Uma Mente Brilhante (A Beautiful Mind. 2001)

O símbolo era ele; e ele era o símbolo. Talvez, como o Neo, o exemplo de Jonh Nash mostre que a saída da matrix, ou mesmo o caminho que leva até ela, esteja em nos descobrirmos, primeiramente. Conhecer o nosso “eu” na essência. Até para definir qual caminho percorrer na vida.

Para mim, esse é um filme cheio de simbologia. Por conta disso, cheguei a levar para um fórum junguiano. Nesse resgate, para alguns de vocês pode parecer viajante demais. Tentarei trocar em miúdos. Muito embora esse filme é uma senhora viagem! Ah! Eu não vou entrar no mérito da doença porque isso não é a minha praia. Não li o livro, nem tão pouco fui atrás da história real. Preferindo me ater na poesia contida na mensagem do filme; na história de vida desse cientista.

Nash (Russell Crowe) praticamente nasceu cientista. Logo, queria sempre respostas, no mínimo coerentes. Mas em vez de aglutinar, sua obstinação afastava as pessoas. Não conseguindo nem motivar as pessoas a verem a beleza dos números, da matemática.

Na busca por uma idéia original, Nash encontra o caminho quando seu amigo Charles lhe diz que a resposta não está em virar-se para a parede, mas sim em procurar do lado de fora. (Essa cena me fez lembrar de um capítulo de um livro de Leonardo Boff, muito interessante, cujo título é: “A vida é uma escola”. Onde relata um encontro seu com os filhos de Jung). E de fato a idéia veio quando esquece um pouco da rotina acadêmica. Quando sai com um grupo para um bar. “O melhor resultado surge quando todos elementos do grupo olharem pelos seus próprios interesses e pelos do grupo“. Trazendo-lhe o reconhecimento onde tanto queria.

Mas faltava a Nash conhecer um outro significado. Algo mais real. E veio numa cena comum (Que todos nós podemos vivenciá-la.). A atitude da jovem Alicia (Jennifer Connelly), em sala de aula, chama a sua atenção. Pois ela aplica sua teoria de um modo bem diferente. Ao resolver esse problema/equação: ouvir o professor e o calor na sala. A cena é genial de tão simples! Fazendo-o despertar.

Não é projeção porque isso denotaria em comparação. Onde se busca em critérios externos, regidos pela ética, pela moral, onde baseados em condutas alheias, avalia e valida os próprios atos. Como também não sei se a palavra seria alinhamento, mas não com o significado de nivelamento (de tornar igual). Seria mais como um ajuste diário. Aí sim, a experiência vem como motivação que, absorvida internamente, nos desperta. Levando a perceber as nuances dos fatos. Analisando-os ali no momento ocorrido. Nem havendo uma pré-ocupação para aquilo. Até porque uma experiência anterior não tem que ser necessariamente padronizada (fechada). Ela pode e deve passar por um novo reajuste a cada vez que for necessário; e somente percebida (exigida) ao ser vivenciada. O sabor da maçã varia conforme a época; e pela vontade de experimentar.

Essa motivação talvez possa ser entendida como a que leva a criança em direção a aula. A cada dia algo novo para ela. Muito embora para o professor essa mesma aula ele a aplica anos após anos. A matéria está pronta, mas dependendo da troca entre o aluno e o professor, essa mesma aula (tradução; interpretação) renderá motivação ou não. Despertando algo exigido para aquele dia. A Alicia traduziu esse ajuste no momento oportuno. Dando uma outra aplicação (significado) pois algo em seu interior mostrou-se interessado.

Por todos os percalços que passou a força de um amor mostrou a Nash o segundo passo nessa jornada chamada vida; e em direção ao amanhã. E, na cerimônia de entrega do Prêmio de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel, Nash, em seu discurso, retribui:

Sempre acreditei em números, nas equações e na lógica. Mas após uma vida de demanda, pergunto: o que é, na verdade, lógico? Quem decide o que é racional? A minha busca conduziu-me do físico… ao metafísico… ao delírio e ao regresso. E fiz a mais importante descoberta da minha carreira. A mais importante descoberta da minha vida. É apenas nas misteriosas equações do Amor que alguma lógica ou razão podem ser encontradas. Estou esta noite aqui, apenas, graças a ti. És a razão de eu ser. És todas as minhas razões. Obrigado!“.

Esse é um filme que vale muito a pena ver, como também rever várias vezes. Ah! As lágrimas rolaram na cena da caneta. Nota máxima em tudo!

Por: Valéria Miguez.

Uma Mente Brilhante (A Beautiful Mind). 2001. EUA. Direção: Ron Howard. Elenco: Russell Crowe, Ed Harris, Jennifer Connelly, Adam Goldberg, Josh Lucas, Christopher Plummer. Gênero: Bibliografia, Drama. Duração: 135 minutos. Roteiro baseado em Livro de Sylvia Nasar.

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7 comentários em “Uma Mente Brilhante (A Beautiful Mind. 2001)

  1. Olha, eu amei esse filme – confesso que chorei muito no decorrer das cenas, principalmente na cena da caneta. Também achei singular a cena em que ele luta com ele mesmo para não ceder as suas imaginações. O ator Russell deu vida ao seu personagem de maneira tão densa que é impossível não se envolver com a trama. Chega a tal ponto que você torce para que tudo aquilo não seja realmente insanidade, loucura (ou seja lá o nome que se emprega aqui).
    Dizem por aí que todos os gênios são complicados nos detalhes, não é mesmo. Belo post caríssima.
    Bom fim de semana!

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  2. Oi Linda!!

    Essa é uma bela história de superação. Mais, em reconhecer que não o conseguiu sozinho. Que teve ajuda da companheira.

    Um domingo lindo pra ti!
    Beijo grande,

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  3. oi Lella,
    eu já vi esse filme mais de uma vez.
    Gosto muito do desempenho do Russell, ele está magnífico.
    É muito emocionante e perturbadora a história, sem falar da fibra e da superação. Linda!!

    beijos
    🙂

    (ah, eu ontem assisti P.S. Y LOVE YOU …. chorei baldes … que filme mais lindo … ah, eu quero um homem daquele prá mim, rssssss!)

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  4. Esse é um dos mais belos filmes que já vi. De fato, a psicose não é fácil, bem como todos os sofrimentos psíquicos, mas o amor é universal: salva, cura.

    De alguma forma, Nash foi salvo pela paciência e amor de sua esposa, que imagino, não deve ter sido fácil as coisas que ela passou…

    beijoooooooooooos

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  5. Pingback: TED (2012). Um ‘Calvin and Hobbes’ Às Avessas. | Cinema é a minha praia!

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