Sacrifício e Redenção em ‘A Paixão de Cristo’

passion-of-the-christPor: Eduardo S. de Carvalho.

Quando “A Paixão de Cristo” estreou nos EUA, ouvimos muito sobre o grau de violência da fita. No maior país católico do mundo, isso seria uma propaganda negativa. Ao estrear o filme em terras brasileiras, instaurou-se a mesma polêmica, levando porém milhares de pessoas às salas de cinema e perguntando-se: por quê tanta violência no filme?

O catolicismo exacerbado de Mel Gibson levou-o a uma visão muito particular sobre a questão do sacrifício enquanto caminho para a redenção. Em seu filme “Coração Valente”, o protagonista William Wallace, também vivido por Gibson, sofre uma violência similar, digna de Jesus. Wallace chega a ser esticado pelos braços por cordas, adotando a posição de um crucificado. Não é de estranhar, portanto, que Gibson tenha filmado as últimas horas de Jesus com tal intensidade. Sua obra anterior dava as pistas deste projeto.

Passada a polêmica inicial, podemos pensar em tudo o que causou-a. Por menos religiosa que uma pessoa diga ser, a formação moral na maioria das famílias brasileiras passa pela educação cristã, seja católica ou protestante, em suas várias ramificações. A figura de Jesus está impregnada no imaginário coletivo. Por isso, discutiu-se muito sobre religião e muito pouco sobre as qualidades do filme em si. Ouviu-se muitas vezes a frase “Não vi e não gostei”. Um terapeuta ligado a cinema chegou a dizê-la, o que mostra a força de valores religiosos em um profissional que deveria, no mínimo, ter uma visão mais abrangente e imparcial sobre o tema.

passion-of-the-christ-01O que nos leva a tal identificação extrema, seja ela positiva – “Vou conferir se a violência é tão grande assim” – ou negativa – a já citada “Não vi e não gostei”? Uma certa fixação pela crucificação aponta para um recalcado sentimento masoquista, onde o sofrimento alheio exerce um atrativo a quem assiste. Pouco falou-se em relação à sutil e belíssima cena final do filme, quando da ressurreição de Jesus; a celeuma girou toda em torno da violência e da morte do Cristo.

O conceito freudiano de pulsão de morte, representada aqui pela crença neste sacrifício que salva e redime, instaura-se, assim, na origem da formação de nosso psiquismo durante a apreensão dos primeiros valores morais e religiosos. Um ponto a ser discutido e revisto na educação infantil, cujas conseqüências não podemos medir.

A Paixão de Cristo (The Passion of the Christ). 2004. EUA. Direção e Roteiro: Mel Gibson.  Elenco: James Caviezel, Maia Morgenstern, Monica Bellucci, Hristo Jivkov, Hristo Shopov, Rosalinda Celentano. Gênero: Drama. Duração: 126 minutos.

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7 comentários em “Sacrifício e Redenção em ‘A Paixão de Cristo’

  1. O governo tem que investir mais no ensino de base. Para que um número maior consigam fazer Engenheira e numa Universidade Federal.

    🙂 Além da Graviola, tem acerola, amora, manga, abacate, tamarindo, banana, cacau, caju, fruta de conde…

    Grata, por também linkar o blog!
    Beijo grande,

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  2. Lella, bom dia,
    antes demais nada gostaria de parabenizá-la pela iniciativa do blog, é sempre bom que as pessoas tomem tal atitude de opnião porque isso demonstra coragem e personalidade, visto que você esta expondo suas impressões pessoais em questões de relevância pública (cinema tem um valor social). Quanto a mim, acho válido ressaltar, em relação ao filme em questão, que sou católico e apaixonado por cinema e, a despeito das questões religiosas que envolvem a obra, eu considero o filme, tecnicamente, sem as mesmas pretensões de inovação de uma série Matrix ou Blade Runner, mas, em se tratando de uma direção de Mel Gibson, vejo uma certa preocupação em seguir a risca um roteiro, como Peter Jackson, o que valoriza o enredo, e, é claro, não podemos deixar de ressaltar, a dificuldade de fazer uym elenco atuar falando uma língua morta. De qualquer forma a inovação não vem dos recursos técnicos utilizados mas da ótica de um tema pra lá de batido, em que todos que entram na sala de cinema ja sabem exatamente o que vai acontecer, como vai terminar e quem são os personagens da história. Lembro-me bem da polêmica gerada em torno do filme “Jesus de Nazareth” onde a história foi bem romantizada, e vale ressaltar que é nesse filme em que a realidade é mais fielmente retratada, pelo menos é o que passam os livros sagrados. De qualquer forma é um obra que mexe com o interior do ser humano, faz pensar e fica por muito tempo na memória (quando não fica pra sempre) e isso, pra mim, é significativo.

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  3. Oi Marcelo!

    Grata! E saiba que foram vocês que aqui deixam suas impressões que:
    – primeiro, me fizeram até tomar mais gosto belo blog. Explicando: é que antes, eu estava trazendo para cá meus textos que estavam no Orkut; um local onde tê-los reunidos. A partir dessa troca com vocês, eu passei a dedicar-me, até em aprender como mexer dentro dele.
    – depois, ao ler um comentário… eu o convidei para ter um texto dele publicado aqui. O Fernando aceitou, feliz. E eu mais ainda, por dividir o ‘palco’ com outros cinéfilos como eu.

    Caso queiras também compartilhar um texto seu, também ficarei feliz e honrada. O texto só precisa ser inédito aqui. O “Jesus de Nazareth” ainda não foi comentado no blog. Como também pode escolher outro. Na aba Acervo, tem a listagem.

    Em relação ao filme de Mel Gibson, eu ainda não vi.

    E concordo contigo! É bom quando ele mexe conosco. Até por deixar uma vontade de revê-lo outras vezes mais.

    Ficarei na torcida para que aceite o convite!
    Beijo grande,

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  4. Lella,
    desculpe, eu até gostaria de participar desses debates,mas eu não sei como, e só postei esse comentário porque achei interessante o texto aqui apresentado. O que me chamou atenção foi que estava fazendo uma outra pesquisa que nada tinha a ver com cinema e acabei encontrando seu blog com uma crítica que me deixou a vontade para escrever tambem, espero não tê-la atrapalhado. Achei estranho você dizer que não viu o filme e, no entanto, publicar uma crítica, bom, de qualquer forma, renovo meus cumprimentos pela iniciativa.

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  5. Marcelo,

    todos os textos que estão aqui, trazem as impressões após termos vistos os filmes. Não sinopses, pois essa não é a proposta.
    Exceção, uns textos meus que podem serem vistos nas abas lá no topo, já que eles eu parto de um tema para deixar sugestões de filmes. Ex: Filmes que abordam o Bullying.
    Mas aqui nessa parte do blog, é a análise de um único filme.

    Sou eu que publico, mas dando os créditos quando o texto não é meu. Esse, ‘A Paixão de Cristo’, quem enviou foi o Edu; está lá o nome dele. Dos que têm blog, eu linko ao lado da assinatura.

    Eu vou te passar o bat-canal. Seguimos por lá 😉

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  6. Pingback: catolicismo » Blog Archive » A Paixão de Cristo (The Passion of the Christ)

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