A Noviça Rebelde – O Filme e o Musical

sound-of-music

Havia lágrimas no final do espetáculo “A Noviça Rebelde” (The Sound of Music) de Charles Möeller & Claudio Botelho, tanto na platéia como parte do elenco. Não é para menos. A dupla sabe como fazer emocionar e se cerca do melhor em termos de produção e elenco. Ester Elias está perfeita na pele da noviça Maria Reiner transmitindo todo o vigor e alegria de viver da personagem que foi baseada em estória real publicada em 1949 e transformada num dos filmes mais famosos já feitos.

A verdadeira Maria Von Trapp não era tão doce quanto na arte e seus filhos não estão milionários porque ela vendeu os direitos do livro bem baratinho. Ela, que morreu nos anos 80, exigiu uma participação no filme, mas ganhou apenas uma breve aparição como figurante passante. No set, sua figura dominadora não era muito bem vinda, mas ela estava sempre por lá dando palpites que eram quase sempre ignorados.

julie-andrrews-in-the-sound-of-musicMas todo o glamour que se vê na tela é impossível de ser arranhado mesmo quando se sabe que Julie Andrews comeu muita lama e grama ao cair repetidamente tentando fazer a deslumbrante abertura rodopiando nos Alpes, mas sendo derrubada pelo helicóptero que filmava; ou quando Charmian Carr (Liesl) dança com o tornozelo machucado e enfaixado com o carteiro. Na versão atual, não dá para ver a atadura por conta dos milagres da tecnologia digital. Para completar, Christopher Plummer, o ator que faz o barão, detestava de verdade crianças e animais em cena, o que deve ter contribuído para o realismo das seqüências pai/filhos. Mas os pequenos atores eram terríveis mesmo. Aprontavam horrores no set e nos hotéis da Áustria. Vivem até hoje, mas ninguém ficou famoso. Os verdadeiros filhos de Maria fizeram bastante sucesso cantando nos EUA.

a-novica-rebelde-teatro

Diria que a adaptação para os palcos brasileiros ainda é melhor do que a obra de Robert Wise porque seus personagens têm mais profundidade, as ações mais fluentes e bem resolvidas e as músicas mais bonitas e bem cantadas, além de um toque nacional que é sempre bem vindo. Faltam as belas locações de Salzburgo que não cabem no teatro, mas os cenários suntuosos e detalhistas compensam com direito a montanhas e céus com nuvens que se movem e tudo. É de tirar o fôlego e não fica a dever com as grandes produções do mundo. Soluções simples como a animação projetada sugerem com exatidão ilusões que vão de uma simples e rápida viagem de ônibus até outra ao redor do mundo.

As canções mais conhecidas não foram suprimidas. “O Som da Música”, “Dó-Ré-Mi”, “So-Long, Adeus”, “O pastorzinho” (The Lonely Goatherd) e “Sobe a Montanha” mantiveram o encanto e o significado mesmo traduzidas para o português. Questão de muita habilidade de quem lidou com as letras.

É reconfortante ver o teatro Casa Grande funcionando de novo com um espetáculo tão perfeito. Faz muito bem assistir. Inesquecível e brilhante.

Por: Carlos Henry.

A Noviça Rebelde (The Sound of Music). EUA. 1965. Direção:  Robert Wise. Elenco: Julie Andrews (Maria), Christopher Plummer (Capitão Von Trapp), Eleanor Parker (Baronesa Schraeder), Richard Haydn, Peggy Wood. Gênero: Biografia, Drama, Musical. Duração: 172 minutos.

Curiosidade: Fotos dos atores que interpretaram os filhos do Barão. Durante o filme, e 40 anos depois.

Anúncios

9 comentários em “A Noviça Rebelde – O Filme e o Musical

  1. Sou suspeita porque amo esse filme. Conheço as cenas de cor depois de tanto assistir e ainda hoje me emociono quando vejo a minha cena favorita: a declaração de amor do Capitão Von Trapp a Maria ao som daquela canção maravilhosa. E realmente tenho que concordar que o teatro brasileiro deu uma elegância sobrenatural para essa história e não fica a dever em nada. Abraços meus

    Curtir

  2. AMO este filme!!! Não vi a montagem teatral mas já perdi a conta do número de vezes que vi o filme!! Tenho em DVD e também a trilha sonora em CD. Digam o que disserem sobre a história é um dos meus filmes preferidos que inclusive cheguei a ver no cinema em uma retrospectiva há alguns anos!!!
    Beijins

    Curtir

  3. Assisti em 1966/67 e assisto até hoje. Este filme tem que passar em horário matinal para que todas as crianças possam estar assistindo. Os adultos também. Os meus filhos com 30 e 28, assistem até hoje. É uma referência para o resto da vida delas. Em desenho animado é uma idéia que as crianças também vão adorar.

    Curtir

  4. Dizer que a adaptação brasileira ficou melhor do que a obra de Robert Wise só pode se coisa de um imbecil!!!!! Não sei como dão oportunidade a esse tipo de gente de escrever um absurdo desses.

    Curtir

    • Ricardo!

      Primeiro, está sendo grosso atacando o autor, e sem usar nenhuma argumentação para basear a sua crítica.

      Depois, que não temos nesse blog, nem um autor e colaborador “imbecil”. Porque todos se expressam muito bem.

      Se quiser mostrar que também és inteligente, escreva sobre o que achou da Peça Teatral mostrando a sua versão do fato.
      😉

      Curtir

  5. Sou tão fã desse filme que além de já ter assistido zilhões de vezes, na última vez em que eu fui na Europa, eu fiz questão de ir a Salzburg com minha esposa e fizemos todo o roteiro da noviça rebelde. Foi um dos momentos mais emocionantes de minha vida.

    Curtir

Seu comentário é importante para nós! Participe! Ele nos inspiram, também!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s