Não Conte à Ninguém (Ne Le dis à Personne. 2006)

Eu gosto muito do Cinema Francês. E esse filme veio somar a esse gostar. Ele dosa na medida certa Suspense e Drama na vida de um Pediatra. A mim, me deixou ligada o tempo todo. A estória é longa? É sim, mas nem um pouco cansativa. Assim, eu poderia apenas dizer: Não deixem de ver “Não Conte à Ninguém“! Mas o filme leva a algumas reflexões que fica difícil não citar quais são elas. Tentarei não trazer spoiler.

Até onde você iria por amor a uma pessoa? Ou mesmo a algo. Colocaria pesos diferentes em relação à proximidade delas? Tipo: Filhos sendo mais importantes do que um cônjuge, por exemplo. Quem ama mata? Mata para defender a pessoa amada? Mata para encobrir os erros desse ente querido? Um crime para encobrir um outro crime, que atenuantes daria? Algo que começou errado teria como dar certo depois? Ou teria que tentar apagar aquilo da mente? O que estaria em jogo, o perdão a esse que errou, ou vê que aquilo realmente não importa a si próprio?

Mas que teria de fato motivado o personagem principal a tentar descobrir o que aconteceu?

Tantas indagações e ainda nem contei do que se trata esse filme. Num resumo: Alex (François Cluzet) ainda não se refez de todo do assassinato de sua esposa Margot (Marie-Josée Croze). Nem poderia, devido a brutalidade do crime. Passados oito anos, o caso é reaberto. Pior! De vítima – já que também fora agredido -, Alex torna-se o principal suspeito. Paralelo a isso ele recebe um email cujo título é o do filme: Não Conte a Ninguém. O que ele vê, o faz acreditar que sua esposa está viva.

Alex então foge do cerco policial para tentar descobrir o paradeiro da esposa. Contando com a principal ajuda de um traficante de drogas, cujo filho ele socorreu, e devido ao diagnosticar corretamente, livrou esse pai de ser preso por acharem que espancara o filho. Numa dívida de gratidão, leva Alex ao até então suspeito do crime.

Eu sempre achei que mentir é muito complicado. Dizer a verdade é muito mais simples. Até porque para manter essa mentira, se faz necessário contar com que outros mintam também. Ou, que omitam o que sabem para não levar o envolvido a sofrer ainda mais. Compliquei? É que isso também faz parte da trama.

Não Conte à Ninguém” é um ótimo filme. Como citei no início, um Suspense de nos manter atentos. Além da Fotografia, a Trilha Sonora é um coadjuvante importante. Como exemplo: “With Or Without You”, de U2  .

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Não Conte à Ninguém (Ne Le dis à Personne / Tell No One). 2006. França. Direção e Roteiro: Guillaume Canet. +Elenco. Gênero:  Crime, Drama, Policial, Suspense. Duração: 130 minutos. Baseado no livro homônimo de Harlan Coben.

Quem Quer Ser Milionário?

Uma produção indiana sobre a direção de Danny Boyle que invade as telonas em 2008 trabalhando com propriedade o drama, comédia, suspense, ação e ao mesmo tempo dando vida as imagens que em muitos momentos se confundem com a realidade.

Ao analisar o filme nos deparamos com uma realidade cruel que afeta várias cidades e países do mundo; estamos falando da superpopulação e a má distribuição de renda.

Dentro desta perspectiva notamos que Jamal Malik o protagonista do filme juntamente com Mali seu irmão e a amada Latika enfrentam diversas adversidades que colocava as suas vidas em risco.

Jamal mesmo com o seu destino complicado com relação a sua condição social, o qual ele se encontrava eliminado pelo próprio sistema, no entanto ele conseguiu entrar em um dos mais famosos programas da TV indiana “Quem quer ser milionário”.

O que era dor e sofrimento no passado de Jamal transformou-se em um passaporte para conquistar a sua liberdade; provando que não é a condição social que importa e sim a força de vontade e determinação que possuímos dentro de nós e que pode nos levar a um encontro direto com o destino.

Jamal com suas inúmeras experiências adquiridas ao longo de seu destino conseguiu responder com propriedade todas as perguntas do programa e mesmo sendo censurado pelo próprio apresentador ele foi autentico e provou que um favelado também tem dignidade e é um ser humano que merece respeito.

Em suma, Jamal tornou-se um milionário, perdeu seu irmão que já havia arquitetado o seu destino e conseguiu encontrar com sua amada Latika cumprindo o que estava escrito.

Portanto é visível que a belíssima produção cinematográfica conseguiu romper com as fronteiras da Índia fazendo sucesso em Hollywood, sendo indicada e ganhando vários oscares, além de conquistar um numero gigantesco de bilheterias.

Depois da Vida (After Life. 2009)

A cada dia de vida é também um de despedida. E.B.

After Life

Viver nada mais é que morrer a cada dia. Viver é para poucos. A única certeza da vida é a morte. Ninguém sabe o dia de amanhã. Para morrer, basta estar vivo. Está achando o assunto macabro? Quem aqui nunca ouviu ou pronunciou alguma dessas frases? Lembrei-me desse assunto após assistir ao filme After Life (Depois da Vida), que considero o mais instigante dos recém-lançados. Este ‘garimpei’ numa locadora. Há tempos uma história assim não mexia com o meu emocional, o último foi Império dos Sonhos de David Lynch. After Life é um thriller de terror psicológico. Um jeito despojado de contar uma história banal num formato poético e com pitadas de humor negro. O tema nada mais é que um assunto que está super na moda ultimamente no mundo da sétima arte: o que acontece depois que se morre? Existe vida após a morte? Vide Nosso Lar, Chico Xavier, Além da Vida (com Matt Damon) etc, entre outros em cartaz. É o primeiro longa da diretora e roteirista polonesa Agnieszka Wojtowicz-Vosloo que chegou ‘grande’, não deixando nenhuma dúvida para o que veio. O elenco foi cuidadosamente escolhido, contando com a talentosa Christina Ricci que me surpreendeu desde cedo em A Família Adams; o carisma de Liam Neeson no magistral filme A Lista de Schindler e os outros gabaritados, como Alfred Molina, Justin Long, Josh Charles e ainda Chandler Canterbury.

Depois da Vida é um filme inteligente e original. O mais intrigante do ano de 2010. O expectador sai da sessão sem saber o final. E vai discutir em rodas de amigos e cada um argumentará e defenderá seu ponto de vista e não se chegará a conclusão alguma. A dúvida persistirá. Vai se pensar neste filme por um longo período. Talvez chegue a um denominador comum guiado pelas pistas e sinais deixados no decorrer da história. Talvez predomine o bom senso. Mas será o final que de fato o diretor formulou para prevalecer? É uma obra aberta, não escancarada e depois de pronta não tem mais dono, pertencendo a quem se apossar dela, então posso resumir a história que em nada influenciará a quem ainda não assistiu, ou a parte que me pertence.

É a história da jovem Anna (Christina Ricci) que depois de sofrer um acidente de carro é levada para uma funerária local a fim de que seu corpo seja preparado para o velório. A partir daí coisas estranhas começam a acontecer. Ela parece estar viva. Morreu ou não morreu? Eis a questão. O agente funerário Eliot Deacon (Liam Neeson) pode ser um maníaco e a jovem estaria correndo risco de vida (?) e prestes a ser enterrada viva. É tudo verdade ou imaginação?

Confusa, e sentindo-se mais viva do que nunca, começa o drama e a agonia de Anna que enfrenta o diretor da funerária. Anna é (era) professora de ensino fundamental, e nesse dia, coisas estranhas acontecem com ela. O namorado, logo cedo na cama, percebe que ela não estava bem. Ambos vão para o trabalho e combinam de sair para jantar nessa noite. Nesse mesmo dia, após o trabalho, Anna vai à funerária para o velório de um amigo. Lá ela percebe que o defunto se mexe. Seria imaginação dela? Depois Anna resolve passar num salão de cabeleireiro para mudar radicalmente o visual, substituindo o tom escuro dos cabelos para um vermelho vivo. No meio do jantar, o seu noivo decide fazer duas surpresas: entregando-lhe um anel como pedido de casamento e informando que fora promovido e que seria transferido para outra cidade e ela deveria acompanhá-lo nessa mudança. No meio da conversa nesse jantar, Anna entende tudo errado, o casal discute no restaurante, e ela nervosa, sai desesperada, dirige em alta velocidade e acaba sofrendo um acidente. Somente a família é avisada e Paul, o noivo, por enquanto nada sabe.

Paul estranha que nessa noite sua noiva não voltou para casa, nem fazia idéia que nesse momento ela já se encontrava numa funerária. A mãe de Anna vai à funerária e decide enterrar sua filha dois dias depois do ocorrido. Lá começa algo sobrenatural entre a morta (?) e o diretor da mesma. Eliot prepara a moça para o funeral e a partir daí é com o expectador, e começa a viagem entre o estar ou não vivo/morto. Anna não acredita estar morta, apesar de o diretor da casa funerária lhe garantir que ela se encontra numa fase de transição para o “pós-vida”. Anna pergunta como ela pode estar morta se está conversando com ele. E ele lhe responde que tem a capacidade de conversar com os mortos. Afinal, quem está enganando quem? Anna tem certeza que não morreu. O agente funerário lhe aplica uma injeção e inventa uma história dizendo que é para o cadáver estar apresentável no velório. O expectador poderá transitar nessa história entre a verdade e a mentira; morte e vida, natural e sobrenatural algumas vezes. Há situações dando a atender que ela está viva: em um momento, Anna fica sozinha e Eliot esquece a chave da sala lá, e ela tenta sair, mas a chave quebra, e ele, o diretor da funerária, quando descobre que a esqueceu, volta desesperado para lá e sente-se aliviado por saber que ela não conseguiu sair. É uma aventura e tanto desvendar esse mistério, não acha?

A diretora magistralmente desconstrói o gênero terror, e sob uma nova ótica, num exercício elegante e excitante brinca, criativamente, com a metalinguagem. Brinca também com o expectador e inova com as convenções cinematográficas. Reorganiza os signos lingüísticos e seus significantes e significados de Morte, Pós-Morte e Vida. Caríssimo, conhece aquela outra frase “Tem muita gente que já morreu andando por aí e não sabe.”? Pois então, o expectador sai meio angustiado da sessão, também pelas dúvidas que inconscientemente são plantadas na mente. Além de tentar descobrir o que aconteceu com a personagem terá que descobrir o que acontece consigo mesmo. Talvez você se pergunte será que estou vivo? É bom estar vivo? Eu quero estar vivo? Ainda bem que estou vivo? Eu morri? Eu morri e não sei? Isso tudo não passa de brincadeira de mau gosto? Só se pensa na própria morte quando alguém próximo morre. Vai querer resolver isso num divã. Diria que é novo formato de narrar o sobrenatural, em poético-dramática sacudindo o “da poltrona” a fim de despertá-lo para a vida e para todas as reflexões possíveis, sobre a grande arte de se viver.

Há várias pistas para o expectador tentar desvendar o mistério que paira sobre After Life, entre estar vivo ou não, a protagonista morreu ou não? Decifre, se for capaz! Quando Anna está finalmente preparada para que velem o seu corpo, Eliot, pergunta-lhe se ela deseja sair para a vida ou continuar lá. Agora é com você, leitor, se quiser descobrir o final da história, não deixe de assistir.

Excepcional. Realmente cinema é a maior diversão. Psiu! Ei, você aí que está vivo, não deixe de testemunhar esta história!
Karenina Rostov

Agradecimento: Tiago Soares – Criador do desenho acima
*

Sinopse: Após sofrer um terrível acidente de trânsito, Anna (Christina Ricci) desperta sobre a mesa de trabalho de uma funerária. Eliot Deacon (Liam Neeson), o diretor do local fala que ela não está viva, mas que se encontra na transição entre a vida e a morte e que ele pode falar com ela porque tem a capacidade de se comunicar com os mortos. Assim, ele é o único que pode lhe oferecer ajuda. Paul (Justin Long), o noivo de Anna, sente que algo não vai bem e tem a percepção de que alguma coisa estranha acontece na funerária onde o corpo de sua noiva está sendo preparado para o funeral.

Título Original: Além da Vida

Gênero: Suspense / Thriller / Drama

Direção: Agnieszka Wojtowicz-Vosloo

Elenco: Liam Neeson, Christina Ricci, Celia Weston, Justin Long, Chandler Canterbury, Luz Alexandra Ramos

Ano de Produção: 2009

Lançamento Dezembro: 2010

Origem: EUA

Duração: 104 minutos

Enjaulados (Detention. 1998)

O filme nos mostra uma realidade vivida por muitos professores que são violentados e até torturados por seus alunos. O professor do filme “Enjaulados” não conseguia disciplinar seus alunos; garotos minados e ricos que não valorizavam nada que havia a sua volta.

Assim o professor bolou um plano, algo sinistro, tentou ganhar apoio de um das professoras, mas não conseguiu. Então ele embarcou em um passeio com seus alunos problemáticos. O professor levou os alunos para um sitio um local de disciplinarização, ou seja, jaulas onde o professor seria o ultimo a dar a palavra.

Os alunos ficaram nus, foram torturados ao extremo, presenciando a morte teatral de um dos colegas, algo forjado pelo professor com objetivo de levar os alunos a compreensão dos simples valores da existência.

Os alunos tornaram seres humanos novamente, pessoas amáveis e que valorizavam o seu próprio eu.

No final o professor forjou sua própria morte e os alunos foram libertados, levando as experiências nunca antes vividas e que foi de extrema importância para o crescimento pessoal de cada um deles que transformaram aqueles momentos em uma receita transferida para o mundo em forma de livro.

Enjaulados (Detention. 1998). EUA. Direção e Roteiro: Andy Anderson. Elenco: John Davies (Walmsley), Marsha Dietlein (Louise), Susana Gibb (Julie), Meason Wiley (Davey), Jonathan Brent (Willie), Rebecca Sanabria ( Maria), Brandy Little (Tracey), Kirk Kelley-Kahn (Tony), Forest Denbow (Joey), Gail Cronauer (Nunca), Steve Fromholtz (Harrison). Gênero: Suspense. Duração: 86 minutos.

Inverno da Alma (Winter’s Bone. 2010)

Inverno da alma” (Winter’s Bone. 2010) é o filme independente do ano. E, é também um gênero novo de cinema:  vai do noir- caipira; do realismo-naturalista apresentado pela produções independentes, ao gênero gangster.

A ação ocorre em Missouri, onde a adolescente Ree (Jennifer Lawrence) vive com sua mãe catatônica. O pai está ausente, então Ree precisa cuidar dos irmãos mais novos. A jovem pensa em entrar para o exército dos EUA, por conta do bônus em dinheiro de 40.000 dólares prometido pelos cartazes de recrutamento. Mas o destino literalmente bate à sua porta, e tudo muda: o xerife local informa a garota que o seu pai foi libertado da prisão sob fiança e está foragido. E, se ele não se apresentar ao tribunal em uma semana, a familia de Ree vai perder  a propriedade, e a casa (quase em ruínas!).

Ree assegura aos policiais que ela vai encontrar o seu pai – não importa como. Ao assumir o fardo, a jovem de 17 anos começa a desenterrar alguns segredos muito perigosos. Todo mundo que  “aparece” no seu caminho tem algum segredo sobre o pai de Ree, e  o mais interessante, e que essas pessoas parecem ser “parente” da menina, pelo menos de um modo distante, e quando Ree pede ajuda, o segredo fica mais escuro.

O ponto alto do filme:

A personagem Ree – Jennifer Lawrence que tinha chamado a atenção no filme “Vidas que se Cruzam” (The Burning Plain, 2009) -, tem  em Winter’s Bones, um desempenho fascinante. A sua determinação feroz e a naturalidade da atriz chega ao ponto onde se pode  perguntar se Ree é realmente  real e não um ator atrás do personagem.

Do mesmo modo, posso mencionar a belissima atuação de John Hawkes, que vive o tio de Ree, Teardrop. O personagem luta contra a honra e as filiações com sua turma de bandidos e a lealdade à sua família. Um papel rico em detalhes.

O  ponto fraco:

A história se sustenta no uso da imaginação, isto é, as associações não são solidificadas, o que torna o enredo um tanto quanto conturbado e impenetrável como a paisagem de tanta miséria. Me pareceu que os personagens acham que eles entendem e acreditam que sabem o que realmente aconteceu, mas não há nada sólido.

O filme “Inverno da Alma”  pode ver visto como primo- irmão do filme de Courtney Hunt, ‘Frozen River’ (2009), mas a diretora Debra Granik cria uma tensão incrível, e apresenta um extraordinário final de horror: me pareceu como um pesadelo. A visita horrível a um lago iluminado pela lua, o uso de uma moto-serra, e… não, vou contar o resto.

Embora seja um pouco cansativo, de certa forma, o filme se concentra no medo e na ansiedade. E faz o máximo proveito de tão pouco. A direção firme, a fotografia muito bela, o roteiro inteligente, e o elenco espetacular.  Vale a pena ser visto!

Um Homem Misterioso (The American. 2010)

O título dado no Brasil até que trouxe uma peça para se tentar descobrir quem seria o tal homem. Mas quem seria ele? Um matador de aluguel? Um, de muitos que há por ai. O título original diz de onde esse veio. E virou uma alcunha, quando dele falavam no lugarejo onde se instalou por um tempo. Um lugar encravado numa das montanhas da Itália: Castel del Monte.

Antes de ver o filme ao ler uma sinopse ela me fez pensar em ‘Layer Cake‘. Primeiro fiquei a pensar se teria o mesmo desfecho. Depois, se esse aqui seria tão bom quanto o outro. E o que traria de diferencial entre tantos filmes com matadores profissionais.

Verdade seja dita, o carimbo do passaporte veio com essa dobradinha, esses dois colírios: George Clooney + Paisagens da Itália.

Seu personagem já no início do filme mostra que ele não é um qualquer, que mata sem dó nem piedade. O que faz criar uma expectativa maior com relação a trama. Ainda o vemos se cercar de cuidados quanto a sua segurança. Mas a estória perdeu o rumo depois dai. Ou eu que viajei demais por ter o George Clooney no elenco desse filme, esperando por um bom drama.

No livro, o qual foi baseado, até pode render uma boa estória. Mais ainda se aprofundou na relação dele com o pároco local. Culpas, expiações, pecados, absolvição… se houvesse mais no filme, ai sim seria um bom diferencial: a amizade dos dois.

O Padre, sem saber, o ajuda a construir uma arma. A arma que será usada para matar alguém. E quem seria esse alguém? Como quem estaria por trás de tudo? Mais até, ele estaria ali só para construir essa arma?

Além dos dois colírios citados, outro ponto que fica no filme, e a título de curiosidade, está em mostrar que para quem entende do assunto, aquilo que as barreiras alfandegárias não enviam, encontrará as outras peças, ferramentas e materiais, numa oficina de desmanche de carros. As sucatas se transformando em uma arma que atinge o alvo de longe.

Um outro ponto negativo do filme, foi a falta da espontaneidade dos italianos. Do modo de falarem também por gestual. Até a língua italiana que eu gosto de ouvir, foram pouco usadas. Como desculpa: prostitutas aprendendo a língua inglesa. Para mim o real motivo seria que os americanos, em maioria, não gostam de verem legendas em filmes.

E ao término do filme me peguei a pensar se um outro Diretor teria feito da estória um bom filme. Como também me fez continuar gostando muito de ‘Layer cake’. Já que ‘Um Homem Misterioso‘ é bem mediano. Mesmo com os dois colírios – Clooney e Itália -, não recomendo. No máximo, esperem passar na tv.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Um Homem Misterioso (The American). 2010. EUA. Direção:  Anton Corbijn. Elenco: George Clooney (Jack / Edward), Thekla Reuten (Mathilde), Irina Björklund (Ingrid), Johan Leysen (Pavel), Paolo Bonacelli (Padre Benedetto), Violante Placido (Clara), Filippo Timi (Fabio), Anna Foglietta (Anna), Patrizio Pelizzi (Antonio). Gênero: Crime, Drama, Romance, Suspense. Duração: 105 minutos. Baseado no livro de Martin Booth, ‘A Very Private Gentleman’.

Jacob’s Ladder (Alucinações do Passado. 1990)

Quem assistiu ao último episódio de Lost, porém não entendeu, poderá encontrar neste cult um bom caminho para ser seguido, visto que ambas as temáticas caminham de mãos dadas e a influência do filme nas diretrizes de Lost não podem ser negadas.

Arrisco a dizer, inclusive, que a ideia principal de Lost é basicamente uma proposta mais elaborada de Jacob’s Ladder (em português, Alucinações do Passado). Enquanto as inúmeras personagens de Lost trazem consigo uma trama complexa, aliada aos mistérios provenientes da ilha, Jacob’s Ladder se resolve em menos de duas horas.

Os fãs de Lost que haviam aproximado o seriado deste filme já haviam dado pistas do final há algum tempo.

Antes de irmos para a trama do filme, vale ressaltar que Jacob’s Ladder é um termo que se refere ao livro de Gênesis (28:11–19), a qual o filme pode ter sido inspirado. Para conhecimento, segue os versículos bíblicos:

E chegou a um lugar onde passou a noite, porque já o sol era posto; e tomou uma das pedras daquele lugar, e a pôs por seu travesseiro, e deitou-se naquele lugar.
E sonhou: e eis uma escada posta na terra, cujo topo tocava nos céus; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela;
E eis que o SENHOR estava em cima dela, e disse: Eu sou o SENHOR Deus de Abraão teu pai, e o Deus de Isaque; esta terra, em que estás deitado, darei a ti e à tua descendência;
E a tua descendência será como o pó da terra, e estender-se-á ao ocidente, e ao oriente, e ao norte, e ao sul, e em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra;
E eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra; porque não te deixarei, até que haja cumprido o que te tenho falado.
Acordando, pois, Jacó do seu sono, disse: Na verdade o SENHOR está neste lugar; e eu não o sabia.
E temeu, e disse: Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a casa de Deus; e esta é a porta dos céus.
Então levantou-se Jacó pela manhã de madrugada, e tomou a pedra que tinha posto por seu travesseiro, e a pôs por coluna, e derramou azeite em cima dela.
E chamou o nome daquele lugar Betel; o nome porém daquela cidade antes era Luz.

Segundo o wikipedia, uma das diversas representações de Jacob’s Ladder aparece no quarto episódio da sexta temporada (chamado O Substituto) de Lost, o que evidencia ainda mais a conexão entre o filme e a série.

Agora sim, chega de Lost e vamos a trama do filme!

Inicialmente nos é retratado um acampamento americano em plena guerra do Vietnã, a qual é atacado subitamente. Durante o ataque, alguns soldados começam a ter comportamentos insanos e Jacob Singer – a personagem principal – na tentativa de fuga acaba sendo esfaqueado por uma baioneta.

Na sequência, vemos um Jacob num mundo onde é atormentado por lembranças da guerra, alucinações e a culpa por ter deixado o seu filho morrer antes de ir para a guerra.

Dia após dia, Jacob começa a vislumbrar coisas esquisitas, aparições demoníacas e passar a buscar a explicação para estes delírios.

Em sua trajetória, um amigo lhe diz que ele está morto, porém a não aceitação faz com que ele seja atormentado por demônios, que queimam as partes de Jacob que não desejam abandonar a vida, como as memórias. Eles não tentam puní-lo, mas apenas libertá-lo. Caso ele conseguisse ficar em paz, os demônios virariam anjos e os libertariam da Terra, o que indica que o bem e o mal são diferentes faces da mesma moeda, uma experiência relativa para aquele que a vive.

De imediato, ele acredita ser vítima de algum experimento no exército americano, que teria lhe deixado num estado quase insano. Logo se encontra com os seus colegas sobreviventes na campanha do Vietnã, que também vislumbram coisas estranhas e concordam em buscar um advogado que pudesse lhes representar contra o governo americano. Porém logo todos os seus colegas desistem da ideia no dia seguinte. Não acreditando, decide ligar para um deles, que melancolicamente diz “o que aconteceu lá aconteceu, nada mais pode ser mudado”.

Jacob continua sua empreitada e descobre que realmente eles foram vítimas de uma droga que aumentava a agressividade, logo concluímos que Jacob foi atacado não por um inimigo, mas por algum membro de seu próprio batalhão, o que explica por que eles foram pegos desavisados.

No fim sabemos que Jacob nunca saiu do Vietnã, que todos os acontecimentos apresentados fora do exército era uma espécie de purgatório provocado por uma experiência de pré-morte. Neste universo criado por Jacob, assim que ele encontra a paz, após conformar se com a situação, ele encontra o seu pequeno filho, cuja lembrança de sua morte lhe persegue por todo o filme. Os dois dão as mãos e sobem as escadas em direção à uma forte luz.

Assim que Jacob passa pelas fases do purgatório, como a redenção e a resignação, ele aceita a sua morte e fecha os olhos para sempre.

Como dito, é um ótimo filme para aqueles que já estão com saudade de Lost e querem encontrar mais referências e temáticas parecidas. Mesmo aqueles que não se envolveram com a série, podem assistir que não irão se decepcionar. Se trata de algo realizado há 20 anos e que desperta elogios por parte daqueles que prezam o gênero suspense, drama e horror, sem perder o estilo cult.

Mother – A Busca pela Verdade (2009)

Hye-ja é viúva e dedica a vida a seu único filho Do-joon que, apesar de ter 28 anos, é totalmente dependente dela. Quando o corpo de uma menina é encontrado num prédio abandonado próximo à sua residência, o tímido Do-joon passa a ser considerado o principal suspeito. Mesmo sem evidências incriminatórias, a vontade da polícia em fechar o caso, e a incompetência do advogado de defesa, fazem a condenação parecer inevitável. Sem escolha, e determinada a provar a inocência do filho, Hye-ja decide encontrar o assassino sozinha.

O crítico do jornal “O Globo” Ruy Gardnier acertadamente citou Alfred Hitchcock quando criticou o novo filme do coreano Bong Joon-ho, o estranho e envolvente “Madeo” no original. Realmente é impossível não lembrar o mestre do suspense nesta pequena obra-prima, embora o estilo deste filme seja completamente diferente, original e único conservando apenas a tensão e o mistério que impregnam toda a estória.

A trama é quase confusa mas tem um ponto central que amarra com habilidade os muitos acontecimentos: O amor incondicional de uma mãe de sentimentos ambíguos (Kim) para proteger o filho doente Do-Joon, suspeito de um terrível assassinato.

O último filme de Bong, “O Hospedeiro” um terror bizarro de muito sucesso, também surpreendia por inovar completamente o conceito de filme de monstro acrescentando qualidade e peculiaridade a um gênero desgastado. Desta vez, o diretor molda com genialidade o suspense inserindo humor absurdo e elementos novos, criando uma arte inédita nas telas.

Em Mother – A Busca pela Verdade a abertura e o desfecho fecham um ciclo perfeito explodindo numa catarse bela e idílica, ainda que utópica. Afinal só é possível fugir de uma situação insuportável com um simples ponto de acupuntura nas mãos de um exímio cineasta.

Por: Carlos Henry.

Mother – A Busca pela Verdade (Madeo). 2009. Coréia do Sul. Direção: Joon-ho Bong. Roteiro: Eun-kyo Park, Joon-ho Bong, Wun-kyo Park. Elenco: Bin Won (Yoon Do-joon), Hye-ja Kim (A mãe). Gênero: Crime, Drama, Suspense, Thriller. Duração: 128 minutos.

O Segredo dos Seus Olhos (El Secreto de sus ojos. 2009)

Da Filmografia de Juan José Campanella, já tinha visto: ‘O Filho da Noiva‘ (2001) e ‘Clube da Lua‘ (2004). Dois filmes que recomendo. Esse, ‘O Segredo dos Seus Olhos‘, quis muito ver antes da entrega do Oscar 2010, mas mesmo não sendo possível, me emocionei com a premiação de Melhor Filme Estrangeiro. Campanella merece!

Em ‘O Segredo dos Seus Olhos‘ temos a vida de um homem passado a limpo. São 25 anos que serão revistos, minuciosamente, através de um livro. O qual ele se dispôs a escrever após aposentado. Numa tentativa de entender porque não viveu na plenitude. Porque apenas exerceu seu ofício. Teria sido por timidez? Faltou-lhe arrojo? Ousadia? Tesão? Porque paixão existia. Desde que olhou pela primeira vez para uma certa mulher. Ou melhor, ambos se olharam, e nesse primeiro olhar muito disseram, mas nada sonorizado… Teria sido a diferença social que impedira essa união?

Ele é Benjamin Esposito (Ricardo Darín). Escolhe como trama principal desse seu livro: o estupro e assassinato de uma jovem. Um crime que ele e seu companheiro de perícia, Sandoval (Guillermo Francella), mas a recém empossada juíza, Irene (Soledad Villamil), chefe dos dois, elucidaram.

Criminoso julgado, sentenciado por prisão perpétua. Mas que o rumo político que se instalou na Casa Rosada… o criminoso serviu a outros propósitos… Para aqueles que se esforçaram, que foram até proibidos, oficialmente, de continuarem com as investigações… pela jovem morta… para o seu marido… isso manchava a verdadeira Justiça para qual aquele Tribunal fora erguido.

Mais que tentar entender essa injustiça… Benjamin queria entender o vazio que ficou em todos aqueles anos. Era como ter perdido parte da sua própria estória. Temor político, até se justificava. Melhor se acovardar, e continuar vivo, do que ser morto por um gesto heróico por um governo violento.

Falando em injustiça… havia mais uma morte a pesar nos ombros de Benjamin. Se a da jovem, pesava uma posterior impunidade… essa outra em questão, pela pessoa ter sido assassinada em seu lugar.

A estória corre em paralelo com duas épocas distintas. Uma, onde tudo se iniciou; em 1974. E a atual, ele já aposentado, escrevendo o livro. Por conta de usar uma velha máquina de escrever, onde falta a letra “a”, seu subconsciente também começou a responder assim…

Embora sendo tensa uma grande parte do filme, até por nos levar a querer conhecer toda a estória… há momentos de ternura, entre Benjamin e seu grande amor. Como também há um lado divertido em grande parte das cenas entre Benjamin e Sandoval. Principalmente, quando Sandoval atende os telefonemas na seção. Ele, é das pessoas que encara com humor as vicissitudes da vida. Um investigador por vias tortas… que enxergou a peça fundamental para pegarem o assassino…

As pessoas podem mudar tudo, mas há uma coisa que não podem mudar, nem ele, ou eu, ou você… ninguém. Não se pode trocar de paixão.

E qual seria o segredo daqueles olhos? Veja o filme. Resista a ver esse spoiler:

Você deveria ver seus olhos. Estão sempre em um estado de “puro amor”. Consegue imaginar que exista um amor assim? Sem o desgaste do cotidiano, das obrigações…

Um ótimo filme! Atuações brilhantes! Mas não me deixou vontade de rever.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Segredo dos Seus Olhos (El Secreto de sus ojos. 2009). Argentina. Direção e Roteiro: Juan José Campanella. +Cast. Gênero: Crime, Drama, Policial, Romance, Suspense. Duração: 127 minutos. Baseado no livro ‘La Pregunta de sus Ojos’, de Eduardo Sacheri.

Código de Conduta (Law Abiding Citizen)

Vi o trailer desse filme quando fui ver ‘Substitutos‘, e gostei da trama. Assim, assisti. E… Eu também gosto de filmes que nos traz os bastidores de um Tribunal de Júri. Os acordos entre as partes. Ou seria, os conchaves? Mais uma outra motivação veio se unir. Foi em lembrar do Conselho de Ética do Senado em 2009. Chega a dar náuseas. Como teve “acordos” nos bastidores. Tudo elevando a uma oitava maior: a impunidade na política do Brasil.

Impunidade! Só tendo esse termo em mente, que eu engoli o fato de em ‘Código de Conduta‘ ter um final politicamente correto, mas para o Tio Sam. É! Torci para um P.I. Meio paradoxal. Embora querendo ver o fim da impunidade nos Três Poderes, no mundo real, eu quis desse filme, algo do tipo: que exploda com eles. Seria catártico!

Nossa! Já comecei falando do fim, sem nem contar do início. E qual seria ele? Uma tragédia que bate à porta de um pacato cidadão, Clyde Shelton (Gerard Butler). Dois ladrões – Darby (Christian Stolte) e Ame (Josh Stewart)s -, não contente no saque na casa, matam a esposa e a filha de Clyde. Nem é um spoiler, porque isso é que irá deslanchar toda a trama do filme. Entrando o outro lado da balança: O ambicioso Promotor Público Nick Rice (Jamie Foxx). Ao longo do filme, cheguei a pensar se um outro ator teria agigantado esse personagem. Não que o Foxx tenha saído mal. Mas ficou devendo uma grande atuação. Quero vê-lo em ‘Ray‘.

Rice, pensando muito mais nos seus – 96% de causas ganhas -, faz um acordo nojento. O que deixa Clyde com raiva de todo aquele circo. Que Justiça era aquela que aceitava aquilo? É de enlouquecer um cara que estando amordaçado e amarrado, viu assassinarem cruelmente seus bens mais preciosos: filha e esposa. E agora, se via também atado e com um cale-a-boca-e-aceite vindo de quem estava ali para punir os infratores. Que Lei era essa? Ou, que servidores públicos eram esses que fecharam os olhos a um crime hediondo?

Então, o filme dá um salto de 10 anos. De cá, pensei: ‘É muito tempo!’ Daria tempo até do cara recomeçar sua vida. Catar os cacos… Enfim, seguir em frente com uma grande ferida no coração. Já que o tempo cicatriza… Por outro lado, até pelo o que eu contei no início… Fiquei na torcida por ele. Que não faria somente uma simples vingança. E não fez!

Clyde quis, mais que lutar, provar o quanto o Sistema era injusto. Já que a Justiça responde mesmo ao o que se pode provar à ela… Ele usaria da mesma arma. Num: prove se for capaz… Mas nem provaram, como o Sistema mais uma vez fechou os olhos… Pior! Mandou às favas toda conduta ética. E o que fizeram foi injusto!

Esse filme também me fez lembrar algo dito pelo jornalista Caco Barcellos numa entrevista na TV. Que por conta do seu livro – Rota 66 -, fez uma pesquisa, e nela viu que 93% da população carcerária no Brasil tem uma renda inferior a 3 salários mínimos. 93% é um percentual muito grande. Como se àqueles que podem pagar por Firmas de Advogados, sairão impunes de seus delitos. (E eu gostaria de saber de quanto seria esse percentual agora.)

Mais que uma caça ao rato, Rice corta um dobrado em, primeiro descobrir como parar um assassino que já está atrás das grades. Depois, em mostrar que o Sistema funciona sim. Imperfeito, mas necessário ao mundo civilizado. Afinal, não se deve fazer justiça com as próprias mãos. Se bem que, vez por outra também se faz necessário dar-uma-mãozinha a Justiça de direito. Um spoiler, até porque me fez exclamar um ‘Merda!’: É que Rice não fez Justiça… Dai, o Sistema mostrou que continua imperfeito. Até por avalizar atitudes assim.

É um ótimo filme! Cumpre bem a sua proposta. Eu recomendo.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Código de Conduta (Law Abiding Citizen). 2009. EUA. Direção: F. Gary Gray. +Cast. Gênero: Ação, Crime, Drama, Suspense. Duração: 109 minutos.