Zona do Crime (La Zona. 2007)

E para falar a verdade, se fôssemos analisar as pessoas em todos os seus aspectos, não creio que sobraria depois muita gente boa.” (Crime e Castigo, de Dostoiévski).

Esse filme não deixará ninguém indiferente. Mesmo sendo uma história fictícia acaba nos fazendo lembrar da violência urbana. De dar vontade de sair trocando impressões, mas deixarei para os comentários caso apareça alguém. Por aqui tentarei não lhes tirar a surpresa. E o que há nesse filme de tão impactante? Cujas certas cenas nos causa repugnância…

Local, Cidade do México, mas que poderia ser em qualquer outra metrópole em qualquer país. Nela um Residencial luxuoso. Que até me fez lembrar de uma entrevista com o empresário Ricardo Amaral. Ele falou que Condomínio ficou para padrão Classe Média. Que para a Classe A chama-se Village. É, muda-se o nome, agrega-se mais valores materiais, assim como um aumento na extensão do terreno… Agora, e o material humano? Muito mais poder aquisitivo não deveria também gerar mais discernimento? Mais entendimento do que é ético ou não? Daquilo que é moralmente aceito como regra de conduta numa sociedade?

O Residencial mais parece um outro país. Tão grande é a diferença com o que se vê ao redor daquele muro alto, com cercas eletrificadas no topo, câmeras para todos os lados… Visto pelo lado de fora parece mais ser um presídio. Eles também têm um certo tipo de amparo legal para manter todo aquele aparato de segurança. De uma exagerada segurança.

Se uma chamada polícia mineira, ou milícia faz uma certa segurança para classes menos favorecidas… Qual seria a denominação para esses da Classe A? Força de Elite? No fim a podridão é a mesma. E o que muda é o valor do cheque. Valor esse que sabemos que traz para esse tipo de gente: a impunidade.

E como viram ainda não contei o que aconteceu dentro desse residencial.

Três jovens que estavam próximo ao muro ao ver que um grande outdoor caiu sobre ele, que chegou a cortar a energia… talvez, acreditando que também teriam como proteção uma noite chuvosa… resolvem ir até lá para roubarem. Ingenuidade, talvez acreditaram que não haveria alarmes na casa, nem muito menos pessoas dispostas a reagir e matar. Dois foram mortos à queima-roupa. O mais jovem, Miguel (Alan Chávez), conseguiu escapar da cena do crime. Mas que ainda está dentro daqueles muros. Com o dia amanhecendo, procurou um esconderijo.

Os tiros, foram ouvidos do outro lado. Acionaram a polícia…

Nessa história há um outro jovem: Alejandro (Daniel Tovar). Mas esse é morador. Isso acontece no dia de seu aniversário. Como um presente do destino, acaba conhecendo Miguel. A princípio, sente ojeriza por conta do que o Miguel fez. Mas com o passar das horas… com o rumo dado por alguns dos moradores, não apenas para encobrir as evidências dos crimes cometidos naquela área, como também com uma caça insana ao terceiro ladrão… Alejandro tenta fazer a diferença dentro dos seus. E ele vai atrás de um ‘salvo-conduto’ para tirar Miguel dali de dentro.

Mesmo Miguel sendo um delinqüente… Ficou um desejo que o Alejandro o levasse a uma outra ‘jurisdição’. Agora, pelo filme… Qual?

Não percam esse filmaço! Nota máxima!

Por: Valéria Miguez (Lella).

Zona do Crime (La Zona). 2007. México. Direção e Roteiro: Rodrigo Plá. Elenco: Daniel Giménez Cacho, Maribel Verdú, Alan Chávez, Daniel Tovar, Carlos Bardem, Marina de Tavira, Mario Zaragoza, Andrés Montiel, Blanca Guerra, Enrique Arreola, Gerardo Taracena. Gênero: Drama. Duração: 97 minutos. Classificação etária: 16 anos.

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8 comentários em “Zona do Crime (La Zona. 2007)

  1. A galera precisa descobrir este filme Lela….

    Realmente o tal Rodrigo Plá foi muito feliz na direção deste roteiro, especialmente ao retratar um tema tão atual como a desigualdade social contemporânea: o encastelamento comunitário nos condomínios, com a proposta de “desfrutar” de uma segurança para se livrar do “mundo cão do lado de fora”…

    A pergunta que fica após você sair da sala é? Será que eu agiria diferente? Dá nó na garganta… Dada a seriedade do assunto, recomendo demais…
    bjo grande…

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  2. E como precisam! De todos os filmes que vi esse ano, esse é um que dá até vontade de indicar num ‘comboio’ a todos dos meus contatos.

    Zona do Crime traz um “Acorda!” geral

    Uma outra questão, é com o porte de arma. Quem usa uma arma, acaba se habituando a ela. Mais que uma bengala, ela vira um apêndice da pessoa. Antes de achar que ela é para se defender, deveria ter em mente que ela mata outras pessoas. A arma faz com que o instinto de sobrevivência vá para o lixo.

    Naquela loucura toda, um inocente foi morto por um morador. Mas para eles, isso não fez nenhuma diferença, não é mesmo? E pela arrogância da maioria… Esse que morreu é mais um item descartável na parafernália daquela segurança.

    Olha, arma não tenho, nem nunca quis ter uma. Odeio as grades nas janelas daqui de casa. Por essas e outras coisas mais… Eu também tentaria um salvo-conduto para o delinqüente.

    Outro beijo grande pra ti!

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  3. Valéria, estou há um tempo a fim de ver este filme.

    Vendo o trailer, lembrei de um documentário que achei muito forte e bacana: La Sierra.

    É em Medellin, Colômbia. Mas poderia ser em qualquer morro ou favela brasileira.

    Acho que seria um contraponto interessante à ficção do Zona do Crime e, ainda enfatizaria o fato de que o problema da violência é independente de fronteiras geográficas, já que um é no México, outro em Medellin. E pensando bem, ainda daria para usar O Invasor e Cidade de Deus junto para enfatizar mais ainda esta questão.

    Segue o link:

    http://www.lasierrafilm.com/

    ‘braços

    Celso Bessa

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  4. Oi Celso,

    quando anunciou a Série “Cidade dos Homens” na tv, eu pensei: Vou ver o primeiro episódio, mas mais por curiosidade.

    E ao mesmo tempo que fiquei sobre um impacto, me fez acompanhar todos os outros. A mim, parecia um outro mundo.

    Nesse filme, o que os moradores fizeram… a mim, também pareceu um mundo a parte.

    Em comum, e o que nos assusta, é que fazem suas próprias leis.

    Não vi o Documentário, nem o filme ‘O Invasor’. Valeu pela dica. Quanto ao ‘Cidade de Deus’, o autor foi alguém que fez a diferença entre os seus.

    O lance é que os guetos estão se propagando. Com ou sem riquezas. E ambos, com trincheiras como se estivessem em guerra.

    Eu quero um mundo sem armas, sem fronteiras, sem grades nas janelas, e se possível sem violência.

    Espero que consiga assistir ‘Zona do Crime’.

    Beijo grande,

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  5. Achei esse filme bem interessante pela forma como mostra a contradição nas pessoas, a corrupção nas instituições. Moro em Fortaleza, creio que seja uma das cidades com maior desigualdade econômica no País, e o “encastelamento” é preocupante. Decerto que as pessoas querem se proteger da violência, porém será que essa é de fato um medida eficaz? O filme mostra que não.

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  6. Oi Natália,

    antes, seja Bem-vinda e grata por compartilhar suas impressões!

    Como também vivências. Pois esse filme nos leva a um novo olhar com a violência urbana. Você tocou num ponto fundamental: realmente o filme mostra que esse encastelar não é a solução. Embora, há quem ainda prefira isso.

    Em relação a desigualdade econômica ela está, creio que em quase todas as grandes cidades. Mas um dos fatores desencadeante da violência urbana é o “ter” sendo mais importante que o “ser”. O querer ter muito mais do que não necessita.

    E corrupção nas instituições… é uma praga sem fim.

    Volte mais vezes!
    Beijo grande,

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  7. Oi Lella !!
    Vi este filme este final de semana, e como é um dos objetivos do longa, me levou a refletir. Tanto em nossos valores como seres humanos, quanto nossa posição como cidadãos na atual realidade urbana que nos encontramos.

    Tem vários pontos que poderíamos comentar, mas dentre eles um que me chamou a atenção foi a questão da justiça pelas próprias mãos. A tensão do filme é toda baseada nesta premissa, onde um grupo de pessoas prossegue um intruso, que alem de invadir sua casa, no caso o condomínio, ainda cometeu um crime, que foi matar um membro daquela comunidade, segundo a visão daqueles moradores.
    A perseguição chega num clímax que me deixou constrangido, porem, me fez refletir no lugar de uma daquela pessoas. Já fui assaltado, já tive raiva instantânea de outra pessoa que na hora é denominado como bandido, ladrão, malfeitor, e claro já tive, como muitos, a mesma motivação que aquelas pessoas tiveram de caçar e matar, de fazer justiça com as próprias mãos.
    Porem fiquei extremamente incomodado com a reação daquelas pessoas, de querer defender o que é deles, o que conquistaram.
    Este foi um dos pontos que mais me fez refletir.
    Eu, como muitos, acredito muito pouco na policia, como mostrado no filme, que é digamos a mão da justiça, e assim também na justiça, mas acho que antes agir através da justiça com a razão do que agir com as próprias mãos no calor da emoção.

    Este é apenas um dos pontos a se refletir, claro que este filme gera debate para um dia inteiro de discussões;

    Altamente indicado.

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  8. Oi Fábio!

    Seja Bem-vindo! E grata por compartilhar suas impressões! Eu gosto disso!

    Pois é, essa justiça pelas próprias mãos vem com a posse de uma arma, em primeira instância. Depois com aquela famosa frase: ‘Sabe com quem está falando?’. Com isso, essas pessoas se acham acima das leis. Logo, não tem que ser punidas na mentalidade delas.

    Em relação ao que morreu, sem ser os jovens transgressores, ele foi um dos seguranças. O que na visão de alguns dos moradores, era um objeto sem valor; algo que poderiam repor. Mas como ele tinha quem o reclamasse pelo seu corpo… Trataram de limpar a sujeira. E ai entra o poder que eles achavam que detinham. Pior, que o tinham de fato, e até de direito por conta da corrupção.

    De fato, ser roubado, assaltado… Enfim, tirar à força algo que demos duro, que trabalhamos muito para conseguir, revolta sim. Agora, matar e limpar o crime, isso já é outra história. Ainda mais sendo por coisas materiais.

    Espero que volte mais vezes. Até para falarmos de outros filmes. Ou quem sabe, sobre um trazido por ti.

    Beijo grande,

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