Rocky – Um Lutador (1976)

Rocky – Um Lutador‘ é O MELHOR filme da carreira do Sylvester Stallone. Na verdade, podemos considerá-lo como seu divisor de águas. A partir de ‘Rocky’ ele passa de ATOR a ASTRO.

Sem sombra de dúvidas, o filme que alavancou sua carreira, além de conseguir uma grande bilheteria, ponto forte de franquias assim, conseguiu o que poucos blockbusters conseguem: FIDELIZAÇÃO! Uma coisa é o sucesso momentâneo. Outra é conseguir uma prole de fãs que, mesmo após décadas, continuam discutindo e defendendo incansavelmente seu personagem favorito. Essa força do personagem se deve à sua evidente identificação com seu público.

Contexto histórico – 1976. Quatro anos antes explodira o escândalo de Watergate, com o arrombamento da sede do Comitê do Partido Democrata meses antes das eleições. Nas investigações, foi constatado o envolvimento do presidente Nixon que, dois anos após, abandona seu cargo na Casa Branca. Um escândalo que sujou o orgulho americano. Nesse mesmo período, os EUA amargavam um desastre chamado ‘Vietnã’. O tão famoso ‘Orgulho Americano’ estava aos pedaços. Os estadunidenses sentiam vergonha de seu governo e de sua nacionalidade e nada parecia reverter aquilo. Algo precisava ser feito para dar a ‘injeção de ânimo’ que aquele povo precisava.

O personagem – No filme, Sly interpreta quase que ele mesmo. Um lutador medíocre, devendo até as partes íntimas que vive de pequenos serviços para sobreviver. Eis que aparece uma oportunidade de mudar de vida quando recebe o convite do Campeão Mundial Apollo Creed (Carl Weathers) para uma disputa. Para Apollo, era apenas mais uma jogada de marketing; Para Rocky, a oportunidade de sua vida. Bastava apenas manter-se alguns rounds de pé e receber seu pagamento (além, é claro, de ter seu nome divulgado e poder quem sabe arranjar um emprego de verdade). Mas isso, obviamente seria difícil pacas, haja visto o ‘peso’ do desafiante. Assim, Rocky pede a ajuda de Mickey (o ÓTIMO Burgees Meredith) para ajuda-lo em sua preparação.

A identificação com o público – A partir daí, vêm as cenas de treinamento árduo e ostensivo paralelas a seus dramas pessoais e aos efeitos que aquela disputa tem em sua vida. E são essas tramas paralelas que ganham o filme e o apreço do telespectador que passa a ver nos personagens partes de si mesmo. Entre um soco e outro, vemos o desenrolar do romance entre Rocky e Adrian (Tália Shire ÓTIMA), a moça tímida e de hábitos simples pela qual muitos de nós já nutrimos uma paixãozinha na adolescência (a conversa dos dois na pista de patinação é de uma simplicidade tão tocante); seus conflitos com o amigo Paulie que, assim como ele, era mais uma vítima da falácia social daquele sistema. As cenas da ‘explosão’ de Paulie, seu desabafo na casa de Rocky são marcantes (Jason Robards não merecia esse Oscar).

Mas o essencial nos remete de volta ao treinamento. Aquele homem simples que treinava com vigor mesmo estando de estômago vazio era nada mais que uma representação do que era o cidadão americano de classe baixa àqueles tempos. Como não sentir-se tocado com aquele homem com as mãos ensangüentadas dando socos em uma peça de carne no frigorífico por não ter onde treinar?

À medida que a luta se aproximava, sua vida e de todos ao seu redor ia se transformando. Da noite para o dia, o ‘Garanhão Italiano’ passou de um desconhecido a célebre desconhecido. Sim, pois sua derrota era certa e mais certa ainda a rapidez com que o esqueceriam.

Mas chega o dia da grande luta e, por mais incrível que pudesse parecer, as atenções maiores estavam voltadas para ele. O homem encontra o deus. Se cumprimentam e começam a luta. Vários rounds e socos depois, o perdedor anunciado continuava firme de pé e o favorito cambaleava. O combate se estende até os últimos minutos e ele, o homem desacreditado por todos, ainda estava lá, dando seu sangue pela melhor (e certamente única) oportunidade de sua vida.

E nós… Fazemos isso? Será que também estabelecemos para si próprios metas quase inalcançáveis e passamos por grandes adversidades mas, mesmo assim, vamos em frente para chegar lá? Será que alguma vez nos permitimos ‘comprar uma briga’ dada como perdida? Se a resposta for ‘SIM’, então você tem um pouco de Rocky Balboa.

Era essa mesma a intenção. Aquele homem simples chamado Rocky Balboa foi feito com um pouco de cada americano envergonhado e revoltado que, além dos parentes e amigos perdidos em uma guerra tola e (mais além, mas muito mais além) dos escândalos do alto escalão do Governo, tinha suas humilhações diárias em uma vida simples que toda a sociedade tentava fazer pequena, tomando-as como ‘causas perdidas’.

Mas ali estava um homem como eles que encarnava um novo tipo de herói, sem os super-poderes de um Superman ou o charme e inteligência de um James Bond: um homem de carne e osso que mal sabia falar. Um homem simples que não queria salvar o mundo de cientistas malucos com armas nucleares, mas sim apenas provar a si mesmo e (se der) aos outros que pode melhorar de vida e proporcionar isso à sua mulher e filhos.

Como disse Mickey ao Rocky quando ele quase desistiu (sim, nós também quase desistimos às vezes): “Não há nada que você não possa fazer. Se o gongo ainda não soou, então a luta ainda não acabou!” E Rocky não desistiu. Perdeu por pouco (na contagem dos pontos), mas isso já não importava. O homem simples, o ‘ninguém’, havia chegado ao último round com um Campeão Mundial, com certeza, a sua maior vitória.

E se ele conseguiu, por que não podemos conseguir também? Eu me pergunto isso, assim como os milhões mundo afora que consagraram e eternizaram esse filme MARAVILHOSO.

Por: Luiz Carlos Freitas.

Rocky – Um Lutador. 1976. EUA. Direção: John G. Avildsen. Roteiro: Sylvester Stallone. Elenco: Sylvester Stallone, Talia Shire, Burt Young, Carl Weathers, Burgess Meredith. Gênero: Drama, Romance, Esporte. Duração: 119 minutos.

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7 comentários em “Rocky – Um Lutador (1976)

  1. Luiz!

    Grata, por também ter aceito o convite!
    E seja Bem-vindo!

    O texto me fez ficar com vontade de rever esse filme E ele traz sim a mensagem de superação. De acreditar em si próprio.

    E o Sylvester está um gato nessa foto 🙂

    Beijo grande,

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  2. Song Title – Rocky:

    01. Gonna Fly Now – DeEtta Little/Nelson Pigford
    02. Eye of the Tiger – Survivor
    03. Going the Distance
    04. Living in America – James Brown
    05. Redemption (Theme From Rocky II)
    06. Fanfare For Rocky
    07. Burning Heart – Survivor
    08. Conquist
    09. Adrian
    10. No Easy Way Out – Robert Tepper
    11. Rocky’s Reward
    12. Alone in the Ring
    13. Hearts on Fire – John Cafferty
    14. Can’t Stop the Fire
    15. Mickey
    16. Overture
    17. It’s a Fight – Three 6 Mafia
    18. Gonna Fly Now – Natalie Wilde (John X remix)

    E para quem quiser ouvir Eye of the Tiger:

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  3. Aí LC,

    Belo texto, bela defesa apaixonada de teu filme.

    Imagina quando escrever sobre um filme que realmente mereça elogios…

    [:P]

    Ótimo blog Valéria, adicionei.

    [:P]

    []ão!!

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