A Vida Secreta das Palavras (The Secret Life of Words. 2005)

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E no início era o verbo

Numa plataforma petrolífera quis o destino unir duas pessoas: uma jovem e um homem mais maduro. Ele com uma cegueira devido a uma explosão. Ela usava seu aparelho de surdez apenas quando queria ouvir as vozes do mundo…

Como ela chegou ali? Por conta de umas férias forçadas…

Ela estava incomodando os companheiros de seção. Agora, vejam vocês o porque desse incômodo. Era o seu silêncio. Ela queria apenas cumprir somente a sua função. Incansável. Fazia o seu trabalho sem incomodar ninguém. Sem reclamar. Como se isso fosse ferir alguém. Mas para eles ela não fazia parte daquela engrenagem. Então, seu chefe a obrigou a sair de férias.

Assim foi parar num local à beira-mar. E estando num restaurante ouve parte de uma conversa numa mesa. Precisavam de uma enfermeira na plataforma. Por conta das queimaduras alguém ainda não poderia ser removido de lá. Então se ofereceu. Teria algo para fazer novamente. Algo para ocupar seu tempo. Não ter tempo de ouvir a sua voz interior.

Naquela imensidão azul havia um grupo pequeno. Que por lá permaneceram até saber quais seriam seus novos locais de trabalho. Seus novos destinos. Um grupo reduzido, mas que pareciam ter algo em comum. E aos poucos foram contando suas histórias para ela.

Achei interessante o título desse filme: “A Vida Secreta das Palavras“. Se de um lado por elas há até o perpetuar certas atrocidades, por outro ao proferi-las há algo meio catártico.

Que dizer então de ouvir, ler, ver não apenas os registros das atrocidades existidas na História da Humanidade, mas também por aqueles que as vivenciaram?

Sabe quanto sangue, quantas mortes? Sabe quanto ódio cabe nestas fitas? Sabe por que as gravamos? Antes do holocausto, Adolf Hitler reuniu os seus colaboradores e para convencê-los de que o seu plano funcionaria, perguntou:” Quem se lembra do extermínio armênio?”. Foi isso o que ele disse.
Trinta anos depois, ninguém lembrava que um milhão de armênios tinham sido exterminados da maneira mais cruel possível.
Dez anos depois… Quem se lembra do que aconteceu nos Bálcãs? Os sobreviventes. Ou os que por alguma… virada do destino, viveram para contar.

O filme vai nos levando de mansinho. Como num livro. Não há pressas em dizer; em contar. Mas aos poucos, naquela plataforma, aquelas poucas pessoas querem enfim, contar, falar, soltar aquilo que estava guardado. E eu confesso que chorei quando finalmente a personagem “soltou” a sua história, ou as suas palavras.

Amei esse filme! Nota: 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

A Vida Secreta das Palavras (The Secret Life of Words). 2005. Espanha. Direção e Roteiro: Isabel Coixet. Com: Sarah Polley. Tim Robbins, Javier Cámara, Julie Christie. Gênero: Drama.

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4 comentários em “A Vida Secreta das Palavras (The Secret Life of Words. 2005)

  1. Sendo apaixonada por cinema, amei o título do filme. É o mais bonito que já encontrei pela vida. Mostra em profundidade os dramas pessoais sujacentes às relações, e que pela ausência de palavras expõe o mundo da subjetividade. Este filme é um trabalho primoroso. Parabéns aos autores e atores.
    Ana Cristina

    Curtido por 1 pessoa

  2. Olá Ana Cristina!

    O título é primoroso sim!

    O contar algo sofrido, por vezes traz uma libertação. E a história que ela conta… É de dar vertigem, náusea… e vinda de quem veio. É muita ruindade!
    O pior, que pessoas podres assim, existem. Um exemplo: as que fizeram com o Jornalista Tim Lopes.

    Beijo grande,

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  3. Olá,

    Acabei de ver o filme, que passou agora à tarde no Telecine…
    Estou ainda sob a emoção que ele provocou.. Infelizmente o problema nos Balcãs continuam, e na minha opinião virão ainda dias piores para a região. De qualquer forma, o filme foi lindo e … parabéns ao Tim Robbins, que parece estar mais envolvido na miséria humana e na defesa das minorias do que os “astros” holywoodianos de plantão.

    Curtido por 1 pessoa

  4. Oi Sílvia,

    Bem-vinda! E grata por deixar uma impressão!

    Eu posso imaginar como ainda esteja. O filme mexe mesmo com a gente. O que ela passou foi aterrorizante. Os que fizeram aquilo com ela, na certa praticavam o bullying no período escolar. E como a eles não há uma punição adequada nessa fase teen, continuam barbarizando na fase adulta.

    É, temos uma guerra em andamento. Ofuscada um pouco pelas Olimpíadas. Mas quem sabe agora, o mundo se envolva tanto quanto na invasão dos Estados Unidos no Iraque.

    Volte sempre!
    Beijo grande,

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