Meu Primeiro Casamento (Mi Primera Boda. 2011)

O filme vem para mostrar que mentir é muito complicado. Que dá muito trabalho para manter essa mentira. Que terá que contar com ajuda de terceiros para mantê-la. E por ai vai. Mas pelo menos na ficção, se não fosse assim não haveria esse filme. Bem, esse filme em particular começou por omitir um fato. Depois que vieram uma chuva de mentiras. Agora, quando no filme é mostrado o motivo da mentira, de pronto me veio uma pergunta: se teria enredo bastante para sustentar uma Comédia em pouco mais de uma hora e meia. Eu digo que sim! A trama prende a atenção até o final.

Em “Meu Primeiro Casamento” temos o noivo contando o que aconteceu nesse dia. Em flashback vamos conhecendo o drama que viveu, que seria trágico se não fosse cômico. Ele é Adrian. Outra excelente atuação de Daniel Hendler; onde uma outra foi em “As Leis de Família“. Adrian é o típico cara com o dilema em querer fazer tudo certo. Porque normalmente, não consegue. A cobrança em si mesmo vem por querer mostrar que é o marido perfeito para principalmente a família da noiva. De tabela, para mostrar para os próprios pais que ele agora amadureceu. Mas também por achar que a noiva é “muita areia para o seu caminhão”.

Assim, no afã de fazer tudo certo, para um cara como Adrian é batata: algo vai dar muito errado. E deu! A poucas horas do início da cerimônia. Bem, o título do filme já entrega que houve o casamento. O que mostra que se a noiva o escolheu, no mínimo estaria querendo uma vida diferente. Sem cair no marasmo de uma rotina certinha demais. Mas após ter preparado por meses um cerimonial “dos sonhos” para esse dia tão importante, e ter passado o que passou, ela, Leonora (Natalia Oreiro), teria mesmo saúde para um dia-a-dia com Adrian? Bem, essa parte ela volta a pensar nela na cena entre os créditos finais. Porque até lá, ela também será tragada pelo turbilhão Adrian e seus amigos! Amigos esses, que também são um show à parte.

Com toda a extrapolação de Adrian, ganhamos nós o prazer em ver mais uma ótima comédia. É o Cinema Argentino ainda em alta. Great! Uma história simples, mas muito bem contada. Onde nas cenas com o Padre e o Rabino teria espaço para uma crítica mais apimentada. Mas enfim, preferiram algo mais light.

Então é isso! Um ótimo filme para casados e solteiros curtirem o dia do casamento sem sentirem o estresse próprio. Afinal, quem está se casando são outras pessoas.
Nota 8,5.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Meu Primeiro Casamento (Mi Primera Boda. 2011). Argentina.
Direção: Ariel Winograd.
IMDb: Mi Primera Boda .

Um Método Perigoso (A Dangerous Method. 2011)

Assim como Jung, David Cronenberg transpôs o seu limite de segurança ao nos trazer essa história. Se para um ator é prova de potencial quando interpreta personagens tão distintos, pode-se esperar que o mesmo também aconteça com um Diretor: quando ele faz uma leitura tão diferente do que vinha fazendo até então. Cronenberg muda o seu método e nos leva numa viagem belíssima entre Zurique (Suiça) e Viena (Áustria) para mostrar o início e o fim de uma amizade que ainda hoje dá o que falar: entre Jung e Freud. Tendo como elo a então paciente Sabina Spielrein. Meus aplausos a Cronenberg! É um filme de querer rever.

Um Método Perigoso” não é apenas para os discípulos, os apaixonados, os fãs, os admiradores desses dois Mestres, já que o filme não é muito didático. Digo isso porque muitos podem deixar de ver o filme achando que terá muitos termos médicos. Se consegue entender mesmo quando Jung clinica Sabina, como também nos diálogos ou nas leituras das cartas entre Jung e Freud. Aliás, o Roteiro prende tanta a atenção, que mal dá tempo de se deleitar com o esmero do cenário, das vestimentas, das paisagens… Fotografia deslumbrante.  E mesmo a trama focando muito mais em Jung, há uma visão impessoal entre ele e Freud. Cronenberg deixa para que o expectador continue com o seu gostar por cada um deles.

Os Personagens:
- Os que seguem os pensamentos freudianos podem não ver, por exemplo, a arrogância desse, a ponto de se incomodar com a riqueza de seu então mais dileto discípulo. Freud tinha que ser mais prático, mais direto no que estava implantando. Pela personalidade, eu diria que se tivesse mais dinheiro também teria saído da sua zona de conforto. Se uniria o se achar superior com o não ter que dá satisfação a ninguém. Bem, não há demérito em suas teorias, que como sua bandeira diz – comprovadas. Como não sou estudiosa em Psicanálise, ela sempre me remete aos filmes de Woody Allen (Amo!). Somado ao que vi nesse filme, continua a impressão que o que a Psicanálise faz é atestar o que a pessoa tem, mas dando a ela uma massagem de ego. Não mete o dedo na ferida!

- Jung, por conta do dinheiro, pode sair da zona de conforto do método adotado até então. O dinheiro da esposa deu a ele mais tempo para outros voos. Suas pesquisas o levaram a até trair a esposa, com a Sabina. Esse relacionamento íntimo, pelo menos para mim, não se deu num nível sado-masoquismo. Mesmo que a tara da Sabina o levasse a isso. Acho que Jung quis conhecer o seu lado de prazer carnal, explorando o seu íntimo. Mas o que extraiu mesmo dessa relação com Sabina, foi algo como uma conversa com um lado feminino: algo como um ânima universal. Jung teve nelas, e com elas – esposa e amante -, o apoio e a ajuda em seu crescimento profissional. Se a máxima diz que por trás de um homem brilhante há uma inteligentíssima mulher, com Jung houve duas.

- Sabina Spielrein tinha uma inteligência nata. Diria mais. Que a sua intuição tinha um dial preciso na maior parte das vezes. Ao ser tratada por Jung usando “a cura pela fala”, a psicanálise, que a ajudou a se autocontrolar, também deu asas a sua imaginação que depois pode então dar um sentido prático a essas ideias. Mas Sabina perdeu um pouco o foco pela paixão por Jung.  Ela poderia ter visto que quem administrou esse tratamento fora um profissional nada ortodoxo, logo não deveria ter colocado todos os créditos da sua cura no método freudiano. Até porque Jung já estava implantando um método próprio, mesmo ainda não se dando conta. E a bem da verdade, por um clima ainda machista, ambos enriqueceram seus estudos por observações dela.

As Performances:
- Michael Fassbender foi uma escolha mais que perfeita. Ele imortaliza na tela Carl Gustav Jung. Bravo! Seu Jung veio para ficar na memória afetiva até dos apenas cinéfilos.
- Viggo Mortensen já desempenhou, e bem, outros personagens com o Cronenberg, como em “Marcas da Violência” (2005) e “Senhores do Crime” (2007). Nesse aqui ele até consegue levar bem o seu Freud, mas não a ponto de arrebatar. Algumas vezes meus olhos batiam no peito dele, meio que em busca de uma estrela de xerife do Velho Oeste. Ficou bonachão.
- Vincent Cassel sim, marcou uma bela passagem. A ponto de querer vê-lo num filme com o seu Otto Gross como protagonista.
- Keira Knightley mais parecia um clone da Winona Ridder. A ponto de eu pensar em porque essa outra atriz é que não estaria fazendo a Sabina Spielrein. Ela se perdeu na construção dessa incrível personagem. Sabina Spielrein merecia uma performance memorável.

Então é isso! O filme “Um Método Perigoso” tirando alguns pontos baixos, como a escolha da atriz Keira Knightley, é muito bom e deixou muita vontade de rever.
Nota 08.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Um Método Perigoso (A Dangerous Method. 2011). Reino Unido / Canadá. Direção: David Cronenberg. Elenco: Viggo Mortensen, Keira Knightley, Michael Fassbender, Vincent Cassel, Sarah Gadon, André Hennicke, Arndt Schwering-Sohnrey, Mignon Remé, Mareike Carrière, Franziska Arndt, Wladimir Matuchin, André Dietz. Gênero: Biografia, Drama, Thriller. Duração: 111 minutos. » O filme foi baseado na peça teatral ‘A Cura pela Fala’ (The Talking Cure), de Christopher Hampton, que por sua vez baseou-se no livro ‘A Most Dangerous Method’ (Um Método Muito Perigoso), de John Kerr. Sem esquecer que Christopher Hampton é quem assina o Roteiro do filme.

“…E o Vento Levou” (Gone With the Wind. 1939)


Acredito que tinha apenas cinco anos quando assisti o meu primeiro filme, e foi um experiência horrível!. O filme era “Um Lobisomem Americano em Londres” (1981), o qual eu nunca revi!– não que fora um filme ruim, mas não fora um “gênero” que logo assim gostasse. Antes de superar esse trauma, assisti “…E o Vento Levou”– a minha irmã mais velha era fascinada pela Scarlet O’Hara. Literalmente, não entendi muita coisa sobre o filme, mas me encantei com a beleza do filme, e a linda música!.

Ano a ano, era um ato quase religioso rever o filme no final do ano. Depois de ser já lançado em VHS, eu via, e revia o filme, e assim me apaixonei por “…E o Vento Levou.” Quando cheguei nos EUA, Atlanta foi o meu destino, e recordo do “hall” no aeroporto, onde se tinha e tem uma homenagem a “Guerra Civil”, e detalhes sobre o filme de Victor Fleming. Foi mágico porque estava  na cidade, onde celebrava a visão dos derrotados sulistas!.

Sempre fui fascinado pelo o filme, e logo quis ler o livro — apenas 1037 páginas!!. Passei um ano para terminar o romance de Margaret Mitchell, porque não queria apenas lê-lo, mas devorá-lo lentamente. A narrativa de Mitchell é tão bela quanto ao filme !.

Ontem à noite, tive a chance de assistir “…E o Vento Levou” no cinema– numa verdadeira tela de cinema!. O cinema estava totalmente lotado!. Tudo bem, “…E o Vento Levou” detem muitos títulos: filme mais popular de todos os tempos; maior exemplo de cinema clássico de Hollywood e  melhor filme de todos os tempos. Vê-lo no cinema foi como se o tivesse visto pela primeira vez– a energia dentro do cinema era inacreditável: todos riam, e vibravam com os personagens.

Vivien Leigh faz Scarlett uma das mais vívidas personagens da historia do cinema– e talvez, nos presenteou com o melhor desempenho de uma atriz premiado com o Oscar. Leigh comando o filme com seus olhos nervosos, o rosto ‘quase’ de mármore esculpido, e aquela levantadinha da sobrancelha direita, que é um charme!. Creio que  não deveriamos gostar de Scarlett–ela é uma mulher má, mimada, que viola todas as regras estabelecidas por uma sociedade agradável. Além disso é egoísta, mercenária, ladra de homens, mas não se pode deixar de amá-la. Uma figura forte, firme, que sabe que o mundo não vai fazê-la nenhum favor, então foda-se o mundo, e uma boa parte do ‘povinho’ que vive nele. Scarlet é uma mulher moderna, mas erra ao ser mimada demais e passa a vida querendo algo que ela não pode ter, o amor de  Ashley Wilkes, um homem tão inexpressivo, que nunca consegui entender o porque desse desespero dela por ele.

Gable tinha 37 anos quando fez Rhett Butler– eu jurava que ele tivesse o dobro dessa idade. O seu Rhett é um homem sábio, e admirado, não apenas pelo “boboca” do Ashley, mas por outros sulistas. Mas, diante do amor, mesmo consciente, se mostra bobo para ter Scarlet.  A cena que ele se sente culpado depois de desejar que Scarlet sofra um acidente– o que acontece, e ela perde o bebe–, é possivel sentir a dor dele.  A cena partiu meu coração como se nunca tivesse visto antes!. Que ator maravilhoso!.

E, talvez a atuação  mais subestimada seja de Olivia De Havilland como uma santa em forma de gente!. Melanie é bonizinha demais, compreensiva demais, e não julga a nada e a ninguém. Uma verdadeira cristã que encontra o bem em quase todos. Rhett Butler refere-se a ela como a única pessoa genuinamente boa que ele já conheceu. Depois de ver o filme tantas vezes, aprendi a gostar da Melanie, principalmente pelo modo que ela ama e admira Scarlet — no mesmo nivel que ama o marido.

A primeira parte do filme tem como pano de fundo a guerra, a destruição de Atlanta– como Rhett diz a Scarlet, “dê uma boa olhada, minha querida. É um momento histórico. Você pode contar aos seus netos como você viu o Velho Sul desaparecer em uma noite”–,  e do plantio dos O’Hara, Tara. As imagens são  gloriosas e  emocionalmente brilhantes em termos visuais. E, mais importante ainda, essa primeira parte mostra o desenvolvimento de Scarlett, de mimada a uma mulher endurecida– ainda jovem!–, e determinada. Seu relacionamento com Rhett está lá, mas é mantido no “fundo”. Há tristeza–Atlanta em chamas–, humor, e cenas lindas de tirar o fôlego como a da sillueta avermelhada de Scarlett, dizendo  ” como Deus é minha testemunha…. Eu vou viver tudo isso e quando tudo acabar, eu nunca mais sentirei fome novamente…. Se eu tiver que mentir, roubar, enganar ou matar. Como Deus é minha testemunha, eu  jamais sentirei fome novamente.” E a todos no cinema aplaudiram – algo que me deixou arrepiado!!!

Na segunda metade, Scarlet vai mentir, roubar, enganar, e matar assim como prometido, mas o filme se concentra no drama,  ela continua ‘louca’ por Ashley, e Rhett vai se tornando cada vez menos sucedido. A narrativa pode até ser digna de uma telenovela, mas o material é tão bem apresentado e atuado, que não se torna menos relevante do que a primeira parte. E na tela grande “…E o Vento Levou” é tão surpreendente que não da para pensar que o filme tenha 73 anos de idade. O enredo, enquanto “progressista” e “moderno” para os anos 30, raramente é ingênuo. O diálogo é, muitas vezes brilhante, e algumas das trocas entre Rhett / Scarlett são particularmente inteligentes. Tal como acontece com todos os casais, seus olhares e linguagem corporal diz tanto ou mais do que suas palavras!. O filme não é sentimental porque ele é temperado num enredo longo com uma variedade de seqüências animadas e bem-humoradas. Os personagens são fascinantes, tanto por conta própria e na sua interação com outros. Destaque  para Hattie McDaniel, cuja brilhante Mammy parece um ser humano real.

Bem, a experiencia em ver “…E o Vento Levou” numa verdadeira tela de cinema, me fez ter a certeza que o filme é um espetáculo, um evento. Mesmo que os nossos hábitos tenham mudado ao longo dos anos, é fácil ver por que esse filme ainda provoca  tamanha onda de louvor, pois a sala de cinema estava lotadissima.  Um filme clássico que pode ser chamado de lenda.

Apenas levou 8 Oscars das 13 indicaçõess que recebeu, e como perdeu nas categorias como melhor ator para Gable, melhor trilha sonora para Max Steiner, melhor efeito especial, e melhor som?!

Fatal (Elegy. 2008)

Por: Lidiana Batista.

“Fatal”, baseado na obra do escritor Philip Roth e dirigido pela cineasta espanhola Isabel Coixet, diretora de outras películas como: “Minha vida sem mim“, “A vida secreta das palavras“, conta a história de David Kepesh, brilhantemente interpretado pelo ator Ben Kingsley.

David é um renomado professor universitário, crítico de arte e que sente seu ego inflado por saber que é objeto de desejo de suas alunas (necessidade de autoafirmação). Toda essa confiança cai por terra no dia em que ele conhece Consuela Castillo (Penélope Cruz, que quando bem dirigida consegue convencer), uma jovem segura de si, inteligente e bonita.

Eis que o professor de meia idade se vê envolvido com a jovem quase 30 anos mais jovem. David se torna inseguro não só pela idade, mas porque ele sabia que aquele relacionamento chegaria ao fim, já que ele não conseguia manter uma relação estável com nenhuma mulher.

David vive essa paixão. Sua vida encontra-se em total desiquilíbrio, ele teme um futuro com Consuela, sente que esta envelhecendo, e segundo ele mesmo diz: “Consuela tem toda a vida pela frente.” E ele não?

Apesar do filme mostrar toda a insegurança de David, o que para o expectador é bastante compreensível, compreendemos também o lado de Consuela. Jovem, linda e quer viver essa paixão, a diferença de idade nunca foi um obstáculo para ela, pelo contrário, ao lado de David, ela se sente segura, se sente amada.

Então, o que impediria esse romance? Bem, David tem um caso puramente sexual com uma mulher há mais de 20 anos. Ela é seu alicerce, é ela quem oferece o equilíbrio que David necessita, ela traz a segurança para o homem que precisa se autoafirmar o tempo todo.

Em outro momento do filme, este equilíbrio também é demonstrado quando George (Denis Hopper), melhor amigo de David, e que foi infiel a vida inteira, adoece e se vê sob os cuidados da esposa traída. Será isso então que os homens precisam? Alguém que não coloque em xeque seus sentimentos, desempenho sexual, suas vidas perfeitamente planejadas? E a mulher? Do que ela precisa?

A relação com o filho é algo delicado. O filho, um homem já feito, casado, médico, culpa o pai por ter abandonado o lar. Essa relação foi pouco explorada porque não fica claro se David tentou realmente uma aproximação com o filho. A grande questão, é que quando o rapaz questiona esse abandono, David é categórico: “fui honesto”. E de fato o foi, foi honesto com sua ex-mulher e consigo mesmo. Mas fica a pergunta: estaria ele sendo honesto com Consuela e com seus sentimentos? Se escondendo atrás da insegurança e do medo de envelhecer?

Um outro ponto que pode ser discutido é sobre a beleza da mulher. “As mulheres bonitas são invisíveis”. E são mesmo! Vistas como objetos sexuais, alguém para se passar uma noite e depois se gabar com os amigos, ninguém sabe como são solitárias, que choram à noite, e que são também apreciadoras da arte (no caso de Consuela).

Esses são apenas alguns pontos que podem ser discutidos, vale ressaltar que cinema é algo subjetivo e talvez essas questões levantadas podem ter passado despercebidas para quem já assistiu. No entanto, fica a dica para quem gosta de refletir sobre o medo de amar, a fraqueza do ser humano e sua insegurança.

O Artista (The Artist. 2011)

Não é um filme, é uma viagem. Portanto, prepare-se!

Todos que já fizeram uma viagem algum dia, por mais simples que seja, sabem da necessdidade dos preparativos. Roupas, acessórios, utensílios, bagagem! Dicas, informações, roteiro, pesquisa prévia para que se possa aproveitar ao máximo uma estadia que poderá ser mínima. O prazer não é medido em tempo, mas em qualidade e essência. Assim, ao se decidir por assistir ao filme “O Artista”, prepare-se, pois é uma viagem, onde o trajeto não se dissocia da estadia.
Não sou uma pessoa do ramo, não sou crítica de cinema, não posso ser considerada uma cinéfila, sou uma consumidora habitual de cinema e propagadora das obras que assisto e gosto, posso dizer ainda que, qualquer ida a um cinema já é um prazer por si mesma fazendo com que qualquer ida a uma sala de projeção com filme que consideremos ruim, é melhor que não ir. Conferir com os próprios olhos, exercer a própria opinião, desfrutar dos prazeres adjacentes do passeio.

Surpresa potencializada:

Vivo no Rio de Janeiro, cidade que há 10 dias já respira confete e serpentina, batucadas, animação, excitação, com extensa programação musical onde confusão, ritmo, batucada e barulho dão o tom acelerado dos nossos dias. Vivemos um mundo tecnológico, plugado de imagens, sons e animação. Dados periféricos que podem ter influência neste filme que não se assiste, se degusta! Agregado a isso, não li uma única linha sequer de qualquer resenha sobre o filme, afinal nessas épocas sou uma criatura totalmente submersa no mundo da música. Ver o filme começando, foi como ser içada das profundezas do mundo sonoro e isto a princípio não foi confortável.  Ler no cartaz que o filme tem 10 indicações para o Oscar, emprestou-me uma animação que empalideceu, logo ao fim dos créditos iniciais na tela.

O Cinema:

O primeiro impacto, o rosto extremamente agradável do protagonista, sim ele é lindo! Mesmo caracterizado como astro dos anos 20. Fraque cartola, elegância, bigodinho fininho, cabelo engomadinho tudo impecavelmente asseado, bem passado, lustroso. Depois o contato com a maneira como se assistia filmes nessa época tão remota. Orquestra ao vivo, elenco atrás da cortina e sua aparição para saudar o público. Demorou um pouco pra ficha cair e entender esse cinema de época.

O Filme:
Mostrar o contexto da exibição das obras, foi o gancho que me “içou”, trazendo a minha atenção para o que a telona mostrava, muito mais que as expressões exageradas, onde os gestos precisavam mostrar  aquilo que o cinema não oferecia: voz.
George Valentin (Jean Dujardin) é “o astro”, que leva milhares de fãs ao cinema, para ver filmes onde divide a cena com a sua esposa e o seu cão. Ele, George, é talentoso, bem humorado, vaidoso, autoconfiante, ególatra, orgulhoso, artista numa época em que os astros, se destacavam do restante da humanidade, ah, e tem as sombrancelhas mais expressivas do planeta! Conhece Peppy Miller (Bérénice Bejo), rende-se ao talento da moça e facilita-lhe a oportunidade. Quando o som começa a chegar ao cinema, ele é um dos que não acreditam na novidade.
A forma como o filme apresenta o paradigma de que uma artista de filme mudo não poderia adaptar-se à nova forma do cinema é sensível. A nova tecnologia convence ao próprio artista da sua incapacidade de se adaptar, de que ele faz parte de um passado que nem lembranças lhe deixaria.
A oposição entre novo e velho, a apresentação do artista como um utensílio descartável dessa forma de arte, baseada no comércio, na industrialização. É realmente o início da cultura onde os estúdios ditam aquilo que o público gostará de ver.
Peppy, deslancha, contratada pelo mesmo produtor de George, Al Zimmer (John Goodman). Ela tem a sorte de estar sempre no lugar certo, na hora certa. De ser tão nova quanto à novidade. Chega a ser poética a trajetória da estrela que sobe e do astro que decai. Peppy e George estão na mesma pista, em trajetórias opostas e não colidem, se encontram a a partir do respeito que jovem estrela tem para com o renomado astro. O filme tem personagens pungentes como o motorista, James Cromwell e o incrível cãozinho Uggie. Também tem humor e a decadência de George, nos toca  mas não prenuncia tragédia. George certo do seu talento e da inviabilidade dos filmes com voz, investe  pesado numa produção de contra ataque ao inimigo novo, é abandonado pela mulher  Dóris (Penelope Ann Miller) com ciúme exagerado na mesma medida que as representações da época, é surpreendido pelo Crack da bolsa que deu origem à Depressão de 1929. Mas para não sucumbirmos a esses  tantos dramas temos Uggie, o cão e a diversão da mulher de George em enfeiar suas fotos.

Mas como curtir um filme tão na contra-mão de tudo o que a indústria cinematográfica vem impondo como aquilo que queremos ver? Preparando-se para uma viagem no tempo, onde os sentimentos tem trilha sonora instrumental, poucas legendas e muita emoção, não a emoção dos filmes de ação, mas a ação das emoções. Ambientação perfeita e um andamento mais lento que mostra a perfeição nos cortes.  As cenas são límpidas e há recursos digitais nas cenas com o cãzinho, a tecnologia prestando o seu tributo à origem da arte que mais lhe “dá cartaz”  Tenha em mente que preto-e-branco também sem cores, porque o filme é de um colorido intenso, mas não para os olhos.

Quem é do tempo em que a global Sessão da Tarde valia a pena, vai ter a doce lembrança dos musicais em preto e branco com Fredie Staire sua simpatia, alegria e claro, sapateados. O filme traz muitas referências de priscas eras, e até mesmo de Cidadão Kane (a cena do café da manhã), que desembarcou nas telas muito depois da chegada do cinema falado,  nossa sensibilidade a um tempo que não volta.

Nota: 10,5 …

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O Artista (The Artist. 2011)

Pela primeira vez em muito tempo, há o risco de a estatueta mais concorrida do mundo do cinema ir parar em mãos realmente merecidas no quesito melhor filme.

O Artista” (The Artist) de Michel Hazanavicius é uma obra extraordinária. A começar pela escolha do astro principal Jean Dujardin para viver George Valentin, um ator da década de vinte que sofre com a chegada do cinema falado que elege novas estrelas como Peppy Miller (A não menos talentosa Bérénice Bejo). Jean tem um frescor inédito que oscila habilmente entre o charme irresistível e a pantomima divertida que o personagem exige em momentos de humor e melodrama divididos graciosamente com o esperto cãozinho Uggie. Este importante momento de transição já suscitou trabalhos históricos na sétima arte como “Singing in the Rain” e “Sunset Boulevard”. “O Artista” também deve se transformar num clássico inesquecível do mesmo porte.

Quem não se incomodar com o ritmo apropriadamente lento em vários momentos, a ausência de diálogos e cor e o superado formato três por quatro da tela, vai aproveitar um punhado de cenas geniais e antológicas como aquela em que Peppy brinca com o terno pendurado de George. De quebra, uma trilha sonora saborosa que embala uma atmosfera lúdica, ingênua e de puro deleite absolutamente adequada ao ritmo gentil de uma película totalmente desprovida do envolvimento frenético virtual dos dias de hoje. Na última parte, a sala de projeção traduz uma emocionante e explícita homenagem a Fred Astaire e Ginger Rogers numa sequência arrebatadora.

Desligue (completamente) o celular e mergulhe no mundo maravilhoso deste filme único e sedutor.

O Artista (The Artist. 2011)


Será que é pedir demais para o público apreciar um filme como “O Artista”?. Não sei não!. O enredo do filme em si não é exatamente novo– nem quero usar a palavra “original” aqui, porque hoje em dia, tudo se copia!.

Quando a estória começa, George Valentin (Jean Dujardin) é uma das principais estrelas da época, um astro arrogante do cinema mudo — do calibre de um Rudolph Valentino ou Erroll Flynn!. Valentin é um cara bem-humorado, apesar de uma vida doméstica fria ao lado de sua esposa (Penelope Ann Miller). Provavelmente, o estrelismo o fez esquecer da sua “amada”, embora o mesmo tenha uma grande devoção pelo seu cãozinho, que está com ele em tudo e qualquer lugar!.

Ai, surge uma fã de Valentin, Peppy Miller (Berenice Bejo) que se torna atriz — depois de vir de papéis inexpressivos em filmes mudos, Miller faz uma extraordinário transição ao cinema falado. Num estilo “Nasce uma Estrela” e “Cantando na Chuva”, vemos Miller se tornar uma estrela e Valentin cair no ostracismo no estilo bem Norma Desmond em “Sunset Blvd.”

O elenco é perfeito: me envolvi com a estrela Jean Dujardin – um ator de um seu sorriso largo, e irresistível!. Que presença magnética na tela!. Merece sim levar o Oscar de melhor ator do ano!!. Berenice Bejo, que tem um grande papel, e está perfeita, não deveria estar concorrendo ao Oscar de coadjuvante, mas sim de melhor atriz principal!. E, o John Goodman faz um “Louis B. Mayer” sublime!.

Lindos figurinos, e cenários de encher os olhos – as cenas externas em L.A são um espetáculo a parte!. A fotografia de Guillaume Schiffman, que fotografou o ousado “Anatomy of Hell”(2004), é simplesmente de cair o queixo!!. Creio que a trilha sonora de Ludovic Bource seja não apenas a alma, mas o que sustenta o filme em si, embora as melhores faixas sejam aquelas escritas por Bernard Hermann, tiradas do filme “Vertigo” de Hitchcock. Não sei que critério foi estabelecido para a sua candidatura ao Oscar, pois recordo que o trabalho de Clint Mansell em “Black Swan” (2010) foi menosprezado pela academia porque ele usou elementos da música de Tchaikovsky em “Swan Lake”, ou até mesmo a trilha de Jonny Greenwood para o filme “There will be Blood” ( 2007), foi preterida porque Greenwood usou material pre- existente de sua propria autoria!. Não será injusto se Bource vier a ganhar o seu Oscar, mas em mais de 10 minutos de imagem em o “Artista”, temos a música de Hermann na tela!. E, compreendo a frustração de Kim Novack ao declarar em público, que o “Artista” depende e muito da trilha de “Vertigo- ” isso é pura verdade!.

Co- editado pelo diretor Michel Hazanavicius, que também assina o roteiro, “O Artista” é  uma obra bastante criatividade e ousadia assim como Scorsese em “Hugo” (2011), o qual, foi a França para homenagear um dos pioneiros do cinema!. Contudo, o enredo de o “Artista” não tem nada assim de complexo– é apenas uma ousada e bela comédia-dramática. Bem, em termos comicos — as risadas que surgem a partir de situações familiares–, não achei tão engraçadas assim, exceto, as cenas que mostram Valentin com o seu tão adorável cãozinho!. Em termos dramáticos, o ritmo do filme diminui muito, ficando atolado num melodrama repetitivo. Sim a carreira de Valentin vai para o brejo, mas por que Hazanavicius precisou arrastar tanto o drama do seu astro para depois “jump” para a cena final?.

Particularmente, adoro cinema, e adoro assistir filmes na tela grande, mas quando um filme me faz bocejar é porque há algo errado!. Assistindo o “Artista”, me encontrei perguntando se eu estava entediado ou a platéia me fez entediado. Bem, a magia de estar em uma sala de cinema é o fato de que compartilhamos a alegria, a tristeza, o riso e o medo com estranhos. Várias vezes, eu me encontrei rindo, porque o riso do outro me contagiou. Assistindo o “Artista”, eu fiquei entediado pelos bocejos da platéia, os quais foram também contagiantes!. Se tivesse sido cortado 25 a 30 minutos do filme, não prejudicaria em quase nada!.

Não acho que esse filme mereça o Oscar, embora o mesmo seja tecnicamente (ainda) um grande filme!. Mas levando em consideração o “Discurso do Rei” (2010) que foi agraçiado com a estatueta como melhor filme, eu não me surpreenderei com a decisão de premiar o “Artista”, que curiosamente é vendido como um filme francês, produzido pelo ator Thomas Langmann, filho do cineasta Claude Berri, mas com dinheiro americano– tanto o filme não foi escolhido pela França para ser o representante do país para concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

Nota 8,0 – pela criativa homenagem ao cinema!

O Artista (The Artist. 2011)

Seria cômico senão fosse patético! É que enquanto muitos Diretores chegam a basear seus filmes nos efeitos do 3D, para deleite nosso, de quando em vez, vem um e nos brinda com uma simplicidade ímpar ao contar uma história. Em 2009 tivemos os bonecos de massinhas meio toscos de Adam Elliot no seu “Mary e Max – Uma Amizade Diferente“. Agora, é a vez Michel Hazanavicius também remar contra o modismo e nos encantar com “O Artista“. Bravo!

Hazanavicius simplesmente conta a sua história como na época do Cinema Mudo. Como se tivesse filmado com o que hoje já seriam peças de museu. Mas não é apenas o pano de fundo, é a contextualização de uma época dentro da História do Cinema, e em especial, da de Hollywood. Pegando o início do fim de uma época: sai o Cinema Mudo e entra em cena o Cinema Falado. Já no finalzinho da década de 20, e início da de 30. E como um brutal coadjuvante também real: o Crash da Bolsa de Nova Iorque, em 1929.

Hazanavicius também faz, traz belas homenagens, pontuando a trama. No início do filme, temos o protagonista ora homenageando o galã da época Rodolfo Valentino – na telona, com o seu filme -, para depois nos agradecimentos à plateia fazê-lo num jeito Carlitos de ser. Mesmo com uma beca impecável, é com um sorriso enorme que a memória nos traz esse grande personagem de Charles Chaplin, e do Cinema Mudo também. Até por estar sempre acompanhado pelo cachorrinho. Paulo Autran disse certa vez que trabalhar com criança ou um animal é um risco: porque eles podem roubar a cena. Em “O Artista” não deu outra: o cãozinho Uggie rouba todas as cenas. Merece aplausos pela performance! E ainda dentro das homenagens de Hazanavicius, uma outra também encantadora: ao casal Ginger Rogers e Fred Astaire.

A história é simples, mas nem por isso não é complexa. Conta a carreira de um ator que não se rendeu ao Cinema Falado: George Valentin, personagem de Jean Dujardin. Do estrelato ao ostracismo. Ficou por anos usando a expressão corporal, e que não acreditava que falas nas cenas trariam diferenças significativas. Calcando-se mesmo em “Uma Imagem vale mais que mil Palavras!“. Mas nem tanto ao mar, nem tanto ao céu. Um som faz sim um grande efeito. Tanto, que durante as próprias exibições dos filmes mudos havia uma certa trilha musical nas Salas onde eram exibidos. E ótima a atuação de Jean Dujardin!

Valentin ainda no auge da fama se esbarra a uma aspirante a atriz, Peppy Miller (Bérénice Bejo. Gostei de sua atuação!). Ela cai de amores por ele. Mas Peppy segue em frente: acompanha o novo Cinema que chega. Sua carreira sobe, enquanto que a dele termina. Anonimamente ela até que tentou ajudá-lo. Mas ele se entregou às bebidas. Até o seu fiel mordomo, Clifton (James Cromwell), cansou de motivá-lo.

Bem, além de Drama, “O Artista” também é uma Comédia Romântica. Logo com todos os itens desse Gênero. Se no início o que separa o casal – Valentin e Peppy -, é o fato dele estar casado com Doris (Penelope Ann Miller), depois foi por orgulho mesmo. E dele! Mas no final Peppy arruma um jeito dele voltar à cena, e sem ter que sentir-se que traiu seus próprios princípios. Bravo Peppy!

E a ideia de Peppy enche novamente os olhos do antigo Produtor de Valentim, Al Zimmer. Personagem de John Goodman. Que aliás também rouba todas as cenas! Seu personagem ficou incrivelmente a cara do Cinema Mudo. Perfeita atuação! Os demais coadjuvantes estão ótimos, mas para mim Goodman e Uggie estão excelentes!

O filme cai um pouco de ritmo ao se estender no drama do Valentim. Se Hazanavicius tivesse acompanhado também o tempo de duração dos filmes daquela época, enxugando um pouco, até me deixaria uma vontade de rever, mas não deixou. Agora, vale sim, e muito, ser visto! Até pelo final memorável!

Então é isso! E também pelo Figurino, Fotografia, Trilha Sonora, Cenário, inclusive pelas falas-legendas tal qual do Cinema Mudo, “O Artista” é um filme excelente! Não deixem de assistir!

Nota 9,5

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Artista (The Artist. 2011). EUA. Direção e Roteiro: Michel Hazanavicius. Elenco: Jean Dujardin, Bérénice Bejo, John Goodman, James Cromwell, Penelope Ann Miller, Missi Pyle, Beth Grant, Ed Lauter, Joel Murray, Bitsie Tulloch. Gênero: Romance, Comédia, Drama. Duração: 100 minutos.

Curiosidades: Uggie, o cãozinho do filme irá se aposentar. Leiam na matéria de Priscilla Merlino: Uggie, a estrela canina do filme O Artista, vai se aposentar.

O Guarda-Costas (The Bodyguard. 1992)

O filme O Guarda-Costas é uma produção que visa destacar o dia a dia de um guarda-costas de uma celebridade. Na trama o mesmo se envolve com a diva protegida e a história toma um rumo diferente.

Na trama Rachel Marron (Whitney Houston) uma grande cantora e atriz, que está recebendo cartas anônimas e ameaçadoras, se vê obrigada a contratar um eficiente guarda-costas; Frank Farmer (Kevin Costner) é o caro contrato para desempenhar tal função.

A produção cinematográfica nos apresenta uma narrativa poeticamente romântica, onde a protegida se apaixona pelo seu guarda-costas, iniciando uma belíssima história de amor. No entanto Frank e Rachel não deixam este amor evoluir, pois quando estão juntos Rachel fica vulnerável. Paralelamente, novos atentados acontecem.

O filme nos apresenta inúmeros musicais, clipes que nos emocionam na voz da diva Rachel (Whitney Houston), produções digna ao Oscar.

Como cinéfilo não poderia deixar de fazer uma homenagem à gloriosa interpretação de Whiteny Houston a diva de ouro do pop, uma cantora que eternizou sentimentos, momentos, poemas e sua história em grandes musicais e produções que venceram inúmeros Grammy, levando o seu nome para o topo da paradas musicais do planeta.

Whitney foi reconhecida internacionalmente como uma das maiores artistas de todos os tempos, devido ao seu talento, legado e, principalmente, à sua voz marcante e lendária. Graças a esse talento vocal marcante, Whitney foi frequentemente chamada de The Voice (A Voz). Whitney é frequentemente comparada a grandes artistas do passado, como Frank Sinatra, Aretha Franklin e Elvis Presley e também está entre os 500 Maiores artistas de todos os tempos da Revista Rolling Stone.”

Voltando ao filme, fica visível que o amor vence “tudo”. Rachel e Frank, mesmo com os contratempos, vivenciam uma grande história de amor, algo que nos envolve.

Em suma, afirmo que o filme é uma das mais belas produções cinematográficas que traz como temática grandes concertos, drama, romantismo, um melodrama que encantou e emocionou inúmeros telespectadores do mundo todo.

“De Amor também se Morre” (“The Constant Nymph” 1943)

Em fevereiro, a grade do canal TCM – Turner Classic Movies-, é totalmente dedicado a “31 dias de Oscar.” Um dos filmes que assisti e que me apaixonei até aqui foi “De Amor também se Morre”.  Sempre quis ver este filme porque sabia que o mesmo nunca fora lançado em DVD ou VHS, e TCM tinha, e tem seus direitos.  Não sabia quase nada sobre o enredo do filme – apenas que era sobre uma menina que se apaixona por um amigo da família, o qual, conseqüentemente, se casa com sua prima.

As cenas de abertura do filme, ilustram a vida do clã Sanger, que vive longe das convenções da sociedade. As meninas da famila se deliciam com a vida rural. O patriaca, que é músico, morre, deixando-as aos cuidados dos tios. O amigo da família, Lewis (Charles Boyer), que também é músico, está de visita, e se rende ao charme de Florence (Alexis Smith), e logo se casa, sem saber que a prima da esposa, Tessa (Joan Fontaine ) morre de amores por ele. Tessa e a irmã são enviadas para Englaterra, onde passam a estudar, mas não se sentem felizes com a vida academica, e pedem “abrigo” na casa de Lewis. Ele vive numa crise criativa para compor, e logo, Tessa se torna a sua fonte de inspiração — ela é única pessoa capaz de compreendê-lo.

Hitchcock foi a primeira opção para dirigir o filme – sua esposa Alma Reville foi quem escreveu o roteiro para a primeira versão do livro de Margaret Kennedy, em 1928–, mas o diretor de “Of Human Bondage” (1946), ficou com a missão de transpor o livro de Kennedy para a tela na segunda versão falada. Como o titulo do livro sugere, Kennedy usa mitologia grega como fonte– ao contrário dos deuses, ninfas são mortais, e, geralmente, espíritos felizes, considerados divinos. Fontaine dá vida essa ninfa (Tessa), uma menina de 14 anos, que “morre” de amores por um homem mais velho, o qual vem a sentir o mesmo por ela. Fontaine me surpreendeu — uma atriz que apesar de bela, nunca fui fã–, em cenas onde ela alegremente corre ao redor da casa ou no quintal, ou em outras cenas, em que, parece inocentemente perdida diante do amado. Não que Fontaine pareça ter 14 anos porque ela sempre foi uma mulher de traços marcantes, mas o maneirismo travesso de menina, e a sua delicadeza enriquecem a sua interpretação. Ela é tão convincente como Tessa, que eu nem percebi que ela já tinha 26 anos quando fez o filme. Creio que não seria fácil encontrar uma atriz de 14 anos para fazer um papel de uma “ninfa”, em 1943—mais tarde o termo ninfa fora ” mordenizado” – com conteúdo erótico por Vladimir Nabokov-, que passou a usar ninfeta,  em seu livro Lolitta (1954).

Honestamente, fiquei encantado com o filme da primeira a última cena – os cenários e figurinos são perfeitos, a bela trilha sonora de Eric Wolfgang Korngold, se enquadra ao tema delicado do filme, de uma forma sublime. O atores são incríveis, em especial Alexis Smith, que também brilha como Florence — a cena que ela tem um confronto dramático com Tessa,  é incrivelmente comovente. O extraordinário Charles Coburn, que interpreta o pai de Florence,  rouba as cenas que parece – que ator mavilhoso!. Boyer que sempre brilha, faz um homem triste, e “cego”, pois demora a perceber o amor de Tessa por ele. O ciúme de Florence, o aproxima da menina – e através de seus olhos, é possivel notar o seu amor por Tessa!.

Achei o filme muito bem coreografado – se assim posso dizer-, e muitas vezes, é possível ver um ator de pé com as costas para a câmera, quase como expectador!. Embora um pouco longo – quase duas horas de duração!-, Edmund Goulding fez um filme bastante crível e interessante.

Nota: 9,0

Indicação ao Oscar de Melhor Atriz: Joan Fontaine.