Tão Forte e Tão Perto (Extremenly Loud and Incredibly Close, 2011)

ImagemEm junho passado, uma amiga minha do Brasil, veio me visitar, e ela muito me falou do escritor Jonathan Safran Foer, em especial do livro, “Extremely Loud, Incredibly Close.” Logo dei uma pesquisa, e fiquei a saber que o director de “The Hours (2002) Stephen Daldry estava dirigindo a versão do livro para o cinema.

Ela me encorajou a ler o livro, e até cheguei a ler algumas paginas, mas não me envolvi pela leitura, e resolvi esperar para ver o filme. O enredo é sobre um menino que busca por uma fechadura por toda cidade de Nova York. Ao achar uma chave nos pertences do pai, ele acredita que seu pai – que morreu nos ataques de 11 de setembro de 2001 – propositadamente lhe deixou o objeto. O enredo muito me fez lembrar de “Hugo” de Martin Scorsese, pois temos em “Extremely Loud, Incredibly Close”,  um menino inteligente e bonitinho, um pai falecido e um mistério.

ImagemUm ano depois dos ataques de 11 de setembro, Oskar Schell (Thomas Horn) ainda sofre com morte de seu pai, Thomas (Tom Hanks). Oskar e sua mãe, Linda (Sandra Bullock), ainda vivem em Nova York, em frente ao prédio onde vive a avó do menino.

ImagemPara quem perdeu um ente querido, sabe como é dificil largar os pertences do morto – é uma das coisas mais difíceis de fazer.  E por tal, é facil sofrer e sentir a dor de Oskar, principalmente quando ele fica escutando a voz do pai. Nada de errado em ser um filme emocionalmente devastador – drama tem que ser emocionante  e achei que Daldry sabesse conduzir isso, mas..-

Entre um choro aqui e ali, Oskar decide resolver o mistério deixado por seu pai, envolvendo a chave, os nova-iorquinos com sobrenomes Black (todos os 472 que vivem na cidade!), a voz do pai deixada na secretária eletrônica e um  pandeiro. Assim começa as aventuras de Oskar.

Três coisas que achei problematicas no filme:

1- Mesmo que Hanks tenha um tempo limitado no filme, ele desempenha um personagem tão idealizado como “o melhor pai que já viveu no mundo”, que me pareceu falso, enquanto a mãe de Bullock parece tão negligente que, quando a explicação plausível para a sua longa ausência é justificado, eu me perguntei: que tipo de mãe deixaria o seu filho de 11 anos sozinho numa cidade grande como Nova York, e ser também acompanhado por um idoso estranho?. Quando o filme me deu a resposta para a tal atitude da mãe, desejei que tivesse um pandeiro para jogar na cara dela!.

2- Apesar de Oskar achar que a chave vai trazê-lo para mais perto de seu falecido pai, nunca que se pode acreditar por um momento que a essência da trama fosse para uma aventura no estilo “ o que vale é jornada, e não o destino” que terá o menino. A estrutura do filme não me prendeu – a busca de Oskar por respostas- suas idas de um endereço para outro.

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3- Nem quero criticar o ator Thomas Horn, pois esse é seu primeiro filme, e ele mostra ter potencial para ser um bom ator, mas o seu personagem, me fez lembrar da Mattie (Hailee Steinfeld) de “True Grit” (2010). Horn decorou muito bem os dialogos que tinha que decorar. O menino é o narrador do filme, e se sabe dos seus pensamentos e decisões privadas antes de ocorrer ação, por examplo: ele mente muito! Mas o roteirista  Eric Roth e Daldry exagera ao fazer uso de voice- over, pois todas as vezes que Oskar mente, vem aquela  justificativa como se os outros personagens acreditassem na mentira deleCompreendo que Oskar é um menino assustado, chocado pela morte do pai, mas o seu comportamento, e atitudes de  superioridade chega a irritar. Que prazer alguem poderia ter em ter a companhia de um menino tão arrogante?. Quando ele é acompanhado pelo velho (Max von Sydow), ficamos a saber que o misterioso senhor é incapaz de falar – isso significa que o garoto vai falar ainda mais. Fala tanto que me deu vontade de gritar : “Shut the F* up” !.  Desde “True Grit” – com aquela menina falante e irritante, vivida pela gracinha da Steinfeld-, que eu não tinha visto um personagem tão chato quanto Oskar.

Menos ruim, mas não perfeito :

ImagemMax Von Sydow até poderia ter roubado o show para si, se a sua personagem tivesse sido bem desenvolvida e bem conduzida, pois as cenas mais interessantes do filme, são as que ele aparece. A química entre ele e Horn é bastante vaga, e quando Von Sydow sai de cena, a alma do filme vai junto!. Sou um grande admirador desse veterano ator, especialmente por causa de sua grande expressividade, e esforço, e fico triste que ele ganhe uma indicação ao Oscar por um papel tão superficial.

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Faz um tempinho que venho escutano a trilha que Alexandre Desplat escreveu para o filme. Particularmente achei esse o seu melhor trabalho entre as trilhas que ele escreveu para 5 filmes diferentes em 2011. Mas quando ouvi as suas musicas emoldurando a fotografia de Chris Mendes (com uso de edge blur em algumas cenas) senti que Nova York nunca pareceu um lugar tão monótono e nada maravilhoso. A trilha sonora  é linda, mas não achei que case com o filme!.

No geral, “Tão Forte e Tão Perto “ é decente tecnicamente, mas esperava algo mais emocionalmente envolvente e um pouco menos manipulador. Eu certamente não queria sair do cinema como sai depois de “United 93” (2006), totalmente devastado pelo ocorrido em 11 de setembro, mas pelo menos os produtores deveriam ter  - extremamente -,  se preocupado mais com o mundo de Oskar do que ter investido – incrivelmente-, em tudo, pensando no Oscar!.

Nota 5,0

P.S.: Para minha surpresa, “Tão Forte e Tão Perto “ foi indicado para melhor filme, e melhor coadjuvante para Von Sydow. Indigna consideração!.

Melancholia ( 2011)

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O entediado e deprimido diretor Lars von Trier não faz um filme sem surpreender. A sua mais recente obra “Melancholia” é um meio-irmão do apocalíptico  “The Tree of Life” de Terrence Malick. O filme  é sobre o fim do mundo. E, Von Trier parte da instância de felicidade humana: um “feliz” casamento, ou uma recepção de casamento para ser mais específico, o qual é realizado em um castelo luxuoso, onde o cineasta- roteirista traça o significado da total (in) felicidade.

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A sequência de abertura, de oito minutos, é um espetaculo aos olhos; e prenuncia a destruição da terra em câmera lenta. Depois isso, encontramos os felizes recém-casados Justine e Michael (Kirsten Dunst e Alexander Skarsgard), ao caminho da recepção de casamento organizada  pela irmã da noiva, Claire (Charlotte Gainsbourg) e seu marido John (Kiefer Sutherland) .

Os pais da noiva (Charlotte Rampling e John Hurt) parecem catalisadores para o clima pesado da festa. A mãe dispara aos recém-casados, “aproveitem enquanto dura.” A partir dessa cena, o sorriso visto no rosto de Justine ( Dunst) ilustra o seu olhar vazio, onde residirá até a duração do filme. O casamento de Justine é esmagado apenas horas depois de dizer “o sim”, e, é não impossivel de notar que a moça é a depressão em forma de gente. Diante do fim do mundo, Von Trier deixa claro a ingenuidade de todos que rodeiam a sua heroina, mais precisamente, Claire, que lamentávelmente como muito de nós, é dominada pela ansiedade -  o medo de enfrentar a realidade, e se deparar com a morte. Mas não seria o medo uma forma de morrer antes da propria morte em si?

A atuação de Dunst é nada menos do que espetacular – vai do olhar ao sorriso vazios, até ao silencio. O restante do elenco é igualmente muito bom, especialmente a Gainsbourg, que tem aqui um desempenho bem melhor do que fez em “Anticristo” (2009).

Embora o filme não seja tão controverso como o “Anticristo”, “Melancholia” estimula questionamentos em relação do porque Justine se casa com Micheal, sabendo que o mesmo não a fara feliz. E, por que ela deixaria a sua festa para urinar no campo de golfe, e depois ter relações sexuais com um estranho?.

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Von Trier está certissimo quando disse que esse é um belo filme. Um filme que tem também a capacidade de assombrar a gente por dias, ou semanas, isto, graças a fotografia de Manuel Alberto Claro, e o pessimismo impiedoso do proprio Von Trier. “Melancholia” é mais uma prova que cada um de nós teremos uma percepção diferente ao chegar a conclusão do filme.

 Nota 9

Melancolia (Melancholia, 2011)

Finita a melancolia um sentimento de missão não cumprida toma por completo o ser.

Melancolia é um filme do gênio Lars Von Trier, que cria um ambiente perfeito para um estudo psicológico profundo; um filme para poucos, composto por uma linguagem densa e de difícil compreensão.

A trama conta à história de Justine, personagem de Kirsten Dunst que passa por uma inegável e perigosa confusão mental, variando seus sentimentos a cada minuto de projeção, surgindo uma dúvida que assola o seu espírito e descontrola o seu viver.

O filme de Lars Von Trier é uma verdadeira obra-prima, um trabalho contextualizado nos devaneios da vida humana. No desenrolar da trama cinematográfica deparamos com cenas surpreendentes compostas de brutais colapsos de comportamento, memória e uma depressão escancarada, que já se fazia notar pela passividade da personagem central da cena.

Como ser humano que vive os conflitos do mundo contemporâneo, afirmo que o filme Melancolia é um trabalho cinematográfico que melhor trabalha os comportamentos humanos, podemos percebemos que o mesmo trabalha com pequenas falhas da memória, sinais de depressão, confusão mental, agressividade, devaneio, desequilíbrio emocional e inúmeros comportamentos que compõe o ser humano.

O filme nos obriga a refletir sobre um dos maiores temores e incertezas do homem: como será o fim do mundo? De fato isto acontecerá? Lars Von Trier facilmente choca o telespectador, ao revelar nossa fragilidade perante a natureza e o universo.

Ao analisar o filme cheguei à conclusão de que vivemos a plenitude do nada, de uma existência complexa e dolorosa; onde acreditamos ou desacreditando em uma esperança para reviver o possível amanhã.

Afinal, o mundo é uma plena melancolia de sonhos profundos e complexa ilusão concretizada de uma existência intensa e solitária.

Cinco Dias Sem Nora (Cinco Días Sin Nora. 2008)

A última instância de recurso é a observação e a experimentação. Não a autoridade.” ( Thomas H. Huxley)

Valeu o ingresso! Assim como a ida até outro ponto da cidade. O que faz valer também uma reclamação aos Distribuidores que limitam as Salas onde filme que não são tidos como comerciais serão exibidos. Mais! Ao determinarem também o local, demonstram preconceitos aos que moram no Subúrbio, numa de que ai não há cinéfilos que gostam desses filmes. Se visam o número de ingressos vendidos, nessa sessão tinham menos de 20 pessoas. Enquanto que para a Sala ao lado o pipocão “Se Beber, Não Case 2” já estava com ingressos esgotados meia hora antes do início da sessão. O que os Shoppings nos Subúrbios deveriam fazer: exibir na maioria das Salas os caça-níqueis e deixando uma delas para os tidos como Cult. Bem, reclamação feita, ora e vez de comentar o filme.

Cinco Dias Sem Nora” traz um tema que nem todos digerem bem: a morte de um ente querido. Ele vai além, já que foi por suicídio. O filme não determina que tipo de problema específico a personagem título, a Nora, tinha, mas ao longo da estória ficamos sabendo que houve outras tentativas. O que mesmo para um leigo denota que ela tinha um distúrbio psíquico. Mas a doença em si não vem muito ao caso. O perfil dela como um todo sim.

Logo no início do filme vemos o quanto Nora é metódica. Segue numa preparação de uma grande ceia. Mesa posta para vários comensais. Vários potes etiquetados com alimentos na geladeira. Envelopes endereçados para algumas pessoas. Sendo que uma das fotos de um deles, por um descuído cai embaixo do sofá. Algo não planejado que irá alterar o que ela planejara para o seu Funeral.

Por mais macabro que possa parecer de alguém organizar o próprio funeral, não se cabe aqui em um julgamento a ela. Porque o que vem à mente é algo como: os fins, justificando os meios. E até porque nos pegamos a rir com quem ela encarregou de dar vida ao seu plano. Ele é José (Fernando Luján), seu ex-marido. Pelo seu comportamento, se vê que era o oposto de Nora. José até tenta boicotar os planos de Nora. Mas se hora o destino está a seu favor, noutra ele se vê preso a trama.

Se o livre-arbítrio leva até alguém a se matar, termina por interferir na vida de quem irá enterrar o corpo. E é quando entra em cena a Religião. A desse filme é a Judáica. Se por um lado Nora tramou de morrer às vésperas de um feriado judeu – Pessach -, o que reteria a todos nessa celebração, lhe escapou que o suicídio não é bem aceito no Judaísmo.

José, ateu, está se lixando para todo o cerimonial que o Rabino pretende fazer. Ambos se desentendem. Até pelo jeitinho que o Rabino sugere a título de encobrir o suicídio e por conta do sogro do filho de Nora e José. Por ser ele uma figura importante na Sociedade local. Já contrariado por se vê obrigado a seguir em frente com os planos de Nora, meio enojado com que os dogmas da religião abre caminho por conta de quem tem dinheiro, José ainda se vê atado ali no apartamento de Nora porque o filho está tendo dificuldade em encontrar uma passagem aérea, e por conta do tal feriado. E o filho, junto com a esposa e filhas, quer estar presente no enterro.

Enquanto vela o corpo, José vê a chegada de mais pessoas que como ele, não sabiam que Nora estava morta. Durante isso, José descobre a tal foto. Nela, Nora está em trajes de banho, numa praia, com um homem que não é ele. Pelo tempo mostrado na fotografia, ele acredita que ainda estavam casados. Como sabe que a esposa escrevia tudo, tenta abrir a escrivaninha. Mas quem consegue, é uma prima que se mostra não ser tão cega assim. Ela esconde dele o Diário de Nora.

Sem a presença das Religiões, o que se enterra não passa de um corpo sem vida. Mas que elas terminam dando um peso maior, até porque irão lucrar, financeiramente com esse, e mais tarde com os demais, num ciclo perpétuo.

Pai e Filho entram em choque, e em xeque. Num balanço de tudo que ficara enterrado até então. E ambos saem revigorados, cientes que perderam um tempo estando afastados um da vida do outro. Quando o filho cai em si, e que não quer que sua mãe seja enterrada na parte do cemitério junto com criminosos, cabe a José a decisão final. Numa de: “A vez é sua Nora!”

O filme é ótimo! De querer rever. Com momentos hilários! E um final emocionante! Tomara que saia logo em Dvd para que mais pessoas possam ver. É o Cinema Mexicano nos presenteando com mais esse. Bravo!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Cinco Dias Sem Nora (Cinco Días Sin Nora. 2008). México. Direção e Roteiro: Mariana Chenillo. Gênero: Comédia, Drama. Duração: 92 minutos. Censura: 14 anos.

She’s Out Of My League (2010)

Por: Fabio Montarroios.
Bem sabemos o quão estapafúrdia geralmente são algumas traduções de títulos de filmes aqui no Brasil, mas para “She’s Out Of My League” eu arriscaria algo como “Ela é areia demais pro meu caminhãozinho” sem medo de errar. (Apenas para constar, acho que optaram pelo emocionante título “Ela é demais para mim”…)

Bem, preste um pouco de atenção na seguinte relação de filmes e veja mais adiante se há alguma coerência no meu argumento:

“The 40 Year-Old Virgin” (“O virgem de quarenta anos)
“Zack and Miri Make a Porno” (“Pagando Bem, que Mal tem?”)
“Knocked Up” (“Ligeiramente Grávidos”)
Juno
“You’ve Got Mail” (“Mensagem para você”)
“Adam”
“Little Manhattan” (“ABC do Amor”)
“Summer” (500 dias com ela)

Dentre muitos outros filmes possíveis para uma lista, dá pra perceber que quando os americanos desenvolvem um gênero, chegam a exauri-lo com a repetição das fórmulas que o compõe. A comédia romântica, certamente, é um desses gêneros pra lá de batidos e que, provavelmente, deve fazer muito marmanjo bufar na fila do cinema ou na locadora quando gentilmente deixa a escolha do filme para a esposa, namorada ou amiga. Notadamente, as garotas gostam de histórias românticas que terminem bem depois de certos torvelhinhos e reviravoltas mirabolantes. É, claro, um caminho seguro: nada que vá te deixar deprimido no fim da sessão, apesar de algumas lágrimas rolarem no meio da trama, pois tudo foi muito bem intercalado com muitas chances para rir e refletir um pouco bem ao estilo auto-ajuda. Em suma, noto que as comédias românticas oferecem mais do mesmo. E isto, diga-se, não se configura em crítica no sentido de censurar ou sugerir que se procure outros filmes.

Contudo, pude perceber que uma certa linhagem está tomando forma e ganhando maturidade (apontando tanto para uma audiência masculina quanto feminina). Trata-se de uma espécie de comédia romântica também, mas que parece procurar um público jovem que pensa rápido e está um tanto enfadado com as mesmas soluções de sempre. Daí, da lista que apresento, percebo que desde de “Mensagem para você”, uma porção de filmes se encaixa no mesmo perfil: eles são engraçados, as personagens passam por uma grande transformação (o protagonista geralmente sofre a maior delas), há muita provocação e piadas que criticam segmentos da sociedade americana, há um reforço das diferenças dos grupos sociais e ênfase caricatural em algumas personagens e, felizmente, as mulheres geralmente aparecem como o mote para as diversas transformações das personagens masculinas sem tolice ou fragilidade.

Até este ponto você pode estar pensando que vou sugerir algo como uma nouvelle vague americana, mas não é o que está se dando, pois os americanos são muito distintos dos europeus e acredito que nunca teríamos uma proposta com um corpus da cinematografia francesa, no caso. E, mais uma vez, isto não implica em demérito. São só visões de mundo diferentes e audiências diferentes… Para uma nouvelle vague americana teríamos que ter uma sequência de filmes ao estilo.

Em, “She’s Out Of My League”, a história é conduzida às avessas: parte da perspectiva de um homem frágil (sem ter que dar uma de Woody Allen) em busca de uma garota “bem resolvida” e que toma a iniciativa (perfeita dentro do modelo americano de vida: loira, inteligente, sexy, etc). As semelhanças de “She’s Out Of My League” com “O virgem de 40 anos” são pra lá de gritantes na condução da narrativa e estruturação geral. E, sinceramente, parecem trazer o mesmo tipo de conforto que as comédias românticas trazem quando as assistimos. Só que, agora, temos filmes que exigem um pouco mais da audiência, pois a trama é, até certo ponto, imprevisível. A habilidade dos roteiristas americanos é fabulosa: eles realmente têm a capacidade de transitar por várias situações com carga dramática precisamente ajustada. Os atores não falham em seus papéis: parecem terem sido escolhidos com muito cuidado e se comportam de maneira extraordinariamente convincente, pois se adéquam muito bem ao papel para o qual foram selecionados (sem overactigng ou apelar para as cansativas gags das sitcoms que poderiam também se alinhar a este novo sub-gênero da comédia romântica como, por exemplo, “The Big Bang Theory”, “Family gay” e quejandos) talvez por se parecem um pouco com as personagens. Numa indústria de cinema grande como a americana, isto deve ser possível, pois aqui, por exemplo, vemos um Caio Blat em muitos filmes diferentes… Certamente isto faz dele um ator melhor, mas para a audiência fica complicado ver a mesma cara em papéis tão distintos.

Foi com grande prazer e surpresa que, então, assisti “She’s Out Of My League”, assim como “500 dias com ela” e “Pagando Bem, que Mal tem?”! Todos estes filmes parecem sugerir um novo tipo de americano (apesar dos democratas serem liberais e os republicanos conservadores, os filmes tendem a ser apolíticos, portanto a impressão é que todos são democratas, mas eu acho que o intuito é mesmo atingir o maior número de pessoas nos EUA e no mundo). Bem, daí muitas análises sociológicas podem derivar desta perspectiva: estão explorando a geração y, o impacto das mídias sociais, a crise mundial, a necessidade de atrair público para o cinema com ou sem 3D, etc, etc, etc… Se houve um esforço grande para mostrar as mazelas dos negros nos EUA através do cinema ao longo da história, deve estar presente também na mente dos americanos responsáveis pela indústria cinematográfica mostrar que, especialmente, as mulheres podem ir além de “Sex and The City”, de que você pode ser um vencedor, mesmo não sendo um cara fortão física e moralmente (mas a obrigação de ser um vencedor está lá, amigo, sempre presente…, só que agora a coisa está mais light, mais… Google: você pode ser nerd e ser herói também).

Esta de mostrar que uma pessoa qualquer, mesmo sem qualquer talento ou com talentos não descobertos, pode ir longe é velha no cinema americano (em qualquer cinema, a propósito)… e só faz reforçar a mística deles de uma sociedade feita por pessoas que sempre superam suas metas e lideram, de algum modo, uma transformação. Mas se “She’s Out Of My League” tira uma onda com “Top Gun: ases indomáveis” e se lambuza ao mostrar com orgulho uma família vexatória como aquela do “Professor aloprado” (1996), então eu acho que eles estão mesmo tentando cunhar um estilo de vida diferente: alheio às ambições daquela velha superpotência belicosa e indo mais pelo caminho de pessoas que optam por uma vida, até certo ponto, e como está na moda também, sustentável (novamente: física e moralmente). A rebeldia juvenil contra a guerra antes feita com sexo, drogas e rock, agora se dá com muita ironia, transição para a vida adulta e um computador.

Então, mesmo se você joga Flight Simulator assiduamente talvez você acabe com a garota mais bonita e legal que aparecer. Acho que esta é meio que a frase que poderia resumir “She’s Out Of My League”, pois entre um Top Gun no Iraque (que vai voltar destruído psiquicamente) e um nerd que pode se tornar um milionário (que vai ter como maior problema gerir a popularidade e a conta bancária), a segunda opção parece ser a atual preferência dos americanos. Só não é tão fácil na vida real, tanto que o Obama até agora não desatou o nó da guerra mais longa dos EUA (e não dá pra colocar toda a culpa nos conservadores).

Daí que nenhuma garota (ou garoto) é areia demais para o seu caminhãozinho se você usar uma estratégia eficiente de logística com sua rede social ;)

Por: Fabio Montarroios.

Um Faz de Conta que Acontece (Bedtime Stories)

um-faz-de-conta-que-acontece_posterO ‘Um Faz de Conta Que Acontece‘ consegue entreter. O que já é um bom começo! Mas ele vai além, numa atualidade onde uma boa parcela dos pais, delegam a televisão como babá de seus filhos, o filme mostra o contentamento delas, quando os ouvem contar histórias antes de dormir.

Esse é o mote principal: incentivar os pais de hoje a contarem histórias para as crianças. Em meio a tantas atribuições, podem até no princípio, acharem que estarão perdendo um tempo, mas além de se sentirem acariciadas, no mínimo, incentivarão o gostar de livros.

Por outro lado, o filme traz também algo mais forte na cultura estadunidense. Que talvez, o recado maior seja para eles mesmo. Numa tentativa de ir tirando isso nas novas gerações. A ideia de ser o winner sempre, e num topo sozinho, não condiz mais com o presente. Muito menos, se nessa escalada esquecer até da família. Como naquela frase: ‘Ninguém é uma ilha…’

Ainda dentro do universo adulto, o filme também mostra que muitos, ficam a espera de uma solução mágica para concretizar um desejo. Que chegam a investir, em acreditar nisso. Nem questionando que aquele algo fantástico, tem uma explicação plausível. A cena da chuva de chicletes, pincelou com cores mais fortes, mas foi mesmo para chamar a atenção. Como depois, veio um com o lance com Abraham Lincoln, numa de: ‘Oh! Acorda! Se dê conta de que é você que resolveu sair da mesmice. E por isso está tendo mudança na sua vida. Não há mágica ilusória nisso. É você fazendo a sua história. Sendo protagonista dela!’

Gostei do filme! Dei boas risadas. Uma gargalhada ao colocarem o Botafogo, time, numa cena. Houve química entre Sandler e as crianças. O filme é bom! E eu voltaria a revê-lo. Ah! A trilha sonora é ótima! Um aperitivo dela:

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Um Faz de Conta que Acontece (Bedtime Stories). 2008. EUA. Direção: Adam Shankman. Elenco: Adam Sandler (Skeeter Bronson), Keri Russell (Jill), Guy Pearce (Kendall), Russell Brand (Mickey), Richard Griffiths (Barry Nottingham), Teresa Palmer (Violet Nottingham), Lucy Lawless (Aspen), Courteney Cox (Wendy), Jonathan Morgan Heit (Patrick), Laura Ann Kesling (Bobbi). Gênero: Comédia, Família, Fantasia. Duração: 104 minutos.

A Menina no País das Maravilhas (Phoebe in Wonderland. 2008)

a-menina-no-pais-das-maravilhasSensível! Emocionante! Maravilhoso! Essas, são algumas das expressões que me veio ao término de ‘A Menina no País das Maravilhas‘. Porque ao longo do filme, me emocionei muito com Phoebe (Elle Fanning). Como também cheguei a ficar com raiva da mãe dela, Hillary (Hillary Lichten), numa cena com o psiquiatra.

aliceNão entendo porque um filme como esse, chega ao Brasil direto em Dvd. Poderia também ser exibido em Cinemas. Até para ganhar uma maior divulgação. Principalmente para os Professores apresentarem essa obra de Lewis Carroll – ‘Alice no País das Maravilhas‘ -, às crianças. O filme, além de introduzir a história de maneira ímpar, aborda outros temas. Mas ainda dentro desse universo, ‘Alice’ leva a criança a discernir qual será o seu papel de fato no mundo tão cheio de convenções. Em não perder-se da sua essência. O ‘Quem é você?‘ em cada situação de sua vida.

Um outro tema abordado, o bullying, eu ressalto sempre que vejo num filme. Fica numa esperança de limpar essa carga negativa nas novas gerações. Já que será mais difícil, nas outras. Em ‘A Menina no País das Maravilhas‘ há uma cena emocionante onde um ‘diferente’ é enfim integrado a turma…

Ainda dentro do universo escolar… Em ‘A Menina no País das Maravilhas‘ temos uma Escola castradora. Não é dado às crianças, o direito de perguntar, de questionar aquilo que ensinam. Para eles, a lei máxima é: ‘Siga as regras, e seja feliz‘. Mas feliz onde? Ou como? Onde ficaria o verdadeiro eu desse ser, ainda em formação? Limites, respeito às regras, devem vir de dentro. Saber escolher entre o certo e o errado não de forma arbitrária. E mais, podando o raciocínio, pode terminar fazendo que muitos vivam querendo sonhos quiméricos, sempre. Sem o menor planejamento. Na infância, a fantasia pode ser uma grande aliada para o futuro. Que em vez de castrar, o adulto deve acompanhar de perto.

Para Phoebe, a ajuda veio na nova Professora de Artes Dramáticas. Que iria encenar a obra de Lewis Carroll na Escola. Era a Miss Dodger (Patricia Clarkson). Alguém que veio abalar com toda aquela rigidez. Phoebe, ciente de que tem um problema, hesita por um tempo em candidatar-se a um papel na peça. Assim como muitas, quer ser a Alice. Um dos outros destaque, é que o papel da Rainha de Copas, será pretendido por um menino, o Jamie (Ian Colletti). O que dará margens a ser zoado pelos demais. Phoebe e Jamie, os ‘diferentes’, ficam amigos.

Coincidência, ou não, a mãe de Phoebe passa por um bloqueio criativo. Não está conseguindo escrever sobre o tema que escolheu para a sua dissertação. Que seria em cima da história de Lewis Carroll. Por esse, e outros problemas, termina por se culpar. Achando que a Phoebe está assim, por não lhe dar mais atenção. Nem se tocando que a filha caçula ressente da falta da atenção da mãe. E nesse universo familiar conflitante, o pai (Bill Pullman) se frustra que de onde aceitaram publicar seu livro, ele não será lido.

phoebe-in-wonderlandPhoebe clama por ajuda. Não sabe o que se passa consigo. Não tem controle do que faz, do que fala… o único lugar onde não se vê diferente, onde não sofre pressões, onde pode usar livremente a sua mente, a sua imaginação… é nesse mundo encantado. Mas que também pode ser real, se a tal peça teatral for realizada.

Alguns podem achar que estarei trazendo um spoiler, ao contar qual é o problema de Phoebe. Mas até pelo caráter educativo do qual gostaria que os Professores assistissem esse filme, pois podem ter alguém assim em Classe; até porque, pelo pouco que eu li, em cada cem pessoas, uma passa por isso. Como também, para quem tem alguém com isso na família. Ou até a própria pessoa… Enfim, direi. A Phoebe tem a Síndrome de Tourette. Tentei trazer um resumo, mas é preferível que vocês mesmo pesquisem. Para não tratar com superficialidade esse problema.

Eu, que o que motivou-me a ver esse filme foi por amar a Alice, de Carrol… me vi presenteada com esse excelente filme! Bravo Phoebe! E um outro a pequena grande atriz Elle Fanning!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Menina no País das Maravilhas (Phoebe in Wonderland). 2008. EUA. Direção e Roteiro: Daniel Barnz. Elenco: Elle Fanning (Phoebe Lichten), Felicity Huffman (Hillary Lichten), Bill Pullman (Peter Lichten), Patricia Clarkson (Miss Dodger), Campbell Scott (Diretor Davis), Ian Colletti (Jamie), +Cast. Gênero: Drama, Família, Fantasia. Duração: 96 minutos.

A Casa de Alice

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A casa de Alice, de Chico Teixeira, Brasil, 2007, 90 min.

O poder de “Casa de Alice” não está, como em “Lavoura Arcaica” (quando uma das personagens chafurda roupas íntimas, num cesto, usadas pela irmã, fazendo da trama, adaptada da obra literária de Raduan Nassar, uma tragédia rememorada pelo vigor de uma narrativa poética), o que se vê em “Casa de Alice” é o distanciamento constante da felicidade, mas não sem antes, sutilmente, pela fresta das portas, mostrar o sórdido e o mal-estar.

Um marido infiel, uma jovem amiga, filhos desligados e desinteressados – a mãe de Alice, dona Jacira, como testemunha do desgaste e das mentiras. A explosão de Alice (Carla Ribas), quando já está, de fato, atormentada, é a tradução da vida mesquinha que ela não queria ter tido. É no amante galanteador que ela encontra, então, uma saída – certamente não a melhor.  São nas dicas da cliente, também ela uma traída, em que tem início a libertação das amarras de uma vida ordinária.

Numa das cenas, em que é ridicularizada pelo marido por ter se depilado e se aproximado de um comportamento mais jovial e sapeca, há o nítido desgosto por conta da impossibilidade, também, da realização sexual: a sociedade é machista, mesmo quando, o filho militar do exército, deixa entrever sua dúbia condição social. Alice aparece como uma mulher gasta e usada pela típica família brasileira de classe média baixa, que não se permite, em meios menos educados, às extravagâncias que se pode ter com amantes – mesmo quando essas mesmas amantes ainda são crianças, para a desgraça dos vizinhos.

casa de alice“Casa de Alice” passa ao largo de “Infiel”, da diretora Liv Ullmann, afeita ao universo do diretor Ingmar Bergman e por isso mesmo lidando mais com memórias e fantasmas. O diretor de “Casa de Alice, Chico Teixeira, sugere caminhos similares, pois estamos diante de um filme de diálogos adiados, daqueles que as famílias evitaram, os mesmos que dão origem aos tabus e preconceitos, ou simplesmente a violência surda dos apartamentos suburbanos de São Paulo (válido para qualquer outra cidade) que se traduz em porradas e tabefes. “Casa de Alice” lida com os traumas ainda em gestação: a identidade sexual do filho, a proximidade da morte da mãe, as pistas deixadas nos bolsos das calças, as suspeitas…

Trata-se de um filme denso, seco, realista (é o primeiro filme de ficção de Chico Teixeira) e descuidado de qualquer brecha para o espectador se emocionar demais: no máximo engolir o choro ou se remoer diante da impotência das personagens. Chico Teixeira acerta em cheio, porque é como se nos tivesse dando a permissão para xeretar as gavetas alheias, de ouvir as conversas dos vizinhos, que, às vezes, nos fazem baixar o volume da TV ou do rádio (aliás, este um companheiro fiel da dona Jacira) com o intuito de entender melhor algo e ver se alguém vive as mesmas misérias ou se a miséria do vizinho são mais interessantes que a nossa.

O filme, claro, não é original, mas é implacável diante de outras propostas cinematográficas (ficcionais e documentais), especialmente aquelas afeitas aos finais felizes ou que partem em busca da “verdade”. Engraçado, a idéia inicial do diretor era fazer um documentário sobre a cegueira:

a-casa-de-alice_02No parque do Ibirapuera, eu comecei a reparar num grupo de cegos que andavam por lá todos os dias. Seus rostos eram de uma felicidade, de um preenchimento pessoal muito grande, por estarem vendo alguma coisa que eu não conseguia ver. Isso me deixou curioso e começou a despertar um assunto. Comecei a escrever outro documentário sobre a cegueira, gostaria de sentir ou tentar sentir como não se tivesse olhos, como se olhasse pra dentro o tempo todo. Alguns meses depois estava me perguntando: por que não fazer uma história que tivesse um personagem cego? Gostei da idéia, mas me deu muito medo: venho do documentário, da investigação, nunca tinha escrito nada de ficção. Esse medo, por incrível que pareça, me impulsionou pra frente, mais um desafio pra mim. Comecei a escrever então sobre um personagem que ia ficando cego ao longo do filme, com coisas que não gostaria de ver. Assim surgiu a Dona Jacira. Mas o filme foi pedindo mais coisas, daí surgiram Alice e sua família.”

E, no fim das contas, fez-se algo bem parecido em termos de linguagem e temática: a maioria das pessoas está mesmo de olhos fechados para muito do que está ao seu redor. Só não dá para saber se estão mesmo felizes por dentro…

Por: Fabio Montarroios.

Não Se Preocupe, Estou Bem (Je Vais Bien, Ne T’en Fais Pas)

nao-se-preocupe-estou-bem_posterUm filme que a vontade é já ir analisando-o. Mas por ser recente, e ainda por cima foge dos mais comerciais, creio que muitos ainda não assistiram. Eu o recomendo para um público mais seleto. Conto o porque mais adiante. E que tentarei não trazer spoilers.

Se eu fosse o definir em uma única palavra, ela seria: mentira.

nao-se-preocupe-estou-bemPor mais bem intencionado, por achar que será uma mentira caridosa, não demorará muito para se ver falando outras, e mais outras, para sustentar aquela primeira. A que disse na intenção de poupar alguém, num dado momento. Talvez, esperando o tempo certo para contar. Ou até que o tempo fizesse esquecer. Sendo que esse, não caberia nessa história.Quando eu falei que o recomendo para um público específico, é que o filme traz a relação Pais & Filhos. Numa família de classe média. Onde não há muito diálogo. Até há, mas são conversas superficiais. Como também há cobranças; e nos dois sentidos.

Parece que alguns pais, meio que super protegem aqueles que não têm muita resistência mentalmente para os percalços da vida. E terminam não conhecendo o filho mais forte mais intimamente. E é por aí que fica a recomendação. Se gostar de histórias assim, o ‘Não Se Preocupe, Estou Bem’, é um bom filme.

nao-se-preocupe-estou-bem_02O filme nos mostra até onde pode levar uma simples mentira. O porque dela ficamos sabendo no desenrolar da trama. Quando bate uma dúvida se teríamos feito o mesmo. Mesmo que não, dá para entender porque fizeram isso. São pais. A questão maior, não é se erraram nisso. Mas sim para uma reflexão sobre essa relação. É preciso dialogar sempre. Como também respeitar que cada um dos filhos, não é, não tem que ser cópia.

Sobretudo, como em qualquer relação, ela é construída no dia a dia. Se adequando as novas realidades. E sempre cada um terá que ceder um pouco para uma convivência salutar. Sem conflitos sérios entre gerações. Para que todos se sintam bem naquele lar. Para que quando chegue a hora de ter sua própria casa, a saída seja pacífica.

Não contei da história do filme. Um resumo: Uma jovem, Elise (Mélanie Laurent), ao voltar para casa, após um período de férias na Espanha, recebe a notícia que seu irmão gêmeo, saiu de casa. Após uma violenta discussão com o pai. Ela se desespera… até que chega a primeira carta dele. Onde entre outras coisas, diz a mensagem do título: Não se preocupe, estou bem.

Os atores estão bem. O cenário é lindo. E a música, Lili, que o irmão compôs para ela, é de querer ouvir várias vezes.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Não Se Preocupe, Estou Bem (Je Vais Bien, Ne T’en Fais Pas). 2006. França. Direção e Roteiro: Philippe Lioret. Elenco. Gênero: Drama. Duração: 100 minutos. Baseado em livro de Olivier Adam.

A Culpa é do Fidel! (La Faute à Fidel!. 2006)

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Amei! Eu que reclamo de ter mais filmes num focar masculino, descubro esse onde uma menininha de 9 anos me fez sorrir; relembrar certos momentos; me encantar pelos e como fez seus questionamentos. E nessa sua quase mudança de fase: às portas da adolescência. Por ter levado tudo a seu próprio tempo.

Primeiro, situando o ano que é retratada a história: 1970. Cidade, Paris. Agora sim, entrando no filme.

Anna a princípio parece uma menininha mimada, mas ela foi criada assim. Boa casa, um bom colégio, um vinhedo para passar as férias, aceitando todas as convenções… Enfim, tinha uma vida boa!

Seu pai era um advogado. Mas insatisfeito até com o luxo com que viviam. Sua mãe escrevia artigos para a Marie Claire. Tinha apenas um irmãozinho, o François. Também uma gracinha. Ele será um contraponto na revolução que Anna irá passar.

Com a morte de um tio, os pais abrigam uma tia com uma filha; ambas espanholas. Aliás, foi seu pai que conseguiu tirá-las da Espanha de Franco. Isso até o motiva a um engajamento político de fato; onde a esposa o acompannha. Então, entre as viagens dos pais ao Chile, Anna e o irmão ficam aos cuidados de uma babá cubana, que odeia Fidel.

A babá conta a sua versão de comunismo, levando Anna a crer que é o comunismo na personificação do Fidel o culpado pela perda do seu conforto, e até da atenção dos pais. Mas com a troca de babás de nacionalidades diferentes, Anna – que adora ouvir história -, começa a perceber que existem outros mundos, ou, outras maneiras de ver o mundo. Assim, essas outras histórias foram ampliando o seu mundinho tão certinho. Mesmo ainda sentindo-se como um peixe fora d’água, sua curiosidade era maior. Começando uma revolução interior. Suas broncas, faz em si um tipo de acorda. Exemplo: ela observando um jantar cheio de pompa na mansão dos avós, onde as pessoas nem se olham nos olhos.

Eu, que comecei a escrever sobre filmes meio que por forças do destino, sem nada entender de toda a parte técnica, com esse filme em particular, posso dizer que tive a primeira aula. Aconteceu assim, comecei a ver o filme, e sentia como se tivesse que abaixar. Era estranho, até porque eu estava sentada. Até que caiu a ficha! Me dei conta de que a câmera estava na altura dos olhos da menina. Foi incrível. O que me levará a também observar esses detalhes técnicos, mas mais como experiência interior, já que não tenho formação acadêmica para isso.

Continuando com o filme… Nessa revolução, os dois irmãos darão o tom, o encanto ao filme. Entre tantas cenas, destaco uma que exalta o pequeno François: onde se escondem de um policial. Ambos embaralham tudo o que ouviram até então. Onde François sai com essa para mostrar que ela está errada: “_Porque o Papai Noel é barbudo, é vermelho e gosta de criancinhas!” Hehe… Amei!

O filme é ótimo! Vida longa na carreira para a Diretora Julie Gavras. Nota: 09.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Culpa é do Fidel! (La Faute à Fidel!. 2006). França. Direção e Roteiro: Julie Gavras. Com: Nina Kervel-Bey, Benjamin Feuillet, Julie Depardieu. Gênero: Drama. Duração: 99 minutos.