Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo’s Nest. 1975)

one-flew-over-the-cuckoo-s-nest Seja você mesmo sem medo de ser feliz!

Uma sinopse: Randle McMurphy (Jack Nicholson) é condenado a alguns meses de prisão por transar com uma jovem de 15 anos. Para não cumprir a pena numa penitenciária se faz de louco e assim cumpri-la num hospício. Acreditando que estaria numa melhor. Só não contava com a enfermeira chefe, um osso duro de roer.

Uau! Um filmaço! Revê-lo após tantos anos, deixou-me a sensação e o prazer de uma primeira vez. Podendo afirmar até que o prazer foi maior.

Começo pelo título nacional: Um Estranho no Ninho. Primoroso! Por vezes nos sentimos mesmo fora do ninho… Mas as regras sociais já estabelecidas nos levam segui-las sem questionar. Numa de “Siga as regras para ser feliz”.

O filme pode ser visto por vários ângulos. Não apenas das psicopatias. Como o próprio Diretor ao ler o livro, comentou: “Este é um filme tcheco. É um filme sobre uma sociedade na qual vivi durante 20 anos da minha vida. É sobre tudo o que conheço. E sei como estas pessoas se sentem.

O personagem de Jack Nicholson, o Murphy, optou por: “Seja você mesmo sem medo de ser feliz.” Ok! Ele tinha seu lado marginal também. Mas seu lado moleque subverte até alguém reacionário, e pelo seu carisma. Se bem que encontrou alguém que faz de tudo para podar as asas desse passarinho. A enfermeira Ratched (Louise Flectcher). Que sem sair do tom, ela orquestra a todos dentro daquele hospital psiquiátrico. E ai daquele que não segue as suas regras. Pune não como um aprendizado a esse infrator, mas muito mais como um aviso aos demais. Impondo o respeito pelo medo.

Alguém extremamente metódica, conservadora, ao se confrontar com alguém como Murphy… Dá para imaginar que será um duelo de titãs. E os dois não nos decepcionam.

Entre alguns dos pacientes – mesmo pelo prazer em ver alguns atores que ainda continuam atuando em seu início de carreira nesse filme -, destaco dois personagens que fizeram com que Murphy sentisse mesmo mais carinho e respeito entre todos os outros:

– o jovem Billy (Brad Dourif) que parece meio que adota Murphy como um pai, mas que ainda vive totalmente dominado por essa enfermeira. Esta, por sua vez, abusa do seu ponto fraco – o fato dele ter uma mãe castradora, e sem uma figura paterna, em sua vida.

– e o Chefe Brondem (Will Sampson). O Big Chefe. Houve uma empatia entre os dois. Talvez Murphy viu ali um pai. Para alguém como Murphy aquele grande homem seria o amigo, o companheiro ideal para continuar curtindo a vida adoidado. Para viajarem juntos pela a vida a fora. O índio preferiu ficar em silêncio, até por questões culturais, meio que para ficar invisível. Mas daquele tamanho, seria difícil passar despercebido. Assim mesmo, ele fez essa opção. (Numa cena cortada, os enfermeiros fazem de tudo para provocá-lo.) Ele se sentia quebrantado. Culpas, expiações? Talvez. Agora, o Murphy foi lhe trazendo “injeções de ânimo”. Algo que nenhuma das terapias dali conseguira. E com isso ele foi readquirindo a tesão pela vida. E rompeu de vez com todos grilhões dali ao ver o que fizeram com o Amigo. Foi apoteótico. A liberdade foi arrancada à força.

Um filme que nos faz rir e emocionar! Com um personagem apaixonante! Melhor definido nas palavras do Roteirista, no Makink Off (Dvd): “Desde que nascemos gostamos de fazer parte do sistema. E isso é o que desejamos, exceto inventar nós mesmos. E McMurphy, em sua criminalidade e loucura e em sua obsessão, entende isso melhor do que ninguém.

Filmaço! Recomendo!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo’s Nest. 1975). EUA. Direção: Milos Forman. Roteiro: Bo Goldman. Elenco: Jack Nicholson, Louise Fletcher, Will Sampson, Brad Dourif, Danny DeVito, Christopher Lloyd, Vicent Schiavelli. Gênero: Drama. Duração: 133 minutos.

Anúncios

25 comentários em “Um Estranho no Ninho (One Flew Over the Cuckoo’s Nest. 1975)

  1. Prezados

    Boa Tarde!

    Gostaria de saber se além da sinopse do filme – Um Estranho no Ninho – vocês têm uma análise completa e comportamental dos personagens do filme.

    Desde já agradeço pela atenção e fico no aguardo de um breve retorno.

    Att,

    Joana Pizarro

    Curtido por 1 pessoa

  2. Oi Joana!

    Sou apenas eu que que escrevo os textos aqui no “Cinema é a minha praia!“. 😉

    E o que faço é muito mais que uma sinopse do filme. Eu faço uma análise do que vi, do que senti. São as minhas impressões. Por vezes, me detenho mais sobre um personagem. Agora, deixo tudo no texto.

    Sou antes de tudo uma apaixonada pelo Cinema. E procuro motivar a que assistam, ou não, os filmes que trago para cá.

    Se tens um trabalho para fazer sobre esse filme, acredite, se o assistir, irá gostar muito. Não será um tempo desperdiçado 😉

    Volte sempre!
    Valéria Miguez

    Curtir

  3. Jack Nicholson é um ator naturalmente genuino no assustar ou cativar. Não precisa de qualquer maquiagem para transformar – se. Bonito em qualquer personagem, sabe trabalhar o olhar como ninguem.
    Brilhante!

    Curtido por 1 pessoa

  4. Oi Criz!

    Fico sempre feliz em vê-la aqui no Blog 🙂

    E é sim, o Jack é daqueles que a cada personagem ele é único. Consegue não cair no caricato. Mesmo sem maquiagem.

    Beijão,

    Curtir

  5. Estou agora ouvindo Sailing de Rod Steward, navegando e foi navegando que vi este maravilhoso filme com as brilhantes interpretações de Jack Nickolson (McMurphy) e a cruel e fria enfermeira chefe Ratched (Louise Flectcher). Um filme onde cada um de nós consegue navegar e descobrir como somos falhos em nossas emoções e sentimentos. Como sempre tentamos descobrir uma saída de dentro de nossos hospícios que se encontram dentro de nossas almas. Rogamos por alguém que nos escute e nos tire daqueles ninhos em que fomos moldados e brutalmente forçados a respirar da forma como todos querem. Um Estranho no Ninho foi com certeza o filme que me mostrou com uma crueza cristalina que na vida temos sempre que ter onde nos apoiar para fugirmos sempre daquilo que nos tolhe ou nos prende, que sempre o silêncio e a percepção pode nos indicar em quem poderá se encontrar nossa liberdade.

    PS.: A cena em que o McMurphy tenta esganar a enfermeira foi a mais assustadora e realista que já presenciei em um filme. Difícil acreditar que ambos estavam apenas representando.

    Curtido por 1 pessoa

  6. Oi Ulisses!

    Gostei muito do seu comentário!
    Parabéns pela sensibilidade! E Grata por compartilhá-la!

    Deixo aqui um convite para que traga um texto seu para fazer parte do acervo do blog.

    Beijo grande,

    Curtir

  7. Aproveitando para deixar registrado que quando escrevi o primeiro comentário, era só eu quem publicava os textos aqui no blog. Mas devido as participações de todos, me vi motivada a convidá-los também.

    E o convite, continua aberto 🙂 Querendo compartilhar seus textos, é só dizer num comentário, que trocaremos detalhes por email.

    Curtir

  8. gostaria de receber um resumo do filme ,um resudo do resumo não sei se vc me entendeu por favor ,e sobre um trabalho que preciso apresentar sobre enfermagens tem como vc me enviar por imail ,agradeço des de ja obrigada.

    Curtido por 1 pessoa

    • Oi Adriana, meu texto é o que está ai. Tente encontrar o resumo em comunidades do Orkut.

      Agora, esse filme vale muito a pena assistir. E assim, você mesma escreverá sobre ele.

      Até porque, os Professores sabem quando o aluno copiou um texto.

      E grata!
      Beijo,

      Curtir

  9. Olá,para quem já assistiu o filme,eu gostaria de saber se vcs sabem o nome da trilha sonora que toca na ultima parte do filme??
    É de arrepiar qualquer um!Filmaço,uns dos melhores que já assisti.

    Curtido por 1 pessoa

  10. LELLA ACABEI DE VER O FILME, E FIQUEI IMPRESSIONADO PELA QUALIDADE, ENREDO NOTA MIL, INTERPRETAÇÕES IDEM, TUDO SE ENCAIXA, ACHO UM FILME REVOLUCINARIO , NO TERMO EXATO DA PALAVRA, POIS NOS FAZ LEMBRAR A GAIOLA EM QUE SOMOS COLOCADOS E ACEITAMOS,- ACHEI ÓTIMO QUANDO MCMURPH INDAGA SE ALGUNS ESTÃO ALI POR OPÇÃO, REALMENTE É UMA LOUCURA ESTAR NAQUELA SITUAÇÃO POR OPÇÃO, E A GENTE SE VÊ NESSA SITUAÇÃO POR DIVERSAS VEZES, MAS COMO DIZIA MINHA MÃE: NÃO PODEMOS DAR MURRO EM PONTA DE FACA, POR ISSO ACEITAMOS CERTAS SITUAÇÕES, MAS É CLARO QUE SEMPRE QUE DÁ TEMOS MOSTRAR QUEM SOMOS, ME LEMBREI DE UM TRECHO DO FILME BLADE RUNNER: NO FINAL DO FILME QUE O ANDROIDE CHEFE DIZ PRO HARRISON FORD: QUE COMO É RUIM TER UMA COCEIRA E NÃO PODER COÇA-LA E QUE É O MEDO QUE APRISIONA O HOMEM, SE NÃO NUNCA SEREMOS UM INDIVIDUO. PARABENS AO MILOS FORMAN, É SEM DÚVIDA UM FILMAÇO, QUER DIZER PRA QUE GOSTA DE CINEMA , MAURICIO

    Curtido por 1 pessoa

  11. O eterno duelo entre os opostos dentro de cada um de nós.
    A visão cristã de que estamos sempre entre duas escolhas, impedindo a expansão da nossa criatividade.

    Anarquia X Conservadorismo

    Flexibilidade X Rigidez

    Bem X Mal

    Certo X Errado

    Enquadramento X Liberdade

    Regra X Autonomia

    Belo resgate Lella!

    Curtido por 1 pessoa

Seu comentário é importante para nós! Participe! Ele nos inspiram, também!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s