Do Começo ao Fim é um filme brasileiro escritor por Aluízio Abranches que narra uma história de amor diferente de tantas outras já trabalhadas nas telonas. De forma irreverente ele descreve um romance entre dois seres do mesmo sexo.
O autor trabalha dois pontos considerados polêmicos por muitos na sociedade do século XXI a homossexualidade e o incesto; na trama notamos que amor transcende todas as barreiras sociais.
A trama no apresenta uma história romântica vivida por Francisco e Thomas que ao longo do filme acabam construindo uma belíssima e amora relação, vivendo uma extraordinária história de amor; regada por muito beijo, erotismo, sexo e prazer.
Como cinéfilo afirmo que amor dos dois vence as barreiras do preconceito e da ficção, pois ao longo do filme sentimos comovidos por este amor que de forma profundamente poética, nos leva ao encontro das fábulas transcritas por inúmeros artistas e poetas que sublime dão vida as sentimentos que os coabitam.
O que é descriminado e desconsiderado na nossa sociedade contemporânea (homossexual) tornasse não mãos de Abranches um contraponto para um mundo cheio de violência, medo, intolerância e etc.
A idéia sintetizada no filme não se resume em simplesmente transtornar o telespectador, mas de fomentar uma discussão sobre as problemáticas que existem e são abafadas ou tratadas como hipocrisia; pelos membros tradicionalistas e cristãos que condenam tudo aquilo que segundo eles, não são aceitos por Deus e pela sociedade que de forma incoerente diz ser sustentada por padrões e normas sociais.
Ousadamente o filme Do Começo ao Fim rompe com as amarras cinematográfica e sociais, levando para os seu público aquilo que sabemos que existe mas que é censurado pela mídia que se diz democrática. Abranches coloca em voga uma das problemáticas mais pertinentes da sociedade contemporânea: a homofobia.
Homofobia é o termo utilizado para nomear qualquer tipo de discriminação e aversão aos homossexuais. No sentido mais profundo da palavra, homofobia ainda significa medo que uma pessoa pode ter de se tornar um homossexual. Dessa forma, pode-se perceber que o termo é um neologismo.
Existem várias ramificações que justificam a homofobia. Algumas pessoas encaram a homofobia como uma manifestação semelhante ao racismo onde as pessoas se limitam às imposições da sociedade e não são abertas ao novo, colocando o nosso eu, como referência e anulamos ou rebaixamos a opinião do outro. Os homossexuais são vistos como o “grande problema do século que contradiz os ensinamentos recebidos pela sociedade, pela família e pela religião”.
Uma pessoa pode até não concordar com a homossexualidade, mas a partir do momento em que um ser humano, independente de sua cor, raça, credo ou sexo, é discriminado por ser homossexual, surge então o ato homofóbico. Atribuem-se a ele a injúria, difamação, gestos e mímicas obscenas, antipatia, ironia, sarcasmo, insinuações e qualquer outra forma de criticar e banalizar o homossexual.
No século XXI a mídia de forma crescente e ao mesmo tempo negativa trabalha a temática gay, pois se esquece de trabalha a mentalidade da sociedade que de forma brutal matam indivíduos semelhantes por causa da sua opção sexual.
Em relação ao medo de se tornar homossexual muitas pessoas tentam o suicídio, tentam mudar sua orientação sexual, possuem baixa auto-estima, comportamento compulsivo, afastamento da família, busca refúgio em substâncias como álcool, drogas e são indivíduos que plantam a desconfiança, autocrítica.
Há uma grande polêmica entre homossexualidade e religião, pois a Bíblia (livro utilizado pelo cristianismo) condena o ato homossexual e isso gera grande revolta nos homossexuais. Ainda existem outros grupos, independentes de religião, que não aceitam os homossexuais e por isso praticam crimes contra os mesmos, perseguindo e matando estes indivíduos.
O filme nos apresenta novos caminhos onde podemos confirmar que tal análise e totalmente etnocêntrica, uma vez que não levam em consideração que a “democracia” não é um “bem universal”; e que os estados islâmicos têm uma forma muito especial de diferenciar a relação entre religião e política, que não pode ser descrita como “fanática” só por que é diferente da nossa realidade. Isso acontece porque a nossa mídia julga esses movimentos religiosos da mesma forma que julgaria se eles fossem “cristãos” e estivessem ocorrendo aqui.
O etnocentrismo existe na medida em que transpomos os nossos conceitos para outros contextos sociais, culturais e pessoais que não vivenciamos.
O filme camufladamente propõe aos homofobicos uma análise profunda, onde civilizadamente possam encontrar nos homossexuais o ser humano. Pessoas que desejam ser feliz e viver plenamente a sua existência, pois acima de tudo eles são seres humanos como qualquer outro.
No concerne da análise notamos que o filme vai além das temáticas que envolvem o “incesto gay”, homofobia, relações familiares; levando os telespectadores a discutirem a respeito do “mito amor” que é muito bem trabalhado por Platão em O Banquete, por que senti repulsa em amar uma pessoa do mesmo sexo?
“Achei o tema que envolve o filme ousado, serve pra mostrar um lado da homossexualidade que não é notado pela sociedade, uma relação de amor entre duas pessoas que passa longe das orgias que é tão taxada na relação gay. Parece mostrar uma outra ótica, mas que não deixa de ser amor e mais leal até que muitos outros relacionamentos ditos normais que existem por aí”, (Thalyta França – acadêmica de Arquitetura e Urbanismo e membro do Coletivo Catraia.)
Em suma, não estou aqui para colocar a questão se ser gay é normal ou não. O que não pode ser aceito é a violência que cresce a cada dia. Eles são seres humanos e desejam como qualquer outro, ser feliz e viver plenamente da sua existência.
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