Festim Diabólico (Rope. 1948)

Eis meu primeiro filme do Hitchcock. Tive o prazer de ser apresentado à sua obra com apenas 14 anos… E ainda acho que foi tarde. Nesse espetáculo, Hitchcock traz às telas uma das mais perfeitas representações do sadismo e da perversão do ego humano de sua carreira.

Aqui, o ‘mestre’ faz uso de breves tomadas alternadas em um único cenário e basicamente o mesmo ângulo de câmera que fazem com que as cenas pareçam ininterruptas, dando um vigoroso ar de teatralidade que só influiu para que o filme ficasse mais e mais grandioso a cada cena, pois sem grandes cenários não havia como encaixar longas e arrastadas seqüências de suspense, tampouco cenas de ação fantásticas. O único cenário deixava toda a ‘responsabilidade’ nas mãos dos atores.

Aliás, se tem algo de vigoroso além da direção que deva ser destacado são as atuações. O elenco, relativamente pequeno, faz-se menor ainda diante da dupla de assassinos e de seu desconfiado professor.

O obstinado Rupert, o egocêntrico Grandon e o assustado Philip rendem alguns dos mais tensos momentos que já presenciei nessa minha breve (mas não tão curta) vida de cinéfilo. Cada vez que alguém apenas dirigia o olhar ao baú onde estava o cadáver, a tensão aumentava e quando a Sra. Wilson levantou a tampa e quase entregou tudo, meu coração disparou (e não é fácil um filme despertar isso em mim).

Ao desenrolar da trama, os demais personagens saem e restam apenas os três principais.. E é aí que o filme embala rumo ao magistral. A tensão aumenta, o desespero de Philip procurando afogar sua culpa na bebida, o sadismo de Brandon mantendo-o firme até o último instante e a perseverança de Rupert tentando disfarçar seu medo por estar sozinho com dois psicopatas tão evidente no tremor de suas mãos.

Aliás, o filme pode ser apoiado sobre quatro pilastras: o baú, a mão de Brandon na arma em seu bolso, o olhar temeroso pelos próprios ombros de Rupert e as doses de Philip (a cada gole, seus trejeitos mudavam… Os olhos ficavam mais fundos e a angústia de sua culpa nos era mais e mais intensa).

E o final não poderia ser mais coerente com o espetáculo. A sutileza de um gênio passada pelas sirenes da polícia.

Enfim… Mais uma obra-prima (tantas, né?) de um dos maiores gênios do cinema. NOTA: 11,0.

Por: Luiz Carlos Freitas.

Festim Diabólico (Rope). 1948. EUA. Direção: Alfred Hitchcoock. Elenco: James Stewart, John Dall, Farley Granger, Cedric Hardwicke, Constance Collier, Douglas Dick, Edith Evanson, Dick Hogan, Joan Chandler. Gênero: Crime, Drama, Thriller. Duração: 80 minutos.

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