Borderline: Além dos Limites (2008)

Por: Lidiana Batista.

Filme canadense da diretora Lyne Charlebois realizado no ano de 2008, estrelado pela fantástica atriz Isabelle Blais, conta a história de Kiki, uma jovem mulher que aos 30 anos de idade tenta encontrar um equilíbrio para sua vida. Com a mãe internada em um hospital psiquiátrico e avó doente, Kiki tem flashbacks de sua infância e adolescência sempre regada à bebida e sexo. E diante do caos que se encontra, precisa ainda terminar seu romance, cujo orientador é também seu amante.

Logo na primeira cena já ficamos apaixonados por Isabelle Blais e sua Kiki. Uma mulher inteligente, sagaz, de humor mórbido tentando se descobrir o tempo todo. Os diálogos são envolventes e inteligentes, e creio que Isabelle Blais merecia uma premiação por sua excelente atuação.

Faz frio durante todo o filme. Kiki caminha com seu cachorro na neve, e é como se sua alma fosse tão fria quanto o próprio clima, e a impressão que temos é a de que Kiki quer a todo custo fugir desse caos, sempre quis, até mesmo na adolescência quando se entregou à bebida e ao sexo desregrado na esperança de esquecer quem era.

Diferente de “Garota Interrompida”, cujo personagem de Winona Rider é diagnosticado com Transtorno de Personalidade Borderline, o filme pouco fala sobre o assunto, ou quase nada. O único momento em que o transtorno é retratado é em um pequeno diálogo entre Winona e sua enfermeira, quando enfim ela consegue entender o que se passa.

Em Borderline: Sem Limites é diferente. Em momento algum vemos a palavra “borderline”, e nem é preciso. O comportamento de Kiki já denuncia uma personalidade que esta sempre nos extremos, na borda dos sentimentos, na fronteira.

Suas angústias e seu drama são tão intensos, que as cenas de sexo e nudez ficam em segundo plano, embora sejam importantes para o enredo do filme, o que queremos mesmo é saber o que se acontece com Kiki, suas reações, seus pensamentos, sua essência.

Filme altamente recomendável para borderlines, parentes e amigos de borderlines e para aqueles que buscam incessantemente o autoconhecimento.

Segue o trailler:

- Olá, meu nome é Kiki.
E não sou flor que se cheire.
Desculpe, farei direito.
Olá, meu nome é Kiki.
Sou uma viciada em sexo e dependente afetiva.
- Olá, Kiki.

-Sou viciada em tudo relacionado ao amor.
Eu realmente não sei o que dizer mais.
Hoje percebi que minha única relação estável é com Claude Viau,
meu cachorro.
Não façam mau juízo.
Não “fiz” com meu cachorro.
Minha relação com meu cachorro
é puramente platônica.
Claude Viau é um garoto que amei
dos 12 aos 15 anos.
Meu primeiro amor.
Eu lhe escrevi centenas de cartas, que nunca enviei.
Nos dia em que ele finalmente falou comigo,
eu o dispensei.

-Grande começo.
-É estranho.
Quando alguém me ama,
e…
Eu deveria me sentir bem,
confortável, eu acabo fugindo.
E…
quando me magoa,
Eu agarro.
É como se tivesse que machucar.

Albert Nobbs (2011)

A simples menção do nome de Glenn Close o que me vem de imediato é a sua personagem a Cruella De Vil, do “101 Dálmatas” (1996). Até porque esse personagem conseguiu eclipsar um outro também muito forte: a Alex de “Atração Fatal” (1987). A Cruella é impagável! É memorável! Nem dá para imaginar outra atriz fazendo a Cruella. Ambas as personagens, mulheres poderosas, esbanjaram também em sedução, sendo que cada uma a seu modo. Até por conta dessa feminilidade nada tímida, bateu curiosidade em vê-la se passando por um homem. E que pelas primeiras fotos divulgadas, a maquiagem estava perfeita. Faltava então conferir o desempenho. Conferido, e…

Logo nas primeiras cenas, me veio a sensação de já ter visto o filme, ou que já conhecia a história. Foi uma sensação forte. Mas quando eu percebi que meus olhos acompanhavam o personagem, e de um jeito hipnótico, eu então passei a acompanhar “Albert Nobbs” sem pensar em mais nada. E fiquei encantada com a performance de Glenn Close. Ela está soberba! Seu personagem não está apenas travestido de homem. Mesmo com toda a maquiagem. Mesmo com toda a inflexibilidade da postura de um modorno inglês, seu garçom estava nesse patamar. Havia uma tristeza no olhar de Albert Nobbs que doia na alma. Glenn Close conseguiu transmitir pelo olhar a ferida não cicatrizada do que a levou a ser um homem. Mais! Também passou toda a opressão em cima das mulheres daquela época. Bravo Glenn Close!

E o filme “Albert Nobbs” traz uma radiografia de mulheres que mesmo num mundo bem machista mais que sobreviverem queriam de fato viverem. São heroínas, anônimas ou não, que também foram desbravando um caminho dentro da sociedade local. Nós mulheres da atualidade devemos também render homenagens à elas. Que mesmo não pontuando como Personalidade da História Universal, elas fizeram história nas localidades onde viviam.

O fillme “Albert Nobbs” traz sim uma carga dramática muito forte, mas que também nos leva a sorrir pelo caminho que senão escolhido, mas que foram se adaptando as contigências que o destino trazia. Até porque Albert Nobbs não estava sozinho nessa. Também houve mais um “homem” que cruzou em seu caminho. Muito mais safo para as agruras da vida. É o personagem da atriz Janet McTeer, o Hubert. Numa inversão de idades, até porque já sem a armadura externa Nobbs se mostra a adolescente de outrora, Hubert mais que um amigo, se transforma num mentor. Adotando Nobbs por coração.

Há uma máxima que diz que não é mudando de lugar (=localização geográfica) que extirpará um problema. Ainda mais se é da sua própria natureza. No filme há duas pessoas usurpadoras. Que sonham com uma grande mudança, mas culpam o destino por não lhe darem mais chance. De um lado temos o jovem Joe (Aaron Johnson), que acha que indo para a América vai tirar de si o gene ruim do pai. Nem repara que o destino lhe dera uma grande chance de crescer como pessoa, como um homem do bem. Não apenas quando consertou a velha caldeira do Hotel, mas ao conhecer ai, a doce Helen (Mia Wasikowska). Mas os acontecimentos afloraram o que só via no pai. Do outro lado, uma senhorinha que aparenta ser um doce, mas por conta de um incidente, vê a chane de realizar seu sonho. Se bem que essa não dá para condená-la. O destino deu a ela chance de viver mais uns anos feliz da vida.

Albert Nobbs só queria ser feliz. Por anos a fio, pacientemente, buscou por se ver livre até desse novo ser que teve que incorporar. Vislumbrou um outro caminho daquele traçado por pensar que assim teria o controle do seu destino mais rapidamente. Mas fora o seu erro. O destino novamente não lhe sorriu.

Glenn Close quase rouba todo o filme devido a sua atuação. Só não faz pela força da história. Pela forma com que o Diretor Rodrigo García conduz todos os personagens. É um drama comovente, mas em cima mesmo da opressão às mulheres. Nos levando a não esquecer disso, nunca!

Então é isso! É um filme excelente! Diria até, imperdível!
Nota 9,5.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Albert Nobbs (2011). Reino Unido, Irlanda. Diretor: Rodrigo García. Roteiro: Glenn Close, John Banville. +Elenco. Gênero: Drama. Duração: 113 minutos. Basedo no livro “The Singular Life of Albert Nobbs”, de George Moore.

Toda Forma de Amor (Beginners, 2010)

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“Beginners” é um belo filme sobre amor, perda, vida, família, amizades e um cachorro falante (com uso de legendas). O roteirista e diretor Mike Mills me surpreendeu, fazendo um filme que tem um pouco de Woody Allen, com estrutura de filmes como “(500) Days of Summer” (2009), e, gastando apenas 3,5 milhões de dolares.

O filme começa com uma montagem de imagens narrado por Oliver (o sempre talentoso Ewan McGregor), um artista comercial que acaba de perder seu pai (Christopher Plummer). Com fotos diante dos nossos olhos, indo e voltando entre 1955 e 2003, a narrativa cresce e encanta, pois em poucos minuto, eu senti que conhecia Oliver e seus pais por anos.

Para quem é? 

ImagemPara quem gosta de um filme leve, e bem humano, “Beginners” é um aqueles filmes que encantam, e  não apenas por seu teor gay – o pai de Oliver sai do armário, quatro anos antes de sua morte. A mudança no estilo de vida do seu pai veio como um choque, mas sentimentos também a honestidade da relação entre Oliver e o seu pai.

Atores:

Provavelmente, Plummer vai levar o Oscar de melhor coadjuvante, e ele merece, mas seu personagem teria metade da humanidade que tem se ele não tivesse um parceiro de cena tão maravilhoso quanto McGregor. Achei que o filme é “quase” todo astro de “Moulin Rouge!” (2001).

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Na fase depressiva da sua personagem, Oliver conhece uma jovem atriz vivida por linda Melanie Laurent. Há uma atração instantânea entre eles, mas na cabeça de Oliver – por causa de sua melancolia – a relação parece encontrar barreiras. Entre as cenas de monólogo interior, Mike Mills brilha num truque narrativo, acrescando legendas entre o dialogo entre Oliver e o seu cachorro. Essa ferramenta apenas aumenta a forca dramatica de McGregor, que nos dar ainda mais introspecção no processo de pensamento de Oliver e suas decisões privadas.

Bem, o filme ilustra que a vida move rapidamente, e que cada um de nós temos que nos certificar que tevemos viver a vida ao máximo e nos cercarmos de pessoas que que nos ama, e amá-las de volta. E nos faz lembrar que a cada dia é um novo dia, e uma nova vida- sendo assim, posso dizer que somos todos iniciantes, certo?

Nota 9,0

Do Começo ao Fim, 2009

Do Começo ao Fim é um filme brasileiro escritor por Aluízio Abranches que narra uma história de amor diferente de tantas outras já trabalhadas nas telonas. De forma irreverente ele descreve um romance entre dois seres do mesmo sexo.

O autor trabalha dois pontos considerados polêmicos por muitos na sociedade do século XXI a homossexualidade e o incesto; na trama notamos que amor transcende todas as barreiras sociais.

A trama no apresenta uma história romântica vivida por Francisco e Thomas que ao longo do filme acabam construindo uma belíssima e amora relação, vivendo uma extraordinária história de amor; regada por muito beijo, erotismo, sexo e prazer.

Como cinéfilo afirmo que amor dos dois vence as barreiras do preconceito e da ficção, pois ao longo do filme sentimos comovidos por este amor que de forma profundamente poética, nos leva ao encontro das fábulas transcritas por inúmeros artistas e poetas que sublime dão vida as sentimentos que os coabitam.

O que é descriminado e desconsiderado na nossa sociedade contemporânea (homossexual) tornasse não mãos de Abranches um contraponto para um mundo cheio de violência, medo, intolerância e etc.

A idéia sintetizada no filme não se resume em simplesmente transtornar o telespectador, mas de fomentar uma discussão sobre as problemáticas que existem e são abafadas ou tratadas como hipocrisia; pelos membros tradicionalistas e cristãos que condenam tudo aquilo que segundo eles, não são aceitos por Deus e pela sociedade que de forma incoerente diz ser sustentada por padrões e normas sociais.

Ousadamente o filme Do Começo ao Fim rompe com as amarras cinematográfica e sociais, levando para os seu público aquilo que sabemos que existe mas que é censurado pela mídia que se diz democrática. Abranches coloca em voga uma das problemáticas mais pertinentes da sociedade contemporânea: a homofobia.

Homofobia é o termo utilizado para nomear qualquer tipo de discriminação e aversão aos homossexuais. No sentido mais profundo da palavra, homofobia ainda significa medo que uma pessoa pode ter de se tornar um homossexual. Dessa forma, pode-se perceber que o termo é um neologismo.

Existem várias ramificações que justificam a homofobia. Algumas pessoas encaram a homofobia como uma manifestação semelhante ao racismo onde as pessoas se limitam às imposições da sociedade e não são abertas ao novo, colocando o nosso eu, como referência e anulamos ou rebaixamos a opinião do outro. Os homossexuais são vistos como o “grande problema do século que contradiz os ensinamentos recebidos pela sociedade, pela família e pela religião”.

Uma pessoa pode até não concordar com a homossexualidade, mas a partir do momento em que um ser humano, independente de sua cor, raça, credo ou sexo, é discriminado por ser homossexual, surge então o ato homofóbico. Atribuem-se a ele a injúria, difamação, gestos e mímicas obscenas, antipatia, ironia, sarcasmo, insinuações e qualquer outra forma de criticar e banalizar o homossexual.

No século XXI a mídia de forma crescente e ao mesmo tempo negativa trabalha a temática gay, pois se esquece de trabalha a mentalidade da sociedade que de forma brutal matam indivíduos semelhantes por causa da sua opção sexual.

Em relação ao medo de se tornar homossexual muitas pessoas tentam o suicídio, tentam mudar sua orientação sexual, possuem baixa auto-estima, comportamento compulsivo, afastamento da família, busca refúgio em substâncias como álcool, drogas e são indivíduos que plantam a desconfiança, autocrítica.

Há uma grande polêmica entre homossexualidade e religião, pois a Bíblia (livro utilizado pelo cristianismo) condena o ato homossexual e isso gera grande revolta nos homossexuais. Ainda existem outros grupos, independentes de religião, que não aceitam os homossexuais e por isso praticam crimes contra os mesmos, perseguindo e matando estes indivíduos.

O filme nos apresenta novos caminhos onde podemos confirmar que tal análise e totalmente etnocêntrica, uma vez que não levam em consideração que a “democracia” não é um “bem universal”; e que os estados islâmicos têm uma forma muito especial de diferenciar a relação entre religião e política, que não pode ser descrita como “fanática” só por que é diferente da nossa realidade. Isso acontece porque a nossa mídia julga esses movimentos religiosos da mesma forma que julgaria se eles fossem “cristãos” e estivessem ocorrendo aqui.

O etnocentrismo existe na medida em que transpomos os nossos conceitos para outros contextos sociais, culturais e pessoais que não vivenciamos.

O filme camufladamente propõe aos homofobicos uma análise profunda, onde civilizadamente possam encontrar nos homossexuais o ser humano. Pessoas que desejam ser feliz e viver plenamente a sua existência, pois acima de tudo eles são seres humanos como qualquer outro.

No concerne da análise notamos que o filme vai além das temáticas que envolvem o “incesto gay”, homofobia, relações familiares; levando os telespectadores a discutirem a respeito do “mito amor” que é muito bem trabalhado por Platão em O Banquete, por que senti repulsa em amar uma pessoa do mesmo sexo?

“Achei o tema que envolve o filme ousado, serve pra mostrar um lado da homossexualidade que não é notado pela sociedade, uma relação de amor entre duas pessoas que passa longe das orgias que é tão taxada na relação gay. Parece mostrar uma outra ótica, mas que não deixa de ser amor e mais leal até que muitos outros relacionamentos ditos normais que existem por aí”, (Thalyta França – acadêmica de Arquitetura e Urbanismo e membro do Coletivo Catraia.)

Em suma, não estou aqui para colocar a questão se ser gay é normal ou não. O que não pode ser aceito é a violência que cresce a cada dia. Eles são seres humanos e desejam como qualquer outro, ser feliz e viver plenamente da sua existência.

“J. Edgar” ( 2011)

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J. Edgar Hoover era gay? Será que o seu amigo, Clyde Tolson era gay? Será que eles tiveram uma estreita amizade ou era algo mais? Talvez estas perguntas são a chave para entender o novo filme de Clint Eastwood. Se eu podesse definir o que exatamente o filme “J. Edgar” é, eu deria que é a história da relação do diretor da FBI, com o seu amigo Clyde Tolson e o desprezo de ser desaprovado por sua mãe. É uma história de um homem em todas as frentes com as barreiras que ele deveria superar para fazer qualquer coisa, mas a parede que ele nunca foi capaz de romper foi o que lhe permitiria finalmente aceitar Tolson como um amante e não apenas como um bom amigo. Pena que tudo isso é apresentado de  uma forma sem sentido, e, finalmente, coloca menos ênfase sobre o que poderia ser considerado aspectos mais interessantes da vida Hoover.

J.Edgar” tem algo de “ Brokeback Mountain” (2005), e “ O Discurso do Rei ( 2010), mas a única diferença é que a amizade entre o rei George VI e seu terapeuta parecia uma amizade de verdade, assim como o amor dos cowboys em Brokeback Mountain. Esses filmes tinham uma história para contar, e não uma dica e, assim se esconder como Eastwood e o roteirista Dustin Lance Black faz. Não há uma evidência histórica concreta sobre a homosexualidade Hoover, mas o filme sugere demais sem ser sutil, pois muito poderia ser dito em um olhar, mas revela demais, e não soa verdadeiro, quando tenta “dizer” que Hoover era um homossexual enrustido e até um cross- dresser !.

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Eastwood conta a história de Hoover em uma narrativa fraturada, traçando mais de 5 decadas. O filme desnecessariamente vai e volta entre diferentes eras com Hoover recitando as suas memórias, contando as vitórias do passado e construindo a história para se adequar a sua imagem. Por que Eastwood não apenas narrou o filme de forma linear? E por que, ele não contratou atores para viver Hoover e Tolson nas suas versões mais velhas, em vez de transformar as personagens em caricaturas de espuma de borracha?

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Leornardo DiCaprio realmente se entrega ao personagem- mesmo com a maquiagem exagerada, ele se sobressai com dignidade, mas o mesmo não diria do competente Armie Hammer, que alem da borracha na cara, exagera na tremedeira!. Ja Naomi Watts tem o desempenho mais convincente do filme, e oferece uma personagem com mais perguntas a serem feitas. Quem foi essa mulher que dedicou sua vida inteira a carreira profissional, nunca se casou e ficou com Hoover até a sua morte? O filme não se preocupa em responder a estas perguntas, mas talvez o desempenho Watts nunca foi feito para ofuscar todos os outros. E, detalhe, a sua maquiagem suada em Watts é a unica que parece natural!

Eastwood e o diretor de fotografia Tom Stern, mais uma vez usam os tons de cinza de aço, limitando a quantidade de cores no filme-  escuro demais!. O diretor também continua escrevendo a trilha sonora para os seus filmes, aqui usa tons suaves de piano, assim como temos ouvido em praticamente todos os filmes que ele compôs sozinho, e acrescenta mais um aspecto negativo em “J. Edgar”, dando ao seu filme uma alma cansada e preguiçosa. A edição também é uma outra bagunça. Mas sera que se os editores Joel Cox e Gary D. Roach tivessem cortado 40 minutos do filme, o mesmo ficaria menos chato? Não sei não…

No final, “J. Edgar” é um filme que apresenta uma falta de confiança enorme, mas mesmo assim pode dar o Oscar de melhor ator a DiCaprio!. Ele merece mesmo que vença por um filme ruim!

Nota 5

Um Panorama do Festival do Rio 2011 – parte 1

O Advogado do Viado (The Advocate for Fagdom) de Angélique Bosio não é um bom documentário mas abre um olhar para o bizarro e ousado trabalho de Bruce Labruce, autor dos explícitos “The Raspberry Reich” e “Hustler White”. John Water e Gus Van Sant colorem a arrastada sequência de depoimentos.

Alien Lésbica Solteira Procura (Codependent Lesbian Space Alien Seeks Same) de Madeleine Olnek é inacreditavelmente ruim e por ser concebido originalmente para ser um trash acaba por ter momentos engraçados e inusitados como a alienígena que passeia de chapeuzinho e tudo pela bucólica Coney Island.

A Árvore do Amor (Shanzha Shu Zhi Lian) de Zhang Yimou tem como pano de fundo a revolução cultural da China contando a chorosa e singela estória de amor de um jovem e casto casal separado por questões políticas no severo regime de Mao Tsé-Tung além de uma grave doença que arrebata o belo Sun.

Beleza (Skoonheid) de Oliver Hermanus relata os tormentos do abrutalhado e confuso François que se fica obcecado pelo filho de um velho amigo. O que poderia ser a “Morte em Veneza” dos tempos atuais se transforma num filme tão cruel que chega a ser desagradável com um estupro assustador e uma desconfortável cena de sexo grupal masculino que quebram o ritmo lento do filme prejudicado pela mão pesada do diretor.

Coney Island – O Último Verão (Coney Island (last Summer) de Marion Naccache não rende em suas imagens desinteressantes de um lugar tão decadente quanto encantador. Eu mesmo tenho em casa cenas registradas bem mais vibrantes de quando lá estive no final do século.

Inquietos (Restless) confirma Gus Van sant como um dos melhores diretores da atualidade. A delicadíssima estória de Annabel e Enoch que se encontram em funerais de desconhecidos por terem diferentes relações com a questão da morte rende uma paixão inesperada. O conforto emocionante que o filme dá a um tema que facilmente trilharia pelo caminho da pieguice surpreende. É Harold and Maude talentosamente revisitados na pele de Mia (que em momentos lembra a Farrow jovem) Wasikowska e Henry Hooper em um roteiro novo e encantador.

Contágio (Contagion) de Steven Soderbergh remete aos filmes-catástrofe dos anos 70 pelo clima assustador e elenco estelar (Matt Damon, Kate Winslet, Jude Law, Marion Cotillard e Gwyneth Paltrow) enfrentando um vírus fatal que se espalha rapidamente a partir de uma viagem a Hong Kong. Antecipei-me e já tinha visto em Nova Iorque, mas vou ver de novo quando estrear.

Estivemos Aqui (We were here) de David Weissman começa com imagens de homens lindos e atraentes na São Francisco hedonista dos anos 70, cujo quadro muda rapidamente para um cenário de terror com a chegada de uma terrível doença que se instala até os dias de hoje. Triste e chocante até as lágrimas. As pausas embargadas e sofridas causadas pelas lembranças de um sobrevivente sugerem uma dor que nunca cicatrizará.

Shark Night 3D de David R. Ellis não merece qualquer crédito. É ruim de doer. Assisti também em Nova Iorque antes do festival. Fujam mais do que qualquer barbatana na praia.

Funkytown de Daniel Roby revive a era disco em Montreal quando o Canadá passa pelo Movimento Separatista de Quebec (há uma relação curiosa com o nosso “A Novela das 8”), mas o povo quer mesmo é se divertir no clube Starlight ao som dos hits da época. Um divertimento à parte foi assistir a película lá em cima na bucólica Santa Teresa com Paula. Comemos pastel de costela no famoso Mineiro e nos integramos ao clima intimista do lugar com direito a uma platéia “descolada”, regulagem personalizada do ar condicionado e observações engraçadas no banheiro improvisado (não jogue papel no vaso-risco de explosão!) e ótima projeção na sala mínima.

Martha Marcy May Marlene de Sean Durkin evoca as angústias do que uma experiência traumática pode provocar na mente humana a ponto de confundir o que se viveu com ilusões assustadoras. Este é o dilema de Martha, afastada após um período vivido numa seita religiosa cujo líder abusava das mulheres. Quando retorna à sociedade, ela enfrenta dificuldades de readaptação com o mundo real.

Capitães de Areia de Cecilia Amado é uma feliz adaptação do conhecido livro do avô Jorge. O elenco infantil é ágil e encantador e dá graça e vida ao bando de meninos delinquentes na Salvador dos anos 50 devastada pela miséria e varíola. O charme, a promiscuidade e o humor do grupo deslizam fácil num roteiro fluente que prende a atenção desde o início.

A Novela das Oito de Odilon Rocha teve sessão glamorosa no Odeon com o excelente elenco que inclui Claudia Ohana, Vanessa Giacomo e Mateus Solano (em tórrida cena homoerótica). A novela em questão é Dancin’ Days que em 1978 ameniza os efeitos do final da ditadura no Brasil. A trama é engenhosa e rende bons momentos com algumas quedas de ritmo, mas muita música boa da época incluindo a inesquecível abertura da novela com as frenéticas e o hit “A noite vai chegar” da ótima Lady Zu.

Teus Olhos Meus de Caio Sóh tem uma dupla de atores promissora: Emilio Dantas e Remo Rocha além dos veteranos Roberto Bomtempo e Paloma Duarte no apoio. Mas o roteiro batido, uma direção inexperiente e uma montagem quase desastrosa não salvam o filme de um amadorismo insustentável que pode interessar somente a um público gay específico.

Xica da Silva do Cacá Diegues foi um grande sucesso na década de 70 contando a estória da escrava que vira amante do contratador João Fernandes, incumbido pela coroa portuguesa de investigar as riquezas das Minas Gerais no século XVIII. A cópia restaurada rendeu uma sessão no Odeon com presença da Ministra da Cultura, Ana de Hollanda, do diretor e da própria Zezé Motta, bela como sempre. Não sei se cometi uma gafe quando inadvertidamente comentei com Wilson que o filme era bom, mas mal dirigido sem perceber a carequinha do Cacá Diegues que havia mudado de lugar e estava sentado logo a minha frente ao lado da ministra. Se ouviu o comentário, nunca vou saber.

Por Carlos Henry.

The Rocky Horror Picture Show (1975)

Bem, cinematograficamente falando, The Rocky Horror Picture Show é bastante limitado. Com direito a caixa de papelão simulando um castelo flutuando. Porém, como legado de originalidade e cinema contagiante – e que em cada assistida continua uma louca viagem – onde excitação e loucura casam perfeitamente, temos aqui um clássico. Uma homenagem a filmes de terror e ficção científica lá das antigas, mantendo seu charme e de certa forma, a sua graça. Tudo o que ficava apenas na sugestão, ganha vida em forma explícita.

Um casal muito feliz, um médico louco – ou nesse caso, um extraterrestre do planeta Transexual (?) – sua criação, seu mordomo, suas assistentes, chuva forte, noite escura, pneu furado e muito rock’n roll. Partindo daquela velha idéia de acidente no meio do nada e a única ajuda ser a dos habitantes de um castelo nada amigável, a inserção de guitarras pesadas passeando pelos estilos do Rock, indo do clássico ao contestador, levantam o astral do filme e em muitos momentos é impossível não dançar e cantar aquelas músicas grudentas.

E a graça do filme não fica restrita somente a isso. E notório o clima de nostalgia, exaltado com gosto as referencias a Frankenstein, Flash Gordon, King Kong, à lendária RKO e por aí vai. Tudo que influenciou esses gêneros do cinema tão bem misturados com comédia e romance. Os personagens de longe soam interessantes, mas exercem sua função muito bem.

Todos estereotipados e muito bem interpretados, desde Susan Sarandon em início de carreira – e muito bonita por sinal – ao transexual tarado interpretado por Tim Curry, e que rouba absolutamente todas as cenas do filme.

Seus estereótipos funcionando muito bem para não exatamente contar uma história, e sim, fazer acontecer um espetáculo. A extravagância dos figurinos e do texto – com ousadas piadas sobre sexo – dão a entender que não se trata de um mero musical, mas sim, de um filme onde vale tudo. Alguns poderão torcer o nariz sem dúvida, outros irão adorar e sacar que tudo aquilo é rock sem lei nem ordem e se divertir a beça com tudo aquilo, mas, analisando dentro do nosso mundo, sempre foi assim. O pobre do Rock, defendendo suas idéias e libertações sendo oprimido pelo hipócrita bom senso das pessoas.

O que temos aqui é um filme que pouco liga para a breguice e a tosquice, que pouco liga para o que vão achar de sugestivas e até certo ponto polêmicas cenas de sexo e que quer mais saber de agitar tudo. É tudo um espetáculo, a começar pelo já lendário Dr. Frank (Curry, numa caracterização que lembra Freddie Mercury), que abusa de seu glamour e cria um ser másculo e homem o bastante para lhe satisfazer sexualmente. Encarando por um lado é grotesco realmente, mas entrando na proposta sincera e honesta de diversão do filme, é uma expressão de liberdade intelectual gritante.

É a força do Rock a favor de todos. Um filme sem preconceitos e que mesmo sendo limitado, é de uma riqueza impagável, seja na malícia de suas músicas, seja na bela homenagem ao cinema que um dia falou de tudo isso sem ninguém perceber que falavam daquilo, e que mesmo tanto tempo passado de seu lançamento, continua pomposo, sexy e contagiante.

E não envelheceu nada, tanto que sempre é revistado e ainda se tornou um marco na cultura pop – veja por exemplo as músicas, que continuam geniais e inspiradoras ou a séria Glee, que em sua segunda temporada fez uma homenagem mais recatada do filme.

É em poucas palavras, um filme delicioso, que sem sombra de dúvida, levanta o astral e diverte sem nenhum trauma, a todos. Um dos filmes mais legais já feitos.

Por: Rafael Lopes.

Nota: 8,5
Cotação: *****.

The Rocky Horror Picture Show
Inglaterra (1975)
Direção: Jim Sharman.
Atores: Tim Curry, Susan Sarandon, Barry Bostwick, Richard O’Brien.
Duração: 100 minutos.

Direito de Amar (A Single Men. 2009)

Na vida há perdas que são eternamente irreparáveis.

No filme “Direito de Amar” uma trama baseada no assombrado e influente romance de Christopher Isherwood, onde George Falconer (Colin Firth) perde o seu amante e fica desnorteado se mantendo as aparências e sendo visto pela maioria como um homem no controle, algo profundamente sem emoção e expressão.

Mas em um momento crucial de 1942, este professor universitário se vê no limite da sua vida.

Em meio ao processo do compreender a existência ele vai descobrir os ecos do passado no presente construído ideias ou versões alternativas para o futuro; promovendo uma inibição de futuro para se próprio.

Fundamentalizando uma poderosa identidade visual e profundamente pessoal.

George tem uma forma peculiar, poética e muita dramática de analisar a vida, como um espectador de um espetáculo apresentado por outra pessoa. Uma visão construída de fora pra dentro.

A trama se constrói em uma expectativa suave e experientemente dotada de uma simplicidade que a faz tão especial e envolvente. O filme não visão discutir a sexualidade e sim arte de amar além dos conceitos e preconceitos que rege uma sociedade.

Direito de Amar é um filme que deve ser sentido e analisado a cada segundo como uma prosa poética, um cordel romântico, algo expressivo e sentimentalista.

Todavia o mesmo mostra que a perder antes mesmo pensada faz com que o indivíduo libera a arte de amar que existe em si, mesmo quando o ser amado já não mais faz presente nesta vida ou existência.

No Nights is Too Long (2006)

Bem vamos a mais um filme de temporadas de ócio :)

Antes de falar sobre o filme, vocês já repararam que todos os personagens “transtornados” de HollyWood gostam de opera ou musica clássica …. o melhor exemplo é o Hanibal Lecter, e outros tantos transtornados de hollywood … o menino filme de hoje tem esse perfil Alegre

Hoje a gente vai falar sobre um “ Dama / tragédia Gay”, o Filme No Nights is Too Long, Tim um jovem estudante de literatura, com uma vida promiscua, conhece o Prof. Dr. Ivo, em uma de suas aventuras, com tempo a relação entre o dois fica mais seria a ponto de ir morarem juntos, Ivo algumas vezes viaja a trabalho para o Alaska e Tim neste momentos volta para sua vida promiscua. Ivo cobra uma nova postura dele no relacionamento.

Os dois resolvem ir até o Alaska, lá os planos dos ficarem juntos não da certo pois Ivo foi chamado inesperadamente para outro trabalho, Tim fica sozinho por uma semana e conhece uma mulher chamada Isabel, com quem tem um caso e faz ele refletir sobre o seu relacionamento com Ivo. …..

Não posso contar mais… dai para a frente acontece o melhor do filme …. com um final imprevisível .. ótimo vale a pena ver …

Encontrado nos melhores blog´s de filmes com temática LGBTxyz Alegre

O Primeiro Que Disse (Mine Vaganti. 2010)

Mine Vaganti” de Ferzan Ozpetek conta o dilema de Tommaso (Ricardo Scamarcio), herdeiro de uma rica família italiana produtora de massas, que volta de Roma empenhado em contar aos pais sobre sua condição homossexual para se livrar dos encargos burocráticos da empresa e se dedicar a sua arte de escrever. Se depara com um inesperado acontecimento, uma “bala perdida” que muda o curso de seus planos na forma de outra revelação imprevista.

O filme é acusado de caricatura embalada em moralismo dissimulado. De fato, o filme lembra antigas comédias recheadas de clichês sobre gays. E o que há de errado nisso se a obra é realizada de forma impecável, com bons atores, música primorosa e momentos divertidíssimos? O lugar-comum de um grupo de rapazes que precisa disfarçar para convencer o severo chefe de família rende cenas hilariantes bem como o já batido recurso de desenvolver uma trama paralela à estória principal para convergirem num clímax comum conduz a um desfecho bacana e bem solucionado.

Apesar da falta de originalidade, O despretensioso “Mine Vaganti” é um filme digno que cumpre o básico propósito fundamental do cinema: Entreter sem maiores pretensões.

Carlos Henry

O Primeiro Que Disse (Mine Vaganti). 2010. Itália. Direção e Roteiro: Ferzan Ozpetek. +Elenco. Gênero: Comédia, Drama, Romance. Duração: 110 minutos.

PS: A peça “Shirley Valentine” com Betty Faria e direção de Guilherme Leme é uma grata surpresa. Vale a pena conferir o momento de uma mulher que decide mudar o seu cotidiano a partir de uma viagem para Grécia. Humor, beleza e emoção no palco por apenas 10 reais no CCBB.