Paradise Now (Paradise Now. 2005)

Imagine there’s no countries… Nothing to kill or die for…

Nossa! O filme deu um nó na minha cabeça. Eu estava muito querendo assistir. Para saber pelo menos um pouco o que se passa na cabeça de um homem-bomba. Sei que não há lógica nisso. Ou sabia… É tenso! É angustiante! E é sensacional! Se é que se pode definir assim. Me fez ficar com vontade de ver novamente e dessa vez com um mapa ao lado.

Se eu fosse definir o filme em uma única palavra ela seria: oprimidos. Numa parte do filme me veio à mente essa estrofe: “Sertanejo é forte, supera a miséria sem fim…“. Mas lá é mais que isso, é ter a morte rodando aquela gente. Antes de receberem a missão os dois personagens principais descortinam toda a cidade. Lá de cima até parece que há tranquilidade no meio daqueles destroços. Só que é uma região sitiada. Que obriga as pessoas a seguirem por caminhos tortuosos. Oprimindo-os até num direito de ir e vir.

O filme tem início um dia antes do recrutamento de dois amigos: Khaled (Ali Sullman) e Said (Kais Nashef). De temperamentos opostos. Khaled é do tipo pavio-curto. Já Said é mais ponderado. Levam a vida sem grandes ambições. Curtindo o dia-a-dia que têm. Em comum, o respeito às tradições e o amor à família. Quando recebem a convocação a alegria vai embora. Mesmo já sabendo que um dia seriam chamados, ficam balançados. Aceitam a missão. Daí até o final, será um longo caminho… Como citei, de acompanhar quase sem respirar.

Um não tão imprevisto fato, separa esses dois jovens ao cruzarem a cerca. Sendo que eles queriam morrer juntos. Com o explosivos atados ao corpo, onde somente o encarregado da operação é que tem como retirar… Said fica peregrinando… Para ele mais que o peso do artefato, mais que a missão, tem em seus ombros o peso do pai ter sido um colaborador do outro lado. Khaled sai a procura do amigo para provar que ele não traiu aos seus como o pai. O que para eles antes tudo estaria liquidado em pouco tempo, com esse atraso os questionamentos afloram

No meio do caminho de ambos há Saha (Lubna Azabal). Filha de um mártir palestino. Ela tenta demovê-los. Mas para eles ela não tem dentro de si a causa palestina. Por ter morado em outros lugares. Por viver num mundo fora daquele cerco. Como se a Palestina para ela seria mais um lugar a se visitar. Mas Saha traz o contra-ponto dessa luta que já dura anos. E isso é mais um ponto positivo no filme. Quiçá, o mais importante. Por mostrar com clareza os dois lados: israelenses e palestinos aproveitando-se do poder que cada um detém.

Há uma cena entre Said e o Comandante da Operação… Bem, nessa hora não deu para segurar umas lágrimas. Enfim, creio que ninguém sairá indiferente após esse filme. Claro que não em por aprovar atitudes tão extremadas assim. Mas limpará as visões estereotipadas para com esses jovens recrutas. Filmaço! Nota máxima!

Por: Valéria Miguez (LELLA)

Paradise Now (Paradise Now). 2005. Palestina. Direção e Roteiro: Hany Abu-Assad. Elenco: Kais Nashif, Ali Suliman, Lubna Azabal. Gênero: Crime, Drama. Duração: 90 minutos.

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15 comentários em “Paradise Now (Paradise Now. 2005)

  1. Olá caríssima, enquanto apreciava a chuva que caí por aqui nesta tarde, fico a imaginar as cenas desse filme, até então desconhecido por mim. Vou assistí-lo, gostei da trama. Gosto desse estilo de filme. Nossa! Já assisti tantos filmes e há tantos ainda por ver, acho que vou precisar de uma outra vida…
    Tenha uma linda semana caríssima.

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  2. Oi Lunna!

    Aqui a tarde está fria, mas sem chuva. Vou aproveitar para ver mais um. No caso, rever. Por ser um ótimo filme! Depois trarei para cá.

    Outra semana linda pra ti!
    Beijo grande,

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  3. Oi Sara!

    Essa madrugada, antes de eu ir dormir, eu upei vários tópicos no HARÉM
    http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=7406826
    relativos a esse tema. O Acervo de lá é muito bom!!
    Upei mais de 10 fóruns, só não busquei por mais por conta do sono. A turma de lá é show!

    Não apenas sou simpatizante, como também contribuo. Minha jungle é constantemente adotada pela fauna silvestre. Aqui encontram um lugar tranqüilo para pocriar, morar e se alimentarem.

    Um visão da minha jungle:
    http://www.orkut.com/AlbumZoom.aspx?uid=5047073042995924819&aid=1202489141&pid=1202515382312

    Vou dar uma passada no seu Blog.
    Beijão,

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  4. É um ponto de vista importante.
    Gostei especialmente do jogo de linguagem na cena final, na maneira como ela foi apresentada e pôs termo ao filme e às questões dele (no sentido de conclusão, porque aquelas não parecem ser finitas).

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  5. Oi João!

    Primeiro, grata pela visita!

    Esse é um daqueles filmes, que dá vontade em trocar idéias. Mas aí, corremos o risco de tirar a surpresa de quem ainda não viu.

    O final, a mim, também deixou a idéia de que não depende de nós, simples mortais, por um fim nessa guerra.

    Saudações,

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  6. Olá Lella,
    Esta é a primeira vez que visito seu site, parabéns pelo texto. Eu vi o filme agora, não faz nem uma hora e vim para o computador, para buscar mais opiniões. Escrevi uma também, caso se interesse aí está. Peço perdão por não ter me feito clara como queria, não escrevo muito bem.

    Acho que é um filme que realmente me mostrou as proporções do Oriente Médio, que antes eu não conhecia.
    Nós, aqui do ocidente, sabemos pouco sobre a cultura de lá. Podemos ver que as nossas vidas estao mais interligadas do que imaginamos.
    O dia deles é comum, equivaleria a um jovem da classe baixa aqui no Brasil. Porém, há uma imensa diferença. Eles se sentem presos, sem direito à liberdade e à terra.
    Eles sabem que estão por baixo hoje, mas que um dia estiveram por cima… Sabem disso, e acham que lhes foi roubado o território. Agora, fica melhor para se entender a mente dos terroristas, as razões por que querem as terras de volta. É mais por motivos de honra que de religião, apesar de esta também ser um motivo.
    Ambos acreditam em um Deus (com diferentes nomes), mas nao se toleram.
    E por quê? Pela simples certeza da própria verdade como única existente, e não agüentar, não suportar quando vê o mundo e outras pessoas acreditando em algo que lhe parece errado. Isso nos faz tomar medidas drásticas, violentas.
    A Palestina, sem ver saída para a compaixão do mundo pelo ocupante(Israel), resolveu tomar essas medidas radicais. foi a única saída que encontraram para a repressão, a tomada do território.
    Porém, como estamos vendo um só lado da moeda, não seria certo formar uma opinião pró-Palestina, o que é explícito no filme.

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  7. Oi Stella!

    Seja Bem-vinda! Grata por contribuir com o seu belo texto! Você escreve muito bem sim. Parabéns!

    Gosto dessa interação com todos vocês! Pois cada um enriquece trazendo o seu olhar do filme.

    Caso queira ter um texto seu publicado, deixe um aviso por um comentário, que pelo seu email (que aparece só pra mim), eu chego a ti. Agora, como o blog é novinho, dou preferência a textos sobre filmes que ainda não consta do acervo.

    Continue escrevendo!
    Beijo grande,

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  8. Nossa, muito obrigada mesmo!
    Que bom que você gostou, porque eu tenho muita dificuldade para escrever…fiquei feliz! Eu gostaria que meu texto fosse publicado, entao, nos falamos depois.

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