Vicky Cristina Barcelona (2008)

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Prestes a completar 73 anos, sendo 42 dirigindo, com média de um filme por ano, Woody Allen parece não estar nem próximo de esgotar o seu repertório. Quem acha que Allen já representou todos os tipos de neuroses que o homem é capaz é porque não viu a Maria Elena, soberbamente interpretada por Penélope Cruz, de Vicky Cristina Barcelona. Com a personagem, o diretor e roteirista demonstra que não são necessariamente os conflitos de personalidade e padrão de comportamento social que determinam tal qualidade.

É notório que todo o trabalho de Woody Allen serve, no mínimo, como um espelho onde podemos enxergarmo-nos muito além das aparências, talvez por isso consiga trabalhar com situações-clichês sem assim sê-las; a exemplo da cena em que Vicky (Rebeca Hall) não sabe que roupa vestir para se encontrar com Juan Antonio (Javier Bardem) e acaba decidindo por um modelo bastante parecido com aqueles que a amiga Cristina (Scarlett Johansson) geralmente usa, demonstrando que Vicky espelha-se na forma ousada de encarar a vida da amiga, porém sem conseguir ir muito além dos seus locais de referência.

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Em Vicky Cristina Barcelona, em que as duas amigas estadunidense partem para uma temporada na cidade espanhola, Woody Allen representa, até onde é possível, a cultura “catalã” com a arquitetura de Gaudí, a culinária de frutos do mar, os solos de violão e, principalmente, com a intensa identidade “transgressora”; artística, com seu estilo trata questões já presente na obra de Almodovar como paixão, traição, ciúmes e o amor sem gênero humano, não tratado como homossexualismo, mas com a ausência de “rótulo” mesmo.

O filme entra para lista dos ótimos do diretor, porém demora a engrenar. Os primeiros minutos parecem não levar para lugar algum, mas a partir de determinado instante a história começa a desenvolver-se graças a introdução de duas novas “peças” na história: Maria Elena, a ex-mulher de Juan Antonio, e Doug (Chris Messina), o noivo de Vicky.

O elenco está excepcional, mesmo assim Penélope Cruz sobressai em todas as cenas nas quais aparece, portanto forte candidata ao Oscar de Atriz Coadjuvante. Javier Bardem interpreta outro personagem interessante como sempre fez, demonstrando que sabe escolher os papéis. Desta vez Woody Allen não colocou Scarlett Johansson para interpretar nenhuma das “grandes cenas”, o que faz mais louvável sua atuação “costurando” todos os elementos, já que é Cristina que permeia os dois núcleos da trama. Porém, não há como não comentar a cena em que estão retornando de Oviedo e a atriz personifica Woody Allen em um momento de neurose tão bem que sinto estar vendo o próprio em uma cena de Annie Hall. Rebeca Hall tem uma boa participação e demonstra grandes qualidades em seu primeiro papel de destaque. Já Patricia Clarkson dispensa comentários.

Vicky Cristina Barcelona fecha a temporada européia de Woody Allen positivamente. Fase que contou com Match Point, Scoop e O Sonho de Casandra. Em 2009 lançará um novo filme (Whatever Works) em Manhattam onde consagrou-se e onde não filmava desde Melinda e Melinda.

Por: Daniel Caumo.   Blog:  Daniel Caumo.

Vicky Cristina Barcelona. 2008. Espanha. Direção e Roteiro: Woody Allen. Elenco: Penélope Cruz, Javier Bardem, Scarlett Johansson, Rebecca Hall, Chris Messina, Patricia Clarkson, Chris Messima. Gênero: Comédia, Drama, Romance. Duração: 96 minutos.

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