Paraísos Artificiais (2012)

O filme Paraísos Artificiais é uma produção cinematográfica brasileira que conta a história de amor de Nando e Érika, dois jovens que se encontram e desencontram ao longo do tempo. O contexto da trama se passa nas megas raves e nas festas de música eletrônica, o longa-metragem retrata o amadurecimento de seus protagonistas a partir de suas experiências com família e amigos.

Marcos Prado, depois de produzir Ônibus 174 (2002), Tropa de Elite (2007) e Tropa de Elite 2 (2010), e ter dirigido o Documentário Estamira (2004), tem com “Paraísos Artificiais” (2012) a sua estréia como diretor de ficção, livre do peso que as obras anteriores pudessem jogar em suas costas. Afinal, a cobrança por algo de calibre semelhante, é algo natural. Ao analisar o filme posso dizer que Paraísos Artificiais mesmo não sendo tão forte como os outros, possui um trama que provoca efeito em seus telespectadores.

Ambientado nos anos 2000, o filme é narrado em três atos: o primeiro se passa em Amsterdã, para onde Nando viaja com seu amigo Patrick, e onde conhece Érika, DJ internacional; o segundo alguns anos antes, em uma rave na beira do mar, no Recife, para onde Érika segue viagem com sua amiga Lara, e onde Nando também está com Patrick; o terceiro se passa no Rio de Janeiro, cidade natal de Nando, onde ele enfrenta problemas familiares, principalmente com seu irmão mais novo Lipe, e onde por fim reencontra Érika.

Como ser humano que vive os conflitos do mundo contemporâneo, afirmo que no filme Paraísos Artificiais encontramos com propriedade as descrições dos comportamentos humanos com: os devaneios da juventude, os desequilíbrios emocionais desta fase, a sexualidade, o sexo propriamente dito, os vícios, as raves, as drogas licitas e ilícitas e os inúmeros comportamentos que compõe a sociedade humana do novo milênio. O filme nos leva a entender que vivemos a plenitude do nada, de uma existência complexa e dolorosa; onde acreditamos ou desacreditando em uma esperança para reviver o possível amanhã.

Em suma, podemos concluir que o filme descrever as mazelas de um mundo escrito pelos jovens que amanhã serão os líderes políticos, sociais, econômicos e intelectuais de uma nação. Mesmo com uma língua simples a produção transmite uma vasta mensagem.

Paraísos Artificiais. 2012. Brasil. Diretor: Marcos Prado. Elenco: Nathalia Dill (Érika), Luca Bianchi (Nando), Lívia de Bueno (Lara), Bernardo Melo Barreto (Patrick), César Cardadeiro (Lipe), Divana Brandao (Márcia), Emílio Orciollo Neto (Mouse), Roney Villela (Mark), Cadu Fávero (Anderson), Erom Cordeiro (Carlão). Gênero: Drama, Romance. Duração: 96 minutos. Classificação etária: 16 anos.

Incêndios (Incendies. 2010)

Por: Lidiana Batista.

Drama canadense dirigido por Dennis Villeneuve e estrelado por Rémy Girard, Lubna Azabal e Mohamed Majd.

A história de dois irmãos gêmeos tentando realizar o desejo da mãe após sua morte. No testamento, Narwal Marwan diz que quer ser enterrada nua, sem caixão, sem lápide e nem funeral. “Nenhuma lápide será colocada para aqueles que não cumprem suas promessas“. E diz ainda que Jeanne deveria encontrar o pai, e Simon o irmão desaparecido. Para cumprirem a missão designada pela mãe, ambos vão parar na Palestina, inciando assim uma investigação sobre suas vidas e sobre a mãe.

Primeiramente devo dizer que tive de refletir muito para escrever sobre este filme. Sabem aqueles filmes que quando terminam, você olha os créditos finais e mesmo assim não consegue se desligar? Incêndios fez isso comigo. Um excelente drama sobre verdade, força, perdão e obstinação.

E todos esses adjetivos não cabem somente ao filme, mas a uma mulher: Narwal Marwan, que teve a audácia de enfrentar a família para viver um amor, teve de doar seu filho e prometer a si mesma que jamais desistiria de encontrá-lo.

Enquanto os gêmeos caminham pelas áridas paisagens do oriente médio procurando pistas sobre o pai e o irmão, a história da mãe vai sendo contada. Não há como não sentir admiração por essa personagem que consegue forças para superar a perda de um filho, se envolver em uma guerrilha e viver 15 anos em uma prisão sendo torturada constantemente. Esta, é “a mulher que canta”.

Aos poucos os mistérios vão sendo desvendados, e a cada pergunta respondida, uma surpresa para os irmãos e para o espectador que assiste tudo admirado, fascinado e louco para saber quem é a misteriosa Narwal Marwan.

Narwal Marwan é sem dúvida alguma uma heroína como há muito tempo não via. Sua história de vida é apaixonante, e o diretor conseguiu transmitir isso com muita competência! A força da mulher que sonha, que não teme, que canta e encanta.

Incêndios queima a alma com a verdade, com o passado ignorado, com a crueldade e injustiça expostas para serem digeridas pelos protagonistas e pelo espectador.

Jeanne, um mais um pode ser um?

Precisamos Falar Sobre O Kevin (We Need to Talk About Kevin, 2011)

CLIQUE NO GIF ACIMA PARA VER A CURTA ANIMAÇÃO PREPARADA PARA VOCÊS.

Olá, pessoal. Hoje farei uma crítica que já planejo há um bom tempo, entretanto preferi esperar para que o filme estreasse nos cinemas brasileiros para que as pessoas que lessem tivessem a oportunidade de assistir. Quem leu meu post sobre Adaptações Cinematográficas de Livros deve lembrar que citei esse filme como sendo uma das adaptações mais diferentes que já assisti. Quando digo diferente não é no sentido de não haver fidelidade para com o livro, e sim do longa não ofender o romance, mas apresentar uma visão bastante particular da trama. Taxado como polêmico, assustador e surpreendente. “Precisamos Falar Sobre o Kevin está chocando o público, vocês devem estar perguntando o porquê disso. E é simplesmente por que tudo aquilo é algo bastante realista e não há nada mais assustador no cinema do que nós acreditarmos que aquilo mostrado nas telas pode acontecer na realidade. O relacionamento de amor e ódio de uma mãe com o filho, possivelmente, psicopata é algo que realmente instiga as pessoas. Numa das cenas geniais, Kevin comenta em tv aberta o fato do público televisivo dar tanta atenção aos psicopatas, afinal será mesmo que as pessoas não gostam de ouvir esse tipo de coisa? essa é uma das sugestões polêmicas que a história coloca.

Best-Seller de Lionel Shriver

O livro de Lionel Shriver foi recusado por muitas editoras e quando finalmente foi aceito, virou sucesso. A trama acompanha a história de uma mãe, Eva (Tilda Swinton), que sofre as conseqüências dos atos de seu filho Kevin (Ezra Miller), já preso por cometer uma chacina na escola. Como se não bastasse ser julgada e perder todo o dinheiro no tribunal, acusada de negligência materna, Eva tem que suportar diariamente o preconceito nas ruas, as pessoas acreditam que a revolta do rapaz possa ter vindo de falhas maternas. Então ela faz uma recapitulação, narrando tudo para Franklin (John C. Reilly), seu marido que a deixou levando a filha pequena. A partir daí acompanhamos do nascimento de Kevin até a data do massacre, sempre alternando entre o presente e as memórias de Eva. Quando tudo começa, ficamos espantados com a relação entre os dois. Kevin não era uma criança fácil e sempre fez questão de expôr sua natureza fria utilizando a mãe como alvo. Eva também não fica muito atrás, seus pensamentos de raiva pelo menino nos deixam na dúvida se realmente seus atos influenciaram no que Kevin se tornou. E é aí que surgem nossas dúvidas. Por que Kevin fez aquilo? Será que sua monstruosidade é justificável pelo elo fraco com a mãe? Eva é ou não culpada? Kevin sempre foi psicopata? Eva estaria paranóica desde que a criança nasceu ou é verdade que o tempo todo notara as inclinações assassinas do filho?

Momentos tensos

As respostas para as perguntas acima são bastante relativas, o que faz com que cada pessoa saia da sala de cinema com um filme diferente na cabeça. Acredito que a monstruosidade do rapaz seja tamanha que ficará bastante constrangedor para alguém defendê-lo, no livro até o advogado se sente desconfortável pela reação de Eva. Ela tenta “permanecer de pé”, evita chorar na frente dos outros, o que faz com que a maioria pense que é uma mulher fria. Eva guarda a culpa para si mesma, o que torna tudo tão doloroso. Ela sente que precisa ser castigada pelo que seu filho fez, por isso não se zanga com a reação violenta das pessoas. Cabe a nós sabermos se ela realmente influenciou.  Quando chegamos ao final da trama, temos uma revelação que mudará todo o jogo. O assustador final é inevitável e alerto para que as pessoas estejam preparadas para a indignação.

Falando em indignação, estou profundamente decepcionado com a Academia do Oscar que não indicou Tilda Swinton como Melhor Atriz, mas indicou Rooney Mara. Não que a novata não mostre talento, mas quem assiste a “Precisamos Falar Sobre o Kevin” sabe muito bem que aquele talvez tenha sido o papel da vida de Tilda. Ela se entregou completamente para o papel, não assisti a nenhuma atuação tão surpreendente durante todo o ano. Logo é natural que a credibilidade do Oscar caia no meu conceito. John C. Reilly não tem quase nada a ver com a aparência do Franklin do livro. Apesar dele não ter muitos diálogos, só sua imagem é suficiente para o associarmos com um pai preocupado e que tenta simplesmente acreditar que seu filho é normal. Kevin se transforma na presença do pai, o que faz com que Eva sempre seja julgada como exagerada pelo marido.

A água como a vida aparentemente calma de Eva, até Kevin acabar com tudo com apenas um toque.

Ezra Miller parece que vem se preparando involuntariamente para Kevin através de outros papéis. Após interpretar um garoto com possíveis tendências psicopatas em outro filme de Cannes (Depois das Aulas), o jovem agora pode ser conhecido como o bad boy de Hollywood. A participação de Ezra como Kevin não é longa, porém marcante. Quem rouba a cena como Kevin é o ator mirim Jasper Newell, que provavelmente conseguiu a proeza de despertar a vontade de todas as mães, na platéia, de lhe dar uma bela surra.

Ela percebeu as tendências do filho desde o princípio

O defeito do filme é em alguns momentos deixar escapar a semelhança de Kevin com outros monstrinhos do cinema. É inevitável não lembrar de Damien de A Profecia. A diferença de Kevin para Damien é que o filho de Eva é praticamente uma abordagem nova sobre a psicopatia. Se em A Profecia, o menino não tinha um bom elo com a mãe por ser o anticristo, em Kevin a situação é explorada sem receio. A realidade é que muitas mães sofrem por não conseguirem ter uma boa ligação com seus filhos (exemplo disso é a depressão pós-parto), isso sempre foi visto de maneira assustadora pela sociedade, mas é algo que acontece. Em A Profecia, isso foi transformado numa fantasia onde a desculpa pela falta de vínculo materno ocorre pela criança não ser o filho verdadeiro do casal e, sim, do diabo. O que torna “Precisamos Falar Sobre o Kevin” tão assustador é justamente o fato de não haver fantasias. Kevin não é adotado e não é o anticristo. Eva teve muita dificuldade em gostar da criança no princípio, porque para ela aquele bebê significava a perda da independência. Nós sabemos que a criança sente quando isso acontece, o problema é a reação de Kevin. Quando a mãe tenta se aproximar dele, ele sempre recua e não deixa uma oportunidade de machucar a mãe passar em branco.

Eva imaginando o afogamento do filho

Há uma situação que talvez alguns não entendam completamente no filme, porém que fica bastante claro no livro. A cena em que Eva quebra o braço de Kevin num acesso de fúria pelo que o menino faz. O menino estava com um leve sorriso no rosto quando isso aconteceu. Kevin não contou para ninguém o feito da mãe. O que nos deixa intrigados é o porquê dele fazer isso. Ao mesmo tempo que Kevin mantém segredo, ele utiliza isso como arma para “aprontar” sem que a mãe o delate, senão ele conta sobre o braço. Mas, como todas as atitudes de Kevin têm dois lados da moeda. É possível também que ele não tenha contado para ninguém porque, como Eva cita no livro, aquele foi o único momento em que ele pôde se identificar com a mãe, pois se sua natureza era violenta ele buscava alguém com quem se identificar, e é terrível sua alegria quando a mãe demonstra raiva. Parece uma maneira de “atiçar” Eva como desculpa para também ver o lado obscuro de outra pessoa. Em uma das partes do livro, Kevin na escolinha convence uma menina com doença de pele a descascar a pele ruim (até sair sangue), como se desejasse libertá-la daquele incômodo ou fazê-la se machucar. Não há limites para as crueldades do menino até a adolescência, poucos notam sua verdadeira face, mas suas atitudes sempre possuem duas possibilidades. E o mesmo jamais demonstra culpa.

Kevin sente culpa?

Sobre o conteúdo, não é fácil para algumas pessoas ler os diálogos cruéis do livro. Por isso algumas coisas foram suavizadas no filme. Um exemplo são as visitas de Eva a Kevin, onde no romance há uma troca de farpas de deixar qualquer pessoa horrorizada com tamanha crueldade do filho e as respostas terríveis da mãe. No longa isso não aconteceu, deixando o silêncio tomar conta das cenas como uma forma de expressar a dificuldade que Eva possui ao ter de visitar o filho. No final da leitura e da projeção percebemos o porquê dela odiar o filho em tantos momentos. Mas não se assuste, você (leitor dessa crítica). Apesar do filme revelar que não há limites para a crueldade humana, também coloca a ausência de barreiras para o amor de uma mãe. Eva continua vendo Kevin porque ainda tem a esperança de que um filho que a ama esteja ali dentro. “Precisamos Falar Sobre o Kevin” prova isso da maneira mais realista possível. Enquanto assistimos a esse filme é importante ficar claro a quantidade de mulheres que estão passando por esse sofrimento de culpa ao presenciar a prisão do filho. A verdadeira pergunta que deixo aqui é: Será justo julgá-las sempre negativamente?

Tilda Swinton na cena mais emocionante, a da descoberta. Digna de Oscar.

O Conde de Monte Cristo (The Count of Monte Cristo. 2002)

O Conde de Monte Cristo é uma produção cinematográfica que nos leva a um caminho de aventuras e vingança.

Na trama Edmond Dantes (Jim Caviezel) ao tentar comunicar com a cidade proibida, entra em contato com Napoleão Bonaparte que lhe pede um favor. Este favor coloca em risco a sua liberdade. Por inveja o seu melhor amigo, Fernand Mondego (Guy Pearce), o entrega para as forças secretas do governo, sendo levado preso; dentro da prisão Edmond se deixará consumir pelo desejo de saborear a vingança.

Ao longo do tempo Edmond foi espancado e torturado; até que conheceu dentro da prisão um padre, Abbé (Richard Harris), um amigo que o ensinaria tudo, além de entregar em suas mãos o passaporte para a liberdade. Após uma fuga planejada e milagrosa, Edmond se transforma no misterioso Conde de Monte Cristo. Edmond “morre” na prisão e nasce Conde de Monte Cristo um homem astucioso, justo e vingativo.

O diretor, também da trama Robin Hood (1991), promove de forma precisa um enredo alimentado por vingança e sede de sangue. Como historiador, gostei da forma como o diretor conduziu a trama no contexto que envolve a Era Napoleônica.

O filme apresenta uma mensagem profunda e clara, afirmando que a inveja destrói uma amizade, uma história e a união entre seres. Afinal, a produção cinematográfica nos mostra que a injustiça pode eliminar o equilíbrio do homem, levando a morte do ser divino que existe em cada um de nós.

Dhiogo Caetano.

O Conde de Monte Cristo (The Count of Monte Cristo. 2002). Reino Unido, EUA. Direção: Kevin Reynolds. Roteiro: Jay Wolpert. +Elenco. Gênero: Aventura, Drama, Romance. Duração: 131 minutos. Baseado no livro homônimo de Alexandre Dumas.

A Condenação (Conviction. 2010)

A estória em si foi o que me motivou mais a ver esse filme. Em conhecer essa mulher que lutou por anos tentando inocentar o irmão. Já imaginando que com isso ela deixaria outras vidas à margem. Mais do que um amor fraternal, haveria um amor maternal dentro de si. Mas e para os próprios filhos, eles ficariam mesmo de lado durante essa missão? Lugar comum ou não, há no coração de uma mãe o se doar mais ao filho que tem mais chance de sair do caminho. O que tem uma mente mais suscetível as tentações da vida. Como na Parábola, essa irmã/mãezona vai em busca da ovelha desgarrada.

O título original é perfeito, pois se não tivesse tanta convicção da inocência do irmão, o mesmo iria apodrecer na prisão. A estória é dessa personagem – Betty Anne Waters -, muito bem interpretada por Hilary Swank. Nossa! Tem hora de desejar que o irmão seja mesmo inocente por causa dela. E que, quando entra em cena a personalidade do irmão… Essa convicção ganha uma oitava maior. Bravo Betty Anne!

Sam Rockwell é quem faz o Kenny, o irmão de Betty. Nossa! Ele quase rouba todas as cenas. Perfeito no papel! Talvez por conta de sua performance que no Brasil escolheram como título “A Condenação“. Com o desenrolar da estória, Kenny me fez pensar no personagem de River Phoenix do filme “Conta Comigo” (Stand by Me. 1986). Por conta de um temperamento instável, por vezes bem agressivo, fica mais fácil de induzir a todos que acreditem na culpa dele. Que o condenem mesmo sendo inocente.

O filme é longo, mas não perde o ritmo, como também deixa um querer ver de novo pelo menos até o julgamento onde condenaram Kenny por assassinato em primeiro grau. Onde mulheres se voltaram contra ele em testemunho, além de uma policial, Nancy Taylor, tentando mostrar serviço. Papel esse interpretado por Melissa Leo. Perfeita. Uma das mulheres que testemunhou que fora ele o assassino é interppretada por Juliette Lewis. Meio irreconhecível, mas também perfeita. Essas duas, mais a mãe da filha de Kenny, conseguem nos transmitir indignação pelo o que fizeram. E com isso, das atrizes merecerem aplausos pela performance.

A Condenação” começa num tempo próximo ao presente da estória. Em flashback conhecemos um pouco desde a infância desses dois irmãos. Dos dois, mesmo sendo Betty a caçula, há nela a força de salvaguardar o irmão. São arteiros os dois, mas com o temperamento pavio-curto dele, e a falta de paciência dos adultos, Kenny cresce com a fama de badboy. Com isso, num local pequeno o “Recolham os suspeitos de sempre!“, Kenny é sempre indiciado.

Voltando a falar do amor maternal… A mãe de Betty e Kenny praticamente só os trouxera ao mundo. O que aumenta em Betty o amor até como proteger o irmão. Mais tarde, com o primeiro filho, Betty chega a dizer que nunca seria como a mãe dela foi. Mas com a condenação do irmão, mesmo estando sob o mesmo teto com seus filhos, mesmo tentando ser presente na vida deles, era como se estivesse ausente. Seus filhos foram crescendo vendo a mãe com o tio dominando seus pensamentos e atos. Ela até voltou aos estudos. Queria muito cursar Direito, ser advogada, e tentar achar um jeito de inocentar o irmão. Por tudo isso, não tem como julgá-la negativamente. O máximo seria em se perguntar se faria o mesmo ou não. Mas há mais reflexões. Tanto dos filhos da Betty com ela. Como de quem seria Kenny se não fosse o amor da irmã.

A condenação do irmão acontece em 1983. De lá para cá a ciência evoluiu fazendo com que as Leis se adequasse em aceitar novos meios de se provar algo. Era uma nova porta que se abria. Mas… Outros obstáculos pareciam não evoluir. Admitir que errara, era um deles.

Betty fora o tempo todo incansável. Só se deixou abater por causa de um motivo. Que lhe aquebrantou sua alma. Por sorte, o destino colocara em sua vida uma amiga de verdade: Abra Rice. Mais uma magistral interpretação nesse filme, e de Minnie Driver. Pois é! Como se não bastassem tantos temas abordados nesse filme, ele nos presenteia com essa linda estória de amizade. Abra entra na vida de Betty como uma lufada da brisa da manhã. Traz vida nova! É daquela que diz a verdade com convicção de que o faz por gostar, por querer bem, a amiga. Abra nos mostra que amizade como a dela, está ficando mais raro. Pois muitos só querem amigos para massagear o ego.

Por tudo isso, e muito mais que eu dou Nota 10!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Condenação (Conviction. 2010). EUA. Direção: Tony Goldwyn. Roteiro: Pamela Gray. +Elenco. Gênero: Drama. Duração: 107 minutos. Baseado em fatos reais.

Lola (Lola. 2009)

Creio que fui acelerada ver esse filme. Talvez embalada pelas ótimas críticas. O lance foi que me senti incomodada com a lentidão do início, e logo eu que não ligo para isso, desde claro que faça parte do contexto em contar a estória devagar. Foi só quando numa tomada longa com uma chuva que acordei. Pensando até em que eu gosto de olhar a chuva. Então, após esse tapa-na-testa, desacelerei. E dai para o final, acompanhei atenta. Não posso dizer que encantada com o drama narrado, mas sendo pela maneira como foi mostrado, ai sim. O Diretor Brillante Mendoza merece todos os aplausos.

Lola” significa avó na língua local, em Filipinas. E o filme conta a estória de duas avós. Duas mulheres endurecidas pela vida. Duas mulheres inflexíveis em seus sentimentos. Duas mulheres determinadas em seus propósitos. Uma tragédia faz com que fiquem frente à frente. O neto de uma, da Puring (Rustica Carpio), mata o neto da outra, a Sepa (Anita Linda). O roubo de um celular + uma reação + o porte de uma faca = uma morte + uma prisão.

Alagados, Trenchtown, Favela da Maré / A esperança não vem do mar / Nem das antenas de TV / A arte de viver da fé / Só não se sabe fé em quê

Esse drama não se abateu na Manila dos cartões postais. São todos moradores de um lado pobre de lá. Mas do que viverem, são sobreviventes. Onde essas duas avós são mais dois exemplos do que está acontecedo no mundo atual. Se até há pouco tempo os anciões eram jogados em asilos, hoje suas parcas pensões sustentam a família. Sepa morava numa região alagada, em casas que mais parecia um túnel, estreito em todos os sentidos. O jovem assassinado seria um a sair dali, e quiçá, tiraria a todos, pois estava recém empregado. A alegria em ter um celular, levou a tristeza de vê-lo sair sim dali, mas num caixão. O que elevou a ira de Sepa, e em querer que o assassino de seu neto apodrecesse na prisão.

Já Puring vivia em “terra firme”, numa casinha quase um beco. Ajudava a um outro neto a vender legumes pelas ruas. Sempre de olho no “rapa”. Em casa, ficava o filho adoentado. Ao neto trabalhador, sua única diversão era ver televisão. Aparelho esse que será motivo de discórdia entre ele e avó. Questionando-lhe valores. Mas Puring também é a mãe deles, dai não difere das demais: os cuidados maiores vai para o filho que está no desvio.

Sepa também termina por esquecer de outro neto, Jay-jay. Um menininho que ama e é o companheirinho dessa avó. Sepa acaba descontando nele a sua ira quando se vê frente a frente com Puring pela primeira vez. Diante do caixão do neto, a outra vem pedir perdão. Para a filha de Sepa, a vida deve continuar, até por Jay-jay e o irmãozinho. Mas parece que nada amolecia o coração da mãe.

Em “Lola” além da pobreza, e até por ela, conhecemos um pouco do Sistema Judiciário de lá. Com celas lotadas, mesmo para um assassinato, se houver um acordo entre as partes envolvidas, o caso se encerra. Ao mesmo tempo que espanta, se leva a pensar em que tipo de ressocialização um jovem teria caso fosse condenado. Puring então passa até por cima de seus valores morais para conseguir juntar uma quantia que compre o perdão para o seu neto. Por querer lhe dá uma nova chance. Em sair do desvio.

A Religião em muita das vezes penaliza os de baixa renda. Todo um cerimonial de um enterro é uma delas. Se não há dinheiro para um caixão, por que não envolver o corpo num tecido? Para Sepa, mesmo o caixão mais barato está muito aquém dos seus rendimentos. Então sai em busca de dinheiro para enterrar o neto. E um pequeno milagre acontece ainda durante o velório. Como a abençoar a batalha de ambas.

E o filme também veio mostrar que elas ainda têm vez e voz em seus lares. É a velhice sendo respeitada! Um libelo às lolas de todos nós. Um excelente filme! Mas não me deixou vontade de revê-lo.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Lola (Lola. 2009). Filipinas. Diretor: Brillante Mendoza. Gênero: Drama. Duração: 110 minutos.

Incêndios (Incendies. 2010)

A morte nunca é o fim de tudo. Sobram traços.”
Filmado na Jordânia, o filme de Denis Villeneuve “Incêndios” (Incendies) que concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro este ano, se situa numa região fictícia do Oriente Médio, onde os eternos conflitos religiosos entre cristãos e maometanos rendem estórias assustadoras.

Neste caso, a trama intrincada e cheia de revelações e segredos chocantes gira em torno de Nawal Marwan, uma mulher com a vida marcada por tragédias iniciadas pelo desaparecimento do primeiro filho, fruto de uma união proibida. A partir de sua busca desesperada pela criança supostamente morta até sua agonia no leito de morte, sua trajetória de sofrimentos será desvendada aos poucos através de duas cartas a serem entregues pelos seus dois outros filhos, um casal de gêmeos: uma destinada ao pai, outra ao irmão dos dois. A tarefa é difícil, pois eles não conhecem nem um, nem outro e contam com a ajuda de um tabelião amigo de Nawal para unirem um misterioso quebra-cabeças de pistas até encontrarem os destinatários das cartas.

O roteiro, de Wajdi Mouawad, navega habilmente entre cenas do passado e presente numa montanha-russa de emoções fortes. É preciso estar atento a todas as sequências e diálogos, mesmo que pareçam estar soltos ao longo do filme, para aproveitar a pungente e extraordinária estória da “mulher que canta” para suportar a dor. A peregrinação decorrente das procuras que acontecem dá o tom certo de fábula que embala e por vezes, até ameniza convenientemente um acontecimento tão aterrorizante quanto verossímil.

Carlos Henry

Incêndios (Incendies). 2010. Canadá / França. Direção: Denis Villeneuve. Roteiro: Wajdi Mouawad. Elenco: Lubna Azabal (Nawal Marwan), Mélissa Désormeaux-Poulin (Jeanne Marwan), Maxim Gaudette (Simon Marwan), +Cast. Gênero: Drama. Duração: 130 minutos.

A Ilha: Uma Prisão Sem Grades (Boot Camp, 2008)

Neste final-de-semana assisti a um filme que não chega a ser sensacional, porém é chocante. Se não fosse os dizeres “Este filme é baseado em fatos reais” talvez passaria despercebido por mim. Entretanto, após chegar ao término, fui investigar mais a fundo e descobri que coisas muito piores do que as relatadas no filme acontecem ainda hoje.

O filme se chama Boot Camp (que pode ser traduzido como Acampamento de Recuperação em português) e segundo o site Choveu ele sairá por aqui, a partir do dia 16/07/2008, direto em DVD, com o nome de A Ilha – Uma Prisão sem Grades.

Segue a Sinopse:

Boot Camp é um thriller psicológico sobre um grupo de jovens rebeldes que são enviadas para uma casa de reabilitação em um remoto campo das Ilhas Fiji. Mas o que seus pais acreditam ser uma respeitosa e artística instituição de luxo em um lugar calmo e perto da natureza se torna uma prisão onde esses jovens são levados a um pesadelo. E é neste verdadeiro campo de batalha que eles serão submetidos a diversos abusos e lavagens cerebrais. Submetidos as situações extremas e com a sanidade mental ameaçada, estes jovens deverão enfrentar o diretor militarista e sua utópica visão de ordem, para conseguirem escapar.

O filme é um show de tortura psicológica e física, e assemelha-se bastante ao que acontece nos campos militares, com uma exceção: os torturados são crianças enviadas pelos próprios pais na espectativa que os filhos aprendam a lhes obedecer. Para eles pararem de serem torturados, precisam torturar os outros. Só assim podem subir de nível,  numa espécie de hierarquia onde quanto mais alta, mais direito a regalias.

Enfim, só vendo o filme para se sentir chocado ao ver crianças, que muitas vezes não cometem nem ao menos um crime, sendo enviadas para verdadeiros campos de concentração. Porém eu, em minha ingenunidade, achei que o filme era exagerado e o inicio que dizia que “Este filme é baseado em fatos reais. Há atualmente mais de 20.000 acampamentos de recuperação ou com regras similares ao chamado Amor Duro, abrigando milhares de crianças no mundo. Eles operam virtualmente sem nenhuma regulamentação ou fiscalização do governo.” fazia parte da estratégia de instigar a curiosidade do público. Porém, no fim, os produtores do filme insistem na questão e complementam os dizeres iniciais com os seguintes: “Desde o começo do movimento Amor Duro de reabilitação em 1970, centenas de milhares de crianças têm sido enviadas para programas iguais ou similares a este. Tem sido relatados mais de 40 mortes nos acampamentos. Não há estatísticas de quantas vidas têm sido irreparavelmente danificadas.”

Fiquei com isto na cabeça, muito incomodado pela possibilidade do real, e fui investigar a veracidade dos eventos demonstrados. Segundo o wikipedia, Boot Camps fazem parte do sistema de correção de jovens que cometeram o primeiro delito como substituição ao tradicional sistema de carceragem no EUA, ainda que diversos países adotem sistemas semelhantes. O modelo deste tipo de punição é baseado nos mesmos moldes de campos de recrutamento militares e o objetivo é fazer com que eles sejam re-educados, aprendam a obedecer regras e respeitar hierarquias para serem re-inseridos na sociedade. O tempo de tratamento varia entre 90 e 180 dias e caso o programa não seja completado, o jovem volta para o sistema tradicional de punição e é encarcerado. Estes campos de recuperação podem ser empresas privadas ou do próprio governo.

Neste caso, temos uma espécie de Febem paulista, porém com regras mais rígidas para os criminosos de primeira viagem, o que, em teoria, seria válido como forma de tentativa, pois assim estes jovens não retornariam a cometer outros crimes quando voltassem para as ruas. A punição segue o príncipio de agir antes, ainda que com certo rigor,  do que tentar fazer alguma coisa quando não tiver mais o que fazer. O problema é que no comando destes lugarem estão homens, e sabemos que o poder corrompe os homens, então surgem episódios como a do garoto Martin Lee Anderson, que no início de 2006 teve um colapso e faleceu enquanto era obrigado a continuar correndo mesmo sem aguentar e visivelmente fatigado, durante um exercício. Vídeos flagaram toda a ação e a negligência em atender o garoto mesmo após ele estar esparramado no chão – demoraram cerca de 20 minutos para chamarem o socorro médico. No julgamento pela morte de Anderson, todos os envolvidos foram inocentados. Toda a ação, vídeos e afins podem ser acessadas no site oficial do menino, para isto, clique aqui.

Porém, embora exista polêmica, assim como no tratamento da Febem, não era exatamente isto que eu vi no filme. O que eu vi foram jovens enviados para campos de recuperação privados apenas com o consentimento dos pais. Estaria os criadores do filme equivocados?

Como sempre faço ao terminar de assistir qualquer filme, fui avaliar o mesmo no imdb e dei nota 8 de 10 possíveis. Ao ler a parte de discussões do filme, vi dois tópicos que me chamaram a atenção: Este filme é realmente inspirado em fatos reais? e Estes lugares existem. O primero levanta uma questão que estava dentro de mim e o segundo responde.

Para sintetizar a discussão, a resposta é sim, caros amigos, estes lugares existem até os dias hoje. Tem preço, endereço, telefone, fotos, vídeos e depoimentos de quem passou por lá. No próprio imdb existem relatos de quem teve parentes e conhecidos colocados nestes lugares e a coisa parece ser bem pior do que as demonstradas no filme. Um membro relata que a sua ex-namorada foi agredida e molestada por funcionários. Um destes lugares é conhecido como Tranquility Bay, que é o local que inspirou o filme. Se trata de uma ilha isolada na Jamaica que, segundo o próprio site da empresa, a especialização é no tratamento de jovens e adolescentes problemáticos, entre 11 e 19 anos de idade.

Na web, estão centenas de artigos e depoimentos denunciando os maus tratos e abusos desta instituição, onde caminha a própria Besta e a Crueldade entre as crianças. Os pais pagam até o equivalente a R$ 5000,00 por mês para terem os seus filhos tratados nestes campos e muitas vezes não sabem o que acontecem por lá, visto que ligações e visitas são geralmente proibidas.

Alguns depoimentos podem ser conferidos através de movimentos como o TBfight.com e o cafety.org, que lutam pelo fim destes tipos de instituições. É barbaridade o que acontece. São recorrentes cenas de abuso, estupro, tortura psicológica e agressão física. Uma garota chegou a ficar três meses sem poder falar com alguém, isolada num quarto. As vezes são obrigados a comer uma “comida estranha”, que eles mesmo não sabem distinguir e são horríveis. Um garoto apanhava de chinelo e ficou sem as suas medicações – sendo que ele tinha sérios problemas para respirar.

Veja algumas fotos do local encontradas na web:

Numa discussão, os próprios pais relatam os abusos e demonstram arrependimento ao terem optado em colocar os seus filhos nestes locais. Um deles diz que assim que ele ficou sabendo que seu filho era mal tratado, ele o transferiu para um outro local. Então um outro participante da discussão disse: “Por acaso o problema não seriam vocês, pais que colocam os seus filhos em verdadeiras prisões?”. A resposta é comovente: “Não diga isto! Quando você for pai você irá entender o que é querer fazer de tudo para que seu filho ande por vias normais e as medidas desesperadas que muitas vezes tomamos. Jamais deixamos de amar os nossos filhos!”.

Estes são os fatos. A verdade nua e crua sem maiores detalhes ou ornamentos. Para mim, uma coisa que parecia somente ficção mostrou que a realidade é pior do que qualquer filme, por pior que seja. Sim, vivemos numa comunidade de monstros que querem ganhar dinheiro a qualquer custo moral ou ético, sem se importar em ferir valores, histórias ou tradições que um ser humano possa ter.

Pois estes Boot Camps são apenas empresas que visam o dinheiro e desprezam totalmente o homem, os tratando como lixos, com nojo e repugnância, como se fossem insetos miseráveis.

Quanto mais eu vejo, mais eu sinto vontade de desistir de tentar mudar alguma coisa. É duro, porém, devemos continuar. O caminho é a luta e a persistência,  só assim poderemos nos manter seres íntegros e que respeitam o direito e as escolhas dos outros.

Por: EvAnDrO vEnAnCiO.   Blog: EvAnDrO vEnAnCiOUniverso Hiper-Real.

Conviction (2010)

A razão que  me levou ao cinema para assistir “Conviction, 2010“, foi a atriz Hilary Swank (Betty Anne), e a estória do filme em si- embora, soubesse do final. “Conviction” é o segundo filme dirigido pelo ator Tony Goldwyn (o vilão Carl de “Ghost”, 1990), e achei que ele fez um belo trabalho.

O filme começa com as conseqüências de um terrível assassinato em Ayer, Massachusetts. O policial local Nancy Taylor (uma Melisa Leo desconfortável vestida de policial-, mas num desempenho bonito, principalmente na sua ultima cena, no filme), tem problemas contra Kenny Waters (Rockwell), após anos de seu comportamento vadio. Apesar de suas alegações não furar, anos depois, Kenny é condenado pelo crime com base no depoimento de sua ex-esposa e uma amiga que afirmam que ele se gabou do crime.

Ao longo dessa introdução, o filme relembra Betty Anne e Kenny quando crianças- muitas vezes se metendo em confusão. A mãe deles é negligente e vive se embriagando. Essas cenas fazem um trabalho louvável, que estabelece a convicção de Betty em lutar por 18 anos para ver o seu irmão livre.

O filme tem um pouco de “Erin Brockovich”: Betty sacrifíca o seu casamento, abandona a guarda de seus dois filhos, luta para conseguir um diploma de Direito. Se torna advogada. Tem ajuda de uma amiga vivida por Minnie Driver e, pelo famoso advogado Barry Scheck (Peter Gallagher), que  ajudou na defesa de  J. O Simpson, como consultor jurídico.

Os desempenhos de Swank e Rockwell elevam o filme. Tem cenas que não contive as lágrimas. Rockwell fez Kenny de um modo, onde gira sobre o humor e o charme, e, às vezes, mostrando um temperamento elevado, onde se pode sentir sua raiva, rebeldia, e a esperança pelo melhor.  Uma atuação digna de ser indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante, em 2011.  O personagem Betty Anne não exige muito de Swank, mas a autenticidade, a bravura, e  convicção do seu desempenho fazem esse papel um dos mais atraentes de sua carreira.  Ainda, acredito que haja uma vaga para ela entre as 5 candidatas ao Oscar de melhor atriz, em 2011.

A atuação de Juliete Lewis é outro ponto marcante do filme. Ela faz  o papel da namorada rabujenta de Kenny. Lewis praticamente rouba todas as cenas do filme- pena que são poucas-, mas recordo que quando vi os dentes dela, eu quis sair do cinema e ir imediatamente para um dentista. Foi tão brutal vê-la falar, que sinceramente, pode sentir o cheiro de seus dentes.

O Ponto fraco:

A narrativa parece apressada para chegar ao cerne da questão e, depois fica no drama entre Kenny e sua filha adulta, fazendo o final se arrastar demais. Embora, como um drama de tribunal (chega ao patamar de “Erin Brockovich”), isso é, “Conviction” é superior a qualquer filme de televisão em horário nobre.

P.S.: O filme esqueceu de destacar que Kenny Waters morreu de traumatismo craniano causado por uma queda em apenas três meses após a sua libertação da prisão.

Sem data de lançamento no Brasil :(

Conviction (2010)- 107 min. Drama. Direção: Tony Goldwyn  Roteiro: Pamela Elenco: Hilary Swank,  Sam Rockwell, Minnie Driver, Juliette Lewis, Melissa Leo, Peter Gallagher.

Quatro Minutos (Vier Minuten)

Sou fera ferida, no corpo e na alma, e no coração.

Duas mulheres a quem o destino fora cruel, e naquilo que lhes tocava fundo: seus corações. Ambas reagiram de um jeito. Mas não se pode nem comparar essa reação, porque as chagas foram em pontos diferente. Numa, elas foram também fisicamente. Com a primeira estocada, suas vidas tomaram rumos que nem sonharam. E esses dois corações feridos, nos leva a acompanhá-los sem desgrudar os olhos.

Quem são elas? Como o caminho delas se cruzaram? E por que farão a diferença uma na vida da outra? Até porque há uma grande diferença de idade entre elas. E onde para ambas a vida até então era apenas em ainda se manterem vivas, só não sabiam o porque.

Traude (Monica Bleibtreu), nos altos de seus 80 anos de idade, ainda persiste em dar aulas de piano numa penitenciária. Mesmo com as barreiras imposta pelo Diretor de lá. O porque, ela relata depois. De tipo físico franzino, ela é decidida. Chega a ser rigorosa no tocante a disciplina e respeito. E isso irá aquebrantar aos poucos a outra.

Jenny (Hannah Herzsprung), bem mais jovem, reage com violência a qualquer aproximação. Por conta disso, seus dias na prisão tendem a aumentar. Ou não, já que a carceragem fecha os olhos para certos movimentos lá dentro. Chega a ser desumano.

Traude, pressionada pelo Diretor que quer ver o fim daquelas aulas, acaba conhecendo Jenny. E mais, que ela tem um talento nato. Resolve então investir seu tempo, aliás, o seu pouquíssimo tempo para tentar mostrar o talento de Jenny num grande concurso. Mas não será tarefa fácil.

O filme é SEN-SA-CI-O-NAL!! A Jenny dá um show no piano! Assistam e confiram. Nota máxima em tudo!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Quatro Minutos (Vier Minuten). Alemanha. 2006. Direção e Roteiro: Chris Kraus. Elenco: Monica Bleibtreu, Hannah Herzsprung, Sven Pippig, Richy Müller, Stefan Kurt, Vadim Glowna. Gênero: Drama. Duração: 112 minutos.