Querelle (1982)

A história de um jovem marinheiro, Querelle, que se vê deslumbrado diante do seu poder de seduzir e deixar a todos fascinados.

O filme é uma adaptação livre do livro de Jean Genet. Assim o Diretor Rainer Werner Fassbinder explicou sua obra, numa entrevista pouco antes de morrer:

Em relação à contradição existente entre a intriga objetiva e os fantasmas subjetivos que são descritos em “Querelle De Brest”, ele me parece ser o romance mais profundamente extremista de toda a literatura mundial. Na realidade, a história em si, se for isolada da imagem do mundo de Genet, apresentaria pouco interesse, seria apenas uma banal história policial. Por outro lado, existe o modo de Genet contar esta história, sua imaginação excessiva, que dá vida a um mundo que, a princípio, nos parece estranho, um mundo que parece existir apenas em função de suas próprias leis, e que encontra suas origens em uma mitologia inteiramente extraordinária.”

É um filme diferente tanto na forma como no conteúdo. O cenário é visivelmente gravado em estúdio. Não que isso seja algo negativo. Pelo contrário, dá uma teatrilização a história. Eu gostei! Embora a luz recaia mais nos atores, ficando um aspecto sombrio em volta, ao mesmo tempo que angustia um pouco, também nos envolve aquela atmosfera carregada de erotismo.

O filme aborda o homossexualismo… Diria que bem provocador a aqueles que discriminam. A única personagem feminina é a mais idosa. Não sei se por algo freudiano… Mas ela faz uma ponte entre Querelle e os personagens do Bar/Cabaré.

Uma das frases – “Todo homem mata aquilo que ama“, pontua a subversão nesse filme.

Há um crime, que termina por envolver várias pessoas, as que desembarcaram no porto, e as que vivem ali. Quem morreu? Quem matou? O que tem Querelle com toda essa história? O jovem que era quando ali chegara, o homem que se transformou em tão pouco tempo, é o que ficamos conhecendo. E os outros personagens também.

Querelle subverte a ordem de um jeito que nos encanta. Mas fica difícil antever se a moçada irá gostar desse personagem. Ah! É um filme desaconselhável para homófobos.

Nota: 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Querelle. 1982. Alemanha. Direção: Rainer Werner Fassbinder (As Lágrimas Amargas de Petra von Kant). Elenco: Brad Davis (Midnight Express), Franco Nero (Django), Jeanne Moreau (Jules et Jim), Gunther Kaufmann, Hanno Poschl. Gênero: Drama, Policial, Romance. Duração: 108 minutos.

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7 comentários em “Querelle (1982)

  1. Apenas uma correção: não é “homossexualismo”, mas sim Homossexualidade. A organização mundial de saúde, ainda hoje equivocada, retirou em 1973 o termo “homossexualismo”, pois esse termo tratava como doença a Homossexualidade.

    O filme em si é excelente, quem está disposto a compreender melhor, uma visão contextual (Marinheiros/Homens, Crimes e Polícia), sobre uma parte da sexualidade humana, deve ver esse filme, que não carregara estereótipos nas cenas, trata também de machismo, e é cinematograficamente falando o “pai do filme” “Dogville”. Porquê? Os cenários “sem paredes”(notem que na cena em que Querelle faz sexo com o dono do bar, às paredes parecem cortinas na verdade), assim como a inclusão de textos ao longo, me levam a crêr que, Querelle é de certa maneira uma das fortes influências do cineasta Lars Von Trier. A começar pelo título “Querelle – Dogville” que aqui parece um trocadilho. Recomendo.

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  2. Obs.: Quanto ao filme Dogville é apenas uma observação minha. Querelle é apenas um título, Dogville é outro (digo isso caso alguém não compreenda).

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  3. Oi Paulo!

    Grata, também por deixar as suas impressões!

    Olha, de minha parte não houve a menor discriminação quando escrevi homossexualismo. Ok?

    Eu até entendo que queira salientar essa diferença.
    Mas… parece ser como algo do tipo – motociclistas x motoqueiros. Por ai 😉

    A questão é que no filme não são adolescentes descobrindo esse lado. Eles já são e ponto final. O ponto principal é o poder de sedução de Querelle. E isso independe da sexualidade dele.

    Em tempo, não vi ainda ‘Dogville’. Como também não sei o porque do Fassbinder ter optado por esse tipo de cenário.

    E, volte sempre! Inclusive se gostar de ter um texto seu publicado aqui.

    Beijo grande,

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  4. Oi Lella! Eu compreendo sua postura sim, o sufixo “ismo” designa em alguns casos “efetuar”, mas, de qualquer maneira, mantenho minha opinião e vejo que você a respeita.

    Quanto ao Querelle, eu percebi isso também, ele não deixa “visível” o que “é”, é como se o Querelle na verdade levasse uma vida “hedonista” mas que seu propósito final, seria um “auto-conhecimento”. Dorian Gray de Oscar Wilde, pinturas do renascimento, pinturas do barroco, e um famoso desenhista de arte “erotica” voltada ao público Homossexual, conhecido como Tom Of Finland, são referências bem intensas nesse filme. É uma pena que a população brasileira (até parte da população que é “educada” e consegue compreender um filme), não tenham o conhecimento necessário para compreender essa obra. Mas isso é visível (ignorância), nas questões do dia-dia, imaginem ao assistirem “esses” filmes; Acreditar em dias melhores é uma boa saída para isso, e Querelle precisa ser visto.

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  5. Paulo,

    creio que o que o perturbava era ser, ou melhor, era ter o que o irmão mais velho conquistara. Algo do tipo – ‘sou o gostosão’. No fundo, algo ainda adolescente nele.

    E como salientei, não creio que a moçada irá gostar desse filme. Talvez, pudessem começar com ‘As Canções do Amor’, um musical onde mostra a bissexualidade de um jeito mais leve.

    Gostoso trocar impressões contigo!

    Tenha um lindo início de semana!
    Beijo grande,

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