Longe Dela (Away From Her. 2007)

Quem sabe (n)a solidão… Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama, Mas que seja infinito enquanto dure.” (Vinicius de Moraes)

Junto-me a Sarah Polley (A Vida Secreta das Palavras) para conhecerem essa linda história de amor. Acompanhando o desejo de um deles não querer ficar longe, mas nessa história seria no pensamento da mulher amada. Pois serão 44 anos juntos que estão sendo apagados. E por conta de que para um desse casal, o Alzheimer chegou.

A história tem início quase no final do filme. Aos poucos, vamos conhecendo todo o drama. É Grant (Gordon Pinsent) quem nos conta. É ele que fará de tudo para não sair por completo dos pensamentos da sua amada, Fiona (Julie Christie). Por amor, apenas? Por querer provar a ela algo mais?

Já comentei outros filmes onde abordam essa doença. Um deles, talvez após ter visto esse, ao revê-lo, eu venha a me emocionar tanto quanto nesse. É “Diário de uma paixão“. Porque nesse, “Longe Dela“, nos apresenta uma mais detalhada radiografia dessa doença. Por ela ser mostrada quando se tem os primeiros sinais. Que para quem está ao lado, assusta um pouco. Me fez lembrar de uma cena, eu uma adolescente, em presença de uma avó: ela voltara à época dos filhos ainda criança. Por não segurar as lágrimas, sai do quarto.

Fiona traz um diferencial: ela pede para ser internada. Ciente de que o marido não terá estrutura para lidar com ela. Que de um jeito, ela está indo embora aos poucos. Ele ainda reluta. Como desculpa, procurar por outras Clínicas. Até que ela diz: “Não acho que devamos procurar algo que nos agrade. Não acredito que encontraremos. A única coisa que podemos desejar nessa situação é um pouco de dignidade.” Aqui me fez lembrar de uma frase de Virgínia Woolf no filme “As Horas“: “Mesmo o mais humilde dos pacientes pode expressar sua opinião sobre o tratamento que lhe é dado.”. Como também pelo padrão da Clínica. Ela não é acessível a todos. E para quem viu “As Invasões Bárbaras”, não dá para simplesmente dizer que é algo de primeiro mundo a Clínica para onde irá Fiona.

Para Grant qua acaba cedendo com o pensamento de que essa separação seria para algum tratamento novo, a tal Clínica ainda lhe traz uma regra para um martírio maior. A de que nos primeiros 30 dias o interno não pode receber nenhum tipo de contato. Nem mesmo de cônjuges. À caminho da Clínica, na estrada, Fiona o deixa aturdido. Por lembrar de uma conversa recente que tiveram num parque. E por algo do passado, mas nesse caso, eles nunca tocaram no assunto. Por conta de que, aquilo, a doença ainda não apagou de vez?

E ao voltar, após os 30 dias, Fiona não o reconhece… Então, acompanhamos Grant fazendo de tudo para ainda fazer parte das memórias da Fiona.

Eu amei esse filme! Nota máxima em tudo! E a trilha sonora embala a todos nós nessa linda história de amor! Preparem os lencinhos!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Longe Dela (Away from her). 2007. Canadá. Direção e Roteiro: Sarah Polley. Elenco: Gordon Pinsent, Julie Christie, Olympia Dukakis, Michael Murphy, Grace Lynn Kung, Wendy Crewson. Gênero: Drama. Duração: 110 minutos. Baseado em história de Alice Munro.

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2 comentários em “Longe Dela (Away From Her. 2007)

  1. Poxa vida.. “Cinema é Minha Praia” de altissimo nivel heim?rs… E eu que achava que era o unico cinefilo excentrico que saia de casa pra assistir filmes como este…rs

    Gostei da sua reflexão sobre Longe Dela..apesar da minha analise sobre a materia ser um pouco mais “tragica”…rss Mas no fundo a essência do filme situa por ai mesmo…
    A atuação de Julie no papel de Fiona realmente impressiona o publico..não atoa que recebeu (merecidamente) o Oscar de Atriz…. apesar do que, dentro das telinhas quem deveria ganhar um “Oscar” é o marido Grant neh (se bem que o filme deixa a criterio do publico deduzir se todo esforço e dedicação com a doença de sua esposa foi motivado por remorso de uma possivel traição na juventude ou se trata de amor chamado Ágape mesmo..rs…eu pessoalmente acredito mais na primeira opção)
    No mais o filme é lento e acontece sem muita pressa nos horizontes das lembranças do belo casal…

    Eu é que fiquei com mmmttoo sono durante o filme e acabei achando um pouco chato.. mas nao perdi as partes fundamentais.. de 0 a 5 voto 3.
    Aproveito e faço recomendação de outro drama/romance ESPETACULAR Lela..(faltou vc publicar este aqui..rs) – Despertar de uma Paixão…tem cara de ser uma aguinha com açúcar, mas na minha opiniao, o MELHOR do genero nos ultimos tempos…

    bjuss..

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  2. Hehe… Eu só não curto esses filmes de terror dos tipos “sexta-feira 13 & cia”, no mais, eu vejo. Se bem que “Jogos Mortais”, vi só o primeiro e foi o bastante.

    Em relação a esse, sim ele ficou com uma pulguinha… e mais, até no porque ela esperou tanto tempo para dizer que sabia, que sempre soube.

    Nossa! Se sentiu sono nesse… Foi bom não ter ido ver o “Escafandro” naquele horário 😀

    Valeu pela dica! Vou listar entre os próximos a assistir.

    Beijão,

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