O Sol da Meia-Noite (White Nights. 1985)

Antes de falar do filme, quero contar sobre esse belíssimo e emocionante desenho. É do Saulo Goki. Ele o fez atentendo a um pedido meu, para assim também contar a história desse filme. Grata, Saulo! Ficou mais que perfeito para ‘O Sol da Meia-Noite‘! (Conheçam mais trabalhos desse artista, acessando sua homepage: Saulo Goki.) Agora, o filme.

Uau! Rever “O Sol da Meia-Noite” mesmo depois de tantos anos não deu para segurar as lágrimas no final. Se antes a torcida era para que um dos personagens seguisse por aquela corda rumo a liberdade – num dos grandes momento do filme -, dessa vez ela ficou contida. Melhor! Foi substituída por um “Bravo, Ray!” Por então já saber que ele fez o que fez para que os “três” tivessem mais chance de sair dali. Para quem ainda não viu esse filme, fica a sugestão. Está na programação do Canal TCM. Assista. E depois volte para seguir na leitura. É que mais adiante no texto, terá spoiler. Para quem já viu, venha comigo!

Qual o tamanho da liberdade que lhe é necessária? Não a utópica. Mas sim aquela que lhe daria a liberdade de seguir o seu norte. Em poder mostrar o seu talento. Para realizar aquilo que lhe dá prazer.

Conquistar o direito de ir e vir não parou no período pós Guerra Fria, nem com a materialização disso com a Queda do Muro de Berlim. Ainda hoje há muitas dessas cortinas de aço. Israel levantou uam há bem pouco tempo. Para cercear esse direito aos cidadãos da Palestina. Cito isso, caso alguns adolescentes que queiram assistir esse filme saibam que o tema principal desse filme não está apenas nos seus Livros de História. Assim, o filme se tornou também atemporal. Além de um Clássico na memória afetiva de alguns cinéfilos. Entre eles, eu! Traçando esse paralelo com a realidade atual, e de algumas nações, pode-se visualizar melhor o drama de alguém ir atrás não apenas do seu sonho, mas por sentir que terá a liberdade de escolha. Mais! Ao abraçar uma outra pátria, se sinta de fato um cidadão nela.

Em “O Sol da Meia-Noite” será a Dança e a Música que contarão uma emocionante história. Como pano de fundo a época da Guerra Fria entre duas potências: Estados Unidos versus União Soviética. Na personificação de dois personagens que antes nativos de cada uma delas, agora pertencentes ao outro lado. Que traz também uma outra realidade, e que tem a ver com preconceito racial: de um lado um “louro nórdico”, e do outro um “afro-americano”. Ambos Bailarinos. Um, por se sentir podado numa gaiola dourada, ousou fugir dela. Já o outro que a princípio foi ciente de que viveria numa, o seu grande motivador fora por não querer abraçar uma Guerra: a com o Vietnã. Desertara dela. E quem seria esses dois?

O ballet clássico é para jovens. O que mais me fascina na dança contemporânea é a possibilidade de interpretar a nossa própria idade“. (Mikhail Baryshnikov)

Mikhail Baryshnikov interpreta um deles. Como também algo que vivenciou na vida real: o abraçar outra pátria. No filme ele faz o Nikolai. Um bailarino que pedira asilo polítio aos Estados Unidos. Queria poder dançar o que quisesse, e não o que lhe era imposto. Amava a dança para ficar somente preso aos Clássicos. Queria também vivenciar o Balé Moderno. Acontece que por um acidente do destino, o avião onde viajava, já como integrante de uma Companhia americana, fora obrigado a fazer um pouso de emergência em solo soviético. De volta a toca dos leões!

O outro quem o faz é o ator Gregory Hines. Ele é o Raymond, o Ray. Cansado de ser mais um negro Sapateador nos Estados Unidos, sonhou em ter um reconhecimento profissional na Rússia. Mas muito mais por conta da sua ex-nacionalidade do que pelo seu talento é que lhe deram um palco. Que para ele era bem mais do que conseguiria no Harlem, Nova Iorque. E em solo soviético conhece Darya, personagem de Isabella Rossellini. Se apaixonam e se casam.

Tudo seguia rotineiro para esse casal. Até que o destino traça um outro rumo: Ray será usado para tentar convencer Nikolai a primeiramente voltar a treinar, depois voltar a se apresentar no grande Teatro Kolya. Ray mesmo sendo obrigado, acredita que com isso irá se apresentar em teatros mais importantes na Rússia. Para um público mais seleto.

Quem faz essa intermediação é o Ministro da Cultura, Coronel Chaiko, personagem de Jerzy Skolimowski. Excelente performance! Mas revendo agora esse filme, não lembro se na primeira vez que vi se esse personagem me impactou tanto quanto o Coronel Landa, de Christoph Waltz, em ‘Bastardos Inglórios‘. Pelo perfil do personagem, me peguei a pensar se de certa forma Quentin Tarantino se inspirou no Chaiko para construir o seu Landa. Não gosto de fazer esse tipo de comparação. Acho injusto. Mas o Coronel Landa de Christoph Waltz veio para pontuar os Vilões da História do Cinema. De qualquer maneira, Jerzy Skolimowski merece aplausos. E seu Chaiko fez uma ácida ponte para os personagens principais se confrontarem.

Não tento dançar melhor do que ninguém. Tento apenas dançar melhor do que eu mesmo.” (Mikhail Baryshnikov)

Então, nesse embate temos, de um lado um negro nascido nos Estados Unidos tentando ter um palco importante em solo soviético, e do outro lado, um branco que abraçou o país do outro porque lá poderia dançar o que quisesse, e sem importar em que palco. Será um belo duelo! De ideais também. Algo bem planejado pelo Cel. Chaiko. E aos que ainda não conhecem esse filme, quando eu friso a negritude do personagem é porque o preconceito racial está na trama do filme. Mais! Será usada como arma pelos dois lados.

Nikolai sabe que tem pouco tempo. Precisando do fato que sua Agente (Personagem de Geraldine Page) ainda está fazendo tudo o que pode para trazê-lo para dentro da Embaixada Americana. O único jeito dele se ver livre novamente. Se antes o destino cochilou com o tal pouso do avião… Depois mostrou a ele um jeito de fugir daquele prédio. É quando o Cel. Chaiko traz a antiga namorada, como mais uma arma de persuasão. Ela é a bailarina Galina Ivanova, personagem da Helen Mirren. Galina está na direção da Escola de Balé. Um alto cargo. Para o Coronel, ela não porá tudo a perder. Mas seu tiro sai pela culatra! Já que Galina consegue um jeito de ser uma ponte entre Nikolai e a Embaixada. Também terá umas ajudas invisíveis para essa fuga. Uma, de um subalterno do Coronel. Numa de – “Beba do seu próprio veneno!” -, acaba dando segundos preciosos a mais para a fuga. A outra ajuda vem de uma zeladora da Academia. Mesmo para alguém acostumada em viver como numa casta, se sente bem quando alguém de uma superior lhe trata como um igual. Demonstrando que conhece um pouco da sua vida pessoal.

Se separarmos o contexto histórico – Guerra Fria -, o filme traz mais um tema. Mais que mostrar os Estados Unidos como a Terra Prometida, é o de querer ter o livre arbítrio em traçar seu próprio destino. Mas ambas as nações tolhiam esse desejo. Uma muito mais abertamente do que a outra. O que me fez lembrar agora, revendo esse filme, de um outro, o “O Declínio do Império Americano”, por levantar essa questão, em especial, com essa frase síntese:

A História não é uma ciência moral. A legalidade, a compaixão, a justiça são estranhas à História. Isso significa, por exemplo, que os negros da África do Sul estão destinados a vencer um dia, enquanto os negros americanos, provavelmente, nunca o conseguirão.“

Para Ray, um fator novo irá pesar na sua decisão final. Que o fará recusar aquela mão amiga a lhe chamar para a liberdade. Agora tinha um filho a caminho. Que ali não teria mais o “peso” do pai. Ray era como um troféu de guerra para os russos. Já seu filho, nascendo ali, não seria. Então Ray deixa que esse futuro filho tenha oportunidade de traçar seu próprio destino. Decide ficar para dar mais tempo à fuga dos três: Nikolai e Darya grávida.

O título do filme participa como um fato que mesmo que habitual na vida dos habitantes, ainda desnorteia um pouco a rotina diária. Do tipo: “Apesar de estar claro como o dia, ainda é noite.” Com isso há o de se esperar pelo funcionamento de tudo, quando de fato é de dia. O que pode ajudar, como também dificultar a fuga. O título também evoca algo romântico: uma luz a brilhar, a guiar, na escuridão. Como também há uma simbologia no campo psíquico. Se o sol do meio do dia seria o momento onde a sombra (conceito junguiano) se faz totalmente ausente, com o da meia-noite seria ter a visão por completo dela: conhecer a fundo os seus medos. E sendo o filme made in usa, uma outra simbologia: o sol representaria os Estados Unidos, e as trevas a cortina de aço.

Agora, o filme também traz um tema importante: o valor de uma verdadeira amizade. Mostrando que ela pode nascer mesmo sobre um forte antagonismo. Se fortalecer mesmo que num curto período. E o quanto um simples gesto pode deixar raízes profundas. Algo que marcará tanto, que virá a ser um divisor de água pelo menos na vida de um deles. Uma amizade que, se não durar para sempre, por certo fará parte da memória afetiva dos envolvidos.

Finalizando! Eu amei muito de rever esse filme! Só potencializou esse gostar. Confirmando que continuará na minha memória afetiva. E ao som de “Say You, Say Me”, na voz de Lionel Richie. Assistam!

Nota 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Sol da Meia-Noite (White Nights. 1985). EUA. Direção: Taylor Hackford. Gênero: Drama. Classificação etária: Livre. Tempo de Duração: 136 minutos.

Late Bloomers – O Amor não tem Fim (2011). Ou, Envelhecer é um Recomeçar

De dois universos tão distintos, ela vem conquistando um lugar num topo de ainda na quase totalidade ocupado por homens. Assim, sendo eu também uma mulher, começo citando a Diretora, e também Roteirista, Julie Gavras. À ela meus Parabéns por ambos seus filmes. No primeiro que eu vi, o “A Culpa é do Fidel” (2006), traz a mudança de uma menininha ao ver que seu mundinho crescera, entendendo que vivemos numa sociedade não tão perfeita, ou não como todos nós desejamos. Já nesse segundo que eu assisto, “Late Bloomers – O Amor não tem Fim“, Julie Gavras já traz um casal entrando na velhice, onde além de ainda não ser uma sociedade perfeita, agora está jovem demais “em produtos”, e meio que excluindo os bem mais velhos “naturalmentes”.

Não sei se vale como um consolo, como a lei da compensação. É que se chegamos nessa fase da vida: é por continuarmos vivos! Pelo fato de sobrevivermos a violência urbana, também. Mas a trama desse filme traz essa longevidade como pano de fundo, ora pela própria natureza, ora pelos avanços da ciência. Como também esse filme não nos mostra isso de forma didática. Muito embora seria até válido. É que como temos um casal de protagonistas, de uma união já na casa dos trinta, o plano central foca o que vem com essa fase. A vida sexual também mudará, e em que?

É nisso que o título internacional sugere: um florescer para esse novo tempo. Uma descoberta, mesmo que tardia, de que ainda tem muita coisa para se fazer, viver… É o sentido da vida: seguir em frente. Agregando novos valores, abdicando de outros. Olhando-se no espelho: dizendo um “Olá!” para essa pessoa a princípio estranha, mas que até por conta disso, está ciente de que ainda é capaz de surpreender também a si mesmo. Que ainda tem muita tesão pela vida. Ou, como no subtítulo dado no Brasil: que se tem amor, não terá um fim. Será um recomeço. Já o título no original em francês pontua que esses 60 anos teve 3 fases de 20. Para esse casal a dos 40 aos 60 ficara curta demais. Ou, nem fizeram planos para esses 20 que teriam à frente. Com o susto, tiveram que passar a limpo esses quase 60 anos. Com isso, teriam que fazer individualmente também.

Porque eu me imaginava mais forte. Porque fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente” (Clarice Lispector)

Mary (Isabella Rossellini) foi quem primeiro se deu conta da nova fase que chegara. Por conta de um lapso de memória: esquecera em como foi parar num quarto de motel com o marido. Ele, Adam (William Hurt), leva na esportiva a preocupação dela. Na verdade, ele nem se tocou. Mas fatos no transcorrer daquele dia, no seu trabalho, o fará repensar. Não em sua vida particular. Pois isso, na cabeça dele estava tudo indo bem. A questão era o impasse que a sua vida profissional se apresentava. Estava diante de uma encruzilhada. De um lado: aceitar um projeto que o sócio com dinheiro, Richard (Simon Callow, de “Quatro Casamentos E Um Funeral”, 1994.) queria muito que a Firma deles fizessem. Só que Adam, não apenas não queria aceitar, como tal projeto o faria pensar na velhice 24 horas por dia. Ele odiou até as novas mudanças que Mary fez na casa. Como as barras na banheira do quarto do casal. Só que sem perceber se apoiou numa para entrar na banheira. Não se trata de um spoiler porque a cena foi escolhida como cartaz do filme. O outro lado a escolher. Fora uma descoberta por acaso: ouviu sem querer a conversa de um grupo da Firma. E se o destino colocou na sua frente, não resistiria muito aquela tentação.

O projeto proposto por Richard, seria uma nova Flórida. Um Balneário para a turma da terceira idade, e rica, viverem, mas que atraísse também o desejo dos mais jovens. Com isso, ele teria que visitar asilos, conversar com muitos idosos… Mary até facilita um encontro desses. Leva um grupo do qual sua grande amiga Charlotte (Joanna Lumley) pertencia: Panteras Grises (Gris = de cabelos grisalhos. Uma entidade em defesa dos Direitos dos da Terceira Idade). Bem, o tiro saiu pela culatra. Por algo que uma delas falou sobre um Projeto do Adam. Fora um trabalho que lhe rendeu fama internacionalmente. Mas fez Adam perceber que ficou deitado nessa fama por muito tempo.

Já o outro projeto seria além de trabalhar com um grupo de arquitetos bem jovens, em dar uma cara nova a algo velho: uma arquitetura nova para um grande Museu. Algo que chamasse mais a atenção do que a Pirâmide do Louvre. Pois é, mesmo que, a grosso modo, um museu seja lembrado por guardar coisas velhas, essa arquitetura futurista teria encabeçando o nome dele. E isso era tentador também. Como também por quem estava à frente do grupo: uma jovem e cheia de gás Maya (Arta Dobroshi).

Acontece que para esse projeto Adam teria que captar patrocínio e isso ele nunca soube fazer. Como também ficou ciente que só o seu nome não valia mais para os jovens à frente de outras empresas. Ficara mal acostumado até com os cuidados da esposa durante a vida de casados.

Então, acabei falando mais dele em primeiro lugar do que dos conflitos existenciais da Mary. Mas viram o porque: o acorda dele veio pelo o que ele conquistara até então. Com a Mary não. Ela que vivera até então pela e para a Família, se vê perdida. Se sente invísivel, ou sentia-se antes de conhecer Peter (Hugo Speer), o dono da academia onde fora nadar. Pois procurando por um médico, ele receitara ginástica e também fazer um trabalho voluntariado. Além, pasmem! De que um dos remédios que receitara anteriormente, trazia esse efeito colateral: lapso de memória.

Se de um lado a ciência ajuda na longevidade de muitos, por outro também pode causar, ou acelerar novos danos. É como um aviso a uma medicação em excesso. Mas o filme também nos mostra, o quanto ela, a ciência, pode ser uma boa companheira. Tanto para Richard. Como para a mãe de Mary, Nora (Doreen Mantle). Nora me fez lembrar de Elsa, do filme “Elsa e Fred – Um Amor de Paixão“, também pelo jeito de aproveitar a vida. Meio clichê, mas quando se chega numa fase da vida, pode ser vista como: o primeiro dia do resto da nossa vida. Então, o melhor é vivenciá-lo como sendo o primeiro, sempre.

O primeiro “Acorda!” que Nora dá, é em específico para Mary. Depois, subjetivamente, traz dois, mas ao casal. Numa sociedade atual, tão mais afeita com o status, com aquilo que se tem, essas cenas nos mostra os reais valores. Charlotte também, ao seu jeito, tentou mostrar um deles a Mary. Até Richard, de um jeito torto, levou Adam também descobrir um deles. Os três filhos do casal – Giulia (Kate Ashfield), James (Aidan McArdle) e Benjamin (Luke Treadaway) -, bem que teram ajudar nessa. Mas talvez por deixarem certos ressentimentos aflorarem, tal ajuda veio como coadjuvante da de Nora, a avó deles.

Entre coisas do passado e do presente… o filme traz um merchan daqueles que se diz: “Que Excelente Sacada!” O Red Bull aqui ficará memorável!

É um filme que se vê com brilhos nos olhos. Uma história, e com atores mostrando todas as marcas do tempo numa cara sem maquiagem, seria algo que não interessaria Hollywood. Nem muito menos ao público bem jovem. O que é uma pena! Já que as reflexões os levariam a não carregarem bagagens inúteis em suas vidas futuras. O filme é um aprendizado sim, mas como já citei o faz sem didatismo. Mostra um envelhecer com respeito, elegância, e cheio de charme. Isabella Rossellini continua belíssima em vésperas de também completar 60 anos na vida real, e William Hurt adquiriu uma beleza ímpar com o sabor do tempo. A Trilha sonora também veio a somar a esse excelente filme. A música tema do filme é contagiante! Dá vontade de sair dançando. Lembra uma Banda da Lousianna, Mississipi. Não achei um vídeo com ela, então deixo o trailer. Não deixem de ver também esse filme.

Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Late Bloomers – O Amor não tem Fim (2011). França, Bélgica, Inglaterra. Direção e Roteiro: Julie Gravas. Gênero: Drama, Romance. Duração: 95 minutos.

Veludo Azul (Blue Velvet)

blues

She wore blue velvet
Bluer than velvet was the night
Softer than satin was the light
From the stars
She wore blue velvet
Bluer than velvet were her eyes
Warmer than May her tender sighs
Love was ours
Ours a love I held tightly
Feeling the rapture grow
Like a flame burning brightly
But when she left, gone was the glow of
Blue velvet
But in my heart there’ll always be
Precious and warm, a memory
Through the years
And I still can see blue velvet
Through my tears…..

Uma orelha amputada jogada no mato é o motivo para desenrolar uma trama que serial banal sobre droga, chantagens e prostituição se nao fosse a genialidade underground, pesada de David Linch. No comando do roteiro e direção e o mais cruel de todos: na época era marido de Isabela Rosseline que atuava no papel da sofrida, chantageada, cantora de um repertorio só, Doroty Vallens.
Dizem que o homem foi impiedoso nessa produção não poupando nem a bela Rosseline.

De volta a cidade, o estudante Jeffrey (Kyle Maclachlan) caminha pelos campos e jardim, quando tropeça numa orelha. Assustado, leva o objeto para a policia para investigação.
Mas a policia é lenta, desinteressada. Jeffery se junta a namorada Sandy (Laura Dern) que é filha de um investigador de policia. Um dia ela ouve o pai dizer alguma coisa sobre uma tal de Doroty Vallens, cantora local, cujo marido havia sido sequestrado.
Sandy se afasta da situação, mas Jefferey começa a investigar Dororty , os dois se conhecem e o envolvimento entre eles torna – se mais profundo. Fica a duvida se Doroty amou o rapaz, se ela tem necessidade de estar cercada por homens errados. Jefferey descobre que o marido dela fora sequestrado por uma bandidão traficante, o asmático Frank Both (Dennis Hoper, melhor papel ate hoje) e com isso ela é chantageada de todas as formas pelo cara.

Frases antologicas durante as vezes em Frank que estupra Doroty sempre precedido de uma bombada spray (por causa da asma):
- I fuck anything that moves”, “Heineken? Fuck that shit!”, “I can’t stand warm beer; it makes me fucking puke” , “Now, it’s dark
Dean Stockwell participa no filme, como cantor dublando Roy Orbison.que em minha opinião é a cena mais bonita do filme, pois todo o cenário é rosa. Me arrepiou.

Kyle Maclachlan, atuou no seriado Twin Peaks e atualmente está em Sex & City. Laura Dern contiua fazendo papeis secunários. O mais conhecido deles em Jurassic Parker.

Direção e Roteiro: David Lynch
Genero: suspense, erotico
Elenco: Isabela Rosselini, Dennis Hoper, Kyle MacLachlan, Dean Stocwell
Duração: 115 min, colorido, EUA

Madrugada. De madrugada é o melhor horário para assistir esse filme.

Cris Barros

Amantes (Two Lovers. 2008)

amantes_filme2008Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure
.” (Vinicius de Moraes)

Um filme que fala de amores, paixões, relacionamentos… onde a preocupação maior seria vivenciar o presente, trouxe uma com o futuro. E de um jeito que me fez pensar nos ideais nazistas. Que mesmo com o Holocausto… vemos que os judeus ainda mantém. Refiro-me aos exames para saber se os prometidos irão gerar uma prole sem enfermidades. No teste do jovem Leonard (Joaquin Phoenix), dera positivo. Com isso, a noiva o deixou. Ela queria ter filhos.

Leonard é Bipolar. Não sei se por conta disso, que era filho único. Em todos casos, seus pais o amavam. Quem faz a sua mãe, é a sempre bela Isabella Rossellini. Como doenças não é a minha praia, fui ler um pouquinho sobre Transtorno Bipolar. Dai, vi que há sim medicação. Mas não sei se foi a deixa para introduzir um merchan de uma das indústrias farmacêuticas, de modo não abusivo. Ainda com o Bipolar. Sendo mostrado num filme, irá ajudar a outros que também têm.

O filme começa com um surto dele, no lado depressivo… Refeito, encontra-se nesse mesmo dia, alguém que se interessou por ele. Ela é Sandra (Vinessa Shaw). Também judia. E que mesmo ciente do problema dele, quer ficar com ele.

Depois, Leonard conhece a nova vizinha, Michelle (Gwyneth Paltrow). Ela estava no corredor do prédio, ao fundo se ouve os gritos possessos de seu pai. Leonard a convida para entrar… Na conversa, ela fica admirada dele ainda morar com os pais.

Para Michelle, Leonard não contou. Somente para a Sandra. Dai vem outra reflexão: o homem se mostra mais forte para alguém com que se apaixona de imediato? Àquela que lhe pareceu ser uma doce amizade, pode então se despir das armaduras? Michelle fez o mesmo com ele, mas ele nem se tocou.

Michelle é amante de um cara rico. Esse, confidencia a Leonard, que a ama, mas não larga a família para ficar com ela, porque ela tem um pai com doença mental. É! Leonard conhece bem lances desse tipo.

Então, Michelle e Leonard terão que tomar uma grande decisão. Continuam ou não com a vida que estão levando.

O filme é bom! Há momentos tristes, outros alegres. Todos estão atuando em uníssono. Mas não me deixou vontade de rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Amantes (Two Lovers). 2008. EUA. Direção: James Gray. Elenco. Gênero: Drama, Romance. Duração: 110 minutos.