Sinédoque, Nova Iorque (Synecdoche, New York. 2008)

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Antes… a história do filme: “O diretor teatral Caden Cotard está à beira do caos. Sua esposa Adele o abandona e vai para Berlim levando a filha deles. Sua terapeuta não o ouve e seu caso com a bela Hazel não dura muito. Pra piorar, ele começa a sofrer de uma misteriosa doença no sistema nervoso que debilita o funcionamento do corpo. Temendo uma morte prematura, Caden muda-se com sua companhia de teatro para um velho armazém e desenvolve uma peça para celebrar a banalidade do cotidiano. Quanto mais mergulha na obra, mais ele compreende o sentido de sua existência.

A estréia de Charlie Kaufman na direção sugeria que ele elevaria a maiores potências seu gosto pelo incomum. O que não poderíamos prever é que ela criaria uma obra-prima instantânea, tão repleta de significados, fúria, solidão, complexidade, dor, perdão, paixão, poesia e tanto amor. Esses termos podem parecer clichê, palavras gastas, mas cada um deve ser entendido na acepção real da palavra.

Dissecando a vida e a arte de Caden Cotard, Kaufman fala de si, de todos os artistas, de todos nós, da vida no cinema e fora dele. Fala de uma intrincada e ao mesmo tempo simples rede de relações, medos, frustrações, descaminhos, devoções e sentimentos conflituosos chamada vida.

Como o título sugere, há um forte jogo metalingüístico. Obviamente, isso vai assustar e deixar ao léu o espectador médio. Contudo, quem decidir entrar no universo proposto, vai conhecer um dos mais significativos filmes recentes, daqueles que vão dividir muitos hoje, mas que, provavelmente, em poucos anos, será unanimidade absoluta.

Podemos fazer relações com muitos filmes, pelo teor e conteúdo: “8 ½” , de Fellini, “Magnolia”, de Anderson, “2001”, de Kubrick. E com vários filmes que falam de vida, do universo e do homem de forma tão pessoal, que trate de um microcosmos para falar do universo todo, que consiga reunir tanta disparidade e diferença e tornar isso algo coeso e verdadeiro.

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O elenco estupendo embarca nessa jornada e abrilhanta cada cena de forma magistral. Inclusive sabendo aceitar pequenas participações – como nos filmes do Mestre Allen – cientes de que o importante é o todo, e não uma parte. Citar alguns seria injusto, mas de certa forma o filme faz isso. Philip Seymour Hoffman, estupendo, tem um desempenho que vale uma carreira, daqueles que será lembrados por anos. Samantha Morton, ótima atriz, tem o segundo papel do filme, e se desimcumbe dele muito bem. Dianne Wiest, maravilhosa! maravilhosa! maravilhosa!, com um pequeno mas fundamental personagem, que traz mais humanidade ainda ao filme, mostra o que uma grande atriz pode fazer.

Como é da natureza humana espera por algum reconhecimento, o filme, a direção e o roteiro de Kaufman, as performances de Hoffman, Morton e Weist e a direção de arte merecem e devem ser indicados para o Oscar e todos os outros prêmios da Temporada. Muito mais deveria vir, mas isso seria o obrigatório.

Kaufman atinge sua maturidade artística. Nunca fez nada tão bom. Conduzindo tudo de seu modo, rende seu melhor momento até aqui. Prova que é muito mais que cool: é bom. Fez algo grande. Que transcende gosto particular e estilo e trata de algo muito mais amplo e comum: essa grande jornada chamada vida. Fez uma instantânea e muito particular obra-prima!

É duro ver uma tradução tosca de “New York” para “Nova Iorque”. Muito duro! Isso não se traduz… Mas como os tacanhos e tontos decidiram lançar o filme assim e como vale o título oficial brasileiro… Haja paciência para mentalidades atrasadas e provincianas!

E ainda para ser mais belo, no início tem uma montagem de “A Morte do Caixeiro Viajante”, uma das obras-primas teatrais do século, do grande Miller.

Por: Fábio Dantas.

Sinédoque, Nova Iorque (Synecdoche, New York). 2008. EUA. Direção e Roteiro: Charlie Kaufman. Elenco: Philip Seymour Hoffman, Samantha Morton, Dianne West, Michelle Williams, Catherine Keener, Sadie Goldstein, Tom Noonan, Peter Friedman.. Gênero: Comédia, Drama. Duração: 124 minutos.

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4 comentários em “Sinédoque, Nova Iorque (Synecdoche, New York. 2008)

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