O Preço da Coragem (A Mighty Heart. 2007)

Primeiro, comentando que não gostei do título que deram aqui, mas não por não achar que faltou coragem, e sim porque não foi com esse peso que a protagonista conta essa história. É um tributo ao companheiro e num presente ao fruto que geraram em nome do amor. Trata-se de uma história real e recente: ocorrida em 2002. E eu que de vez em quando reclamo em ter um número muito menor de filmes pelo olhar feminino… Fiquei encantada com esse. Mais ainda por mostrar uma mulher sem estereotipar.

Segundo, para nós que pegamos um pouco da Ditadura no Brasil, podemos constatar atualmente a diferença do tanto de informação que agora chega a nós. Se num passado recente até as versões oficiais eram mínimas, e que quase sempre apareciam quando havia algum vazamento… Atualmente até por conta da internet elas aparecem muito mais. E por vezes tendo até que admitir o “erro”. Exemplo disso, temos no atentado em Madri onde oficialmente acusaram um grupo, mas ai os internautas trouxeram a verdade à tona: do grupo de fato responsável pelo tal atentado.

Agora sim entrando no filme… A fim de apurar mais sobre o ataque ao World Trade Center, Daniel Pearl (Dan Futterman), jornalista do Wall Street Journal, e sua mulher, Mariane (Angelina Jolie), também jornalista, vão para o Paquistão. E sempre atrás de mais informações, às vésperas de saírem de lá, indo a um encontro, ele é sequestrado. Então começa todo o drama de Mariane para salvar o marido. Grávida, e num território onde uma mulher não teria muito onde fazer… Ela faz da casa onde estavam hospedados, de uma jornalista indiana (Archie Panjabi), seu QG. E dali o mundo acompanhava e torcia por ela para que conseguisse resgatar o marido.

Muitos podem até lembrar do desfecho dessa história… Mesmo assim o filme vale a pena ser visto. Pelo documento histórico. Pela coragem e idealismo dessa mulher que não deixou de mostrar a verdade dos dois lados. Que não se intimidou diante dos terroristas. Pois essa é a melhor armas que usam: espalhar o terror. E também por mostrar que mais que coragem ao apurar um fato, ao investigá-los primeiros mais a fundo terá a melhor arma que pode usar. Sem conhecimentos, ficando só no que ouviu, os julgamentos precipitados prevalecem; como também uma subserviência a uma falsa proteção perpetuará ou alimentará tanto ódio por outras culturas como as guerras. Bom poder ver pessoas que não se deixam levar, dominar até por sentimentos ruins e que vão atrás dos fatos. Bravo Mariane!

Gostosa canção no finalzinho. Atuações que não fizeram feio! Locais onde a pobreza nos comove! Enfim, um filme que vale a pena ver e rever. Nota: 09.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

O Preço da Coragem (A Mighty Heart). 2007. EUA. Direção: Michael Winterbottom. Elenco: Angelina Jolie, Dan Futterman, Archie Panjabi, Will Patton. Gênero: Drama. Duração: 100 minutos. Classificação: 12 anos.

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7 comentários em “O Preço da Coragem (A Mighty Heart. 2007)

  1. Os nomes que os filmes ganham por aqui sempre me causam espanto, primeiro porque nunca conseguem dizer realmente o que o filme pretende – depois, porque seria tão simples deixar o título em inglês mesmo.
    Fazem isso com seriados também – Cold Case virou Arquivo Morto (esse nem é tão estranho) mas veja o caso de Without a trace, que virou Desaparecidos. Tudo a ver…
    Mas eles dizem que é preciso facilitar a vida de quem assisti os filmes no cinema. Facilitar? Os filmes são legendados e as legendas são péssimas.
    Bem, mas o assunto aqui é o filme, não é mesmo? Eu gosto desse tipo de filme porque nos ajuda a entender um pouco da cultura de outros lugares e a entender o compromisso de todos nós numa sociedade. Algo que não é assim tão simples ou fácil. Mas que é preciso entender.
    Assisti ao filme O Caçador de Pipas que também tem um apelo semelhante, embora não seja uma mulher em busca do marido e sim um amigo em busca do filho de um amigo de infância do qual ele tinha ciúmes. Mas nos leva de encontro a uma realidade distante da nossa e nos permite uma reflexão até certo ponto, porque sabemos que há seus exageros. Sempre há.
    Abraços e tenha uma boa semana.

    Ps. Não sei se já agradeci, mas como minha memória está em estado crônico de esquecimento, grata pelo selo e pela lembrança. Falarei do prêmio em meu blog ainda hoje.

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  2. Aproveito este espaço para comunicar a 5ª edição do Panorama Internacional Coisa de Cinema que acontecerá em agosto na cidade de Salvador/BA.
    O Festival está com as inscrições abertas para Mostra Competitiva até o dia 31 de maio. Informações no site http://www.coisadecinema.com.br/hotsite.
    Entre os nomes confirmados para o Festival está o de Beto Brant para o júri e José Luís Guerin (la ciudad de Sylvia) e Andrea Tonacci (Serras da desordem) que virão lançar seus filmes, ainda inéditos em Salvador.

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  3. Já passei várias vezes por esse filme nas locadoras e acabei não assistindo ainda. Seus comentários me estimularam, porém. Depois eu volto para contar a minha impressão. Ótimo domingo para você!

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  4. Luna,

    Esse filme, ou melhor, a história no qual ele foi baseado, nos mostra uma mulher que como tantas, soube conciliar o papel de esposa, da profissão e até o de futura mãe. Tudo em harmonia.
    Algo que muitos homens não consegue. Priorizando mais a carreira, deixando a família em segundo plano.

    Sobre o “O Caçador de Pipas”, eu li o livro primeiro, e também para saber um pouco mais sobre culturas de outros povos. E comentei o filme. Aqui:
    https://lella.wordpress.com/2008/03/12/o-cacador-de-pipas-the-kite-runner/

    E que bom que gostou do Selo!
    Beijo grande,

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  5. Paloma!

    Prazer em conhecê-la! Gostei do seu Blog!

    O filme é muito mais válido pela história que traz, do que pela atriz principal. Embora ela não tenha feito feio.

    E que bom que também gostou do Selo!

    Eu ainda tenho dificuldade em mexer com essa ferramenta: montagem do Blog. Era para, ao clicarem na foto, irem para onde ela está no tamanho original. Assim, cada um dar a ela o tamanho que quisessem. Vou ver se descubro o que fiz de errado.

    Beijo grande,

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