Em Paris (Dans Paris. 2006)

Moscou não acredita em lágrimas.

O que me levou a assistir esse filme foi o ator Louis Garrel. Por ter gostado dele em “As Canções de Amor“, li que participara desse. E foi por apenas essa informação. Meio que ainda sem saber da trama, logo na cena de início me fez pensar em outra do outro filme. Se lá ele dividia a cama com duas mulheres, nesse eram dois homens. Com mais esse detalhe, segui atenta. Até que tomo um susto, por vê-lo olhar para a câmera. Olhar para mim. Foi um susto gostoso, meio que pega num flagra! Logo em seguida ele conta um pouco do que iremos ver. Mas antes de voltar ao filme… Deixa uma pergunta no ar… Como a minha resposta seria um não categórico. Pois seria algo que eu não faria. Acompanhei com mais interesse a história. Quem teria feito tal coisa?

O outro na cama é seu irmão, Paul (Romain Duris). Com o desenrolar da história ficamos sabendo que está sofrendo muito com uma separação. Nesse período depressivo foi morar com o pai, Mirko (Guy Marchand) e o irmão Jonathan (Louis Garrel). Esse, acaba cedendo o lado da cama para o irmão. E com um temperamento inverso de Paul, pelo seu jeito extrovertido, tenta levantar a moral do irmão.

A frase no início do texto é mais que um chavão do pai. É como uma armadura para enfrentar os dissabores da vida. Até da sua separação. Como Mirko para os filhos passa a idéia de ser uma fortaleza, Paul fica mais vulnerável ainda. Há uma cena onde ele diz ao irmão – ‘Não me massacra!‘ – nos faz sorrir carinhosamente. Pois não tem como não se encantar com o jeito moleque de Jonathan, nem pela fragilidade de Paul. E quando Jonathan diz – ‘… te dou uma porrada!’ – percebemos o quanto Paul precisa dele. Mesmo sendo Paul o irmão mais velho. (Ah! As reticências são para encobrir um spoiler.)

O filme deixa a mensagem que o homem pode chorar sim por amor. Que isso não é exclusividade de nós, mulheres. Muito embora, muito deles não chorem.

Falando em mulheres… O filme traz uma inversão do que comumente se vê entre casais. E o faz com duas personagens femininas, no caso, duas ‘ex’, a de Paul, e a de Mirko. Essa, com algo muito mais comum aos homens. A mãe de Jonathan e Paul em vez de um nome ganha uma alcunha bem pejorativa.

A história se passando às vésperas do Natal, deixa a idéia do peso do sentir-se protegido, de ter um porto-seguro, de saber que é amado… Mirko, é um pai zeloso. Meio bronco no que se refere a carinho, mas se preocupa com eles. É gostoso vê-lo em seus cuidados, principalmente com Paul. E também é de se acompanhar emocionada as conversas com os dois irmãos.

E o filme tem um trecho musical lindo. Com Paul e a ‘ex’. Numa de mostrar que se é definitivo a separação, que é melhor fazê-la antes de virar uma guerra. Sair de cena enquanto há um diálogo amigável.

Pois é, mais um belo filme focando o universo masculino. Mas com um diferencial. Sendo eles, cada um a seu modo, passando pelo sentimento de perda. Eu gostei de ‘Em Paris‘! Bom para ver e rever!

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Em Paris (Dans Paris). 2006. França. Direção e Roteiro: Christophe Honoré. Elenco: Louis Garrel, Romain Duris, Guy Marchand, Joanna Preiss, Marie-France Pisier, Alice Butaud. Gênero: Drama. Duração: 92 minutos.

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8 comentários em “Em Paris (Dans Paris. 2006)

  1. Oi Lella,
    Li sua resposta ao meu comentário em “Les Chansons d’Amour” e fui correndo procurar o artigo sobre “Dans Paris”… achei engraçado… porque comigo foi o inverso… assisti “Les Chansons…” por já ter assistido “Dans Paris”… lembro que meu vazio ao sair do cinema era maior do que quando entrei…
    Quanto a temática ser diferente… acho que não… o que adoro nos dois filmes não é exatamente a história dos personagens mas como o relacionamento entre pessoas, que esta presente em ambos, é colocado… não vejo os personagens como gêneros… vejo erros e tentativas que cometemos independente do relacionamento ser familiar, hetero, homo ou bi… vejo um pouco do que sou em todos por me identificar com as situações e não com os personagens…
    “Dans Paris” me fez pensar porque deixamos a relação chegar a um ponto intolerável?… posso estar louca mas uma parte da resposta esta no diálogo entre Ismaël e Erwann(“Les Chansons d’Amour”) com a música “As-tu dejá aimé?”… ok… eu tenho uma visão fatalista… não acredito muito em aprender com erros quando há emoções em jogo… estou mais para a teoria do filme “Goldfish Memory” onde um dos personagens compara a capacidade de amar dos humanos com a mente dos peixinhos dourados, que só possuem três segundos de memória e rapidamente esquecem o momento anterior. Na minha opinião… isso se aplica aos erros também…
    Acho melhor acabar por aqui antes que meu comentário comece a ficar mais confuso… a tendência é piorar… acredite!
    Novamente parabéns e com certeza visitarei seu blog com mais freqüência.
    abraços

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  2. Ellen,

    apesar de ambos falarem do sentimento de perda. Da sensação de sentir a falta do grande amor, o ponto de diferença é que um deles veio com a morte. E nesse caso não dá mais para uma mudança na relação.

    Quando eu cito, eu trago o tema da sexualidade, creia, eu não estou sendo preconceituosa. Eu faço isso para manter esse tema em discussão para que mais e mais pessoas deixem de discriminar.

    Faz tempo que não vejo novelas, mas sei quando há um casal homo numa, pelos comentários que ouço de quem assiste. E são ainda por não aceitarem essa relação.

    No outro filme, você viu que quando a mãe da jovem quis falar sobre a bissexualidade dela, pediu a outra filha para sair. E por conta de que? Se a outra não era criança. A mim, pareceu que ela não queria que a outra ouvisse maravilhas dessa relação. Numa de que a outra também não viesse a ser. Por ai.

    Há quem tenha que morar longe da família para ser feliz. Até por aceitar que os pais não aceitam de toda a relação.

    Mas eu também ressalto gravidez precoce; aborto; maus tratos… Em meus textos tem também um olhar meio didático.

    Ainda não vi ‘Goldfish Memory’. Se quiser escrever sobre ele, ou até sobre outro (Que também ainda não tem no acervo do Blog), pelo o que escreveu aqui, ficarei feliz se aceitar o convite. Se topar, deixe o ‘Sim’ num comentário, que eu repasso por onde me enviará texto e foto para que eu publique.

    Beijo grande,

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  3. Oi Lella,
    Estou, sinceramente, lisonjeada com seu convite, ficarei feliz em contribuir, porém, além de ser muito tímida, preguiçosa e de idéias desordenadas… também tenho dúvidas se sou boa nisso… enfim… dicas boas eu garanto… aliás… posso te passar uma lista de filmes que provavelmente você iria adorar… mas escrever sobre eles será um desafio que não sei se darei conta… rsrs

    Voltando a falar de Les Chansons d’Amour… acho que para Ismaël mesmo com a dor, ele tem a oportunidade de recomeçar, porém, a família já não tem essa chance… enfim… ainda não sei qual a pior maneira de peder alguém… acho que depende de como você alimenta esses sentimentos… Sobre a mãe pedir à filha que saia do recinto para falar sobre a bissexualidade da irmã… acho que esta mais para um constrangimento normal de mães quanto a vida sexual das filhas, idependente da idade delas, do que medo da outra se interessar sobre o assunto…

    Quanto as temáticas polêmicas… acho que tens razão… elas são necessárias para que surjam discussões… e… elucidações sobre essas questões… de nenhuma maneira achei que você estivesse sendo preconceituosa… pelo contrário… achei bonitinho a sua preocupação…

    Engraçado seu comentário sobre pessoas que são felizes longe da família… porque sou uma delas… e embora meus motivos sejam os mais variados… posso resumir em uma palavra… individualismo (há quem diga que é egoísmo) rsrs

    Goldfish Memory… assita… é um filme suave e honesto… e esta comprometido com esses temas que você gosta de abordar…

    Bom… novamente o que era para ser um comentário virou uma carta… rsrs… o que prova que seu blog incita debates… bons debates…

    É isso… cuide-se

    grande abraço

    Curtido por 1 pessoa

  4. Ellen,

    no início, esse Blog era apenas como um caderno de notas meus, onde eu guardaria os textos sobre filmes que escrevo. Nem imaginei o tanto que ele é hoje.

    E foi por essas participações de vocês, eu confesso que tomei gosto por ele. Essa troca de idéias, ou mesmo em deixar uma impressão do filme, é gratificante 🙂

    Em relação ao texto, não fique intimidada. Os críticos profissionais já tem seus espaços. Aqui é para quem apenas gosta dos filmes. Em textualizar o que sentiu no filme.

    Há filmes que eu escrevo muito, outros nem tanto. O lance é deixar a emoção falar o que ela quiser.

    Olha, até a data de hoje, apenas uma pessoa não gostou do meu texto. Detonou mesmo o meu texto. E eu não mexi numa vírgula sequer do que ela escreveu. Digo isso, que pode pintar alguém criticando, e de um jeito até leviano, ou arrogante. Mas é raro.

    Pelo o que você tem escrito dos filmes franceses, lhe asseguro que escreve muito bem.

    Vou te passar o bat-canal 😉

    Em relações aos ícones/avatar, tem poucas opções. Ou melhor, tinha. Pois fui procurar nas Configurações e não encontrei. Aliás, eu me perco lá dentro 😀 com toda certeza, esses lances de informática não é a minha praia.

    Beijo grande,

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  5. Sobre o inividualismo, numa comuna (Orkut), ‘Harém do Brasil’, abriram um fórum interessante: ‘O individualismo do sabonete’. Que rendeu um debate legal.

    Eu voltei a morar com meus pais por questões financeiras. Mas confesso que adoraria voltar a morar sozinha.

    Em relação a mãe ficar constrangida ao falar de transas, eu ainda acho que se a filha fosse hetero, a mãe não pediria a outra para sair do aposento.

    Fico feliz em saber que não passo uma idéia errada da minha parte. Pois não sou mesmo preconceituosa.

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  6. Oi Lella,
    Recebi seu e-mail… tentarei transpor minha timidez… quanto ao ícone… sem problemas… foi só uma rabugentisse minha… rs…
    Sobre dúvidas de como usar o wordpress você pode usar o fórum que aparece em cima à direita da sua página quando você loga, em português os tópicos ainda são precários… mas ajuda.
    Entrei no fórum do orkut que falaste… me rendeu boas risadas… muito bom
    Hoje serei breve… a preguiça está falando mais alto…

    grande abaço

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  7. Certo! Sem pressa, um dia o texto saiu 😉

    Tive que desligar tudo por conta de um temporal chegando. Com grana curta, não dá para arriscar em um relâmpago queimar o pc. Dai, só voltando agora. E dando o retorno com mais calma.

    Que bom que se divertiu por lá. Entre para aquela turma 🙂 somos todos boa gente!

    E ótima idéia em ir ao Fórum do WP. Eu já fui olhar outras vezes, mas nem atinei em pedir ajuda por lá. Valeu!
    Beijão,

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