Mar Adentro (2004)

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Um filme emocionante! E o que mostra? “Um homem tetraplégico que luta na justiça pelo direito de morrer.” Que luta também com os dogmas religiosos. Uma morte digna – é seu desejo. Um personagem adulto, lúcido, determinado. Sua bandeira: “Viver é um direito, não uma obrigação.

Me tocou fundo… Chorei várias vezes ao longo do filme. É lindo em fotografia! Em trilha sonora! A viagem que Ramón faz ao som de “Nessun dorma” (Turandot) arrepia!! Merece aplausos também por abordar um tema como a eutanásia de maneira… inteligente??? Não sei se seria essa a palavra, mas com certeza o faz num ponto de vista de alguém lúcido; e adulto. Logo, não será uma perda de tempo assistir esse filme.

Antes de vê-lo, revi o “Antes do Pôr-do-Sol” (Before Sunset). Um filme bom de rever! Por mostrar as identificações e as diferenças que aproximam ou afastam as pessoas. Mas principalmente fala também de fatos inesperados que mudam a vida das pessoas.

Mudanças inesperadas…

Dependendo de quem ou como ocorre, ela deixa a sensação de perda, de ficar sem chão; sem norte. Mas também há pessoas que até numa adversidade buscam por alternativas. Por vezes não é fácil lidar com o novo rumo que a vida tomou. Para quem está de fora é tão fácil julgar, criticar. Por outro lado para quem o vivencia, ou até vivenciou uma dessas  “trombadas do destino” entende, ou pelo menos tenta entender, não julgando precipitadamente. Nem movido só pela emoção.

Mas em “Mar adentro” a mudança é irreversível. Castradora. Opções chega a ser um eufemismo para esse personagem. De um jeito ou de outro o filme nos leva a refletir. Reavaliar conceitos. Posturas. Atitudes. E sobretudo, o filme emociona!

O acidente de Ramon…

Pode ser uma viagem minha, mas… Há um detalhe sobre o acidente que eu precisaria revê-lo para talvez tirar essa dúvida. Fatalidades acontecem. Mas alguns imprevistos ao serem analisados mais friamente com o passar de um tempo mostram que foram simplesmente ignorados alguns sinais tanto anteriores, como até durante. Então voltando ao acidente de Ramon. Ele sabia do risco naquele salto. Uma coisa seria mergulhar aproveitando uma maré alta, já que essa leva um tempo maior para baixar. Outra bem diferente é em mergulhar aproveitando uma onda. Já que nesse caso o tempo é mínimo, precisando ficar antenado ao salto.

Daí não sei se a idéia do suicídio, ou mesmo o não ligar para a vida, já estava em seu inconsciente. Sei lá… Uma tristeza profunda já passava por ele. Uma certa apatia com a vida que levava. Era jovem, podia tentar mudar, sair daquela rotina. Teria medo em ousar sair dali? Bem, de qualquer forma, o destino o reteve por ali. Enfim…

Não sei se numa segunda vez, eu irei chorar tanto quanto da primeira. Mas com certeza quero rever esse filme um dia. Eu amei! É emocionante todo o drama de Ramon numa excelente performance de Javier Bardem.

Nota Máxima.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Mar Adentro. Espanha. 2004. Direção: Alejandro Amenábar. Com: Javier Bardem, Belén Rueda, Lola Dueñas, Mabel Rivera, Celso Bugallo, Clara Segura, Joan Damau, Alberto Jiménez . Gênero: Drama, Biografia. Duração: 125 minutos.

Os Sonhos – Ramón Sampedro
Mar adentro, mar adentro,
E na leveza do fundo,
Onde se cumprem os sonhos,
Juntam-se duas vontades
Para cumprir um desejo.
Um beijo incendeia a vida

Com um relâmpago e um trovão,
E em uma metamorfose
Meu corpo já não era meu corpo;
Era como penetrar no centro do universo: O abraço mais pueril,
E o mais puro dos beijos,
Até sermos reduzidos
Em um único desejo: Seu olhar e meu olhar
Como um eco repetindo, sem palavras:
Mais adentro, mais adentro,
Até o mais além do todo
Pelo sangue e pelos ossos. Mas sempre acordo
E sempre quero estar morto
Para seguir com minha boca
Enredada em seus cabelos”.
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5 comentários em “Mar Adentro (2004)

  1. Eu concordo com grande parte do que foi dito, mas o motivo que o fez pular foi a adrenalina no momento, a melhor fase da vida de um jovem, tudo estava tão perfeito, o ambiente paradisiaco, a brisa em seu rosto, todo o jovem quando se sente assim, quer aventura, e ele procurou isso, e nao mostra arrependimentos quanto a isso no filme,
    achei o filme muito bom, e a maquiagem do ator, ficou impressionante !

    obrigada, beijos ;@

    Curtido por 1 pessoa

  2. Oi Paula!

    Pois é, como vi só uma vez, não reparei em detalhes o lance do mergulho.

    E grata por compartilhar suas opiniões! Volte mais vezes.

    Beijo grande,

    p.s: Eu não sei porque o site segurou seu post como spam. E ele só mostra alguns. Por sorte, mostrou esse e eu o liberei.

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  3. you go to the cinema to be entertained, amused, so as to fill up your time, do not go out of your way to watch this film.

    If you go to the cinema to appreciate the depths of human-kind, the feelings of real people, to explore the characteriology of personalities, if you go to the cinema to absorb magnificent photography, be sure to put this film very high on your list, preferably in first place. The experience is profoundly rewarding, causing the intelligent viewer to make diverse reflexions over the meaning of life itself. With ‘Mar Adentro’ Alejandro Amenábar has surpassed the best he has done to date, and even redeemed certain deviations in his earlier films which smacked a little of being aimed at Hollywood. This is not the case with this visual poem put to music: Hollywood could never get anywhere near the effect of this tinglingly inspired human – and humane – story.

    In no way should one interpret ‘Mar Adentro’ as an apologia for euthanasia; this story, based on the real life of the Galician fisherman Ramón Sampedro, is a cry from the bottom of the heart for life and love, a reaching out for human compassion, for understanding emotions. Sampedro was an articulate and intelligent man who after a diving accident off the rocks of the Galician coast as a young man was condemned to live the next 27 years in bed. ‘Condenado a vivir’ (2001) (TV) was the first version of this man’s life on which I have already commented. However, Amenábar has succeeded remarkably at portraying this man, with his permanent enigmatic smile and witty sense of humour, in an equally articulate and intelligent way.

    And Javier Bardem rose to the occasion, met the challenge head-on, complete with a Galician accent, producing an electrifying, compelling, enthralling performance, such that the actor and the fisherman become fused into being the same person on screen. Here, indeed, is an occasion to doff your cap, and softly mutter ‘chapeau’. Bardem is driven on in his task by a magnificent cast, especially Belén Rueda, Lola Dueñas, Mabel Rivera, Celso Bugallo (Los Lunes al Sol) (qv) and Clara Segura, Galician and Catalan accents taking prominent part.

    Amenábar produces wonderful dialogues as these six rotate among themselves one-on-one, or in groups, with excellent chemistry, thus demonstrating that this young Chilean-born Spanish director is an artist who knows what he is at and how to get his results; his global concept of the film includes his own music, interspersed with pieces by Beethoven and Puccini on Sampedro’s record-player.

    Whilst viewing ‘Mar Adentro’, I found myself a couple of times comparing him and this film with Stephen Daldry and his masterpiece ‘The Hours’ (qv). I refer to the way in which the dialogues work with tenseness and passion and that careful sense of timing in each scene.

    Javier Aguirresarobe’s photography is superb as usual. As I have mentioned elsewhere on IMDb, he does not simply film the events and scenes – he captures even the feelings and the atmosphere of the moment, deftly catches that look in the eyes, light and shadows, such that his work behind the camera is at once another player in the story. A superb artist.

    ‘Mar Adentro’ is another landmark in the history of Spanish cinematography, among the best five or six works of art produced here in the last 25 years. This film places itself alongside such cinematographic art as ‘El Sur’ (qv), ‘Los Santos Inocentes’ (qv), ‘El Abuelo’ (qv), ‘La Lengua de las Mariposas’ (qv), ‘Las Ratas’ (qv), ‘A Los Que Aman’ (qv), and I think I must add ‘Te Doy Mis Ojos’ (qv).

    Superbly orchestrated story of a real man, and those who loved him around his bedside: not to be missed.

    Curtido por 1 pessoa

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