentar uma explicação plausível de como os Jardins Suspensos eram irrigados. As condições de vitória eram que não poderiam utilizar quaisquer métodos modernos, como computadores, e calculadoras para calcular a hipótese.

*