Hannah e Suas Irmãs (Hannah and Her Sisters. 1986)

Como consegue atuar se é insensível por dentro?

Essa indagação é dita pela a mãe de Hannah. Em meio a uma discussão entre os pais, onde ela fora chamada para apaziguar os ânimos dos dois. Um, de vários ao longo da sua vida. Das três filhas, e até mesmos dos pais, Hannah é a mais centrada. Ao longo do filme, percebemos o quanto isso lhe traz admiração como também exasperação daqueles que a cercam. Mesmo com toda a sua dedicação por eles, nessa doação, as suas constatações por alguns são tidas como algo do gênero: pensamento negativo. Acontece que ela põe tudo na balança: os prós e os contras. E esse último nem todos gostam de analisar.

Voltando a frase… O atuar não sendo uma profissão traz até um sentido pejorativo. Parecendo como alguém que está mentindo diante uma situação. Mas quando apenas omite um fato, vem como algo mais leve. Como contar uma verdade? Como digeri-la? Sendo para muitos mais fácil apontar os erros alheios. E se quem os aponta é alguém que se vê como o supra sumo da perfeição, aí complica.

Atuamos em diversas situações ao longo da vida. Até por conta de vivermos numa sociedade. Mesmo dentro de um núcleo menor como a família, há certas regras a seguir. O que nos impede de sermos 100% nós mesmos. Para uma boa convivência, algum lado nosso terá que ceder. Ou até fingir que não está vendo certas situações, tem sido uma boa política. Mas se há um único pilar nesse núcleo? Agradar a gregos e troianos é tarefa árdua. Sempre haverá a nau dos descontentes. Eu me vi em certas situações vividas por Hannah. É, em momentos assim, alguns nos veem como sem coração.

Voltando ao filme… Mesmo agindo racionalmente, aparentando uma atitude fria, calculada, Hannah (Mia Farrow) tem consciência das limitações das pessoas a sua volta. Ou do modo de ser de cada um. Para a irmã estorvada, Holly (Dianne West), Hannah serve mais para bancar seus sonhos. Os conselhos não são bem-vindos.

Lee (Barbara Hershey) vê a irmã mais como uma mãe. É quase 100% romântica. Talvez por admirar até a cultura da irmã, foi viver com um artista plástico muito mais velho. Tem ele mais como um Mestre. Além de refinar seus gostos, ele a tirou do mundo das bebidas. Acontece que o assédio do atual marido da irmã mexe com ela. A abstinência de alguns anos recai no prazer de uma aventura. O sentir-se sufocada é por estar sedenta.

Elliot (Michael Caine) se outrora amou o lado organizado de Hannah, já que sua vida era um caos, ainda se ressente. Ainda não trabalhou esse lado seu. Mas em vez de tentar canalizar isso no campo profissional, o faz pelo lado carnal. Se encantando por uma carne fresquinha: a jovem, bela e radiante Lee.

Por conta da frase, eu nem fiz uma apresentação desse filme: “Hannah e Suas Irmãs“. Uma história de 22 anos atrás. Mais com conflitos também atuais. Resumir numa única palavra, o filme traz como mote a infidelidade. Não apenas entre casais. Há o trair ou não seus próprios princípios. Como também ser infiel a religião. Muito embora a religião veio como herança de pais. O tempo do filme praticamente é pontuado entre duas reuniões no Feriado de Ações de Graça. E o que acontece nesse intervalo de tempo? Algumas histórias veem com cenas em flashback. E peguei para rever motivada por ser mais um de Woody Allen. Pelo tempo, ficou um gosto de uma primeira vez.

Gente! O personagem do Woody Allen é quase um outro filme. Ele é um Produtor de Tv. Suas aparições são engraçadíssimas! Para quem já conhece o perfil hipocondríaco de seus personagens e gosta, não irá se decepcionar com esse. Ou por saber de suas preferências musicais, já dá para imaginar onde o levaram e ele nos brinda com algo assim: “Irão fazer reféns após o show!“. Ou até quando em crise, sai em busca da existência de Deus em algumas religiões. Ah! A ligação dele com a Hannah é que foram casados e têm filhos, mas adotivos. Por conta de algo muito peculiar dele.

Citam uma frase de Tolstoy que a vida não tem sentido. Mas tem sim e é seguir em frente. Com erros e acertos, mas continuando dentro dela. E se no final os que compareceram ao almoço estão de fato rendendo graças a esse porto seguro ou não… a comandante… Bem, sua tripulação aprendera a lição. Agora, e ela, também omitira desconhecer a traição? Escolhendo conscientemente? Fora essa a sua melhor interpretação?

Filmaço! Dos que vale a pena ver e rever!

Por: Valéria Miguez.

Hannah e suas Irmãs (Hannah and her Sisters). 1986. EUA. Direção e Roteiro: Woody Allen. Elenco: Mia Farrow, Barbara Hershey, Dianne West, Woody Allen, Carrie Fisher, Michael Caine, Max von Sydon, John Turturro, Sam Waterston, Daniel Stern, Maureen O’Sullivan. Gênero: Comédia, Romance. Duração: 102 minutos.

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