Ninguém pode saber (Dare Mo Shiranai .2004)

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A pretexto de buscar a sua própria felicidade, pode uma mãe abandonar seus quatro filhos?

Primeiro, comentando sobre o título do filme. O título original “Dare Mo Shiranai” significa: ninguém sabe. O título nacional, “Ninguém pode saber”, deixa uma idéia de ser um ato de escolha. Enquanto que “ninguém sabe” traz o significado de um abandono.

Em relação ao roteiro do filme, ele foi baseado numa história real lida num noticiário. Partindo dessa notícia, foi criado uma história. Uma longa história! E qual seria essa nova versão?

Começa com, uma mãe e seus filhos indo morar num prédio onde é proibido família grande. Sendo assim, ela chega apenas com o mais velho, Akira, que tem 12 anos. Outros dois filhos menores chegam dentro de malas. E uma outra, o Akira vai buscar na calada da noite. Ah! Os quatro são filhos de pais diferentes.

Com isso, aos olhos dos vizinhos e do senhorio, Akira é o único filho. O único que tem permissão para sair de casa. Para também ir às compras. Mas com a tarefa de cuidar da casa e dos irmãos, enquanto a mãe trabalha, nem à escola pode freqüentar. Um desejo dele que não pode realizar. Porém, a história não fica apenas nessa rotina.

Num belo dia, eis que essa mãe resolve ir embora. Chega a ser revoltante quando na despedida à Akira, joga em seus pequenos ombros uma pesada carga, uma responsabilidade que seria sua (dessa “mãe”). E quando ele diz que ela está sendo egoísta, ela sai com essa: “Egoísta? Não tenho permissão de ser feliz?

Com ainda um número considerável de jovens sendo mães tão precocemente; tão “imunes” ao fator responsabilidade, o filme põe um dedo na ferida. Permissão para ser feliz, todos têm. Mas desde que não destrone outros sonhos. Que não faça com que outras vidas paguem por isso. Sejamos sim, felizes, mas não as custas da infelicidade, do “patrocínio” de outras pessoas. Principalmente, quando são seus próprios filhos, e que além de tudo sendo eles apenas crianças. Crianças que também querem viver, serem felizes e livres. Não terem que viver confinados por causa da falta de juízo da mãe.

Com a partida dessa mãe, acompanhamos a saga desse pequeno herói, Akira. Torcendo por ele. Pois ele faz de tudo para ser o pai e a mãe de seus irmãos. Ele tenta, com toda a sua frágil força. Com aquilo que ele sabe fazer. Mas que ainda é uma criança. Mesmo assim, ele segue adiante, errando e aprendendo.

Me vi também segurando aquelas mãos trêmulas no finalzinho. Não deu para segurar as lágrimas. Bravo, Akira! Foste um grande herói!

Nota: 10.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Ninguém pode saber (Dare Mo Shiranai / Nobody knows). Japão. 2004. Direção e Roteiro: Hirokazu Koreeda. Com: Yuya Yagira (Akira), Momoko Shimizu. Gênero: Drama. Duração: 141 minutos.

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8 comentários em “Ninguém pode saber (Dare Mo Shiranai .2004)

  1. Pingback: O lado B da maternidade (e da paternidade) | a vida como a vida quer

  2. Se tiver oportunidade assista um filme chamado Okuribito, lançado no exterior como Departures.
    Muito bonito!!
    conta a história de um embalsador(assiste em japonês, não sei como se fala em português).
    Profissão rejeitada no Japão, é tratado como se fosse alguém pertencente a última casta da Ìndia.
    Perde mulher, amigos etc…

    Curtido por 1 pessoa

    • Oi Arwin!

      Esse, Departures, filme eu quero ver sim. Não apenas porque ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2008. Mas pela história dele.

      Mesmo assim, grata por motivar-me mais. Como também pela visita.

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