Paraísos Artificiais (2012)

O filme Paraísos Artificiais é uma produção cinematográfica brasileira que conta a história de amor de Nando e Érika, dois jovens que se encontram e desencontram ao longo do tempo. O contexto da trama se passa nas megas raves e nas festas de música eletrônica, o longa-metragem retrata o amadurecimento de seus protagonistas a partir de suas experiências com família e amigos.

Marcos Prado, depois de produzir Ônibus 174 (2002), Tropa de Elite (2007) e Tropa de Elite 2 (2010), e ter dirigido o Documentário Estamira (2004), tem com “Paraísos Artificiais” (2012) a sua estréia como diretor de ficção, livre do peso que as obras anteriores pudessem jogar em suas costas. Afinal, a cobrança por algo de calibre semelhante, é algo natural. Ao analisar o filme posso dizer que Paraísos Artificiais mesmo não sendo tão forte como os outros, possui um trama que provoca efeito em seus telespectadores.

Ambientado nos anos 2000, o filme é narrado em três atos: o primeiro se passa em Amsterdã, para onde Nando viaja com seu amigo Patrick, e onde conhece Érika, DJ internacional; o segundo alguns anos antes, em uma rave na beira do mar, no Recife, para onde Érika segue viagem com sua amiga Lara, e onde Nando também está com Patrick; o terceiro se passa no Rio de Janeiro, cidade natal de Nando, onde ele enfrenta problemas familiares, principalmente com seu irmão mais novo Lipe, e onde por fim reencontra Érika.

Como ser humano que vive os conflitos do mundo contemporâneo, afirmo que no filme Paraísos Artificiais encontramos com propriedade as descrições dos comportamentos humanos com: os devaneios da juventude, os desequilíbrios emocionais desta fase, a sexualidade, o sexo propriamente dito, os vícios, as raves, as drogas licitas e ilícitas e os inúmeros comportamentos que compõe a sociedade humana do novo milênio. O filme nos leva a entender que vivemos a plenitude do nada, de uma existência complexa e dolorosa; onde acreditamos ou desacreditando em uma esperança para reviver o possível amanhã.

Em suma, podemos concluir que o filme descrever as mazelas de um mundo escrito pelos jovens que amanhã serão os líderes políticos, sociais, econômicos e intelectuais de uma nação. Mesmo com uma língua simples a produção transmite uma vasta mensagem.

Paraísos Artificiais. 2012. Brasil. Diretor: Marcos Prado. Elenco: Nathalia Dill (Érika), Luca Bianchi (Nando), Lívia de Bueno (Lara), Bernardo Melo Barreto (Patrick), César Cardadeiro (Lipe), Divana Brandao (Márcia), Emílio Orciollo Neto (Mouse), Roney Villela (Mark), Cadu Fávero (Anderson), Erom Cordeiro (Carlão). Gênero: Drama, Romance. Duração: 96 minutos. Classificação etária: 16 anos.

Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro (2010)

Foi uma longa espera para apreciar Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro, e infelizmente toda a minha ansiedade foi em vão, mas por que?. Simplesmente porque esse filme não mostra nada mais do que o primeiro filme mostrou– faz exatamente a mesma coisa do que o seu antecessor!.

Tudo que li sobre “Tropa de Elite 2” foi que o mesma era melhor que o original — o achei menos sangrento!. Também que fora o maior sucesso na história do cinema brasileiro, mas nem por isso, eu fiquei impressionado com o que vi!. Por sinal, o achei enfadonho, e bastante arrastado na ilustração sobre a violência patrocinada pelo governo, e a ruína do Brasil. E, honestamente, o uso exagerado de “voice-over” não me ajudou em nada. Achei que o narrador assumido na camera de Jose Padilha era suficiente para nos fazer entender muito do que estava acontecendo. Revelar os pensamentos interiores do tenente Nascimento em muitas cenas foram desnecessários, pois a interpretação de Wagner Moura é tão perfeita que em muitas cenas o uso de “voice- over” não revela nada mais do que nossos olhos já estão vendo.

O enredo inicia-se com o tenente-coronel Roberto Nascimento (Wagner Moura, sempre brilhante!!), que é trazido para ajudar a acalmar uma rebelião na prisão, mas tudo resulta em um banho de sangue colossal. Diogo Fraga (Irandhir Santos), um ativista de direitos humanos quer se certificar de que os prisioneiros sejam tratados humanamente, e assim causa uma grande dor de cabeça na vida de Nascimento. E, para piorar, ironicamente, o ativista é casado com a ex-mulher do tenente-coronel, e ainda prova ser um pai melhor para o filho adolescente dele — o que provoca em Nascimento uma crise de personalidade: ele começa a se perguntar se a vida de violência que ele leva, realmente valeu a pena, e se seus pesares em como ser um bom policial o transformou num péssimo pai e num marido ausente. O filme cai num melodrama bem chatinho!!!

Foi escolhido para representar o Brasil no Oscar deste ano, mas acho que lhe faltou um “lobby” para lhe garantir uma vaga. Não é ruim, mas acredito que o Brasil tinha um filme melhor do que esse. Bem, “Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro” me fez cochilar…e quando um filme me causa sono é porque ele não me tocou!

Nota 5,5

RIO (2011)

Rio” é um filme que conta a história de Blu, uma arara azul, vítima da Bio-Pirataria do Brasil. O filme realiza de forma animada um protesto para preservação da natureza e da nossa “extinta” arara azul. De forma precisa prega a “humanização animal”. Na trama, Blu é uma arara azul domesticada que vive em Moose Lake, em Minnesota; mas o destino acaba guiando Blu até o Rio de Janeiro.

De forma humorada o filme busca abordar as problemáticas, conceitos e temáticas profundamente brasileiras, os quais são conhecidos no resto do mundo, de forma etnocêntrica, ou melhor dizendo, estereotipada, pois o Brasil é visto pelo “resto do mundo” como: a terra do futebol, das mulatas sarada, de um país com uma má estruturação urbana, surgindo assim às inúmeras favelas. O nosso país ainda é conhecido com a terra do samba e do carnaval.

Gostei muito do filme por que além de citar os males existentes em terras brasileiras, o autor utiliza na minha concepção referências estrangeiras: Cidade de Deus o nosso maior sucesso cinematográfico e Quem Quer Ser Milionário?  Uma grande produção indiana que ganhou o Oscar.

De forma criativa Carlos Saldanha, constrói um enredo destacando os clichês, mostrando um timming para comédia, trabalhando também com musical e mesclando juntamente um pouco de aventura e o famoso romance cinematográfico.

Fico muito feliz com a belíssima homenagem presta ao nosso país, o filme levou o nosso Rio de Janeiro para os quatro cantos do planeta uma boa oportunidade para atrair ainda mais turistas que desejam conhecer o majestoso Cristo Redentor e o famoso bondinho.

Afinal, “Rio” é uma produção estrangeiro, mas com as características completamente brasileiras.

RIO (2011)

A Blue Sky conseguiu em pouco tempo traçar uma trajetória que mesmo tímida, é bastante respeitável. Das aventuras robóticas e de humor inteligente de Robôs ao arrasa quarteirão glacial A Era do Gelo, tem-se em comum um único nome: Carlos Saldanha. O brasileiro conseguiu fazer nome lá fora, e com isso autonomia para fazer o que bem quisesse. Disso, surge Rio, a nova empreitada da Blue Sky e novo grande sucesso de Saldanha. Obviamente temos que bater palmas para o cara, afinal de contas é um brasileiro mostrando domínio num mercado tão lucrativo e que não cansa: as animações.

De cara, algo que predomina durante toda a projeção: a beleza brasileira. O balé das aves e a excelente música – que teve um toque todo abrasileirado comandado por ninguém menos que Sergio Mendes – desenham toda a estrutura que fará parte da estética do filme. A beleza com a qual é mostrada não somente o protagonista, a ararinha azul Blu, mas também a riqueza da natureza é perfeita. A sincronia da dança inspirada no samba com o próprio samba de raiz, lá dos boêmios é um de uma beleza só. De fato a Blue Sky tem um talento que a diferencia das outras do ramo, que é a facilidade de fazer cenas de ação aliadas a uma beleza estética impressionante, e com isso, o Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa, ganha mais um motivo para justificar esse título.

O Cristo Redentor numa tomada de tirar o fôlego, um passeio pela Marques de Sapucaí ou um rasante de asa delta com um pouso na praia bem agitado ou até mesmo uma corrida dentro dos becos das favelas, tudo é lindo, nada é estereotipado. E esse é a grande qualidade do filme. Com a cidade ganhando uma projeção realmente maior do que de costume, com os principais eventos esportivos do mundo por vir e a inclusão do Cristo nas novas sete maravilhas do mundo, um filme que fizesse jus a sua beleza e tivesse uma projeção internacional bem grande, vem muito a calhar. E a galera que assumiu a produção de Rio se encarregou de recriar Rio de Janeiro digitalmente com uma precisão cirúrgica na fidelidade aos traços originais.

Todos os planos abertos, que captam a grandiosidade da cidade estão nada menos que perfeitos, e isso já da força ao filme. O que fica como defeito é o fato de tapar os olhos para temas sérios, que poderiam muito bem ser mais aprofundados – uma vez que o filme chega a sugerir a discursão – mas que no fim acaba sendo tão paralelo ao filme que soa inútil. O tráfico de animais silvestres ou a preservação da Mata Atlântica ou o futuro de espécies como a arara azul, protagonista do filme, são assuntos que parecem ficar alheios a todas as situações que vão acontecendo.

É aí que se minimiza a importância do ambientalista apaixonado por aves Túlio, é aí que os vilões perdem parte de sua eficiência dentro do filme – eles parecem seres obrigatórios ao filme e não personagens que possuem sua importância dentro da história – e os animais são apenas peças que preenchem o que sobra de espaço. Em nenhum momento soaria clichê e até serviria como um instrumento para levar a tão bela mensagem de salvação dos nossos ecossistemas que faria Rio crescer ainda mais, não ficar somente estagnado no filão do cinema diversão, papel que cumpre com muito louvor.

Até porque apenas piadas e situações engraçadas ou romance bonitinho são elementos que sem um tempero acabam não saindo como esperado. Saldanha consegue criar personagens carismáticos e “fofos” em todos os sentidos, e consegue muito bem explorar esse campo, mas por outro lado se esquece de dar ao filme uma lenha a mais. Tanto que Rio acaba sendo como um bolo, um bolo muito bonito por fora, cheio de decoração e estilo e pompa, mas que por dentro, fica devendo no sabor. O filme é maravilhoso, mas fica uma pontada de “faltou alguma coisa”, e esse é o calcanhar de Aquiles da obra.

Mas relevando esse probleminha, o filme flui naturalmente bem, sem estereótipos nem piadas de mal gosto direcionadas ao povo brasileiro, que nesse caso acabou sendo mostrado como alegre e sempre tentando estar afrente de qualquer adversidade. Um belo retrato – mesmo que em animação 3D – do nosso país, e comandado por um cara que está muito bem representando a criatividade e o talento brasileiro lá fora.

Nota: 8,0
Cotação: ★★★ .

Rio
EUA
(2011)
Diretor: Carlos Saldanha .
Atores: Jesse Eisenberg, Anne Hathaway, Rodrigo Santoro, Jamie Foxx .
Duração: 96 minutos.

Por: Rafael Lopes.

Tropa de Elite 2 # O Inimigo Agora é Outro (2010)

Tropa de Elite 2: Dessa vez não fui à pré-estréia, não entrei na fila para assistir na estréia, não me estressei on line para ver na 1ª semana. Eu tive medo.

Tropa de Elite 2 não é um filme que se assista pura e simplesmente, pois a todo momento somos  sugados para dentro da tela… Ou seria a tela que insiste em pendurar-se nas nossas vidas? Lotado de referências tipicamente nacionais de um Rio de Janeiro que que está em toda parte do Brasil  a despeito da insistência de muitos em não perceber.

Não há como se sair indiferente dessa projeção, é um dedinho que nos toca no ombro, u’a mão que  nos dá na cara para logo após socar-nos o estômago e sem piedade, num golpe final,  olhar bem nos nossos olhos e cinicamente sorrir.  Saí do cinema espancada, abatida,  com sentimento de revolta, pronta a explodir  qualquer comício que passasse na calçada.

Desta vez José Padilha pôs o dedo na nossa cara e relembrou que nenhum de nós é inocente.

Mais de seis milhões e meio de pessoas viram o filme, o que mais se teria  a dizer? A minha visão de mulher que diante de um jornal, entre uma foto chocante de crime/tragédia e outra de políticos/sorridentes em campanha, recorre às cenas do próximo capítulo de uma novela qualquer como recurso para não enlouquecer  com a  impotência e letargia dos nossos tempos. Hoje a vida é  tão rápida! Os recursos tecnológicos nos deixam por dentro  de tudo e em tempo real… E justamente agora, encontramo-nos apopléticos, sem saber para onde ir e sem perceber para onde estão nos levando. Deixamo-nos enganar com gosto, só para não saltarmos  da condição de  vítimas  ou de  famosos “massa de manobra” para o papel de quem molda seu próprio destino. Nunca precisamos tanto evocar nossa porção Capitão Nascimento, nunca  ele foi tão ficcional…

Capitão Nascimento, envelheceu 13 anos, ganhou lindas mechas grisalhas, continua com aquele pescocinho ligeiramente entortado à direita, dedo em riste a repetir  pausadamente aquilo que ele quer que seja perfeitamente entendido.  Promovido a herói  (da promoção de patente todos já  sabemos)  é um homem cada vez mais sozinho, como sozinhos se tornam todos  os que insistem em trilhar rumo a um ideal de correção. Estão sós aqueles que pensam em ter vida limpa e  tentam livrar-se  dos entulhos à volta.  Estão irremediavelmente sós aqueles que insistem em manter suas cabeças e éticas acima da mediocridade  vigente em todos os escalões.

No princípio eram as drogas e o tráfico. E a polícia corrupta viu que tudo isso era muito bom!

Acharcou traficantes, elementos enriqueciam, arquivos eram queimados e no saldo das prestações de contas , não havia porque se importar com os inocentes…  A rede cresce e engrossa até criar contornos diante dos olhos do nosso herói que ervas daninhas se combate como pragas, eliminando-se! Surge a lenda e acaba o filme 1.

Tráfico dominado, traficantes engaiolados, Capitão Nascimento torna-se coronel Nascimento, comandante geral do BOPE. Torna-se também um homem separado, heróis não devem casar-se…  Na sua rotina, pela sua retina enxerga  3 tipos de polícia: corrupta, não corrupta e o BOPE. Na sua vida existe o seu trabalho, a sua família e o seu trabalho.
Vamos combinar que algumas coisas dão certo exatamente porque algo nelas deu errado. É  como se a partir de  um passo errado numa dança, pudéssemos  criar um  outro modo de dançar, porém alguns princípios básicos nos fazem errar  para sempre.
O que Tropa de Elite 2 tem de melhor, é a humanidade do seu herói, a babaquice dos seus cidadãos, a implicância com os intelectuais defensores radicais dos direitos humanos na base do  “é dando que se recebe”  e com aqueles que pensam ter mais direito aos direitos humanos  que suas vítimas e finalmente, a profusão de frases candidatas a bordões que alegremente continua.
Com uma fotografia funcional que participa como personagem da trama, a qualidade do filme é inquestionável  aliada a  um roteiro preciso, amarrado, coerente.

Rimos, quase choramos,  nos indignamos, prendemos a respiração, xingamos e quando saímos do cinema nos surpreendemos pensando.

A sociedade a qual as instituições deveriam servir, delas se servem.
Os políticos, cargos para o serviço e satisfação da sociedade, dela se servem.
A polícia que existe para servir e proteger a sociedade nela tem seu maior antepasto.
O poder se alimenta da desgraça das pessoas.
O sistema precisa fomentar desgraça para para que suas manifestações de poder sejam inquestionáveis.
O cidadão, desculpa para tantas ações e legislações, é no fundo apenas aquele que irá manter com sua ignorância, ingenuidade e fruto do seu trabalho formal ou não,  todo o peso de um  sistema faraônico que arrogantemente irá lhe roer até os ossos e pagará cada vez mais caro por isso.

Repare bem a cena em que Russo (Sandro Rocha) faz seu ritual de passagem entre acharcador do tráfico e chefe da milícia: Ele vai “tomar” dinheiro do vapor que só tem R$500,00 que foram  ganhos com o “gatonet”, ali a gente percebe qual a saída que temos, tanto nós sociedade,  quanto aqueles que se encontram encurralados nas vielas.
Ali entendemos exatamente o que é a lei do mais forte e que evoluir não faz o menor sentido. A marginalidade diante da polícia só tem um destino que certamente não é a reabilitação…

Não há defesa pra ninguém.
Ninguém é inocente, numa sociedade onde se vive por alianças para fortalecimento individual e as possibilidades de ganho sempre passam a existir e ter importância por si só. A ganância não olha para ética e o poder existe  para deleite de todos aqueles que pensam estar um milímetro acima do que  é chamado de povo. (O brasileiro tem um dificuldade de se ver como povo, como todo, não? As críticas são sempre feitas em 3ª pessoa).
Todos ali naquela película, tem um preço e a política não olha para nada nem ninguém que não seja suas próprias vaidades.
Não importa o que o herói possa fazer, o sistema existe e se reinventa e se alimentará das necessidades que se não existirem, ele criará. Osistema se reinventa, daptando-se e lançando mão do que teoricamente seria ferramenta para sua própria mudança ou destituição.
Coronel Nascimento vira subsecretário. O sistema ignora que algumas pessoas são fieis à sua essência e tenham em si valores inegociáveis (princípio do Coronel Nascimento). Para alguns o que impede que se corrompam não é apenas a falta de oportunidade de se corromper, não basta trocar a planta de lugar para que se tomem de amores por condições  mais leves e vida confortável. A grande coerência deste roteiro, é justamente o tempo que Nascimento leva para se adaptar à troca de suas armas: de pistola para palavra, microfone, boca-no-mundo.
Por sorte, por piedade jamais por acaso,  no início do filme somos avisados que é uma obra de ficção, o que nos faz rir das referências tão claras do jornal que manda profissionais para morte; Cúmplices de autoridades políticas orquestradoras de candidatos políticos, financiados pela grana de uma nova modalidade de crime;
Do apresentador de TV invejado pelo governador pelo número de opinião capaz de formar;
Do agente carcerário que não vê nada demais no inferno que se desenha dentro dos presídios;
Do intelectual defensor dos Direitos Humanos que vê tudo demais nos infernos prisionais ignorando que entre mauricinhos de faculdade e bandidos nas unidades prisionais existe o segmento que dever-se-ia denominar cidadão para o qual todos os esforços das autoridades, serviços e servidores deveriam ser direcionados e não exatamente o contrário como nos mostra  o soco na cara de José Padilha.
Temos a chance de perceber como é a política de governar  para si mesmo e percebemos que jamais tivemos outra forma de política…
E quando o policial subordinado descobre negócio novo virando líder comunitário,  percebemos que contra a ganância a covardia talvez seja uma arma definitiva para a sobrevivência e revela a grande onda das nossas autoridades: “fifty to fifty” -  a “taxa do eu sei”…  Quem sabe recebe, quem deve paga e quem não sabe paga também só que um preço mais caro por acreditar  que é votando que se resolve as questões populacionais…
Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro – sua exibição deveria ser indicada a passar nos próximos horários eleitorais gratuitos, apenas isso.
No mais,  foi um alívio ver no filme de ficção, que num país onde se apregoa que milhares de empregos são gerados a cada momento, existe um herói desempregado, humilhado, incompreendido. Alívio, porque conheço pessoas reais nessa condição e elas não serão ouvidas enquanto não puderem apresentar vantagens, o que pode nos dar um alento de esperança no futuro.
Não sabemos de onde vem o tiro. mas ainda podemos de certa forma ter esperança!
Nota 10, sobre tudo pela coragem da cena final, o rasante panorâmico por sobre a origem e finalidade dos problemas  mostrados no filme, que é a sua própria razão de ser,  podendo  também ser  a solução. Não se deve assistir a este filme pensando em tratar-se de uma história fictícia numa determinada cidade, pois que  cidade e governos locais nada mais são que miniaturas de um país…  Afinal, nem mocinho nem bandidos disparam o gatilho sozinhos muito menos por nada…
Tropa de Elite 2. 2010. Brasil.
Direção: José Padilha
Roteiro: Braulio Mantovani e José Padilha
Elenco: Wagner Moura (Nascimento); Irandhir Santos (Fraga); André Ramiro (Mathias); Pedro Van-Hel (Rafael); Maria Ribeiro (Rosane); Sandro Rocha (Russo); Milhem Cortaz (Fábio); Tainá Müller (Clara);  Seu Jorge (Beirada); André Mattos (Fortunato); Jovem Cerebral (Braço)

Postado por Rozzi Brasil