Tão bom seria em poder dizer que isso não acontece mais, atualmente. Que é coisa do passado. Mas não tem como. Ainda acontece, e muito. E não apenas pela “facilidade” que a internete deu a esses monstros humanos. Pois eles estão em todas as classes, em todas as culturas.
Dai, me perguntei se o filme teria também um olhar pedagógico. Em que pais o assistissem juntos aos seus filhos menores de idade, e conversassem com eles sobre acompanhar estranhos, ou não tão estranhos assim, a um ambiente particular. Longe de um aglomerado de gente. Mas logo em seguida eu me perguntei: E para aquela criança que não tem noção do que é a morte? Será que focaria mais no “paraíso” mostrado? Como encararia esse outro lado? Teria noção de que é algo que não tem mais volta? Enfim, caberá a vocês pais, decidirem. Pois ‘Um Olhar do Paraíso‘ é um filme que devem assistir. Convido também aos Professores do Ensino Fundamental. Que debatam com os alunos os fatos mostrados nesse filme.
Não é um filme por demais pesado, pois há momentos líricos. A nós adultos, a ojeriza surge por saber das atrocidades que ele fez. Tem momentos leves. Como a avó que tenta ser útil, mas não deixando seus vícios de lado, nem querendo envelhecer. Seria por temer a morte? Um outro momento, é com a mudança nos livros pela mãe da jovem. Pelo menos, mudaram os temas, mas o hábito de ler não. Também mostra os hobbies. O do pai. Mas o assassino também tinha um…
A estória do filme é ambientada em 1973, na Filadélfia. Num local tranquilo. Como também, bem amplo. A jovem em questão, por estar atrasada na volta da escola, resolve cortar caminho por um terreno onde existira um milharal. À primeira vista, um campo aberto daqueles não teria nenhum perigo. Mas tem! Friso como presente, mesmo no filme dizendo que naquela época ninguém tinha essa preocupação. Não pensavam que existiria essas bestas feras. Pulando novamente, para o mundo real e atual… Discernimento, aos pais no cumprimento de um horário. Se o caminho para se chegar em casa a tempo, é de fato seguro para seus filhos. Refiro-me aos atalhos que encurtam o caminho. Pois podem encurtar a vida deles.
“Os restos adorados” do título original representam um elo dos que tiveram as suas vidas ceifadas pelo mesmo psicopata. Pois apesar da estória ser contada por uma delas, a redenção final será com todas reunidas. Por outro lado, aqueles que ficam, de certa maneira com a adoração aos que partiram, também podem retê-los por mais tempo. Mas também por ele ter esquartejado a jovem e guardá-los num cofre. Um tesouro que ele sentava numa poltrona para admirar. Até sentir novamente o desejo de possuir uma jovem, uma criança…
É preciso ter uma mente mais aberta à Doutrina Espírita, para entender melhor o filme. Os muito céticos, poderão ver como pura ficção, mas poderão achar fantasioso demais. À esses, deixaria uma pergunta: ‘Em nenhum momento pensou que pode ser mais que um – morreu, acabou! -?’ Pensar na morte como finitude… Tendemos a aceitar com mais facilidade quando a pessoa está com uma doença incurável, por exemplo. Mas quando uma vida é interrompida por um prazer sádico, tendemos a demorar a aceitar. Por vezes brotando o sentimento de vingança.
Se há uma outra vida, há de se ter alguém que sirva de ponte. Alguém cujo dom ajude ao anseio dessa alma que ainda se mantém presa a vida terrena. A jovem em questão, Ruth (Carolyn Dando), é qualificada por – estranha -, pelos os que não entendem o seu dom.
O filme nos mostra o que o amor e o ódio pode fazer. Por um desejo de vingança, novos e não desejados rumos podem acontecer. E quem tiver mais tino, irá perceber a tempo. O ódio então sai de cena, e o amor mais puro reverterar a situação. Com ele, a libertação de outras almas. O que me fez lembrar de uma avó. Quando via alguém praticando uma boa ação, dizia: ‘Salvou-se mais uma alma do purgatório’. É o dilema maior ante uma tragédia: a de que voz interior ouvir – a do bem ou a do mal? Sem que esqueçamos de que é sempre bom nos desfazermos de cargas inúteis, ou as que pesarão na consciência.
Susie (Saoirse Ronan) teve a sua vida interrompida aos 14 anos de idade. Se deixou levar pela lábia de um psicopata. Estava enamorada de um jovem, o Ray (Reece Ritchie). Nem tivera tempo em experimentar o primeiro beijo. Tímida, a esse primeiro amor. Amorosa. Alegre. Tinha como ídolo o cantor do Seriado de TV, A Família Do-Ré-Mi: Keith Partridge. Se encantou com uma máquina fotográfica. Gostava de ler Romances…
É ela quem nos conta a sua estória. E é pelo seu olhar que conhecemos o lado mau de alguém; o lado daquele que tenta fugir da dor da perda; o lado de quem quer trucidar o assassino; o lado de quem desiste; o lado de quem vai atrás de provas; o lado de quem quer que todos enterrem seus mortos de vez… Nesse emaranhado temos: a Polícia, a mãe (Rachel Weisz), o pai (Mark Wahlberg), a avó (Susan Sarandon), a irmã (Rose McIver)…
E o pivor de todo esse tormento, não só na vida da Família Salmon, como das demais vítimas: George (Stanley Tucci). Tucci está irreconhecível, mas mais por conta da caracterização. Sua atuação poderia ter sido melhor. Em fazer desse personagem um vilão memorável. Fica uma repugnância pelo o que sabemos dos seus crimes. Pessoas que fazem o que ele faz, eu não acredito em cura. Ele é um psicopata em potencial. À esses, eu até sou favorável à pena de morte. Pois numa prisão perpétua, seriam gastos dinheiro publico para mantê-los. No filme fica aquela esperança, de que quando a justiça dos homens falha, a divina se faz presente… Adorei!
Eu gostei do filme! Como também entrou para a minha lista de que vale a pena rever. Até para prestar mais atenção no paraíso da Susie. A Trilha Sonora acompanhou toda a trajetória dela, e bem! Sem destacar apenas uma única canção. É um bom filme!
Por: Valéria Miguez (LELLA).
Um Olhar do Paraíso (The Lovely Bones). 2009. Nova Zelândia. Direção: Peter Jackson. +Cast. Gênero: Drama, Fantasia, Thriller. Duração: 135 minutos. Baseado em livro de Alice Sebold: Uma Vida Interrompida (O romance se baseou na experiência da própria autora, que foi estuprada em seu primeiro ano de faculdade e quando foi dar queixa soube que várias mulheres haviam sido mortas no beco onde foi violentada.).
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