Um Herói do Nosso Tempo (Va, Vis et Deviens. 2005)

Então quando você sentir que acabou a esperança, Olhe dentro de você e seja forte. E você finalmente verá a verdade, Que há um herói em você.

Somente o passado era previsível aos olhos dessa mãe. Nele a crueldade de uma guerra religiosa e étnica já lhe tirara quase toda a sua família. Ficara apenas ela e um único filho. Restara-lhe agora um dilema: mantê-lo junto a si, mas sem saber até quando, ou perdê-lo para o mundo, mas dando a ele a chance de ser alguém na vida? O momento dessa tomada de decisão se aproximava. A Operação Moisés era a oportunidade de dar um futuro digno ao seu filho, ainda um menino. Não seria fácil pois precisaria de ajuda.

Um resumo do que foi a Operação Moisés. Um fato histórico acontecido em 1984. Onde uma equipe do Mossad resgata judeus etíopes de um acampamento de refugiados no Sudão. Levando-os para Tel Aviv, Israel.

Agora voltando a batalha invisível que então levaria seu filho para longe de si. Ele teria que se passar por judeu. Como convencê-lo a ir sem ela. E quem a ajudaria.

À essa mãe tão castigada pela vida, uma outra mãe que há poucas horas perdera seu filho, numa linguagem muda dá a ela a certeza de que dali para frente seria com ela. Assim o menino ganha um novo nome: Schlomo. E ele de coração partido segue em frente para cumprir um pedido/ordem de sua mãe: “Vá, viva e se transforme“.

Uma pausa para voltar a falar da Operação Moisés. É que no início do filme me peguei a pensar se atualmente outras nações também não faria o mesmo. Por ter sido um feito digno de aplausos. Mas com mais um pouco do filme vi que nem mesmo Israel voltaria a fazê-lo. Como também ficou uma dúvida do porque fizeram. Até por terem se cercado de todo um aparato para receber esse povo: muros, soldados… Parecia que estavam numa prisão. Com muito mais regalias é claro. Mas ainda detidos para uma investigação mais detalhada se eram de fato judeus.

Schlomo perde ai essa sua segunda mãe. Mas o destino ainda conspirava a seu favor. Lhe dando uma terceira e então definitiva mãe. Por sorte ele fora adotado por uma família agnóstica, e de esquerda. Mas achando que ele de fato era judeu o colocam para estudar o Torá.

Scholmo mesmo diante de tanta fartura em alimentos, recusa-se a comer ficando apenas nos líquidos. Falando em líquidos, a cena do seu primeiro banho de chuveiro arrepia de tão emocionante. E quando ele conta o porque do que o traumatiza tanto. É de sentir raiva da estupidez, da selvageria dos homens num campo de batalha e com inocentes.

Voltando a essa terceira mãe, ela é incansável. Tanto na educação, como em tentar cicatrizar as feridas desse coraçãozinho. Precisam ver o que ela faz para que Scholmo decida se alimentar. Entre broncas e carinhos, ela o faz seu filho: de fato e de direito. E lutando para que o respeitem como um deles. Mais que o preconceito religioso, a cor da pele será uma batalha que ambos irão enfrentar dali para frente.

Além dessas “três” mães, uma outra mulher entra na sua vida na fase da adolescência, e segue junto com ele. Ela teve que romper outras barreiras, teve que romper laços sagrados para ficar ao lado dele. Por ter quem não aceitava a relação de uma branca com um negro.

Em sua trajetória de vida dois homens contribuíram e muito em sua formação. Diria que foram seus dois Mentores. Um, um patriarca de sua terra natal, que tal como ele, estava em exílio. Eram ambos dois sobreviventes. O outro, o avô da família que o adotou. Ambos ensinaram os verdadeiros valores, as verdadeiras bagagens que se deve levar ao longo da vida. A cena de uma sabatina final na leitura do Torá é emocionante.

Não querendo “comprar” guerras até por imposição do pai adotivo que o queria lutando ele vai estudar medicina em Paris. Mas ao se formar acaba embarcando numa guerra que não era dele. E nela por se vê impedindo de atender alguém – e por ambos os lados numa guerra estúpida -, se descuida e termina sendo ferido. Voltando então para a casa, e se casa.

Acabou? Não! Tem muito mais ainda. Eu apenas pincelei o que seria esse filme. Nele temos a trajetória de um menino até a fase adulta. É um filme longo. Poderia ter sido mais enxuto? Sim! Mas creiam, mesmo assim não cansa, nem nos tira a atenção. O final do filme arrepia! Agora, embora eu tenha gostado muito, revê-lo talvez num remake mais curto. Ou em Dvd para ver em partes.

Por: Valéria Miguez (LELLA).

Um Herói do Nosso Tempo (Va, Vis et Deviens). 2005. França, Romênia. Direção e Roteiro: Radu Mihaileanu. Elenco: Yaël Abecassis, Roschdy Zem, Moshe Abebe, Sirak M. Sabahat, Roni Hadar. Gênero: Drama. Duração: 140 minutos.

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2 comentários em “Um Herói do Nosso Tempo (Va, Vis et Deviens. 2005)

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